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Quando a paixão leva ao flagelo

Rui Gomes, em 24.06.14
 

 

Vou abordar uma temática que está longe da minha área de competência e conhecimentos, salvo pela minha experiência em lidar com médicos e fisioterapeutas em equipas de futebol que liderei ao longo dos anos. Senti, no entanto, que não podia ficar indiferente perante tão enorme onda de acusações, sem conhecimento de causa, que ferem a idoneidade de um médico que goza de excelente reputação, assente em muitos anos de experiência na especialidade. Para o efeito, basta visitar alguns sites noticiosos, as redes sociais e algures na blogosfera, para verificar a baixeza de comentários em relação ao trabalho e à competência do Dr. Henrique Jones, o médico da Selecção Nacional.

 

Sobre as muito badaladas lesões que afectaram a equipa das quinas no Mundial do Brasil, o Dr. Henrique Jones teve isto para dizer, em conferência de imprensa realizada esta terça-feira em Campinas:

 

«Lesões reais tivemos três. É diferente o termo mialgias de lesão muscular. Fizemos oito ressonâncias magnéticas e doze ecografias. Lesões musculares tivemos os casos de Coentrão, Hugo Almeida e Rui Patrício. Mialgias, ou com dores, tivemos Pepe, Raúl Meireles, André Almeida e Hélder Postiga. Este último fez todos os treinos e estava com os índices lesionais normais. Mas sentiu uma dor muscular e não podemos estar a arriscar uma lesão muscular.»

 

«Os exames que foram feitos antes do Campeonato do Mundo foram-no de forma a darem-nos garantias de estes atletas nos darem o melhor. Tínhamos índices de suspeição lesional superiores face a outras fases finais. Quando falamos em índices de suspeição lesional queremos dizer que dois terços dos 23 tiveram uma época 2013/14 muito sobrecarregada em termos de lesões. Mesmo assim tínhamos os exames que confirmavam que estavam aptos para integrar a convocatória. O passado lesional, bem como a idade, são factores que podem levar ao desenvolvimento de lesões, face a um com o passado lesional mais limpo.»

 

«O Cristiano está bem melhor do que quando chegou aqui. Quando constatámos que a imagem do seu tendão rotuliano estava muito melhor foi a partir desse momento que explicámos que ele tinha uma lesão tendinosa de base que, mesmo estando melhor, continuava a existir. Clinicamente o Ronaldo estava em condições de competir neste Campeonato do Mundo. O Cristiano Ronaldo tem a primeira lesão no dia 6 de Abril. Depois disso, começa-se  omitir essa lesão e a falar de lesão muscular. Ele nunca se treinou como se treina agora. Ele quase só jogava no Real Madrid. Estamos a par dos exames que ele fez, e do esquema de resguardo a que estava sujeito em Madrid. Qundo ele veio sabíamos as condições em que ele vinha. Posso dizer que no dia em que Portugal joga com o México ele fez a única ressonância, que nos tranquilizou quanto à lesão no tendão rotuliano.»

 

Perante esta explicação, e também sem duvidar da competência de quem supervisionou a preparação física da equipa, atrevo-me a adiantar que, quanto muito, o que mais pode ser discutido, que tem sido aliás desde o primeiro dia, é a inclusão de alguns dos 23 atletas que viajaram para o Brasil e a exclusão de outros que ficaram em Portugal, que poderiam, porventura, ter contribuído para uma melhor performance da Selecção Nacional, e que ofereciam, em princípio, menores índices de suspeição lesional.

 

publicado às 18:34

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16 comentários

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De comentador desportivo a 24.06.2014 às 19:57

" Este Mundial de Portugal exige uma análise alargada e abrangente"

Em continuação do diálogo consigo, eu trocaria esta sua afirmação por, este Mundial exige uma análise alargada e abrangente, por partes do organismo que superintende o futebol.
No seguimento do que eu já tinha aqui por várias vezes referido, mais uma equipa europeia de grande qualidade que vai para casa, têm sido uma razia mas equipas europeias, mais uma vez também com a colaboração do árbitro.

Também como eu já tinha aqui dito, há pessoas que percebem disto, que estão atentas
" José Mourinho considera que os relvados dos estádios que têm sido palco dos jogos do Mundial não estão à altura da competição, tão-pouco dos protagonistas que neles evoluem.

