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Reflexão do dia

Rui Gomes, em 09.09.19

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Questionado sobre se concorda com o presidente da Liga espanhola de futebol, Javier Tebas, que, na passada quinta-feira, em Portugal, à margem da Soccerex Europe, defendeu a necessidade de o governo português, à semelhança de outros na Europa, intervir e impor a centralização dos direitos televisivos, António Salvador, presidente do SC Braga, teve isto para dizer:

"Em Espanha, o governo interveio, mas o 'timing' passou. Tomara todos termos mais receitas. Devia ter sido uma preocupação da Liga e dos responsáveis governamentais antes de todos estes contratos que se fizeram recentemente, não o fizeram e acho muito difícil agora. É um assunto que é relevante, mas não tem pernas para andar neste momento. É mau para Portugal, mas há que esperar".

publicado às 03:31

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 10.05.19

 

Os direitos televisivos dos clubes portugueses, em que cada um negoceia individualmente, não têm o mínimo de comparação com o que ocorre na Premier League, onde é a própria Liga a negociar um pacote colectivo.

 

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Na Inglaterra existem múltiplos factores que entram em equação para a distribuição dos valores. O processo é bastante complexo e não me vou dar ao trabalho de o explicar em detalhe, mas através do gráfico, relativamente à época de 2017/18, fica-se com uma ideia dos montantes recebidos por cada clube e os respectivos critérios do processo.

 

O campeão não é necessariamente o que mais recebe. Na época em questão, a exemplo, o primeiro classificado Manchester City recebeu cerca de 172 milhões de euros, ligeiramente menos do que o segundo classificado Manchester United.

 

A meio da tabela, o 10.º classificado Newcastle recebeu 142 milhões de euros, mais do que o 7.º classificado Burnley, que encaixou cerca de 138 milhões.

 

Mais para o fundo da tabela, o 20.º e último classificado West Bromwich recebeu cerca de 110 milhões de euros, enquanto o 16.º Huddersfield contabilizou cerca de 118 milhões.

 

Poderá não ser um sistema perfeito, mas não parece existir outro equiparável.

 

publicado às 03:32

 

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O presidente da Liga Portugal acredita que o mercado televisivo da Primeira Liga pode chegar a valer um mínimo de 400 milhões de euros, sempre e quando os direitos de transmissão sejam centralizados e geridos pelo organismo.

 

A revelação foi feita por Pedro Proença, esta sexta-feira, durante o colóquio "O Estado do Futebol em Portugal", inserido na pós-graduação em "Gestão e Organização do Futebol Profissional", realizada em Braga e inserida no conjunto de eventos que têm rodeado a "final four" da Taça da Liga.

 

No presente, esse mercado vale, a fazer fé nas palavras de Proença, qualquer coisa como 200 milhões de euros, sendo gerido pelos próprios clubes:

 

"Já conseguimos passar os direitos televisivos da nossa Liga de 70 milhões para 200 milhões, e seguramente que com a centralização conseguiremos duplicar pelo menos esse valor. A centralização dos direitos televisivos é fundamental e será uma realidade".

 

Não tenho informação suficiente para verdadeiramente comentar o alvo dos 400 milhões de euros, mas parece-me ao alcance da realidade portuguesa. Isto não obstante, apoio Proença cem por cento no que diz respeito à centralização, e quanto antes, dos direitos televisivos. Uma medida que já devia ter sido tomada há muito.

 

publicado às 03:30

 

Nada de novo nesta história, dado que se repete anualmente, apenas os números mudam mediante os contratos celebrados entre a English Premier League e a respectiva cadeia televisiva.

 

O Chelsea embolsou 173,5 milhões de euros relativos a direitos televisivos e prémio por vencer esta temporada a Premier League. Este valor é superior em quase dois terços em relação ao seu antecessor, o Leicester, uma vez que os blues beneficiaram de novos acordos televisivos. O Sunderland, que desceu de divisão, embolsou, ainda assim, 107,5 milhões de euros -  2,6 vezes mais do que o Benfica, campeão português, que encaixou cerca de 40 milhões.

