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A procissão vai no adro

Naçao Valente, em 12.09.23

Quando era muito jovem, jogava futebol de rua, nomeadamente no adro da igreja, quando não havia procissão. Nesses jogos, éramos todos jogadores e árbitros. Mas quando íamos jogar a uma povoação próxima, inventava-se um juiz de campo.

Numa partida entre aldeias, em que não tive lugar dentro do campo, fui convidado para arbitrar. Só que a minha competência de árbitro, era ainda pior que a de futebolista. Sem conhecimentos da função, limitei-me a deixar jogar, até que na assistência começaram os protestos: "mas o árbitro não apita?" Em consequência, fui substituído por um adulto, por sinal grande sportinguista.

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Mas o que queria salientar com este introito, é que assim que fui nomeado, veio falar comigo um jogador da minha equipa, que me disse discretamente: “olha que tens que apitar contra os gajos". Isto significa que a tendência para aldrabar em proveito próprio faz parte da nossa natureza, e revela-se até em jogos a "feijões” como foi o caso.

Se assim é, parece-me lógico que numa competição, onde estão em jogo muitos milhões, para além de vitórias desportivas, esse comportamento seja habitual. Neste campeonato ainda só passaram quatro jornadas e os casos não param de acontecer. O clube das Antas que não está a jogar “um chavelho” ganhou os três primeiros jogos, com muita água benta. O nosso Sporting, na época anterior, em situação idêntica, já tinha perdido pontos e mais pontos. Mesmo descontando o meu facciosismo clubista, parece-me que a tendência para a batota, mesmo com todas as tecnologias, é uma realidade.

Numa breve pesquisa sobre vitórias em campeonatos nacionais, verifiquei que até 1984 o SLB tinha 26 vitórias, o SCP 20, e o clube das Antas, 7 . Depois de 1984, O clube das Antas, 23, o SLB, 12 e o SCP, 3.

O que mudou em 1984: a chegada à presidência das Antas, do senhor Pinto da Costa. Mas como se explica esta mudança nas vitórias? Bem, ganhou mais jogos, fez mais pontos. Certo. A questão é saber como os ganhou. A melhor resposta está no “Apito Dourado”, como se veio a provar-se no início do século XXI, ou seja a criação de um “sistema” para condicionar as arbitragens, em seu benefício. Será só isso? Possivelmente não, mas que ajudou, ajudou.

Depois do infame apito dourado este “sistema” sofreu algum abalo, mas os do costume arranjaram maneira de voltar a influenciar fora das quatro linhas, como está a acontecer esta época, com a procissão ainda no adro. E o mais preocupante é que não vejo uma luz ao fundo do túnel. Com os interesses económicos que estão em jogo, e os domínios instalados, não basta ser o melhor em campo.

publicado às 03:04

Do crime sem castigo à paz podre

Naçao Valente, em 04.06.22

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Na sua habitual participação semanal no programa de debate do CM, a  sportinguista Rita Garcia Pereira puxou dos seus galões de jurista, e explicou com rigor o que aconteceu em relação às escutas do apito dourado.

                "As escutas foram determinadas pelo Ministério Público mas não foram validadas pelo juiz. O processo cai por causa das escutas e, além das escutas, a grande testemunha do Ministério Público era uma senhora que o senhor Pinto da Costa conhecia bem e de perto mas cuja idoneidade não era propriamente a melhor. E foi assim que o processo caiu", afirmou na CMTV.

Quem tem seguido os debates sobre a acusação de corruptor activo, por Varandas,  a Pinto da Costa, através da comunicação social, depara-se com a seguinte situação: a maioria dos comentadores, cartilheiros ou jornaleiros, que vivem à conta do futebol, consideram as declarações de Frederico Varandas despropositadas e fautoras de guerrilhas que deveriam ser evitadas. Os que vão mais longe, acusam Varandas de promotor de violência. Mas será que o que presidente leonino afirmou é uma falsidade? Diz mais RGP.

            "Estive a ouvir coisas porque recordar é viver. Estive a ouvir escutas que são surreais e não são só surreais porque metem meninas. Essa nem é a parte mais surreal. Há outras designadamente pagamentos a árbitros e um dos árbitros a dizer isso. São bem mais surreais. Isto num país a sério o FC Porto não tinha ficado no campeonato".

O que esta afirmação baseada em factos significa, é que o crime existiu e ficou sem castigo. E significa também que o corruptor activo exerceu influência nos meios judiciais, para que interviessem no sentido de alterar o curso legítimo da justiça. O que na minha opinião, que não sou jurista, implica crime de obstrução à justiça por responsáveis da mesma. Mais crimes sem castigo. E Rita conclui:

"O que é que Frederico Varandas disse que não esteja nas escutas? Aquilo não foi dito? Aquilo não aconteceu? Não se pagaram aquelas viagens? Não se levaram aquelas meninas? Nada disto aconteceu? Pinto da Costa não foi passear até à Galiza? É que eu lembro-me perfeitamente de tudo isso. Não estava lá? Não voltou escoltado por uma espécie de guarda de honra? Não assistimos todos a isto? Eu assisti".

