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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

Joseph Szabo revelou sempre uma vontade avassaladora de vencer no futebol. Vencer e fazer a sua equipa vencer. Por esse motivo entrou em conflitos com dirigentes de clubes e chegou a ser muito duro com os seus jogadores. Por vezes, era de grande severidade. Até o filho José Szabo Júnior, guarda-redes, ficou com as orelhas a arder mais do que uma vez. Mas, o alvo das críticas do Mister era o futebolista e não o filho.
O “violino” Fernando Peyroteo admirava profundamente Joseph Szabo, a quem chamava de Mestre. No seu livro de “Memórias de Peyroteo” publicado em 1957, o avançado-centro leonino conta o seguinte:
«Há quem já me tenha dito que Mestre Szabo trata mal os seus pupilos, insulta e ofende os rapazes, castiga-os injustamente. Nada mais injusto e mais falso! Szabo não conhece a gramática da pátria que adoptou. Veio para Portugal para ensinar futebol e não para aprender português. Nos primeiros contactos com a rapaziada da bola ensinaram-lhe, maldosamente, algumas frases a que davam sentido e significado diferentes. Decorou-as e repetiu-as quando lhe parecia oportuno, até que outros melhor intencionados procuraram corrigi-lo.
É certo que por vezes nos dirigia uma palavra um tanto ou quanto violenta e menos própria, mas todos nós sabíamos que mestre Szabo não nos queria ofender ou insultar deliberadamente. Pois, se ele, ao referir-se ao seu filho José - que nesse tempo fazia parte dos futebolistas do Sporting - criticando-o, em presença de todos, por uma má tarde na defesa das balizas do seu grupo, disse tanta barbaridade que nos sentimos no dever moral de o chamar à razão, fazendo-lhe sentir que dizer tais coisas do seu filho era ofender-se a si próprio.
Szabo respondeu-nos: ‘Sinhores fazer favor respeitarem seu treinador. Eu falar com Zé, não chamar família que estar sossegada a casa, no trabaio. Não ter nada quê ver um coisa com outra. Não dizer um coisa dê isso... Família de tudos ser sagrada. Por favor, sinhores não brincar...’»
Na fotografia, Peyroteo segura a taça O Século, acompanhado por jogadores do Sporting, em 1948.
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