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Quatro nomes que são afinal cinco

Rui Gomes, em 31.07.18

 

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Se o internacional francês Djibril Sidibé vier a ser transferido do Mónaco para o Atlético de Madrid, como se espera, as vendas do emblema monegasco nas derradeiras quatro épocas ultrapassarão os 820 milhões de euros, o dobro daquilo que o clube gastou, no mesmo período, a contratar jogadores. Duvido que exista ou tenha existido no passado, no mundo do futebol, um êxito de gestão financeira dessa envergadura, para mais num clube que conseguiu ser campeão e luta sempre em todas as frentes por alcançar títulos. Leonardo Jardim é o grande responsável por esse sucesso e vai ser muito bom poder acompanhar o desenvolvimento da sua carreira. Até onde chegará? Ainda tive uma vaga esperança que ele fosse a escolha do Real Madrid para suceder a Zidane, mas Florentino Pérez preferiu meter-se numa alhada. Azar dele.


Magistral o desempenho da talentosíssima Selecção de sub-19 – mais uma enorme geração de futebolistas que começou a impor-se – e perfeita a liderança de Hélio Sousa, repetindo a conquista do Europeu de sub-17, há dois anos, que não valorizámos o suficiente face ao estrondo da vitória da nossa equipa principal. Curiosamente, foi com a final perdida pelos sub-19, em 2014, primeira de seis alcançadas em quatro anos, que se tornou indiscutível o mérito do trabalho da Federação Portuguesa de Futebol e da presidência de Fernando Gomes. Tal como no caso de Leonardo Jardim, são os resultados – e não as simpatias, os lóbis ou as opiniões – que decidem quem vence e quem é derrotado.

Afinal, Jonas fica ou sai? Se ficar, pode ser um erro, pois o brasileiro é bem capaz de passar boa parte da temporada fisicamente diminuído, uma vez que o corpinho insiste, aos 34 anos, em dar sinais de alerta. Se sair, pode ser um erro porque o Benfica perde golo, garra, lucidez no ataque e um perfume de futebol que só os grandes artistas produzem. Difícil encruzilhada, essa. 

E fecho hoje os dois últimos parágrafos a verde e branco, começando pela anedota de há dias, quando se falou que Luís Figo estaria a ponderar uma eventual candidatura à liderança do Sporting. Claro que com a ligeireza com que surgiu, a "ponderação" terminou naquilo que todos nós, veteranos destas guerras, esperávamos: em zero. Figo fez bem porque a sua falta de empatia com os adeptos leoninos levá-lo-ia muito provavelmente à derrota. E foi bom também para o Sporting, já que o risco de o seu antigo jogador poder ganhar existiria sempre e o clube já tem, nesta altura, duas ou três alternativas melhores.

Agora, que se vêem tantos candidatos à presidência dos leões, parece-me ser o momento oportuno para recordar aqui os difíceis tempos de há 30 anos, quando o clube estava quase falido e atravessava a maior crise da sua história até então. Os notáveis de Alvalade hesitavam em avançar ou arranjavam desculpas – e Sousa Cintra, chamado a apoiar Carlos Monjardino, não teve outro remédio que não fosse fazer-se à estrada. Na crónica da próxima semana, o actual líder da SAD leonina contará, em discurso directo e ao pormenor, como se candidatou às eleições de 1989, que veio a ganhar, sucedendo a Jorge Gonçalves e salvando o Sporting.

 

Alexandre Pais, jornal Record

 

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publicado às 06:02

 

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Em 1989, quando Sousa Cintra foi presidente do Sporting, aos 44 anos, no Portugal sem televisão privada e sem internet ele tornou-se o homem do momento. Recordo que a revista ‘Élan’ lhe fez uma entrevista de vida, assinada pelo José Neves de Sousa, que levou a minha filha Teresa como assistente. As fotos efectuaram-se junto aos ascensores do Hotel Tivoli, por onde o jovem Cintra passara, sublinhando-se com isso que o empresário de sucesso subira a corda a pulso.

 
Nos anos seguintes, José Sousa Cintra ficaria muito popular entre os jornalistas, pela disponibilidade e pela frontalidade do discurso, pelo deslumbramento que não escondia, pelo dicionário peculiar a que recorria – e a que continua a recorrer pelo que se lhe tem ouvido por estes dias –, mas igualmente por terminar as conversas com paletes de refrigerantes, garrafas de água e pacotes de batatas fritas que distribuía pelos repórteres. Ficou até lendário o episódio que interpretou ao volante do seu Mercedes, quando dava boleia a alguns repórteres: acabou de beber água de uma garrafa e lançou-a pela janela, que julgava aberta... mas que tinha, afinal, o vidro fechado. Seguiu-se o impropério resultante da cena caricata e o riso generalizado.
 
