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Dentro ou fora?

Rui Gomes, em 25.11.20

21105016_F4Vcq.pngO registo das claques Juventude Leonina e Directivo Ultras XXI, junto da APCDV, foi definitivamente cancelado, passado que foi um ano sobre a suspensão do mesmo.

Significa isto que tais claques já não são oficialmente consideradas GOA (Grupos Organizados de Adeptos) e, consequentemente, não podem beneficiar de qualquer apoio por parte do Clube.

Face ao comportamento recente destas claques – nunca esquecerei a tocha de fumo negro mandada para cima do coitado do Luís Maximiano, ou o ‘Varandas Out’ em Trondheim – esta decisão da direcção do Sporting foi mais do que justificada.

Com efeito, por força de diversas circunstâncias históricas, o papel de apoio que as claques era suposto desempenharem – e, reconheça-se, no Sporting, faziam-no bem – perverteu-se e transformou-se entretanto em centros de negócios ilícitos, agências de emprego, moços de recados, espaços de conspiração política, instrumentos de intimidação e poderes paralelos.

Deu no que deu.

A actual conjuntura sanitária, que excluiu as assistências no futebol, tem, de algum modo, marginalizado este problema.

Só que, quando voltarem os adeptos ao estádio, haverá que definir o papel destas claques, porque, GOA’s ou não, aquilo que andaram a fazer no passado recente, em Alvalade, é, pura e simplesmente, inadmissível e irrepetível.

Eu acho que compete a estas claques escolher de que lado é que querem ficar, à porta do recinto ou dentro dele. Se optarem pelo segundo, têm, inevitavelmente, de percorrer um longo caminho das pedras, qual seja o de convencer os sportinguistas que são capazes de se regenerar e voltar a ser aquilo para que foram criadas. E, claro, penitenciar-se pelos desmandos cometidos, de que Alcochete foi a página mais negra.

Eu não acredito em insubstituíveis, e se a Juve e o Directivo não quiserem mudar de rumo, outros virão para as substituir. Quem se lembra do que era o grande ambiente de festa, no Alvalade antigo, nos anos oitenta, com a música dos Vapores do Rego e a animação das bandeiras, não pode deixar de sentir muita mágoa por uma coisa tão bonita se ter deixado estragar.

Pessoalmente, gostava de ver a Juve Leo de volta a Alvalade, mas, para tal, tem de mudar de vida, de hábitos e excluir muita gente que se serve dela.

Serão capazes?

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 16:30

Divórcio

Rui Gomes, em 23.11.20

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publicado às 13:00

Ainda... Acima da Lei

Rui Gomes, em 19.11.20

21105016_F4Vcq.pngAquilo que o antigo presidente do IPDJ afirma ter ouvido da boca de altos responsáveis políticos deste nosso país, relativamente ao estatuto do Benfica, a ser verdade, é intolerável num Estado de Direito.

Não sei bem onde é que esta muito triste e lamentável polémica vai terminar, de certeza com acusações mútuas, recriminações, negas categóricas e todo o real cortejo de expedientes que, habitualmente, acompanham estes folhetins do ‘diz que disse’. A bem de todos, até do próprio Benfica, haverá que esclarecer – mais – esta confusão.

Contudo, muito mais do que tudo aquilo que se disse, face aos acontecimentos, importará apurar aquilo que se fez, ou que não se fez.

Como se sabe, o IPDJ tem a competência disciplinar e contraordenacional relativamente a questões de violência no desporto e apoio a grupos organizados de adeptos.

Nessa qualidade, cabe ao IPDJ lidar com o equívoco que o Benfica, ao longo dos anos, tem alimentado e que é o de oficialmente não ter grupos organizados de adeptos registados, mas, na prática, dispensar-lhes todo o apoio possível, prestar-lhes auxílio financeiro e jurídico e, até, aparar os golpes. As interceptações do E-Toupeira podem não servir de prova em juízo, mas são bastante esclarecedoras quanto a esta realidade.

Percebo onde o Benfica quer chegar. Enquanto o Sporting é multado, até por cânticos das suas claques, contra a própria direcção, tudo aquilo que Diabos e NN fazem o SL Benfica assobia para o lado, como se não fosse nada com ele.

Há que tirar a prova dos nove quanto à isenção da conduta do IPDJ neste sombrio rol de acusações e que se resumirá numa auditoria urgente às seguintes interrogações:

– Deixou o IPDJ de abrir qualquer processo, relativamente a incidentes envolvendo as claques ou adeptos do Benfica, ou, abrindo-o, omitiu diligências indispensáveis à normal tramitação e ao apuramento da verdade?

