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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

No texto publicado ontem no Camarote Leonino, António Simões escreveu na perspectiva de um benfiquista, ele exprimiu aquilo que convém ao seu clube. Isso não invalida que se leia a opinião dele com as devidas cautelas, nomeadamente com o recurso à memória e ao espírito crítico. Simões provoca quando vai buscar a conversa de quem é maior, sabe-se o que ele pensa sobre isso, mas interessa reflectir sobre como o Sporting pode tornar-se ainda mais capaz, mais eficiente, o melhor de facto, aliás a intenção da Direcção leonina.
O Sporting manteve a supremacia do futebol português desde a época de 1940-41 até à primeira metade da década de 1950. Nesse período, conquistou nove vezes o Campeonato Nacional e cinco vezes a Taça de Portugal. Por essa razão, em 1955-56 foi convidado para participar na primeira edição da Taça do Clubes Campeões Europeus em representação de Portugal. De súbito, a hegemonia esfumou-se a favor do Benfica. Essa alteração verificou-se na segunda metade da década de 1950 e durante a de 1960.
Penso que o Sporting não foi capaz de fazer uma transição eficaz do semiprofissionalismo para o profissionalismo no futebol na década de 1950. Isso decorreu de uma espécie de tempestade perfeita, com diversas causas internas e externas, onde se conjugaram a matriz ideológica olímpica do Sporting que dificultou essa transição, a demora na compreensão da nova realidade resultante da economia industrial nos anos 1950 e 1960, as dificuldades financeiras do Clube e o profissionalismo introduzido por Otto Glória no Benfica.
A alteração na hegemonia do futebol português, pela sua profundidade e extensão, viria a adquirir com o tempo um carácter permanente. Apesar de todos os esforços realizados nas décadas que se seguiram, o Sporting procura, ainda hoje, alterar o verdadeiro "status quo" que se estabeleceu no nosso futebol.
A Direcção presidida por Frederico Varandas tem agido no sentido de tornar o Sporting no melhor clube português, o que envolve a dimensão estrutural, mais do que a conjuntural. Refiro-me à organização, cultura e mentalidade indispensáveis para, com frequência, se alcançar a vitória, para se conseguir a hegemonia. Ganhar todos querem, mas só quem estiver preparado é que alcançará o sucesso. É esse movimento estruturante que tornará o Sporting, que é o maior clube português, também no melhor clube do nosso país. Uma instituição com a memória do passado e fiel à sua História, mas perfeitamente integrada nas circunstâncias do presente e das que se prevêem para o futuro.
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