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O Sporting que nos escondem

Drake Wilson, em 08.03.19

 

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Ao invés de uma lógica de esperança que adequam à vida privada, as pessoas tendem a ser naturalmente desconfiadas em relação ao futuro colectivo da sociedade – uma dissonância cognitiva de quem é, por natureza, adverso ao risco ou ao desconhecido.

 

Avaliamos a vida pela volúvel arbitrariedade das nossas experiências, raramente fazendo-o com devido distanciamento.

 

Quando se fala de um Sporting Clube de Portugal socialmente desunido, fala-se de um problema de dimensão social muito superior ao que julgamos exclusivamente circunscrito aos adeptos do Sporting. A falta de crença na instituição ou nas pessoas não nasce dentro do Clube, mas dentro de nós próprios.

 

Num sentido macro, não gostamos de Futebol tanto quanto gostamos do Sporting. Num sentido mais básico, o sentimento de lealdade à tribo isola-nos socialmente por grupos de interesse, tornando-nos intolerantes não apenas ao que nos distingue, como igualmente a qualquer mudança.

 

Ao longo dos últimos trinta anos, monopolizamos capas de jornais fundamentalmente pelas nossas crises, mais do que por qualquer mérito desportivo. Foi deste modo que o País se habituou a “olharo nosso Sporting. Foi deste modo que as novas gerações de sportinguistas adoptaram um 'meme' pessimista na sua mente. Foi deste modo que os fóruns de discussão sobre o Sporting se tornaram embaixadas de dogmas. Foi deste modo que se acabou por eleger Bruno de Carvalho. Foi deste modo que, em resultado de toda uma frustração que se acumulou, se deu o ataque à Academia. Não se trata de um flagelo, mas de uma auto-flagelação.

 

Frederico Varandas não foi eleito pela maioria social dos Sócios, mas pelo “mindset” da maioria nuclear de Adeptos com mais votos. Logo, o establishment pessimista que por sua vez é maioritário, não o desejava desde início, e pior, nunca o irá apoiar. Quanto muito, resignar-se-á apenas na conveniência de resultados de Futebol melhores.

 

Num naufrágio, presumo que a emergência do momento imponha as escolhas possíveis, não necessariamente as desejadas. Infeliz Varandas que, nesta parábola grotesca de um naufrágio, tem de lidar com um ex-Presidente equiparado a sereia, com poder de encanto sobre os homens, e por fim, Ricciardi num iate a acenar com uma bóia.

 

Em síntese: nas últimas três décadas, os Sócios do Sporting Clube de Portugal admitiram dez presidentes, dez projectos que configuraram todos eles dez rupturas com o passado. Em trinta anos de futebol, o Sporting iniciou o seu “ano-zero” nada mais do que por três ocasiões.

 

Cada presidente tem, em média, uma taxa de sucesso no futebol de apenas 8%. Com uma centralização de cerca de um Bilião de Euros de investimento na modalidade em três décadas, o Sporting tem hoje, muito provavelmente, o seu plantel mais deficitário no que concerne a qualidade técnica e valores de cultura Sporting.

 

Pessoalmente, não nutro qualquer empatia por Frederico Varandas. Quem lê os meus cansativos textos saberá de antemão que este não é, sequer, o Sporting que idealizo. Mas impera questionar: querem que Frederico Varandas resolva um legado de trinta anos de decadência?

 

Nota: No mesmo dia em que José Roquette precisou de escolta para comparecer numa Assembleia Geral – obrigado Humberto Évora –, José Sousa Cintra "decidia" toda uma temporada, a jantar numa conhecida marisqueira de Algés. O problema não está no Sporting que temos. Está no Sporting que nos escondem.

 

publicado às 06:03

 

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#1 - Temos qualidade para ganhar?