– Nos processos abertos, a duração dos mesmos foi idêntica à da generalidade dos outros processos, ou houve diligências postergadas sem fundamento?

– Beneficiou o Benfica ou quaisquer outros arguidos no processo de tratamento diferente dos restantes casos, nomeadamente a nível de informação?

– A sanção que foi decretada nos processos concluídos é adequada aos ilícitos provados nos mesmos e de acordo com as orientações adoptadas pelo IPDJ em casos idênticos?

Venham as respostas. Urgentes.

publicado às 03:49

Trégua

Rui Gomes, em 12.11.20

21105016_F4Vcq.pngNão sei qual vai ser o desempenho da equipa do Sporting no resto do campeonato. Do que até agora vi, até gostei, mas, como é óbvio, a procissão ainda vai no adro e o andor é pesado.

O que, contudo, já sei e não precisa de benefício algum de prova subsequente é que o projecto corporizado nesta equipa faz sentido na escolha dos jogadores, na postura táctica, na atitude em campo, no discurso do treinador e, last but not least, no custo.

A equipa parece-me preparada para enfrentar os desafios vindouros que se perfilam; a questão que se coloca então é a seguinte: estarão os sportinguistas preparados para dar à equipa o apoio de que ela, como qualquer outra, necessita?

É que, não haja dúvidas, uma equipa só vence se tem por detrás de si uma massa adepta coesa e solidária.

Ora, coesão e solidariedade é tudo o que não tem havido no Sporting CP, dilacerado por permanentes lutas intestinas, que massacram os nossos ouvidos e são permanente foco de desestabilização.

Agora que o Sporting é, finalmente, falado pelos bons motivos, aquilo que proponho é que os sócios e adeptos façam uma trégua, deixem de batalhar entre si e se concentrem-se no apoio à equipa e no sonho de ganhar o campeonato.

Seria criminoso que a carreira do Clube fosse afectada por um mau comportamento dos adeptos, por perturbações institucionais, por declarações públicas, por omissões.

À medida que o Sporting vai, como se espera, acumulando sucesso desportivo é bom que os sportinguistas se capacitem de que os inimigos, bandidos, toupeiras e quejandos estão fora do clube e não dentro.

Tudo vai ser feito para cortar as vasas a esta equipa, como já tivemos um cheirinho no jogo contra o FC Porto. Aos jogadores, caberá dar resposta dentro do campo e estou confiante que o saberão fazer. A nós compete também conseguir estar à altura, esquecer os egos, as agendas, os ressentimentos, os requerimentos e as guerras de alecrim e manjerona e fincar os pés, como retaguarda indestrutível.

É tempo de tréguas, assim haja em cada um de nós o sportinguismo necessário para as fazer. Sobretudo no dia, que se espera distante, em que o Sporting não ganhar.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 04:04

Tesourinho deprimente

Rui Gomes, em 02.11.20

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publicado às 03:32

‘Clear and obvious error’

Rui Gomes, em 22.10.20

21105016_F4Vcq.pngSe os comentadores e especialistas se dividem quanto à existência ou não de uma situação de penálti no lance entre Zaidu e Pote, no final da primeira parte do recente Sporting vs. FC Porto, já a esmagadora maioria considera que a intervenção do vídeo-árbitro, sobre a decisão do árbitro Luís Godinho, foi extemporânea e contrária ao protocolo de intervenção do VAR.

Por todos, vejam-se as desassombradas considerações do ex-árbitro Duarte Gomes no jornal ‘A Bola’ de ontem.

O regulamento do VAR, emitido pelo IFAB (FIFA), fala em “clear and obvious error” (“erro claro e óbvio”) como pressuposto para o desencadeamento fulcral da intervenção do vídeo-árbitro. Tendo em conta que a essência da apreciação da jogada se coloca na “intensidade” do empurrão, porque mão nas costas do jogador do Sporting existe sem sombra de dúvida, o sr. Tiago Martins exorbitou claramente as suas funções.

Mas não foi só ele que errou... O sr. Luís Godinho, árbitro do encontro, após visionar as imagens, por sugestão do VAR, acabou por reverter a grande penalidade assinalada e a expulsão de Zaidu.

Fez mal, porquanto o protocolo do VAR dispõe que a decisão original só deve ser alterada pelo árbitro em caso de erro claro e óbvio, erro esse que o árbitro não poderia nunca ter vislumbrado pelas imagens. Ambos erraram.

