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Protegidos pela estética da mensagem

Drake Wilson, em 11.08.16

 

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Prestes a iniciar o campeonato 2016/2017, estará o Sporting em desejável posição de candidato a qualquer título ou competição de futebol na qual participa? Em boa verdade, a manutenção até ao presente dos jogadores nucleares da época anterior, permite-nos suster a esperança de que não entraremos fragilizados até ver. Com alguma expectativa todos aguardamos pela inevitabilidade da perca de um ou dois dos elementos com mercado, sugerindo tal mudança uma certeza de que existirão ainda demais alterações ao plantel. 

 

Cenário que colocado, tanto tem de indesejável como obrigatoriamente previsto; porém, justamente questionável será a abordagem que o nosso Clube teve perante o mercado de Verão, consagrando tanto aos fracos negócios em dispensas como em aquisições uma enorme dúvida para com a aparente garantia de um caminho escolhido por quem realiza os destinos do Sporting. Protegidos por uma névoa de muitas palavras mas de poucos esclarecimentos, toda a linha dirigente garante que este é o trajecto que se pretende, consagrando-se o sucesso de uma épica recuperação financeira que ainda hoje não nos permite reforçar o plantel dentro dos timings desejáveis. Uma fragilidade encoberta pela tal manutenção do núcleo duro, mas facilmente observável pelo questionável e amiúde ingresso de parcas mais-valias que permitam a verdadeira rotatividade, competitividade e segurança a lesões ou alterações que surjam no plantel.

 

No plano Técnico, uma invulgar descoordenação entre os sectores posicionais da equipa nos jogos já realizados, juntando a uma insustentável relação da imprensa desportiva para com a nossa nação verde-e-branca, não nos permitiu uma pré-época estável. De longe é reconhecível que o mais desejável teria sido a época anterior não ter chegado ao fim, sendo as férias, o estágio e mesmo o Europeu o maior transtorno que assistiu ao Sporting. O Clube não queria comprar, não queria vender, não queria ser “falado”, mas desejava continuar a ser um dos candidatos. Uma invulgar forma de estar que revela dificuldades em conviver com o que se considera natural em alta competição: sempre em pressão alta, desafiados por todos os sectores, ultrapassando estratégias subversivas dos oponentes, cabendo apenas à reconhecível aptidão dos verdadeiros profissionais o único modo de suster a ânsia de qualquer mercado, concorrente, jornalista, opinion-maker ou adepto.

 

Em quatro anos, todas as épocas nos aparentam começar num estranho “ponto zero”. Um Clube empiricamente concentrado na estética da sua mensagem para o exterior, porém refém de dogmas materializados por uma estratégia desportiva incerta: apostamos na formação, apostamos na experiência, apostamos em novas parcerias, apostamos nos patrocinadores, apostamos propriamente em quê? Aparentemente a aposta está na manutenção dos melhores (por boa vontade dos mesmos?), assim como do treinador, salve algum acto irreflectido de algumas das partes e mais um divórcio surja. Um ambiente que por vezes aparenta não permitir um alfinete por perto.

 

Procuro na minha consciência um prazo de mais um ano – que se me aparenta demais – onde após o mesmo e na ausência de qualquer título, creio existirem condições suficientes para formalização de uma candidatura credível por parte de nomes que surpreenderão a praça pública. Perante o cenário que mais desejo – que o Sporting ganhe algum título este ano – só terei de aceitar a contra-gosto que todos aqueles que (não) dirigem por lá se mantenham, sob protecção dos que votam pela estética da mensagem.

 

publicado às 11:00

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