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Ser grande

Rui Gomes, em 30.07.20

21105016_F4Vcq.pngO Sporting CP foi grande no futebol mas hoje - e muito me custa reconhecê-lo - já não o é. É absurdo repetir-se todas as épocas o chavão de que o Sporting como um grande do futebol português, compete para ganhar, quando não existem condições para tal. E aqui há três opções.

Viver na ilusão de um milagre, coisa que não se afigura infelizmente provável. Dizer mal do Clube e de quem nele manda, cultura muito sportinguista e que não leva a lado nenhum. Tentar inverter o ciclo da decadência, a síndrome da decepção anual, para recuperar o papel cimeiro que ambicionamos, porventura merecemos, mas que, para já, não desempenhamos.

A falta de coesão é história antiga, fruto de direcções fracas que permitiram a emergência de poderes de facto e de gente que confunde liberdade de expressão com conspiracionismo permanente. O resultado é deveras triste mas real: o Sporting Clube de Portugal não tem condições, nem estabilidade, para poder ser o motor de um projecto ganhador no futebol profissional da actualidade, porque infelizmente os seus sócios não conseguem fornecer o indispensável respaldo.

A falta de estofo financeiro da SAD resulta de um complexo de factores, onde avulta uma gestão pouco rigorosa e, nalguns casos, pouco profissional, dos activos do Clube e da sua projecção desportiva. Casos como o da Doyen e de Mihajlovic, que custaram milhões ao Clube, são disso gritante exemplo.

Não me interpretem mal; o Sporting é grande em valores e princípios, mas para voltar a ser grande no futebol tem de mudar de vida.

Excerto de um texto da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 09:04

Coates

Rui Gomes, em 16.07.20

21105016_F4Vcq.pngTenho, nestas páginas, tecido críticas ao Sebastián Coates, que acusei de negligente na abordagem de alguns lances, sobranceiro em demasia, faltoso, irregular e com uma funesta tendência para enterrar o clube nos momentos mais cruciais.

O novo esquema táctico de Rúben Amorim , poupando Coates a situações de desarme à queima, permite que ele se movimente como último elemento e compense a sua falta de velocidade com experiência e leitura de jogo.

O resultado é uma metamorfose inesperada de exibições a roçar o imaculado, diminuição substancial de cartões, benefício para o colectivo. Olho de Rúben Amorim mas também mérito do Coates, que soube adaptar-se a preceito.

No que me toca, nada me dá mais prazer do que elogiar um jogador do Sporting, mesmo que isso implique dar a mão à palmatória.

Excerto do texto de Carlos Barbosa da Cruz em Record

publicado às 18:00

Acuña

Rui Gomes, em 15.07.20

21105016_F4Vcq.pngJá perdi a conta e a paciência aos excessos disciplinares do Marcos Acuña. No jogo contra o Santa Clara, resolveu pedir satisfações ao seu adversário, depois de uma falta ligeira por ele cometida, e, claro, o árbitro, como todos, particularmente atento às faltas dos jogadores do Sporting, exibiu-lhe o amarelo. A situação era completamente evitável. Com mais este cartão, Acuña falha o jogo contra o FC Porto.

Não está em causa a qualidade e o empenho do Acuña, outrossim a sua estabilidade emocional, coisa que um profissional de futebol tem de saber controlar, e ele, claramente, não sabe, com prejuízo da equipa e de quem lhe paga.

Há dois anos, em Alvalade, o Sporting perdeu para a Liga Europa contra um acessível Villarreal por causa de um destempero do Acuña. Pensei que depois dessa borrada, que levou à eliminação do seu clube, Acuña tinha decidido amadurecer, mas, infelizmente, esse não é o caso.

Espero que a SAD aplique uma multa gigante ao jogador e que venha alguém que o leve, porque recuso essa tolerância que se tem com jogadores ditos de sangue quente. Tenho pena, mas Acuña não inspira confiança para fazer parte de um projecto ganhador, porque o mal de que padece tem um nome: falta de profissionalismo.

Excerto do texto de Carlos Barbosa da Cruz em Record

publicado às 11:00

Frase do dia

Rui Gomes, em 22.05.20

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"Os árbitros vão de barco para a Madeira e levam o tempo que levarem"

Afirmação do advogado e comentador Carlos Barbosa da Cruz, em tom de brincadeira, no programa Liga D'Ouro da CMTV, reagindo à possibilidade de os árbitros terem de viajar com as equipas até à Madeira para os jogos caseiros do Marítimo.

publicado às 04:47

De tanga

Rui Gomes, em 30.04.20

21105016_F4Vcq.pngO FC Porto falhou o reembolso do empréstimo obrigacionista de 35 milhões que tinha contraído, por via de – mais – uma emissão de obrigações. Como é bem óbvio, este default não dá saúde nenhuma às relações dos clubes com o mercado financeiro, o que sobra, porque já foram proscritos dos bancos.