E não está em causa uma grande penalidade qualquer, porque, a ser marcada, com toda a probabilidade o FC Porto, a jogar toda a segunda parte com menos um, perderia o jogo e aumentaria o atraso relativamente ao Sporting e ao Benfica.

A gravidade geral da situação justificaria, no mínimo, um esclarecimento do Conselho de Arbitragem. Lembrar-se-ão como o Conselho de Arbitragem da FPF foi deveras pressuroso a esclarecer o que entendia por “fase de ataque”, num golo anulado ao Sporting (é sina!), em Portimão.

Desta vez, singularmente, o que o Conselho de Arbitragem faz é – pasme-se – apresentar queixa ao Conselho de Disciplina da FPF, por causa das declarações de Frederico Varandas após o jogo. Quanto às questões técnicas e a polémica instalada nem uma palavrinha...

Que mau serviço o Conselho de Arbitragem prestou ao futebol português.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

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Reconheço que este é um assunto já muito debatido, mas tendo presente o posicionamento do Sporting CP no futebol português, em contexto, todo e qualquer esforço para ajudar a "purificar o ar" nunca será a mais.

Entretanto, ironicamente, diga-se, em Manchester, onde os tentáculos obscuros de Pinto da Costa não chegam, parece-me que o FC Porto acabou de sofrer na pele uma boa dose da "medicina" que tanto o beneficia em Portugal.

O arruaceiro que lidera a equipa portista não deixou de aproveitar a ocasião para marcar pontos com a arbitragem portuguesa... "Por aquilo que vi aqui hoje, devo um pedido de desculpas a todos os árbitros e VAR do nosso país. Pois se há país competente, pelo menos em relação ao que vi aqui. Não tenho dúvidas...".

Acrescentando ainda: "(...) ao contrário da frustração que senti no campeonato no passado sábado, hoje senti um grande orgulho pelo que vi da equipa".

Não duvidamos da causa dessa frustração, que até teria sido muito mais profunda, caso a benéfica "medicina" não tivesse marcado presença ignóbil na partida.

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Ainda no domínio deste tema, um breve e algo surpreendente excerto da crónica do dia de Octávio Ribeiro, em Record, jornalista que não é conhecido pelo seu amor ao Sporting:

"No domínio dos líderes, Pinto da Costa resolveu entrar de pé em riste sobre os rivais. As chispas sobre Vieira são cíclicas, mas o eterno presidente resolveu disparar também sobre Varandas. Ora Frederico Varandas limitou-se a defender as suas cores, afirmando uma evidência: o lance do penálti revertido no clássico não mereceria igual tratamento se em causa estivessem Benfica ou FC Porto. Varandas até juntou o factor casa. Não parece necessário esse detalhe. Em qualquer estádio deste pequeno burgo, onde se joga cada vez mais pobre futebol, o lance não seria revertido, caso o prejuízo da decisão recaísse sobre Benfica ou FC Porto. Pinto da Costa desafiou Varandas a regressar para a medicina. Ora aí está uma inesperada medalha no peito do jovem presidente dos leões – Pinto da Costa sente perigo com esta liderança do Sporting, eis um dado a reter".

publicado às 03:04

O galinho

Rui Gomes, em 09.09.20

21105016_F4Vcq.pngÉ um sinal de inteligência e maturidade que Sporting e Sp. Braga tenham conseguido chegar a um acordo, relativo ao pagamento da indemnização por cessação do contrato de trabalho de Rúben Amorim.

Parece que se conseguiu acomodar, no entendimento, o essencial das pretensões de ambas as partes, o Sp. Braga de não abdicar das verbas a que contratualmente tinha direito e o Sporting em ter mais tempo para as pagar.

Da mesma forma que me regozijo com o encerrar deste contencioso, não posso deixar de lamentar o desnecessário circo mediático que o Sp. Braga montou a propósito deste tema.

Em primeiro lugar, quando recusou renegociar as condições existentes, face à drástica redução de ingressos e à incerteza dos tempos futuros, decorrente do surto de Covid-19. Intolerância, para mais em tempos de crise, é sempre lamentável. O Sporting conseguiu negociar com todos aqueles a quem devia e os que lhe estavam a dever, só com o Sp. Braga é que não foi possível!

