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Terá Pedro Proença sete vidas?

Rui Gomes, em 22.05.20

21312452_L0T3b.pngA paz podre que se vive no futebol há algum tempo pode estar a quebrar. São muitos, demasiados até, os que pedem a cabeça de Pedro Proença. O presidente da Liga dificilmente cairá hoje (ontem), a não ser que peça a demissão, mas o isolamento é real e os maus-tratos e a guerra não vão parar. Parece condenado a viver como ‘rainha de Inglaterra’ até à próxima assembleia geral ou quando os verdadeiros poderosos lhe decidam cortar a cabeça.

Terá Proença sete vidas? É uma das questões que se coloca a partir de hoje, se o ex-árbitro não pedir para sair. E não acredito que o faça. Mas a manter-se, não estará na altura de falar? Mas a sério. Sem paninhos quentes. Denunciando as manobras de bastidores que sabe existirem para cortar-lhe a cabeça mais cedo ou mais tarde. A Liga sofre de um problema de percepção gritante. E de liderança ainda mais.

Os operadores estão muito zangados com Proença. Os três grandes também. Vários clubes engrossam o movimento de insatisfeitos. E Fernando Gomes junta-se ao clube. Como diz a manchete, o caos voltou. No fundo, é o espelho do futebol nacional. Onde os clubes olham apenas e tão só para o umbigo e necessidades de momento. Sinónimo de vergonha? O comportamento do Marítimo, por exemplo. É o que temos.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

Nota: Entretanto, numa reunião de presidentes realizada esta quinta-feira, Pedro Proença colocou à disposição o seu lugar de presidente da Liga Portugal. A 9 de Junho haverá uma Assembleia Geral para se decidir o futuro do líder do organismo.

Benfica e FC Porto lideram um movimento de constestação ao actual presidente. A carta enviada a Marcelo Rebelo de Sousa – à revelia de todos os clubes (inclusive aos que fazem parte da Direcção da Liga) e dos operadores televisivos –, a solicitar uma audiência para discutir a possibilidade de as dez últimas jornadas serem transmitidas em canal aberto, foi a gota de água numa relação já agastada por vários acontecimentos recentes.

publicado às 04:48

O futebol avança

Rui Gomes, em 14.05.20

21312452_L0T3b.pngReunião a reunião, conversa a conversa, o futebol avança. Trôpego, mas não cai. Com muitos a quererem fazer-lhe mal, mas resistindo. Bom saber que a competência ainda triunfa sobre a maledicência. Melhor ainda, que os que puxam para a frente vão sendo mais fortes do que aqueles que empurram para trás. Só com equipas fortes e competentes se pode resistir. O futebol felizmente ainda vai tendo algumas. Acredito, quero acreditar, que esta aventura vai chegar a bom porto.

FC Porto e Benfica devem decidir o título no campo. É aí que se encontram vencedores e dignos vencidos. Mesmo que se esta época as regras mudaram a meio e o 12.º jogador, esse bem tão importante no futebol, não vai poder ajudar a cor dos seus sonhos. Nem os estádios vão ser os que os jogadores pisam dia após dia. Mas nada será igual, pois não? E não merecem aqueles que estão impedidos de regressar ao trabalho de ter este pequeno escape tão importante na sociedade actual? Ver novamente os heróis na relva vai fazer bem a todos nós.

No meio de toda esta crise, a Liga portuguesa pode lucrar muito com este regresso a 4 de Junho. Afinal, tirando Coreia do Sul e Alemanha, será o futebol português que estará nas TV’s de espanhóis, ingleses, franceses... Já pensaram bem nisto?

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 04:03

Ter um pouco de calma?

Rui Gomes, em 07.05.20

21312452_L0T3b.pngTodos percebemos a alegria de quem sobe, a tristeza de quem desce, a amargura de quem não joga mais. Também já percebemos que foi a Federação a real locomotiva do processo que levou ao regresso da esperança no futebol. A Liga tinha bloqueado em processos em que parece ter querido agradar a demasiados, travando com isso decisões estruturais que eram imprescindíveis.

