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Ronaldo e o Sporting

Rui Gomes, em 05.05.21

21105016_F4Vcq.pngUm jornal italiano noticiou que Ronaldo pretende cumprir o ano que falta ao serviço da Juventus e depois terminar a sua carreira no Sporting.

Se Cristiano Ronaldo estiver disponível para fazer uma ‘perninha’ no Sporting, tenho a certeza que será bem-vindo e acarinhado por todos. Não creio, contudo, nesta fase da trajectória desportiva de Ronaldo, que seja essa a questão relevante.

Não tenho dúvidas que, face ao prestígio mundial que Ronaldo soube granjear, o seu nome a marca CR7 vão perdurar muito para além de abandonar as lides activas. O seu mito vai ser eterno, como em Portugal só aconteceu com Eusébio, mesmo no tempo em que foi maltratado pelo Benfica.

Ronaldo pode ser útil ao Sporting e o Sporting pode ser útil a Ronaldo. Como?

Ronaldo pode trazer ao Sporting a associação com um nome de projecção internacional, como um exemplo de desportista e atleta de topo. Ronaldo pode ainda tornar-se parte integrante do grande projecto do Sporting, para além do nome que já deu à Academia de Alcochete.

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Penso que Ronaldo pode ainda vir a ser accionista de referência da SAD, substituindo, com vantagem, o que hoje existe, emprestando o seu nome e a sua colaboração activa, no desenvolvimento do modelo de formação vigente e no reforço da sua internacionalização.

Como é óbvio, Ronaldo, mesmo retirado, não se esgota no Sporting mas pode o Clube ser um canal de afirmação identitária da sua marca, de articular a excelência da sua dimensão com a excelência de um projecto que já produziu dois lendários Botas de Ouro e fornece regularmente o grosso dos jogadores da Selecção Nacional.

Ronaldo pode vir a estar para o Sporting Clube de Portugal, como Di Stefano para o Real Madrid ou Johan Cruyff para o Ajax, símbolos intemporais, sinais de glória, referências motivacionais. Assim haja o talento e imaginação para encontrar terrenos de interacção, simbioses reciprocamente vantajosas, sem subalternidades.

Alguma coisa me diz que estamos perante um sonho com muito futuro, com muitas coisas boas para ambas as partes.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 04:02

O furriel

Rui Gomes, em 17.03.21

21105016_F4Vcq.pngEm artigo escrito em Record, na semana passada, o presidente da ANTF veio justificar a queixa apresentada contra o Sporting e Rúben Amorim, dizendo que se trata de uma mera questão de legalidade, de aplicação de normas emanadas das entidades que superintendiam o Desporto.

Não posso deixar de sublinhar a hipocrisia subjacente a essas palavras. Já não questiono que a ANTF faça queixas selectivas, porque esse é um juízo ético, que competirá aos associados e ao público em geral fazer.

A questão é que a ANTF acusa o Sporting e Rúben Amorim de fraude à lei, ou seja, de pretenderem alcançar um fim ilícito, através de meios aparentemente lícitos. Os artigos do Regulamento Disciplinar da Liga, alegadamente violados, resultam para o Sporting numa multa moderada e para o treinador, numa pesada suspensão.

Por outras palavras, já não estamos no quadro de uma participação relativa ao eventual cometimento de ilegalidade, outrossim a um processo de intenções, de contornos bem mais rebuscados, já que pressupõe uma articulação dolosa entre os denunciados.

Registando a insensibilidade da ANTF, abrindo a porta a que um treinador possa ficar no desemprego, por via das disposições regulamentares que invocam, há três questões que, em meu entender, definem os limites do caso.

A primeira é que o Sporting CP respeita as exigências legais e tem, no seu quadro, um treinador principal e dois treinadores adjuntos. A segunda é a de que o Sporting organiza a sua actividade conforme bem entende. A terceira é que Rúben Amorim é empregado e faz aquilo que a entidade patronal manda.

Com estes pressupostos, não se vislumbra como pode Rúben Amorim pagar as favas do despeito. Ser treinador de futebol de grau IV em Portugal leva mais tempo do que ser advogado, médico, engenheiro ou outra profissão para que seja exigida formação especial, com uma agravante: só há curso de vez em quando.

A exigência vigente é tão desproporcional quanto os muitos exemplos de treinadores não habilitados e que fizeram trabalho brilhante nas equipas que dirigiram.

A evolução na carreira por tempo de serviço é um conceito muito próprio de uma certa instituição militar e, patentemente, ainda há quem, tendo saído dela, mantenha o essencial da sua mentalidade.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 03:02

O ódio de estimação

Rui Gomes, em 09.03.21

A estória é simples de contar. A ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol) fez queixa ao Conselho de Disciplina da FPF relativamente à contratação, pelo Sporting, do treinador Rúben Amorim, que supostamente não teria na altura o grau exigido para desempenhar tais funções.

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O Conselho de Disciplina da FPF fez baixar a queixa à Comissão de Instrutores da Liga, para abertura do processo. A instrutora Filipa Elias desenvolveu então as diligências que reputou pertinentes para apuramento de eventual ilícito disciplinar e, em função da prova recolhida, resolveu acusar Rúben e o Sporting de fraude. Baseia-se a acusação em três pontos fundamentais.

