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Quem exerce o poder no Sporting ?

Naçao Valente, em 19.11.18

 

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Todo o Mundo é feito de mudança. A frase que visa representar a evolução da humanidade deve-se a Camões. A mudança, no sentido do progresso, é muitas vezes feita com boas intenções, isto é, com o intuito de tentar tornar melhor a vida das pessoas. Mas mesmo feita com sentido positivo, houve sempre quem se servisse de boas intenções em sentido negativo.

 

A introdução vem a propósito do aparecimento das claques no futebol. Não é seguramente um assunto dos mais prioritários, neste momento, na vida do Sporting, mas não deixa, por isso, de ser relevante.

 

A claque, como grupo organizado, em sentido restrito, teve a sua origem na presidência de João Rocha, e trazia consigo o objectivo de constituir um grupo que animasse as bancadas, o décimo segundo jogador "dentro do campo". O bom princípio evoluiu paralelamente à evolução da sociedade, que nalguns aspectos, relacionados com certos valores, regrediu.

 

Quando vivia em Lisboa e era presença habitual no estádio demolido, os adeptos estavam presentes em grande número e não regateavam apoio às equipas, desde o princípio ao fim do jogo. Nunca senti a necessidade de qualquer grupo específico para animar as bancadas. Por isso, assumo-me com anti-claquista, em qualquer clube.

 

Hoje, as claques dispõem de regalias que não são atribuídas a outros associados, mas não podem ser todas colocadas no mesmo saco. Quero aqui distinguir a Juve Leo, pela gente que atrai, pelas regalias especiais de que dispõe, e pelo poder que foi ganhando dentro do Clube, sobretudo desde a presidência anterior. Foi transformada pelo ex-presidente numa guarda pretoriana, que garantia o seu poder. O poder que a sustentava caiu, no entanto, esta continua a exercer a mesma influência, e de certo modo a mesma arrogância.

 

O novo presidente, se quer ter independência, tem de se impor a esta situação. A Juve Leo não pode ser um poder e/ou contra-poder, conforme as conveniências, na estrutura do Sporting. Frederico Varandas se diz ter coragem, tem de a mostrar nos dossiês difíceis, e encontrar uma solução.

 

Para mim, que não quero ser politicamente correcto, era extinta, mas admito que possa haver outras soluções. Não se pode dissociar o comportamento das claques da vontade do dirigismo, sobretudo do mau dirigismo. Tem que se definir, claramente, quem exerce o poder legítimo no Sporting.

 

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publicado às 04:49

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22 comentários

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De Leão Zargo a 19.11.2018 às 08:15

Caro Nação Valente

Concordando com o que que exprime na sua excelente reflexão, creio que a questão das claques no futebol português, pelo menos no curto ou médio prazo, não terá resolução. Para isso seria necessária uma actuação envolvendo clubes, Federação e Liga e governo. Gostaria de estar enganado, mas creio que apenas serão tomadas medidas que permitam algum controlo e organização das claques. E será tudo.

As claques, tal como existem hoje, decorrem de um elevado nível de pulsão agressiva que se verifica na sociedade e nos campos de futebol. Funciona como escape social e é algo teorizado, organizado e planeado que não decorre essencialmente da paixão e da emoção do jogo, mas que resulta da incorporação de valores de identidade exacerbados e estereotipados que predispõem os adeptos para a luta simbólica ou explícita. As claques, pelo menos as mais activas e as maiores, estão associadas ao ódio, à xenofobia e à vontade de estabelecer outras regras que estão para além daquelas que decorrem da organização social e desportiva.

Ao que tenho lido e conversado, a própria polícia prefere que existam claques pois permite melhor a identificação e o controlo de determinados indivíduos. A legalização das claques teve, nomeadamente, essa finalidade.

Há outro aspecto no nosso futebol que também é revelador dos tempos que correm. Refiro-me à “caixa de segurança” existente nos estádios com uma determinada lotação. Aquilo é uma gaiola, é como assistir a um jogo na cela de uma prisão.

Na verdade, claques e caixas de segurança fazem parte do lado feio do futebol.
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De Naçao Valente a 19.11.2018 às 13:07

Obrigado, caro Leão Zargo, pelo precioso contributo. As claques são uma realidade arreigada no futebol. Como escrevi a realidade não é estática e a sua evolução é natural.