«Quando vejo os jogos, salta à vista o mau estado dos relvados. Quase todos eles não têm qualidade para receber jogos de alto nível. Enquanto treinador que não está envolvido na competição, mas como adepto que está em frente ao televisor para ver bom futebol, considero ser algo inaceitável a este nível. Os relvados não são os melhores»

Em relação ás lesões não vale a pena entrar em promenores, basicamente é o que eu já tinha dito
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De Rui Gomes a 24.06.2014 às 21:20

O mau estado dos relvados, mediante a apreciação de José Mourinho, de que não duvido, não podem explicar tudo.
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De eu vi um sapo a 24.06.2014 às 21:11

Quanto a este assunto posso dizer duas coisas.

1. sou treinador e conheço pessoalmente o Dr.Henrique Jones
2. quando um atleta meu rompeu o ligamento cruzado anterior o referido Dr. optou por experimentar algo novo com o ligamento que correu muito mal levando a nova operação 6 meses depois para corrigir o erro. resultado: 15 meses parado!!

Não ponho em causa a qualidade da equipa medica da federação mas ninguém é infalível e apesar das explicações que ouvi em directo e na totalidade há muita coisa que ficou por explicar e que não bate certo. Acima de tudo houve vários erros e más opções por parte de todos os responsáveis que estão no Brasil.
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De Rui Gomes a 24.06.2014 às 21:19

Tudo bem... não vou refutar o que desconheço, mas creio que as declarações do médico limitaram-se ao foro clínico, mesmo havendo outras disposições laterais de impacte relevante.
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De carlos a 24.06.2014 às 21:40

O mais grave das declarações de Henrique Jones, é quando ele diz que os jogadores tinham «índices de suspeição lesional superiores face a outras fases finais. Quando falamos em índices de suspeição lesional queremos dizer que dois terços dos 23 tiveram uma época 2013/14 muito sobrecarregada em termos de lesões.»

Ora, perante este cenário, o seleccionador convoca depois de lesões longas, o Rafa Silva (fez 2 jogos completos e 2 meias partes depois da lesão), o Postiga, que terminou a época lesionado e teve 2 lesões longas na época (jogou 5 jogos e 136 minutos em Itália), o Vieirinha (que esteve lesionado desde a 6ª jornada e jogou 132 minutos nos últimos 5 jogos da época), Ruben Amorim (que fez 7 jogos inteiros e lesionado desde a 25ª jornada, fechando na europa), o Nani (que esteve longamento lesionado, dado como apto à 26º jornada, tendo jogado 3 jogos desde aí, 153 minutos), Éder (lesionado longamente, que fez 4 jogos, 174 minutos) e ainda Pepe e Ronaldo que terminam a época lesionados.

Se destes, alguns são, ou podem ser peças fundamentais para a equipa, ou com histórico de selecção, a pergunta pode ser, o que foram lá fazer Vieirinha, Éder, Rafa Silva, Rúben Amorim, não só pela opção técnica, mas sobretudo pela médica?
Quis Henrique Jones, lavar daí as mãos? Provavelmente, porque a ele cabe-lhe apenas estimar «índices de suspeição lesional», que seriam à partida «superiores face a outras fases finais».
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De Rui Gomes a 24.06.2014 às 21:54

Daí o meu argumento, desde o primeiro dia, que o mais discutível, por ser tão evidente, é a convocatória.

Não sei se o Dr. pretende ou não "lavar as mãos", mas parece óbvio que descreve o estado dos jogadores à raiz, ou seja, quando foram convocados.
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De carlos a 24.06.2014 às 22:42

Fiz algum esforço para perceber a convocatória, mas só pensava que deve ser alguma convicção enviesada de Paulo Bento. Nunca a percebi. E os jogos de preparação ainda me confundiram mais. Nos jogos a sério, as opções tácticas iniciais e de recurso, só reforçaram a minha confusão. A pouca destreza para perceber a eminência do desastre tem pouco paralelo a este nível. O sofrimento que foi ver a ala esquerda contra os EUA e o ponta de lança com o Cristiano parado a seu lado, foi atroz. Talvez eu tivesse a vantagem de estar a ver pela televisão...
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De Rui Gomes a 24.06.2014 às 23:46