 

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Os direitos comerciais e de transmissão internacional do campeonato inglês são divididos em partes iguais, garantindo a cada clube 45 milhões de euros. Metade dos proveitos com as transmissões em Inglaterra é igualmente dividida entre os 20 clubes, nomeadamente 40,5 milhões de euros. Um quarto do valor é distribuído mediante a posição final da equipa e o outro quarto depende do número de vezes que o jogo do clube é exibido na televisão nacional.

Estas regras explicam porque é que o Manchester City e o Liverpool receberam mais dinheiro do que o Tottenham, apesar deste ter sido vice-campeão.

 

publicado às 05:00

 

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Em entrevista à revista Forbes Portugal, Bruno de Carvalho comentou a muito discutida centralização de direitos de transmissão televisiva e, com plena razão, acusou o Benfica de ser o principal responsável pela não concretização desse projecto para o futebol português. Uma das raras ocasiões em que estamos totalmente de acordo com o líder do Sporting. Eis o que ele teve para dizer:

 

«Fui e continuo a ser a favor da centralização da negociação dos direitos de transmissão televisivos, mas posso explicar o que aconteceu. Os clubes que fazem parte da Direcção da Liga, entre os quais os “três grandes”, assinaram um «business plan» cuja base era a centralização da negociação dos direitos. Estava lá. Não era implícito, era explícito. Mas a partir do momento em que um qualquer clube fura esse acordo e começa a negociar individualmente, como fez o Benfica, a centralização acabou. A partir daí, todos os clubes começaram a fazer valer os seus direitos e necessidades porque o compromisso foi violado. No futebol, não há cultura de compromisso. De manhã diz-se uma coisa e à tarde diz-se outra com a maior naturalidade", começou por dizer o líder leonino.

 

É lógico que a centralização ia dar menos dinheiro aos clubes grandes. Não muito menos, mas menos. E dava um pouco mais aos clubes pequenos. Mas o futebol é um indústria. Se os clubes forem livres de interesses de terceiros, não tão dependentes dos empresários de jogadores dos 'três grandes', e se o campeonato for mais competitivo, o futebol português torna-se mais atractivo, o que a longo prazo atrai mais dinheiro. Por exemplo, se o clube não tem capacidade para adquirir um jogador e tem de o pedir emprestado está a criar uma relação de dependência que, em Portugal, devido às dificuldades que os clubes atravessam, assumem por vezes proporções exageradas. Não tenho dúvidas de que, o que à partida pode parecer ser um negócio pior pior, no médio prazo seria um negócio melhor para o futebol português e todos iriam sair beneficiados.

 

«A intervenção governamental é fundamental para o futebol (…) tem de intervir no futebol ao nível da falta da transparência e corrupção. Os clubes não têm maturidade para criar as regras para eles próprios. Criar regras de jurisdição. Perceber o que é a justiça desportiva. Ter coragem para afirmar que o futebol não é um subsistema dentro do sistema. É necessário diminuir o jogo fora das quatro linhas.»

 

Quanto à sua referência à complexidade circunstancial e potencial conflito no processo de empréstimos de jogadores, há muito que escrevemos aqui, e em outros espaços, que este processo não devia ser permitido dentro da mesma competição. Dar continuidade a esta regra resulta apenas em perpetuar o clima de suspeitas e conflitos. Isto dito, não será necessário um cínico para adiantar que poderá haver interesse em alguns cantos da "praça" em preservar o "status quo".

 

publicado às 16:12

 

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Camilo Lourenço, conhecido jornalista especializado em economia, mostra-se surpreendido com os valores que os três clubes grandes do futebol português estão a garantir através dos contratos com as operadoras de televisão e levanta várias dúvidas relacionadas com os acordos do Benfica (400 milhões de euros), FC Porto (457,5 milhões de euros) e Sporting (446 milhões de euros): 

 

«A economia portuguesa não tem riqueza para pagar valores desta dimensão. Existem duas hipóteses: Ou os clubes andam a inventar valores, que embora apareçam nos contratos depois têm sempre umas cláusulas que nos fazem duvidar que eles venham a ser cumpridos na totalidade, e não tenho dúvida nenhuma quanto a isso, ou então estamos todos doidos.