Talvez por achar que Sousa Cintra teve a sua época e que o Mundo é outro, alinhei nas críticas em que se dava a escolha para integrar o Conselho Directivo dos leões e liderar a SAD como uma pataratice de Jaime Marta Soares. Afinal, a história não se repete e quase um quarto de século depois de deixar a presidência dos leões e já para lá dos 70 anos, tudo indicava que teria, neste regresso ao Sporting, tanta sorte como a das cervejas Cintra. Felizmente, enganei-me, o homem está vivo, amadureceu, sabe o que faz e tem metido – com lucidez, determinação e amor à causa – mãos à obra de salvação leonina. Ou não fosse ele um mestre da sobrevivência.
 
Em menos de um mês, Cintra devolveu a tranquilidade possível a Alvalade, despachou o treinador sérvio – e outros cavalos de Tróia, com excepção de um, que por lá resiste para vir contar o que se passa –, tentou o regresso de Jorge Jesus, chamou José Peseiro, contratou Nani, recuperou Bruno Fernandes e Bas Dost, vendeu bem Piccini, está no tudo por tudo por Battaglia e Rafael Leão, e vai reforçando o plantel de modo a mitigar os efeitos negativos do que já não pôde travar: as saídas de Rui Patrício, William, Podence, Rúben Ribeiro e Gelson – e a consequente perda de muitos milhões de euros.
 
Milagres, Sousa Cintra não consegue fazer, mas o trabalho que tem vindo a desenvolver é simplesmente notável.
 
Alexandre Pais, jornal Record
 

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publicado às 12:00

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 17.07.18

 

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"A cada dia, surge mais um candidato a presidente do Sporting, o que faz o demitido alimentar a esperança – será que... Alguns dos nomes anunciados são de rapaziada de dois por cento, outros não irão além dos 10, pelo que o novo líder poderá ser eleito com 20 e tal por cento dos votos, uma tragédia. Há pessoas que não aprendem com a desgraça e põem à frente do futuro do clube os seus egos ocos mas descomunais".

 

Alexandre Pais 

 

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publicado às 13:43

O maior erro da vida de Cristiano

Rui Gomes, em 10.07.18

 

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Escrevo esta crónica após dias a ouvir e a ler que a contratação de Cristiano Ronaldo pela Juventus estava "por horas". Vou admitir, assim, que o leitor continue hoje à espera daquela que será uma boa notícia para a Juventus FC e ainda para Jorge Mendes, mas péssima para o Real Madrid e para o craque português.

 

Para o clube da capital espanhola porque renuncia, estupidamente, à sua maior referência, um jogador na plena posse das raríssimas capacidades que o tornam único e que marcou, em nove épocas, 451 golos em 438 jogos – proeza irrepetível. Para Cristiano porque perderá "na secretaria" o seu épico duelo com Messi, baixando "três escalões desportivos", como escreveu Juanma Rodriguez, na "Marca". E indo para um futebol decadente, que falhou o Mundial e reduziu para metade o talento de João Mário – só para dar um exemplo que esteve há pouco à vista de todos. 

Implacavelmente marcado, Cristiano bem pode dizer adeus à média de um golo por jogo! Aliás, a opinião de Lothar Matthaus, lenda do futebol alemão, em entrevista à La Gazzetta dello Sport dispensa comentários:

 

"O campeonato italiano já não tem o nível do passado. Creio que Cristiano Ronaldo não sairá, joga no melhor clube do Mundo, com o qual ganhou tudo. Não vejo porque deveria ir para a Juventus. O estilo de futebol italiano não é para Ronaldo. Todos estariam dependentes dele, o jogo em Itália é mais defensivo e ele perderia rapidez".

 

Serão os interesses, legítimos, de Jorge Mendes a ajudar Cristiano a cometer o maior erro da carreira e talvez da vida?

 

Alexandre Pais, jornal Record

 

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publicado às 17:00

O manicómio de Alvalade

Rui Gomes, em 05.06.18

 

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Devemos todos olhar para a crise do Sporting, relativizando o problema dentro do espaço reservado às necessidades de tratamento psiquiátrico: é que vivemos num país que entrou em transe com os incêndios do ano passado mas onde mais de dois mil (!) proprietários foram agora alvo de contraordenações por não limparem os seus terrenos. Ou seja, preferem perder os bens, e até morrer, a cortar as árvores encostadas às casas, a afastar as pilhas de lenha e a retirar os montes de tralha.

