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Perfil de um ditador

Rui Gomes, em 12.02.18

 

dictator-dave-martsolf.jpg

 Pintuta de Dave Martsolf "O ditador"

 

 

Um artigo intitulado "Perfil de um ditador", da autoria de Juvenal Rodrigues e publicado no Diário de Notícias Madeira a 11 de Agosto de 2009, que nos foi referenciado pelo nosso estimado leitor Fidalgo, a quem agradecemos a gentileza.

 

Isto, a propósito do carácter, comportamento e ambição de Bruno de Carvalho no que ao Sporting Clube de Portugal diz respeito:


"Muito se fala em ditadores, porém, os eleitores quando vão às urnas depositar o seu voto pouco se preocupam saber qual o perfil da pessoa em quem votam. Apenas sabem que é um fulano que fala bem e diz o que nós queremos ouvir. Para um país e um Povo este desleixo pode fazer toda a diferença nos anos seguintes à sua eleição.

 

Por exemplo, todos sabemos que Hitler foi eleito democraticamente e no seu mandato pôs a Europa a ferro-e-fogo mandando matar milhões de seres humanos. Então qual o perfil de um ditador? Os mais atentos e preocupados com estas coisas da política sabem que: o ditador agarra-se ao poder como uma lapa se agarra à pedra porque gosta sobretudo de mandar e não ser mandado. Não gosta de debates para esclarecer o Povo porque sabe que 'em terra de cegos quem tem um olho é rei'. Tenta por todos os meios calar os críticos (jornais, TVs e opositores) ameaçando-os com nacionalização ou encerramento mas, por outro lado, financia tudo o que seja propaganda do regime.

 

O ditador julga-se perfeito, nunca assume os seus erros (por isso nunca aprende) e arma-se sempre em vítima sendo os outros culpados de tudo o que de mal acontece. Faz discursos empolgantes de dedo em riste apontando em todas as direcções, culpabilizando todos menos ele para assim provocar a revolta das massas a seu favor. Não perde uma oportunidade de processar alguém mas quando a decisão lhe é desfavorável, então é a justiça que não presta. Enleva a população com os seus discursos inflamados de ódio jogando uns contra os outros para tê-los sempre à mão mas quando está a gozar dos privilégios que o cargo lhe confere nem se lembra que o Povo existe. No palco, gosta de ouvir-se a si próprio e, empolgado com o seu próprio discurso, perde o controle ameaçando todos os que não lhe prestam vassalagem mas logo a seguir dá o dito por não dito.

 

Quando está ao lado daqueles a quem passa a vida a ofender, mas que sabe serem mais importantes do que ele e que sem os quais não tem protagonismo desdobra-se em subserviência e palavras doces até o personagem voltar as costas e, depois, volta a atacar. Quando vê que as coisas não lhe correm bem fala em nome do Povo incitando-o à revolta ou à justiça popular porque sabe que as pessoas gostam do cheiro a pólvora e não receia criar instabilidade social se isso o mantiver no poder (dividir para reinar).

 

Perguntar-me-ão: mas então o que leva o eleitor a votar numa pessoa assim? É simples. Um ditador é um grande manipulador de massas que sabe escolher as palavras que as pessoas querem ouvir, sabe jogar com as suas emoções, a sua fraca cultura, o seu entusiasmo perante discursos inflamados de ódio e vinganças e sabe sobretudo que essas pessoas anseiam e têm absoluta necessidade de um líder forte mas que confundem com o arruaceiro.

 

Não se preocupam saber se esse líder os conduz por um caminho de paz e progresso mas anseiam por um líder carismático que personalize o seu bairrismo, que dê voz à sua revolta e às suas frustrações. Nem se apercebem que o eco do discurso ainda paira no ar e todas as frustrações estão de volta porque a sua vida em nada melhorou e entretanto o ditador já está no conforto do seu gabinete enquanto os 'graxas' do regime lhe prestam vassalagem e se banqueteiam. A população!? Essa come as migalhas dos banquetes porque acreditam cegamente no seu líder e nunca o questionam".

