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Riscos desportivos

Rui Gomes, em 14.01.20

Bruno Lage e Sérgio Conceição abordaram anteontem os respectivos jogos da Taça com a cautela que se impõe. Sabem ambos que são muito mais fortes, mas o primeiro puxa pela rotatividade para prever alguma surpresa, o segundo diz que o único que arrisca algo é o FC Porto, pois o Varzim só tem a ganhar. Têm razão. Não há falhas no discurso. Por outro lado, esse é o preço a pagar de treinar uma equipa grande, que tem mais do que uma competição para jogar. Diga-se de passagem, ambos têm a sorte de treinar plantéis de talento. Menos do que vitórias não é admissível.

A Silas pedem-se também vitórias mas sem um plantel tão rico. O risco desportivo aqui é maior. O técnico perdeu Vietto na pior altura possível, Coates com um amarelo risível em Setúbal e ainda corre o risco de ver partir Bruno Fernandes, pois o negócio está agora nas mãos do Manchester United. E depois segue-se a final four da Taça da Liga, em que o argentino continuará a ser uma miragem e Bruno não deverá mesmo estar. E este parece o único título possível para os leões esta época...

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 05:18

Bons e maus momentos

Rui Gomes, em 22.12.19

21312452_L0T3b.pngJorge Jesus lutou por um sonho e não esteve longe de o alcançar. É verdade que o Liverpool ganhou de forma justa, mas o Flamengo do português bateu-se muito tempo de igual para igual e chegou a assustar o poderoso Klopp. Eis uma derrota que custa. Mas a cabeça sai erguida.

Os árbitros portugueses estão a passar uma fase muito complicada. É difícil perceber qual o momento mais ridículo de ontem, se a expulsão de Bolasie, se o golo anulado ao Rio Ave. Temos de respeitar os profissionais da arbitragem. Mas eles também deviam respeitar a vida de quem apitam.

No meio das guerras do futebol há momentos de arte. Os golos de Guedes e Camacho, por exemplo. O primeiro é de antologia. Confesso ter ficado pregado à cadeira. A execução do jogador sadino... uau! E o miúdo leão já mostra bons pormenores.

E... para não esquecermos que este é o futebol português, a noite trouxe um protesto. O Portimonense quer o Sporting penalizado por não ter dois jogadores formados localmente. Os leões garantem que são Max e Bruno Fernandes. O CD decidirá. Não seria tema sem a reviravolta de 2-1 para 4-2... em superioridade numérica. E era bonito Willyan ter vindo pedir desculpa ao companheiro de profissão pelo teatro. Foi feio.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 18:54

Nas mãos das equipas

Rui Gomes, em 06.11.19

Nos três grandes portugueses o que importa é o futebol. Essa é a mola real dos clubes. Por muito que Benfica e Sporting apostem no ecletismo também como forma de afirmação da marca, ambos mais do que o FC Porto, diga-se, se as coisas não correm bem dentro das quatro linhas o caldo está entornado.

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Agora com oposição conhecida e assumida, Luís Filipe Vieira tem tido no comportamento da equipa na Liga dos Campeões o maior inimigo da época. Foram muitos os que se apressaram a condenar Bruno Lage, a atacar a equipa e tudo o que mexesse bem cedo. Agora líder e com tudo em aberto na Europa, a águia tem ouvido menos críticas. Mas um deslize em França poderá fazer voltar tudo outra vez. É assim a vida no futebol português.

