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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

Não sei bem a que propósito, mas a AFP - que eu depreendo que seja a "Agence France-Presse" - levou a cabo uma reportagem sobre o passivo dos três grandes clubes de Portugal que, segundo a agência, é superior a mil milhões de euros.
O Benfica lidera a parada com dívidas que atingem cerca de 449 milhões de euros, mas o Sporting não está muito atrás, com números igualmente impressionantes: 442,7 milhões de euros. O FC Porto situa-se a um distante terceiro, com "apenas" 209 milhões.
A agência noticiosa contactou dois economistas, a fim de analisar os números citados, mas os pareceres divergem. António Samagaio - professor de Economia no ISEG - fez esta observação: "Há anos que o futebol português vive acima das possibilidades. Os bons resultados na Europa devem-se à qualidade dos jogadores, mas também a um endividamento descontrolado."
Já Domingos Amaral - professor na Universidade Católica de Lisboa - opta por dar destaque aos resultados desportivos dos últimos anos, que se ficam a dever, principalmente, a um maior investimento: "O futebol é uma actividade de alto risco, mas ao endividarem-se e ao comprarem jogadores, os clubes conseguem grandes vitórias que dão benefícios. Não podemos aplicar os mesmos critérios a clubes e empresas. Aos clubes basta vender alguns jogadores para reduzir as dívidas."
Não sendo a minha área de maior conhecimento, limito o meu comentário, mas creio que muito embora haja muita verdade nas conclusões dos dois professores, a questão fundamental é muito mais complexa. Por um lado, é facto que tem havido um endividamento descontrolado no futebol português, por outro, esse descontrolo, ironicamente, tem viabilizado um mais elevado nível competitivo e, daí, os referidos benefícios.
É por de mais evidente, no entanto, que o futebol português terá de encontrar soluções para sustentar os seus objectivos competitivos sem recorrer ao extremo ridículo do alarmante endividamento de registo, que, a verdade se diga, tem mais tendência a piorar do que a melhorar, seguindo o seu presente curso. E, neste enquadramento de ideias, não será suficiente, longe disso em facto, haver uma iniciativa singular, dado que uma maior estabilidade só poderá ser assegurada através de um esforço colectivo de grande dimensão.
Neste contexto, ainda não é claro o impacte das regras de "fair-play" financeiro da UEFA que, como é do conhecimento geral, está no processo de fiscalizar as contas de todos os clubes participantes nas provas europeias, incluindo o Sporting.
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