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Porque não precisa o Sporting de vender ?

Drake Wilson, em 22.06.16

 

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Carlos Vieira, responsável administrativo pela área financeira, deu esta segunda-feira uma entrevista ao Jornal de Notícias na qual abordou alguns assuntos contemporâneos, garantindo não existir actualmente nenhuma necessidade de realização de negócios que incluam a venda de jogadores para equilíbrio financeiro do Sporting. Algo inédito.

 

Entre diversas declarações que naturalmente pouco expõem o clube à sensível natureza de tal afirmação, Vieira assume que hoje o Sporting é um clube valorizado e devidamente posicionado nos seus objectivos desportivos que deseja. Refere que Jesus, assim como o rendimento desportivo inerente à intervenção do mesmo, permitiu uma angariação de negócios bastante proveitosos, outrora inatingíveis por diversas direcções que legaram o clube a uma insustentabilidade já conhecida e deveras debatida.

 

Numa primeira observação ao teor da entrevista, nada de novo esta nos traz; não mais do que fomentar natural mensagem positiva e de esperança junto dos adeptos leoninos com natural interesse em acompanhar não apenas as questões futebolísticas, mas também as de ordem financeiras tão importantes ao interesse do clube.

 

Uma Reflexão

 

Em análise mais aprofundada, ressalva-se o enigma respeitante à “marginalização” de uma das mais importantes fontes de rendimento do Sporting, assim como de outro qualquer emblema mundial. Numa gestão desportiva moderna, já abordámos no Camarote Leonino os quatro factores fundamentais á sustentabilidade no que respeita às Receitas. Vamos lá recordar:

 

1) Receitas de Match Day (ex: venda de bilheteira, merchandising)

2) Receitas de Broadcast (ex: direitos de transmissão televisivos)

3) Receitas Comerciais (ex: sponsorship e objectivos de performance competitiva)

4) Receitas Extraordinárias (ex: vendas de Jogadores, prémios de competições)

 

Sobejamente conhecida a realidade clubística inerente a diferentes escalões e economias, o desinteresse pela venda de activos consegue tornar-se uma conjuntura apenas possível a emblemas com extraordinários ganhos nos referidos pontos um, dois e três. Falamos naturalmente de Man.United, City, Chelsea, Barcelona, Real e PSG, como exemplos nunca comparáveis aos nossos clubes portugueses. Embora de salientar que as condições de sustentabilidade financeira impostas pela UEFA determinem um break-even obrigatório positivo, levando também estes a ponderar a gestão de entradas e saídas de activos. Mas não naturalmente com necessários objectivos de sobrevivência, como nos casos do futebol português que diversas vezes assistimos.

 

A Ponta do Iceberg

 

Poderá o leitor então questionar o que estará por detrás de tal natureza de desinteresse de angariação de verbas em vendas por parte do Sporting. No conhecimento de todos, estará visível a ponta do verdadeiro iceberg, onde sobressaem as declarações do presidente do clube, que por diversas vezes afirmou que o Sporting pretende reconfigurar uma tendência de maus negócios que assistiam a passadas direcções no clube. O nosso aplauso, se tal for efectivamente conseguido. É o que todos desejamos.

 

Convém recordar que fazendo fé à não-existência de um dolo-intencional em qualquer elemento directivo passado no sentido de prejudicar as finanças do nosso clube a seu bel-prazer, compreendemos esta referida relação negativa de negócios passados  – derivantes essencialmente da urgência de verbas para pagamentos imediatos – perante graves faltas de provisão de tesouraria. Do mesmo modo que sabemos que tais dificuldades económicas se deveram essencialmente ao assinalável défice de retorno de investimento aplicado num potencial competitivo das equipas que não o justificaram. Ou seja, investiu-se muito nas equipas sem retorno perante o que se gastou.

 

Na realidade, mais cedo ou mais tarde e como uma condição sine qua non, o Sporting terá necessariamente de vender activos. A pré-disposição semântica utilizada pelos elementos directivos actuais levar-nos-ão a acreditar no inverso, pois continua-se a assumir que a tal reestruturação financeira permite hoje o clube estar completamente alheio a este tipo de necessidade. Do mesmo modo, é notório interesse em passar a mensagem ao “mercado”, no sentido que este tenha de “abrir os cordões à bolsa” para contratar ao Sporting. É claro que as coisas não são assim que funcionam.

 

Este discurso só se sustenta naturalmente pelo resgate dos passes de jogadores, condição fundamental à libertação de uma linha de crédito (provavelmente em formato Factoring), na qual uma venda futura de activos (que podem servir hoje como necessárias garantias) proporcione o retorno desejado a quem está por trás desta emergente saúde financeira que assiste ao Sporting. Ou seja, poderá quase garantidamente o valor de uma futura venda de um jogador ter sido entregue por antecipação ao nosso clube, remetendo-se este a seguir indicações de conjunturas de mercado até ao negócio suceder para interesse alheio.

 

Em Suma

 

A economia é uma extraordinária ciência. Revitaliza um País defunto com um simples estalar de dedos, do mesmo modo que confunde todo o cidadão pagador de impostos a acreditar que as coisas “estão bem", levando-o a endividar-se, numa manutenção do ciclo económico obrigatório à sustentabilidade das nações. Reconhecendo que para a maioria da população estará na qualidade do seu sono a sua eterna riqueza, nunca esta se pode esquecer que o colchão onde se dorme nunca será mais importante que o pagamento da prestação de crédito da habitação, com todos os juros e responsabilidades inerentes.

 

publicado às 04:31

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10 comentários

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De J.Pinto a 22.06.2016 às 08:37

Concordo no geral com o que diz, creio que estas afirmações de Carlos Vieira sao um misto de verdade e outro de tentativa de posicionar o Sporting de forma vantajosa em termos negociais para qualquer eventual venda de jogador - mau seria passar a imagem que precisavamos de vender.