Independentemente do dano reputacional, que também já afectou o Sporting, a questão de fundo que este episódio suscita é o do modelo operacional dos clubes portugueses, que teimam em não ver mais além do seu próprio umbigo, a meias com a sacralização de uns mitos, que conduzirão inexoravelmente o futebol português à penúria.

E nem se pense que o Benfica está fora. Apenas vive a euforia de umas transferências bem sucedidas, mas as falhas estruturais permanecem. Bastou o falhanço do Kransnodar e a manutenção de custos fixos completamente absurdos, para o FC Porto colapsar, como aconteceu no Sporting, com o despesismo demagógico da era Bruno.

Esta vida no proverbial fio da navalha tem um fim anunciado e que é a progressiva perda de competitividade internacional, onde está, como sabemos, o dinheiro.

A Europa do futebol já percebeu que a solução está em abrir os clubes ao investimento externo, de que o paradigma mais bem sucedido é o caso do campeonato inglês.

Em Portugal, a gente do futebol também já percebeu, falta apenas a coragem de alguém dizer que o 'rei vai nu'. Mesmo naquele jogo de sombras em que a gestão do Benfica se transformou, se vislumbra essa preocupação, porquanto, por detrás daquela pretérita OPA, estava a disponibilização subsequente de capital a um ou mais investidores; não é debalde que LFV cita amiúde o exemplo do Lyon.

Prevejo que as circunstâncias ditarão que vai ser o FC Porto o primeiro a dar o passo em frente e outros seguirão, por opção ou necessidade. O timing é essencial, porque há uma grande distância entre a parceria e o resgate.

Carlos Barbosa da Cruz, Record

publicado às 03:18

Comprem jornais desportivos

Rui Gomes, em 22.03.20

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Os jornais desportivos, para a minha geração, constituem um hábito de leitura arreigado. Desde os tempos em que não saíam todos os dias, a informação, a crónica, e até a crítica desportiva era veiculada através dos jornais da especialidade, que nos apressávamos a ir comprar ao quiosque, não fosse esgotar, o que acontecia amiúde, sobretudo após um jogo grande.

Os tempos mudaram muito e, hoje, o fenómeno desportivo já não é apanágio dos jornais temáticos, outrossim adquiriu um estado de globalização informativa absolutamente transversal.

Não só os jornais generalistas dispensam um crescente número de páginas ao desporto, como pululam, sobretudo nas televisões, programas de informação e debate desportivo, em especial do futebol. Há horários em que os canais por cabo mais importantes, todos, incluem painéis de comentadores, onde o futebol é espremido e discutido até ao último centímetro.

Temos hoje mais informação, o que não quer dizer que temos melhor informação.

A nível da crítica e do comentário sou confrontado com coisas que arrepiam. Com efeito, aquilo que deveria ser um simples confronto de opiniões, torna-se frequentemente, numa indecorosa peixeirada, em que tem razão aquele que fala mais alto. E que dizer de pessoas inteligentes, que abdicam da sua independência, para defender cegamente, muitas vezes contra a evidência, o clube da sua eleição?

Esta proliferação canibalizou , de certo modo, os jornais desportivos. Porquê, afinal, pagar por informação que se pode ter de graça?

Este é um raciocínio muito curto de vistas. Porque as melhores fontes, o relato mais fiel, as pessoas mais conhecedoras, a colaboração mais acutilante, a visão mais descomprometida, a abordagem mais séria estão nos jornais desportivos e nos seus sites.

Os jornais desportivos têm sido vítimas deveras injustas desta conjuntura. Vendem-se menos, não porque a sua qualidade tenha diminuído – pelo contrário – mas sim porque o consumidor se satisfaz com o menos.

As coisas são mesmo assim; há muito boa gente que se contenta com a fast food e não vai a restaurantes.

É imperioso manter as vozes livres e abalizadas que são os jornais desportivos, para mais nesta altura, em que não há competições.

Não ceda ao mero mediocratismo, não alinhe por baixo. Mantenha-se informado com qualidade. Compre jornais desportivos, porque eles sabem, melhor que ninguém.

Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record

publicado às 02:17

O Sporting e a arbitragem

Rui Gomes, em 06.02.20

21105016_F4Vcq.pngPaços de Ferreira, em Alvalade, em 2007, num jogo arbitrado por João Ferreira e o avançado Ronny, do Paços, marca um golo com a mão. Toda a gente viu, excepto o árbitro, e o Sporting perdeu o jogo. Nesse ano, o FC Porto ganhou o campeonato, com um ponto de diferença para o Sporting.

