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Servir a dois senhores

Naçao Valente, em 15.03.16

 

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Dizem que a memória dos homens é curta, mas parece-me que mais do que curta é selectiva. Augusto Inácio é hoje um funcionário do Sporting com funções pouco definidas. Dá a impressão que no rearranjo que se seguiu à contratção de Jesus, foi colocado numa de prateleira courada. A sua maior visibilidade é como comentador oficioso na televisão onde, fazendo o seu papel da voz do dono, trouxe de novo à baila a expressão “croquetes”, usada para designar dirigentes anteriores e utilizada como arma de arremesso a todos os que se opõem à actual Direcção.


Se fizermos um pouco da história do agora comentador SIC, constatamos que Inácio iniciou a sua carreira como profissional de futebol. em 1971, depois de passar pelos escalões da formação do Sporting. Foi titular a partir de 1978, e participou na conquista de dois campeonatos em 1980 e 1983. No ano seguinte rumou ao FCP por um melhor salário. Entre 1971 e 1983 foram presidentes do Sporting, Brás Medeiros, Valadão Chagas, Henrique Nazaré e João Rocha. Se tivermos em conta que, de acordo com a tese "brunista", esta direcção rompeu com o”viscondato”, Inácio serviu o SCP, como atleta, no período dominado por “croquetes”.


Em 1988 iniciou a carreira de treinador no FCP, passando depois por vários clubes. Em 1999 regressou ao Sporting para treinar a equipa principal. Conquistou, dezoito anos depois, o campeonato nacional. Foi contratado pelo presidente do Sporting que era José Holtreman Roquete. Mais um “croquete”.


Se há alguém que, na actual direcção, devia ter pejo em usar esse termo é Augusto Inácio, pois se agora é servidor do presidente Salvador e impoluto, também já o foi dos ditos “croquetes”. Como se diz nos evangelhos, se queremos ser livres e autónomos, não devemos servir a dois senhores. Caso contrário perdemos o moral para vilipendiar um deles. Além disso, não é correcto morder a mão que nos deu de comer. Um dirigente tem muitas formas de defender o clube que representa. Não deve fazer parte do seu papel, dividi-lo. Com amigos destes não precisamos de inimigos.

 

publicado às 18:35

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43 comentários

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De Leao de Coimbra a 15.03.2016 às 19:40

E a história do Futre?
E do Vaslui?
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De Naçao Valente a 15.03.2016 às 19:55

Leão de Coimbra, são situações diferentes: Futre não é dirigente do Sporting, e que eu saiba, não vilipendiou nenhum dirigente do passado.
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De Leao de Coimbra a 15.03.2016 às 19:59

Obviamente não é a Futre que me refiro, mas sim à história que envolve a ida deste para o porto e o suposto esconderijo em casa de Inácio, para fugir aos dirigentes do sporting.
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De Zé Vitor a 15.03.2016 às 19:51

Inácio é a voz do dono. Um amanuense ao serviço de quem lhe paga o soldo.

Não tem dignidade nem inteligência para mais do que isso. Lê o que lhe preparam, nada mais. Um ser execrável por quem tenho a maior repulsa.

Há muitos sportinguistas que respeito e que ouço com agrado. entre eles o Rogério Alves ou o José Pina para falar daqueles que presetemente aparecem nas tvs. Inácio, não. Inácio é de outra espécie, faz parte dos serviçais acéfalos que vomita a troco do soldo, forma com José Eduardo e o próprio trinca-bolotas o trio de irritantes que é a desgraça do sporting.


Zé Vitor.
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De julius coelho a 15.03.2016 às 20:00

palavra de benfiquista , está anotado!!
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De Naçao Valente a 15.03.2016 às 20:02

No desporto, como na vida, não gosto de "tricas" que apelam a guerras sem sentido, venham elas de onde vierem.
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De João Gonçalves a 15.03.2016 às 20:31

Inácio "O Verdadeiro Encostado" ou o "Cavaleiro da Triste Figura"...
Relações Internacionais... Só para rir mesmo...