Varandas também vive o mesmo tipo de problema mas muito, muito mais agravado. Não interessa a situação financeira do clube. Não interessa o facto de todas as modalidades lutarem pela vitória. É a equipa de Jorge Silas que fará com que o presidente sobreviva, ou não, em Alvalade. São muitos os movimentos que lhe pedem a cabeça. E já há recolha de assinaturas para tudo e mais alguma coisa. O Sporting deixou de ser um clube que despede treinadores a torto e a direito para fazer o mesmo a presidentes. Vai ter um triste fim.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

*** O artigo foi escrito antes do jogo e subsequente derrota do Benfica em Lyon.

publicado às 03:47

A Liga está a animar

Rui Gomes, em 28.10.19

21312452_L0T3b.pngA Liga mudou. Há novo líder, FC Porto e Benfica chegaram-se à frente e o Sporting parece dá indicações de querer voltar a respirar. Em Tondela os encarnados ganharam mas essa foi a única boa notícia. Mais uma exibição cinzenta e sem alegria, mas que deu para celebrar mais um recorde. É importante ganhar sem jogar bem. Mas convém subir o nível um dia destes. Já os dragões foram muito superiores ao Famalicão. Deram três golos de avanço ao ex-líder e ainda ficaram alguns por marcar. Demonstração de força da equipa de Sérgio Conceição.

O Sporting vai evitando as certidões de óbito. Mesmo vivendo uma espécie de guerra civil com as claques, a equipa de Silas tenta fazer bem. Nem por isso foi superior ao Vitória de Ivo Vieira, mas a eficácia marca a diferença no futebol.

Os energúmenos que atiraram este domingo tochas para os relvados de Tondela e Alvalade não são verdadeiros adeptos. Não passam de fanfarrões que usam as claques como forma de afirmação pessoal. Um adepto que ama o clube não o faz gastar milhares de euros com infantilidades imbecis. Está, de facto, na hora de limpar as claques. Não é preciso acabar com elas. Há ali gente boa. Basta de lá tirar os criminosos. De adeptos não têm nada. Não está na hora do estado ganhar também coragem?

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 16:18

Equipa ganha com a guerra

Rui Gomes, em 25.10.19

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A equipa do Sporting foi ontem a grande beneficiada pela guerra entre Frederico Varandas e as claques Juventude Leonina e Directivo. Um plantel que anda a jogar sobre brasas desde que a época começou, que já ouviu assobios em Alvalade antes de o relógio chegar aos 20 minutos de jogo, ontem foi bem apoiado até ao fim. Numa guerra em não haverá vencedores, mesmo que no fim um dos lados pense que triunfou, pode ser que a equipa, ela sim, ganhe qualquer coisa.

Após um mercado turbulento, o despedimento de Keizer, a promoção e despromoção de Pontes e a eliminação em Alverca, Silas precisa de tempo para implantar ideias. E fazê-lo entre jogos, não sendo impossível, é muito difícil. Principalmente com um plantel sem a qualidade de outros com que pretensamente se bate pela liderança na liga. Paz com as bancadas ajuda.

Dragão amorfo. Estranho. Esperava-se mais. Nada está perdido, mas pontos em casa são importantes.

O Sp. Braga conseguiu um belíssimo triunfo na Turquia. Sá Pinto tem uma equipa de duas faces, que se conseguir encontrar-se a meio será um caso sério.

Triste pela derrota do V. Guimarães. Injusta. Imerecida. Inglória.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 12:30

Plata tem talento... que tenha sorte!

Rui Gomes, em 14.10.19

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Gonzalo Plata é um jovem com grandes sonhos. O talento inato que exibe levou o Sporting a apostar no equatoriano. Mas o futebol europeu é radicalmente diferente do praticado em outras paragens. Se um miúdo português para dar o salto da formação para os seniores já precisa de um misto de trabalho, crença e muita sorte, quem chega de ambientes menos exigentes em termos competitivos necessita de ainda um pouco mais... de tudo. Plata tem talento, é inegável. Os sonhos estão lá. Que tenha sorte, porque vai precisar.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 05:34

Silas com tanto a fazer

Rui Gomes, em 06.10.19

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É verdade que o Sporting bateu os austríacos e somou a segunda vitória consecutiva. Nos tempos que correm é notícia. Mas isso não apaga os momentos medíocres da exibição. E a noção clara de que uma equipa mais competente poderia ter deixado novamente o clube de Alvalade em enormes dificuldades.