Entendemos por tudo o que se tem passado as muitas palavras de revolta soltas por alguns agentes. E que haja clubes zangados com Pedro Proença, seja pela condução deficiente do processo em alguns momentos, seja por reuniões que claramente lhe correram mal. Mas também talvez seja altura de os clubes perceberem que fazem parte do problema. E que o modelo de governação da Liga é hoje impossível de levar ao sucesso. Porque obriga o presidente a constantes equilíbrios e alianças e não à aplicação de uma política para o futebol digna desse nome. Por muito que Proença se tenha espalhado ao comprido nos últimos tempos, acredito que é bem-intencionado.

Para levar a retoma até ao fim com sucesso é necessário bom senso de todos. E querer um futebol como até aqui é um erro com custos... incalculáveis. Por exemplo, manter a Allianz Cup. Será mesmo possível?

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 06:02

Casos que dão que pensar

Rui Gomes, em 23.04.20

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A UEFA tem vindo a dar vários bons exemplos de responsabilidade na gestão da crise do futebol. Assumiu enormes custos económicos para que as ligas profissionais consigam manter a cadeia de valor em que o desporto-rei está assente. Mas não há milagres. Por muito que Ceferin e quem o aconselha puxe pela cabeça para encontrar soluções, as ligas têm de ter todos os cenários previstos.

Refira-se que em Portugal a FPF tem tido também um comportamento bem superior ao que temos visto noutras paragens. E a Liga de Clubes tem tentado. Mas as guerras entre emblemas não ajudam a que se faça um trabalho isento de erros. A afirmação definitiva de Proença passa muito pela forma como sair da crise. E da relação que conseguir manter com a federação. É com estas duas instituições que o futebol português poderá salvar-se. Se estão à espera que sejam os clubes profissionais a apontar o caminho, esqueçam. É cada um por si.

O juiz fanático de Rui Pinto pediu escusa. Pena ter sido só depois de tornado público o comportamento que tinha nas redes sociais no tema que se prepara para julgar. Pior, não o assume no pedido de escusa. Depois do escândalo na Relação, é assustador aquilo a que assistimos na Justiça. E é este homem que está no caso e-Toupeira. E cheira-me que se vai manter neste processo. Se assim for, prova-se que estamos entregues aos bichos.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 04:33

Futebol por baixo da mesa

Rui Gomes, em 06.04.20

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O futebol português já não sabe viver sem jogadas subterrâneas. Está no sangue da maior parte dos dirigentes e nem a pandemia consegue unir os clubes em torno do mesmo objectivo. A palavra que me vem à cabeça é... selva. São muitos os discursos bonitos, muitas as reuniões em que parece tudo bem, mas as jogadas por baixo da mesa são quase sempre uma realidade.

Enquanto Federação e Liga tudo fazem para criar condições – e sabe-se como isso é difícil – para que os campeonatos profissionais regressem e com isso os emblemas nacionais não percam os milhões pagos pelos operadores televisivos, há clubes que trabalham apenas com um olho no burro e outro no cigano. Se o facto de não haver mais jogos ajudar as suas pretensões (as suas, apenas as suas e as de mais ninguém) estão prontos para na sombra dinamitarem o regresso. Ou a tentativa. O regresso depende mesmo do vírus.

As declarações públicas são feitas um pouco aqui e ali. Ninguém assume publicamente que gostava que não se jogasse mais para que a sorte lhe sorria de forma egoísta. É a saúde e apenas a saúde que está em causa... dizem. É pena que nem a pandemia consiga aproximar mais as pessoas. Que o ódio continue latente. É a vida, dizem. A deles, pelo menos. Porque é possível ser melhor. É mesmo.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 05:48

Custa mas tem de ser

Rui Gomes, em 17.03.20

Nem tudo na vida pode ser prazer. Aliás, se fosse, deixávamos de perceber o que realmente nos dá a sensação. Acontece, diga-se, com um grupo de privilegiados que tem tudo e por vezes passa das marcas para se sentir vivo. Não precisamos disso para combater a Covid-19.