 

Sugeria até a Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros, que nos tempos livres entre as asneiras que protagoniza, com os outros artistas, em Alvalade, perguntasse ao Governo – e para isso ele tem o grande jeito que falta a quem devia – se no que toca às propriedades do Estado, às matas das grandes empresas e às beiras das estradas o trabalho está bem feito. Desconfio que não. Por isso, tenhamos calma e integremos o manicómio de Alvalade na vasta rede nacional de cuidados de saúde mental. Até à hora do colete de forças, há sempre esperança.

 

Alexandre Pais, jornal Record

 

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publicado às 04:00

Enlevo dos papás ataca em Espanha

Rui Gomes, em 17.04.17

 

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Há três escalões na marginalidade jovem. O nível mais baixo é o dos simplesmente bandidos, aquele em que se integram tanto delinquentes comuns como aspirantes ao mundo do crime e que podem, por exemplo, estagiar numa claque desportiva. E ali mostrar a sua baixeza, em cânticos de ódio e até de desejo de morte dos adversários – que a TV repetidamente reproduzirá para que outros anormais decorem o refrão.

 

No degrau intermédio temos o grunho, o inútil que não estuda nem trabalha e que passa os dias no ginásio a tratar da tableta abdominal ou a circular num chaço com o rádio aos berros – e a gasolina paga, tal como as bifanas e os copos, com uns cobres desviados de uma prestação social lá de casa.

 

É nesta última massa que se faz o recrutamento para os reality-shows que irão depois servir de escola ao terceiro escalão de energúmenos: o dos meninos-família enlevo dos papás, como os que destruíram agora equipamentos hoteleiros em Espanha. Não, não são os mil apontados nas notícias, apenas umas dezenas de imbecis antissociais que sempre se governam nas confusões.

 

Animemo-nos com a larga maioria de jovens que não se revê nesta onda suja e não faz parte da assustadora caterva de baderneiros que envergonha o país.

 

 

Texto da autoria de Alexandre Pais

 

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publicado às 03:27

 

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Recuperar 7 pontos ou 10 ou 12 é possível? Tudo é possível enquanto matematicamente não se tornar impossível. O que não vale a pena é continuarmos a alimentar a ideia de uma disputa de campeonato a três, quando um deles provou que não tem, para já, condições para se opor com êxito aos rivais – e atirou até a toalha ao chão. Refiro-me, obviamente, ao Sporting e ao conformismo de Jorge Jesus, que ao salientar, no final do clássico, o recurso a meia-dúzia de jogadores da formação, logo acrescentou: “Claro que isso paga-se…”

 

O problema é que se paga duas vezes, por não se ter optado no início da época por essa estratégia – com os riscos inerentes – e se ter dispensado os jovens talentos para acolher reforços tão imprestáveis como Douglas ou Petrovic, André ou Castaignos, para não falar na estranha insistência num tal Bruno Paulista.

 

Seria natural, e bom para o Sporting, que Bruno de Carvalho aproveitasse o próximo mandato para assumir de vez a aposta na formação, ainda que para isso seja necessário colocar mais dois ou três anos de paciência em cima dos já perdidos. A obsessão por ser campeão, dê por onde der, é o caldo perfeito da desgraça eterna: pelo dinheiro que se esbanja e pelo título que nunca mais chega.

 

 

Artigo da autoria de Alexandre Pais

 

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publicado às 16:39

 

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E de degrau em degrau, o Sporting prossegue a sua descida aos infernos. A eliminação da Taça é apenas a sequência lógica da instabilidade permanente que Bruno de Carvalho acabou por transmitir à equipa. Depois de um período inicial em que reduziu o passivo, arrumou a casa e voltou a pôr Alvalade no mapa, a agressividade do presidente, sem pausas e investindo contra tudo e contra todos, contaminou a equipa e meteu os jogadores no olho do vulcão. E ao deixar os capitães de equipa prestar contas aos adeptos irados e sem mandato, destruiu a autoridade do treinador, expôs o plantel à turba e enfraqueceu de vez a sua coesão e o seu equilíbrio. A democracia popular também não funciona no futebol.

 

Estranhamente, no final da partida, em Chaves, Bruno de Carvalho substituiu o seu habitual rosto de falcão pronto a atacar por uma face triste de pomba perdida na tempestade. Afinal, não percebeu que os desafios se ganham dentro do campo e não fora, e que o futebol tem hoje mais de ciência do que de voluntarismo. E quando a sorte se vai e todos ficam contra todos, tudo passa a correr mal – a batalha perdeu-se.

