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A título informativo... sem rir!

Rui Gomes, em 10.11.20

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"Último parágrafo para o Sporting, que como quem não quer a coisa não só segue em primeiro na Liga – com Benfica e Sp. Braga a quatro pontos e FC Porto a seis – como tem o melhor ataque e a melhor defesa. Creio que nem o Bruno Nogueira me conseguiria dar mais vontade de rir".

Excerto da crónica semanal de Alexandre Pais, em Record

publicado às 03:32

Em Alvalade é agora ou nunca

Rui Gomes, em 02.11.20

O leitor que me perdoe se encontrar, nesta crónica, sinais de falta de lógica ou de senso. É que estou a escrever, e a ver o Sporting-Tondela, ainda esmagado pela dureza brutal da "parede" do Angliru, que os ciclistas da Vuelta subiram ...

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Pois, mas quero falar-lhes do Sporting. Se Frederico Varandas parecia, há poucos meses, um líder de transição que cederia mais dia menos dia à pressão dos contestatários – que iam recolhendo apoios a cada desgraça que se abatia sobre a casa do leão – um número significativo de sportinguistas com memória forma hoje uma trincheira importante no combate ao regresso do "brunismo"... ainda que por interposta pessoa. Tudo por acção de Ruben Amorim e… da Covid.

A pandemia, ao impor a criação de um "mundo novo" em Alvalade, pode dar um fôlego extra ao dr. Varandas. Livre das claques até ver, livre de enchentes no estádio enquanto o coronavírus andar por aí, livre de ajuntamentos, apupos e insultos, o líder dos leões pode chegar quase incólume ao Verão se o treinador e o plantel – também eles a beneficiarem de inesperada tranquilidade – continuarem a cumprir. Para já, na tabela, olham para cima e não vêem ninguém...

A verdade é que o trabalho tem sido sério. Amorim aposta sem hesitações no talento de jogadores jovens e constrói, com inteligência e audácia, uma equipa de raiz. Mas resta-lhe um ano (?) de relativa paz, que pode não bastar para que essa equipa atinja os patamares que lhe são exigidos. E, então, cabe aos sportinguistas decidir o que querem: aproveitar a oportunidade, talvez a última, de dar ao treinador o tempo necessário para cumprir o objectivo ou entrar em parafuso aos primeiros insucessos – e eles virão – e voltar a deitar tudo a perder. A escolha é simples? É, mas sabe-se o que a casa gasta...

Artigo de Alexandre Pais, em Record

publicado às 12:30

"Estamos entregues ao bicho"

Rui Gomes, em 26.10.20

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O derradeiro parágrafo vai para a Direcção-geral da Saúde, que ao cabo de alguns meses em que nos transmitiu uma imagem de segurança, entrou em absoluto desnorte. Casos como o do casamento deste fim de semana, que reuniu 200 pessoas em Arruda dos Vinhos – contra a vontade da impotente câmara municipal – repetem-se pelo país e foram até ultrapassados pelo "pornográfico" forrobodó de Portimão, com quase 30 mil (!) pessoas, a maior parte delas ao monte, a assistirem ao Grande Prémio de F1... E quanto ao futebol é a mesma desgraça: preterido a comédias, touradas e ajuntamentos políticos e religiosos no tempo em que o coronavírus parecia dar tréguas, passou agora a ter espectadores quando há países a recomeçar a fechar os estádios. Estamos entregues ao bicho.

Excerto da crónica de Alexande Pais, em Record

publicado às 13:02

O futebol colectivo é uma chatice

Rui Gomes, em 12.10.20

img_192x192$2015_10_12_15_23_37_1005745_im_6366770Esta história do futebol 'ferozmente' colectivo é uma chatice. Em especial, havendo equipas que têm individualidades competentes para fazer a diferença e que as obriga a pôr de parte o talento para se dedicarem a tarefas exclusivamente defensivas. Dois empates a zero golos consecutivos, com dois campeões do Mundo, avaliam positivamente esse desempenho de algum modo menos vistoso da Selecção Nacional, mas deixam-nos na boca com um sabor a pouco. Dispor de Cristiano e de geniozinhos como Bernardo, Félix, Fernandes, Diogo Jota ou Trincão, sem que em três horas se veja um lance de autor que nos levante do sofá, torna-se frustrante. É o preço a pagar para não perder e, em simultâneo, a renúncia à possibilidade de ganhar.

Certo é que voltámos a não baquear no Stade de France em Paris e só não vencemos desta vez porque o engenheiro não tirou da cartola o coelho de 2016: não há um Éder todos os dias. Ontem, perante a muito evidente baixa de forma de Bernardo Silva, não sei se meter Trincão em campo mais cedo não teria feito o estrago que os franceses mereciam. Afinal, só não perderam porque Pepe partiu em fora de jogo, por centímetros, para o golpe de cabeça que nos daria a vitória. Agora, é tempo de não exagerar no colectivismo, de animar a malta e de apostar claramente no ataque para derrotar os suecos, na quarta-feira. E que CR7 regresse aos golos, que estão faltando...