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Hoje todos sabemos o que aí vem. Temos de estar bem preparados. Ficar em casa se for caso disso e cumprir todas as regras de higiene anunciadas se formos trabalhar. E tentar fazer tudo isto sem que a pandemia nos arruíne a vida. Porque importante é que o País sofra o menor número de baixas possível. Em casa ou a trabalhar podemos continuar a ser felizes. Basta querermos. Qualquer hipótese pode custar um pouco. Mas tem de ser. É assim que vamos ganhar.

Palhinha não quer voltar a Alvalade. Percebo-o. Raramente foi feliz desportivamente no reino do leão e em Braga conseguiu conquistar definitivamente um lugar ao sol. Ainda assim, não pode esquecer, como sucede com tantos jogadores de futebol que parecem obliterar da memória que foram eles que assinaram os seus contratos, que há vínculos a cumprir.

... E que o destino podia ser pior. Trabalhar com Rúben Amorim na próxima época não soa propriamente a castigo. Neste caso, ou aparece dinheiro a sério ou poderá ser a SAD a dizer que voltar custa... mas tem de ser.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

Entretanto, João Palhinha publicou a seguinte mensagem no Facebook:

"Vi hoje o meu nome referenciado em notícias nas quais são abordadas hipóteses para o meu futuro. Quero garantir-vos que o meu futuro passa por cuidar de mim, dos meus, e ajudar os outros a ultrapassar a grave crise de saúde pública que atravessamos.

O futebol, o meu futuro, desculpem, neste momento não é importante. Importante hoje, amanhã e provavelmente nos próximos dias e semanas, é focar apenas no objectivo comum chamado Covid-19. O nosso objectivo. Seguimos juntos nesta luta".

publicado às 02:47

A vida vai continuar

Rui Gomes, em 12.03.20

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É caso dar o mínimo de espaço às virgens ofendidas mesmo aturando vários queixumes. É vital abertura de espírito para entender que este é um momento delicado e que as autoridades tudo estarão a fazer para que os portugueses enfrentem o Covid-19 da melhor forma. Vai haver futebol com bancadas vazias? É triste, é verdade. Não é assim que se faz a festa do desporto-rei ou de qualquer outro. Mas não vem daí nenhum mal muito grave ao Mundo. E todos teremos tempo para perceber se não serão necessárias medidas ainda mais severas. A saúde primeiro.

Os adeptos têm direitos. E querem assistir aos jogos. Não podendo, será melhor não haver futebol? É possível. Provavelmente caminharemos para aí. Mas para grandes males, grandes remédios. E se nós aceitamos a economia de mercado quando vivemos tempos normais, parece chegada a hora de quem detém os direitos partilhar um pouco. Não seria de oferecer a jornada na TV a todos os portugueses como acto solidário? Ou as operadoras vão mesmo tentar aproveitar o vírus para fazer mais dinheiro à conta das medidas de prevenção? Não quero acreditar.

Adoro futebol. Assim como muitos outros desportos. Mas pensemos na nossa saúde. Com o fanatismo vigente pode não parecer, mas há coisas mais importantes do que uma bola.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 03:33

Riscos desportivos

Rui Gomes, em 14.01.20

Bruno Lage e Sérgio Conceição abordaram anteontem os respectivos jogos da Taça com a cautela que se impõe. Sabem ambos que são muito mais fortes, mas o primeiro puxa pela rotatividade para prever alguma surpresa, o segundo diz que o único que arrisca algo é o FC Porto, pois o Varzim só tem a ganhar. Têm razão. Não há falhas no discurso. Por outro lado, esse é o preço a pagar de treinar uma equipa grande, que tem mais do que uma competição para jogar. Diga-se de passagem, ambos têm a sorte de treinar plantéis de talento. Menos do que vitórias não é admissível.

A Silas pedem-se também vitórias mas sem um plantel tão rico. O risco desportivo aqui é maior. O técnico perdeu Vietto na pior altura possível, Coates com um amarelo risível em Setúbal e ainda corre o risco de ver partir Bruno Fernandes, pois o negócio está agora nas mãos do Manchester United. E depois segue-se a final four da Taça da Liga, em que o argentino continuará a ser uma miragem e Bruno não deverá mesmo estar. E este parece o único título possível para os leões esta época...