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De Leão de Viseu a 15.03.2016 às 20:46

Um post muito pertinente!
Numa altura em que todos percebemos que o campeonato - última prova que poderíamos conquistar - está mais do que perdido, começamos a pensar nas consequências de toda a política que BdC trouxe ao SCP há precisamente 3 anos.
Se não estou em erro, em Março do próximo ano realizam-se eleições no SCP.
Um ano! Uma eternidade no estado actual de coisas...
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De Naçao Valente a 15.03.2016 às 21:43

Leão de Viseu, mesmo que se perca este campeonato, BdC só será posto em causa, na minha opinião, se a próxima época não correr bem. Os resultados desportivos fazem esquecer tudo.
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De Leão de Viseu a 15.03.2016 às 21:58

Sinceramente, não me parece.
A insatisfação relativamente a BdC atingiu já o auge e só não se começou a fazer sentir porque, matematicamente, ainda é possível a conquista do título por parte do SCP e a oposição não quer ser acusada de desestabilizar a equipa.
Mas no final, a coisa vai ser feia!
Depois de um aparente - e insistentemente publicitado - processo de reabilitação do clube, este ano BdC "borrou a pintura" com a contratação de um treinador caríssimo - pessoalmente, nem de graça o queria a treinar o meu SCP - e a mudança de paradigma nas contratações.
Em termo práticos, passámos de um semestre em que apresentámos lucro para 18M de prejuízo no seguinte, duplicou-se a despesa com salários e os resultados desportivos pioraram.
A juntar a isso, toda a actuação do BdC á frente dos destinos do clube que mudou a face da instituição que tanto amamos. É certo que estávamos falidos mas mantínhamos a imagem de cumpridores, de pessoas honestas e gente com uma postura irrepreensível quer na derrota (á qual estamos, infelizmente, demasiado habituados) quer, sobretudo, na vitória.
BdC mudou isso tudo com episódios, por vezes, a roçar o surreal.
Sendo que as eleições são no último terço da época, é de crer que a contestação atinja o seu pico antes mesmo do início da próxima pré-época.
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De C.luis. a 15.03.2016 às 21:18

Só sabem criticar o Sporting.
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De Naçao Valente a 15.03.2016 às 21:45

C. Luis, uma coisa é criticar o Sporting, outra é criticar quem o dirige. E quem o dirige, agora e sempre, não é o Sporting.
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De Leão Zargo a 15.03.2016 às 21:36

Há um provérbio português que garante que a “a ambição cerra a razão”. Aplica-se muito bem a Augusto Inácio e isso impede-o de se recordar de caminhos antigos. O presente tornou-se essencial para ele e o presente é o papel que aceitou desempenhar.
Por essa razão não se sentirá muito incomodado de, numa linguagem intoleravelmente agressiva para com os sportinguistas, participar num processo de manipulação da informação para atingir fins que lhe são convenientes.
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De Naçao Valente a 15.03.2016 às 21:52

Leão Zargo, diz bem a "ambição cerra a razão", mas neste momento, penso que o que move Inácio é a sobrevivência. Se não fosse assim não teria aceite desempenhar o papel subalterno que lhe atribuíram. Desiludiu-me.
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De J. a 15.03.2016 às 21:56

Se fossemos campeões este ano, Inácio seria apenas e só campeão pelo Sporting como jogador, treinador e dirigente.
Não sei quantas pessoas mais se poderiam orgulhar de tal feito.
E pelo menos se calhar, e mesmo por isto, deveriamos ter um pouco mais de respeito pela pessoa em si.

Não digo que que se lhe deveria perdoar tudo aquilo que supostamente fez conta o clube (Episodio do Futre), mas ao ler as coisas que se escrevem aqui por apenas não se estar de acordo com o que se diz na televisao...

