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Esta pode ser uma semana determinante para o futuro do Sporting Clube de Portugal. Já deram entrada, até esta terça-feira, duas providências cautelares de máxima urgência no tribunal cível; a primeira entrou na segunda-feira e foi interposta pela Mesa da Assembleia Geral (MAG), liderada por Jaime Marta Soares. A outra, colocada esta terça-feira, tem a chancela de um grupo de juristas sócios do Sporting. A ideia passa por criar condições para que a Assembleia Geral de destituição do Conselho Diretivo (CD), agendada para dia 23, se possa efectivamente realizar.

 

Como é sabido, o CD presidido por Bruno de Carvalho considera que a MAG liderada por Jaime Marta Soares se demitiu - incluindo o próprio Marta Soares - e por isso nomeou uma comissão transitória da MAG. Esta comissão, por sua vez, agendou duas Assembleias Gerais, uma para dia 17, para esclarecimentos aos sócios, e outra para 21 de Julho para eleger o novo Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD).

 

É isto precisamente que a Mesa da Assembleia Geral e o grupo de juristas sócios do Sporting estão a tentar impedir. Neste sentido, a primeira providência cautelar servirá para intimar o CD a desenvolver os actos necessários à realização da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de dia 23 e que a mesma possa realizar-se, pois o CD tem do seu lado a máquina administrativa.

 

A outra providência vai um pouco mais longe porque solicitará a suspensão de funções do CD. Nesta acção um dos pontos mais relevantes diz respeito ao receio de não se poder criar um ambiente em que os sócios possam votar de uma forma livre e segura, sem qualquer tipo de condicionalismos. Para a MAG e outros juristas que a acompanham não há base estatutária para Bruno de Carvalho dizer que a AGE de dia 23 foi cancelada, informação já veiculada também pelo canal do clube. Nestas duas providências tentará demonstrar-se que há uma campanha de comunicação, apenas com a versão do CD, junto dos sócios e que tem sido alimentada com a ajuda da máquina administrativa e da televisão do clube.

 

Pode voltar a recandidatar-se

 

É importante referir que se o juiz (ou juíza) a quem couber este processo deliberar pela suspensão de funções do atual CD, Bruno de Carvalho pode voltar a recandidatar-se. Não poderia, isso sim, se tivesse visto ser-lhe aberto um processo disciplinar e, após decisão, ficasse provado um ilícito disciplinar. Isso esteve em cima da mesa, contudo, seria um procedimento mais moroso e que impediria rapidez de processos.

 

Inclusivamente, para que as providências cautelares sejam decididas de forma célere a Mesa da Assembleia Geral e o grupo de juristas decidiram-se, estrategicamente, por colocar as duas ações num período temporal reduzido e ambas têm o rótulo de máxima urgência, munidas de prova documental, o que, em tese, acelera os processos.

 

Contudo, tudo dependerá dos juízes a quem forem distribuídas as ações. Há a expectativa de que até final da semana possa haver uma decisão, a tempo, por exemplo, de Rui Patrício e Daniel Podence recuarem na intenção de rescindirem com justa causa, sendo que o prazo limite para retirarem a acção contra o Sporting expira esta quinta-feira.

 

Alerta para desobediência

 

Entretanto, a MAG liderada por Jaime Marta Soares deu posse esta terça-feira à Comissão de Fiscalização, que irá exercer as funções que cabem ao Conselho Fiscal e Disciplinar, e da qual fazem parte, entre outros, o economista João Duque e o jornalista Henrique Monteiro. Esta Comissão de Fiscalização é ilegal, no entender, do CD, que já deixou um aviso - "Não consideramos credível que um tribunal considere não ser dos superiores interesses do clube a continuação de uma direcção que tem no currículo os melhores resultados desportivos e financeiros de sempre".

 

Este alerta, estará também plasmado nas providências cautelares face à óbvia insinuação de existir um eventual crime de desobediência.

 

Esta semana promete ser ainda de maiores convulsões em Alvalade. Com tribunais à mistura.

 

Reportagem de Bruno Pires, do Diário de Notícias

 

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publicado às 17:28

O carácter das pessoas

Rui Gomes, em 31.05.18

 

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Não me interessa muito falar de Fernando Correia nem das suas razões para voltar ao Sporting no momento mais tumultuoso da sua história. Seria interessante compreender o que levou um sportinguista e jornalista de 82 anos regressar ao 'seu' clube especificamente para apoiar e colaborar com o palhaço do actual presidente. Mas não vou perder mais tempo com isso. Segundo o próprio, em entrevista desta semana ao Diário de Notícias, veio com a missão de contribuir para a acalmia e para juntar mais as pessoas. Tudo bem...

 

Dito isto, não deixei de tomar nota desta sua afirmação na referida entrevista:

 

"Os sportinguistas têm a obrigação moral e desportiva de ajudar o Conselho Directivo e a SAD a darem a volta a esta situação. Marcar uma AG para Junho... onde já se viu? É terrível! Quem se demitiu foi a Mesa da Assembleia Geral e o Conselho Fiscal. Aqui é que têm de existir eleições. E demitiram-se em nome de quê? Não foi pelo Sporting, foi em nome deles próprios".

 

Agora, permitem-me recuar cinco anos, nomeadamente para o dia 22 de Janeiro de 2013, numa altura em que Fernando Correia era jornalista ao serviço da TVl24. Estas as suas palavras:

 

"Godinho Lopes tem medo da Assembleia Geral. Isto é indesmentível. É legítimo que queira cumprir o seu mandato, mas também é legítimo que as pessoas o contestem: a democracia diz isso mesmo, não tem outra leitura. Como tem medo de ser destituído, quer protelar a realização desta Assembleia".

 

Não diz muito do carácter da pessoa. Lamento.

 

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publicado às 04:49

 

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Um muito extenso artigo da autoria de Bruno de Carvalho, publicado esta segunda-feira no Diário de Notícias, que começa assim e que pode ser lido na íntegra aqui:

 

A verdade sobre a situação financeira

 

"Muito se tem falado e escrito sobre a situação financeira do Sporting CP. Da oposição à cartilha, todos vão envenenando a opinião pública. Infelizmente o sucesso de uns é a azia de outros. Uns porque não derrubam o poder e outros porque demonstram a sua incapacidade de bem gerir e de bem negociar. E qual a verdade por detrás de tantos vídeos, entrevistas, artigos de opinião, manipuladores e falsos?

 

Temos o reequilíbrio da situação económico-financeira de todo o Grupo Sporting, que se presta a dar a garantia de uma sustentabilidade associada a um crescendo de sucesso desportivo. Crescimento sustentado de todas as linhas de receitas comerciais - direitos TV, merchandising, bilheteira, quotizações, publicidade e patrocínios, entre outros; Redução/controlo de custos, seguido de uma fase de investimento com um aumento de custos de forma controlada e sustentada; Forte crescimento das receitas de venda de direitos económicos de atletas, com as duas maiores transferências de sempre da história do Sporting CP por 70 milhões + objectivos e a maior de sempre do futebol português de um atleta nacional para o estrangeiro - até Dezembro de 2017, esta Administração atingiu os 200 milhões de euros de vendas de jogadores sendo 154 milhões de euros mais-valias; Recuperação dos direitos económicos de 37 jogadores, permitindo que o Sporting CP fique com estas receitas ao invés de as ter de passar a terceiros - valor recuperado pelo Sporting ascende já a cerca de 41 milhões de euros; Melhor contrato de direitos TV em Portugal resultante da negociação com a NOS num total global de 515 milhões; Aumento do número de sócios, tendo já ultrapassado os 170 000 e mantendo um objectivo de crescimento continuado; Aumento do património com o Pavilhão João Rocha e forte investimento nas infraestruturas e nas modalidades. (...)".

