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A etimologia da palavra Amorim remete-nos para o "lugar dos amantes" e é precisamente vindo da relação própria dos amantes, que se pode encontrar o "lugar" onde, actualmente, está presente o vincado sentimento do universo sportinguista para com o treinador Rúben Amorim, no denominado "entusiasmo de uma paixão".

Ultrapassadas as discussões sobre o elevado custo da contratação ou até a sua competência profissional, Rúben Amorim tem vindo a provar aos mais cépticos, desconfiados ou pura e simplesmente maledicentes, o fulcral acerto que foi sua contratação e, pelas manifestações apresentadas, já terá conseguido despertar uma "paixão" em muitos sportinguistas. E com o seu "amor" à causa leonina despertou, entre os sportinguistas, um fenómeno traduzido no título deste post:

"Quando se apaixona um, apaixonam-se (quase) todos!"

Sem entrar em determinadas avaliações técnicas, para as quais há quem, aqui mesmo no camarote leonino (sem desprimor para os demais, destaco o nosso assíduo e participativo leitor juliuscoelho), esteja mais "habilitado" e vestindo o "equipamento" de adepto, realço o bem que a equipa joga e o prazer que dá vê-la jogar. Esta forma de jogar é, sem dúvida, a expressão de todo um trabalho, que assenta na valorização do colectivo e na maximização do seu rendimento, potenciando, por aí, as qualidades individuais de cada jogador.

Neste contexto, não é de estranhar que diversos jogadores estejam, este ano, a apresentar um rendimento desportivo muito superior ao apresentado anteriormente, nem que, como no último jogo da Taça de Portugal contra o Paços de Ferreira, a ausência do seu jogador mais em evidência até à data (Pedro Gonçalves, "Pote"), não tenha levado a uma quebra no rendimento da equipa ou que os jogadores chamados para suprir a sua ausência o tenham feito com distinção.

Esta realidade só se tornou possível porque Rúben Amorim, com a sua equipa técnica, têm desenvolvido um trabalho assente numa matriz e num modelo de jogo, em que o colectivo tem uma maior relevância na 'expressão' do rendimento da equipa, do que as indiscutíveis potencialidades individuais de cada jogador. Estas surgirão infalivelmente como resultado do seu enquadramento no rendimento colectivo, sendo sempre mais valias, e não o factor decisivo, a esse rendimento.

image (2).jpg

Obviamente que a qualidade dos jogadores é relevante, mas essa qualidade é canalizada, e até potenciada, para uma ideia colectiva e global de jogo, que leva a equipa a não estar tão dependente da presença ou inspiração de um determinado jogador, num determinado jogo.

Defendo que a competência de um qualquer treinador não deve ser avaliada apenas pelos resultados. Exemplificando com recurso ao absurdo, não seria de todo legítimo exigir a um treinador, com reconhecida competência, que vencesse o campeonato nacional, se à sua disposição lhe fosse colocado um plantel formado por jogadores de um mero respeitoso campeonato distrital qualquer. Lá diz o provérbio que "não se fazem omeletes sem ovos", e seria deveras injusto avaliar a sua competência pelos resultados, mas, mesmo neste caso, poderíamos então avaliar o trabalho realizado e alguma da sua competência, pela forma como teria potenciado o rendimento da equipa e dos jogadores.

No meu ponto de vista, e contra a notória realidade existente no futebol da "ditadura dos resultados", qualquer avaliação justa sobre a qualidade de um treinador deve ter sempre em conta quanto, tendo por base um teórico rendimento individual esperado para cada jogador do plantel, o rendimento global apresentado pela equipa é superior à simples soma desses teóricos rendimentos individuais previamente esperados. Quanto maior for essa diferença, mais valor acrescenta o treinador à equipa, não só em termos de resultados desportivos, mas também no que respeita ao aspecto "comercial" dos jogadores. E Rúben Amorim, a julgar pela evidência à vista, tem conseguido apresentar um rendimento global da equipa que é indiscutivelmente superior à soma do valor individual de cada um dos seus jogadores. 

Muitos já chamam ao rendimento da equipa do Sporting este ano, o milagre de Amorim. Os milagres, a acontecerem, são raríssimos e mais ainda no futebol. O que acredito é que o  rendimento da equipa do Sporting, este ano, não resulta de nenhum milagre, mas sim da competência de Amorim.

Voltando ao sentimento prevalecente, na relação íntima do universo sportinguista com Rúben Amorim, convém recordar que, habitualmente, as paixões envolvem sentimentos intensos mas efémeros, e que, quando colocadas perante as dificuldades e o insucesso, são passíveis de se transformarem em revolta e desilusão. Não estando a comparar, com esse extremo afectivo, a relação do universo sportinguista com o actual treinador, convém ter a prudência e racionalidade essenciais, até porque o mundo do futebol também desencadeia emoções fortes e de volatilidade conhecida.

Reconheçamos a felicidade de ter o Rúben Amorim no comando técnico da nossa equipa e valorizemos a qualidade do seu trabalho, mas mantenhamos o distanciamento emocional necessário, até para benefício e tranquilidade do próprio, que inevitavelmente aumentará as hipóteses de sucesso da equipa.

publicado às 03:34

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13 comentários

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De Luis Moreira a 13.12.2020 às 12:05

Para já o grande mérito de Ruben Amorin é ter escolhido as aquisições certas, coisa que no Sporting raramente se viu. E agora está a trabalhar uma ideia de jogo que tem a ver com esses jogadores que escolheu.

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