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De Leão de Viseu a 15.03.2016 às 22:08

O problema é mesmo esse J., não vamos ser campeões!
E BdC apostou as fichas todas nesse cenário.
Passámos de uma época em que víamos Marco Silva, Inácio e BdC no banco e as coisas pareciam funcionar com quase naturalidade.
Este ano tudo mudou... para pior!
Inácio viu-se a levar com as consequências dos devaneios facebookianos de BdC em directo na TV e deu-se mal com o fardo...
Quando se ganha calamos os outros com facilidade mas, quando se perde, é tudo posto em causa e os argumentos escasseiam...
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De Naçao Valente a 15.03.2016 às 22:39

Inácio merece todo o respeito como homem e como profissional. Nem está em causa ter representado outros clubes. O que critico é a figura triste que está a fazer para defender a saga pessoal de BdC, mesmo depois de este o ter despromovido.
BdC perdeu as estribeiras com Marco Silva porque defendeu o grupo de trabalho dos seus devaneios. A partir daí abandonou um projecto seguro e consistente e entrou numa aventura despesista que pode correr mal, com a agravante de uma comunicação desbragada.
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De João Gonçalves a 15.03.2016 às 22:52

Essa certeza absoluta de que o Sporting não vai ser campeão é algo de transcendente...
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De Naçao Valente a 15.03.2016 às 23:07

Não viu no meu texto qualquer referência ao facto do ser Sporting ser ou não ser campeão. Saber-se-á na altura certa. Nem é esse o assunto tratado.
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De João Gonçalves a 16.03.2016 às 18:50

Quem está sempre a repetir isso é o comentador Leão de Viseu, não o caro Nação Valente.
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De Drake Wilson a 15.03.2016 às 23:24

Boa noite.
Sou um leitor recente e relativamente assíduo da já extensa "blogosfera" focada no Sporting Clube de Portugal. Em modo preferencial, elejo dois "meeting-points" dos demais, levando as minhas preferências a recair no Camarote Leonino. Movido a curiosidade, constato com felicidade que desde 2012 se escreve com cuidado, carinho e essencialmente devoção, verificando assim o rico património que as pessoas que se dão ao trabalho de o fazer de modo livre, nos proporcionaram ao longo de 4 anos.
Ao assinalável legado, como pessoa e sportinguista, o meu obrigado a vós.

Nestes tempos nebulosos derivantes de trocas de acusações entre "pessoas" das duas das maiores instituições desportivas portuguesas, elegem-se argumentos por vezes envolvendo pesquisas minuciosas, e outras vezes, com detalhe acutilante e malícioso. Algo que inquestionavelmente eleva a desconfiança ao mais alto patamar, alimentando a frustração de quem por mero lapso temporal, se encontra em posição menos privilegiada.
O "indivíduo" singular, posicionando-se ao nível da dimensão da instituição que representa assim como dos pergaminhos desta, saberá que o seu legado ficará reservado na memória analítica daqueles que o consideram. Em períodos menos bons e aquando da escolha de um representante oficial, todo o adepto revê em tal figura uma esperança para o presente. Tal redução temporal caracterizo propositadamente (e erradamente) como "presente", pois o futuro esse é longínquo, ambíguo, e empiricamente questionável pela maioria da população cuja fome se alimenta como necessidade premente.

Daquí por uns anos, as cicatrizes destes confrontos tão inócuos como pessoais irão individualmente marcar estas pessoas hoje envolvidas, mais do que positivamente a instituição que estes hoje representam. O excesso de exposição a que os intervenientes se sujeitam, por exemplo, terá consequências a médio e longo prazo na vida privada destes, plantando tristemente algo que homem algum deseja deixar como legado.

A reelevação do Sporting Clube de Portugal quando erigida de modo credível e sustentado, não se cria pela plantação de figuras adornantes nos meios de comunicação, pois estas são desprovidas de isenção e conteúdo, ficando o sem efeito numa mera contra-argumentação especulativa.

Na minha opinião, e na constatação de que nada se desenvolveu neste modelo de gestão presidencial baseado em conteúdos pseudo-informativos de programas televisivos e redes sociais, terá chegado o momento do Sporting se silenciar em todo e qualquer modo de guerrilha e se focar definitivamente na profissionalização da sua cadeia administrativa.

O Sporting tem de voltar a estar presente na Liga dos Campeões, procurando fazer campanhas dignas do seu bom-nome, da sua estrutura desportiva e da sua massa adepta. A visibilidade mediática que esta proporciona é triplamente superior à conquista de um campeonato nacional.