Cavani fechou contrato com o Manchester United, por duas épocas, recebendo 8 milhões de euros por cada e mais outros 8 de prémio de assinatura. E com isso ficou tudo explicado sobre a sua imaginária vinda para o Benfica e para as histórias da carochinha que nos contaram.

E a propósito de Benfica, sabem o que me faria rir ainda mais do que ver o Bruno Varela convocado por Fernando Santos? Que Jorge Jesus conseguisse recuperar Ferreyra. Sim, eu sei que há realidades que nem Deus tem o poder de mudar, mas...

Excerto da crónia de Alexandre Pais em Record.

publicado às 12:15

Nunca tantos e tão bons, engenheiro

Rui Gomes, em 05.10.20

img_192x192$2015_10_12_15_23_37_1005745_im_6366770Sendo o clube de Nuno Espírito Santo o actual maior ‘fornecedor’ da Selecção, com cinco convocados, ao técnico do Wolves há até que creditar parte da imensa capacidade futebolística ao dispor agora de Fernando Santos. Não sei mesmo se alguma vez – incluindo a era de Luís Figo e Rui Costa – a turma nacional contou com um grupo tão forte. É que aos 26 que hoje se irão juntar há que somar os três que ‘caíram’ da penúltima convocatória – Domingos Duarte, André Gomes e Gonçalo Guedes –, os sete escolhidos há menos de um ano – José Sá, Ricardo Pereira, João Mário, Pizzi, Bruma, Eder e Gonçalo Paciência –, os sempre ‘convocáveis’ – casos de Adrien, Cédric ou Gelson Martins – e ainda os que vêm a caminho, como Nuno Mendes ou Pedro Neto. São quatro dezenas de jogadores de eleição!

O que esta dádiva tem é de produzir resultados. Admite-se um joguito a feijões com os espanhóis, mas o verdadeiro teste será no domingo, frente a França, com a qual "não podemos" perder. Se a conseguimos ultrapassar em 2016, contra quase todas as previsões, como não o "exigir" agora à nossa chuva de estrelas?

O que se passou em Vila do Conde é aquilo que o jornalista e comentador Luís Freitas Lobo tantas vezes, e acertadamente, classifica como "futebol em estado puro". Sim, apenas no futebol é possível ver um dos maiores clubes do Mundo humilhado aos pés do quinto classificado de um campeonato da segunda linha europeia. E só não vimos o grandalhão ser afastado da Liga Europa porque o futebol permite outra coisa: que o que é em dado momento não o seja daí a segundos. Uma mão desnecessária no derradeiro minuto facilitou o empate ao Milan e forças vindas muito para lá do Além fizeram – em três (!) ocasiões e em duas com a bola a bater três (!) vezes nos postes – com que os bravos de Vila do Conde morressem na praia. Chapeau!

O parágrafo final vai para o Sporting CP e para as indicações de Portimão. Se os resultados são de facto a solução, dar tempo a Rúben Amorim para construir uma equipa é o rumo certo. Optar por outro será a catástrofe.

Excerto da crónica semanal de Alexandre Pais, em Record

publicado às 15:00

Viver entre a formalidade e o bunker

Rui Gomes, em 30.09.20

img_192x192$2015_10_12_15_23_37_1005745_im_6366770Com nuvens escuras no céu encarnado, a assembleia geral do Benfica aprovou as contas de 2019/20 por larga maioria, 71,2%, numa votação que reuniu menos de dois mil sócios. E havendo eleições em Outubro, esse resultado deixa antever para que lado cairá a vitória.

Com o céu não menos carregado, a assembleia geral do Sporting, à qual acorreram mais de três mil associados, reprovou o orçamento e as contas também por margem clara: 69,2%. Sem ato eleitoral à vista, o desfecho confirma que a serpente da indignação cresce no ovo – por culpa de Bruno de Carvalho e de Frederico Varandas.

O primeiro pagou o que tinha a pagar pelos erros cometidos, a sua presidência foi o que foi e não há força divina que possa desfazer o que de bom e de mau ficou feito. Já no mandato actual, os leões perderam a oportunidade de meter ombros à segunda tarefa relevante, reposto que foi o normal funcionamento da instituição: tratar as feridas profundas que a crise abriu em milhares dos seus adeptos.

Frederico Varandas não quis ou não conseguiu ir por esse caminho e tomou uma decisão intrépida mas fatal: a suspensão das claques. Como se um corpo pudesse viver sem uma parte do seu tecido! Como se a tropa de choque do presidente anterior não pudesse amanhã ficar do lado do novo líder em nome do objectivo comum – tudo dependeria da estratégia a seguir e da arte para a executar.

E como se desprezar alguns criminosos infiltrados apagasse do coração da larga maioria o amor a um emblema histórico e fortemente implantado na sociedade portuguesa... Esses adeptos, que são muitos e em grande parte ainda jovens, não abandonarão a trincheira para onde os atiraram sem saírem vencedores. Sabem que é uma questão de tempo.