Silas tem um trabalho hercúleo pela frente. Acredita num sistema diferente, tem uma filosofia nova tanto de construção como na forma de estar perante o adversário, mas falta-lhe uma pré-época para explicar as ideias. E isso fez-se notar na 1.ª parte frente ao Linz. Foi aí que a equipa mais tentou fazer o que se lhe pedia. E ia-se espalhando ao comprido. Não porque os jogadores não queiram. Mas são muitas ideias em pouco tempo.

Boa notícia na liderança do jovem técnico o ter sabido olhar para o jogo e aproveitar o facto de o adversário não ser competente a finalizar para alterar e ganhar. O que só mostra que os jogadores querem. Pelo menos a maioria. E se não fazem mais, é porque existe um bloqueio que só as vitórias poderão resolver. A confiança não se ganha de um dia para o outro. Conquista-se. Com pontos.

E há Bruno Fernandes. Dá sempre jeito ter em campo o melhor da Liga.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 05:04

Escolha que se entende

Rui Gomes, em 27.09.19

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Numa altura em que o mercado está fechado, em que o plantel ficará sem mexidas até à reabertura das inscrições em Janeiro e quando a maior parte dos treinadores está a trabalhar, a escolha do sucessor de Keizer e Leonel Pontes não era fácil. Principalmente quando o clube não abunda em dinheiro e cada investimento tem de ser bem pensado.

Abel Ferreira era um técnico mais experiente e com uma passagem pelo SC Braga que lhe deu maior preparação para o que seria o Sporting. No entanto, teria as bancadas contra ele e muitos dos supostos notáveis. Foi o facto de funcionar assim que fez com que os leões perdessem José Mourinho quando ele já estava contratado. Mas há muito que sabemos que Alvalade não aprende com os erros.

Silas é uma escolha de risco. Mas também uma ideia interessante para o futebol leonino. Reconhecido sportinguista, condição que agrada sempre aos adeptos, teve uma proposta diferente no Belenenses. E olhando aos jogadores que terá à disposição em Alvalade, eis um homem que não sofrerá demasiado com o facto de ter apenas um ponta-de-lança de raiz à disposição.

Uma coisa é certa. Silas trará ideias novas. Como todos, vai precisar de resultados. Mas também de alguma paz. Se a tiver, pode ser que consiga endireitar o futebol do Sporting.

Também precisa de alguma sorte, evidentemente, mas tem cedo a oportunidade que todos procuram na vida.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

Ainda de Bernardo Ribeiro na sua crónica desta sexta-feira:

O pior da derrota em Alvalade não é a perda de pontos na Taça da Liga. É percebermos que há gente capaz de andar à pancada enquanto ao lado um miúdo que não tem mais de 10 anos tenta parar aquela nojeira. E isto enquanto vê alguém – provavelmente de família – agredir ou ser agredido. Prova que os energúmenos não estão só nas claques. E que o futebol não é só paixão e emoção. É também insanidade. Os adeptos devem olhar para imagens como estas e alguns deles ganhar um pingo de vergonha. O clube precisa de um mínimo de serenidade. Sem ela, venha o craque Mourinho ou o jovem Silas, ninguém fará nada. E quando se ultrapassam limites destes e se anda à pancada com um miúdo ali... então não há nada que valha a pena salvar.

publicado às 08:15

Empresários e mercenários

Rui Gomes, em 21.08.19

Há no futebol português, como em todos os outros, agentes de jogadores que são uma espécie de parceiros dos clubes nas negociações, mesmo que defendendo sempre a posição do futebolista, e outros que estão dispostos a tudo por um prato de lentilhas.

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É verdade que Bas Dost era um dos jogadores a quem o processo de rescisão melhor assentava após o evento de Alcochete. Ser o melhor goleador da equipa com números impressionantes e acabar agredido no local de trabalho por um grupo de energúmenos que diz defender a mesma equipa é um case-study onde se aceita a deserção.