Em 2009, o árbitro Lucílio Baptista marcou um penálti a favor do Benfica, numa final da Taça da Liga em que o Sporting estava a ganhar. O castigo, alegadamente, foi induzido pelo quarto árbitro, que estava longe do lance e as imagens vieram a demonstrar que não tinha havido qualquer falta. Mas o que interessa é que nessa altura o Benfica pouco ganhava e Vieira precisava de vencer a competição, para calar a contestação.

Estes exemplos – outros haveria – mostram como, em momentos decisivos, o Sporting tem sido prejudicado em desfavor dos seus rivais.

À excepção do lamentável episódio ‘Cardinal’, na gerência de Godinho Lopes, sempre foi linha de rumo do Sporting não se envolver nos ‘bas-fonds’ da arbitragem; o Clube pode ter muitas falhas, mas não se mete em frutas, em vouchers, missas e outros nomes de código. Achou-se, justamente, que os valores do Clube não permitiam o condicionamento de resultados, porque é disso que se trata.

Amargamente, reconheço hoje que o Sporting não ganhou tantos títulos no futebol, como podia e devia, em parte, porque não trabalhou a arbitragem, ‘if you know what I mean…’

Era óbvio que o senhor Jorge Sousa não tinha serenidade emocional para dirigir um jogo do Sporting, como aliás se verificou. Mas a culpa não será só de quem arbitrou, reparte-a necessariamente com quem o nomeou.

E aqui é muito mais grave, porque não acho que tenha sido simplesmente – mais – uma arbitragem que correu mal.

Ou seja, não foi uma arbitragem à Bruno Paixão, com exibição indiscriminada de cartões; foi uma arbitragem de preconceito contra o Sporting.

E, se o Conselho de Arbitragem da FPF, tão lesto ultimamente em vir a público esclarecer questões, não se pronunciar sobre este caso, arrisca-se a ficar na fotografia tão culpado como o prevaricador.

Texto da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 04:18

Quem manda no futebol ?

Rui Gomes, em 15.08.19

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Fui consultar, no site da FPF, a Plataforma da Transparência, na qual, alegadamente, as SAD deveriam ter dado as informações sobre os detentores do seu capital, mas sem sucesso. Espero que seja uma situação provisória, porque só haverá transparência se a informação for acessível ao público e devidamente escrutinada.

Digo isto porque há situações, a nível do investimento, sobretudo estrangeiro, no futebol que, justamente, deveriam ser esclarecidas; nada tenho contra, sublinhe-se, haver quem aposte nas equipas portuguesas, mas, sobretudo a nível da origem dos capitais e dos seus últimos beneficiários, algumas interrogações estão por responder.

O Futebol Clube de Famalicão tem como accionista maioritário uma sociedade israelita, denominada Quantum Pacific, com ligações também ao Atlético Madrid.

O Tondela está ligado ao Hope Group, que gere igualmente o Granada e o Parma.

O Desportivo das Aves está ligado ao Galaxy Believers, com interesses também no recém-promovido Vilafranquense.

O Portimonense tem como accionista de referência um tal Theodoro Panagopoulos, que por vezes também é Fonseca, envolvido na transferência de Nakajima para o FC Porto, depois de este ter saído, intrigantemente (considerando a sua categoria), para um clube do Médio Oriente.

Tenho vindo a defender que, à semelhança de outros sectores, o futebol deveria ter um organismo de supervisão que escrutinasse, ‘ex ante’, estes investimentos, certificando a sua idoneidade. Na falta desse mecanismo, ao menos que se saiba ao que vêm e de onde vem o dinheiro, sob pena de todas as especulações, algumas delas bastante justificadas.

O mesmo se diga quanto ao Belenenses SAD, para afastar definitivamente o rumor que corre que se trata de fundos ligados à Operação Marquês.

Neste momento, compra posições qualificadas em SAD quem quer e todos sabemos que há muitos lados lunares no futebol.

A credibilidade passa por muitos aspectos (a Casa de Transferências é um deles), mas saber-se quais são os interesses que comandam os clubes é, certamente, elementar.

Há, pois, um longo caminho ainda por percorrer.

Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record

publicado às 04:32

Desperdício

Rui Gomes, em 01.08.19

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O que é que têm em comum jogadores como Bruma, Eric Dier, Merih Demiral e Rafael Leão ?

Todos eles jogam em grandes equipas europeias: Bruma no PSV, Eric Dier no Tottenham, Merih Demiral na Juventus, Rafael Leão no Lille e, ao que tudo indica, a caminho do Milan.

Todos eles passaram pela Academia de Alcochete e, infelizmente, por diversas razões, o Sporting não lucrou com a sua venda aquilo que podia e devia.

Se a estes juntarmos o Félix Correia, transferido para o Manchester City, e o Tiago Djaló, a caminho do Lille, vemos que em todos há um denominador comum, o prejuízo do clube que os formou como jogadores, ou seja, o Sporting.