 

Algumas questões que devem ser bem ponderadas: O que é que se vai passar com as autoridades de regulação deste sector? Mesmo que os clubes não atinjam estes valores, mesmo que acabem por não receber estes valores, o que é que vão fazer? Vão reduzir o passivo? Como é que as operadoras vão pagar estes valores? Suspeito que será o consumidor.»

 

____________________________________________

 

 

Aproveitamos o ensejo, e o espaço deste post, para dar uma breve explicação, em sinopse, do acordo que o Sporting assinou esta terça-feira. Não sei se será possível, mas vamos tentar publicar, até amanhã, uma análise comparativa dos acordos dos três "grandes" um pouco mais em detalhe.

 

A NOS vai pagar ao Sporting 446 milhões de euros (direitos de transmissão televisiva dos jogos em casa, de exploração da publicidade estática e virtual no estádio, de transmissão e distribuição da Sporting TV e ainda de ser o principal patrocinador da equipa) pelo contrato agora assinado. Isto, confirmado pelo comunicado da operadora.

Do total de 515 milhões anunciado pelo Sporting, faltam, portanto, 69 milhões, uma verba a pagar ao Clube pela PPTV - Publicidade de Portugal e Televisão SA (empresa de Joaquim Oliveira) num aditamento ao contrato actual em vigor cujo montante foi revisto. O acordo refere-se aos direitos de transmissão televisiva e multimédia dos jogos em casa da equipa principal e ainda da exploração da publicidade estática e virtual em Alvalade, nas épocas 2015/2016, 2016/2017 e 2017/2018.
 
Qualquer análise comparativa terá de ter em conta a duração de cada acordo, por área de cedência comercial.
 

publicado às 16:50

 

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SPORTING CLUBE DE PORTUGAL – FUTEBOL, S.A.D.

 

Sociedade Aberta Capital Social: € 67.000.000 Capital Próprio aprovado em Assembleia Geral de 30 de Setembro de 2015: € 7.043.000

Sede Social: Estádio José de Alvalade – Rua Professor Fernando da Fonseca, Lisboa

Matriculada na Conservatória do Registo Comercial de Lisboa com o número único de matrícula e de identificação fiscal 503.994.499

 

 

COMUNICADO

 

A SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, Futebol SAD informa, nos termos do art. 248.º, n.º 1 do Código de Valores Mobiliários, que chegou hoje aos seguintes acordos:

 

1) com NOS LUSOMUNDO AUDIOVISUAIS, S.A. um contrato para a cessão dos seguintes direitos:

 

(i) direito de transmissão televisiva e multimédia dos jogos em casa da Equipa A de Futebol Sénior da Sporting SAD e direito de exploração da publicidade estática e virtual do estádio José Alvalade pelo período de 10 épocas desportivas com início em 1 de Julho de 2018;

 

(ii) direito de transmissão e distribuição do Canal Sporting TV, pelo período de 12 Épocas desportivas, com início em 1 de Julho de 2017;

 

(iii) direito a ser o seu Principal Patrocinador, pelo período de 12 épocas e meia, com início a 1 de Janeiro de 2016.

 

2) com a PPTV – Publicidade de Portugal e televisão, S.A. um aditamento ao contrato actual pelo qual foram revistos os valores a pagar pelos direitos de transmissão televisiva e multimédia dos jogos em casa da Equipa A de Futebol Sénior da Sporting SAD e direito de exploração da publicidade estática e virtual do estádio José Alvalade para as épocas 2015-2016, 2016-2017 e 2017-2018.

 

As contrapartidas financeiras globais resultantes do valor dos contratos, incluindo as épocas 2015-2016, 2016-2017 e 2017-2018, o referido no ponto 1 e o aditamento referido no ponto 2 ascendem ao montante de € 515.000.000.

