Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Promiscuidade ao mais alto nível

Rui Gomes, em 23.09.18

 

img_240x200$2015_10_26_19_11_45_1006496_im_6358148

Quem segue as minhas intervenções públicas sabe que, em relação ao 'Benfica de Vieira', sempre apresentei as minhas teses em dois planos:


1. A vincada evolução que o clube conheceu, do ponto de vista da ultra modernização das infra-estruturas, com óbvia repercussão na qualidade do projecto desportivo;


2. A obsessão em querer ver tudo controlado, fora das quatro linhas, como espécie de 'lei' conferida pela sua dimensão, sendo esta sobretudo nacional - número de adeptos, maior atractividade comercial, etc., etc.


Com Vieira, tem havido '2 Benficas': um pujante e progressivo, e profissional, no que diz respeito à sua 'roupagem' de grande clube; um outro capaz de promover mecanismos e dinâmicas de sedução pouco recomendáveis - e o eufemismo nem sequer pretende mitigar a acusação do Ministério Público em relação ao 'e-toupeira', segundo a qual a SAD está acusada de 1 crime de corrupção activa, 1 crime de oferta ou recebimento indevido de vantagem e 28 crimes de falsidade informática.

 

Nesta óbvia obsessão de ver tudo controlado (Arbitragem, Disciplina, Justiça, Parlamento, Comunicação Social, etc.), os responsáveis do Benfica têm sido de uma arrogância que lhes pode ser fatal. Acharam que nada os podia atingir, protegidos pela força da 'marca Benfica', e a revelação dos emails, depois de ter aberto a 'caça ao hacker', mostra acima de tudo - e o que de resto as investigações determinarem - uma grande promiscuidade. Promiscuidade ao mais alto nível.

 

Esta clara ideia de promiscuidade à solta, sob a convicção de que a Justiça não pune os poderosos, representa um olhar redutor de um país periférico, sem lei, sem autoridade, sem dignidade. Um olhar próprio de quem vê, através de um umbigo espelhado, uma República das Bananas.

O acesso ilegítimo é punido por lei. Mas, como tenho sempre dito, o acesso ilegítimo não pode ser apenas censurado quando nos sentimos invadidos na nossa privacidade; também tem de ser (auto) reprovado quando se acede, ilegitimamente, aos processos que deveriam estar em recato na máquina do aparelho judicial e judiciário.

O Benfica perde qualquer tipo de razão ao criticar a devassa do seu sistema informático e não o consegue fazer quando devassa o sistema informático da Justiça. Ambas as situações são graves e punidas por lei.

Há um denominador comum em todos os processos a envolver o Benfica: tentar 'prender o rabo' a várias figuras ligadas, directa e/ou indirectamente, ao futebol. Foi assim com os vouchers, foi assim com a criação das toupeiras, foi assim com o processo de rangelização do 'aparelho judicial'. A ideia é a mesma: que nenhum 'árbitro' tenha condições ou a ousadia de tomar decisões contra os alegados interesses do Benfica. Uma espécie de (boa) polícia de usos e costumes, à prova de qualquer iniciativa policial.

Quando um clube de futebol ousa criar uma espécie de 'ultra-polícia', para tentar estar um passo à frente das investigações, algo está profundamente errado no cérebro de algumas pessoas. A ideia é demasiado ousada e arriscada para ser patrocinada ou em negação ou em doses contraditórias de decisões que nunca são assumidas em pleno, como no caso vertente de Paulo Gonçalves.

 

As ligações do Benfica com Paulo Gonçalves são tão fortes que, mesmo na hora de prescindir dos seus serviços, foram necessários (em comunicado) mais do que mínimos salamaleques. O reconhecimento da lealdade (de Paulo Gonçalves) legitima a leitura de que ele estava alinhado com uma estratégia e com o projecto em todas as suas vertentes. A não assumpção, por parte da Benfica SAD, da responsabilidade de prescindir dos serviços do seu ex-assessor jurídico já significa muito. A proposta foi de Paulo Gonçalves; não foi do Benfica. Quer dizer: ambos podem ter concertado posições, no sentido de, no limite, se protegerem um ao outro, numa manobra de contorcionismo desconfortável e impossível, mas a imagem que fica é muito redutora para o Benfica: não foi capaz de tomar uma posição clara, e a recente imagem de Paulo Gonçalves na tribuna de honra [vide foto deste texto] adensa essa ideia de que o Benfica se deixou aprisionar.

Esta ideia de um Benfica aprisionado (e verdadeiramente em apertos) é perturbante e penaliza muito a imagem de Luís Filipe Vieira.

 

Rui Santos, jornal Record

 

publicado às 03:32

Comentar

Para comentar, o leitor necessita de se identificar através do seu nome ou de um pseudónimo.


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Taça das Taças 1963-64



Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D




Cristiano Ronaldo


subscrever feeds