É absolutamente necessário inverter este ciclo de desperdício, porque, em primeiro lugar, não é justo que quem aposta no jovem jogador, não receba a justa contrapartida e, depois, porque, esta é uma fonte de receita, por excelência, do clube.

Alcochete, recuperando a sua excelência formativa, tem de render mais ao Sporting Clube de Portugal, seja nos jogadores que acabam por ascender à primeira equipa, seja naqueles que escolhem outras paragens.

Ver outros enriquecer à nossa custa, seja desportiva, seja financeiramente, é doloroso.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz

publicado às 05:03

Um estilo certo

Rui Gomes, em 13.06.19

Ainda é cedo para fazer um balanço da administração Varandas.

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Do ponto de vista desportivo, no futebol profissional, a época correu acima das expectativas, considerando as adversidades conhecidas do arranque. E não falo só das duas taças; nos sub-23, o Sporting esteve na corrida do título até final e na formação repetiu o título de iniciados, razoável nos juvenis, fraco nos juniores.

Para quem agoirava o colapso no futebol jovem do Sporting, a resposta está aí; restará aos senhores seleccionadores das equipas dos escalões jovens olhar mais para os talentos de Alcochete e menos para o marketing do Seixal, como a recente e prematura eliminação nos sub-20 bem demonstrou.

Será interessante analisar o orçamento para a próxima época, a política de contratações e a gestão financeira, nomeadamente o resgate das VMOC, que tarda e que é crucial para a estabilidade futura da SAD.

O futuro dirá se Varandas esteve à altura e se conseguiu superar os obstáculos externos e internos com que teve, e ainda tem, de se confrontar. Numa coisa acho que já se impôs: no estilo.

Varandas teve o bom senso de fazer duas coisas.

A primeira foi resistir aos clichés do presidente-vedeta, do presidente-providência ou do presidente-omnipresente.

A segunda foi assumir-se tal e qual é, sem subterfúgios, evitando o ridículo de presidentes que leem discursos redigidos por outros ou que vivem a mandar recados, por interpostos assessores de comunicação.

Os protagonistas no Sporting voltaram a ser os jogadores e o treinador; acabaram-se de vez as voltas olímpicas e a bajulação interesseira das claques.

O presidente do Sporting tem intervindo publicamente quando e sempre que é necessário, no seu registo próprio, que não sendo um modelo de oratória tem o mérito de ser genuíno e directo.

Acho que o Sporting só ganha em se demarcar do modelo de dirigismo da concorrência, que criou um ambiente insuportável de peixeirada durante o campeonato transacto e que vive em disputas laterais, que desacreditam o futebol.

Aqui, como noutras coisas, o Sporting é (agora) diferente.

Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record

publicado às 05:04

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 24.05.19

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Carlos Barbosa da Cruz, adepto sportinguista, advogado e comentador desportivo afirmou que... "A péssima qualidade das arbitragens, designadamente as das últimas jornadas, entre outras situações, ensombra o sucesso do Benfica".

Esta e outras considerações disponíveis aqui.

publicado às 04:17

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 12.04.19

 

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"Quanto mais assisto a esta inenarrável regateirice em que se tornou a ponta final do campeonato, em particular pela abordagem que dela fazem os principais candidatos ao título, mais me convenço que, sem sombra de dúvida, o lugar do Sporting no desporto português é fundamental.

O desportivismo e o fair-play foram riscados do léxico do futebol e todas as semanas recrudescem os decibéis do ruído crítico, seja às arbitragens – próprias e dos outros – seja à suspeição pela atitude das equipas que jogam contra os rivais, seja aos dirigentes, numa escalada de violência verbal (por enquanto) verdadeiramente desprestigiante.

Benfica e FC Porto estão a converter o futebol numa imensa zaragata de comadres, num lixo de miséria moral, que nada tem a ver com os valores do desporto.

Custa-me muito que, no meio disto tudo, o Sporting ainda não consiga fazer ouvir a sua voz, mas espero que esteja para breve o momento em que consiga ser campeão, não 'espadeirando' contra tudo e todos, não praticando jogo subterrâneo, mas sim porque foi melhor".

 

Excerto da crónica semanal de Carlos Barbosa da Cruz, no jornal Record

 

publicado às 03:32

Tondela e Sporting

Rui Gomes, em 21.11.18

Os leitores que generosamente se interessam por esta coluna, perguntarão qual o racional deste, aparentemente, estranho título.
 
Explico.
 

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O Tondela tornou público há dias, que vendeu a maioria do capital (80%) da sua SAD, a um grupo internacional, já proprietário do Granada e do Parma.

 
As razões são por de mais cristalinas: o Tondela não tem músculo financeiro para aguentar um projecto sustentável na primeira divisão e, assim sendo, vende as suas acções a quem, alegadamente, o tem.
 