O que considero é que não necessárias ao espectáculo do futebol, que para mim é dentro e não fora das quatro linhas. Mas concordo com o seu pensamento. Neste momento, por muitas razões, é impossível a sua extinção.

Também como diz, as claques são reflexo dos tempos que vivemos, onde o ódio e a xenofobia ganham uma força preocupante nas sociedades. Mas por isso, e não só, merece relevância fazer este debate.
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De Naçao Valente a 19.11.2018 às 13:35

Caro Leão Zargo,
Para complementar a resposta, concordo que o problemas das claques é muito complexo, e que a sua abordagem deve ser feita por várias instituições, em simultâneo, mas ainda não vejo essa vontade, porque implica arriscar contestação na opinião pública.
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De hugo gomes a 19.11.2018 às 14:12

Concordo plenamente consigo leão Zarco, já com nação valente não concordo e possível acabar com a claques o problema é que nós últimos anos tomou se posições em relação ao slb ( que não acabou com as claque mas estão muito mais fragilizadas) que agora se torna impossível acabar com as claques.
Se se fizer leis que tornem as claques organizadas ilegais e se penalize fortemente os clubes que dê qualquer ajuda as Taís claques,qualquer que seja a ajuda, nem que seja deixar entrar uma t shirt com o logotipo da claque, mas ,como mencionei, depois das posições relativas ao slb torna se impossível.
Cumprimentos a todos.

Ps- como atualmente se faz aos grupos de extrema direita ou esquerda na política
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De Aracaçu a 19.11.2018 às 10:12

Caro Nação Valente,

José Maria Ricciardi ainda tem muito poder no Sporting. Ele é conhecido por ter uma boa relação com as claques (nunca ouvi uma palavra contra das mesmas contra o experiente banqueiro) e tem tido muita palavra na escolha/dispensa de treinadores do Sporting. O melhor exemplo e eu nunca me canso de referir, em Fevereiro de 2012, Godinho Lopes, após uma derrota humilhante do Sporting no Funchal, disse à chegada que a dispensa de Domingos, apesar dos 16 pontos que já tinha do 1º lugar e 8 do 3º (que dava Champions na altura) não fazia sentido porque ele era a peça principal do projecto e era quebrar o mesmo de uma forma precoce. Na segunda-feira seguinte está a ser dispensado por substituição de Sá Pinto. O presidente mudou de ideias numa Noite? Quem era na altura o Presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar. José Maria Ricciardi, pois.

Quem terá dado aval financeiro para a contratação extravagante (e renovação ainda mais extravagante em Maio de 2016) de Jesus? Ricciardi.

Cumprimentos.
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De Naçao Valente a 19.11.2018 às 13:17

Aracaçu,
Ricciardi tem tido muita influência no Sporting, e ajudou bastante a anterior Direcção. Não sei qual a sua relação com as claques, mas o que me parece é que todos os dirigentes têm medo das confrontar. E por isso é que pode colocar-se a questão, de quem exerce poder no Sporting. Seja como for, as claques, sobretudo a Juve Leo, ultrapassam o papel que lhes está estatutariamente atribuído.
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De Pepeu a 19.11.2018 às 17:16

??????
Nem saberia por onde começar....!
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De Schmeichel a 19.11.2018 às 12:03

Na minha opinião torna-se preocupante esta obsessão das democracias ocidentais em proibir coisas…. isso demonstra falta de conhecimento e falta de abertura para coisas diferentes.
Começo por dizer que o Sporting é a demonstração de que existem claques que se sabem comportar, por exemplo a Torcida Verde…. porque razão nunca são demonstrados os bons exemplos das claques?! Não existem bons exemplos, ou o que vende é o que choca a opinião publica e portanto só se fala dos maus exemplos?!
As claques podem ser uma grande força para a equipa…. veja-se o apoio incansável em Londres onde 5mil sportinguistas abafaram 60 mil ingleses…. isso só é possível com claques, porque organizam o apoio….
Dizer ainda que o apoio é determinante em muitos jogos, como se verifica a predominância das vitórias das equipas que jogam em casa.