 

Nota: Eu não sou a pessoa mais indicada para comentar este artigo do ainda presidente do Sporting. Creio que seria muito útil e até interessante saber a opinião do meu colega redactor Drake Wilson, mas não sei se tem a disposição assim como a disponibilidade para tal. De qualquer modo, deixo ao critério dos leitores, especialmente daqueles que saberão opinar com objectividade e conhecimentos e não facciosismo, pró ou contra.

 

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publicado às 16:59

Sporting Clube, marca de Portugal

Rui Gomes, em 24.04.18

 

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A opinião de Carlos Coelho, Presidente da Ivity Brand Corp e da Associação Portugal Genial.

 

Goste-se ou não, o futebol é uma marca estruturante do nosso tecido identitário. As marcas dos clubes representam, para além de golos, formas de estar, exemplos, valores, espaços de extroversão e paixão, como poucas marcas comerciais conseguem ser.

 

O Sporting é um destes redutos. É contudo uma marca ferida nas últimas décadas pela óbvia ausência de resultados consistentes no futebol, mas orgulhosa dos seus valores fundacionais – Esforço, Dedicação, Devoção e Glória – de José Alvalade e do seu Leão rompante. São mais de 20 000 títulos em diversas modalidades. O quinto clube do mundo com mais sócios, 150 mil membros. É a marca desportiva portuguesa com mais medalhas olímpicas, a primeira a fornecedor um jogador de futebol à selecção da Europa – Peyroteo, e o único clube do mundo a formar dois dos melhores jogadores de futebol de sempre: Luís Figo e Cristiano Ronaldo.

 

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O Sporting Clube de Portugal é uma marca centenária, por seu lado Bruno de Carvalho é uma marca recente, inflamável, mais adepta que presidencial. Capaz de organizar as contas e de unir claques, mas de desorganizar os princípios. Uma marca que alimenta o fogo de vencer com gasolina de instigação. Uma marca que se tem organizado em torno da promessa de resultados e não de valores. Uma marca facebookiana. Que ama o Sporting, mas que gere como se fora ele que o estivesse a inventar, empossando-se de agir com o leão de si próprio e não com o espírito Leonino que deveria representar.

 

O que se coloca nesta análise não é de natureza desportiva. A questão surge quando a marca de um gestor se sobrepõe à marca da instituição que gere. Quando assim acontece, ou existe uma plena harmonia entre marcas, instituição e pessoa, ou o desalinhamento acabará por resultar num fracturante conflito, que acabará por enfraquecer ambas as partes.

 

Pela evidência à vista, Sporting e Bruno de Carvalho são hoje duas marcas desalinhadas que se incompatibilizaram, ou que talvez nunca tenham sido compatíveis. Pontapear uma marca alegando amor é o último reduto de quem está perdido no sentir profundo de um clube, que naturalmente quer ganhar, mas que acima de tudo não quer perder a sua dignidade, o seu respeito, a sua educação, a sua marca. Deixo uma nota final a todos os dirigentes de clubes de Portugal que tantas vezes insistem em dar tão maus exemplos ao país. Que marca querem deixar para as gerações futuras. Ser só bola?

 

***Agradecemos a gentileza da referência ao leitor LEÃO DA GUIA

 

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publicado às 03:29

 

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Terminou o sonho europeu do leão. E a eliminatória foi mesmo perdida em Madrid após uma exibição distante daquilo que se passou ontem à noite em Alvalade - em que a remontada não foi, decididamente, uma utopia, por aquilo que se viu em campo.

 

O Sporting sai com muita honra da Europa do futebol, vencendo um Atlético de Madrid que, nos últimos quatro anos, só caiu em eliminatórias perante o Real Madrid.

 

Não se podia pedir mais a Jorge Jesus. No meio da missão de paz que tem vindo a mediar entre plantel e presidente conseguiu - sem Piccini, Fábio Coentrão, William Carvalho e Bas Dost (e depois ainda viu-se sem Mathieu numa fase inicial da partida) - estruturar uma equipa capaz de surpreender o vice-líder da Liga espanhola.

 

O melhor elogio que se pode fazer a treinador e jogadores do Sporting é que conseguiram em grande parte do jogo, sobretudo nos primeiros 45 minutos, realizar uma exibição de luxo, a melhor da época, e vulgarizar uma equipa que foi finalista da Liga dos Campeões por duas vezes nos últimos cinco anos.

 

Os colchoneros na primeira parte tiveram zero oportunidades e limitaram-se a ver o Sporting jogar e construir lances claros que lhe podiam ter permitido, pelo menos, chegar ao intervalo com a eliminatória empatada. Acuña, Coates e Gelson tiveram nas suas cabeças golos cantados - principalmente o uruguaio, que viu a bola desviada por Oblak, numa extraordinária defesa do esloveno.

 

A linha de três centrais do Sporting, os setores muito juntos (quase colados para facilitar a reação à perda da bola) e os posicionamentos de Gelson e Bruno Fernandes, um pouco atrás de Montero, confundiam o Atlético de Madrid e deixavam Simeone à beira de um ataque de nervos, sempre a retificar a equipa. Percebia-se que o Sporting tinha as meias-finais ao seu alcance e essa ideia ficou ainda mais clara depois de Montero ter marcado o único golo do encontro num lance em que Oblak avaliou mal e desfez pior o centro de Bruno Fernandes, muito chegado à baliza.

 

À beira do intervalo, com o Atlético encostado às cordas, Gelson teve na cabeça o 2-0 e, visto da bancada, parecia que a bola só podia ter como destino as redes da baliza do Atlético de Madrid.

 

A saída de Bryan Ruiz

 

No segundo tempo claro que os espanhóis surgiram mais pressionantes, mas a primeira real oportunidade só surgiu aos 58 minutos, com Griezmann a testar Rui Patrício numa altura em que o lesionado Diego Costa já tinha sido rendido por Fernando Torres.

 

Faltava um clic, uma pitada de sorte para que o segundo golo acontecesse - e ele podia ter surgido, novamente pela cabeça de Gelson ou por um remate de Montero, que tentou atirar em jeito mas sem força. Aos 70", Jesus, na ânsia de esticar a equipa e forçar o segundo golo, terá cometido um erro de análise ao retirar Bryan Ruiz, que estava a fazer uma enorme exibição ao lado de Battaglia. Rúben Ribeiro nada acrescentou e, com essa mudança, o Sporting desorganizou-se e permitiu que Griezmann se isolasse duas vezes - numa delas Patrício esteve em grande nível.

 

Doumbia ainda foi lançado, Gelson terminou a lateral, mas o Sporting ficou mesmo fora da Europa após uma extraordinária exibição que deve deixar o seu presidente orgulhoso, mas que, vendo bem as coisas, nada vale, pois foi o Atlético a seguir em frente. Resta agora o campeonato, a importantíssima meia-final da Taça de Portugal com o FC Porto e a amenização de um ambiente que, como é óbvio, deixou marcas. E se a bola não entra.

 

Bruno Pires, Diário de Notícias

 

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publicado às 13:17

 

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Rebentou a crise em Alvalade como nunca se vira antes. Bruno de Carvalho anunciou ontem à tarde no Facebook a suspensão de todos os jogadores que partilharam nas redes sociais um comunicado em resposta às críticas do presidente do Sporting a alguns atletas após a derrota diante do At. Madrid, dos quartos-de-final da Liga Europa.

 

Ou seja, até informação em contrário, 19 futebolistas do plantel principal, entre os quais os capitães William Carvalho, Rui Patrício e Coates, estão suspensos e vão receber notas de culpa dos respetivos processos disciplinares. Ao que o DN apurou, as notificações serão entregues em mão esta manhã quando se apresentarem em Alcochete para treinar (às 10.00 horas). Fonte do Sporting, contudo, assumiu que pode dar-se o caso de nem todos as receberem, pois a SAD entende que há uns mais culpados do que outros neste processo. Se tal acontecer, quem não receber continuará a treinar-se.

