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Sporting Clube, marca de Portugal

Rui Gomes, em 24.04.18

 

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A opinião de Carlos Coelho, Presidente da Ivity Brand Corp e da Associação Portugal Genial.

 

Goste-se ou não, o futebol é uma marca estruturante do nosso tecido identitário. As marcas dos clubes representam, para além de golos, formas de estar, exemplos, valores, espaços de extroversão e paixão, como poucas marcas comerciais conseguem ser.

 

O Sporting é um destes redutos. É contudo uma marca ferida nas últimas décadas pela óbvia ausência de resultados consistentes no futebol, mas orgulhosa dos seus valores fundacionais – Esforço, Dedicação, Devoção e Glória – de José Alvalade e do seu Leão rompante. São mais de 20 000 títulos em diversas modalidades. O quinto clube do mundo com mais sócios, 150 mil membros. É a marca desportiva portuguesa com mais medalhas olímpicas, a primeira a fornecedor um jogador de futebol à selecção da Europa – Peyroteo, e o único clube do mundo a formar dois dos melhores jogadores de futebol de sempre: Luís Figo e Cristiano Ronaldo.

 

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O Sporting Clube de Portugal é uma marca centenária, por seu lado Bruno de Carvalho é uma marca recente, inflamável, mais adepta que presidencial. Capaz de organizar as contas e de unir claques, mas de desorganizar os princípios. Uma marca que alimenta o fogo de vencer com gasolina de instigação. Uma marca que se tem organizado em torno da promessa de resultados e não de valores. Uma marca facebookiana. Que ama o Sporting, mas que gere como se fora ele que o estivesse a inventar, empossando-se de agir com o leão de si próprio e não com o espírito Leonino que deveria representar.

 

O que se coloca nesta análise não é de natureza desportiva. A questão surge quando a marca de um gestor se sobrepõe à marca da instituição que gere. Quando assim acontece, ou existe uma plena harmonia entre marcas, instituição e pessoa, ou o desalinhamento acabará por resultar num fracturante conflito, que acabará por enfraquecer ambas as partes.

 

Pela evidência à vista, Sporting e Bruno de Carvalho são hoje duas marcas desalinhadas que se incompatibilizaram, ou que talvez nunca tenham sido compatíveis. Pontapear uma marca alegando amor é o último reduto de quem está perdido no sentir profundo de um clube, que naturalmente quer ganhar, mas que acima de tudo não quer perder a sua dignidade, o seu respeito, a sua educação, a sua marca. Deixo uma nota final a todos os dirigentes de clubes de Portugal que tantas vezes insistem em dar tão maus exemplos ao país. Que marca querem deixar para as gerações futuras. Ser só bola?

 

***Agradecemos a gentileza da referência ao leitor LEÃO DA GUIA

 

publicado às 03:29

As palavras do Dr. Ricciardi

Desert Lion, em 21.10.13

 

 

 

Respondendo a um desafio do nosso comentador HY, que apesar de muitas vezes estar em desacordo connosco, sempre o fez com enorme inteligência, respeito e educação, permitindo um debate civilizado de ideias - ao contrário de outros que parecem ter inclinações mais belicosas -, passarei aqui a dar a minha interpretação sobre as palavras do Dr. Ricciardi:

 

O que eu penso que se conseguiu foi uma reestruturação que foi positiva, não só para os dois bancos (BCP e BES) como para o Sporting, mas também muito dura. Estávamos a falar há pouco da consolidação das nossas contas públicas, ora o que isso representa para o Sporting também é muito duro [...] O Sporting passou a ter de ter um orçamento que é talvez menos de metade daquele que tinha anteriormente, mas, como se vê, no futebol profissional não é só o dinheiro que faz com que os clubes consigam ter melhores ou piores desempenhos. Basta olhar para exemplos como o Braga ou o Paços de Ferreira, que, no ano passado ficou em terceiro lugar. Foi uma boa reestruturação, acho que se conseguiu que o Sporting ficasse com a situação financeira estabilizada, mas, por outro lado, para que isso fosse possível, foi preciso que o Sporting fizesse um trabalho extremamente duro e corajoso na diminuição dos seus custos [...] Fiquei surpreso, não por ser este presidente, mas porque a tarefa seria muito difícil para qualquer um”.


No que concerne às palavras finais, de louvor ao trabalho duro e a capacidade para enfrentar a dificuldade da tarefa da reestruturação, penso

que essa será a opinião geral, e também nós aqui já o havíamos louvado e referido. Passo a citar parte do meu post de análise aos primeiros 6 meses de vigência desta Direcção Leonina:


“- Gostei da reestruturação financeira. Quem não tem cão caça com gato e foi o que a nova Direcção fez. Ameaçou não pagar e, aproveitando a fraqueza estrutural dos nossos credores (BCP e BES estão com graves prejuízos que não podem deixar agravar ainda mais), conseguimos um acordo que nos permitiu sobreviver, se bem que limitados e dentro de baias extremamente curtas.