 

No final da temporada registaram-se 86 pontos no campeonato. Uma performance muito elevada, fruto da conjunção de factores directos e não directos ao planeamento da época. Tivemos quase um pleno de vitórias nessa pré-época, alcançando no primeiro jogo oficial uma vitória categórica – a Supertaça – perante o SL Benfica. 86 pontos fariam do Sporting campeão 97% das disputas em campeonato, mas convém reconhecer que estes pontos não são uma matemática possível de realizar sempre. Existe alguma conjugação planetária que nos diga que, perante um acumular de pontos cada vez maior nas últimas três épocas, se farão ainda mais pontos nesta próxima? Mais a mais, observando-se com algum detalhe estas últimas exibições, alguns elementos do presente plantel demonstram lacunas não coadunáveis com os níveis de exigência do nosso Clube. As limitações mais visíveis são evidentes perante os resultados mais recentes. Sem reforços, mesmo com a entrada dos nossos “4 mosqueteiros”, não se pode ambicionar muito.

 

#2 - Jesus estará motivado?

 

A entrada de Jesus trouxe-nos uma “alma” que de algum modo alinhavou crença e atitude, elevando a confiança de todos nós rumo a um estado de graça positivo. Agora trata-se do momento em que se exige outros valores com o empenho de outrora, como a consagração da qualidade do técnico, assim como a sua plena justificação do avultado investimento que representa o seu ordenado, um ano mais. Inexplicavelmente observa-se-lhe um semblante cansado (triste?), introspectivo, quase denunciando algum desgaste ou falta de confiança. Talvez este projecto do Sporting não seja a melhor pré-reforma de uma carreira que se “limitará” ao nosso campeonato, reconhecendo nós que correremos o risco desta nossa ambição se diluir igualmente com o tempo. Só na vida real os casamentos deveriam ser eternos: se as pessoas não estão bem, sigam a sua vida. Se querem continuar casados, entreguem amor incondicional, e essencialmente, cuidado com desabafos infelizes que em nada melhoram a confiança alheia.

 

#3 - Clube único no mundo a ser atacado por “Croquetes” ou “Cromos”?

 

Afiaram-se as facas para se proceder a uma "limpeza", de acordo com as directrizes que definem este “Novo Sporting”. “Croquetes Nunca Mais”, nem mesmo como entrada, pois agora está na altura de coleccionar Cromos para “aguçar o apetite”. A sabedoria popular diz-nos que “Homem pequeno, velhaco ou dançarino”. Assim sendo, neste Tango que é o “Novo Sporting”, eis que surge uma espécie de “Napoleão” para discursos de nova Era. Sendo o fetiche da Monarquia o Bobo da Corte, compreende-se esta necessidade de tal personagem neste reinado. Se tal não for, talvez alguma dívida por serviços prestados ao nosso Clube em Abril de 2014, numa parceria Jornal de Notícias/Proteste Investe com objectivos de avaliação ao nosso Gabinete de Apoio ao Investidor?

 

#4 - Dr. Strangelove em exibição no Alvaláxia?

 

Para quem não conhece, “Dr. Strangelove” é uma obra de 1964 do já falecido realizador Stanley Kubrick. Sintetizando, trata-se de uma narrativa que envolve o esforço de políticos e militares em inibir as tresloucadas pretensões de um General em iniciar uma Guerra Nuclear. Sr. Carlos Vieira, de colega para colega, peço-lhe o seguinte: coloque em prática todo o seu conhecimento e saber! O sucesso da Área Financeira, como tão bem o Senhor saberá, depende de seis factores: muita cafeína, ideias, amigos, estudo, liberdade e um telefone. Aqui entre nós, o sucesso desta Alemanha deve-se ao inverso da teoria social da Coreia do Norte. Saque um coelho da cartola, ponha uma ideia em prática, trate de realizar as receitas extraordinárias. Se o problema é o “Dr. Strangelove” ou alguma Magia Negra Angolana a pairar sobre o escritório, inibindo-lhe de algum modo o cenário de intervenção, então demita-se. Como é possível não se fazer nada neste campo em três anos!

 

#5 - Foi a "Formação" que deu a Champions ao FCPorto?