 

O número de jogadores solidários até pode subir (há sete que não estão notificados), pois alguns não têm conta em redes sociais e, como tal, não publicaram o comunicado, no qual expressaram o "desagrado" do plantel em relação às críticas do presidente e lamentaram "a ausência de apoio" de quem, dizem, "deveria ser" o líder da equipa. "Todos os assuntos resolvem-se dentro do grupo", lia-se no comunicado.

 

A situação foi espoletada durante a tarde, após uma manhã turbulenta em Alvalade, para onde os jogadores seguiram após regressarem de Madrid (10h30) para serem submetidos a banhos e massagens. Foi nessa altura que os futebolistas exigiram a presença de Bruno de Carvalho para que tudo fosse esclarecido cara a cara. Só que o presidente, que não esteve com a equipa no jogo em Madrid, estava numa audiência na Procuradoria-Geral da República, não tendo por isso comparecido em Alvalade.

 

Ao que consta, foi o treinador Jorge Jesus - que sempre esteve ao lado dos jogadores - a amenizar o ambiente numa reunião com o plantel, que terminou com os jogadores a seguirem para casa, tendo ficado em aberto dois cenários: o boicote ao treino deste sábado ou um comunicado conjunto e público de todo o plantel. Ao início de tarde, os danos causados por este conflito pareciam controlados, mas por volta das 18.00 horas os capitães Rui Patrício e William Carvalho publicaram o comunicado nas respetivas contas de Instagram, tendo de imediato sido seguidos por outros elementos do plantel.

 

Não demorou muito até que Bruno de Carvalho explodisse na sua conta de Facebook, numa publicação que não estava aberta ao público e só disponível para os amigos daquela rede. O presidente anunciou a suspensão de todos os subscritores e passou ao ataque pois, segundo uma fonte do Sporting, não esperava esta reação de força dos jogadores e sentiu-se por isso traído. "Já estou farto de atitudes de miúdos mimados que não respeitam nada nem ninguém", escreveu o líder leonino, que foi mais longe:

 

"Estas crianças mimadas julgam que vão longe

mas desta vez a minha paciência esgotou-se para

quem acha que está acima do clube e de qualquer crítica"

 

A publicação de Bruno de Carvalho representou o extremar de posições, bem patente no facto de alguns atletas que ainda não tinham partilhado o comunicado o terem feito após a reação do presidente: foram os casos de Rafael Leão, Doumbia, Wendel, Ristovski e Fábio Coentrão. Este último, aliás, foi um dos visados das críticas do líder leonino após o jogo de Madrid.

 

Aliás, além do defesa-esquerdo também foram criticadas as atuações de Mathieu, Coates, Gelson, Fredy Montero e Bas Dost que, tal como Coentrão, foi acusado de ter visto um cartão amarelo diante do Atlético de Madrid por não querer jogar a segunda mão em Alvalade.

 

Equipa B com o Paços de Ferreira

 

A suspensão dos atletas do Sporting mereceu entretanto do Sindicato dos Jogadores uma posição de "total solidariedade" com o plantel leonino, num comunicado onde a instituição lamentou que "após apelar a que os dirigentes resolvam internamente, e não no espaço público, os problemas existentes com os seus jogadores, tal apelo não tenha sido acolhido pelo presidente do Sporting". O organismo presidido por Joaquim Evangelista "condena a tomada de posição pública do presidente do Sporting" em "tecer críticas à performance desportiva dos jogadores".

 

Segundo fonte próxima do processo, ontem à noite as posições estavam extremadas, razão pela qual não havia no horizonte forma de resolver o conflito que, ao que tudo indica, irá obrigar Jesus a recorrer aos jogadores da equipa B para defrontar amanhã (20.15) em Alvalade o Paços de Ferreira, na jornada 29 da Liga. Mais problemática será a tarefa do treinador para o jogo de quinta-feira com o At. Madrid, também em casa, se a suspensão dos atletas se mantiver, uma vez que terá de socorrer-se dos 26 jogadores da lista B (juniores) que inscreveu na Liga Europa. Isto caso se confirmem as suspensões dos 19 atletas, algo que, recorde-se, fonte dos leões disse que poderá não acontecer.

 

O DN procurou saber junto do advogado Bernardo Morais Palmeiro se, perante a situação que criada em Alvalade, os jogadores do Sporting poderão ter algum motivo para evocar rescisão dos seus contratos. O antigo jurista da FIFA considera que "neste momento ainda não há matéria para poderem pensar em rescisões com justa causa", adiantando que "é preciso perceber os próximos desenvolvimentos". "A confirmar-se que os jogadores que subscreveram o post estão suspensos, terão de ser notificados em notas de culpa de processo disciplinar. Depois é preciso perceber do que serão acusados e só aí se poderá fazer uma análise jurídica mais concreta", frisou o especialista em direito desportivo.

 

Um caso sem precedentes

 

Esta crise não tem paralelo nos três grandes do futebol português. Os rivais, no entanto, já viveram situações complicadas, sendo que a mais significativa envolveu o FC Porto em 1980, quando o presidente Américo de Sá demitiu o então diretor do futebol Pinto da Costa e, na sequência, o treinador José Maria Pedroto deixou o clube e 15 jogadores recusaram treinar-se, entre os quais António Oliveira, Lima Pereira, Frasco, Fernando Gomes, Jaime Pacheco, Octávio Machado e António Sousa.

 

No Benfica foi o presidente Vale e Azevedo o protagonista dos casos mais complicados, tendo o conflito com o capitão João Vieira Pinto redundado no seu despedimento em 2000.

 

***Reportagem do Diário de Notícias

 

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publicado às 04:59

 

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O título já é quase uma miragem para o Sporting, depois da derrota em Braga no último sábado, e até o segundo lugar está complicado, quando faltam apenas seis jornadas para o final da temporada. Depois de um ano em que o investimento financeiro foi o maior de sempre, na casa dos 60 milhões de euros, falhar o acesso à Liga dos Campeões em risco - e às importantes receitas que ela garante - pode ser um rude golpe no planeamento da próxima temporada. Contudo, ao que consta, nem o eventual afastamento da Liga milionária fará que Bruno de Carvalho limite o investimento à procura do tão sonhado título de campeão.

 

Aliás, há muito que a direcção dos leões, juntamente com o treinador Jorge Jesus, prepara a nova temporada. Os milhões da Liga dos Campeões seriam uma preciosa ajuda, mas a verdade é que a ausência dessa verba não impedirá a aquisição de novos reforços nem sequer forçará a redução de investimento, de acordo com fonte próxima deste processo.

 

Esta foi uma conversa que Bruno de Carvalho já teve com Jorge Jesus e, apesar de se sentir desiludido com a ausência de resultados, como já revelou publicamente, o máximo dirigente do Sporting também entende que para devolver um títulos aos sócios e adeptos tem de continuar a investir.

 

Aliás, o dirigente vê no investimento também uma fonte de receita futura, tendo dado como exemplo a membros da direcção o brasileiro Wendel, que custou sete milhões, mas que poderá render muito mais no futuro.

 

Continuará a ser essa a estratégia leonina, comprar para fortalecer o plantel e pensar numa rentabilização futura. Assim, a possível ausência da liga milionária não levará a que deixe de haver investimento. Poderá, isso sim, fazer que uma ou outra peça do actual plantel, como William, um dos mais cobiçados, possam sair em Junho. Mas a verdade é que as contas da SAD estão equilibradas e as vendas não são consideradas necessárias, mesmo sem Champions.