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 05:18

Bons e maus momentos

Rui Gomes, em 22.12.19

21312452_L0T3b.pngJorge Jesus lutou por um sonho e não esteve longe de o alcançar. É verdade que o Liverpool ganhou de forma justa, mas o Flamengo do português bateu-se muito tempo de igual para igual e chegou a assustar o poderoso Klopp. Eis uma derrota que custa. Mas a cabeça sai erguida.

Os árbitros portugueses estão a passar uma fase muito complicada. É difícil perceber qual o momento mais ridículo de ontem, se a expulsão de Bolasie, se o golo anulado ao Rio Ave. Temos de respeitar os profissionais da arbitragem. Mas eles também deviam respeitar a vida de quem apitam.

No meio das guerras do futebol há momentos de arte. Os golos de Guedes e Camacho, por exemplo. O primeiro é de antologia. Confesso ter ficado pregado à cadeira. A execução do jogador sadino... uau! E o miúdo leão já mostra bons pormenores.

E... para não esquecermos que este é o futebol português, a noite trouxe um protesto. O Portimonense quer o Sporting penalizado por não ter dois jogadores formados localmente. Os leões garantem que são Max e Bruno Fernandes. O CD decidirá. Não seria tema sem a reviravolta de 2-1 para 4-2... em superioridade numérica. E era bonito Willyan ter vindo pedir desculpa ao companheiro de profissão pelo teatro. Foi feio.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 18:54

Nas mãos das equipas

Rui Gomes, em 06.11.19

Nos três grandes portugueses o que importa é o futebol. Essa é a mola real dos clubes. Por muito que Benfica e Sporting apostem no ecletismo também como forma de afirmação da marca, ambos mais do que o FC Porto, diga-se, se as coisas não correm bem dentro das quatro linhas o caldo está entornado.

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Agora com oposição conhecida e assumida, Luís Filipe Vieira tem tido no comportamento da equipa na Liga dos Campeões o maior inimigo da época. Foram muitos os que se apressaram a condenar Bruno Lage, a atacar a equipa e tudo o que mexesse bem cedo. Agora líder e com tudo em aberto na Europa, a águia tem ouvido menos críticas. Mas um deslize em França poderá fazer voltar tudo outra vez. É assim a vida no futebol português.

Varandas também vive o mesmo tipo de problema mas muito, muito mais agravado. Não interessa a situação financeira do clube. Não interessa o facto de todas as modalidades lutarem pela vitória. É a equipa de Jorge Silas que fará com que o presidente sobreviva, ou não, em Alvalade. São muitos os movimentos que lhe pedem a cabeça. E já há recolha de assinaturas para tudo e mais alguma coisa. O Sporting deixou de ser um clube que despede treinadores a torto e a direito para fazer o mesmo a presidentes. Vai ter um triste fim.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

*** O artigo foi escrito antes do jogo e subsequente derrota do Benfica em Lyon.

publicado às 03:47

A Liga está a animar

Rui Gomes, em 28.10.19

21312452_L0T3b.pngA Liga mudou. Há novo líder, FC Porto e Benfica chegaram-se à frente e o Sporting parece dá indicações de querer voltar a respirar. Em Tondela os encarnados ganharam mas essa foi a única boa notícia. Mais uma exibição cinzenta e sem alegria, mas que deu para celebrar mais um recorde. É importante ganhar sem jogar bem. Mas convém subir o nível um dia destes. Já os dragões foram muito superiores ao Famalicão. Deram três golos de avanço ao ex-líder e ainda ficaram alguns por marcar. Demonstração de força da equipa de Sérgio Conceição.

O Sporting vai evitando as certidões de óbito. Mesmo vivendo uma espécie de guerra civil com as claques, a equipa de Silas tenta fazer bem. Nem por isso foi superior ao Vitória de Ivo Vieira, mas a eficácia marca a diferença no futebol.