É por isso uma pena que tenha escolhido para representá-lo um agente que aproveitou a ocasião para esmifrar um Sousa Cintra entregue aos bichos e que lhe deu mundos e fundos que agora não há quem possa pagar. Se o agente fosse competente, Bas jogaria já noutras paragens e este sarilho não teria acontecido. Provavelmente até poderia ter evitado o ocaso do holandês.

Mas não. O facto de ganhar mais por época do que o actual ponta-de-lança titular do Sporting faz do empresário de Dost parte mais do que interessada no processo. Com tudo isto, o avançado deixou de ter condições para jogar em Alvalade. Até porque se percebeu que dificilmente encaixa. E com um empresário tão fraco, ficamos sem saber se é só a inabilidade do agente ou se o jogador não tem feito tudo para render mais.

Uma pena. Merecia melhor sorte. Ele e o Sporting".

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 04:02

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 07.08.19

Marcel Keizer - nos Rugidos do Leão.jpg

"Que impacto terá a humilhação numa equipa já de si à procura de rumo desde o início da pré-temporada? Mais, agora a braços com a provável saída do seu melhor jogador? Ser goleado num dérbi não dá saúde a ninguém. Do treinador ao presidente. A estrutura vai ser atacada e vai abanar. Do que é feita e que fé existe no trabalho do holandês, eis algo que se verá nos próximos capítulos".

Excerto de um artigo de Bernardo Ribeiro, Director de Record, aqui.

publicado às 04:17

O negócio possível

Rui Gomes, em 04.08.19

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É opinião geral de que o Sporting CP não pode fazer mais nada do que vender Bruno Fernandes. Uma corrente de pensamento mais do que legítima e a mais usual no futebol de hoje, onde rapidamente nos rendemos às verdades do dinheiro, pois é ele afinal que faz o Mundo andar à roda. Mas será, de facto, essa a melhor opção para um clube que se encontra na encruzilhada a que os leões chegaram? Isso é, pelo menos, discutível. 

Que o dinheiro de Bruno Fernandes faz falta ao clube é evidente. Como a todos os emblemas portugueses, mesmo aqueles que dão entrevistas a jurar o contrário. Mas se o Sporting não está obrigado a vender, se não tiver a corda na garganta, o que seria melhor? Fazer acertos com o dinheiro da transferência ou manter aquele que é o seu melhor jogador de há alguns anos para cá?

Porque também é assim que se mede a ambição dos clubes. Vieira vendeu Félix e com essa venda segurou os outros, tentando oferecer a Lage uma equipa que o coloca na ‘pole position’ na candidatura ao título. Ao perder Bruno, o Sporting pode acertar num Robertone qualquer, mas que o risco é muito maior...

Num mundo ideal, Varandas sentar-se-ia com Bruno e oferecer-lhe-ia um plano de carreira. Mas isso já não satisfaz um jogador português. É o Mundo em que vivemos.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 02:42

Um caso lamentável

Rui Gomes, em 25.07.19

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Esteja a razão de que lado estiver, Conceição e Danilo protagonizaram um caso lamentável e que o FC Porto dispensava quando se aproxima um jogo decisivo no apuramento para a Liga dos Campeões. A pré-temporada dos dragões já vindo a ser recheada de críticas a uma estrutura incapaz de trazer reforços em tempo útil. A opinião pública portista só poderá lamentar ver que o balneário enfrenta temas destes quando devia estar unido na preparação da época.

Coentrão também foi tema fracturante. Se uma claque deixou bem claro que dispensava a contratação, outra, mais bélica e representativa, fez saber que todos os reforços serão bem recebidos, deixando no ar uma ameaça aos contestatários. O clube não pode ser gerido de fora para dentro, mas é bom entender quão fracturantes podem ser alguns temas. 

Bons testes de Benfica e Sporting pela madrugada. Os leões fizeram a melhor exibição da pré-época e jogaram olhos nos olhos com o campeão europeu. As águias, depois de uma entrada fortíssima, mereceram ganhar ao cair do pano. Muito bem.