Tendo a faca e o queijo na mão, o Dr. Frederico Varandas podia e devia ter imposto regras apertadas, fiscalizado o seu cumprimento e exigido as responsabilidades inerentes. Mas não, em vez de podar os ramos que cresciam sem controlo, cortou a árvore e deixou ficar a raiz que permitirá o renascer do mal.

Agora, está nas mãos do treinador. Se Rúben Amorim conduzir o barco a bom porto, a direcção lá se irá aguentando. Só que o ‘bom porto’ para uns não o é para outros. A situação de penúria financeira e a relativa fragilidade do plantel dificilmente não trarão momentos complicados para a equipa, cujas consequências se abaterão sempre sobre Frederico Varandas e a sua gente.

Porque não lhes será possível continuar, indefinidamente, a viver em reclusão, como ainda ontem, no Twitter, sublinhava Luís Paixão Martins: é cumprir uma formalidade e voltar para o bunker.

Artigo de Alexandre Pais, em Record

publicado às 05:31

Luís Maximiano e Antonio Adán

Rui Gomes, em 21.09.20

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"No Sporting, acontece a Maximiano o que teria acontecido a Rui Patrício, não fosse Paulo Bento ter tido uma visão de futuro. Rúben Amorim coloca as fichas todas em Adán e a opção pode não lhe correr bem. Trata-se de um guarda-redes com poucos jogos para os anos de carreira que leva – e esteve praticamente inactivo nos últimos dois anos. Aposta de alto risco, suspeito eu".

Afirmação de Alexandre Pais na sua mais recente crónica em Record, que me leva a questionar que jogos de pré-época do Sporting ele viu para chegar a esta conclusão. Isto, já para não mencionar que Luís Maximiano está actualmente em quarentena devido à Covid-19.

A realidade, neste momento, é que Rúben Amorim não tem alternativa salvo entregar a baliza verde e branca a Antonio Adán e nada nos leva a concluir que ele será o titular de preferência ao longo da época.

publicado às 12:58

Quando se muda para pior...

Rui Gomes, em 22.06.20

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(...) Parágrafo final para Cristiano Ronaldo, que vê agravarem-se as consequências do seu salto no escuro que a Juventus tornou mais perigoso quando contratou Maurizio Sarri, um treinador sem unhas para aquela guitarra. A Juve perdeu já a Supertaça e a Taça, e só por milagre se sagrará de novo campeã, tão mal tem jogado e tanta é a falta de forma – e de atitude competitiva – do seu saco de craques. Quanto à Champions, teme-se que não se apure sequer para o mata-mata de Lisboa, o que seria mais uma enorme decepção neste desgraçado 2020. E não sei se o apagamento exibicional de Cristiano – que a imprensa italiana zurze sem vergonha, nem contemplação – não constituirá o fim da fase de ouro da bela história iniciada em 2002. Apesar de saber que há sempre um dia em que o dia chega, quero muito acreditar que não.

Alexandre Pais, em Record

Nota: Allegri foi demitido por não ter conquistado a Champions, no entanto, tem-se, em Sarri, um técnico muito inferior. Além do mais, os dirigentes responsáveis continuam a não reconhecer que a Juventus é uma equipa mal estruturada, que poderá fazer estragos na Serie A mas que não tem "unhas" para a prova europeia. Cristiano Ronaldo, nesta fase da sua carreira, não vai conseguir compensar essa lacuna.

publicado às 03:32

A mão que embala o berço

Rui Gomes, em 08.06.20

img_192x192$2015_10_12_15_23_37_1005745_im_6366770Juiz algum responsabilizará um dia Donald Trump pelos crimes de ódio que se multiplicaram nos Estados Unidos desde a sua eleição e que atingem hoje proporções irracionais. Como em Portugal jamais se provará numa sala de tribunal – e confirmámo-lo não há muito tempo – a relação íntima que possa existir entre a palavra incendiária do intelectual hábil e a mão criminosa do bandido estúpido.

Vou repetir-me. Se vivemos num país em que há, e dou apenas exemplos, jornalistas que deturpam a verdade, polícias que assaltam e roubam, autarcas que são corrompidos e até juízes capazes de desonrar uma classe que é o último bastião de defesa da probidade e da decência, que mais se pode esperar do que encontrar também delinquentes no meio das pessoas de bem que integram as claques de futebol?

O grande problema é que as pessoas de bem não são muito úteis às direcções dos clubes, ao contrário dos delinquentes da maioria das claques, que se deixam instrumentalizar em troca de bilhetes, viagens ou arrecadações para bebidas e outros produtos, sendo depois transformados por quem os comanda em reais guardas pretorianas – um eufemismo para associações criminosas.

São dessas mentes deveras manipuladas as mãos armadas que ajudam a ganhar eleições, condicionam fisicamente os opositores – reais ou supostos – em assembleias gerais, ameaçam treinadores e jogadores que se querem ver partir, apedrejam carros e casas de árbitros, agridem e tentam matar, e matam, adeptos adversários – até ao dia em que, sem código algum de conduta que não seja o da própria marginalidade, se voltam mesmo contra aqueles que eram objecto do seu "amor" e da sua "protecção", como sucedeu com o atentado ao autocarro do Benfica. Que têm então a ver com isso as direcções dos clubes? 

