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Fotografia com história dentro (41)

Leão Zargo, em 16.04.17

 

Damas e Eusébio.png

 

Vítor Damas e o desportivismo

 

É frequente depararmo-nos com um discurso contraditório sobre o desportivismo no futebol. Por um lado, lê-se que o futebol é uma escola de virtudes e de fair-play. Mas, também se ouve dizer que o fair-play não existe, que se trata de uma treta. Tudo isso no interior de um mesmo clube de acordo com as circunstâncias e para o exterior conforme os intervenientes.

 

Esta fotografia mostra o inesquecível Vítor Damas a cumprimentar Eusébio depois de um golo que este lhe marcou. Tratava-se de um derby, o Estádio estava cheio e imagina-se que o barulho seria ensurdecedor. O tempo ficou suspenso. Mas, o guarda-redes leonino agiu como sempre: um comandante entre os companheiros, um cavalheiro para com os adversários.

 

Nestes dias que por nós passam velozes o futebol parece dominado por uma cultura provocatória e sectária que surge frequentemente associada ao ódio e à intolerância. No entanto, apesar de tudo, o futebol tem de continuar a ser uma escola de aprendizagem de valores éticos e de exercício de uma sociabilidade saudável. Tal como Vítor Damas sempre praticou.

 

publicado às 12:47

Ainda existe desportivismo no futebol

Rui Gomes, em 19.02.14
 

 

Não obstante a postura hostil e provocadora deste jovem adepto holandês, ainda existem situações de grande desportivismo no futebol. Esta que aqui passaremos a descrever, até talvez seja excepcional, mas nem por isso deixa de ser menos simbólico.

 

Por mera coincidência, envolveu o "nosso" Ricardo Sá Pinto, que actualmente lidera o OFI da Liga grega. Os pupilos de Sá Pinto acabaram por derrotar o Pantharakikos, por 1-0, em jogo a contar para a 24.ª jornada da Liga, realizado na segunda-feira passada. O momento de alta referência e que mereceu destaque no site oficial da UEFA, teve lugar aos 18 minutos - com o marcador 0-0 - quando o OFI se viu privado de dois jogadores - um deles Zoro (ex-Benfica) - que estavam a receber assistência médica, fora das quatro linhas. O treinador adversário, Apostolos Mantzios, em vez de tentar tirar proveito da ocasião, instruiu os seus jogadores para trocarem a bola entre si, sem avançar no relvado, até os dois jogadores terem recuperado e regressado ao jogo.

 

Caso exemplar de desportivismo, pese porventura a raridade, face às circunstâncias, que merece ser salientado e louvado.

 

publicado às 17:51

 

 

No dia 27 de Maio de 1962, o Sporting venceu o Benfica, por 3-1, em Alvalade, em jogo do Campeonato Nacional cujo título o Sporting já tinha matematicamente garantido, mesmo antes do encontro com os eternos rivais. As duas equipas alinharam do seguinte modo:

 

Sporting: Libânio, Lino e Hilário; Perides, Lúcio e Fernando Mendes; Hugo, Figueiredo, Diego, Geo e Morais.

 

Benfica: Costa Pereira, Mário João e Ângelo; Cavem, Germano e Cruz; Simões, Eusébio, José Àguas, Coluna e José Augusto.

 

No final do jogo houve grande celebração por parte dos sportinguistas - jogadores e adeptos - e verificaram-se algumas reacções individuais:

 

Juca - «O Benfica tinha acabado de se sagrar campeão europeu. Esse facto fez com que os próprios jogadores do Benfica entrassem para aquele jogo com outra disposição. Foi uma festa extraordinária.Eu era muito novo e tinha sido colega de muitos dos jogadores que naquela altura treinava, como o Fernando Mendes, o Carvalho, o Mário Lino e o Hilário. Foi de facto a vitória da amizade. No final, quando se deu a invasão de campo, alguns jogadores ficaram completamente nus. Lembro-me de ter visto o Eusébio e o José Augusto no nosso balneário para nos felicitarem.»

 

Eusébio - «No futebol, um jogador tem de saber ganhar mas o mais difícil é aprender a perder. (...) Nessa altura tinha muitos amigos no Sporting. Depois dos jogos, convivíamos juntos. O Hilário era o meu "irmão". Em campo éramos adversários, depois dos jogos jantávamos juntos, jogadores do Sporting e do Benfica. (...) O Sporting ganhou e bem. Apesar da tristeza que sentíamos por o Benfica ter perdido o campeonato para o Sporting, só pensávamos que para o ano teríamos que lutar para ganhar. Depois do jogo não me custou nada, até foi com prazer que fui à cabina do Sporting cumprimentar os meus colegas de profissão pela conquista do campeonato.»

 

José Auusto - «A rivalidade entre Benfica e Sporting era muito grande, aliás idêntica à que é hoje mas com uma diferença: só existia dentro do campo. Fora das quatro linhas havia um grande respeito e um forte sentimento de amizade entre nós. Só para dar uma ideia desse ambiente, quando eu estava na tropa mais de metade da equipa do Sporting cumpriu o serviço militar comigo. (...) Eram frequentes os tradicionais almoços de segunda-feira entre jogadores do Benfica e do Sporting. Falávamos de bola, claro ! Mas sempre com muito civismo.

(...) Como sempre acontecia após o apito final, os jogadores fugiram que nem setas para os balneários. Os jogadores do Benfica também foram apanhados no meio da euforia e obrigados a embarcar nos festejos. Fomos passeados ao colo durante alguns minutos ! Parece estranho, adeptos vestidos de verde e branco a passearem em ombro os jogadores do Benfica, mas foi engraçado. (...) No final fomos ao balneário do Sporting felicitar os jogadores campeões, que no fundo eram nossos amigos. Para nós, aquilo foi um acto natural de felicitar um grupo de amigos que acabava de se sagrar campeão nacional.»

 

Bom senso, educação e respeito, em soma, desportivismo !... A questão que se prende é se este sentido de desportivismo era de facto genuíno naqueles tempos e, se era, como muito indica, qual a razão que praticamente desapareceu com o passar dos anos ?

 

publicado às 02:21

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