O primeiro é que Rúben Amorim, embora inscrito como treinador adjunto, é o que recebe mais e tal indicia que afinal é ele o treinador principal.

O segundo é o testemunho do ex-leão Francisco Geraldes que, embora reconhecendo que durante os jogos era o treinador principal Emanuel Ferro quem emitia as instruções aos jogadores, nos treinos e preparação dos encontros era Rúben Amorim quem pontificava.

O terceiro resulta da circunstância de publicamente, o Sporting ter resgatado ao SC Braga o treinador em questão, com a pompa e circunstância de quem era escolhido para liderar o projecto desportivo leonino e não como o adjunto que veio a inscrever. Não vou entrar em pormenores jurídicos, mas há aqui coisas de bradar aos céus.

É extensa a lista de treinadores lusos que, não possuindo o grau IV, assumiram "de facto", o desempenho de treinadores principais, nos últimos anos, sem que a ANTF reagisse desta maneira.O mínimo que se pode dizer é que estamos perante uma óbvia, e diria suspeita, discriminação.

É singular basear a investigação no testemunho de um único jogador, que estava em clara rota de colisão com o clube, que acabou por cedê-lo ao Rio Ave. Não há aqui um patente conflito de interesses? Do vasto plantel de profissionais do Sporting, só se julga útil ouvir um, por acaso alguém convenientemente despeitado.

O Sporting Clube de Portugal, no uso do seu direito constitucional de livre empresa, paga aos seus profissionais como entende e organiza a sua actividade como melhor lhe aprouver e não como a ANTF acha que deve ser.

Eu acho que esta é uma questão laboral e não disciplinar e que mal andou o Conselho de Disciplina da FPF em acarinhar as dores corporativas da classe, se calhar porque desta vez dava jeito.

Cada vez tenho mais saudades do prof. Meirim, e por aqui me fico.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruzem Record

publicado às 16:00

Apreensões em tom de azul

Rui Gomes, em 25.02.21

Numa chuvosa noite de Janeiro de 2002 fui, com amigos, ver o Sporting jogar às Antas, com o FC Porto.

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O meu clube do coração com a contratação de Jardel despontava na classificação e aquecia o coração dos adeptos. O Sporting empatou a dois, embalou para o título, mas acabou aflitivamente o jogo com oito elementos, por força da arbitragem de Martins dos Santos, talvez das mais tendenciosas a que, alguma vez, assisti.

No Verão de 2007, Anderson Polga quer jogar a bola mas, estorvado por um adversário, esta vai parar ao guarda-redes, que a recolhe com a mão. O senhor Pedro Proença (esse mesmo!) assinala um inacreditável atraso intencional, e do livre dentro da área nasce o golo com que o FC Porto derrotou o Sporting.

Em 2012, Cédric está caído na área do Sporting, procura levantar-se e a bola vai bater na sua mão. O sr. Jorge Sousa marcou um penálti clamoroso e o FC Porto ganhou esse jogo.

Estes são alguns exemplos de que me lembro, outros haverá, que ilustram uma realidade incontornável: Antas/Dragão é o estádio de futebol do país onde o Sporting mais tem sido prejudicado.

Não tenho quaisquer angústias sobre o que vai ser a exibição do Sporting no Dragão; à semelhança do que aconteceu na Taça da Liga, vai jogar como nos tem habituado este ano, com muita serenidade e coesão, sofrendo quando tem de sofrer e brilhando quando tem oportunidade. O que me causa apreensões é a arbitragem, por três ordens de razões.

A primeira, é que esta época o nível das arbitragens tem sido preocupantemente baixo. Só de pensar nos nomes dos ilustres Luís Godinho, Fábio Veríssimo e André Narciso, fico compreensivelmente de pé atrás.

A segunda é a questão do quinto árbitro, ou seja, aquele conjunto de pessoas que se senta no banco do FC Porto e, do princípio ao fim, procura audível e porfiadamente condicionar o trabalho dos quatro restantes árbitros; já vi, este ano, muitos cartões mostrados por pressão do quinto árbitro.

A terceira é esta sensação incómoda com que fiquei do jogo de Alvalade que, quando o FC Porto está aflito, há sempre uma mão amiga e providencial que o ampara.

Eu bem me quero convencer que as coisas mudaram, que o presidente do FC Porto já não prodigaliza conselhos matrimoniais e outras coisas que o país conhece, só que este jogo é de crucial importância para o FC Porto – muito mais até do que para o Sporting – e os antecedentes que referi não me ajudam nada a ficar descansado.

Para além das duas equipas, que sei que vão dar o seu máximo, há outra que estará em alto escrutínio: a da arbitragem. Nos dérbis já jogados, houve erros técnicos e disciplinares que influenciaram, de algum modo, o resultado.

Por uma vez, que não prevaleça a tradição e que, por via de uma arbitragem corajosa e competente, ganhe o melhor.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 03:18

Espertezas saloias

Rui Gomes, em 17.02.21

O SL Benfica apresentou uma queixa no Conselho de Disciplina da FPF, relativamente à utilização, pelo Sporting, do jogador João Palhinha, no recente jogo entre ambos. Não está em causa a legitimidade do exercício desse direito.