Os energúmenos que atiraram este domingo tochas para os relvados de Tondela e Alvalade não são verdadeiros adeptos. Não passam de fanfarrões que usam as claques como forma de afirmação pessoal. Um adepto que ama o clube não o faz gastar milhares de euros com infantilidades imbecis. Está, de facto, na hora de limpar as claques. Não é preciso acabar com elas. Há ali gente boa. Basta de lá tirar os criminosos. De adeptos não têm nada. Não está na hora do estado ganhar também coragem?

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 16:18

Equipa ganha com a guerra

Rui Gomes, em 25.10.19

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A equipa do Sporting foi ontem a grande beneficiada pela guerra entre Frederico Varandas e as claques Juventude Leonina e Directivo. Um plantel que anda a jogar sobre brasas desde que a época começou, que já ouviu assobios em Alvalade antes de o relógio chegar aos 20 minutos de jogo, ontem foi bem apoiado até ao fim. Numa guerra em não haverá vencedores, mesmo que no fim um dos lados pense que triunfou, pode ser que a equipa, ela sim, ganhe qualquer coisa.

Após um mercado turbulento, o despedimento de Keizer, a promoção e despromoção de Pontes e a eliminação em Alverca, Silas precisa de tempo para implantar ideias. E fazê-lo entre jogos, não sendo impossível, é muito difícil. Principalmente com um plantel sem a qualidade de outros com que pretensamente se bate pela liderança na liga. Paz com as bancadas ajuda.

Dragão amorfo. Estranho. Esperava-se mais. Nada está perdido, mas pontos em casa são importantes.

O Sp. Braga conseguiu um belíssimo triunfo na Turquia. Sá Pinto tem uma equipa de duas faces, que se conseguir encontrar-se a meio será um caso sério.

Triste pela derrota do V. Guimarães. Injusta. Imerecida. Inglória.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 12:30

Plata tem talento... que tenha sorte!

Rui Gomes, em 14.10.19

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Gonzalo Plata é um jovem com grandes sonhos. O talento inato que exibe levou o Sporting a apostar no equatoriano. Mas o futebol europeu é radicalmente diferente do praticado em outras paragens. Se um miúdo português para dar o salto da formação para os seniores já precisa de um misto de trabalho, crença e muita sorte, quem chega de ambientes menos exigentes em termos competitivos necessita de ainda um pouco mais... de tudo. Plata tem talento, é inegável. Os sonhos estão lá. Que tenha sorte, porque vai precisar.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 05:34

Silas com tanto a fazer

Rui Gomes, em 06.10.19

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É verdade que o Sporting bateu os austríacos e somou a segunda vitória consecutiva. Nos tempos que correm é notícia. Mas isso não apaga os momentos medíocres da exibição. E a noção clara de que uma equipa mais competente poderia ter deixado novamente o clube de Alvalade em enormes dificuldades.

Silas tem um trabalho hercúleo pela frente. Acredita num sistema diferente, tem uma filosofia nova tanto de construção como na forma de estar perante o adversário, mas falta-lhe uma pré-época para explicar as ideias. E isso fez-se notar na 1.ª parte frente ao Linz. Foi aí que a equipa mais tentou fazer o que se lhe pedia. E ia-se espalhando ao comprido. Não porque os jogadores não queiram. Mas são muitas ideias em pouco tempo.

Boa notícia na liderança do jovem técnico o ter sabido olhar para o jogo e aproveitar o facto de o adversário não ser competente a finalizar para alterar e ganhar. O que só mostra que os jogadores querem. Pelo menos a maioria. E se não fazem mais, é porque existe um bloqueio que só as vitórias poderão resolver. A confiança não se ganha de um dia para o outro. Conquista-se. Com pontos.

E há Bruno Fernandes. Dá sempre jeito ter em campo o melhor da Liga.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 05:04

Escolha que se entende

Rui Gomes, em 27.09.19

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Numa altura em que o mercado está fechado, em que o plantel ficará sem mexidas até à reabertura das inscrições em Janeiro e quando a maior parte dos treinadores está a trabalhar, a escolha do sucessor de Keizer e Leonel Pontes não era fácil. Principalmente quando o clube não abunda em dinheiro e cada investimento tem de ser bem pensado.

