Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Um jogador deitado sobre a bola junto à bandeirola de canto, numa tentativa de queimar tempo, provoca sempre uma disputa muito física, convém lembrar, para mais em período de tempo-extra.
Não sequer está em causa o excesso de meios do Matheus Reis – de notar que ninguém saiu magoado – mas o uso que o Benfica faz das imagens parciais dessa jogada.
O Benfica colocava todas as suas fichas na final da Taça; não só para salvar a época, mas sobretudo para permitir que Rui Costa não se apresentasse a sufrágio de mãos vazias.
Não tendo ganho, precisava de um pretexto; se este não existe, inventa-se, exagera-se, especula-se. A partir do frame, veio então a narrativa. Depois, a vitimização. Finalmente o drama.
Como corolário, como que para exibir uma força, que não explana em campo, veio o famigerado comunicado, talvez um dos pontos mais baixos do Benfica nos últimos anos.
Fazendo concorrência, em matéria de disparate grosso, à queixa de César Boaventura, essa referência ética do desporto em Portugal.
O Benfica, que está metido em todas as trapalhadas judiciais desde o Apito Dourado até agora, vem pedir transparência no futebol.
O Benfica, que sempre se tinha oposto à divulgação das conversas entre o árbitro e o VAR, aparece agora a reclamá-la.
O Benfica dispara contra tudo quanto mexe, recusando ceder o seu estádio para a selecção nacional, como se esta tivesse a culpa do resultado no Jamor e arriscando pesada multa.
O Benfica, na embalagem, aproveita para se tentar descartar do processo de centralização, situação insólita, se pensarmos que ela resulta de imposição legislativa.
O Benfica lançou a equipa mais cara de sempre do futebol português. Se não ganhou o campeonato, foi apenas porque não teve competência para tanto, o dinheiro, às vezes, não se traduz em pontos. E, não falemos sequer em arbitragens, o Sporting liderou as dores do campeonato da verdade, que o Record promove.
Não foi por causa de Matheus Reis, que o Benfica não ganhou a Taça, foi por uma questão de atitude; houve em campo quem a tivesse até ao final e o Benfica foi vítima do seu próprio calculismo.
Imagine-se o que diriam, se, relativamente à expulsão que ficou por fazer do Otamendi no dérbi, o Sporting promovesse idêntico espalhafato.
Não sei se Rui Costa se vai a apresentar a eleições. Para já, esta estratégia do “eu perco, mas falo grosso”, parece-me exígua. Em minha opinião, Rui Costa começou a perder as eleições no dia em que foi eleito, quando não se demarcou da gestão de Luis Filipe Vieira.
Para aqueles que ainda se admiram com toda esta pirotecnia, fica uma advertência, vão-se habituando, porque há eleições ao dobrar da esquina.
Texto da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.