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O que choca, outros sim, é a explicação dada. Diz o Benfica que essa queixa se destina apenas a esclarecer as regras aplicáveis a castigos de jogadores. Sejamos claros, o Benfica queixou-se na expectativa de uma decisão que lhe traga proveito, máximo, a perda de pontos do Sporting. Por outras palavras, aspira a ganhar na secretaria aquilo que perdeu em campo.

Se a intenção era mesmo a clarificação das regras, esperava tranquilamente o desfecho do processo que, como se sabe, já teve o seu impacto, uma vez que os castigos em processo sumário, a partir desta semana, passam a prever a defesa do atleta visado, coisa que o Conselho de Disciplina, principal responsável deste imbróglio, devia desde a primeira declaração de inconstitucionalidade do art.º 241.º do Regulamento de Disciplina ter implementado.

Ao Benfica não interessa que um cidadão, que por acaso também é profissional de futebol do Sporting, questione a constitucionalidade de uma norma que o discrimina e afecta. Pretende antes, pela calada, puxar a brasa à sua sardinha, sem porém assumir que o faz.

É este tipo de toupeirices que deslustram quem as subscreve e que, infelizmente para o futebol nacional, começam a ter um cariz de recorrência. Haja alguém que lembre que as vitórias não podem ficar a dever-se a convites para a tribuna presidencial, a cedências de jogadores a preço de saldo a clubes que competem no mesmo campeonato, a coscuvilhar no Citius. Mesmo que a Justiça absolva, fica a mácula ética de estratagemas que não estão ao nível de quem se gaba de estar dez anos à frente.

À luz dos preceitos vigentes em sede de justiça desportiva, João Palhinha conduziu a sua pretensão em estrita conformidade com o que a lei determina. Pode o TAD rejeitar o recurso com a consequência de o atleta cumprir o castigo que o CD lhe aplicou, ou pode julgá-lo procedente e o processo baixar de novo ao CD que, neste caso, tem competência para reiniciar a tramitação sancionatória, desejavelmente com respeito pelo contraditório.

Estes são todos os cenários possíveis, mas às vezes, no futebol, há penáltis que ninguém compreende.

Para mim, o Sporting ganhou justamente dentro das quatro linhas. Quem quiser contestar esta singela verdade desportiva e acalente esperanças de algum benefício administrativo que fique com a sua. Agora, em matéria de desportivismo, estamos conversados, qualquer que seja o desfecho.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 12:45

Por um canudo

Rui Gomes, em 28.01.21

21105016_F4Vcq.pngAntónio Salvador é um daqueles dirigentes providencialistas, que, à semelhança de outros, se acha insubstituível. Só assim se explica que, estando à frente do Sp. Braga vai para 18 anos, se apresente a novo mandato.

O que achei totalmente descabido foram as declarações de Salvador no final do jogo (Taça da Liga), mesmo descontando o eleitoralismo e alguma azia. Medir a grandeza do Sp. Braga pela efusividade dos festejos dos atletas do Sporting é das atitudes mais patéticas a que me foi dado assistir nos últimos tempos.

A glória do Sp. Braga tem de afirmar-se com os títulos que ganha e não com os que perde. Para se saber ganhar é preciso, primeiro, saber perder. E não é com este tipo de atitudes que o nome do Sp. Braga se engrandece.

Eu sei que custa muito perder contra uma equipa com três jogadores em idade de júnior e uma boa dose de inexperiência, mas, que tipo de dirigentes são estes que nem sequer dão os parabéns ao vencedor?

Pela amostra, há ainda um longo caminho a percorrer pelo Sp. Braga. Porque não basta querer ser grande, é preciso saber sê-lo.

Excerto da crónica semanal de Carlos Barbosa da Cruz, em Record.

publicado às 03:32

O banco do FC Porto

Rui Gomes, em 22.01.21

21105016_F4Vcq.pngProvavelmente, ele esteve sempre lá, só que, com o normal barulho da multidão, passava muito mais despercebido, salvo uma ou outra acção disciplinar. Agora com o silêncio da Covid, esta singular realidade aparece em todo o seu esplendor, acessível ao ouvido, mesmo pouco atento, do telespectador, porque tal é a intensidade dos seus decibéis, que dificilmente passa despercebida.

E não é só a expressão verbal, é também a coreografia que os seus membros ensaiam, cada vez que se levantam do banco e pretendem exteriorizar o seu desagrado. É um movimento colectivo e sincrónico, que culmina com gestos dirigidos contra o motivo da sua frustração, normalmente a equipa de arbitragem, mas também jogadores adversários. A agressividade imanente de gestos e palavras só tem paralelo nas danças guerreiras do ‘Haka’, que os raguebistas neozelandeses exibem antes dos seus jogos.

Ironia à parte, esta prática recorrente do banco do Porto, que inclui sem distinção todos os seus elementos integrantes, desde o treinador, adjuntos, delegado, médico, massagista, roupeiro e suplentes, é preocupante. Porque não se trata da expressão genuína, se bem que descontrolada, de emoções, outrossim um premeditado exercício de constrangimento e intimidação, dirigido sobretudo à equipa de arbitragem.

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Na prática, é como se houvesse uma equipa paralela de arbitragem, que procura comandar todas as decisões de fora para dentro e que tem o seu clímax quando exige cartões ou nos momentos em que o árbitro de campo visiona o monitor, por indicação do VAR.