O Sporting tem de voltar a trazer aos seus quadros altas figuras do futebol mundial. É imperativa a vinda de know-how internacional, atribuíndo aos nossos jovens e prematuros futebolistas uma cultura de grandiosidade e elevação além-pátria, como melhor mote a combater adversidades em momentos chave.

O Sporting não se pode basear em argumentos, pois o Sporting não precisa de justificar a sua grandeza, mesmo quando esta é questionada. Não se questiona grandeza justa e naturalmente adquirida – questiona-se aquela que é induzida. O Sporting fez pela nação, quando a nação nada pediu. E foi assim que se adquiriu a nossa grandeza.
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De Riskos a 16.03.2016 às 00:13

Brilhante analise, se bem que nos meandros actuais deste futebol lusitano e não só, o caminho não é fácil, para não dizer intransitável.
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De julius coelho a 16.03.2016 às 08:43

"O Sporting tem de voltar a estar presente na Liga dos Campeões",

pois!!!

É de facto disso que se trata e o caro amigo tem alguma brilhante ideia como se garante essa coisa quando só á lugar para dois?
Num futebol português em que as suas leis são á vontade do freguês com mais poder económico para as fazer impôr?
O futebol joga-se com leis de jogo ou supostamente defendido por leis de jogo representadas pelas equipas de arbitragem, as mesmas leis que são manejadas e cumpridas á conveniência de alguns.
O Sporting tem vivido emparedado entre os impérios criados pelo norte e pelo outro clube do outro lado da 2ª circular , Sporting empurrado e desprezado por uma nação que teima em lhe manter o lugar de observador previligiado á transição dos poderes do futebol nacional.

Afinal como pode o Sporting recuperar a sua grandeza desportiva no panorama do futebol profissional sem criar diversões que chamem a atenção de um povo acomodado?

Todo este barulho criado e provocado que finalidade terá? Influenciar os senhores do apito para obrigá-los a serem isentos? Influenciar os senhores dos orgâos desportivos que comandam o futebol nacional para que não usem esse poder á conveniência dos seus interesses pessoais? Não meu caro amigo é seguro que não, , sería uma travessia de um deserto sem fim.
Trata-se sim da tentativa do despertar de um povo á muito acomodado , trata-se da tentativa de desafiar a consciência de um povo que tudo tem permitido , o sucesso á custa de ilegalidades e deixar impávidamente a alguns viver acima da lei.


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De PSG a 16.03.2016 às 11:15

Essa teorias da conspiração tenho a certeza que podem ser explicadas pela psicanálise.
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De julius coelho a 16.03.2016 às 11:49

Conspiraçao ?? as escutas no youtube com as vozes conhecidas do clube do norte e outras do outro grande de Lisboa são fictícias?

Uma clara preocupação na escolha dos arbitros para que apitem os jogos dos seus clubes? Isso foi ou é ficção? Inventaram as escutas ? inventaram as vozes?
Será que ainda vivemos a pré história que nao sabemos somar 2 mais 2? Nao sabemos ainda que resultado dará?? ? Ou é o caro que não quer saber por conviniência?

Todos os "poderes" tiveram o seu fim mesmo áqueles que não se imaginava tal coisa como o fim do império romano, mas tambem lá teve o seu fim , é tudo uma questão de tempo.
A revolução já está em marcha!!
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De PSG a 16.03.2016 às 12:59

Muito bem vamos falar de escutas.

Embora o julius coelho queira, como é aliás tradição entre os adeptos do SCP, misturar as escutas e colocar tudo dentro do mesmo saco, seria importante e até honesto que se distinguissem as mesmas. Nas escutas do "apito dourado" não tenho conhecimento que alguma vez tivesse sido apanhado algum dirigente do Benfica, se conhecer alguma agradeço que me informe.
Em relação à escuta que fala, e penso que apenas foi divulgada uma, resulta de uma prática que existia em que o Valentim Loureiro ligava aos presidentes dos clubes para saber se estavam de acordo com as nomeações propostas no que diz respeito aos arbitros, ligava aos presidentes dos clubes em confronto, no caso LFV do Benfica e também nesse caso ao presidente do Belenenses e o sentido da chamada era o mesmo. Não obstante eu achar que este tipo de comportamentos não fazem qualquer sentido, nem tão pouco contribuem de forma positiva para a evolução do futebol Português. Mas isso era feito com todos os clubes em confronto como foi dito na altura e não me lembro de alguem do SCP ter desmentido.