Parabéns aos sub-19 por mais uma final. Têm sido alegrias atrás de alegrias na formação. Parabéns à FPF e Filipe Ramos. Mas também aos clubes. São eles a origem do talento aproveitado na Cidade do Futebol.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 14:30

Um aviso à navegação

Rui Gomes, em 11.07.19

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Os jogos de pré-época valem o que valem, mas ainda assim é sempre bom vencer. Benfica e Sporting falharam esse objetivo – sendo que o adversário dos leões era claramente acessível –, mostrando ainda muito por fazer. Natural nesta altura, mas um aviso à navegação. Os sucessos conseguidos na época passada por águias e leões não caíram do céu. Para ganhar é preciso trabalhar muito. Sempre. 

Na despedida de Jonas, não foi só o talento do brasileiro que deixou saudades. Também os golos que marcava fizeram falta. Chiquinho deu um ar de sua graça, alguns dos jovens mostraram vontade de triunfar, mas foi evidente que faltou qualquer coisa à equipa. Obviamente, em momento algum Bruno Lage fez alinhar o melhor onze possível, mas até o técnico reconhecerá que é preciso fazer melhor. Boa notícia é que há muito tempo para isso.

O leão de Marcel Keizer mandou no jogo com a equipa mais forte e perdeu o controle dos acontecimentos com os miúdos. Apostar nos miúdos é muito bonito, mas raramente dá certo quando jogam todos ao mesmo tempo. Pormenores interessantes de Plata, que espalha talento e qualidade sentida em Camacho. Convém também alguma humildade. Todos sabemos que vem de Liverpool, mas às vezes é melhor passar ao lado em vez de jogar sozinho e chutar para as nuvens.

Bernardo Ribeiro, jornal Record, aqui.

publicado às 11:10

A força da democracia

Rui Gomes, em 06.07.19

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Bruno Fernandes foi eleito o melhor jogador da Liga. E João Félix o melhor jogador jovem. Acredito que até os próprios estão de acordo. Vai aí um grande folclore por causa das transferências de um e outro. Tem piada muito do que se lê e ouve na praça. Mas todos sabemos que o dinheiro que se paga no futebol não tem só a ver com a qualidade dos jogadores. Há tanto, mas tanto mais em causa.

Não é a primeira vez. Mas não deixa de me espantar que mesmo no dia antes de ver votada a sua expulsão de sócio, Bruno de Carvalho consiga, uma vez mais, insultar os sportinguistas: "Sinto vergonha por esta massa associativa me ter destituído para ter esta Direcção." Entendo as dificuldades do ex-presidente em lidar com a democracia. Deu várias mostras nos seus mandatos.

Mas o discurso populista e demagogo não tem o encanto de outrora. Porque apesar de manter uma legião de fãs que faz lembrar o melhor (pior) dos que acompanham Trump e Bolsonaro, há também quem não se esqueça de que foi com Bruno que o Sporting foi o primeiro clube português a entrar em default. Que se esqueceu de pagar os jogadores contratados. Que passou por um dos episódios mais tristes da história do futebol nacional e maior vergonha de um clube centenário. Episódio que o presidente destituído disse que tinha "sido chato". Não é falta de vergonha. É de noção. Têm os sportinguistas a palavra.

Bernardo Ribeiro, Director Record aqui.

publicado às 13:10

A enigmática camisola 7 do Sporting

Rui Gomes, em 29.06.19

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"Camacho é uma grande aposta de Frederico Varandas. Um jovem que o presidente conhece bem. Acompanhou o crescimento em Liverpool e vê nele um potencial titular de Keizer. A fé de que ao Sporting espera dias melhores leva-o a dar-lhe a camisola 7. Risco grande. Brincar com a história em Alvalade demonstra coragem. No fundo, como fazer frente às claques ou responder à letra a Cintra. Varandas terá muitos defeitos, como nós, mas falta de bravura não".