Este é, pragmaticamente, o destino escrito de muitos clubes em Portugal; já aconteceu com o Famalicão, Belenenses e o Estoril, e, muitos outros, na minha opinião, se seguirão.
 
A alienação não é um caminho necessariamente mau, tem é de ser regulamentado.
 
Por duas razões: em primeiro lugar, porque o fenómeno desportivo, atrai capital ligado a actividades ilícitas, desde o branqueamento de capital ao match fixing, e faz-me impressão que, em Portugal, qualquer pessoa possa ser dona de uma SAD.
 
Em segundo lugar, porque já houve clubes que foram no canto da sereia e se entregaram a vendedores de ilusões, com desfechos catastróficos, como foram os casos do Olhanense, do Beira-Mar e do Atlético.
 
Defendo, por isso, que em sede de auto-regulação, se justifica haver uma verificação de idoneidade prévia, de qualquer entidade, que queira investir no futebol profissional.
 
O que tem isto a ver com o Sporting? Muito simples; os sócios do Sporting têm defendido e bem, que o Clube deve manter a maioria do capital da SAD.
 
Só que este legítimo desiderato, comporta uma obrigação: se se veda a outrem o apport de capital à SAD, terão de ser os seus accionistas e, em última análise, os sócios e adeptos do Sporting, quem tem de providenciar pela sua sustentabilidade financeira. Já disse e repito, acabaram os bancos, as entidades públicas e os salvadores da pátria.
 
Trocando por miúdos: o Sporting tem dois desafios financeiros pela frente, a subscrição do empréstimo obrigacionista e a recompra das VMOC; sem os resolver, entrará num ciclo de fragilidade, que pode culminar, com a maior das fragilidades, na perda da maioria da SAD. 
 
O sportinguismo de cada um de nós está à prova. A não ser que queiramos acabar como o Tondela, sem desprimor, claro está.
 
Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record
 
*** O autor, devoto sportinguista, também participou na reunião realizada em Alvalade na segunda-feira, referenciada neste nosso post.
 

publicado às 03:48

Que fazer com a Juve Leo ?

Rui Gomes, em 14.11.18


Este artigo já estava pensado antes da detenção do líder da Juve Leo e as consequentes reflexões não são afectadas por essa circunstância.

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Assisti ao aparecimento, ainda no Estádio antigo, da Juve Leo; foi uma lufada de ar fresco, uma alegria contagiante no apoio à equipa, uma plástica inovadora, abrilhantada com a música dos Vapores do Rego. Nesta, como em muitas outras frentes, o Sporting inovou, foi o primeiro.

Outros comentadores mais abalizados explicarão as razões desportivas, e outras, que conduziram à subversão deste espírito inicial e empurraram a Juve Leo para aquilo que hoje é. Não quero adjectivar, mas quero dizer que nesta história não há inocentes, de agora ou de antes.

Em minha opinião, há coisas que mais vale atalhar do que remediar; o que a Juve Leo fez assume tamanha gravidade que é inaceitável à luz dos valores que devem reger o clube e este não pode deixar-se ficar.

Com todo o respeito, não creio que o assunto se resolva com a proibição de ir no charter da equipa ou no encurtamento do prazo de reembolso dos bilhetes; compreendo a boa intenção, mas viu-se a reacção e esta diz tudo.

O Sporting CP tem, de uma vez por todas, de demarcar-se da Juve Leo; e, se não a pode juridicamente extinguir, pode exercer os seus direitos enquanto entidade promotora do espectáculo desportivo, nomeadamente denunciar com justa causa o protocolo existente, proibir o acesso ao estádio, acabar com as tolerâncias e o apoio financeiro.

Costumo dizer que a Justiça distributiva em Portugal só poderá existir quando houver um governo que não ceda à chantagem dos sindicatos dos professores (os funcionários mais bem pagos de Portugal, na opinião da OCDE); só existirá paz no Sporting no dia em que o clube se livrar da nefasta dependência da Juve Leo.

A argumentação de que tudo é permitido porque esses adeptos é que se sacrificam pelo clube e o apoiam em todo o lado tem limites. Haja alguém que assuma que gente da laia de Fernando Mendes ou de Mustafá não é digna de chefiar uma claque do Sporting, que comportamentos como Alcochete, as tochas em cima de Rui Patrício, as intimidações e agressões, a ordinarice das palavras de ordem não são toleráveis e que, conclusão lógica, a Juve Leo, tal como é hoje, não tem lugar, não encaixa nos valores e práticas do clube.

Se houve, no passado, o rasgo de criar a Juve Leo, haverá que ter agora a clarividência de acabar com ela. Até porque há mais claques e outras podem ser criadas. E haverá sempre, mas sempre, adeptos que apoiem o clube.