Abel Ferreira era um técnico mais experiente e com uma passagem pelo SC Braga que lhe deu maior preparação para o que seria o Sporting. No entanto, teria as bancadas contra ele e muitos dos supostos notáveis. Foi o facto de funcionar assim que fez com que os leões perdessem José Mourinho quando ele já estava contratado. Mas há muito que sabemos que Alvalade não aprende com os erros.

Silas é uma escolha de risco. Mas também uma ideia interessante para o futebol leonino. Reconhecido sportinguista, condição que agrada sempre aos adeptos, teve uma proposta diferente no Belenenses. E olhando aos jogadores que terá à disposição em Alvalade, eis um homem que não sofrerá demasiado com o facto de ter apenas um ponta-de-lança de raiz à disposição.

Uma coisa é certa. Silas trará ideias novas. Como todos, vai precisar de resultados. Mas também de alguma paz. Se a tiver, pode ser que consiga endireitar o futebol do Sporting.

Também precisa de alguma sorte, evidentemente, mas tem cedo a oportunidade que todos procuram na vida.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

Ainda de Bernardo Ribeiro na sua crónica desta sexta-feira:

O pior da derrota em Alvalade não é a perda de pontos na Taça da Liga. É percebermos que há gente capaz de andar à pancada enquanto ao lado um miúdo que não tem mais de 10 anos tenta parar aquela nojeira. E isto enquanto vê alguém – provavelmente de família – agredir ou ser agredido. Prova que os energúmenos não estão só nas claques. E que o futebol não é só paixão e emoção. É também insanidade. Os adeptos devem olhar para imagens como estas e alguns deles ganhar um pingo de vergonha. O clube precisa de um mínimo de serenidade. Sem ela, venha o craque Mourinho ou o jovem Silas, ninguém fará nada. E quando se ultrapassam limites destes e se anda à pancada com um miúdo ali... então não há nada que valha a pena salvar.

publicado às 08:15

Empresários e mercenários

Rui Gomes, em 21.08.19

Há no futebol português, como em todos os outros, agentes de jogadores que são uma espécie de parceiros dos clubes nas negociações, mesmo que defendendo sempre a posição do futebolista, e outros que estão dispostos a tudo por um prato de lentilhas.

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É verdade que Bas Dost era um dos jogadores a quem o processo de rescisão melhor assentava após o evento de Alcochete. Ser o melhor goleador da equipa com números impressionantes e acabar agredido no local de trabalho por um grupo de energúmenos que diz defender a mesma equipa é um case-study onde se aceita a deserção.

É por isso uma pena que tenha escolhido para representá-lo um agente que aproveitou a ocasião para esmifrar um Sousa Cintra entregue aos bichos e que lhe deu mundos e fundos que agora não há quem possa pagar. Se o agente fosse competente, Bas jogaria já noutras paragens e este sarilho não teria acontecido. Provavelmente até poderia ter evitado o ocaso do holandês.

Mas não. O facto de ganhar mais por época do que o actual ponta-de-lança titular do Sporting faz do empresário de Dost parte mais do que interessada no processo. Com tudo isto, o avançado deixou de ter condições para jogar em Alvalade. Até porque se percebeu que dificilmente encaixa. E com um empresário tão fraco, ficamos sem saber se é só a inabilidade do agente ou se o jogador não tem feito tudo para render mais.

Uma pena. Merecia melhor sorte. Ele e o Sporting".

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 04:02

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 07.08.19

Marcel Keizer - nos Rugidos do Leão.jpg

"Que impacto terá a humilhação numa equipa já de si à procura de rumo desde o início da pré-temporada? Mais, agora a braços com a provável saída do seu melhor jogador? Ser goleado num dérbi não dá saúde a ninguém. Do treinador ao presidente. A estrutura vai ser atacada e vai abanar. Do que é feita e que fé existe no trabalho do holandês, eis algo que se verá nos próximos capítulos".

Excerto de um artigo de Bernardo Ribeiro, Director de Record, aqui.

publicado às 04:17

O negócio possível

Rui Gomes, em 04.08.19

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É opinião geral de que o Sporting CP não pode fazer mais nada do que vender Bruno Fernandes. Uma corrente de pensamento mais do que legítima e a mais usual no futebol de hoje, onde rapidamente nos rendemos às verdades do dinheiro, pois é ele afinal que faz o Mundo andar à roda. Mas será, de facto, essa a melhor opção para um clube que se encontra na encruzilhada a que os leões chegaram? Isso é, pelo menos, discutível. 

