De R. Ribeiro a 10.04.2018 às 14:42
Está a acontecer um outro efeito que tenho imensa infelicidade de assistir que é, aos olhos do público em geral, depois de toda esta perturbação criada por BdC, a mensagem e a missão que vem a lutar constantemente a público, à 5 anos, de transparência no futebol, da limpeza de corrupção, dos agentes desportivos e outros de forma indirecta, que se exige neste desporto está a perder-se por uma verdadeira inundação de "Crise no Sporting".
Não sei se o intuito de BdC era o de elevar-se a si próprio acima de qualquer clube português, tornando-se indispensável na sociedade desportiva em geral, no futebol em particular, ou se tinha uma qualquer outra ideia que não esteja, neste momento, a vislumbrar, mas a verdade é que conseguiu fazer o que nenhum dos adversários tinha conseguido durante ano e meio, que foi o de tirar as atenções para fora dos casos de corrupção que correm termos nos respectivos organismos, minando por completo todo o trabalho que fez em 5 anos, no que à saúde do desporto concerne. Perdeu-se o "mediatismo" nos jogos para perder, nos casos de corrupção e restantes para se falar unicamente na falta de saúde mental do presidente do Sporting relativamente à derrota em Madrid.
Até percebo que seja um caso de exaustão psicológica por falta de resultados visíveis (interpretando que uma taça da carica de nada vale), tendo descarregado naquele post do Facebook toda a frustração por este patamar ainda não alcançado depois de 5 anos à frente dos destinos do clube, tentando eliminar as possíveis suspeitas de incompetência desportiva do seu capote para o capote do plantel. No entanto, acabou por se afundar no seu próprio ego e na necessidade de justificação sem humildade do injustificável, elevando sempre mais ainda o tom de acusação e gritaria virtual quando se pedia um momento de humildade e de contenção.
Se BdC nada tivesse feito ou dito, no final da época, tudo o que se passou neste ano, relativamente à falta de competitividade e de resultados da equipa principal, recairiam sempre na responsabilidade de JJesus, que teve cheque branco para montar uma equipa campeã, tanto no mercado de verão como no de inverno. Se tivesse ficado quieto e sossegado, nunca iriam os adeptos e sócios sportinguistas exigir o seu afastamento antecipado pela falta de resultados, porquanto a equipa sénior de futebol está sem demonstrar resultados, as restantes modalidades estão melhor do que nunca e isso, graças a BdC!
Mais ainda, com a recuperação de um clube do estado em que estava o Sporting para o estado actual (a verificar se todas as informações trazidas a público de saúde financeira se confirmam), seria sempre algo mais complicado ganhar um campeonato logo nos primeiros anos, mas antes, manter um projecto sustentável de aumento de competitividade a longo prazo. Por inerência, os títulos apareceriam.
No final, BdC, em uma semana, destrói 5 anos de árduo trabalho, seu e daqueles que serviram o clube com ele, de denúncia de esquemas de corrupção com altos indícios de serem comprovados nas instâncias apropriadas, de exigência de um desporto profissional socialmente mais saudável, mais transparente e mais responsável em troca do quê? Ninguém questionou a falta de competitividade do plantel em Madrid, sendo visível para todos os erros crassos que foram cometidos. Qual foi a necessidade de BdC se achar o arauto mais nesta questão, quando não havia qualquer tipo de contestação pública sobre a mesma, sendo os pontos deste paralelos aos do público em geral?
Assim, sem necessidade, terminam 5 anos de um árduo trabalho, desenvolvido por todos, e não só os dirigentes e equipa técnica do Sporting, visto que também os seus adeptos e sócios continuam sem festejar um campeonato muito à boleia das denúncias que tem sido feitas e as quais já revelaram imensos indícios de falta de isenção no futebol, e sem um resultado positivo à vista, agora que as mensagens pelas quais se lutaram se tornam agora irrelevantes e objecto de escárnio por todos os que viram nelas a extinção do seu estilo de vida obtido à custa dessas mesmas práticas. E a troco de quê?