Bernardo RibeiroRecord

É bem verdade que a camisola 7 no Sporting nunca mais voltou a ser a mesma depois de Luís Figo, mas daí até a considerar uma "maldição" ou um "grande risco", é um autêntico capricho de ficção.

Vejamos quem envergou essa camisola e que talvez não tenha sido muito feliz:

Ricardo Sá Pinto - Iordanov - Leandro - Delfim - Niculae - Izmailov - Bojinov - Jeffrén - Rúben Ribeiro - Campbell - Matheus Pereira e Shikabala.

12 casos, 12 interrogações... mera superstição !

publicado às 12:43

A loucura do mercado

Rui Gomes, em 15.06.19

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São muitos os nomes lançados por empresários, mais ainda os que chegam de pessoas que tudo sabem. E há poucas certezas quando a procissão ainda vai no adro. É a altura de trabalho mais difícil para um jornalista sério. Podem ter-se notícias a cada minuto que passa sim, mas depois corre-se o risco de passar alguns dias a noticiar um jogador qualquer para um grande clube e depois ele acaba no V. Setúbal (Khalid Hachadi).

Na verdade, o actual posicionamento dos grandes não ajuda muito. Os nomes a contratar estão, e bem, fechados entre poucas pessoas das respetivas SAD. Mas depois há um medo incompreensível de dizer que este ou aquele jogador não interessa. Problema? Intoxicado é o leitor, adepto de um qualquer clube, que teima em viver de costas para o mundo da comunicação.

Não é nada de novo. Mas hoje em dia vivemos com alguns directores que não estão para ser incomodados por jornalistas. Pergunto-me para que servirão. Desde que o patrão deles esteja satisfeito, por mim tudo bem. 

Aqui deixamos uma promessa: Nenhum jogador é aqui noticiado se não for confirmado por mais de uma fonte. E assumiremos os desmentidos quando percebermos que eles são justos. Sim, somos dos que erramos. Mas há comunicados que são apenas uma forma de mascarar incapacidade negocial ou falta de coragem para assumir os nomes. Esses não. Aí manteremos a verdade. Sempre.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 12:31

Dia de Portugal

Rui Gomes, em 10.06.19

História. Eis o que fez ontem, uma vez mais, a Seleção Nacional. Portugal conquistou a 1.ª edição da Liga das Nações e juntou ao Euro mais um cetro, demonstrando um domínio do futebol europeu verdadeiramente impressionante.

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Este grupo de jogadores, o seu indiscutível líder Cristiano Ronaldo e o timoneiro eng. Fernando Santos entraram num grupo restrito de heróis nacionais. Para eles, como para nós, o feriado é mais do que merecido. Hoje é dia de Portugal. Dificilmente a conquista poderia ter acontecido num dia melhor, para todos podermos saboreá-lo.

Bernardo Silva foi considerado o melhor jogador do torneio. E foi, de facto, enorme. Mas perdoem-me a vénia ao do costume. É que ontem Portugal jogou mais, foi superior e mereceu a vitória, que chegou com o golo de Guedes. Mas frente à Suíça, quando jogámos menos do que devíamos, foi Cristiano quem disse presente e nos brindou com um hat trick salvador. Simplesmente brutal.

Dedo do treinador no triunfo do Dragão. Fernando Santos foi muito mais certeiro no sistema e onze utilizados com a Holanda do que no primeiro jogo. A crítica deve ser feita, mas não se pode esquecer o elogio. E o agradecimento. O engenheiro conquistou mais um título para o país. E isso nós nunca esqueceremos. Obrigado a todos.

Bernardo Ribeiro, Director de Record, aqui.

publicado às 15:24

Desperdiçar talento

Rui Gomes, em 01.06.19

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A eliminação dos jovens sub-20 do Mundial é uma péssima notícia. Não especialmente para o país, pois tudo o que desejamos aos nossos miúdos é que sejam muito felizes, mas para os próprios jogadores e federação. As condições criadas nos últimos anos, muito às costas do talento gerador de receitas de Cristiano Ronaldo, fazem com que estas gerações possam trabalhar com luxos nunca antes vistos no futebol português. E se o talento abunda nestes sub-20 (e ele é mesmo muito) a verdade é que desta vez ele não se viu no relvado. Apareceu a espaços muito curtos. 