Todos nós que estamos de boa fé, independentemente de simpatias clubísticas, temos de admitir que houve indiscutível corrupção e que não foi castigada. E também sabemos que juridicamente este é um processo encerrado. No entanto, isso não invalida que Varandas, enquanto presidente de um clube lesado, não o relembre, e que nós cidadãos não nos indignemos. Esquecer as injustiças dá azo a mais injustiças. O que traz esta discussão ao presente, pergunta  toda a corja?

Ao contrário dos 'opinion makers', notórios defensores hipócritas de uma paz podre no nosso futebol, ainda bem que o presidente Varandas fez renascer o assunto. Pode e deve ser mais um passo no caminho da vital moralização do nosso desporto.

Como na martirizada Ucrânia, não é entregando o território a Putin sem defesa, que se consegue a paz e a justiça, como até defendem alguns. E não nos podemos esquecer que o clube das Antas, com novos processos, continua a actuar à margem da verdade desportiva. Não é por se esconder o lixo que este deixa de existir, hoje e sempre. Não queremos a paz podre. Queremos lutar por um futebol digno. Não temos medo!

NOTA ESPECIAL

E como a nossa vida é feita de pequenos nadas, como diz o poeta, aproveito a boleia para divulgar a minha contribuição para a poesia. Indignações... livro e e-book editado por Poesiafaclube, com página no Facebook. No entanto, para algum eventual interessado, tenho alguns exemplares que posso enviar com assinatura, a um preço especial (10 euros) para  frequentadores do blog. Contacto por Messenger, José Mateus Gonçalves. Obrigado.

publicado às 03:03

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Jorge Nuno Pinto da Costa, em recém-entrevista à TVI, comenta, entre outras coisas, o notório processo então designado Apito Dourado:

"Uma suspeita é uma mancha negra?... Então toda a gente tem uma mancha negra, hoje em dia, em Portugal, suspeita-se de tudo e todos. Quem me conhecer sabe que não penso nisso agora e na altura nunca me preocupei. Quando ouvi as acusações fiquei totalmente descontraído. Fui várias vezes a tribunal, o MP recorria…

Chegou-se ao ridículo de o Procurador dizer que era a favor da minha absolvição mas tinha de recorrer porque o MP mandava. Fui ilibado de tudo, fiz a minha vida sempre igual, por isso rio-me ao dizer-me que é uma mancha negra. Nunca senti sequer que me tenham tratado de forma diferente a partir daí.  No início do Apito Dourado, neste sítio onde estamos, na apresentação de um livro, a minha surpresa foi a presença de Ramalho Eanes e do Fernando Martins, presidente do Benfica. A pessoa que mais admiro e que os portugueses mais respeitam, o general Ramalho Eanes, sem eu lhe pedir ou lhe ter dito algo, apareceu aqui para demonstrar a sua solidariedade e tudo mais".

Só pode ser mais uma (péssima) tentativa a humor do presidente do clube do Norte!

publicado às 03:18

Para refrescar a memória...

Rui Gomes, em 12.05.16

 

 

... de quem aparece aqui a tentar dar lições de ética e moral.

 

publicado às 14:57

 

O que foi ontem tão propagado por tudo quanto é espaço noticioso - e que eu nem me quis dar ao trabalho de apreciar - sobre a decisão do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol de reavaliar um dos processos relativos ao "Apito Dourado", o chamado "Caso da Fruta", envolvendo Pinto da Costa, o ex-árbitro Jacinto Paixão, entre outros, concedendo provimento aos recursos com fundamento em ilegalidade da utilização de transcrições de escutas telefónicas como meio de prova, revogando, portanto, o acórdão de que recorreram todos os atingidos, representa, apenas e tão só, mais uma vitória para a corrupção, mais uma vitória para Jorge Nuno Pinto da Costa e associados.

 

A deliberação que o processo baixe ao Conselho de Disciplina "para reapreciação da prova produzida", trocado em miúdos, significa que tudo volta a uma primeira fase para, seguidamente, se arquivar o processo ou fazer-se uma nova acusação e aplicação de uma sanção. Não é necessário ser um génio em Direito para adivinhar o desfecho final !

 

Recorde-se que Pinto da Costa foi condenado (em 2008) a uma pena de 14 meses de suspensão do exercício das funções de dirigente, no âmbito das competições desportivas (como se isto tivesse algum impacte pragmático), e multado em quatro mil euros (considerando o seu salário que supera um milhão de euros anuais), por prática de infracção disciplinar muito grave de corrupção.

 

Concluíram os órgãos noticiosos que teremos agora de esperar para ver se o Conselho de Disciplina decide se há lugar para a realização de novas diligências. Pois... nem dá para esperar sentado, mas sim esquecer o todo do processo para evitar agravar o estado de espírito. 

 

publicado às 04:01

 

 
O título do post, combinado com o vídeo das escutas do "Apito Dourado" com Luís Filipe Vieira a escolher o árbitro para um jogo do Benfica, vai longe para pelo menos dar azo à imaginação ao que pode ter ocorrido na véspera do "derby" da Taça de Portugal, para Marco Ferreira dar lugar ao apitador benfiquista Duarte Gomes.
 
Circulam informações e contra-informações de fontes diversas, mas do presidente do Conselho de Arbitragem nada, absoluto silêncio. Perante a enorme polémica em curso, a lógica e o bom senso aparentam indicar que Vítor Pereira já teria aparecido em público para esclarecer o estado das coisas. Ou será que é mais um caso de defender o indefensável e, daí, o silêncio ?
 

publicado às 21:21

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