Nessa fase, obviamente, já nada, o que não nos impede de sublinhar a realidade: lamúrias, repúdios veementes, indignações dúbias ou exigências de "punições exemplares" não são mais – ainda uma vez e sempre – do que meras tentativas de tapar o sol com a peneira e alijar responsabilidades. Sim, os senhores são os verdadeiros culpados pela violência que envolve o desporto em Portugal. É vossa a mão que embala o berço.

Alexandre Pais, em Record

publicado às 04:03

E lá se vai o "exemplo português"

Rui Gomes, em 01.06.20

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(...) Entretanto, prosseguem as usuais cenas rocambolescas na feira de vaidades do futebol português, com as divergências saloias entre os clubes, o sai ou fica de Proença, a saga da aprovação dos estádios – que a DGS queria que fossem o "mínimo possível" mas que se pôs a validar e chegou aos 17! – ou a recém-novela da ratificação das cinco substituições por jogo, a "decidir" em assembleia geral... já após o reinício do campeonato. Que coisa ridícula.

Tenhamos calma, trata-se de fogo fátuo. A partir de quarta-feira, o que estará em todas as notícias e o que aquecerá os debates recuperados da Covid-19 é o cartão que ficou por mostrar, o segundo amarelo excessivo, o vermelho que não saiu do bolso, a falta para penálti que o árbitro não viu e o VAR também não, a falta para penálti que o árbitro marcou e o VAR anulou, a falta discutível para penálti que o árbitro não assinalou e o VAR corrigiu...

E por aí fora, numa lista infindável de casos, casinhos e afins, intensidades e centímetros, polémicas e acusações. É esse, afinal, o nosso planeta do pontapé na bola, ora agitado pelo tempero do pontinho de avanço do clube errado. O espectáculo está garantido.

Excerto da crónica semanal de Alexandre Pais em Record

publicado às 06:01

Um excerto da mais recente crónica de Alexandre Pais no jornal Record:

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"Os devotos da utopia começam a ser cada vez menos, é verdade. Enquanto uns, como Bartomeu, no Barcelona, ou Cerezo, no Atlético de Madrid, se vão entretendo a reduzir os incomportáveis salários dos jogadores, como se só daí viesse a salvação, outros vêem mais longe. É o caso do senhor Andrea Agnelli, presidente da Juventus, que tendo assegurado igualmente uma poupança – de 90 milhões de euros – na folha salarial, proferiu a frase que tudo define: "Os clubes enfrentam uma ameaça à sua existência". É disso que se trata.

Parece hoje consensual o cálculo dos especialistas de que só em Maio a Europa atingirá o "pico" ou o "planalto" da pandemia, o que significa que os casos positivos serão milhões e os mortos centenas de milhares. Acham que é exagero? Peguem amanhã nos dados do final de Março, ponham-lhes em cima 10 ou 15% de aumento em cada um dos 30 dias de Abril e terão, na brutalidade do acumulado, uma visão real do inferno.

Mais: haverá talvez um período de três meses – até Agosto – de curva descendente e com um total de vítimas também relevante. Precisamente por isso, não iremos de férias e as aulas dificilmente recomeçarão em Setembro.

E no mês de Outubro, alerta quem sabe disso, o coronavírus voltará. Querem recomeçar o futebol? Óptimo, é o que queremos todos. Mas trabalhem com os pés na terra e salvem os clubes, antecipem a realidade económica e a hecatombe social pós-vírus, e tomem nestes dias de chumbo as medidas difíceis para cá estarem depois.

O último parágrafo é de novo dedicado ao esgoto das redes sociais, onde se insultam os milionários do desporto por ganharem fortunas e darem apenas "uns trocos" para o combate à peste – e só Cristiano Ronaldo e Jorge Mendes já vão em 4 milhões de euros. É o habitual mundo ao contrário dessa cáfila: insurge-se contra quem é generoso e poupa os sovinas cuja solidariedade é zero".

publicado às 13:29

Frase do dia

Rui Gomes, em 24.02.20

img_192x192$2015_10_12_15_23_37_1005745_im_6366770"O último parágrafo vai para o árbitro Nuno Almeida, que ontem – em Alvalade e com a bênção do VAR – transformou um penálti claro, contra o Boavista, num envergonhado pontapé de canto.

Como diria um antigo director meu, pela manhã, ao ver a primeira página do jornal, elaborada pelo chefe de redacção que esse mesmo director largara à sua sorte na noite anterior: "Não te canses mais, pá. O melhor é fechares a porta e mandares todos para casa"".

Alexandre Pais, em Record

publicado às 19:00

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O Sporting confirmou que o seu plantel pode não ser uma maravilha mas tem mais valor do que aquele que alguns "especialistas" têm pintado. Bastou, para isso, que Jorge Silas dispusesse de tempo para trabalhar, enfrentando a realidade e potenciando as qualidades da matéria prima que lhe deram.

Os leões jogaram taco a taco com o FC Porto e, na segunda parte, até sofrerem o segundo golo, foram claramente superiores.Não venceram por falta de coesão defensiva e falhas de marcação, mas também porque Vietto não é um finalizador.