Em segundo lugar, a campanha de vitimização pública desencadeada pelo Sp. Braga, que chegou aos limites da intoxicação informativa, acusando o Sporting de prevaricação sistemática, esquecendo o período de exceção que se vive. Foi uma ação claramente ‘ad odium’, trazendo para a praça pública aquilo que outros, mais sensatos, resolveram sem este estardalhaço.

O Sporting nunca disse que não pagava, outros sim que, face às novas e imprevisíveis condições, precisava de mais prazo para pagar; pena foi que tanta e desnecessária louça se tenha partido pelo caminho.

O presidente do Sp. Braga tem dois problemas, um com o Benfica e outro com o Sporting. Com o Benfica de complacência, com o Sporting de perseguição.

O Sp. Braga quer-se equiparar aos grandes e é respeitável essa ambição, como todas. Porém, para aspirar a essa grandeza, há que saber ter dimensão e comportar-se como tal; neste particular, tem ainda muito tirocínio pela frente, como os factos o demonstram.

Em Barcelos mora o galo, um dos símbolos mais queridos de Portugal. Em Braga, bem perto, mora um galinho.

Artigo de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 11:00

Excesso de faltas

Rui Gomes, em 03.09.20

A Liga publicou recentemente o balanço da temporada ora finda e forneceu estatísticas deveras interessantes, que, de algum modo, ajudam a situar o nível de competitividade do nosso futebol face aos restantes campeonatos.

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A internacionalização das ligas, ou seja, a vendagem dos direitos de transmissão dos jogos para o mercado internacional é cada vez mais uma importante fonte de receita, seguindo o exemplo precursor da liga inglesa. E, aqui, não há fórmulas mágicas; o público só consome jogos onde evoluam as grandes estrelas, ou que sejam competitivos.

Ora, constata-se que, em média de golos, remates, cantos e goleadas, o nosso futebol não desmerece e até está em linha com as ‘big four’, ou seja as ligas espanhola, inglesa, alemã e italiana. Onde é que descolamos? No número de faltas. Em 2019/20, a Liga teve uma média de 32,3 faltas por jogo, bastante acima das supracitadas; a inglesa teve uma média de 21,4, veja-se a distância…

É desnecessário lembrar que as faltas assinaladas mais vezes do que não empastelam a fluidez do jogo, transformando o espetáculo, muitas vezes, num penoso festival do apito. E aqui reside a magna questão. Há faltas em excesso porque os jogadores as cometem ou porque os árbitros as marcam? Sem querer entrar em polémicas do ovo e da galinha, direi que é um misto dos dois.

Há árbitros ‘miudinhos’, que assinalam falta ao mínimo contacto físico, e que acham que a sua autoridade se mede pela frequência com que intervêm. É a prática muito nacional de ‘segurar o jogo’, frequentemente acompanhada com a amostragem extemporânea de cartões.

Mas também há o mau hábito de jogadores cometerem faltas ditas ‘cirúrgicas’, ‘cavarem’ as mesmas, ou teatralizar os respectivos efeitos. Chama-se a isso ‘quebrar o ritmo do adversário’, costume muito arreigado entre nós.

Em 2018, um extenso estudo promovido pelo Observatório do CIES, relativamente a 37 ligas europeias, dava à nossa a dispensável lanterna-vermelha, ou seja, Portugal é o país onde menos tempo útil se joga.

Com este perfil, o nosso futebol não pode ter grandes argumentos de comercialização, por muito que se queira convencer o mercado de que há – porque efectivamente há – jogos interessantes.

Como todos os defeitos estruturais, é um assunto que não pode ser resolvido nem sozinho, nem rápido. Mas, para o qual os intervenientes deviam olhar com preocupação. Porque há remédios.

Artigo de Carlos Barbosa da Cruz, Record

publicado às 03:48

Ser grande

Rui Gomes, em 30.07.20

21105016_F4Vcq.pngO Sporting CP foi grande no futebol mas hoje - e muito me custa reconhecê-lo - já não o é. É absurdo repetir-se todas as épocas o chavão de que o Sporting como um grande do futebol português, compete para ganhar, quando não existem condições para tal. E aqui há três opções.

Viver na ilusão de um milagre, coisa que não se afigura infelizmente provável. Dizer mal do Clube e de quem nele manda, cultura muito sportinguista e que não leva a lado nenhum. Tentar inverter o ciclo da decadência, a síndrome da decepção anual, para recuperar o papel cimeiro que ambicionamos, porventura merecemos, mas que, para já, não desempenhamos.