 

Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record

 

publicado às 04:18

Castanha seca

Rui Gomes, em 24.10.18

 

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Eu não quero ser descortês nem injusto para com o Luc Castaignos, de alguma forma, o involuntário protagonista da crónica de hoje. Admito que o Luc seja uma jóia de rapaz e um atleta meritório; não duvido um minuto. Da mesma maneira, acho que o Luc não tem quaisquer condições para jogar no Sporting. Se dúvidas houvesse, a performance contra o modesto Loures, encarregou-se de as dissipar.

 
O Luc só joga no Sporting por três razões: nenhuma equipa o quer (o Vitesse mandou-o de volta), o Sporting não o conseguiu colocar e não há outros para jogar. Simplesmente não acho que o Luc seja o principal culpado da situação, antes pelo contrário, ele é mais vítima, porque seguramente dá o seu melhor em cada jogo; a culpa foi de quem o contratou, provavelmente porque foi barato ou tinha um empresário com argumentos persuasivos.
 
E aqui se situa o busílis da questão, na inusitada quantidade de Luc Castaignos desta vida que vão desfilando na equipa do Sporting, sem qualquer contribuição útil, votados a um irremediável anonimato.
 
Veja-se o caso do Doumbia, que, a custo zero (e muito a custo...), rumou para Girona, mas perdendo o Sporting os sete milhões e duzentos mil euros pagos pelo passe. E não falo no Sinama-Pongolle, que ainda me está a atravessado e custou mais do que isso.
 
O rácio de sucesso nas contratações do Sporting tem urgentemente de melhorar, porque por cada Bruno Fernandes e Bas Dost, ainda pesam os Alan Ruiz, Douglas, Shikabalas e quejandos, que não jogam, custam muito dinheiro e massacram os orçamentos. Se não há dinheiro, é indispensável haver mais critério.
 
Eu sei que nos mercados em que o Sporting se move a margem de erro é muito maior e que comprar o Diaby não é bem o mesmo que comprar o Harry Kane, mas impõe-se uma prática de rigor que evite estes erros de 'casting', para os quais o Sporting, por vezes, tem uma propensão recorrente.
 
É que, nesta vizinhança do São Martinho, não há nada mais desolador do que as castanhas secas, às quais nem sequer se consegue tirar a casca.
 
Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record

 

publicado às 03:03

O tempo e o modo

Rui Gomes, em 18.10.18

 

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Estou perfeitamente à vontade no tema, porquanto não fiz parte da estrutura de apoio à candidatura de Frederico Varandas, como de nenhum outro participante. 

 

A partir do momento em que ele foi eleito, com um inequívoco apoio, face à já esperada dispersão de votos, à luz dos mais elementares princípios de coesão, Frederico Varandas passou a ser o presidente do clube e de todos os sportinguistas, quer tenham votado nele ou não.

 

Já escrevi, várias vezes, que o futebol não é política, num clube, não faz sentido, estatutos de situação e oposição. Por respeito à soberania electiva dos sócios, os candidatos deixam de o ser, no dia mesmo do sufrágio.

Tenho para mim que a Frederico Varandas, não podem ser assacadas responsabilidades, no estado de coisas, a que o clube chegou. Presumo ainda, legitimamente, duas coisas.

A primeira, é que o conjunto daquilo que, eufemisticamente, se qualifica de contingências, é vasto, complexo e delicado, e que não se resolve num mês. Não quer isto dizer que se esteja a considerar um estado de graça, quando acabei de referir que futebol não é política, mas nada do que até agora vi feito ou não feito (de igual importância), me parece passível de grande polémica ou discordância.

A segunda, é que, o Presidente do Sporting e a sua equipa, se empenharão com todas as suas capacidades, para resolver as inumeráveis e intrincadas pendências do pós-brunismo.

Devo dizer, que do ponto de vista exclusivamente do estilo, tenho gostado da sua postura discreta, digna e comedida, ao nível da instituição que corporiza e representa. A ribalta voltou a pertencer aos jogadores e ao treinador, acabaram-se os vedetismos usurpados e a normalidade operacional foi reposta.

Conseguirá Frederico Varandas dar conta do recado? Penso que todos os sportinguistas, esperam ardentemente que sim; os que votaram nele, por maioria de razão; os que não votaram, por espírito democrático e porque não faria sentido, nesta altura, pensar de outro modo. Como diria Saramago, não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.

 

Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record

 

publicado às 03:47

Uma questão de literacia

Rui Gomes, em 11.10.18

 

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1. José Calado tinha 56 anos e era, pelos vistos, adepto do Sporting. Morreu assassinado por um adepto do Benfica, de 54 anos, domingo passado, após o jogo com o FC Porto.

 

Desconheço as circunstâncias do homicídio, mas tudo leva a crer que foi o triste desfecho funesto de uma discussão mais acalorada. Não é a discussão que interessa – quem não as teve –, o que impressiona é que, em Portugal, no século XXI, se mate por causa do futebol.