Portanto, sim, até me apresentar algo de mais relevante vejo apenas teorias da conspiração.
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De Drake Wilson a 16.03.2016 às 11:47

Estimado Julius.
Debater uma questão complexa como esta obriga-nos a procurar, pelo passado próximo ou longínquo, uma série de apontamentos que bem nos possam permitir per sí aproximamo-nos da solução. Seria necessária coragem para lidar com algo quase infame que muitos dos adeptos, em elevada probabilidade, dificilmente aceitariam. Irei descrever uma pequena prosa que nos poderá levar à alcançar outra linha de raciocínio menos comum, mas de útil probabilidade:

Imagine-se proprietário de um veículo cuja data de lançamento no mercado posiciona-se no limiar dos anos 70. Um veículo que transporta consigo todas as memórias douradas das suas grandes descobertas e celebrações dignas de uma juventude, liberdade e de uma força que atravessa todo um espaço temporal, até aos seus dias de hoje. Como tal, com a estima que lhe merece, a sua dedicação perdurou e fez perdurar o brilho e o charme das linhas arrojadas de outrora, hoje vistas como simplesmente "passado" pela maioria das pessoas que o rodeia, longe de uma definição que se considera contemporânea. Para sí, tratar-se-á de um objecto de inultrapassável estima; para os demais que o acompanham, apenas algo bonito. Mas para a maioria da sociedade, a definição será de algo aproximado a obsoleto. E para uma pequena minoria, tendo em conta que tal viatura não atinge a idade de um denominado "clássico", (os tecnocratas que a sí pouco lhe interessam como pouco lhes preocupa os seus sentimentos) a designação atribuida ao seu objecto de elevada estima é aquela que mais o magoa: ferro-velho.

O que pretendo, mais do que mera análise abstracta, será questionar-nos a nós próprios se o Sporting hoje é um objecto de paixão exclusivamente unipessoal, se é algo que ficou perdido e refém na sua própria existência, ou se está realmente obsoleto.
Não me quero referir a gostos pessoais e superficiais que me cansam já a vista, tais como o manto verde agri-doce que se define como relvado ou uma cabine de assento de equipa técnica ao nível de um estádio sul-americano. Assim como não me envolvo em cabalo-teorias do "porquê" de não se ter estabilidade, de não ganhar, de ser injustiçado. Não me rodeio de maldade nem de inveja que me poluam pensamentos de modo a considerar opiniões totalitárias que agitem o meu fair-play. Porque todas estas teses que se busquem não nos darão a resposta que procuramos.

Existem problemas no Sporting para os quais urge uma solução, mas identificar quais, requer um amplo domínio emocional, lógico e porventura empresarial de difícil alcance à maioria de uma população empobrecida pelo desconhecimento de sí própria. As pessoas preocupam-se com 100 mil associados, quando na pratica são 15 mil aqueles que mantêem a chama da intervenção acesa. Todos os outros seguem de modo alternado e lúdico, quando o prazer do momento impera ou inspira. O período de maior revestimento intelectual no Sporting nos últimos 30 anos proporcionou-nos dois títulos nacionais, trabalho deitado ao lixo por falta de acompanhamento posterior, por força de "associações de adeptos" pressionantes sedentos de velocidade e adrenalina, num motor com ainda poucas rotações. Num laico sentido generalista, a maioria da massa adepta é ignorante, sendo que o Sporting por força da falta de interesse dos intervenientes presidenciais em lidar com tal predicado, tornou-se por sí próprio na maior vítima destes. Como quem diz, vítima do seu próprio "sistema".