O caminho deveria ser legalizar e cumprir a legislação, como acontece a qualquer grupo organizado…. dou o exemplo das claques alemães…. são compostas por milhares de elementos, fazem coreografias espetaculares, fazem comunicados públicos na defesa dos direitos dos adeptos, isto é, eles são parte integrante do mundo do futebol e têm direito também a ser ouvidos…. aliás eles na Alemanha mantiveram as bancadas para ficar em pé, por forma a que o futebol continue a ser um desporto popular, para o povo, e não para gente com muito dinheiro que parece que vai ver uma peça de teatro. Fica o exemplo de um pais como a Alemanha…..
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De Francisco Maria a 19.11.2018 às 12:17

Tão pacíficos que são os adeptos das claques alemães...

"Na Alemanha, por exemplo, existiam, em Março de 2012, 2800 adeptos impedidos de entrar nos estádios; na Polónia, em Junho, eram 1800; em França, em Outubro, eram cerca de 450; e em Espanha, no ano passado, eram 639." in Jornal Público (2012)
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De Naçao Valente a 19.11.2018 às 13:31

FM,
Pacífica é palavra que não rima com claque.
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De Luis Vicente a 19.11.2018 às 14:02

As. Laqueação Alemãs pacíficas!!!
Em 2016 só o FcKoln,de uma só vez,expulsou de sócios e proibidos de entrar no estádio 980 claqueiros,"só"por terem saltado a vedação e terem pisado relva 1 metro
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De Naçao Valente a 19.11.2018 às 14:15

Luís Vicente,

Se vivêssemos em regimes totalitários, extinguia-se o que incomodasse o sistema. Nos regimes democráticos isso não é possível. Portanto tem que se ser firme com quem ultrapassa os limites.
Em Portugal as claques, por alguns serviços que prestam a Direcções. andam um pouco em roda livre. E se os dirigentes, continuam a alimentar o "bicho" sem o domar acabam por ser devorados por ele.
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De Luis Vicente a 19.11.2018 às 15:20

Por curiosidade o FcKoln acaba e emitir um comunicado das celebrações dos 70 anos do clube,que entre várias coisas,diz.
"O FcKoln reafirma aos seus sócios e adeptos,que não pactua e jamais pactuará,com a violência,racismo e extremismo"
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De Naçao Valente a 19.11.2018 às 13:29

Não sei a que coisas se refere e que estão a ser proibidas pelas democracias ocidentais. A ideia que tenho é a contrária, onde deixam proliferar movimentos, que poem em causa a própria democracia.
Em relação às claques fui claro quando escrevi que não as ponho todas no mesmo saco, mas discordo totalmente da sua tese em relação ao seu papel no espectáculo.
Para mim o espectáculo é dentro das quatro linhas. Não vou ao estádio para ver coreografias, mas para ver jogar à bola. Reafirmo, no tempo em que não havia claques nunca faltou entusiasmo nas bancadas e até digo mais, nos tempos áureos do Sporting no futebol não foram precisas para ganhar a maior parte dos títulos que existem. Perspectivas diferentes sobre o futebol e o mundo. Mas não me leve a sério, eu sou já muito antigo.
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De Schmeichel a 19.11.2018 às 16:02

Na Alemanha é proibido o fascismo e nunca foi tão forte como desde a II Guerra Mundial…. o mesmo poderia dizer de Itália,de França, de quase todos os países europeus…..
Se a lógica é proibir para enganar a percepção das pessoas…. depois não podem ficar surpreendidas com a subida dos extremismos! Não se acaba com os extremismos com a proibição, mas com agregação!! isto está mais que demonstrado na História….. que os extremismos beneficiam ao serem colocados de parte.

Você já ouviu falar do You Will Never Wal Alone cantado no Liverpool? é só uma demonstração de um dos exemplos de espectáculo e coreografia que são partes integrantes do futebol…. quem não quer perceber isto, vive num casulo a falar do futebol de há 50 anos.
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De Naçao Valente a 19.11.2018 às 16:21

Se os partidos fascistas são proibidos, como é que existem? Vivo no mundo que existe, o que não significa que tenha de concordar com todas as mudanças.
Os cânticos no futebol, para além do assassínio da música, são muitas vezes actos de mau gosto e pior bom senso, na minha perspectiva. Prefiro o "casulo" onde ir aos estádio era uma festa sã e segura. No meu conceito de futebol são onze contra onze. Não percebo como coreografia de bancada é parte integrante de futebol. Defeito meu.