 

Percebo mais a violência que existia no campo, no século passado, por motivo de questões de serventia de águas, indispensáveis para o trabalho agrícola, que alguém tire a vida a outro, numa banal querela de café e por mero delito de opinião.

2. No jogo com o Portimonense, que ainda hoje me custa engolir, uma coisa me entristeceu e incomodou, ainda mais do que o resultado. Havia na claque do Sporting, uma visível tarja a exigir a libertação dos presos preventivos, por motivo da invasão da Academia de Alcochete, em Maio passado.

A exigência é duplamente inexplicável. Em primeiro lugar, porque a detenção preventiva já foi confirmada pelo tribunal da Relação, o que reforça a sua justeza. Em segundo lugar, porque não vislumbro minimamente qual o motivo atendível para libertar pessoas sobre quem impendem fundadas suspeitas da prática de crime violento, cobarde e hediondo pela forma como foi perpetrado e que reúnem todos os pressupostos legalmente estatuídos para esta medida de coação. Que se peça o seu julgamento, ainda compreendo; agora a sua libertação? 

Nestas páginas, sempre tenho defendido a coesão e reconciliação da família sportinguista, sobretudo depois dos cinco anos negros da intolerância do consulado brunista; não sinto, contudo, qualquer tipo de leniência, relativamente aos crimes perpetrados na Academia de Alcochete, que muito me indignam e revoltam enquanto cidadão e sobretudo, enquanto sportinguista. Espero, confiadamente, que a Justiça identifique e puna severamente os responsáveis.

 

Às vezes parece que o futebol é um mundo à parte, onde os valores e princípios normais da vida comum, como o respeito e a sã convivência não vigoram.

Pelos vistos, há ainda muito trabalho a fazer para que o futebol seja encarado e valorado na dimensão que é a sua e que fenómenos como aqueles que hoje referi – e muitos outros infelizmente se poderiam adicionar – sejam erradicados. Os valores do futebol são a vida, a competição e a paz; não o seu contrário.
 
Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record
 

publicado às 04:34

Adormecidos

Rui Gomes, em 04.10.18

 

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Não gosto especialmente de falar sobre o Benfica, nem é a vocação desta coluna. Não posso, contudo, deixar de comentar o actual estado de coisas, até pelo irresistível paralelismo com o passado recente do Sporting: em ambos os casos, os clubes foram capturados por uma visão autocrática e messiânica, que muitas vezes confunde interesses e agendas pessoais, com os das instituições que dizem servir.

 

É paradigma desse estado de alma o desabafo genuíno do presidente do Benfica, num bate-boca a quente - longe dos papéis que alguém lhe escreve - quando diz que vão levar com ele "ainda muitos anos". Apetece perguntar, então aquilo que os benfiquistas decidirem, não conta?

 

Face aos últimos acontecimentos, confesso que estava curioso de saber como iria decorrer esta assembleia geral. Duas coisas me impressionaram. 

A primeira é que o presidente não tenha tido a humildade de pedir desculpa aos sócios pelas embrulhadas em que se meteu o clube; mesmo que rejeite responsabilidades ou proveitos, o certo é que o director jurídico era funcionário e as claques eram apoiadas e o Benfica está nas bocas do mundo e na mira da Justiça.

 

Aliás a gestão desta crise tem sido um singular desastre comunicacional: esta de anunciar a contratação de novos - e excelentes - advogados, como se de um triunfo se tratasse, só tem paralelo no tempo em que a nomeação do Dr. Cunha Leal para secretário-geral da Liga de Clubes, foi publicamente arvorada em grande feito.

Mas o que muito mais me impressionou foi a letargia; estava à espera de uma justificada indignação que confrontasse o presidente - claramente só ele conta - com o conjunto de situações em que o Benfica está envolvido; só que, para além de uns gentis ameaços, nada se passou e Vieira saiu incólume.

Conheço muitos e bons benfiquistas, gente de bem e pessoas sérias e cabe perguntar por onde é que eles andam. É que - e falo por experiência - quando mais tarde reagirem, pior! Então ninguém no Benfica ainda se lembrou de exigir um inquérito interno aos óbvios ilícitos do e-toupeira? Ninguém quer tirar a limpo essa questão das claques? Não há um Conselho Fiscal?

 

Como a história ensina, estes projectos autocráticos acabam sempre por colapsar. A pior consequência, porém, é que enquanto durarem, vão minando o associativismo, que é a seiva que alimenta a grandeza dos clubes. Os sócios do Sporting deram uma grande resposta a 8 de Setembro; fico na expectativa de ver como vão os sócios do Benfica reagir.

