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Parem de falar no Sporting

Rui Gomes, em 27.05.18

 

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Ao contrário do que pode parecer, sou uma mulher que gosta de futebol. Trabalhei como advogada na área do direito desportivo, frequento o estádio, acompanho campeonatos europeus e latino-americanos, assisto a jogos do campeonato brasileiro de madrugada, por conta do fuso horário. Longe de mim ter um discurso anti-futebol.

 

Mas confesso que estou mesmo assustada com as proporções que a situação do Sporting tomaram nas últimas semanas, ocupando uma parcela brutal dos telejornais, jornais impressos e online, redes sociais, mesas de bar, jantares e conversas no sofás de sala.

 

Conheço bem, por já ter trabalhado nos bastidores do futebol, a complexidade que impera nas políticas internas dos clubes. As trocas de favores, as promíscuas relações com os políticos, os interesses escusos e tantas outras coisas que não deveriam ter nada a ver com o esporte, mas que têm muito a ver com o poder e o dinheiro que rondam o futebol. Sei que é um cenário difícil.

 

Mas não é possível que a situação político-administrativa de um clube de futebol ganhe tantos holofotes a mais do que os debates acerca da legalização da eutanásia, do que a estreia de “O Labirinto da Saudade” nos cinemas, do que a feira do livro de Lisboa, do que a chegada da época dos incêndios e do que toda política internacional.

 

Bruno de Carvalho passou a protagonizar todo o horário nobre, como se esse fosse o assunto que mais preocupa todos os portugueses e que merece horas e horas de atenção de torcedores do Sporting, do Benfica, do Porto, do Belenenses, do Marítimo ou do Gil Vicente, bem como daqueles que simplesmente não ligam para futebol.

 

Nunca vi no Brasil, o famoso país do futebol, uma questão relativa ao esporte que tomasse tamanhas proporções. Nem nos velhos tempos de Mustafá no Palmeiras, de Dualib no Corinthians, de Juvenal Juvêncio no São Paulo ou de Eurico Miranda no Vasco. Sim, tivemos escândalos. Tivemos pancadaria. Tivemos patrocinadores em polvorosa. Mas nunca reduzimos nosso debate a isso.

 

O mais impressionante é que Portugal é um país culto- muito mais culto do que o Brasil. E a política do pão e circo, em tese, funciona bem melhor lá do que aqui. Mas, nas últimas semanas, chega a parecer o contrário. É preciso falar menos do Sporting.  Até porque, se os incêndios recomeçarem, não será Bruno de Carvalho quem apagará o fogo.

 

Ruth Manus, Observador

 

publicado às 11:06

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43 comentários

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De PSousa a 27.05.2018 às 13:08

As ofensas infelizmente proliferam por aqui. Comparações feitas por outros não são ofensas, são apenas "carinhos".

O PSousa não apoia ninguém, pois não há ainda candidatos nem eleições. Se os há, onde estão os programas?
O que precisa de fazer, ser diferente dos demais, apresentar um programa seu do que vai fazer para melhorar e não entrar em comparações nem apontar o dedo ao que o outro (anterior ou anteriores) fez de errado. Um candidato que diga qual a sua mais valia para o Sporting, um candidato que coloque o SCP à frente de tudo e de todos, e que saiba recolher dos outros o melhor para juntar ao seu melhor e serem "Bestiais", não de bestas mas de ainda melhores.
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De Rui Gomes a 27.05.2018 às 13:14

Escreveu muito e não disse nada, de concreto. Referiu um género de guia para a catequese.
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De PSousa a 27.05.2018 às 13:17

Deve ser porque sou católico. Resta-me rezar por algumas "almas".
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De José Sousa a 27.05.2018 às 13:58

O PSousa é 5 estrelas
Até "reza pelas almas".
Devia jogar no centro do terreno a pensar e distribuir jogo, pois a bola circula e o jogo flui .
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De José Sousa a 27.05.2018 às 14:19

Já o Rui Gomes parece aqueles defesas à antiga...passa a bola mas não passa o jogador. Lembra o Mozer, Fernando Couto ou Jorge Costa.
Rui, não leve a mal Rui esta provocaçãozinha.
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De Rui Gomes a 27.05.2018 às 14:28

Bem... comecei a minha muito modesta carreira de futebolista como guarda-redes, numa altura em que de facto não se era tão meigo como hoje. A própria bola, especialmente molhada, era uma autêntica bomba e não havia luvas, as mãos eram ligadas.

Mais tarde mudei para avançado, pela minha velocidade, mas até no antigo futebol de salão joguei como guarda-redes.

Outros tempos onde tudo era mais simples mas também mais difícil.
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De José Sousa a 27.05.2018 às 14:46

Uiiii...nem me lembre dos pelados em que fazer um "carrinho" era queimar a pele, o disputar a bola de cabeça pós chuto do guardião era ficar zonzo uns minutos (a bola pesava imenso), a caule que queimava...recordações.

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