- Gostei que tivesse avançado a redefinição de meios – incluindo meios humanos - do Clube e SAD. Apesar de não ter sido feita nos moldes que me pareciam mais adequados, houve a coragem de reestruturar e mexer com hábitos e direitos adquiridos, o que é de louvar.

- Gostei da reestruturação informada das actividades amadoras – contra a qual antes batalhei e do aqui faço um mea culpa. O presidente referiu que as diminuições de orçamentos estariam em linha com o que os outros grandes iriam fazer e, tanto quanto fui lendo, parece que tal se confirmou. Foi pois bem pensado e estrategicamente correcto reduzir os orçamentos quando a concorrência também o fez, não desperdiçando os muito escassos meios de que vamos dispondo.”

 

Pergunta depois o HY porque é que, estando o Dr. Ricciardi no CFD há tanto tempo, nunca se lembrou de que talvez este caminho, do corte radical de custos, fosse o mais correcto. E posso-lhe responder aqui que estou certo de que, muitas vezes, se terá lembrado disso. No entanto, houve sempre a convicção de que assumir um orçamento de 20 milhões, contra cerca do triplo ou quádruplo dos nossos rivais, Benfica e Porto, nos condenaria a uma situação de subalternidade competitiva permanente, pontuada aqui e ali por um ou outro sucesso, obtido de modo não sustentável. Assumiu-se que a sustentabilidade de um Clube que terá cerca de metade da massa crítica do seu maior rival (Benfica) só poderia advir de uma gestão semelhante à do outro rival (Porto), em que os sucessos desportivos, propiciassem receitas (via TV, Champions, bilheteira, patrocínios, venda de jogadores e outras), que por sua vez permitiriam reforçar a componente desportiva, para se gerarem mais sucessos, e assim sucessivamente. Esta aposta precisaria de um esforço inicial de investimento, que foi o que vários presidentes tentaram fazer – o Dr. Soares Franco com a venda do património e as VMOCS iniciais, o Dr. Bettencourt com crédito (até lho cortarem...), e o Eng. Godinho Lopes com recurso a crédito e recursos diversos de Fundos -, para depois se colherem os frutos em vitórias. Um Clube vencedor atrairia também investidores externos e, com as essas injecções de capital, liquidar-se-iam os créditos iniciais, deixando o Clube a gerir tranquilamente os seus activos vencedores, sob controlo de profissionais do desporto e finanças.

 

Esta estratégia de risco nunca resultou, fundamentalmente porque nunca houve uma gestão desportiva capaz no Sporting. Centenas de jogadores entraram e saíram sem sequer se saber sequer se eram bons ou maus. Mas também porque, sejamos justos para quem passou pelo Clube, nos foram cortadas as pernas em momentos críticos da ultima década e meia... E sim, estou a falar de arbitragens “frutadas” que nos arredaram da compita, geralmente logo antes do Natal. Estas, não só nos destruíram campeonatos, como nos impediram de solidificar equipas e jogadores, transformando os bons em médios e os médios em medíocres. Como referi no meu primeiro post neste blogue, só durante três épocas houve sorteio nas nomeações de árbitros em Portugal, tendo, curiosamente, o Sporting sido campeão em duas delas.

 

Gostava ainda de aqui recordar que também o actual presidente do SCP advogava essa política mais “pró-investimento”, há dois anos e meio atrás. Foi ele que apareceu com um Fundo de 50 milhões de euros para comprar jogadores para o Sporting que, naturalmente, comparticiparia dessas compras e pagaria os salários e os outros custos. Ou seja, as filosofias de gestão que nos foram propostas aos longo dos últimos anos não diferiram muito, até o Clube chegar a uma situação em que já não havia dinheiro (nem crédito) para nada. Chegados aí, quer BdC quer Couceiro prometeram fazer uma redução das despesas e adaptar o Clube à sua realidade. BdC ganhou e fê-lo, não se notando quebras de competitividade, pelo menos até esta altura. Só podemos aplaudir e desejar que se consiga manter o mesmo nível ao longo  de toda a época, quer no futebol (SAD), quer nas modalidades a cargo do Clube.

 

Apenas uma última nota para a posição do Dr. Ricciardi, que sempre se “esticou” muito pelo SCP. Os montantes investidos pelo BES no Clube foram, constantemente, objecto da discordância da generalidade do Conselho de Administração (o que, aliás, é público), sendo o Dr. Ricciardi a, de uma forma quase pessoal, insistir para que fosse permitido o aumento de exposição da Banca ao Clube (com taxas de juro e condições invejáveis), nos momentos em que este mais precisou.

 

publicado às 12:41

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