 

Lisboa, 29 de Dezembro de 2015

 

 

O comunicado da NOS permite fazer contas mais detalhadas

 

 

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Comunicado

 

A NOS SGPS, S.A. informa que foi hoje celebrado entre a SPORTING CLUBE DE PORTUGAL -FUTEBOL SAD, a SPORTING COMUNICAÇÃO E PLATAFORMAS, S.A. e a NOS LUSOMUNDO AUDIOVISUAIS, S.A. um contrato para a cessão dos seguintes direitos:

 

(i) direito de transmissão televisiva e multimédia dos jogos em casa da Equipa A de Futebol Sénior da Sporting SAD;

(ii) direito de exploração da publicidade estática e virtual do estádio José Alvalade;

(iii) direito de transmissão e distribuição do Canal Sporting TV;

(iv) direito a ser o seu Principal Patrocinador.

 

O contrato terá uma duração de (a) 10 épocas no que se refere aos direitos indicados em (i) e (ii) supra, com início em 1 de Julho de 2018, de (b) 12 épocas no caso dos direitos mencionados em (iii) com inicio em 1 de Julho de 2017 e (c) 12 épocas e meia no caso dos direitos mencionados em (iv) com início no dia 1 de Janeiro de 2016, ascendendo a contrapartida financeira global ao montante de 446.000.000, repartida em montantes anuais progressivos.

 

Esta informação está também disponível no site de Apoio ao Investidor da "NOS" em www.nos.pt/ir.

 

Lisboa, 29 de Dezembro de 2015

 

publicado às 16:03

Consideração do Dia

Rui Gomes, em 06.12.15

 

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Não obstante o debate sobre a centralização de direitos televisivos, esta recém-guerra entre distribuidores de conteúdos pode ser o alimento deleitável que faltava ao futebol português e trazer a capacidade de penetração no mercado global há longo desejada, mas jamais alcançada.

 

Porém, o «handicap» do presente, como do passado, é a ausência de uma liderança forte superclubística para fomentar um maior equilíbrio entre grandes e pequenos, impedindo, por conseguinte, o alargamento do abismo entre as sociedades desportivas, ao ponto de este se tornar inultrapassável e agravar de modo fatal a competitividade no futebol, anulando o seu interesse como entretenimento das massas.

 

Ao fim e ao cabo, a incerteza no resultado é o sal do futebol, e quanto mais "salgado" o produto, maior o apetite para o espectáculo.

 

publicado às 06:18

"Clubes preferem pouco a nenhum"

Rui Gomes, em 04.12.15

 

Paulo Reis Mourão, doutorado em Economia e professor da Universidade do Minho, foi instado a comentar o negócio da venda dos direitos televisivos do Benfica tanto no contexto nacional como europeu. Entre as suas considerações, escolhi estas duas que parecem fazer sentido e servem para explicar alguns aspectos do estado das coisas no futebol português:

 

«O valor do negócio do Benfica é alto para Portugal, mas nem por isso no contexto europeu. É uma questão histórica. Os vários modelos em discussão advogam que a centralização do negócio (na Liga, por exemplo) traria receitas mais volumosas. Mas os clubes, amedrontados com a indefinição, preferem pouco a nenhum.

 

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O facto de os direitos televisivos de um "grande" português renderem menos do que os outros grandes europeus, tem a ver com o oligopsónio instaurado em Portugal, que dificulta o alcance de valores mais meritórios para os clubes. E com os factores que tornam os jogos interessantes para o telespectador. O campeonato inglês tem dérbis mais equilibrados, o francês maior número de diferentes campeões nos últimos 30 anos, o italiano equipas com mais títulos internacionais e o espanhol os plantéis mais valiosos do momento. Enquanto a liga portuguesa for uma estação de serviço no caminho para o estrelato europeu de muitos jogadores, os direitos televisivos ficarão dentro dos interesses das empresas de distribuição mediática que operam em Portugal.»

 

publicado às 05:12

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