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O Sporting recebe, este sábado, o FC Porto, em jogo da última ronda da primeira volta. Os 'leões' precisam de vencer para encurtar distâncias para a liderança dos 'dragões', que vão tentar em Alvalade o 19.º triunfo consecutivo, o que seria um recorde em Portugal.

 

No relvado de Alvalade estarão duas ideias de jogo, embora com fases diferentes: o modelo consolidado de Conceição, que lhe valeu o título na época passada, frente à revolução que o holandês Keizer tenta implementar no Sporting. Duas equipas diferentes, a viver fases distintas.

 

"Se o Sporting marcar primeiro, de certeza que vai estar muito mais confortável, o FC Porto vai ficar muito mais inquieto, vai querer pressionar mais alto, vai querer subir, vai perder um pouco o rigor porque os jogadores vão querer ganhar o jogo e o Sporting pode galvanizar. Mas se o FC Porto marca primeiro, ganha o jogo.

 

Nós ainda não vimos exactamente aquilo que Keizer quer. Está a tentar implementar uma ideia com a época a decorrer, o que é bem mais difícil, e a ideia está muito mas muito longe daquilo que ele quer.

 

Isto é, os erros que acontecem em jogo e os constrangimentos que eles encontram quando os adversários fecham o corredor central, são coisas que, se tivessem sido trabalhadas desde o início da época, a equipa estaria bem preparada para enfrentar.

 

E a questão agora é: a equipa não tem tanto tempo para treinar sem erros, ou seja, não tem jogos-treino, todos os jogos são a contar. Então, o que o treinador vai tentar fazer é agilizando para tentar resolver as situações que ele acha mais importantes e, se calhar, o pormenor vai ficando cada vez mais adiado e a coisa entra muito por situações gerais".

 

Blessing Lumueno, treinador de futebol e cronista

 

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publicado às 04:32

 

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Stephen Eustáquio é o meu jogador - é o jogador do treinador. Vai cumprir com tudo o que lhe pedir defensivamente, com rigor e excelência. Fiável, e dificilmente me falhará nesse capítulo. Se tiver que fazer um sprint para garantir que a equipa fica mais junta e mais ligada, ainda que não intervenha no lance, assim o fará num piscar de olhos.

 

Com bola, vai jogar o jogo que está na minha cabeça como se estivesse a ler um manual de instruções – robótico. Serei sempre capaz de ver o resultado do treino e do que idealizo em campo, porque cada decisão dele foi inventada por mim. Saberei sempre para onde irá seguir cada bola em que tocar. Dará sempre o seguimento que eu imagino para os lances, não me cria dúvidas. Coloca-me questões, eu respondo; não me ensinará nada.

 

Receberei informação vinda dele, mas nunca me obrigará a pensar, porque não é criativo. Ele será o barómetro perfeito para perceber a qualidade das minhas ideias, uma vez que faz tudo como eu, faz tudo por mim.

 

Francisco Geraldes é diferente. Precisa de melhorar e de fazer aquele sprint extra para ligar o jogo da equipa, ainda que não intervenha no lance. Terei que o convencer, no jogo sem bola, da importância dos momentos de esforço e que terá depois o descanso com bola. Vou mostrar-lhe que aquele momento importa para que o adversário tenha menos tempo com bola, e consequentemente para que ele possa tocar mais vezes nela. Mas ele sabe ocupar espaços, e é inteligente; não será uma tarefa tão difícil assim.

 

Com bola, divergimos, é dissidente. Marginalizado pelo futebol pragmático de Portugal. Escolherá muitas vezes, por coincidência com as ideias de jogo que tenho, os caminhos assinalados no meu mapa. Mas, haverá outras situações onde sai da estrada e das rotas que o meu GPS assinala. Não me deixa formatá-lo. Nunca.

 

Mas isso não me preocupa, porque, no final, entendo que cria novos caminhos, melhores do que aqueles que eu alguma vez poderia ter pensado. Eu pergunto e ele responde. Sabe o que fez, quando fez, e quando é que começou a idealizar o lance. Tem soluções pouco óbvias e mais interessantes do que aquelas que constam do meu manual de instruções. Com ele eu aprendo.

 

Não joga só para ele, não é egoísta, e talvez os colegas não o entendam por ele conseguir ver mais longe. Por ele, terei que alterar os meus mapas para que possam constar os novos caminhos que ele criou, para que passem a constar do roteiro dos colegas. Para que a equipa possa beneficiar da criatividade que tem.

 

Trocamos impressões, e fico sempre com a sensação que, do jogo, ele sabe muito mais do que eu. Com onze Geraldes teria uma equipa a jogar um jogo que nunca tinha pensado até então, teria a qualidade de jogo dos deuses. Porque teria onze gajos mais inteligentes do que eu a jogar sob meu comando.

 

Blessing Lumueno, treinador de futebol e cronista no jornal Expresso

 

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publicado às 03:15

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