Que o dinheiro de Bruno Fernandes faz falta ao clube é evidente. Como a todos os emblemas portugueses, mesmo aqueles que dão entrevistas a jurar o contrário. Mas se o Sporting não está obrigado a vender, se não tiver a corda na garganta, o que seria melhor? Fazer acertos com o dinheiro da transferência ou manter aquele que é o seu melhor jogador de há alguns anos para cá?

Porque também é assim que se mede a ambição dos clubes. Vieira vendeu Félix e com essa venda segurou os outros, tentando oferecer a Lage uma equipa que o coloca na ‘pole position’ na candidatura ao título. Ao perder Bruno, o Sporting pode acertar num Robertone qualquer, mas que o risco é muito maior...

Num mundo ideal, Varandas sentar-se-ia com Bruno e oferecer-lhe-ia um plano de carreira. Mas isso já não satisfaz um jogador português. É o Mundo em que vivemos.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 02:42

Um caso lamentável

Rui Gomes, em 25.07.19

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Esteja a razão de que lado estiver, Conceição e Danilo protagonizaram um caso lamentável e que o FC Porto dispensava quando se aproxima um jogo decisivo no apuramento para a Liga dos Campeões. A pré-temporada dos dragões já vindo a ser recheada de críticas a uma estrutura incapaz de trazer reforços em tempo útil. A opinião pública portista só poderá lamentar ver que o balneário enfrenta temas destes quando devia estar unido na preparação da época.

Coentrão também foi tema fracturante. Se uma claque deixou bem claro que dispensava a contratação, outra, mais bélica e representativa, fez saber que todos os reforços serão bem recebidos, deixando no ar uma ameaça aos contestatários. O clube não pode ser gerido de fora para dentro, mas é bom entender quão fracturantes podem ser alguns temas. 

Bons testes de Benfica e Sporting pela madrugada. Os leões fizeram a melhor exibição da pré-época e jogaram olhos nos olhos com o campeão europeu. As águias, depois de uma entrada fortíssima, mereceram ganhar ao cair do pano. Muito bem.

Parabéns aos sub-19 por mais uma final. Têm sido alegrias atrás de alegrias na formação. Parabéns à FPF e Filipe Ramos. Mas também aos clubes. São eles a origem do talento aproveitado na Cidade do Futebol.

Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 14:30

Um aviso à navegação

Rui Gomes, em 11.07.19

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Os jogos de pré-época valem o que valem, mas ainda assim é sempre bom vencer. Benfica e Sporting falharam esse objetivo – sendo que o adversário dos leões era claramente acessível –, mostrando ainda muito por fazer. Natural nesta altura, mas um aviso à navegação. Os sucessos conseguidos na época passada por águias e leões não caíram do céu. Para ganhar é preciso trabalhar muito. Sempre. 

Na despedida de Jonas, não foi só o talento do brasileiro que deixou saudades. Também os golos que marcava fizeram falta. Chiquinho deu um ar de sua graça, alguns dos jovens mostraram vontade de triunfar, mas foi evidente que faltou qualquer coisa à equipa. Obviamente, em momento algum Bruno Lage fez alinhar o melhor onze possível, mas até o técnico reconhecerá que é preciso fazer melhor. Boa notícia é que há muito tempo para isso.

O leão de Marcel Keizer mandou no jogo com a equipa mais forte e perdeu o controle dos acontecimentos com os miúdos. Apostar nos miúdos é muito bonito, mas raramente dá certo quando jogam todos ao mesmo tempo. Pormenores interessantes de Plata, que espalha talento e qualidade sentida em Camacho. Convém também alguma humildade. Todos sabemos que vem de Liverpool, mas às vezes é melhor passar ao lado em vez de jogar sozinho e chutar para as nuvens.

Bernardo Ribeiro, jornal Record, aqui.

publicado às 11:10

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