A falta de coesão é história antiga, fruto de direcções fracas que permitiram a emergência de poderes de facto e de gente que confunde liberdade de expressão com conspiracionismo permanente. O resultado é deveras triste mas real: o Sporting Clube de Portugal não tem condições, nem estabilidade, para poder ser o motor de um projecto ganhador no futebol profissional da actualidade, porque infelizmente os seus sócios não conseguem fornecer o indispensável respaldo.

A falta de estofo financeiro da SAD resulta de um complexo de factores, onde avulta uma gestão pouco rigorosa e, nalguns casos, pouco profissional, dos activos do Clube e da sua projecção desportiva. Casos como o da Doyen e de Mihajlovic, que custaram milhões ao Clube, são disso gritante exemplo.

Não me interpretem mal; o Sporting é grande em valores e princípios, mas para voltar a ser grande no futebol tem de mudar de vida.

Excerto de um texto da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 09:04

Coates

Rui Gomes, em 16.07.20

21105016_F4Vcq.pngTenho, nestas páginas, tecido críticas ao Sebastián Coates, que acusei de negligente na abordagem de alguns lances, sobranceiro em demasia, faltoso, irregular e com uma funesta tendência para enterrar o clube nos momentos mais cruciais.

O novo esquema táctico de Rúben Amorim , poupando Coates a situações de desarme à queima, permite que ele se movimente como último elemento e compense a sua falta de velocidade com experiência e leitura de jogo.

O resultado é uma metamorfose inesperada de exibições a roçar o imaculado, diminuição substancial de cartões, benefício para o colectivo. Olho de Rúben Amorim mas também mérito do Coates, que soube adaptar-se a preceito.

No que me toca, nada me dá mais prazer do que elogiar um jogador do Sporting, mesmo que isso implique dar a mão à palmatória.

Excerto do texto de Carlos Barbosa da Cruz em Record

publicado às 18:00

Acuña

Rui Gomes, em 15.07.20

21105016_F4Vcq.pngJá perdi a conta e a paciência aos excessos disciplinares do Marcos Acuña. No jogo contra o Santa Clara, resolveu pedir satisfações ao seu adversário, depois de uma falta ligeira por ele cometida, e, claro, o árbitro, como todos, particularmente atento às faltas dos jogadores do Sporting, exibiu-lhe o amarelo. A situação era completamente evitável. Com mais este cartão, Acuña falha o jogo contra o FC Porto.

Não está em causa a qualidade e o empenho do Acuña, outrossim a sua estabilidade emocional, coisa que um profissional de futebol tem de saber controlar, e ele, claramente, não sabe, com prejuízo da equipa e de quem lhe paga.

Há dois anos, em Alvalade, o Sporting perdeu para a Liga Europa contra um acessível Villarreal por causa de um destempero do Acuña. Pensei que depois dessa borrada, que levou à eliminação do seu clube, Acuña tinha decidido amadurecer, mas, infelizmente, esse não é o caso.

Espero que a SAD aplique uma multa gigante ao jogador e que venha alguém que o leve, porque recuso essa tolerância que se tem com jogadores ditos de sangue quente. Tenho pena, mas Acuña não inspira confiança para fazer parte de um projecto ganhador, porque o mal de que padece tem um nome: falta de profissionalismo.

Excerto do texto de Carlos Barbosa da Cruz em Record

publicado às 11:00

Frase do dia

Rui Gomes, em 22.05.20

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"Os árbitros vão de barco para a Madeira e levam o tempo que levarem"

Afirmação do advogado e comentador Carlos Barbosa da Cruz, em tom de brincadeira, no programa Liga D'Ouro da CMTV, reagindo à possibilidade de os árbitros terem de viajar com as equipas até à Madeira para os jogos caseiros do Marítimo.

publicado às 04:47

De tanga

Rui Gomes, em 30.04.20

21105016_F4Vcq.pngO FC Porto falhou o reembolso do empréstimo obrigacionista de 35 milhões que tinha contraído, por via de – mais – uma emissão de obrigações. Como é bem óbvio, este default não dá saúde nenhuma às relações dos clubes com o mercado financeiro, o que sobra, porque já foram proscritos dos bancos.

Independentemente do dano reputacional, que também já afectou o Sporting, a questão de fundo que este episódio suscita é o do modelo operacional dos clubes portugueses, que teimam em não ver mais além do seu próprio umbigo, a meias com a sacralização de uns mitos, que conduzirão inexoravelmente o futebol português à penúria.