 

Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record

 

publicado às 04:02

'No pasa nada'

Rui Gomes, em 27.09.18

 

Não sei como é que vão terminar os vários processos judiciais em que o Benfica está envolvido. Não quero antecipar cenários e muito menos substituir-me a quem tem de valorar e eventualmente punir as condutas que sejam ilícitas e os seus agentes.

 

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Da mesma forma como respeito a competência dos tribunais, não posso ignorar aquilo que os media têm divulgado, nomeadamente um conjunto de comunicações electrónicas não desmentidas, que, a serem verdadeiras – como parece que serão –, revelam um confessado propósito de controlar agentes desportivos, de obter informação a que outros não têm acesso, a antecipar comportamentos.

 

Para além de alguns episódios, que passarão a figurar no anedotário nacional, como seja a oportuna amnésia do presidente – visivelmente restabelecido – ou o fervor religioso do director jurídico, vislumbra-se desde já um aspecto que não pode ser escamoteado e que tem a ver com a vertente disciplinar de todo este acervo de condutas.

Patentemente este jogo de bastidores, prosseguido por uma complexa rede que o Benfica alimentava e protegia, e da qual objectivamente beneficiava – com conhecimento ou não do presidente –, visava obter para o clube inúmeras vantagens ocultas, cujo impacto a nível desportivo deve, por obrigação, ser investigado, em paralelo com os inquéritos criminais.

Como se sabe, o poder disciplinar no futebol compete à Federação Portuguesa de Futebol, que, há tempos, anunciou a abertura de inquérito e por aí se ficou; desde então, têm guardado de Conrart o prudente silêncio.

Eu bem sei que a Federação está escaldada com os desfechos disciplinares mais relevantes, como sejam a anulação judicial das sanções do Apito Dourado, ou a repescagem do Gil Vicente, mas, tout de même, há limites.

Estas trapalhadas do Benfica contêm indícios que apontam para o que pode vir a ser o maior escândalo desportivo de sempre em Portugal, e o mínimo que se espera da entidade federativa é que seja deveras diligente e proactiva no âmbito da tutela, que lhe cabe. As circunstâncias assim o parecem exigir.

A justiça desportiva não tem de andar a reboque, nem ficar à espera da justiça criminal, porque diferentes, em larga parte, são os respectivos pressupostos e objectivos.


A Federação não pode mais pretender que nada se passa.

 

Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record

 

publicado às 03:18

Jogo sujo

Rui Gomes, em 20.09.18

 

Enganam-se aqueles que acham que o Apito Dourado, por via do seu desfecho judicial, foi uma oportunidade perdida de regenerar o futebol português.

 

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Se as condenaçõe de registo foram revertidas, por as escutas terem sido rejeitadas como provas processualmente atendíveis, nem por isso as pessoas deixaram de as ouvir e compreender o seu alcance; por outras palavras, aquela célebre conversa da fruta deixará sempre marcas indeléveis nas pessoas que nelas participaram. Podem não ter sido condenadas judicialmente, mas isso não faz delas gente séria. O veredicto final que a Justiça emite, como lhe compete, relativamente aos ilícitos, não tem necessariamente que ver com a reprovação ética que os mesmos possam merecer.

 

Mutatis mutandis é o que se passa com a teia de trapalhada em que o Benfica se deixou enredar; até aceito que os emails pirateados não possam ser aceites como prova em juízo, incluso admito que esse processo dê em nada, mas isso não preclude uma apreciação ética dos factos, que a cada um é sempre legítimo fazer.

O mínimo que se pode dizer é que esta atracão pelo ‘jogo subterrâneo’ é imprópria de uma instituição respeitável; o jogo dos equívocos, subjacente à não legalização das claques, releva pura arrogância comportamental, própria daqueles que se acham impunes.

Fico espantado (?) que haja ainda quem defende que, como os actos praticados, sobretudo no quadro do processo E-Toupeira, e vertidos na respectiva acusação, não identificam co-autoria da SAD do Benfica, tudo como dantes. Como disse, não sei se o SL Benfica é o campeão da corrupção, a Justiça dirá. Sei sim que, para já, é o campeão do jogo sujo, os emails e demais práticas, são disso, prova insofismável.

Durante ao Apito Dourado era motivo de orgulho do Sporting estar completamente fora do esquema; por essa razão, o insólito caso Cardinal foi tão fora do contexto da cultura do clube, mesmo não envolvendo a SAD. 

 

A normalização institucional do Sporting pressupõe indissociavelmente o regresso aos valores tão esquecidos do fair play. Para isso há que encarar de frente as sequelas do Cashball; esperemos que não tenham quaisquer reflexos para além dos autores materiais eventualmente envolvidos, mas, se tiverem, salvaguardem-se acima de tudo e todos, os valores do clube. Porque nisso – como noutras coisas – queremos continuar a ser diferentes.

 

Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record

 

publicado às 04:32

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