Deve ser realmente penoso, para qualquer árbitro, estar a levar com aquela matraca o jogo todo, que reclama por tudo e por nada e, claro está, não poupa nos coloridos mimos verbais que agora vamos ouvindo.

Estarão longe as peitadas do Jorge Costa no António Rola, ou a perseguição do Paulinho Santos a José Prata, mas o espírito, esse, está presente e é o mesmo, ou seja condicionar os árbitros.

E faz bem parte desta mise-en-scène a vitimização, quando qualquer árbitro, exasperado, os admoesta ou expulsa, e que até dá jeito como manobra de diversão quando a equipa não ganha.

O banco do Porto há muito que deixou de ser uma questão disciplinar, porque, à imagem do seu treinador, é sobretudo uma questão de falta de fair play, e para isso não há cartões.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 02:33

92 por cento

Rui Gomes, em 23.12.20

21105016_F4Vcq.pngJosé Fontelas Gomes foi vice-presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) de 2009 a 2012 e presidente entre 2013 e 2016. Da APAF transitou então para o Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), onde já vai no segundo mandato ininterrupto.

José Fontelas Gomes não foi um árbitro de nomeada, não passando da terceira categoria no futebol de onze, tendo-se dedicado mais ao futebol de praia. A notoriedade que não conseguiu como árbitro, compensou com o dirigismo corporativo, que domina há mais de dez anos.

É necessário conhecer os meandros deste percurso para perceber uma coisa óbvia: mais do que presidente da arbitragem, Fontelas Gomes é, sobretudo, o presidente dos árbitros.

Entre as duas coisas há, como é óbvio, um mundo de diferenças.

Só assim é possível compreender o tom de auto-elogio global que imprimiu num balanço da actividade do Conselho de Arbitragem, que fez em entrevista num jornal concorrente.

Para ele, a arbitragem nacional está muito bem e recomenda-se, não há jarra, há gestão e, sobretudo, agita a bandeira da quase infalibilidade do VAR, cujas decisões, em 92 por cento dos casos, "repuseram a verdade desportiva".

Tenho pena de que essa contabilidade não venha acompanhada da identificação dos 8 por cento dos casos, onde, alegadamente o VAR errou, para podermos conferir.

Tenho ainda muito mais pena de que questões candentes, como as diversas interpretações que os VAR fazem do protocolo que legitima a sua intervenção no jogo, não tenham sido abordadas.

Porque já vimos um bom número de situações em que o VAR intervém, sem ter de o fazer e precisamente o oposto, quando o VAR não intervém, devendo fazê-lo.

É mesmo esta oscilação de critérios pessoais, de VAR para VAR, que, a meu ver, os está a desqualificar como recurso credível.

Se contabilizarmos os (muitos) casos em que o VAR assobiou para o lado (João Mário, Famalicão, remember?), essa percentagem seria substancialmente inferior. A omissão, nestes casos, atentou contra a verdade desportiva.

Esta deveras insólita política de doirar a pílula da arbitragem para defender os seus pares, ignorando os problemas que estão à vista, mostra que temos mais um presidente da APAF em comissão de serviço na CA, do que o dirigente que o sector precisa.

E, aparentemente, está para ficar.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 12:00

Cartão de adepto

Rui Gomes, em 16.12.20

21105016_F4Vcq.pngA publicação da Portaria n.º 155/2020, de 26 de Junho, veio dar corpo a um conjunto de medidas que pretendem combater actos de violência, racismo e xenofobia nos recintos desportivos.

Consequentemente, os promotores de espectáculos desportivos podem criar zonas nos estádios com condições especiais de acesso e permanência de adeptos (ZCEAP), que só poderão ser ocupadas por portadores de cartão de adepto, os quais têm obrigatoriamente de se identificar na aquisição do seu título de ingresso e, claro, quando queiram ir assistir ao jogo.

Estas regras permitirão não só a identificação de quem quer aceder às tais ZCEAP, como possibilita que o promotor não venha a vender bilhetes a pessoas relativamente às quais tenha fundadas suspeitas de que possa praticar actos proibidos por lei.

Com as restrições decorrentes da pandemia Covid-19, ainda não houve oportunidade de implementar estas novas práticas, mas, com a desejada reabertura das portas dos estádios, os adeptos e, em particular, as claques terão de se adaptar a este modelo.

Os clubes que quiserem possuem agora os meios para demarcar os espaços nos quais os seus grupos organizados de adeptos e outros podem evoluir e controlar, através do cartão do adepto, a quem é permitido o acesso e permanência.

Espero, em consequência, que não se repitam episódios que muito me envergonharam como sócio do Sporting CP, de arremesso de tochas e artefactos pirotécnicos, contra os próprios jogadores do clube, a partir da curva sul, arvorada em autêntico teatro de guerra.

Fica claro que, aquele sócio a quem não é facultado o ingresso na ZCEAP pode ir ver o jogo noutro sítio, desde que compre bilhete.

Este artigo não será decerto dos mais exaltantes que tenho escrito nesta coluna, que ocupo por gentileza dos directores de Record, há mais de dez anos.

Achei, contudo, muito útil efectuar esta divulgação. Para que, quem anda mais arredado destas lides, compreenda certos nervosismos e declarações contundentes, por parte de quem se arrisca, e bem, a ficar à porta do estádio.