Não desejo a sua exaustão nem de a quem admiro o esforço e interesse de ler este meu comentário aquí perdido entre muitos; por ora, apontaria demais nuances que que apoiariam no parecer que desejava lhe conseguir dar. Mas finalizando a "história" do carro... O bem mais preciso, aquele que ninguém questiona porque não está ao alcance da observação alheia, é provavelmente o que distingue o nosso veículo dos demais: o motor que após 46 anos, se mantém pronto e disponível. Isto é, se a utilização do mesmo nunca tiver sido irresponsável. Com isto quero dizer então que se os Sportinguistas fecharem por breves instantes os olhos às solicitações que se impõem virtualmente como imediatas, irão perceber onde reside a virtuosa esperança do futuro do nosso clube.
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De Naçao Valente a 16.03.2016 às 16:22

Desculpas por não ter respondido, directamente, aos comentários da noite, nomeadamente à excelente análise de Drake Wilson. Os comentários não estão "perdidos" quando colocam o debate no campo das ideias e não apenas no terreno da emoção. Bem haja.
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De Riskos a 16.03.2016 às 00:01

Independentemente do que possa ter feito num passado distante, Augusto Inácio demonstra actualmente um grande carácter e enorme lealdade para com a instituição Sporting Clube de Portugal.
Esta época, com as mudanças operados na estrutura de futebol, que nitidamente fragilizaram a sua posição, optou por manter a sua disponibilidade e apoio total à estratégia definida pelo Presidente BdC. Na minha opinião, acredito até que alguém prove o contrario, que o faz porque acredita no projecto e acredita no Sporting.

Com isto não quer dizer que possam existir desempenhos, enquanto comentador, criticáveis, mas passar de uma critica ocasional para uma extrapolação de carácter, na minha opinião, trata-se do mesmo fundamentalismo que se quer criticar.

Não deve ser fácil, assumir como tantas vezes tem feito, a defesa dos interesses do Sporting, que é disso que estamos a falar, quer o tema seja JJ, com quem teve dificuldades de relacionamento, quer o tema seja BdC, que supostamente o "encostou".

Para terminar e sugiro que muitos dos habituais leitores e comentadores tenha um momento de leitura e reflexão de um pequeno excerto do texto produzido por jornalista insigne, dirigente de altíssimo calibre, com uma vida dedicada ao Desporto e ao Sporting, que serviu com zelo e amor clubista, e que tanto o ajudou a crescer.

"6.º Nunca em público amesquinhes os actos de quem represente o teu Clube; roupa suja lava-se em família e o teu dever é criar em toda a parte, pelas tuas palavras e pelos teus actos, um ambiente favorável ao Sporting, enaltecendo-o.

4.º Nunca digas mal do que não possas fazer melhor; a crítica é fácil, mas prejudica quando imerecida e perdes o direito moral de falar se não puderes realizar aquilo que amesquinhas."



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De Rui Gomes a 16.03.2016 às 00:39

"Provas"... só com o passar do tempo, mas não acredito de modo algum que Augusto Inácio tenha aceite o seu afastamento da estrutura do futebol (com um sorriso na cara) por acreditar em uma "estratégia" e/ou "projecto".

Aceitou por uma questão de solidariedade com quem contou com ele mesmo antes de ser eleito (BdC).

Se há uma estratégia e um projecto para o futebol do Sporting, não estão à vista.

Finalmente, porque foi uma imposição de Jorge Jesus não contrariada por Bruno de Carvalho.
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De Riskos a 16.03.2016 às 10:27

Bom dia

Umas pequenas notas:

- Também posso dizer e formular juízos de valor, sobre tudo e mais alguma coisa e depois dizer que as provas aparecem com o decorrer do tempo.

- Claro que não aceitou com um sorriso, na minha perspectiva aceitou por lealdade e como alguém diz mais abaixo porque veste a camisola. Precisamente por ter sido uma imposição, valorizo ainda mais a sua participação como comentador, seria muito fácil utilizar o espaço de forma a destilar ressentimentos e defender interesse pessoais e muito sinceramente isso não é visível. Antes pelo contrario, já o vi por diversas vezes a defender JJ, que no fundo é o responsável pela sua perda de protagonismo.