 

publicado às 12:54

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5 comentários

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De Naçao Valente a 12.02.2018 às 15:10

O autor apresenta o retrato do perfeito ditador. Claro que nesta moldura genérica cabem muitas variantes. cada caso é um caso, dentro do contexto em que se insere. No âmbito político, e na mesma época, há muitas diferenças, entre Hitler, Mussolini e Salazar. Mas todos têm uma coisa em comum, entre outras, o apego ao poder, o ódio à democracia e à liberdade.
Bruno Miguel de Carvalho à sombra destes grandes ditadores é um ditador de pacotilha. Não tem a ambição de salvar o mundo, numa dada perspectiva, mas de se salvar a si próprio. Salvar a sua sobrevivência o seu dejeso de protagonismo. De resto lê pela mesma cartilha descrita no texto. Usa os truques habituais: salvou o Sporting da extinção, levantou o ânimo dos adeptos, depois dele será o caos.
Demagogia e populismo apenas. Aquilo que está a propagandear como obra de génio que não é, teria sido feito, por exemplo, pelo seu opositor José Couceiro, sem dividir e perseguir sportinguistas contestatários, sem travar mil inúteis batalhas, todas perdidas, sem baixar o nível até à ordinarice, sem dar azo a chacota por parte dos adversários.
Os que o seguem cegamente deviam saber mais um pouco de história. Os consulados de homens providenciais, sempre acabaram mal. Os devotos não conseguem ver o que está por detrás do manto diáfano da fantasia. São presas do tempo curto, do ontem que era mau, confundindo-o com todo o tempo longo. Reagem pela emoção e não pela razão, pela análise fria e ponderada. Não pesam os prós e os contras. Não enxergam que o ditador, mesmo de pacotilha, não deixa de ser ditador. E essa nunca foi a matriz do Sporting.

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De juliuscoelho a 12.02.2018 às 15:23

Nação Valente boa tarde

De todo nao acredito que Hitler, Estaline, Mussoline, Salazar colocassem em plena liberdade uma votação ao povo e que caso perdessem nessa votação se demitiriam.

O Amigo Nação acredita?
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De Naçao Valente a 12.02.2018 às 15:50

Caro Julius Coelho,
Tenho um Karma comigo. Sei alguma coisa de história e isso, algumas vezes, causa-me angústia. No governo dos ditadores que refere não eestávamos em tempo de democracia. Uma onda de ditaduras, com uma ou outra excepção, varreu a Europa, com o seu cortejo de guerra. Quando os fascismos caíram, o nosso conseguiu perpetuar-se. Até inventou uns arremedos de eleições até às presidenciais de 1958, com Humberto Delgado. Mesmo com voto condicionado teve de haver "churrasquinho" para o regime ganhar.
Bruno de Carvalho não arrisca nada. Convocou a Assembleia para se reforçar. E vai ganhar a bem ou a mal. Ou acha, que fora do Sporting, tem emprego à espera? Devia ter pela grande competência que o meu amigo e outros lhe atribuem. Mas fora desse universo não é essa a percepção.
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De juliuscoelho a 12.02.2018 às 16:40

Nao creio que exista karma rssss, este espaço permite debate das ideias e quando são debatidas com elevação e saber aprendemos sempre algo.

Se sair do Sporting imagino que nao será fácil para ele reentrar na sociedade e imagino que nunca mais terá um lugar de destaque a nao ser que o Ricciardi ou o Sobrinho o reaproveitem para algo dos seus interesses.

Quando falamos e comentamos o top de nomes da historia mundial mesmo que sejam os da parte negra dessa história estamos a dar demasiado relevo a um simples presidente do Sporting , são escalas de enorme diferença.

E tambem ultrapassamos barreiras perigosas e de todo desnecessárias quando o comparamos com os maiores assassinos da historia da humanidade até me sinto mal por gostar tanto do Sporting.

Nem 8 nem 80 meu amigo.
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De Rui Gomes a 12.02.2018 às 16:42

A diferença monumental, caro Julius, é que a sair, sairá muito mais bem "recheado" do que quando entrou. Essa é toda a diferença!

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