Texto da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 04:18

Dentro ou fora?

Rui Gomes, em 25.11.20

21105016_F4Vcq.pngO registo das claques Juventude Leonina e Directivo Ultras XXI, junto da APCDV, foi definitivamente cancelado, passado que foi um ano sobre a suspensão do mesmo.

Significa isto que tais claques já não são oficialmente consideradas GOA (Grupos Organizados de Adeptos) e, consequentemente, não podem beneficiar de qualquer apoio por parte do Clube.

Face ao comportamento recente destas claques – nunca esquecerei a tocha de fumo negro mandada para cima do coitado do Luís Maximiano, ou o ‘Varandas Out’ em Trondheim – esta decisão da direcção do Sporting foi mais do que justificada.

Com efeito, por força de diversas circunstâncias históricas, o papel de apoio que as claques era suposto desempenharem – e, reconheça-se, no Sporting, faziam-no bem – perverteu-se e transformou-se entretanto em centros de negócios ilícitos, agências de emprego, moços de recados, espaços de conspiração política, instrumentos de intimidação e poderes paralelos.

Deu no que deu.

A actual conjuntura sanitária, que excluiu as assistências no futebol, tem, de algum modo, marginalizado este problema.

Só que, quando voltarem os adeptos ao estádio, haverá que definir o papel destas claques, porque, GOA’s ou não, aquilo que andaram a fazer no passado recente, em Alvalade, é, pura e simplesmente, inadmissível e irrepetível.

Eu acho que compete a estas claques escolher de que lado é que querem ficar, à porta do recinto ou dentro dele. Se optarem pelo segundo, têm, inevitavelmente, de percorrer um longo caminho das pedras, qual seja o de convencer os sportinguistas que são capazes de se regenerar e voltar a ser aquilo para que foram criadas. E, claro, penitenciar-se pelos desmandos cometidos, de que Alcochete foi a página mais negra.

Eu não acredito em insubstituíveis, e se a Juve e o Directivo não quiserem mudar de rumo, outros virão para as substituir. Quem se lembra do que era o grande ambiente de festa, no Alvalade antigo, nos anos oitenta, com a música dos Vapores do Rego e a animação das bandeiras, não pode deixar de sentir muita mágoa por uma coisa tão bonita se ter deixado estragar.

Pessoalmente, gostava de ver a Juve Leo de volta a Alvalade, mas, para tal, tem de mudar de vida, de hábitos e excluir muita gente que se serve dela.

Serão capazes?

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 16:30

Divórcio

Rui Gomes, em 23.11.20

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publicado às 13:00

Ainda... Acima da Lei

Rui Gomes, em 19.11.20

21105016_F4Vcq.pngAquilo que o antigo presidente do IPDJ afirma ter ouvido da boca de altos responsáveis políticos deste nosso país, relativamente ao estatuto do Benfica, a ser verdade, é intolerável num Estado de Direito.

Não sei bem onde é que esta muito triste e lamentável polémica vai terminar, de certeza com acusações mútuas, recriminações, negas categóricas e todo o real cortejo de expedientes que, habitualmente, acompanham estes folhetins do ‘diz que disse’. A bem de todos, até do próprio Benfica, haverá que esclarecer – mais – esta confusão.

Contudo, muito mais do que tudo aquilo que se disse, face aos acontecimentos, importará apurar aquilo que se fez, ou que não se fez.

Como se sabe, o IPDJ tem a competência disciplinar e contraordenacional relativamente a questões de violência no desporto e apoio a grupos organizados de adeptos.

Nessa qualidade, cabe ao IPDJ lidar com o equívoco que o Benfica, ao longo dos anos, tem alimentado e que é o de oficialmente não ter grupos organizados de adeptos registados, mas, na prática, dispensar-lhes todo o apoio possível, prestar-lhes auxílio financeiro e jurídico e, até, aparar os golpes. As interceptações do E-Toupeira podem não servir de prova em juízo, mas são bastante esclarecedoras quanto a esta realidade.

Percebo onde o Benfica quer chegar. Enquanto o Sporting é multado, até por cânticos das suas claques, contra a própria direcção, tudo aquilo que Diabos e NN fazem o SL Benfica assobia para o lado, como se não fosse nada com ele.

Há que tirar a prova dos nove quanto à isenção da conduta do IPDJ neste sombrio rol de acusações e que se resumirá numa auditoria urgente às seguintes interrogações:

– Deixou o IPDJ de abrir qualquer processo, relativamente a incidentes envolvendo as claques ou adeptos do Benfica, ou, abrindo-o, omitiu diligências indispensáveis à normal tramitação e ao apuramento da verdade?

– Nos processos abertos, a duração dos mesmos foi idêntica à da generalidade dos outros processos, ou houve diligências postergadas sem fundamento?

– Beneficiou o Benfica ou quaisquer outros arguidos no processo de tratamento diferente dos restantes casos, nomeadamente a nível de informação?

– A sanção que foi decretada nos processos concluídos é adequada aos ilícitos provados nos mesmos e de acordo com as orientações adoptadas pelo IPDJ em casos idênticos?

Venham as respostas. Urgentes.

publicado às 03:49

Trégua

Rui Gomes, em 12.11.20

21105016_F4Vcq.pngNão sei qual vai ser o desempenho da equipa do Sporting no resto do campeonato. Do que até agora vi, até gostei, mas, como é óbvio, a procissão ainda vai no adro e o andor é pesado.

