Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Há palavras que se colam à pele como uma lapa à rocha e “mudança” é uma delas. Bruno de Carvalho a propósito da candidatura de Pedro Proença à presidência da Liga de Clubes garantiu que o antigo árbitro personifica a “mudança” que é necessária na referida instituição.
O mesmo Bruno de Carvalho que viu o “pior funcionário” do Sporting ser promovido a coordenador do gabinete de scouting ou que assinou um contrato de quatro anos com o treinador do futuro que, poucos meses depois, foi acusado de ter uma agenda própria, poderia usar maior contenção nas palavras. Pela boca morre o peixe, costuma-se dizer.
Pedro Proença é considerado por muitos o melhor árbitro português de sempre. Penso ser secundário centrar a avaliação dos seus méritos e capacidades como dirigente da Liga de Clubes através da sua carreira na arbitragem. No entanto, é evidente que Pedro Proença, enquanto árbitro, nunca foi pessoa de ruptura com o status quo estabelecido pelos poderes dominantes. Não me recordo de um gesto ou de uma frase nesse sentido. Pelo contrário, andou sempre sossegadinho no carreiro não fazendo ondas.
Tenho como certo que o Sporting foi bastante prejudicado pelas arbitragens do candidato à presidência da Liga. O Portal Sporting/Memória em 13 de Agosto de 2009 publicou um ranking dos árbitros que teriam lesado mais o Sporting nas quatro épocas anteriores. A lista era encabeçada por… Pedro Proença.
Está na memória de todos os sportinguistas o princípio do fim da carreira de Stojkovic no Sporting à conta daquele erro de Proença ao assinalar injustificadamente como atraso de Polga uma bola que ressaltou para o guarda redes. Ou um azarado FC Porto-Sporting também disputado no Dragão, em Maio de 2012. Nesse jogo o árbitro Pedro Proença expulsou os dois centrais leoninos, Onyewu a quem erradamente mostrou dois amarelos e Polga por derrube de James. Depois, o árbitro não se coibiu de confraternizar de forma sorridente com Hulk.
Por ser mais recente no tempo, todos nos recordamos do Benfica-Sporting para a Taça de Portugal, em Novembro de 2013, quando Duarte Gomes não assinalou duas grandes penalidades indiscutíveis a favor do Sporting. Proença, agora promovido a paladino da mudança, garantiu que “Duarte fez uma excelente arbitragem. Teve de tomar perto de 150 decisões naquele jogo e, se errou numa ou noutra, não é isso que fará uma arbitragem negativa. O Duarte está no lote dos melhores árbitros portugueses e assim continuará”. Errou em dois penaltys, apenas. Um pormenor irrelevante, portanto!
Tenho sérias dúvidas que Pedro Proença premiado com o Dragão de Ouro e que num recente colóquio sobre arbitragem conviveu animadamente com Fernando Madureira, o líder dos Super Dragões, constitua um factor de transformação do futebol português em algo mais íntegro e equitativo, indo ao encontro das aspirações dos sportinguistas que defendem justiça e transparência nas diferentes instituições desportivas.
Há quem afirme que Proença é o candidato do Sporting à presidência da Liga, mas isso, em rigor, não corresponde à realidade. O antigo árbitro é o candidato do Sporting, FC Porto, Moreirense, União da Madeira, Marítimo, Estoril…
P.S.: 1 - A propósito da rejeição pela Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Futebol do sorteio condicionado dos árbitros, Bruno de Carvalho não foi meigo nas palavras: “Estamos num mundo de incompetência e hipocrisia”. Acontece que Pedro Proença é a favor da nomeação dos árbitros. O mundo é um lugar muito confuso!
P.S.: 2 - Para os leitores que queiram consultar o curioso ranking publicado no Portal Sporting/Memória.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

