Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




1440x810_football-leaks-le-hacker-rui-pinto-presen

A ciclópica e temerária cruzada a que, corajosamente, se devotou Rui Pinto – desmascarar de vez a gigantesca teia mafiosa internacional do futebol (com acentuado envolvimento português) – é, reconhecidamente, digna do apreço e do incentivo de toda a gente que exige, pugna e paga por um jogo limpo, honesto, livre de batota e de corrupção. Ele tem prestado, por isso, um indubitavelmente relevante serviço de multinacional interesse público.

Desconcertante e enigmaticamente, porém, o jovem alegado hacker encontra-se, como se sabe, preso em Portugal desde Março, porque a medieval e sempre intrigante Justiça portuguesa assentou a sua total prioridade na caça ao “malandro” do denunciante – em vez de se concentrar primordialmente no mais óbvio, no que verdadeiramente importa: a investigação dos inúmeros actos e suspeitos nacionais da prática dos gravíssimos crimes denunciados (algo a que, obviamente, os envolvidos procuram impedir…).

Ora, como é fácil de perceber, esta surreal posição da nossa desacreditada justiça não aponta para o combate à criminalidade organizada, apenas a incentiva e conforta os seus actores. A sua mensagem parece, pois, ser: “cometam à vontade as vossas vigarices, que, se elas forem denunciadas, os delatores é que serão condenados”. E isto é o que se poderá chamar de “Justiça do avesso”…

Evidentemente que o grau de valor do delito imputado a Rui Pinto pelo Ministério Público português, e usado como pretexto para a sua detenção – recurso a meios ilícitos nas suas pesquisas das fraudes cometidas pelas redes mafiosas do futebol – não é, de modo algum, minimamente comparável com a importância extrema da dimensão e gravidade dos crimes por ele detectados, documentados e revelados no Football Leaks – corrupção, suborno, fuga aos impostos, lavagem de dinheiro sujo, tráfico humano e de influências, pressões, trocas de favores, jogos viciados, resultados adulterados, apostas manipuladas, etc. – envolvendo tanto a FIFA como a UEFA, federações, clubes, dirigentes, empresários, agentes, investidores, advogados, banqueiros e, até, futebolistas.

Tudo ilegalidades que causaram, e continuam a causar, incalculáveis danos aos países e instituições lesadas. Mas, sobretudo, à própria indústria do futebol mundial e aos amantes do excitante jogo – cuja existência futura se julga cada vez mais imprevisível.

rui_pinto.jpg

Entretanto, como tem sido noticiado, para além das críticas públicas da eurodeputada Ana Gomes à actuação das autoridades portuguesas – que acusa de agirem a pedido do notório fundo de investimento Doyen Sports, suspeitamente ligado à máfia do Azerbaijão, sediado em Malta, e que nem sequer paga quaisquer impostos em Portugal – tem vindo a crescer de visibilidade e de tom a condenação internacional contra a absurda e paradoxal situação a que Rui Pinto está forçadamente submetido no seu próprio país.

Isto, com destaque para a recém-publicada carta aberta em defesa do jovem português, subscrita por cerca de cinquenta diretores de jornais (como “The Sunday Times”, “Der Spiegel”, “Le Soir” e “Politiken”), jornalistas, eurodeputados, directores e fundadores de várias organizações não-governamentais, incluindo Repórteres sem Fronteiras, Freedom of the Press Foundation e o Centro Europeu para a Liberdade de Imprensa e dos Media.

Há, ainda, que salientar o importante facto das autoridades policiais, judiciais e fiscais de França, Bélgica, Holanda e Suíça, confiadas na total legitimidade de todas as provas até agora recolhidas, já terem manifestado o seu empenhado interesse na colaboração de Rui Pinto, com vista à investigação das eventuais fraudes e respectivos suspeitos. E as autoridades de Portugal, o que farão?...