 

Amarante FC, Oriental de Lisboa, Guarani, Young Pirates, Zalgiris Vilnius e Velikie Luki foram alguns dos clubes que estiveram na formação de jogadores campeões europeus pelo clube português, orientados por um técnico com apenas 4 anos de experiência. Sim, não me esqueço que Nuno Valente (Sporting) também lá estava. O que se pretende reflectir com este ponto 5, baseia-se na fundamentalização de uma observação incessante para com a jóia da nossa coroa (a Formação) no sentido de elevação constante do clube, afim de combater uma tendência de falta de títulos no futebol. Por vezes invade-me uma sensação de que somos “nós contra o mundo”, fechando os olhos ao presente, assim como à necessidade do Sporting entender que neste planeta actual, carece de realismo acreditar que os melhores jogadores se podem manter demasiado tempo no Clube. Bolas, “uns” apenas falam em 60 milhões com a mesma naturalidade com que “outros” colocam no bolso o mesmo valor (SL Benfica com Gaitan e Renato). “Uns” dizem felizes que “não enchem a barriga a empresários”, outros dão-se ao luxo de nos “roubar” Mitroglou e Cervi por diferenças de 2/3 Milhões. Esta estratégia adoptada pela Comunicação do Sporting aparenta ser um “modus-operandi” para encobrir algumas lacunas...

 

#6 - Não quero ver J. Mário nem Podence 10 anos no Sporting…

 

… nem que para tal tenham de lhes colocar umas tranças e realizem 35+45 Milhões de Euros. Acima de tudo, gosto do Sporting como o Clube que é, assim como o que este representa. Nós não somos os Moicanos contra o Invasor. Somos o Sporting Clube de Portugal, um clube moderno com uma extraordinária apetência para formar jogadores de classe internacional mas que teima em olhar para estes como o nosso “primeiro amor que não se esquece”. Urge entender que estamos em desvantagem perante toda a Europa desenvolvida no que respeita a fontes de financiamento directas da nossa economia. O Sporting não pode cair na tentação de um sobre-endividamento em ordenados, inibindo a fluidez financeira do Clube para outros fins.

 

#7 - Vergonha em vender João Mário por 30/40 Milhões?

 

Agora que todos acreditamos neste Sporting estável (?), coloca-se a nossa instituição no papel de grande Imperador da Europa. Antes que se culpe a Comunicação Social de que terá sido esta a inibir um grande negócio ao Clube, temos de, com honestidade, questionar se existe mesmo algum clube na Europa interessado em fazer negócios connosco. Ou que algum clube acredite mesmo no Dr. Strangelove.

 

publicado às 11:00

Artigo de opinião da autoria de António Tadeia - TSF - que faz uma abordagem eloquente e certeira à actualidade do Sporting:

 

A apaixonada decisão da Liga e a final da Liga Europa, com os dramas vividos pelo Benfica, concentraram a atenção de todo o país  desportivo e deram a Bruno de Carvalho o tempo e a tranquilidade para resolver a fase-três da sua presidência no Sporting. E se as duas primeiras se saldaram por uma vitória com algumas reservas, nas negociações com a banca, e uma derrota com sinais de esperança na retoma, no ataque ao lugar europeu que acabou por escapar, a fase-três, a da definição do treinador, pode vir a ser fulcral.

 

A vitória no desbloquamento das verbas de que o Sporting precisava de forma a assegurar a gestão do dia a dia não pode ser muito valorizada, porque era evidente que o clube e a banca estavam condenados a um entendimento que não se revelasse demasiado penalizador. Já a falha na qualificação europeia não deve ser muito empolada, pois os sinais que a equipa deu no final da época foram bons e permitem esperança no futuro próximo.

 

A questão é que a equipa não subiu de produção por ter Bruno de Carvalho no banco - ainda que a proximidade do presidente possa ter contribuído para entusiasmar e responsabilizar os jogadores. A equipa subiu porque foi finalmente coerente na forma de encarar política desportiva e espaço competitivo e custa entender por que razão um dos principais responsáveis por essa coerência não há-de continuar ao leme ou terá de ser submetido à intermediação de um director nos contactos com o presidente que até se senta a seu lado no banco.

 

Não é por Jesualdo Ferreira, como antes não foi por Domingos, pois se vier Leonardo Jardim, Marco Silva, Rui Vitória ou até José Peseiro, os leões ficarão bem servidos de treinador. É porque a interrupção do caminho, agora, enferma de dois erros que já são usuais no Sporting: a vontade irreprimível de começar tudo de novo e a sedução pela "next big thing", pela derradeira sensação, que alimenta essa política de terra queimada e impede o clube de dar os seus passos firmes numa direcção escolhida há já alguns anos.

 

publicado às 10:10

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