Além disso quando quero ouvir belo canto vou aos locais onde ele existe para esse efeito. Cânticos guerreiros, mal por mal, prefiro os militares.

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De Luis Vicente a 19.11.2018 às 16:31

Alguma vez viveste na Alemanha?
O movimento Neo-Nazi na Alemanha começou a levantar a cabeça com a queda do Muro de Berlin.
Quando foi a agregação das 2 Alemanha,os oriundos da ex-DDA depois de anos e anos de fome e miséria sob o jugo Comunista,pensaram que por um passe de mágica tinham chegado ao paraíso.
Mas como as coisas não se resolvem com o estalar dos dedos,veio a desilusão,que foi aproveitada pelos residuais Nazistas da RFA para arregimentarem novos elementos,aproveitando a desilusão das pessoas,hoje como o nível de vida na parte da ex-RDA é incomensuravelmente melhor ainda existem Nazistas,mas são residuais.
Convém não misturar Nazismo com extrema direita ou mesmo direita porque são 2 realidades completamente distintas.
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De Schmeichel a 19.11.2018 às 17:38

O Nação Valente fez uma pergunta pertinente…. "Se os partidos fascistas são proibidos, como é que existem?"

Vai de encontro ao meu comentário…. Não é por proibirmos as coisas que elas desaparecem, têm é a tendência a maquilhar-se….

Se por acaso proibirem as claques, elas vão-se tornar de mais difícil controlo, e ai sim vão viver num mundo obscuro, porque elas não vão desaparecer….. as claques do benfica teoricamente não existem, mas eles estão lá…. agridem adeptos, partem hotéis, assassinam pessoas. Não me parece que essa lógica de proibir irá ter o efeito pretendido…. bem pelo contrário…. o único caminho é trazê-los para a legalidade, pagar multas, pagar impostos, etc.
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De Naçao Valente a 19.11.2018 às 18:59

A minha pergunta não está explícita e vou tentar esclarecer. Claro que sempre existiram fascistas. Não se pode obrigar ninguém a deixar de o ser. A minha pergunta ia num outro sentido, isto é, não só existem, como se assumem, se manifestam, e se podem organizar. É simples: desde que não usem siglas e nomes proibidos, conseguem participar eleitoralmente, e maquilhar-se, mas não é que não estejam identificados. portanto essa história da proibição foi chão que deu uvas.

Embora defenda a extinção de claques, tenho consciência que a situação é complexa, e que não vão desaparecer, até por que, nalguns aspectos dão jeito. A questão da legalidade tem muito que se lhe diga. No caso que refere não são formalmente legais, mas são na prática.

O que defendo é que, para já, não devem ser os clubes a financiá-las. Têm privilégios que outros adeptos não têm. Eu se quiser entrar num estádio tenho de pagar. Qual é a diferença? Fazem coreografias? Então interrogo-me: andam ali por amor ao clube e como artistas pagos?
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De hugo gomes a 19.11.2018 às 14:17

Concordo contigo Schmeichel os países ocidentais deveria permitir grupos skinheads,nazis, de extrema esquerda, black pantera, etc.. deveriao permitir assassinatos , roubos e tudo o que agora e ilegal, que burros e mais são os países ocidentais ( acho que queria dizer evoluidos).
Schmeichel sempre no seu melhor.
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De Schmeichel a 19.11.2018 às 17:39

O Estado Islâmico proíbe isso tudo…. e nunca o ouvi a designarem de democracia….
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De RCL a 19.11.2018 às 19:43

Muitos Sportinguistas da minha geração ainda se lembram dos "Vapores do Rego", mini-escola de samba formada por estudantes de medicina, brasileiros, que animavam o velhinho Jose Alvalade, percorriam o pais e Europa, apoiando o Sporting. Tempos de Yazalde. Festa! Sporting Campeão. Esse sim era o Sporting.Ponto
SL

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