E nem se pense que o Benfica está fora. Apenas vive a euforia de umas transferências bem sucedidas, mas as falhas estruturais permanecem. Bastou o falhanço do Kransnodar e a manutenção de custos fixos completamente absurdos, para o FC Porto colapsar, como aconteceu no Sporting, com o despesismo demagógico da era Bruno.

Esta vida no proverbial fio da navalha tem um fim anunciado e que é a progressiva perda de competitividade internacional, onde está, como sabemos, o dinheiro.

A Europa do futebol já percebeu que a solução está em abrir os clubes ao investimento externo, de que o paradigma mais bem sucedido é o caso do campeonato inglês.

Em Portugal, a gente do futebol também já percebeu, falta apenas a coragem de alguém dizer que o 'rei vai nu'. Mesmo naquele jogo de sombras em que a gestão do Benfica se transformou, se vislumbra essa preocupação, porquanto, por detrás daquela pretérita OPA, estava a disponibilização subsequente de capital a um ou mais investidores; não é debalde que LFV cita amiúde o exemplo do Lyon.

Prevejo que as circunstâncias ditarão que vai ser o FC Porto o primeiro a dar o passo em frente e outros seguirão, por opção ou necessidade. O timing é essencial, porque há uma grande distância entre a parceria e o resgate.

Carlos Barbosa da Cruz, Record

publicado às 03:18

Comprem jornais desportivos

Rui Gomes, em 22.03.20

21105016_F4Vcq.png

Os jornais desportivos, para a minha geração, constituem um hábito de leitura arreigado. Desde os tempos em que não saíam todos os dias, a informação, a crónica, e até a crítica desportiva era veiculada através dos jornais da especialidade, que nos apressávamos a ir comprar ao quiosque, não fosse esgotar, o que acontecia amiúde, sobretudo após um jogo grande.

Os tempos mudaram muito e, hoje, o fenómeno desportivo já não é apanágio dos jornais temáticos, outrossim adquiriu um estado de globalização informativa absolutamente transversal.

Não só os jornais generalistas dispensam um crescente número de páginas ao desporto, como pululam, sobretudo nas televisões, programas de informação e debate desportivo, em especial do futebol. Há horários em que os canais por cabo mais importantes, todos, incluem painéis de comentadores, onde o futebol é espremido e discutido até ao último centímetro.

Temos hoje mais informação, o que não quer dizer que temos melhor informação.

A nível da crítica e do comentário sou confrontado com coisas que arrepiam. Com efeito, aquilo que deveria ser um simples confronto de opiniões, torna-se frequentemente, numa indecorosa peixeirada, em que tem razão aquele que fala mais alto. E que dizer de pessoas inteligentes, que abdicam da sua independência, para defender cegamente, muitas vezes contra a evidência, o clube da sua eleição?

Esta proliferação canibalizou , de certo modo, os jornais desportivos. Porquê, afinal, pagar por informação que se pode ter de graça?

Este é um raciocínio muito curto de vistas. Porque as melhores fontes, o relato mais fiel, as pessoas mais conhecedoras, a colaboração mais acutilante, a visão mais descomprometida, a abordagem mais séria estão nos jornais desportivos e nos seus sites.

Os jornais desportivos têm sido vítimas deveras injustas desta conjuntura. Vendem-se menos, não porque a sua qualidade tenha diminuído – pelo contrário – mas sim porque o consumidor se satisfaz com o menos.

As coisas são mesmo assim; há muito boa gente que se contenta com a fast food e não vai a restaurantes.

É imperioso manter as vozes livres e abalizadas que são os jornais desportivos, para mais nesta altura, em que não há competições.

Não ceda ao mero mediocratismo, não alinhe por baixo. Mantenha-se informado com qualidade. Compre jornais desportivos, porque eles sabem, melhor que ninguém.

Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record

publicado às 02:17

O Sporting e a arbitragem

Rui Gomes, em 06.02.20

21105016_F4Vcq.pngPaços de Ferreira, em Alvalade, em 2007, num jogo arbitrado por João Ferreira e o avançado Ronny, do Paços, marca um golo com a mão. Toda a gente viu, excepto o árbitro, e o Sporting perdeu o jogo. Nesse ano, o FC Porto ganhou o campeonato, com um ponto de diferença para o Sporting.

Em 2009, o árbitro Lucílio Baptista marcou um penálti a favor do Benfica, numa final da Taça da Liga em que o Sporting estava a ganhar. O castigo, alegadamente, foi induzido pelo quarto árbitro, que estava longe do lance e as imagens vieram a demonstrar que não tinha havido qualquer falta. Mas o que interessa é que nessa altura o Benfica pouco ganhava e Vieira precisava de vencer a competição, para calar a contestação.