O que, contudo, já sei e não precisa de benefício algum de prova subsequente é que o projecto corporizado nesta equipa faz sentido na escolha dos jogadores, na postura táctica, na atitude em campo, no discurso do treinador e, last but not least, no custo.

A equipa parece-me preparada para enfrentar os desafios vindouros que se perfilam; a questão que se coloca então é a seguinte: estarão os sportinguistas preparados para dar à equipa o apoio de que ela, como qualquer outra, necessita?

É que, não haja dúvidas, uma equipa só vence se tem por detrás de si uma massa adepta coesa e solidária.

Ora, coesão e solidariedade é tudo o que não tem havido no Sporting CP, dilacerado por permanentes lutas intestinas, que massacram os nossos ouvidos e são permanente foco de desestabilização.

Agora que o Sporting é, finalmente, falado pelos bons motivos, aquilo que proponho é que os sócios e adeptos façam uma trégua, deixem de batalhar entre si e se concentrem-se no apoio à equipa e no sonho de ganhar o campeonato.

Seria criminoso que a carreira do Clube fosse afectada por um mau comportamento dos adeptos, por perturbações institucionais, por declarações públicas, por omissões.

À medida que o Sporting vai, como se espera, acumulando sucesso desportivo é bom que os sportinguistas se capacitem de que os inimigos, bandidos, toupeiras e quejandos estão fora do clube e não dentro.

Tudo vai ser feito para cortar as vasas a esta equipa, como já tivemos um cheirinho no jogo contra o FC Porto. Aos jogadores, caberá dar resposta dentro do campo e estou confiante que o saberão fazer. A nós compete também conseguir estar à altura, esquecer os egos, as agendas, os ressentimentos, os requerimentos e as guerras de alecrim e manjerona e fincar os pés, como retaguarda indestrutível.

É tempo de tréguas, assim haja em cada um de nós o sportinguismo necessário para as fazer. Sobretudo no dia, que se espera distante, em que o Sporting não ganhar.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 04:04

Tesourinho deprimente

Rui Gomes, em 02.11.20

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publicado às 03:32

‘Clear and obvious error’

Rui Gomes, em 22.10.20

21105016_F4Vcq.pngSe os comentadores e especialistas se dividem quanto à existência ou não de uma situação de penálti no lance entre Zaidu e Pote, no final da primeira parte do recente Sporting vs. FC Porto, já a esmagadora maioria considera que a intervenção do vídeo-árbitro, sobre a decisão do árbitro Luís Godinho, foi extemporânea e contrária ao protocolo de intervenção do VAR.

Por todos, vejam-se as desassombradas considerações do ex-árbitro Duarte Gomes no jornal ‘A Bola’ de ontem.

O regulamento do VAR, emitido pelo IFAB (FIFA), fala em “clear and obvious error” (“erro claro e óbvio”) como pressuposto para o desencadeamento fulcral da intervenção do vídeo-árbitro. Tendo em conta que a essência da apreciação da jogada se coloca na “intensidade” do empurrão, porque mão nas costas do jogador do Sporting existe sem sombra de dúvida, o sr. Tiago Martins exorbitou claramente as suas funções.

Mas não foi só ele que errou... O sr. Luís Godinho, árbitro do encontro, após visionar as imagens, por sugestão do VAR, acabou por reverter a grande penalidade assinalada e a expulsão de Zaidu.

Fez mal, porquanto o protocolo do VAR dispõe que a decisão original só deve ser alterada pelo árbitro em caso de erro claro e óbvio, erro esse que o árbitro não poderia nunca ter vislumbrado pelas imagens. Ambos erraram.

E não está em causa uma grande penalidade qualquer, porque, a ser marcada, com toda a probabilidade o FC Porto, a jogar toda a segunda parte com menos um, perderia o jogo e aumentaria o atraso relativamente ao Sporting e ao Benfica.

A gravidade geral da situação justificaria, no mínimo, um esclarecimento do Conselho de Arbitragem. Lembrar-se-ão como o Conselho de Arbitragem da FPF foi deveras pressuroso a esclarecer o que entendia por “fase de ataque”, num golo anulado ao Sporting (é sina!), em Portimão.

Desta vez, singularmente, o que o Conselho de Arbitragem faz é – pasme-se – apresentar queixa ao Conselho de Disciplina da FPF, por causa das declarações de Frederico Varandas após o jogo. Quanto às questões técnicas e a polémica instalada nem uma palavrinha...

Que mau serviço o Conselho de Arbitragem prestou ao futebol português.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

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Reconheço que este é um assunto já muito debatido, mas tendo presente o posicionamento do Sporting CP no futebol português, em contexto, todo e qualquer esforço para ajudar a "purificar o ar" nunca será a mais.

Entretanto, ironicamente, diga-se, em Manchester, onde os tentáculos obscuros de Pinto da Costa não chegam, parece-me que o FC Porto acabou de sofrer na pele uma boa dose da "medicina" que tanto o beneficia em Portugal.