 

Gonçalo Lopes, Diário de Notícias

 

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publicado às 03:43

Perfil de um ditador

Rui Gomes, em 12.02.18

 

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 Pintuta de Dave Martsolf "O ditador"

 

 

Um artigo intitulado "Perfil de um ditador", da autoria de Juvenal Rodrigues e publicado no Diário de Notícias Madeira a 11 de Agosto de 2009, que nos foi referenciado pelo nosso estimado leitor Fidalgo, a quem agradecemos a gentileza.

 

Isto, a propósito do carácter, comportamento e ambição de Bruno de Carvalho no que ao Sporting Clube de Portugal diz respeito:


"Muito se fala em ditadores, porém, os eleitores quando vão às urnas depositar o seu voto pouco se preocupam saber qual o perfil da pessoa em quem votam. Apenas sabem que é um fulano que fala bem e diz o que nós queremos ouvir. Para um país e um Povo este desleixo pode fazer toda a diferença nos anos seguintes à sua eleição.

 

Por exemplo, todos sabemos que Hitler foi eleito democraticamente e no seu mandato pôs a Europa a ferro-e-fogo mandando matar milhões de seres humanos. Então qual o perfil de um ditador? Os mais atentos e preocupados com estas coisas da política sabem que: o ditador agarra-se ao poder como uma lapa se agarra à pedra porque gosta sobretudo de mandar e não ser mandado. Não gosta de debates para esclarecer o Povo porque sabe que 'em terra de cegos quem tem um olho é rei'. Tenta por todos os meios calar os críticos (jornais, TVs e opositores) ameaçando-os com nacionalização ou encerramento mas, por outro lado, financia tudo o que seja propaganda do regime.

 

O ditador julga-se perfeito, nunca assume os seus erros (por isso nunca aprende) e arma-se sempre em vítima sendo os outros culpados de tudo o que de mal acontece. Faz discursos empolgantes de dedo em riste apontando em todas as direcções, culpabilizando todos menos ele para assim provocar a revolta das massas a seu favor. Não perde uma oportunidade de processar alguém mas quando a decisão lhe é desfavorável, então é a justiça que não presta. Enleva a população com os seus discursos inflamados de ódio jogando uns contra os outros para tê-los sempre à mão mas quando está a gozar dos privilégios que o cargo lhe confere nem se lembra que o Povo existe. No palco, gosta de ouvir-se a si próprio e, empolgado com o seu próprio discurso, perde o controle ameaçando todos os que não lhe prestam vassalagem mas logo a seguir dá o dito por não dito.

 

Quando está ao lado daqueles a quem passa a vida a ofender, mas que sabe serem mais importantes do que ele e que sem os quais não tem protagonismo desdobra-se em subserviência e palavras doces até o personagem voltar as costas e, depois, volta a atacar. Quando vê que as coisas não lhe correm bem fala em nome do Povo incitando-o à revolta ou à justiça popular porque sabe que as pessoas gostam do cheiro a pólvora e não receia criar instabilidade social se isso o mantiver no poder (dividir para reinar).

 

Perguntar-me-ão: mas então o que leva o eleitor a votar numa pessoa assim? É simples. Um ditador é um grande manipulador de massas que sabe escolher as palavras que as pessoas querem ouvir, sabe jogar com as suas emoções, a sua fraca cultura, o seu entusiasmo perante discursos inflamados de ódio e vinganças e sabe sobretudo que essas pessoas anseiam e têm absoluta necessidade de um líder forte mas que confundem com o arruaceiro.

 

Não se preocupam saber se esse líder os conduz por um caminho de paz e progresso mas anseiam por um líder carismático que personalize o seu bairrismo, que dê voz à sua revolta e às suas frustrações. Nem se apercebem que o eco do discurso ainda paira no ar e todas as frustrações estão de volta porque a sua vida em nada melhorou e entretanto o ditador já está no conforto do seu gabinete enquanto os 'graxas' do regime lhe prestam vassalagem e se banqueteiam. A população!? Essa come as migalhas dos banquetes porque acreditam cegamente no seu líder e nunca o questionam".

 

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publicado às 12:54

 

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Não houve piqueniques mas houve peregrinação verde e branca de final de Taça (da Liga), um pouco mais moderna, com selfies e emoção.

 

Casacos apertados até ao pescoço, cachecóis enrolados pela cabeça acima numa noite fria. E um só padrão a decorar o Estádio Municipal de Braga: verde e branco. Cor de ansiedade, esperança e confiança. Os adeptos do Sporting mais ousados, fazendo jus à sua condição de favoritos. Os adeptos do Vitória Futebol Clube mais pragmáticos, mas nem assim pouco ambiciosos. Não houve piqueniques mas houve romaria de final de Taça (da Liga), um pouco mais moderna.

 

Tudo muito ordenado consoante as realidades. Entre o mar verde e branco sobressaíam em número e ruído os sportinguistas, sinal de um maior estatuto desportivo, de uma dimensão social e económica bem maiores do que as do Vitória de Setúbal. Mas, grandezas à parte, depois é num jogo em que tudo se resolve. E há dez anos, na primeira final da Taça da Liga, ganhou o David, derrubando o Golias no desempate por penáltis (3-2 para o V. Setúbal após 0-0 nos 90 minutos).

 

E isso que interessa? "O Bas Dost vai resolver", ouvia-se de passagem. Mónica Silva, 31 anos, estava apostada em que tudo sorriria ao Sporting, ainda por cima com um goleador tão eficiente. E enorme. "É bué de alto", dizia a sportinguista que tinha ido pela manhã cumprir um ritual da modernidade: tirar selfies com os jogadores após o treino matinal no Estádio 1.º de Maio (Jorge Jesus não abdica da sessão matinal em dia de jogo). "Com quem é que eu tirei selfies?", perguntava aos restantes membros do grupo. E antes da resposta disparou: "Bas Dost, Wendel, Fábio Coentrão, William, Montero..."

 

Esta confiança leonina era traduzida pelos sadinos num sentido bem diferente. "Vamos jogar com a ansiedade do Sporting", acreditava o setubalense Constantino Mendão, 58 anos, e cuja dedicação ao Vitória lhe exigiu 1400 quilómetros de carro em quatro dias - viagem de ida e volta Setúbal-Braga para ver a meia-final (2-0 à Oliveirense). E aquele golo quase a abrir o jogo de Gonçalo Paciência parecia dar--lhe razão.

 

Antes disso, um elemento estranho: grandes manchas de vermelho (cor do patrocinador da competição) quase cobriram o dominante verde da noite, durante a cerimónia de abertura da final. No entanto, talvez nem fosse assim tão estranho, porque pelo estádio também circulavam algumas "melancias": vermelhos por dentro e verdes por fora. "Primeiro bracarense, depois sportinguista. Mas vinha ver a final mesmo sem o Sporting estar presente", garantia o bracarense Camilo Castro, 58 anos, cachecol do Sporting bem aconchegado. "Aqui em Braga isto [a duplicidade bracarense/adepto de um grande] não é muito bem-visto, mas era pior se fosse do Benfica", explicou.

 

O que não se altera é a eficácia de Bas Dost, que atirou de penálti a final para o desempate através de grandes penalidades. E para a emoção deste expediente: depois de eliminar o FC Porto desta forma, foi assim que o Sporting chegou ao triunfo.

 

Artigo da autoria de António Pedro Pereira, jornal Diário de Notícias

 

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publicado às 17:06

 

Os leões já investiram 44,96 milhões de euros em novos jogadores nesta época, que entra no top 5 do futebol português.

 

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Sábado foi um dia de grande actividade em Alvalade com a oficialização dos reforços Wendel, Josip Misic e Rúben Ribeiro. Três prendas de Dia de Reis para o treinador Jorge Jesus que, tendo em conta os dados conhecidos, representam uma operação global no valor de 10,5 milhões de euros.