Não existe, portanto, dúvida alguma de que sem a prestimosa e grandemente arriscada iniciativa do jovem português e seus companheiros, a actividade criminosa das sinistras máfias do futebol mundial prosseguiria – silenciosa, ignorada, opaca, rentável, confortável e impune – no segredo dos deuses…

Mas, meditando, finalmente, em toda esta execrável e tenebrosa realidade de momento, a grande interrogação dominante que ressaltará nas mentes comuns não poderá deixar de ser: “Quem tem medo de Rui Pinto?”…

Texto da autoria do leitor/colaborador Leão da Guia

publicado às 04:04

Comentar

Para comentar, o leitor necessita de se identificar através do seu nome ou de um pseudónimo.


42 comentários

Imagem de perfil

De Rampante a 17.06.2019 às 16:07

A Justiça existe para defender os interesses do Estado, das empresas e dos cidadãos... no entanto prevalecem SEMPRE os interesses do Estado que são soberanos.
Não é por acaso que praticamente todos os direitos individuais, podem ser revogados caso se sobreponham os interesses do Estado.

Mas atenção... não vamos aqui colar intenções de discurso que eu não tive. Em nenhum momento eu referi que "...quem atenta contra os direitos legítimos das pessoas não deve ser perseguido pela justiça".

Qualquer deturpação intencional das minhas palavras, só poderá ocorrer por má fé.

Aliás, se tivesse lido correctamente o que escrevi, teria notado que refiro inclusivamente que por norma os "hackers" têm penas suspensas sob determinadas exigências... sabe o que isso significa?
Sem imagem de perfil

De João Eduardo a 17.06.2019 às 16:52

Não há norma nenhuma para suspender penas a piratas, nem aqui nem em nenhuma parte do mundo.

Quanto à defesa dos "interesses do estado" também está redondamente enganado. O Estado não pode invocar o seu interesse em qualquer situação sobre os interesses privados e até já tem sido muitas vezes condenado em Tribunais Internacionais por violação dos direitos de pessoas e empresas.

Estude um pouco mais de direito penal...
Imagem de perfil

De Rampante a 17.06.2019 às 17:04

Depois de ler isto: "Quanto à defesa dos "interesses do estado" também está redondamente enganado. O Estado não pode invocar o seu interesse em qualquer situação sobre os interesses privados..."

devolvo o seu repto: Estude...

Ora então o caro nunca ouviu falar de expropriações???
Ora ai tem um exemplo super simples de entender, básico até, em como o Estado pode invocar o interesse publico em desfavor do interesse privado.
Sem imagem de perfil

De João Eduardo a 18.06.2019 às 15:29

Não me venha falar de expropriações que nessa matéria eu sei praticamente tudo, a começar pela regra mais básica: A CONSTITUIÇÃO OBRIGA O ESTADO A PAGAR SEMPRE O JUSTO VALOR PELOS BENS QUE EXPROPRIA, não há expropriação sem pagamento e o Código das Expropriações define todos os procedimentos a que o Estado está OBRIGADO nesta matéria.

Mas quando confunde a acção do Estado (justiça) no combate ao crime com meros processos de gestão administrativa de expropriação para fins públicos, reveja que não sabe nada de nenhuma das áreas...
Imagem de perfil

De Rampante a 18.06.2019 às 17:47

Meu caro, eu não confundi nada... simplesmente dei um exemplo em que o interesse publico se sobrepõe ao interesse privado, e fui CLARO nessa intenção de exemplificação.
Qualquer pessoa percebe que era um exemplo. O caro não percebeu (é burro), ou não quis perceber (é desonesto)...

E se "sabe tudo" como indica, então sabe perfeitamente que independentemente do pagamento indemnizatório, o que é certo é que o interesse publico se sobrepõe ao privado no caso das expropriações...

Há muitos mais exemplo, mas já vi que com o caro não vale a pena discutir, pois a sua desonestidade quando confrontado com o seu notório desconhecimento é gritante.

Já agora, se quiser saber mais sobre direito publico vs direito privado, a UC tem vários artigos publicados sobre o assunto... agora não me venha é teimar novamente no "O Estado não pode invocar o seu interesse em qualquer situação sobre os interesses privados..."

Passe bem e informe-se melhor antes de escrever mais asneiras.

Comentar post





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Taça das Taças 1963-64



Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D




Cristiano Ronaldo