 

 

                                                                                                    Alexandre Pais

 

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publicado às 07:18

"Perguntem ao Coroado"

Rui Gomes, em 10.01.17

 

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Sporting e FC Porto, cada vez mais afastados do líder Benfica – são já 8 e 6 pontos, respectivamente –, assestaram em definitivo as baterias nos erros de arbitragem, tão velhos quanto o próprio futebol. E é justo reconhecer-lhes o direito à revolta, pelo muito que têm sido prejudicados por árbitros canhestros, destacados para dirigir desafios para os quais não dispõem de capacidade técnica, autoridade ou sequer bom senso. Trata-se de uma situação que resulta de anos de escolha dos piores caminhos para a preparação e selecção dos juízes de campo, embora assistindo, por exemplo, a jogos da liga espanhola, se vejam arbitragens ainda piores do que aquelas que temos em Portugal.

 

O que não vemos é badernas no final das partidas, como sucede por cá. Nisso, a primeira responsabilidade cabe aos árbitros, como se viu no Bonfim, quando Rui Oliveira apontou para a marca de penálti: Jeferson protestou aos berros, encostando a cara e o peito ao árbitro, sem que visse o devido cartão vermelho. Foi, aliás, tão bem sucedido que Coates imitou a graça, ficando também impune.

 

E tudo isto acontece porque os jogadores sentem cobertura para o seu comportamento, como se confirmou a seguir, com o treinador e o presidente a ajudarem ao triste fim de festa. Houvesse coragem e vergonha em quem manda e nada disto se repetiria, por muita razão que assista ao Sporting.

 

Quanto aos dirigentes do apito, à nora no bananal, dou-lhes um conselho: se não sabem resolver o problema, perguntem ao Coroado.

 

 

Artigo publicado no jornal Record da autoria de ALEXANDRE PAIS.

 

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publicado às 03:44

"João Pereira e o seu outro eu"

Rui Gomes, em 24.11.16

 

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Um artigo da autoria de Alexandre Pais - ex-director do jornal Record, bem conhecido pela sua pena encarnada - da sua rubrica semanal Quinta do Careca, intitulado João Pereira e o seu outro eu, em que comenta o jogo com o Real Madrid e, em especial, o incidente que levou à expulsão do defesa do Sporting.

 

Alguns pontos interessantes e até certeiros no escrito, que começa deste modo:

 

«Tal como não se pode fugir ao destino, também da fama de ter maus fígados não nos livramos. Estou a pensar em João Pereira, esse desistente de carreira que o olho de falcão, perdão, o olho de lince de Jorge Jesus em hora feliz foi buscar à prateleira dos infernos».

 

Uma outra consideração sua, porventura displicente mas, ao mesmo tempo, intrigante:

 

«Numa das redes sociais, substitutas por excelência das antigas portas das retretes públicas, alguém mais perverso – e perversidade é o que por lá não falta – escreveu que João Pereira quer seguir a carreira de João Vieira Pinto. E que se este conseguiu, também ele quis iniciar a sua caminhada para futuro quadro da Federação».

 

Nunca me veio à ideia que João Pereira ambiciona uma posição na FPF depois de terminar a sua carreira de futebolista, mas, sendo verdade, será justo duvidar que tenha os "padrinhos" que João Vieira Pinto tem no seu bolso, não vá alguém pensar que o cargo que desempenha deve-se a mero mérito.

 

Uma outra consideração, agora como Gelson Martins como alvo, que no contexto deste jogo não é inteiramente injusta, embora se admita que Alexandre Pais não resistiu carregar o encarnado:

 

«Manda igualmente a verdade que se diga que Jesus não tem, ainda, uma equipa madura. Basta recordar dois lances de Gelson Martins, no princípio do segundo tempo. Num, ficou à solta pela direita, aproveitando a queda de Marcelo, e fez um centro rasteiro, à toa, para o meio dos defesas, o que deixou o treinador à beira da apoplexia. Minutos depois, isolado na grande área, centrou atrasado para “ninguém”, quando se impunha o remate cruzado. Adiou a sua afirmação, revelando que tem muito para aprender e crescer».

 

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publicado às 05:03

Moniz Pereira, o cultor da família

Rui Gomes, em 08.08.16

 

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Como já tive ocasião de escrever aqui, várias vezes, não sou fã de Alexandre Pais - antigo director do jornal Record - mas gostei deste seu artigo, com o título do post, em homenagem ao Professor Moniz Pereira:

 

«A tristeza pela morte de Mário Moniz Pereira atravessou a sociedade portuguesa e até aqueles que não eram admiradores do professor – que dizia o que pensava sem se preocupar em agradar – se juntaram aos coros de elogios pela obra que nos legou.