 

A administração liderada por Bruno de Carvalho neste mercado de inverno já fez subir o investimento do Sporting para esta época 2017-18 para um montante estimado de 44,96 milhões de euros, que representa desde já um recorde absoluto dos leões e, ao mesmo tempo, o quinto maior investimento de sempre de uma equipa portuguesa na contratação de futebolistas ao longo de uma época.

 

O Sporting ultrapassa assim os 37, 71 milhões de euros investidos na época passada, segundo os dados do site Transfermarkt, que era até agora a temporada em que os leões tinham gasto mais dinheiro em reforços, tendo apenas por uma outra vez ultrapassado os 30 milhões de euros - 2011-12 -, mais concretamente 33,89 milhões, numa altura em que Godinho Lopes era o presidente.

 

Numa altura de grande investimento por parte da administração liderada por Bruno de Carvalho, que procura terminar com o jejum de títulos que dura desde 2002, é justo também constatar que estas compras são contrabalançadas com um grande volume de transferências de jogadores, que nesta época atingiram os 50,83 milhões de euros e na época passada chegaram aos 81,23 milhões. Uma realidade bem diferente daquela que a SAD leonina experimentou em 2011-12, quando apenas faturou 6,63 milhões de euros na saída de futebolistas.

 

Milhões nem sempre dão títulos

 

No entanto, nem sempre grandes investimentos são sinónimo de conquista do título, pois, tendo em conta os quatro maiores investimentos realizados em Portugal, apenas dois deles resultaram em festejos no final da temporada.

 

Foi em 2013-14, quando o Benfica bateu todos os recordes, contratando futebolistas por um valor global de 55,75 milhões de euros, ainda com Jorge Jesus como treinador, que iniciou a série que conduziu ao tetracampeonato. E em 2008-09, quando, após ter gasto 46,65 milhões de euros - o terceiro maior investimento de sempre -, o FC Porto conquistou o tetracampeonato sob o comando de Jesualdo Ferreira.

 

De resto, os dragões não tiveram sucesso em 2014-15, época em que investiram mais 18 milhões de euros do que o Benfica, que acabaria por ser campeão nacional, enquanto em 2008-09 viram os encarnados festejaram no final de uma temporada em que o diferencial entre o investimento dos dois clubes foi abissal, pois o FC Porto gastou mais 39,7 milhões de euros do que o rival.

 

O Sporting encontra-se para já no segundo lugar da classificação da Liga, mas, no que diz respeito a investimento, lidera destacado o ranking desta época, pois, em contraponto aos 44,96 milhões de euros aplicados pelos leões em reforços, está o FC Porto, com gastos de 21 milhões de euros e o Benfica, cujas compras de futebolistas chegaram apenas aos 9,35 milhões. No entanto, é bom ter em atenção que o mercado de inverno encerra a 31 de Janeiro e, até lá, estes valores podem subir.

 

"Wendel é miúdo para o futuro"

 

O brasileiro Wendel torna-se desde já o sexto jogador mais caro da história do Sporting, tendo custado sete milhões de euros. O médio de 20 anos, formado no Fluminense, revelou ontem à SportingTV que o seu ponto forte "é o remate" e o fraco "talvez um pouco a marcação", tendo-se mostrado "muito feliz" por estar "no clube de Cristiano Ronaldo". O treinador Jorge Jesus explicou que a contratação daquele que é uma das grandes promessas do futebol brasileiro é a pensar no futuro: "É um jovem à procura do seu caminho. Vai encontrar de certeza obstáculos a que não está habituado e é um miúdo para se fazer e para o futuro."

 

Quanto a Josip Misic, de 23 anos, contratado ao Rijeka por três milhões de euros, disse que não pensou muito na hora de assinar, admitindo que é "um grande passo" na sua carreira: "É tudo muito bom. O Ristovski aconselhou-me e disse-me coisas muito boas. Estou entusiasmado e vou dar tudo o que tenho por este clube." Segundo Jesus, o croata é um jogador "várias vezes observado pelo departamento de scouting" e insere--se numa tentativa de "equilibrar o plantel".

 

Finalmente, Rúben Ribeiro, médio ofensivo de 30 anos que ontem fez o último jogo pelo Rio Ave diante do Sporting de Braga, irá custar aos cofres da SAD do Sporting cerca de 500 mil euros, sendo para Jorge Jesus um jogador de quem "não é preciso falar, pois joga em Portugal".

 

Artigo da autoria de Carlos Nogueira, Diário de Notícias

 

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publicado às 11:03

 

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"(...) Esperava-se que Jesus refrescasse o ataque, colocasse Doumbia e/ou Podence, mas não. O técnico optou por retirar Bruno César, pondo no seu lugar Palhinha. Não se pode dizer que tenha sido uma má opção, mas o Sporting já não segurava a bola na frente, Bas Dost estava de rastos, Gelson e Acuña não tinham pilhas e Bruno Fernandes ia disfarçando com o seu virtuosismo. Entretanto, com o cerco montado à baliza de Patrício, perante a indecisão de Jesus, o guarda-redes ia fazendo o que podia.

 

Aos 79", já dentro do intervalo temporal que Jesus bem conhece, Higuaín marcou no único erro de Coates, que deixou o argentino ganhar a posição. No instante seguinte entrou Doumbia e final de conversa, uma conversa que se repete diante da fina flor do futebol europeu. E, analisando bem o jogo, o Sporting merecia mais. A Juventus não deixou e Jesus não ajudou".

 

Bruno Pires, Diário de Notícias

 

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publicado às 02:15

 

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(...) Com o quarteto defensivo leonino a realizar uma soberba exibição e a chegar para o fluxo ofensivo leonino, esperava-se que a Juventus abrandasse para o Sporting voltar a pegar no jogo. E o melhor elogio que se pode fazer é que a formação de Jorge Jesus controlou muito bem a segunda parte... até que chegou o maldito minuto 77 em que Coentrão é assistido e Jesus substitui-o de imediato por Jonathan Silva. O internacional português, quando se aprestava para reentrar, ficou estupefacto quando percebeu que já não fazia parte do jogo.

 

E maldito porquê? Porque Jonathan comprometeu inapelavelmente no lance do segundo golo dos italianos, ao deixar-se antecipar por Mandzukic ao segundo poste quando tinha ganho a posição e isto numa altura em que o clube de Alvalade parecia melhor no jogo. Depois Doumbia, que entrou após o segundo golo da Juventus, esteve perto de fazer o empate no último lance da partida, naquela que foi a grande oportunidade leonina em todo o jogo.

 

O Sporting não merecia perder? Talvez não - voltou a perder no campo e a deixar boa imagem, o que não dá pontos. Ainda assim, olhando para os números do jogo, para a soberba organização defensiva e para a qualidade da exibição de Rui Patrício, a Juventus esteve mais perto do triunfo.

 

Isto começa a ser um padrão que Jesus precisa de resolver porque há comportamentos repetidos. Dos 12 golos sofridos em encontros oficiais nesta época nove foram na segunda parte e seis nos últimos dez minutos. Há aqui um padrão que pode ter que ver com uma quebra mental, física ou com um misto destas duas situações. Uma situação que merece análise por parte de Jorge Jesus.

 

A qualificação para os oitavos-de-final não está hipotecada mas urge vencer a Juventus em Lisboa e isso não parece uma missão impossível.

 

Bruno Pires, Diário de Notícias

 

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publicado às 03:46

 

Jorge Jesus foi o treinador que recebeu mais reforços para a nova época mas é também o que parte mais pressionado na luta pelo título de campeão nacional.

 

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Contenção pode rimar com ambição? Em época de estreia do videoárbitro, de corrida por um histórico penta do Benfica (ou pelo fim do jejum portista ou sportinguista) e de redução das vagas europeias, inicia-se a I Liga mais "poupadinha" dos últimos 11 anos. O Sporting, único dos três candidatos ao título que investiu em força no mercado de verão - ainda ontem chegou, da Croácia, o anúncio de mais um reforço: o lateral Ristovski -, dá hoje o pontapé de saída no campeonato, visitando o regressado Desportivo das Aves.