- Na minha opinião há um projecto e uma estratégia, cujas pontas do icebergue é a recuperação e valorização dos activos e ser campeão nacional muito rapidamente.
Aceito que houve uma inflexão ou ajustamento na estratégia e não no projecto, motivada quer pelos resultados financeiros dos primeiros dois anos quer pela oportunidade de contratar JJ. Como se costuma dizer, “a mesma água nunca passa duas vezes por baixo da mesma ponte”

Se me pergunta se concordo com este ajustamento, motivado pela pressa em ganhar o campeonato, respondo que não, considero que se está a correr riscos desnecessários, acho que primeiro seria necessário que consolidar resultados e valores. Mas entendo e louvo a ambição.
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De Naçao Valente a 16.03.2016 às 16:47

Riskos,
Reli o texto e não vi nele qualquer intenção de amesquinhar Augusto Inácio. O que está saliente é a sua incoerência, e de certo modo ingratidão, ao considerar como "croquetes", expressão claramente ofensiva, dirigentes que serviram o Sporting, com abnegação e prejuízo das suas vidas, e com alguns dos quais o visado trabalhou. E convém lembrar que o fez publicamente e não em família. Isso não é lavar de roupa suja? Se alguém amesquinhou quem representou o Clube para (re)citar(6º) foi o próprio Inácio. A crítica feita perante grandes audiências foi imerecida e por isso, como citado no ponto 4º. não tinha o direito moral de o fazer. Defender o Sporting é não dividir, por actos ou palavras. E será que a crítica pública só é permitida a alguns eleitos?
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De Riskos a 16.03.2016 às 19:13

Nação Valente

Agradeço a sua resposta, vindo de si não esperava outra coisa, pois tem sido sempre atencioso e correcto no acompanhamento das opiniões que publica. Confesso, que por falta de tempo, não consigo acompanhar todas as publicações, mas sem duvida as que contém a sua assinatura, tento acompanhar com redobrado interesse, dada a qualidade das mesmas.

Muito sinceramente, na minha opinião, quando qualifica as intervenções de AI como "seu papel da voz do dono" e termina "não é correcto morder a mão que nos deu de comer" está a adjectivar o seu comportamento como sendo indigno e ingrato. Se isto não é amesquinhar um representante do clube temos então uma ideia diferente sobre o verbo amesquinhar.

Por outro lado, já assisti por diversas vezes às intervenções de AI, mas não assisti ao programa em causa, fazendo fé sem reservas ao exposto no post, como é óbvio AI utilizou uma expressão infeliz e condenável.

No meu comentário tentei apenas realçar a difícil situação em que AI se viu colocado e mesmo assim assume com lealdade a defesa dos interesses do Sporting. Como alguém já o transcreveu numa entrevista anterior, assume intransigentemente a defesa da camisola que veste e que diga-se de passagem, provavelmente lhe paga o salário.
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De Profeta a 16.03.2016 às 00:11

- Admite treinar o Benfica ou o FC Porto?

- Não vejo qualquer problema. Colocaram-me um rótulo de sportinguista mas sou muito profissional. Visto sempre a camisola do clube que defendo.

- Da Luz para o outro lado da Segunda Circular. Como olha para a crise do ‘seu’ Sporting?

- Do meu...? [risos] Agora já não é meu. Aliás, nunca foi. Mas algo não foi devidamente planeado no início da época. Houve precipitações e acabaram por pagar os do costume.

http://www.cmjornal.xl.pt/desporto/detalhe/jorge-jesus-nao-merece-o-meu-respeito.html
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De Anónimo a 16.03.2016 às 00:21

"Visto sempre a camisola do clube que defendo."

Mas é isto mesmo que se quer e se procura num bom profissional, seja ele de que área for.

A não ser que o "Caro Profeta" seja de opinião que se deva contratar quem não defenda a camisola e pelo contrario zele por interesses de agentes, empresários e outras máfias que se encontram instaladas no pântano do futebol.
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De Rui Gomes a 16.03.2016 às 00:26

Meu caro,

Não o editei, porque eu sei que já se identificou (pseudónimo) no seu outro comentário, mas neste espaço, comentários de "anónimos" não são permitidos.
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De Riskos a 16.03.2016 às 10:04

As minhas desculpas,Rui Gomes.

Estava convencido que tinha colocado o nick, vou tentar ter mais cuidado em eventuais intervenções.
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De C.luis. a 16.03.2016 às 03:23

Vocês não criticavam a direção anterior como criticam atual.

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