Certo é que encontraram o rumo certo, importando agora a maior competência – que não sei se haverá – na gestão das entradas e saídas.

É que ouço falar muito, por exemplo, na partida de Macus Acuña, o último jogador que eu venderia, excepção feita a Bruno Fernandes. Um profissional que sofreu o que sofreu em Alcochete e que não desertou como outros, que se entrega a cada jogo como se não houvesse amanhã e que exibe ainda a qualidade técnica que resultou no golo do Sporting no clássico de ontem, vale ouro e faria uma falta irreparável. Foi simplesmente genial: o internacional argentino ganhou por antecipação uma bola a meio-campo e foi concluir o lance na cara de Marchesín...Cedê-lo a preço de saldo? Seria a estupidez no seu esplendor.

Em tempo: Silas deve rever a sua atitude nas conferências de imprensa. É que, pelo que se viu ontem, alguns perguntadores – daqueles que usualmente abanam o rabo a Bruno Lage e a Sérgio Conceição – aproveitam a cordialidade do técnico leonino para se afirmarem, confrontando-o de forma arrogante. É sacudi-los e pronto.

Alexandre Pais, Record

publicado às 04:32

img_192x192$2015_10_12_15_23_37_1005745_im_6366770... Mas voltemos (centremo-nos) ao (no) passado fim de semana, que havia começado mal para a rapaziada que vive da desgraça alheia – com a vitória do Sporting CP em Portimão. E por uma simples razão: se há equipa desprezada por muitos dos seus adeptos e criticada por quase todos os comentadores, é a do Sporting. 

No entanto, nem tudo o que parece é e os jogadores de Alvalade responderam agora, de forma soberba, aos que, como eu, acham que muitos deles não têm categoria para vestir a camisola leonina. Afinal, Silas pode ter um tesourinho nas mãos.

A jogar fora, a perder ao intervalo (1-2) e com menos um em campo – após uma expulsão inacreditável – o Sporting deu a volta ao marcador, recorrendo aos "patinhos (ainda mais) feios" que tinha no banco e, como sempre, ao desempenho sublime do seu capitão. Que exemplo notável de profissionalismo e capacidade de superação! 

Sim... se o trabalho e o talento comandam a vida, de pouco valeriam se a sorte não fosse procurada com determinação, coragem, sacrifício e um coração enorme. Tudo isso vimos, na agreste noite algarvia, numa dúzia de futebolistas que têm, afinal, categoria para jogar no Sporting.Chapeau!

Alexandre Pais, jornal Record

publicado às 05:02

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 16.04.19

 

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"Bruno Fernandes, executante predestinado, motor de produção e capitão da equipa, catalisador da determinação e do orgulho leoninos, marcador de livres e de golos – também de cabeça! – o médio de 24 anos que a Sampdoria deixou fugir, por 8,5 milhões de euros, parece condenado a fazer parte do maior negócio da história do Sporting.

 

Sim, se João Félix valesse 150 milhões, quanto valeria Bruno Fernandes?".

 

Alexandre Pais, jornal Record

 

publicado às 03:18

O dia em que Acuña voltou do exílio

Rui Gomes, em 05.11.18

 

Tiago Fernandes, de cabeça fresca, viu de imediato o que nos parecia absurdo mas que José Peseiro teimava em ignorar: a qualidade de Acuña exangue no exílio da lateral. E ontem, em São Miguel, um rosto novo, uma mudança inteligente, uma energia recarregada e a atitude dos jogadores – sempre eles! – fizeram a diferença. 


Atrasado mental.jpgPara ser sincero, também me apetece defender José Peseiro, que em quatro meses no Sporting e perante circunstâncias particularmente difíceis cumpriu uma tarefa responsável e abnegada que merece elogios. Abandonado pela nova direcção – e até pelo "padrinho" Sousa Cintra – com o talento no plantel reduzido a 50 por cento e detestado por muitos adeptos que pedem a Lua, o treinador acabou, como se esperava, despedido, e como não se esperava de gente tão civilizada, afastado como um incompetente e um inútil. Deixo-lhe um aceno de simpatia, a vida continua.


Coisa diversa de apoiar Peseiro são as críticas ao direito de Frederico Varandas de tomar as decisões pelas quais só ele responderá. Afinal, o técnico dispensado veio do desemprego para o Sporting e teve mais uma oportunidade, ainda que difícil, penosa mesmo, de desenvolver o seu trabalho. E cometeu erros como aquele que o levou a mexer demasiado na equipa que escolheu para defrontar o Estoril. Fê-lo de forma suicida, após haver conseguido, frente ao Boavista, a melhor exibição da época e de ter perdido com o Arsenal de novo com a ajuda da fiel companheira que nunca lhe falha: a bruxa dos últimos minutos.
 
Isso para deixarmos no esquecimento que o árbitro prejudicou claramente os leões na partida da Liga Europa, ao fazer vista grossa a uma falta para grande penalidade. Nada que tivesse excitado muito aquela "boa imprensa" que queria à viva força ver Paulo Sousa em Alvalade – ui... do que o Sporting se livrou!