Não sei se foi por falta de humildade, se pouca capacidade de trabalho ou só azar. Não conheço suficientemente os adversários dos nossos para ter uma opinião abalizada. Certo é que ver esta equipa de regresso dói na alma. Apenas porque sabemos que podiam ter ido mais longe. O passado está lá. Esperemos que o futuro também, pois o rejuvenescimento de Portugal passa por eles.

Hoje há mais um jogo de Premier League travestido de final europeia. Sinal do domínio inglês na UEFA, coisa nunca vista e corolário do campeonato mais apaixonante do momento. Muito arrependidos devem estar os espanhóis de terem perdido CR7. Os italianos agradecem. A Serie A foi a que mais cresceu. Não é eterno, mas nunca houve por cá nada assim.

Bernardo Ribeiro, Director de Record, aqui.

publicado às 11:00

Competência de grandes

Rui Gomes, em 14.04.19

 

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Um sábado gordo para Sérgio Conceição e Marcel Keizer. O primeiro venceu com inteira justiça e sem espinhas em Portimão, com a equipa a responder presente após Liverpool. O segundo mostra ao SC Braga que está a levar a sério a questão do pódio e com isso a reafirmar de forma séria o estatuto de grande que os homens do Minho almejavam. 

 

Marega acabou com o jejum, Brahimi mostrou compromisso com o objectivo da época e isto num jogo sem casos, a não ser o relvado artístico de Portimão, bonito de facto, mas péssimo para se perceberem os foras-de-jogo. Felizmente foi tudo claro. Ou teríamos conversa para a semana toda.

 

Na Vila das Aves um triunfo que é uma demonstração clara de força do grupo treinado por Keizer. Perder o guarda-redes aos quatro minutos, sofrer o golo do empate num penálti cometido pelo homem que entrou e ainda assim dominar e ganhar de forma claríssima por 3-1... eis algo que parecia impossível aos leões há algum tempo.

 

A verdade é que o técnico holandês soma a sétima vitória consecutiva e consegue superar uma luta pessoal com o seu homólogo Abel Ferreira que chegou a parecer perdida. Para além disso, há Luiz Phellype, o avançado económico que vai marcando.

Sim, também ainda houve Bruno Fernandes, mas isso quase já não é notícia. Que craque o capitão leonino!

 

Bernardo Ribeiro, Director jornal Record

 

publicado às 11:20

Campeão de uma só cor

Rui Gomes, em 09.04.19

 

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A guerra Benfica-FC Porto está a atingir níveis que chegámos a julgar impensáveis. As acusações sucedem-se e vão do ataque aos árbitros, de campo ou VAR, até à honorabilidade das equipas adversárias, vide as dúvidas dos encarnados em relação ao Feirense. Se havia quem pensasse que o desaparecimento de Bruno de Carvalho da cena pública iria melhorar o debate e comportamento dos clubes, a esta altura já deve ter percebido que o ex-presidente leonino não era o único problema. As culpas pelo nojo vigente têm de ser repartidas por mais gente e emblemas. 

 
O principal problema das duas cruzadas pela verdade desportiva é encerrarem uma questão péssima para a liga; ganhe quem ganhar, seja Benfica ou FC Porto, só os adeptos desse clube acreditarão no título. O facto de ambos terem as respectivas máquinas de propaganda a bombardearem diariamente o espaço público com a verdade a que acham que os adeptos têm direito vai fazer com que mais ninguém acredite na justiça da conquista. A cada ataque que fazem um ao outro, águias e dragões diminuem o significado do título que perseguem. Não no acesso aos milhões da Europa. Mas aos olhos de todos nós. E isso é uma pena...".
 
Bernardo Ribeiro, Director jornal Record
 

publicado às 04:48

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