É indiscutivel que houve inclusões e exclusões na convocatória que só Paulo Bento raciocinou. Dito isto, também devemos compreender que o leque de talentos ao nível de selecção não é muito alargado, embora se tenha falhado em posições cruciais, nomeadamente no meio campo e, claro, com Antunes a lateral esquerdo.
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De carlos a 25.06.2014 às 00:23

Talentos, não haveria muito mais. Jogadores com um nível superior, só os renegados Ricardo Carvalho e Danny, o Bosingwa consta ter feito uma boa época no Trabzonspor. Não foi capaz de convencer o Tiago, nem se percebeu o Adrien, pelo menos nos 30. A situação do Antunes, é inacreditável e havia alternativas, como o Eliseu.
Teríamos um 11 mais consistente, ou pelo menos mais opções válidas com alguns dos jogadores atrás.
momentos antes do Portugal - Alemanha, riscava um amigo:
Patrício
J. Pereira
Coentrão
Ricardo Carvalho/Pepe
B. Alves
Pepe/William
Tiago
Meireles/Moutinho
Danny
Nani
Cristiano
e realmente soa um bocadinho mais consistente. Nunca o saberemos.

Mesmo com os 23 que levou, há alguns erros:
a não inclusão do William, ou o adiantamento do Pepe - contra a Alemanha;
com a condição física de Cristiano, mais valia tê-lo colocado como Avançado-Centro, colocando alguém nas alas mais participativo na dinâmica defensiva e ofensiva (obrigava os adversários a esticar mais um pouco);
a indecisão Moutinho e Meireles a fechar à esquerda;

enfim, ainda espero um grande jogo, um grito de rebeldia, que ganhemos 3 ou 4 -0 e que a Alemanha faça o que tem obrigação de fazer.






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De Rui Gomes a 25.06.2014 às 00:37

Na minha opinião, o nosso grande erro contra a Alemanha foi não jogar com um meio campo mais combativo, com a entrada do William , num 4x2x3x1 , prescindindo de um extremo ou, se desejar, a exemplo do que os próprios alemães fizeram, sem ponta de lança de raiz.

Já aqui debatemos imenso os nomes da convocatória e não vale a pena recapitular neste momento, mas os nomes mais evidentes são Antunes, Adrien , talvez o Bebé ou o Edinho que tem estado em grande forma na Turquia, com 11 golos desde que foi para lá em Janeiro.

Eu nunca mais aceitaria Ricardo Carvalho. Aqui dou razão a Paulo Bento. O que ele fez é inadmissível. Os casos de Danny e Quaresma teriam de ser bem ponderados. O problema começou logo pela sua estratégia, ao determinar que levaria 8 avançados e 6 médios, quando devia ter sido ao contrário.

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De carlos a 25.06.2014 às 08:14

O Ricardo Carvalho passava por uma fase complicada a nível pessoal. E foi pisado, como se tratasse de refugo. Talvez não merecesse e fosse o papel da estrutura na selecção, tentar compreender e até deixá-lo errar. O problema é que isso é apenas benefício de alguns, que dizem amén a tudo.
A selecção não é uma rua onde manda o dono da bola.
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De Mário a 25.06.2014 às 00:29

Caro Rui,
Há dias questionava num post anterior quais eram os 10 "lesionados" que tínhamos levado para o Brasil.
Pois aqui tem.
Isto não tem que ver com o médico, tem que ver com o PB.
É burro, é teimoso e como treinador não tem categoria para ver o que está a correr mal e corrigir.
Quando esteve no Sporting afirmou que não tinha jogadores, agora que os tinha, não os utilizou.
Resta-lhe ser coerente e manter a sua aposta até ao fim.
Mudar a equipa agora só revelaria que errou.
Que se vá embora o mais depressa possível e deixe iniciar um novo ciclo na selecção.
Se levasse o João Pinto com ele, ouro sobre azul.
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De Rui Gomes a 25.06.2014 às 00:41

Não existiam 10 lesionados na convocatória, nem foi isso que médico afirmou, mas sim "índices de suspeição lesional", pela época que fizeram, o que é bem diferente.
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De iorda9 a 25.06.2014 às 01:52

Peço desculpa pelo Off.topic, mas UFA !!!

http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=485567
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De Rui Gomes a 25.06.2014 às 03:37

Obrigado. Já preparei um post neste contexto há umas horas e será publicado em breve.
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De Tywin Lannister a 25.06.2014 às 05:41

Por onde é que andava a selecção nacional em vésperas de início do Mundial...? ;)

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