O sucesso das empresas, no futebol ou fora dele, não se compadece com sentimentalismos, e Varandas fez bem em mudar de treinador se entende, e para isso foi eleito, que defende assim os interesses do Sporting. Apesar de ninguém, para além dele e do amigo dr. Araújo, estar a ver como poderá Marcel Keizer melhorar a situação de uma equipa que continua a competir, quase intacta, em quatro frentes, e que segue até, no campeonato, em terceiro lugar e com dois pontos de vantagem sobre o Benfica.
 
A alegria dos cemitérios com que o holandês do presidente Varandas será recebido em Lisboa prenuncia vaias sem fim ao presidente quando a bola não entrar – ele tinha em Peseiro, que não escolheu, um seguro de vida e rasgou-o – e recomenda a Tiago Fernandes que se mantenha atento: depois de ontem, já não é só o filho do maior «capitão» da história do Sporting.

E não foi o despedimento de Peseiro que motivou os assobios que esperavam nos Açores por Varandas. Ele precisará de grandes êxitos desportivos para esbater a imagem daquela figura veneradora que emergia como uma sombra do banco do Sporting, repetindo os gestos tantas vezes destemperados do querido líder – que viria mais tarde a abandonar. Nada lhe será perdoado, a memória é uma chatice.
 
Alexandre Pais, jornal Record
 

publicado às 11:30

O notável engenheiro geracional

Rui Gomes, em 16.10.18

 

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Uma palavra de apreço é devida à Selecção e ao notável trabalho de renovação protagonizado pelo eng. Fernando Santos. Disputar duas partidas fora de casa e ganhá-las com clareza sem ter, no grupo de 25, jogadores da qualidade de Ricardo Quaresma, João Moutinho, Anthony Lopes, Raphaël Guerreiro, Manuel Fernandes, Bruno Alves, Gonçalo Guedes, André Gomes, Ricardo Pereira ou Gelson Martins, para nem sequer valorizar a ausência de Cristiano Ronaldo – e só nesta ‘short list’ são 11 os ‘excluídos’ – é proeza tanto maior quanto, ao contrário do que muitas vezes sucede, a Seleção jogou bem e teve ainda, frente à Polónia, momentos de empolgamento e brilhantismo. À legião de entendidos que exigia "renovação já", logo após a conquista do Europeu, há dois anos, respondeu o selecionador com uma rara aptidão para a ‘engenharia geracional’. O aproveitamento conjunto das gerações de Pepe e de Renato Sanches, e das intermédias, misturando classe e experiência com talento e ambição – constitui mais um sinal da inteligência, bom senso e competência de Fernando Santos. Que Deus o conserve!

 

Quando Cristiano Ronaldo coloca uma foto no Instagram, a treinar ou a passear, a publicação ultrapassa em menos de 24 horas os cinco milhões de ‘gostos’, no caso ‘corações’. Mas na semana passada – com o furacão Kathryn em intensidade máxima – uma imagem sua com a mulher e os filhos mais novos recolhia não cinco mas sete (!) milhões de aprovações. E se a generalidade dos ‘corações’ em fotos de futebol cabe seguramente aos adeptos, os sete milhões atingidos pela cena familiar só foram possíveis porque chegou à conta de CR7 no Instagram o apoio das mulheres. Não daquelas que odeiam o futebol e o próprio Cristiano como símbolo do que veem como uma ‘alienação’, ou tão pouco das mais fundamentalistas que condenam os homens sejam inocentes ou culpados, mas das mulheres desapaixonadas e justas, que apoiam o futebolista por simpatia e acalentam a esperança de que esteja inocente. 

 

Saliento isto porque discordo dos que defendem que a reputação de Cristiano Ronaldo está inapelavelmente danificada. O que lhe dá cabo da imagem são atitudes como as que teve recentemente com os prémios atribuídos ao ex-companheiro e amigo Modric – e que achava (mal) que deviam ser para si – , o que o levou a faltar às cerimónias de entrega e a revelar uma falta de ‘fair play’ que lhe fica mal. Já as acusações de Kathryn Mayorga só danificarão a sua reputação se vierem a ser provadas – porque só se tiverem existido factos, eles serão graves, criminosos e, então sim, inapagáveis.

Além disso, pretender que toda a lama atirada a uma figura pública portuguesa a possa condenar no tribunal da opinião pública é desconhecer o país. Se assim fosse, e só para dar três exemplos, Isaltino Morais não teria ganho a Câmara de Oeiras, João Vieira Pinto não seria vice-presidente da Federação de Futebol e Tomás Taveira não teria projetado três dos novos estádios do Europeu de 2004 – e também o da Luz, para ficar na gaveta, uma conversa à parte. Se tudo acabar num acordo semelhante ao de há nove anos – CR7 também disse que não pagaria ao fisco espanhol e foi o que se viu –, em que uma parte se considera ressarcida com dinheiro e a outra o que quer é ver-se livre do problema, Cristiano voltará a ser o ídolo de sempre para a maioria das pessoas. Porque para as restantes ele nunca foi nada e continuará a ser ninguém.