Estes exemplos – outros haveria – mostram como, em momentos decisivos, o Sporting tem sido prejudicado em desfavor dos seus rivais.

À excepção do lamentável episódio ‘Cardinal’, na gerência de Godinho Lopes, sempre foi linha de rumo do Sporting não se envolver nos ‘bas-fonds’ da arbitragem; o Clube pode ter muitas falhas, mas não se mete em frutas, em vouchers, missas e outros nomes de código. Achou-se, justamente, que os valores do Clube não permitiam o condicionamento de resultados, porque é disso que se trata.

Amargamente, reconheço hoje que o Sporting não ganhou tantos títulos no futebol, como podia e devia, em parte, porque não trabalhou a arbitragem, ‘if you know what I mean…’

Era óbvio que o senhor Jorge Sousa não tinha serenidade emocional para dirigir um jogo do Sporting, como aliás se verificou. Mas a culpa não será só de quem arbitrou, reparte-a necessariamente com quem o nomeou.

E aqui é muito mais grave, porque não acho que tenha sido simplesmente – mais – uma arbitragem que correu mal.

Ou seja, não foi uma arbitragem à Bruno Paixão, com exibição indiscriminada de cartões; foi uma arbitragem de preconceito contra o Sporting.

E, se o Conselho de Arbitragem da FPF, tão lesto ultimamente em vir a público esclarecer questões, não se pronunciar sobre este caso, arrisca-se a ficar na fotografia tão culpado como o prevaricador.

Texto da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 04:18

Quem manda no futebol ?

Rui Gomes, em 15.08.19

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Fui consultar, no site da FPF, a Plataforma da Transparência, na qual, alegadamente, as SAD deveriam ter dado as informações sobre os detentores do seu capital, mas sem sucesso. Espero que seja uma situação provisória, porque só haverá transparência se a informação for acessível ao público e devidamente escrutinada.

Digo isto porque há situações, a nível do investimento, sobretudo estrangeiro, no futebol que, justamente, deveriam ser esclarecidas; nada tenho contra, sublinhe-se, haver quem aposte nas equipas portuguesas, mas, sobretudo a nível da origem dos capitais e dos seus últimos beneficiários, algumas interrogações estão por responder.

O Futebol Clube de Famalicão tem como accionista maioritário uma sociedade israelita, denominada Quantum Pacific, com ligações também ao Atlético Madrid.

O Tondela está ligado ao Hope Group, que gere igualmente o Granada e o Parma.

O Desportivo das Aves está ligado ao Galaxy Believers, com interesses também no recém-promovido Vilafranquense.

O Portimonense tem como accionista de referência um tal Theodoro Panagopoulos, que por vezes também é Fonseca, envolvido na transferência de Nakajima para o FC Porto, depois de este ter saído, intrigantemente (considerando a sua categoria), para um clube do Médio Oriente.

Tenho vindo a defender que, à semelhança de outros sectores, o futebol deveria ter um organismo de supervisão que escrutinasse, ‘ex ante’, estes investimentos, certificando a sua idoneidade. Na falta desse mecanismo, ao menos que se saiba ao que vêm e de onde vem o dinheiro, sob pena de todas as especulações, algumas delas bastante justificadas.

O mesmo se diga quanto ao Belenenses SAD, para afastar definitivamente o rumor que corre que se trata de fundos ligados à Operação Marquês.

Neste momento, compra posições qualificadas em SAD quem quer e todos sabemos que há muitos lados lunares no futebol.

A credibilidade passa por muitos aspectos (a Casa de Transferências é um deles), mas saber-se quais são os interesses que comandam os clubes é, certamente, elementar.

Há, pois, um longo caminho ainda por percorrer.

Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record

publicado às 04:32

Desperdício

Rui Gomes, em 01.08.19

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O que é que têm em comum jogadores como Bruma, Eric Dier, Merih Demiral e Rafael Leão ?

Todos eles jogam em grandes equipas europeias: Bruma no PSV, Eric Dier no Tottenham, Merih Demiral na Juventus, Rafael Leão no Lille e, ao que tudo indica, a caminho do Milan.

Todos eles passaram pela Academia de Alcochete e, infelizmente, por diversas razões, o Sporting não lucrou com a sua venda aquilo que podia e devia.