Não se via uma I Liga tão pouco gastadora precisamente desde a última presença do Aves no escalão maior do futebol português - 2006--07, quando só se gastaram 21,65 milhões de euros no defeso. Onze épocas depois, o emblema avense está de regresso, junto com o Portimonense, para encontrar um campeonato em contraciclo: este verão, os clubes da I Liga só gastaram 36,44 milhões de euros em compras, um valor bem distante dos 98,62 milhões da época passada e do recorde de 114,13 em 2011-12 (o site Transfermarkt eleva para 56,44 milhões o investimento desta época, mas contabiliza os 20 milhões que o FC Porto pagou por Óliver em Fevereiro passado).


Ontem confirmado leão pelo presidente do Rijeka, Ristovski não altera este estatuto: valor não foi anunciado, mas será de 2,5 milhões.


O Sporting - que se reforçou ainda com Acuña, Bruno Fernandes, Battaglia, Piccini, Matheus, Doumbia e Fábio Coentrão, entre outros - foi a excepção à regra, num defeso em que Benfica (Ederson, Nélson Semedo e Lindelöf) e FC Porto (Rúben Neves e André Silva) preferiram vender - os portistas estavam mesmo obrigados a isso, para respeitar os princípios de fair play financeiro impostas pela UEFA. Águias (destaca-se Seferovic, vindo a custo zero) e dragões (sobressaíram Ricardo Pereira e Aboubakar, regressados de empréstimo) pouco gastaram. Mas, após meses de contenção, nenhum dos plantéis está fechado e qualquer conclusão pode ser precipitada: esperam-se reforços na Luz e no Dragão (se houver mais encaixes para os cofres azuis e brancos...) e William e Adrien Silva ainda podem deixar Alvalade, até 31 de Agosto.


A tendência do mercado não é uniforme para os três "grandes" como não foi homogénea a pré--época dos três candidatos ao título. O Sporting esteve irregular, o Benfica surpreendeu pela fragilidade defensiva e só o FC Porto mostrou uma máquina oleada, principalmente no ataque. A forma como Sérgio Conceição poderá ou não devolver a chama ao dragão - e construir um candidato ao título quase exclusivamente com jogadores que já pertenciam ao clube - é um dos grandes pontos de interrogação.


No fundo, é uma dúvida tão grande como as que pairam sobre a capacidade de regeneração do plantel benfiquista, após tanta saída de vulto; sobre a reinvenção da equipa sportinguista, agora com muito mais experiência em campo e opções no banco; e sobre o real impacto da utilização de videoárbitro no futebol nacional. A tecnologia será usada em todos os jogos da I Liga, tornando Portugal um dos países pioneiros deste sistema.


Mas nem todas as novas são boas para a autoestima nacional. Fruto das más campanhas europeias das últimas épocas, nesta edição da Liga só campeão e vice vão à Champions e só 3.º e 4.º têm lugar na Liga Europa (mais o vencedor da Taça de Portugal). Ou seja, vida mais complicada para SC Braga, V. Guimarães, Marítimo e eventuais 'challengers', como Rio Ave e Chaves. E pelo menos um dos três grandes vai ficar sem os milhões da Liga dos Campeões. Nesse caso, talvez o melhor remédio seja mesmo a contenção.

 

Rui Marques Simões, Diário de Notícias

 

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publicado às 05:18

 

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Foi o primeiro jogo mais ou menos a doer de uma e outra equipa, terminou empatado a um golo, e a verdade é que ambas deram bons sinais tendo em conta o padrão de jogo que tendencialmente vão exibir durante a época.

 

De um lado um Belenenses organizado defensivamente, que soube aguentar a tentação de se desposicionar e com uma cara nova, Diogo Viana, a evidenciar-se. Do outro, o candidato ao título Sporting sem a esmagadora maioria da sua artilharia - Coentrão, Doumbia, Mathieu e Coates, isto sem falar nos internacionais que estiveram ao serviço da selecção. Para se perceber do que estamos a falar vamos apenas dizer que no onze inicial estavam apenas dois presumíveis titulares; o fiável Piccini, no lado direito da defesa, e o inevitável Bas Dost, que ontem teve pouco jogo porque o Sporting não fez alinhar um único extremo puro e por isso optou muito por um jogo interior e de combinações.

 

Nesse capítulo, podemos estar perante uma grande surpresa que dá pelo nome de Gelson Dála. Se fosse um daqueles futebolistas contratado por alguns milhões de euros dizíamos que a primeira amostra tinha deixado água na boca. Assim, deixou à mesma mas os milhões ficaram no cofre do clube de Alvalade. Este angolano pode ser uma boa alternativa para complemento de Bas Dost ou então como membro de uma dupla de ataque - com Doumbia, porque não?

 

Jorge Jesus está em pleno laboratório a fazer experiências e a tentar perceber quais destes jogadores têm condições para permanecer no plantel porque não vale a pena estarmos a dourar a pílula. Possivelmente a maioria dos que jogaram ontem diante do Belenenses terão outro destino que não a equipa principal dos verdes e brancos.

 

O treinador optou por colocar dois jogadores - o reforço Matheus Oliveira e Iuri Medeiros - como alas mas a procurarem muito o jogo interior e fez alinhar Petrovic e Battaglia, com o sérvio a fazer de William e o argentino de Adrien - e que bem que jogou o novo Petrovic.

 

Percebeu-se que a equipa já joga segundo a ideologia de Jesus e que há trabalho feito. O problema foi com a ala esquerda, pois André Geraldes não sabe jogar como lateral daquele flanco e Matheus Oliveira tem dificuldades no momento defensivo. O Belenenses percebeu que era ali que estava o filão e por isso procurava aquele flanco. Aliás, sem fazer muito ofensivamente, os azuis chegaram ao golo, por aquele lado, com Diogo Viana a cruzar para um estupendo remate de André Sousa.

 

Na segunda parte, Jesus fez mudou e foi então com Leonardo Ruiz em campo que chegou ao empate. Petrovic fez um roubo de bola sensacional e desmarcou o colombiano que finalizou com qualidade.

 

Deu para ver ainda Bruno Fernandes, quando Jorge Jesus mudou para 4x2x3x1, com o internacional português a jogar atrás do avançado. Bons pormenores e muita vontade que não chegaram para alterar o marcador. O Belenenses ainda se mostrou afoito quando o Sporting testou os três centrais, mas as muitas substituições quebraram o ritmo de um encontro que deve ter deixado satisfeitos ambos os treinadores.

 

 

Bruno Pires, Diário de Notícias

 

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publicado às 12:08

 

Como os herdeiros sentem os clubes : José Roquette é neto de José Alfredo Holtreman Roquette, mais conhecido por José Alvalade, fundador do Sporting, a 1 de Julho de 1906.

 

O Sporting é fruto do "amor" de um avô, visconde de Alvalade, pelo seu neto, José Alfredo Augusto das Neves Holtreman (José Alvalade), a quem ajudou a fundar o clube. O visconde sustentou a ideia, a primeira sede e as obras do primeiro campo e seria ele a fazer os estatutos do clube e a ser primeiro presidente do Sporting Clube de Portugal.

 

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Uma história que o neto do fundador, José Roquette, aquele que viria a ser presidente do Sporting (1996-2000), faz questão de contar e preservar: "O meu avô tinha 21 anos, tal como tinham vinte e tal anos os amigos [os irmãos Gavazzo, Francisco Stromp e Almeida Leite Júnior], quando tiveram a ideia de fundar um clube. Os Stromp até seriam melhores atletas e causavam mais impacto, mas o meu avô distinguia-se por ter um avô que o adorava. E como advogado da Casa Real tinha a capacidade financeira para sustentar a criação de uma instituição. Daí a frase "eu vou ter com o meu avozinho e ele resolve. E resolveu...""