 

O meu último parágrafo (que já não me coube na edição impressa do Record) é desta vez dedicado à mais recente exposição mediática do ex-presidente do Sporting, que foi ao Campus de Justiça com a pretensão de ser ouvido no caso do assalto a Alcochete, pois correriam rumores de estar iminente um mandado de detenção. Por muito que nos custe, por exemplo, ver um militar que estava no estrangeiro ao serviço do País – e que regressou propositadamente para ser ouvido – percorrer algemado o caminho até ao tribunal, louvemos uma justiça que marca os seus próprios tempos, indiferente às agendas pessoais e às manias de cada um. É que não haveria igualdade perante a lei se os magistrados funcionassem segundo as vontades dos donos ou ex-donos disto tudo.

 

Alexandre Pais, jornal Record

 

publicado às 03:33

Nani errou mas Peseiro exagera

Rui Gomes, em 02.10.18

 

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José Mourinho perdeu os jogadores, ou boa parte dos que contam, e parece missão impossível reverter a situação do Manchester United, que à 7.ª jornada da Premier está a 9 pontos dos líderes Manchester City e Liverpool. Ótimo momento o que se avizinha para aqueles inimigos de Mou cuja existência se resume a manter a esperança de o ver falhar... E quase o mesmo se passa com Leonardo Jardim, que paga, com o Monaco na zona de descida da Ligue 1, os 400 milhões de euros de lucro que a sua gestão desportiva já rendeu aos acionistas do clube. O que é o futebol! 

 

Mas hoje quero falar-vos de José Peseiro e para isso tenho antes de me focar em Nani e na sua realidade: tem uma excelente carreira e passou ao lado de outra no patamar dos melhores futebolistas do Mundo. Não o conheço, embora tenha, ao longo dos anos, formado uma ideia sobre ele – julgo tratar-se de uma boa pessoa que tem, ocasionalmente, gerido mal alguns comportamentos e, demasiadas vezes talvez, o percurso profissional. Desde que saiu de Manchester, foram emblemas e impedimentos físicos a mais e falhanços sucessivos. O seu afastamento do último Mundial – aos 31 anos e com o registo de 112 internacionalizações – constituiu o corolário do período de pré-decadência que atravessou.

 

Feito o ‘reset’, o regresso abriu novos horizontes e relançou-lhe a carreira, e a situação complexa que veio encontrar em Alvalade, somada à experiência e ao peso indiscutível do currículo, fizeram-no capitão de equipa – mais do que justo!

Então, com a época a fluir relativamente bem, para ele e para o Sporting, como entender a obtusa reação à substituição em Braga, que levou Peseiro aos arames? Se quer aproveitar esta rara boleia do relógio do tempo, voltar à Seleção e garantir um final de carreira feliz onde pertence, Nani vai ter de travar de vez o seu pior inimigo: o Nani impulsivo que sempre teima em tornar a fazer o que não deve.


Mas nesta história José Peseiro também precisa de parar para pensar naquilo que de facto é: um treinador mal-amado e a prazo, seja lá qual for esse prazo. O Sporting está ainda demasiado ferido para suportar que quem foi contratado para unir alimente mais problemas. Nani errou, ponto. E Peseiro deixou-o nu na praça pública, na conferência de imprensa antes do desafio com o Marítimo, pelo que não podia ter perdido, como perdeu, a oportunidade de encerrar o assunto de forma generosa nas declarações feitas após a vitória de sábado. Exagerou e agora ou compreende que o seu papel em Alvalade não é o do ‘todo poderoso’ ou irá em breve pagar por isso. É dos livros: atirando-lhes gasolina, corre-se o risco de as chamas virem para cima de nós...

 

Alexandre Pais, jornal Record

 

publicado às 04:17

Quatro nomes que são afinal cinco

Rui Gomes, em 31.07.18

 

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Se o internacional francês Djibril Sidibé vier a ser transferido do Mónaco para o Atlético de Madrid, como se espera, as vendas do emblema monegasco nas derradeiras quatro épocas ultrapassarão os 820 milhões de euros, o dobro daquilo que o clube gastou, no mesmo período, a contratar jogadores. Duvido que exista ou tenha existido no passado, no mundo do futebol, um êxito de gestão financeira dessa envergadura, para mais num clube que conseguiu ser campeão e luta sempre em todas as frentes por alcançar títulos. Leonardo Jardim é o grande responsável por esse sucesso e vai ser muito bom poder acompanhar o desenvolvimento da sua carreira. Até onde chegará? Ainda tive uma vaga esperança que ele fosse a escolha do Real Madrid para suceder a Zidane, mas Florentino Pérez preferiu meter-se numa alhada. Azar dele.