No entanto e mesmo sem conhecer a fundo as contas do Sporting, principalmente depois da re-negociação dos direitos de TV, creio que com esta estrutura de custos, uma boa participação na LC, poderá ser suficiente para ter um certo equilibrio senao vejamos por alto as contas deste ano

Sem receitas extraordinarias temos até ao momento um prejuizo de 17M que pode chegar por exemplo aos 20M

se tirarmos o custo extraordinario da Doyen - ficamos com cerca de 6M, 7M no negativo sem entrar na fase de grupos da LC - ou seja o que Carlos Vieira diz é perfeitamente possivel, embora obviamente mediantes certas permissas como esta da LC
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De Drake Wilson a 22.06.2016 às 14:34

Boa tarde J.Pinto.

Penso que o posicionamento do Sporting em relação a vendas terá de ser expontâneo e conduzido de forma profissional e realista de acordo com as necessidades de um clube. Na realidade as afirmações de Vieira só se sustentam porque existe claramente uma linha de crédito a apoiar o Sporting.

Esperemos que esta seja proporcionada pela banca, não desconsiderando que se poderá tratar de um fundo "anónimo". Mas a que custo? Com os passes dos jogadores como garantia até ao momento da venda – mais cedo ou mais tarde imposta pelo credor.

Por outro lado, deverá ressalvar-se que todos os jogadores como activos têm um período útil de venda, numa curva que cresce mas que também cai. Esperemos que a Direcção saiba bem em que cenário está inserida. Assim que se abrirem as hostilidades – final do Europeu – os negócios começam a fertilizar e podemos começar o ano sem um ou duas pérolas.

Dizer-se que não é necessário vender, como será da opinião de J.Pinto também, é pura demagogia. Mas essa é a realidade da maioria das entrevistas, em toda a sociedade.
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De Sérgio Palhas a 22.06.2016 às 08:54

Caro Drake,

O seu último ponto "Em Suma" não deixa de ser uma excelente reflexão transversal a todas as realidades que nos rodeiam.

Ainda agora com o consumar do pedido de proteção contra credores da OI, irei sentir na pele o quanto a noção de "segurança" é por vezes enganadora, tratando-se apenas de perceções sustentadas em noticias artigos de opinião cuja veracidade está encoberta numa rede de interesses e influências nefastas para quem procura a verdade mesmo que momentânea!
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De Profeta a 22.06.2016 às 10:04

Vamos ver o que acontece até ao fecho do mercado. Se não sair nenhum jogador como Slimani, João Mário, ou William Carvalho; a meu ver, será apenas para fazer a vontade ao Jesus, para mais quando estamos em ano de eleições. Por um lado o Jesus quer sair do Sporting como campeão, e não lhe interessa os meios. Por outro, Bruno de Carvalho está nas mãos de Jorge Jesus, e em ano de eleições, não me surpreenderá que não se encaixe nenhuma verba significativa - mesmo com as derrotas da doyen e do aumento brutal na despesa com o pessoal. O que interessa é manter o tacho. Afinal, "não me deixem cair". lol
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De J.Pinto a 22.06.2016 às 11:11

Agora tudo é por causa das eleições :)

Se vendemos é porque estamos à rasca, se não vendemos é por causa das eleições - já agora que vendas significativas se fizeram nestes 3 anos para alem de Rojo ? e já agora compare-se por exemplo com os adversarios directos.

Nas modalidades também se critica porque o orçamento de uma modalidade é o custo de um qq perneta do futebol e podiamos investir um pouco mais, mas depois se se investe critica-se porque é eleições

O pavilhão a mesma coisa - um projecto que vem sendo desenvolvido quase desde o inicio do mandato, critica-se agora porque vai coincidir com a eleição - queriam o que - que se parassem as obras e recomeçassem depois ?

Tudo o que se faz tem consequencias, seja desportivas ou financeiras e os resultados são imediatos e cá estaremos para os avaliar e tudo o resto é especulação .
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De Profeta a 22.06.2016 às 11:25

Quando se inaugura uma obra - que supostamente é de todos os sportinguistas - no mês das eleições, que poderemos nós pensar?

E quanto a modalidades, terão um grande aumento de despesa, e claro, em ano de eleições...

Eu nunca vi uma administração preocupar-se tanto com as aparências e com o que dizem de si... Só lhe(s) move a reeleição.
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De J.Pinto a 22.06.2016 às 11:28

quanto é que é o aumento em % e em valores concretos das modalidades ?

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De Diogo Martins a 22.06.2016 às 11:57

E o aumento das modalidades é no Clube, não na SAD.

Por muito que doa, o Sporting é, atualmente, um clube financeiramente sustentado.

E este reposicionamento no mercado, como refere o Drake, essencial.
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De Profeta a 22.06.2016 às 12:04

"Por muito que doa, o Sporting é, atualmente, um clube financeiramente sustentado. "

Foi um milagre! Deve ter sido pelos investidores russos e americanos, ou quanto muito, dos 20 milhões que entrariam mal fosse eleito... kkk
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De Ricardo Rodrigues a 22.06.2016 às 12:09

Caro Drake, a sua "suma" é uma pérola...

Tivessem as pessoas no geral, um conhecimento mínimo do que é a economia real e tenho a certeza que existiriam casos de defenestração por este Portugal fora, começando em S. Bento, passando pela Assembleia e autarquias e terminando em muitas empresas, fundações e mesmo casas particulares...

Felizmente a maioria anda alheada, pois a existência do referido colchão, dá bons sonhos...

Fortes Rugidos
RR

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