 

Hoje, com 80 anos, José Roquette é um dos empresários mais respeitados de Portugal, pai de seis filhos e avô de 21 netos. Alguém que compreende bem esse amor de um avô pelo neto na base da formação do clube. "É preciso que eles saibam de onde vêm para terem alguma noção do que são e da responsabilidade. Não é uma questão de ADN, mas sim de pessoas, do seu carácter e de como isso moldou o clube", defendeu, esperando que tanto a neta mais velha, que tem 27 anos, como os gémeos com menos de um ano retenham que não foi só ir ao notário: "O Sporting foi fruto da relação extraordinária entre um avô e um neto e da força, determinação e garra de um grupo de amigos que queriam fazer a diferença."

 

Daí o lema que consta no registo do Sporting: "Esforço, devoção e glória." E a família Holtreman-Roquette esforça-se para que seja esse o seu lema também, embora "a vida tenha os seus próprios desígnios". Mas o importante a reter, segundo o empresário, é que essas foram raízes do Sporting: "Esforço para ganhar, a devoção como cultura e a glória, que na minha opinião resulta destas duas coisas."

 

Mas devoção sem fanatismos. "As manifestações de populismo que tendem a ser as claques não acrescentam nada à vida das pessoas. Eu gostaria que as gerações que me sucedem possam acrescentar valor. O Sporting é muito mais do que o ódio ao Benfica. Custa-me ouvir aqueles cânticos do very light... foi a coisa mais dolorosa com que tive de lidar como presidente do Sporting. Na final da Taça de Portugal de 1996 morreu um adepto à minha frente. Eu fui-me aproximando para ver se algo me permitia tirar a equipa de campo, era o que eu devia ter feito, mas como o Sporting estava a perder iam dizer que foi por causa disso, e foi o que foi. Ainda hoje, 20 anos depois, me custa lembrar esse momento. O futebol é fenómeno de vida, não de morte."

 

Ser da família do fundador deu e dá algum estatuto: "Quando fui avô e ia à Maternidade Alfredo da Costa visitar a minha filha mais velha havia sempre uma fila enorme de gente para eu assinar as propostas de sócios porque achavam que eu era importante."

 

Mas só se fez sócio aos 16 anos. "Nós vivíamos no Porto e um dia quando vim a Lisboa, o Manuel Dias, que era coadjuvo do meu tio António Casanovas, virou-se para mim e disse: "Você tem de ser sócio do Sporting." E lá me fiz sócio, foi uma decisão adulta já. Hoje existe muito aquela coisa de mal nascem já lá está o carimbo, quer gostes quer não gostes, és do Sporting", explicou o mais velho do clã Holtreman-Roquette, sem memórias do avó José Alvalade, que morreu aos 33 anos de tifo.

 

São histórias como esta que a família recorda na reunião anual: "Não para dizer que o trisavô fez isto e o avô aquilo, mas para nos conhecermos, saber de onde viemos e quem somos, perceber porque somos assim. Os antepassados não são para serem esquecidos." Por isso "foi simples e natural" preservar a herança, depois de uma investigação que permitiu fazer a árvore genealógica da família. Existe mesmo um espólio guardado na Herdade do Esporão, em Redondo (Alentejo), que conta como a história da família se funde com a do Sporting e a do país, da monarquia à democracia actual.

 

 

Isaura Almeida - Diário de Notícias

 

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publicado às 15:17

Crise do Sporting sem fim à vista

Rui Gomes, em 22.01.17

 

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É um calvário que parece não ter fim e que de jogo para jogo se agrava. A verdade é que ninguém consegue perspectivar quando é que a crise do Sporting vai ter o seu epílogo. Ontem empatou na Madeira diante do Marítimo, somou o terceiro jogo sem vencer e viu o FC Porto bater o Rio Ave, o que significa que neste momento já está a seis pontos do importante segundo lugar, que dá acesso directo à fase de grupos da Liga dos Campeões.

 

No que respeita ao título, as coisas podem ficar ainda piores, para não dizer que são irreversíveis. Basta o Benfica cumprir a sua obrigação de bater na Luz o Tondela e o Sporting fica a dez pontos do primeiro lugar, o objectivo traçado repetidamente por Bruno de Carvalho, presidente do clube de Alvalade.

 

Nos Barreiros, o Sporting andou sempre atrás, mas teve a possibilidade de consumar a reviravolta não fosse uma má decisão do árbitro assistente que invalidou erradamente um golo a Alan Ruiz, que não estava em posição irregular. Para se perceber o problema leonino basta olharmos para a classificação e identificamos a defesa como o sector a fraquejar; apenas dez equipas concederam mais golos (18), o que significa que há sete com maior eficácia defensiva.

 

A pressão sobe para Jorge Jesus e para Bruno de Carvalho. O primeiro já disse que não se demite, o segundo garante que quer manter o treinador e dentro de duas semanas há clássico no Dragão, onde, dado o actual estado das coisas, o Sporting está completamente obrigado a somar três pontos.

 

Se tivermos como comparação a mesma jornada, o Sporting tem menos dez pontos em relação à passada temporada. Um dado que serve de reflexão.

 

Artigo da autoria de BRUNO PIRES, jornalista Diário de Notícias

 

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publicado às 09:35

 

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Entrevista muito interessante que Fabio Capello concedeu ao Diário de Notícias, pessoa com quem eu tive o prazer de privar em 1987, era ele então treinador do AC Milan. Com ele e também com o lendário Franco Baresi, o «capitão» da equipa na altura.

 

Entre as suas várias considerações, teve isto para dizer:

 

Esteve certamente atento ao último Campeonato da Europa. Partilha da opinião daqueles que não valorizaram a conquista de Portugal?

 

Penso que se pode dizer que Portugal inicialmente não foi uma seleção que convenceu, foi avançando sem grande classe. Mas acima de tudo foi uma equipa com muita humildade e outras seleções subestimaram a seleção portuguesa. Criticavam a sua forma de jogar e depois não ganhavam.

 

Qual acha que foi então o segredo do sucesso português?

 

A união, não tenho dúvidas. O estilo de jogo lembrava-me o de Itália, exercendo uma grande pressão sobre o adversário, não permitindo que estes pudessem dar o seu melhor. Depois tinham jogadores como Cristiano Ronaldo e outros que resolviam num lance ou outro.

 

Considera que o título foi justo?

 

Claro. Não perderam nenhum jogo e venceram os decisivos. Foi justo assim como acho que já mereciam ter ganho o Euro2004, quando perderam com a Grécia na final. Acredito que fui dos poucos que disse publicamente antes da final que Portugal era favorito diante da França. Eles jogavam em casa, mas sempre acreditei que Portugal sabia qual a fórmula para vencer a França. E conseguiram.

 

Cristiano Ronaldo foi determinante para o sucesso?

 

Sim, claro que sim. É um jogador fantástico, mas Portugal ganhou acima de tudo por ser um grupo, uma equipa unida, isso notou-se na final quando Cristiano Ronaldo se lesionou. Mas outros também se destacaram, como Renato Sanches e João Mário, por exemplo.

 

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publicado às 16:40

 

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Entre as centenas de fotografias que existem de Jorge Jesus, o Diário de Notícias escolheu esta - exactamente como está aqui apresentada - para acompanhar a sua reportagem da conferência de imprensa do treinador do Sporting de antevisão ao jogo com o Légia Varsóvia.

 

A tendências extremas "encarnadas" deste jornal já são bem conhecidas, mas esta obra indecorosa ultrapassa qualquer sentido de décor que se possa associar a bom jornalismo.

 

Faz lembrar semelhante "obra" do Record - então sob Alexandre Pais - quando publicou a foto do nadador Alexis Santos com o emblema do Sporting rasurado da touca.