Magistral o desempenho da talentosíssima Selecção de sub-19 – mais uma enorme geração de futebolistas que começou a impor-se – e perfeita a liderança de Hélio Sousa, repetindo a conquista do Europeu de sub-17, há dois anos, que não valorizámos o suficiente face ao estrondo da vitória da nossa equipa principal. Curiosamente, foi com a final perdida pelos sub-19, em 2014, primeira de seis alcançadas em quatro anos, que se tornou indiscutível o mérito do trabalho da Federação Portuguesa de Futebol e da presidência de Fernando Gomes. Tal como no caso de Leonardo Jardim, são os resultados – e não as simpatias, os lóbis ou as opiniões – que decidem quem vence e quem é derrotado.

Afinal, Jonas fica ou sai? Se ficar, pode ser um erro, pois o brasileiro é bem capaz de passar boa parte da temporada fisicamente diminuído, uma vez que o corpinho insiste, aos 34 anos, em dar sinais de alerta. Se sair, pode ser um erro porque o Benfica perde golo, garra, lucidez no ataque e um perfume de futebol que só os grandes artistas produzem. Difícil encruzilhada, essa. 

E fecho hoje os dois últimos parágrafos a verde e branco, começando pela anedota de há dias, quando se falou que Luís Figo estaria a ponderar uma eventual candidatura à liderança do Sporting. Claro que com a ligeireza com que surgiu, a "ponderação" terminou naquilo que todos nós, veteranos destas guerras, esperávamos: em zero. Figo fez bem porque a sua falta de empatia com os adeptos leoninos levá-lo-ia muito provavelmente à derrota. E foi bom também para o Sporting, já que o risco de o seu antigo jogador poder ganhar existiria sempre e o clube já tem, nesta altura, duas ou três alternativas melhores.

Agora, que se vêem tantos candidatos à presidência dos leões, parece-me ser o momento oportuno para recordar aqui os difíceis tempos de há 30 anos, quando o clube estava quase falido e atravessava a maior crise da sua história até então. Os notáveis de Alvalade hesitavam em avançar ou arranjavam desculpas – e Sousa Cintra, chamado a apoiar Carlos Monjardino, não teve outro remédio que não fosse fazer-se à estrada. Na crónica da próxima semana, o actual líder da SAD leonina contará, em discurso directo e ao pormenor, como se candidatou às eleições de 1989, que veio a ganhar, sucedendo a Jorge Gonçalves e salvando o Sporting.

 

Alexandre Pais, jornal Record

 

publicado às 06:02

 

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Em 1989, quando Sousa Cintra foi presidente do Sporting, aos 44 anos, no Portugal sem televisão privada e sem internet ele tornou-se o homem do momento. Recordo que a revista ‘Élan’ lhe fez uma entrevista de vida, assinada pelo José Neves de Sousa, que levou a minha filha Teresa como assistente. As fotos efectuaram-se junto aos ascensores do Hotel Tivoli, por onde o jovem Cintra passara, sublinhando-se com isso que o empresário de sucesso subira a corda a pulso.

 
Nos anos seguintes, José Sousa Cintra ficaria muito popular entre os jornalistas, pela disponibilidade e pela frontalidade do discurso, pelo deslumbramento que não escondia, pelo dicionário peculiar a que recorria – e a que continua a recorrer pelo que se lhe tem ouvido por estes dias –, mas igualmente por terminar as conversas com paletes de refrigerantes, garrafas de água e pacotes de batatas fritas que distribuía pelos repórteres. Ficou até lendário o episódio que interpretou ao volante do seu Mercedes, quando dava boleia a alguns repórteres: acabou de beber água de uma garrafa e lançou-a pela janela, que julgava aberta... mas que tinha, afinal, o vidro fechado. Seguiu-se o impropério resultante da cena caricata e o riso generalizado.
 
Talvez por achar que Sousa Cintra teve a sua época e que o Mundo é outro, alinhei nas críticas em que se dava a escolha para integrar o Conselho Directivo dos leões e liderar a SAD como uma pataratice de Jaime Marta Soares. Afinal, a história não se repete e quase um quarto de século depois de deixar a presidência dos leões e já para lá dos 70 anos, tudo indicava que teria, neste regresso ao Sporting, tanta sorte como a das cervejas Cintra. Felizmente, enganei-me, o homem está vivo, amadureceu, sabe o que faz e tem metido – com lucidez, determinação e amor à causa – mãos à obra de salvação leonina. Ou não fosse ele um mestre da sobrevivência.
 
Em menos de um mês, Cintra devolveu a tranquilidade possível a Alvalade, despachou o treinador sérvio – e outros cavalos de Tróia, com excepção de um, que por lá resiste para vir contar o que se passa –, tentou o regresso de Jorge Jesus, chamou José Peseiro, contratou Nani, recuperou Bruno Fernandes e Bas Dost, vendeu bem Piccini, está no tudo por tudo por Battaglia e Rafael Leão, e vai reforçando o plantel de modo a mitigar os efeitos negativos do que já não pôde travar: as saídas de Rui Patrício, William, Podence, Rúben Ribeiro e Gelson – e a consequente perda de muitos milhões de euros.
 
Milagres, Sousa Cintra não consegue fazer, mas o trabalho que tem vindo a desenvolver é simplesmente notável.
 
Alexandre Pais, jornal Record
 

publicado às 12:00

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