Rui Ferreira, em 09.02.26
Antevisão de um jogo crucial
Escrevo antes de um jogo que mexe com muitos dados, valores e, sobretudo, sentimentos.
O Sporting vai finalmente ao Dragão. E digo finalmente porque, quando terminou o jogo da primeira volta — com vitória do Porto em Alvalade — não fiquei convencido. Fiquei, isso sim, com vontade imediata de um segundo duelo, em modo tira-teimas.

Em 2016, o Sporting venceu num estádio onde amanhã regressa, dez anos depois, para tentar repetir o feito. Não é fácil jogar naquele campo. É um verdadeiro inferno. Os árbitros chegam condicionados antes e durante os jogos e, como já se soube, até ao intervalo se assistiu ao regresso às “velhas práticas”, com televisão em loop. Tudo isto perante uma liderança e uma presidência que se julgavam diferentes. Não só não o são, como tudo indica que poderão ser ainda piores.
O Sporting precisa de ganhar para encurtar distâncias. Não perder mantém tudo como está — e isso também é crucial. O rigor será um factor determinante. A contenção face à provocação, absolutamente essencial. A eficácia e a solidez defensiva serão variáveis decisivas no resultado final.
O ambiente será pesado. O Sporting vai avisado, mas acredito numa equipa confiante e muito determinada.
Cá fora, não se apregoa o cachecol do Bicampeão. Não é aconselhável qualquer adorno verde e branco. Eu próprio já sofri essa absurda, intolerável e inimaginável “proibição”. Estamos numa região marcada por complexos de inferioridade antigos, relações deterioradas, e o Tribunal da Relação de Lisboa já veio dar razão a Frederico Varandas.
Dentro do campo, teremos o nosso Pote (esperemos mais rápido e incisivo), o Ruuuuuiiiii (em grande), o Edu (com a sua irreverência), o Hjulmand a responder a tudo aquilo que lhe fizeram para tentar desestabilizar — eles. O Trincão a definir com critério e o Suárez, seja de calcanhar, de ombro ou com o pé, se este estiver à mão.
Antes dos 90 minutos, Godinho dá seis minutos de compensação. Ao sétimo, o habitual Geny concretiza aquilo que antevejo.
E que, no final, o café se chame “bica”.
Rui Ferreira