 

Mais uma ingloriosa demonstração de quão "pequeno" Portugal realmente é.

 

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publicado às 04:13

 

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Até achei curioso o Diário de Notícias não ter "metido a colher" na suposta "novela" em torno de Slimani na terça-feira, uma vez que este jornal não perde uma oportunidade seja no que for de menos positivo para o Sporting.

 

Em modo de recuperar tempo e espaço perdidos, eis que surge a "colher" com mais uma versão para divertir a plateia, invocando, até, a Lei Webster, reconhecendo que esta não é aplicável neste caso, mas nem por isso sem deixar de a referir, quase como a querer dar ideias.

 

«Slimani quer sair do Sporting. O internacional argelino já há muito tomou esta decisão e voltou a comunicá-la à direcção do clube leonino. Bruno de Carvalho, presidente dos leões, contudo, continua à espera de uma proposta considerada séria e até ao momento nenhum clube passou dos 15 milhões de euros mais bónus.

 

O empresário do jogador, Luca Bascherini, esteve em Lisboa na passada semana e apresentou ao avançado de 28 anos novas propostas provenientes de Inglaterra. Financeiramente, as mesmas triplicam o salário que o argelino recebe no Sporting, pelo que Slimani entende que é o momento para sair. Até porque, segundo fontes próximas do jogador, a SAD leonina terá dado a garantia ao futebolista de que este poderia sair nesta época caso chegassem propostas. E foi com base nessas ofertas que o jogador tentou abordar o treinador Jorge Jesus no treino de segunda-feira, mas este recusou-se a falar sobre o tema.

 

(...) Slimani, no entanto, entende que os verde e brancos estão a faltar à palavra dada no início da última temporada, segundo fonte próxima do jogador, e irá continuar a pressionar para sair de Alvalade, ainda que a possibilidade de faltar a treinos, como chegou a ser ventilada, não esteja nos planos do argelino - ontem, por exemplo, depois de ter falhado o treino de segunda-feira à tarde, foi um dos primeiros a chegar a Alcochete no treino da manhã.

 

Segundo dados recolhidos, o avançado também não irá recusar-se a jogar pelo emblema de Lisboa, até porque, em caso de ser transferido, como deseja, pretende apresentar-se em excelentes condições físicas».

 

Lei Webster sem efeito

 

«A hipótese de Slimani fazer exercer a Lei Webster para poder sair já do Sporting circulou durante a tarde de ontem, mas a verdade é que o argelino não poderá usar essa artimanha.

 

A Lei Webster permite, de facto, que um jogador de 28 anos possa sair do clube que representa se pagar o equivalente aos salários que lhe restam até final de contrato. Contudo, essa mesma lei estipula que para tal o jogador tem de estar sob um contrato há pelo menos dois anos. E se é verdade que o internacional argelino está em Alvalade desde 2013, também é um facto que renovou contrato no último ano, em Agosto, e os tais dois anos terão de ser contabilizados a partir daí. Ou seja, caso o argelino pretenda exercer essa lei, só o poderá fazer no final desta nova temporada».

 

Ficamos a "saber", portanto, que houve várias propostas mas que nenhuma foi além dos 15 milhões de euros, mais "bónus". Que a origem destas é a Inglaterra (o segredo mais conhecido do Planeta), mas não revela os nomes dos clubes, a exemplo da restante imprensa. Ainda, segundo a proverbial "fonte" anónima, que o Sporting deu a palavra ao jogador que permitiria a sua saída no final da época.

 

Por fim, o diário também "sabe" que não é a intenção do jogador faltar aos treinos, confirmada pela sua presença na terça-feira, depois de ter estado ausente na segunda-feira à tarde. Um caso típico de noticiar em função do que já foi noticiado.

 

Resumindo e concluindo, com toda esta "informação", ficamos a saber ainda menos do que sabíamos na terça-feira. Ainda bem que a comunicação social está atenta a estas questões e reporta com fundamento e exactidão.

 

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publicado às 06:56

Sporting: evolução na continuidade

Rui Gomes, em 18.05.16

 

Um artigo interessante e creio que merecedor de ser comentado, que nos foi referido pelo leitor Leão da Guia, a quem agradecemos.

 

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O futuro do futebol profissional do Sporting passa inevitavelmente por um nome: Jorge Jesus. A contratação surpresa por Bruno de Carvalho em Junho do ano passado continua a ser o principal trunfo para um futuro risonho dos leões, e, por isso, só depois de ficar desfeita em definitivo a dúvida da permanência do técnico em Alvalade se poderá perceber se o projecto tem continuidade ou se mais uma vez o clube terá de começar de novo nesta matéria, o que seria desastroso. Jesus revolucionou o futebol leonino ao ponto de ter ficado apenas a dois pontos do título logo na primeira época. Liderou 16 jornadas e esteve em segundo na última fase sempre à espera da escorregadela encarnada que nunca aconteceu.

 

O egocêntrico mas talentoso Jesus mexeu em quase tudo, implementou um modelo de jogo, ajustou a organização, afinou o planeamento e interferiu até na logística e nas infra-estruturas. Teve o dinheiro de que precisava para contratações cirúrgicas, apostou em alguns nomes da formação e rentabilizou activos que já possuía. Uniu os adeptos à volta da equipa e o grupo em torno de si próprio, permitindo que ficasse imune à maior parte das ameaças externas. Se não ficar em Alvalade a estrutura poderá ser abalada ao ponto de abrir brechas difíceis de sarar nos tempos mais próximos.

 

Garantir a continuidade da maior parte dos jogadores e substituir de forma eficaz os que saírem será o segundo maior dos desafios imediatos em Alvalade. Parece óbvio que João Mário, Slimani e William Carvalho vão mesmo sair. Foram fundamentais nesta época e vão abrir vagas difíceis de preencher em talento, influência na manobra, e na capacidade de entrega em campo. Há opções em casa mas ainda são muito arriscadas para serem únicas.


O último desafio imediato em Alvalade será ver se finalmente Bruno de Carvalho vai conseguir vestir definitivamente o fato de presidente e despir a pele de adepto, corrigindo os erros de uma época que podia ter sido memorável mas que teve muitos erros próprios. Depois do sucesso na reestruturação financeira, na contratação de Jorge Jesus e na aquisição de jogadores, o presidente dos leões terá de perceber que a guerra permanente alimentada por comunicados venenosos, discursos truculentos, entrevistas regulares e a presença quase diária nas redes sociais provoca vários efeitos mas nenhum deles é benéfico para a equipa.


Porque motiva adversários, como se viu na Luz, irrita e condiciona árbitros, como se percebeu ao longo da época, e dá matéria aos comentadores e "opinadores" para manterem a pressão sobre a equipa em alturas fundamentais. A estratégia de comunicação tem de mudar de forma radical. Um presidente é um líder, firme mas contido, que quando fala deve fazer-se ouvir e não permitir que se ridicularizem as intervenções pelo tom desadequado, pela linguagem guerrilheira ou pela frequência quase diária que as banaliza. Além disso, cria-se à volta da equipa um ruído desnecessário e uma pressão que em momentos fundamentais podem ser factores demolidores.


O sucesso desportivo de qualquer clube de craveira internacional passa pela estrutura. Pelo seu equilíbrio e pela sua qualidade. Essa terá de ser a partir de hoje a principal tarefa de Bruno de Carvalho, garantir que a estrutura se torna de tal forma hermética que não há ameaça exterior que afecte o grupo de trabalho, e de tal forma científica que se torne imbatível em eficácia. Há que garantir que quem entrar depois de Jorge Jesus terá condições de excelência e um trabalho para continuar. Um conceito para respeitar. Como em todos os grandes clubes do mundo.

 

 

António Esteves - Diário de Notícias

 

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publicado às 09:51

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