O arruaceiro que lidera a equipa portista não deixou de aproveitar a ocasião para marcar pontos com a arbitragem portuguesa... "Por aquilo que vi aqui hoje, devo um pedido de desculpas a todos os árbitros e VAR do nosso país. Pois se há país competente, pelo menos em relação ao que vi aqui. Não tenho dúvidas...".

Acrescentando ainda: "(...) ao contrário da frustração que senti no campeonato no passado sábado, hoje senti um grande orgulho pelo que vi da equipa".

Não duvidamos da causa dessa frustração, que até teria sido muito mais profunda, caso a benéfica "medicina" não tivesse marcado presença ignóbil na partida.

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Ainda no domínio deste tema, um breve e algo surpreendente excerto da crónica do dia de Octávio Ribeiro, em Record, jornalista que não é conhecido pelo seu amor ao Sporting:

"No domínio dos líderes, Pinto da Costa resolveu entrar de pé em riste sobre os rivais. As chispas sobre Vieira são cíclicas, mas o eterno presidente resolveu disparar também sobre Varandas. Ora Frederico Varandas limitou-se a defender as suas cores, afirmando uma evidência: o lance do penálti revertido no clássico não mereceria igual tratamento se em causa estivessem Benfica ou FC Porto. Varandas até juntou o factor casa. Não parece necessário esse detalhe. Em qualquer estádio deste pequeno burgo, onde se joga cada vez mais pobre futebol, o lance não seria revertido, caso o prejuízo da decisão recaísse sobre Benfica ou FC Porto. Pinto da Costa desafiou Varandas a regressar para a medicina. Ora aí está uma inesperada medalha no peito do jovem presidente dos leões – Pinto da Costa sente perigo com esta liderança do Sporting, eis um dado a reter".

publicado às 03:04

O galinho

Rui Gomes, em 09.09.20

21105016_F4Vcq.pngÉ um sinal de inteligência e maturidade que Sporting e Sp. Braga tenham conseguido chegar a um acordo, relativo ao pagamento da indemnização por cessação do contrato de trabalho de Rúben Amorim.

Parece que se conseguiu acomodar, no entendimento, o essencial das pretensões de ambas as partes, o Sp. Braga de não abdicar das verbas a que contratualmente tinha direito e o Sporting em ter mais tempo para as pagar.

Da mesma forma que me regozijo com o encerrar deste contencioso, não posso deixar de lamentar o desnecessário circo mediático que o Sp. Braga montou a propósito deste tema.

Em primeiro lugar, quando recusou renegociar as condições existentes, face à drástica redução de ingressos e à incerteza dos tempos futuros, decorrente do surto de Covid-19. Intolerância, para mais em tempos de crise, é sempre lamentável. O Sporting conseguiu negociar com todos aqueles a quem devia e os que lhe estavam a dever, só com o Sp. Braga é que não foi possível!

Em segundo lugar, a campanha de vitimização pública desencadeada pelo Sp. Braga, que chegou aos limites da intoxicação informativa, acusando o Sporting de prevaricação sistemática, esquecendo o período de exceção que se vive. Foi uma ação claramente ‘ad odium’, trazendo para a praça pública aquilo que outros, mais sensatos, resolveram sem este estardalhaço.

O Sporting nunca disse que não pagava, outros sim que, face às novas e imprevisíveis condições, precisava de mais prazo para pagar; pena foi que tanta e desnecessária louça se tenha partido pelo caminho.

O presidente do Sp. Braga tem dois problemas, um com o Benfica e outro com o Sporting. Com o Benfica de complacência, com o Sporting de perseguição.

O Sp. Braga quer-se equiparar aos grandes e é respeitável essa ambição, como todas. Porém, para aspirar a essa grandeza, há que saber ter dimensão e comportar-se como tal; neste particular, tem ainda muito tirocínio pela frente, como os factos o demonstram.

Em Barcelos mora o galo, um dos símbolos mais queridos de Portugal. Em Braga, bem perto, mora um galinho.

Artigo de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 11:00

Excesso de faltas

Rui Gomes, em 03.09.20

A Liga publicou recentemente o balanço da temporada ora finda e forneceu estatísticas deveras interessantes, que, de algum modo, ajudam a situar o nível de competitividade do nosso futebol face aos restantes campeonatos.

21105016_F4Vcq.png

A internacionalização das ligas, ou seja, a vendagem dos direitos de transmissão dos jogos para o mercado internacional é cada vez mais uma importante fonte de receita, seguindo o exemplo precursor da liga inglesa. E, aqui, não há fórmulas mágicas; o público só consome jogos onde evoluam as grandes estrelas, ou que sejam competitivos.

Ora, constata-se que, em média de golos, remates, cantos e goleadas, o nosso futebol não desmerece e até está em linha com as ‘big four’, ou seja as ligas espanhola, inglesa, alemã e italiana. Onde é que descolamos? No número de faltas. Em 2019/20, a Liga teve uma média de 32,3 faltas por jogo, bastante acima das supracitadas; a inglesa teve uma média de 21,4, veja-se a distância…

É desnecessário lembrar que as faltas assinaladas mais vezes do que não empastelam a fluidez do jogo, transformando o espetáculo, muitas vezes, num penoso festival do apito. E aqui reside a magna questão. Há faltas em excesso porque os jogadores as cometem ou porque os árbitros as marcam? Sem querer entrar em polémicas do ovo e da galinha, direi que é um misto dos dois.