 

De modo geral, todos os canais cumpriram bem a tarefa de salientar o estatuto do desportista que desaparecia e a sua decisiva importância nas grandes proezas do nosso atletismo – de campeões europeus, mundiais e olímpicos, a recordes do Mundo e êxitos sem conta no corta-mato, tudo se conseguiu pela fé, competência e determinação de Moniz Pereira.

 

Mas quero salientar o programa que a RTP retransmitiu na noite de segunda-feira porque permitiu sublinhar também a estatura do homem que, através dos filhos e netos, permanece. É que Moniz Pereira tinha, além do desporto e da música, um terceiro e relevante culto: o da família – que chegava a juntar em “congressos” de mais de oito dezenas de pessoas. E de tudo tirava notas, arquivava registos, guardava memórias – e como era prodigiosa a sua!

 

Num período da existência humana em que se rasgam princípios e perdem valores, torna-se ainda maior a dimensão do vulto que partiu, deixando que sobre para nunca ser esquecido».

 

 

a) Imagem: última edição do jornal Sporting.

 

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publicado às 21:18

 

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Não sei bem o que é mais confrangedor: Alexandre Pais a desacreditar o Sporting - como ele tem feito sistematicamente nos seus escritos ao longo dos anos - e a permitir sob a sua supervisão que o emblema do Sporting fosse rasurado da touca do nadador Alexis Santos - bom «lampião» que é - ou, como é agora o caso, a escrever um artigo em que louva Bruno de Carvalho e, em simultâneo, ultraja com insulto a fracção do universo leonino que ele designa "a brigada do croquete". 

 

O entulho de Pais: "(...) E é também tempo para a brigada do croquete, que pretende honrar os pergaminhos do seu passado e continuar a enterrar o Sporting, ficar a brincar com os netinhos e deixar rolar a bola. Depois, se ainda tiverem voz, então falem."

 

Será tudo menos surpresa que há quem venha prontamente subscrever esta afronta do ex-editor do jornal Record, mas vindo de um devoto "lampião" - sócio do Belenenses - devia ser caso sério para reflexão e auto-estima.

 

Para ser sincero, nunca levei à letra as alegações do meu colega City Lion sobre o que ele considera ser a "lampionização" do Sporting, mas começo a pensar que esta tese não é sem fundamento. Em última análise, é prova concludente, caso houvesse algumas dúvidas, que este diário desportivo tornou-se em um emissário propagandista do Sporting de Bruno de Carvalho.

 

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publicado às 04:41

 

Alexandre Pais - Record - escreveu um artigo de opinião em que aborda a ida, ou não ida, dos restos mortais de Eusébio para o Panteão Nacional. Para o efeito deste escrito, essa discussão não interessa, salvo por dois parágrafos do texto que dão substância ao título do post: "A razão que a própria razão conhece":

 

 

«(...) Um critério futuro deverá considerar não só a dimensão da personalidade, e o que acrescentou a Portugal e à sua projecção no Mundo, mas em especial a sua resistência na memória colectiva. E se já poucos de nós, injustamente é certo, recordam a obra, por exemplo, de João de Deus, há a garantia plena de que, dentro de 50 ou 100 anos, Eusébio continuará uma lenda.

 

Isso acontecerá com as gerações vindouras da mesma forma que admiramos hoje carreiras como as dos "cinco violinos" e de Fernando Peyroteo, o goleador dos goleadores portugueses - que só a inexistência de televisão e de provas europeias, na época em que foram grandes, afastam de exaltação permanente.»

 

A razão que a própria razão conhece, embora queira crer que daqui a mais 50 ou 100 anos - continuando o Sporting a existir - os "cinco violinos" e Fernando Peyroteo continuarão na memória colectiva dos desportistas, em geral, e dos sportinguistas, em particular. A única pergunta que nunca terá resposta adequada é: o que seriam eles no futebol moderno, especialmente um goleador nato como foi Fernando Peyroteo ?

 

No contexto geral desta discussão, não tenho o mínimo de dúvida que quando terminar a sua carreira, Cristiano Ronaldo ficará na história como o melhor futebolista português de todos os tempos, Eusébio não obstante. Não é somente o mediatismo dos tempos de hoje - por determinante que seja - mas muito mais os seus feitos no relvado, que não deixarão margem para equívocos. Na segunda-feira vai abrir novo capítulo na sua história como o primeiro jogador luso - e formado no Sporting - a ser distinguido com duas Bolas de Ouro, disso também não tenho dúvidas, porque nem a FIFA terá a ousadia de manipular esta eleição.

 

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publicado às 19:26

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