Se a estes juntarmos o Félix Correia, transferido para o Manchester City, e o Tiago Djaló, a caminho do Lille, vemos que em todos há um denominador comum, o prejuízo do clube que os formou como jogadores, ou seja, o Sporting.

É absolutamente necessário inverter este ciclo de desperdício, porque, em primeiro lugar, não é justo que quem aposta no jovem jogador, não receba a justa contrapartida e, depois, porque, esta é uma fonte de receita, por excelência, do clube.

Alcochete, recuperando a sua excelência formativa, tem de render mais ao Sporting Clube de Portugal, seja nos jogadores que acabam por ascender à primeira equipa, seja naqueles que escolhem outras paragens.

Ver outros enriquecer à nossa custa, seja desportiva, seja financeiramente, é doloroso.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz

publicado às 05:03

Um estilo certo

Rui Gomes, em 13.06.19

Ainda é cedo para fazer um balanço da administração Varandas.

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Do ponto de vista desportivo, no futebol profissional, a época correu acima das expectativas, considerando as adversidades conhecidas do arranque. E não falo só das duas taças; nos sub-23, o Sporting esteve na corrida do título até final e na formação repetiu o título de iniciados, razoável nos juvenis, fraco nos juniores.

Para quem agoirava o colapso no futebol jovem do Sporting, a resposta está aí; restará aos senhores seleccionadores das equipas dos escalões jovens olhar mais para os talentos de Alcochete e menos para o marketing do Seixal, como a recente e prematura eliminação nos sub-20 bem demonstrou.

Será interessante analisar o orçamento para a próxima época, a política de contratações e a gestão financeira, nomeadamente o resgate das VMOC, que tarda e que é crucial para a estabilidade futura da SAD.

O futuro dirá se Varandas esteve à altura e se conseguiu superar os obstáculos externos e internos com que teve, e ainda tem, de se confrontar. Numa coisa acho que já se impôs: no estilo.

Varandas teve o bom senso de fazer duas coisas.

A primeira foi resistir aos clichés do presidente-vedeta, do presidente-providência ou do presidente-omnipresente.

A segunda foi assumir-se tal e qual é, sem subterfúgios, evitando o ridículo de presidentes que leem discursos redigidos por outros ou que vivem a mandar recados, por interpostos assessores de comunicação.

Os protagonistas no Sporting voltaram a ser os jogadores e o treinador; acabaram-se de vez as voltas olímpicas e a bajulação interesseira das claques.

O presidente do Sporting tem intervindo publicamente quando e sempre que é necessário, no seu registo próprio, que não sendo um modelo de oratória tem o mérito de ser genuíno e directo.

Acho que o Sporting só ganha em se demarcar do modelo de dirigismo da concorrência, que criou um ambiente insuportável de peixeirada durante o campeonato transacto e que vive em disputas laterais, que desacreditam o futebol.

Aqui, como noutras coisas, o Sporting é (agora) diferente.

Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record

publicado às 05:04

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 24.05.19

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Carlos Barbosa da Cruz, adepto sportinguista, advogado e comentador desportivo afirmou que... "A péssima qualidade das arbitragens, designadamente as das últimas jornadas, entre outras situações, ensombra o sucesso do Benfica".

Esta e outras considerações disponíveis aqui.

publicado às 04:17

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 12.04.19

 

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"Quanto mais assisto a esta inenarrável regateirice em que se tornou a ponta final do campeonato, em particular pela abordagem que dela fazem os principais candidatos ao título, mais me convenço que, sem sombra de dúvida, o lugar do Sporting no desporto português é fundamental.

O desportivismo e o fair-play foram riscados do léxico do futebol e todas as semanas recrudescem os decibéis do ruído crítico, seja às arbitragens – próprias e dos outros – seja à suspeição pela atitude das equipas que jogam contra os rivais, seja aos dirigentes, numa escalada de violência verbal (por enquanto) verdadeiramente desprestigiante.

Benfica e FC Porto estão a converter o futebol numa imensa zaragata de comadres, num lixo de miséria moral, que nada tem a ver com os valores do desporto.

Custa-me muito que, no meio disto tudo, o Sporting ainda não consiga fazer ouvir a sua voz, mas espero que esteja para breve o momento em que consiga ser campeão, não 'espadeirando' contra tudo e todos, não praticando jogo subterrâneo, mas sim porque foi melhor".

 

Excerto da crónica semanal de Carlos Barbosa da Cruz, no jornal Record

 

publicado às 03:32

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