Há árbitros ‘miudinhos’, que assinalam falta ao mínimo contacto físico, e que acham que a sua autoridade se mede pela frequência com que intervêm. É a prática muito nacional de ‘segurar o jogo’, frequentemente acompanhada com a amostragem extemporânea de cartões.

Mas também há o mau hábito de jogadores cometerem faltas ditas ‘cirúrgicas’, ‘cavarem’ as mesmas, ou teatralizar os respectivos efeitos. Chama-se a isso ‘quebrar o ritmo do adversário’, costume muito arreigado entre nós.

Em 2018, um extenso estudo promovido pelo Observatório do CIES, relativamente a 37 ligas europeias, dava à nossa a dispensável lanterna-vermelha, ou seja, Portugal é o país onde menos tempo útil se joga.

Com este perfil, o nosso futebol não pode ter grandes argumentos de comercialização, por muito que se queira convencer o mercado de que há – porque efectivamente há – jogos interessantes.

Como todos os defeitos estruturais, é um assunto que não pode ser resolvido nem sozinho, nem rápido. Mas, para o qual os intervenientes deviam olhar com preocupação. Porque há remédios.

Artigo de Carlos Barbosa da Cruz, Record

publicado às 03:48

Ser grande

Rui Gomes, em 30.07.20

21105016_F4Vcq.pngO Sporting CP foi grande no futebol mas hoje - e muito me custa reconhecê-lo - já não o é. É absurdo repetir-se todas as épocas o chavão de que o Sporting como um grande do futebol português, compete para ganhar, quando não existem condições para tal. E aqui há três opções.

Viver na ilusão de um milagre, coisa que não se afigura infelizmente provável. Dizer mal do Clube e de quem nele manda, cultura muito sportinguista e que não leva a lado nenhum. Tentar inverter o ciclo da decadência, a síndrome da decepção anual, para recuperar o papel cimeiro que ambicionamos, porventura merecemos, mas que, para já, não desempenhamos.

A falta de coesão é história antiga, fruto de direcções fracas que permitiram a emergência de poderes de facto e de gente que confunde liberdade de expressão com conspiracionismo permanente. O resultado é deveras triste mas real: o Sporting Clube de Portugal não tem condições, nem estabilidade, para poder ser o motor de um projecto ganhador no futebol profissional da actualidade, porque infelizmente os seus sócios não conseguem fornecer o indispensável respaldo.

A falta de estofo financeiro da SAD resulta de um complexo de factores, onde avulta uma gestão pouco rigorosa e, nalguns casos, pouco profissional, dos activos do Clube e da sua projecção desportiva. Casos como o da Doyen e de Mihajlovic, que custaram milhões ao Clube, são disso gritante exemplo.

Não me interpretem mal; o Sporting é grande em valores e princípios, mas para voltar a ser grande no futebol tem de mudar de vida.

Excerto de um texto da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 09:04

Coates

Rui Gomes, em 16.07.20

21105016_F4Vcq.pngTenho, nestas páginas, tecido críticas ao Sebastián Coates, que acusei de negligente na abordagem de alguns lances, sobranceiro em demasia, faltoso, irregular e com uma funesta tendência para enterrar o clube nos momentos mais cruciais.

O novo esquema táctico de Rúben Amorim , poupando Coates a situações de desarme à queima, permite que ele se movimente como último elemento e compense a sua falta de velocidade com experiência e leitura de jogo.

O resultado é uma metamorfose inesperada de exibições a roçar o imaculado, diminuição substancial de cartões, benefício para o colectivo. Olho de Rúben Amorim mas também mérito do Coates, que soube adaptar-se a preceito.

No que me toca, nada me dá mais prazer do que elogiar um jogador do Sporting, mesmo que isso implique dar a mão à palmatória.

Excerto do texto de Carlos Barbosa da Cruz em Record

publicado às 18:00

Acuña

Rui Gomes, em 15.07.20

21105016_F4Vcq.pngJá perdi a conta e a paciência aos excessos disciplinares do Marcos Acuña. No jogo contra o Santa Clara, resolveu pedir satisfações ao seu adversário, depois de uma falta ligeira por ele cometida, e, claro, o árbitro, como todos, particularmente atento às faltas dos jogadores do Sporting, exibiu-lhe o amarelo. A situação era completamente evitável. Com mais este cartão, Acuña falha o jogo contra o FC Porto.

Não está em causa a qualidade e o empenho do Acuña, outrossim a sua estabilidade emocional, coisa que um profissional de futebol tem de saber controlar, e ele, claramente, não sabe, com prejuízo da equipa e de quem lhe paga.

Há dois anos, em Alvalade, o Sporting perdeu para a Liga Europa contra um acessível Villarreal por causa de um destempero do Acuña. Pensei que depois dessa borrada, que levou à eliminação do seu clube, Acuña tinha decidido amadurecer, mas, infelizmente, esse não é o caso.

Espero que a SAD aplique uma multa gigante ao jogador e que venha alguém que o leve, porque recuso essa tolerância que se tem com jogadores ditos de sangue quente. Tenho pena, mas Acuña não inspira confiança para fazer parte de um projecto ganhador, porque o mal de que padece tem um nome: falta de profissionalismo.

Excerto do texto de Carlos Barbosa da Cruz em Record

publicado às 11:00

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