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 Imagem que acompanha o artigo do El País

 

 

"Probablemente no haya en el mundo un país con futbolistas más pacíficos y dirigentes más violentos. Hablamos de Portugal."

 

"El del Benfica, Luis Filipe Vieira, por presuntos delitos blanqueo, antes el del Oporto, Pinto da Costa, por asociación criminal; Bruno de Carvalho por tráfico de influencias." 

 

EL Pais, Javier Martin Del Barrio, Los incendiarios del fútbol portugués, 2 de Março de 2018

 

 

A operação "E-Toupeira" é um assunto do foro da justiça. Terá seguramente os seus desenvolvimentos. Mas se se comprovarem as suspeitas é um assunto que dá uma imagem degradante do futebol português, ou melhor da sua classe dirigente. Pinto da Costa é um 'chico esperto' que, em tempos, conseguiu criar uma rede de influências para hegemonizar o futebol português. Vieira com muita paciência, noutro contexto, segui-lhe os passos. É um sonso que se faz de peixe morto,  nunca sabe de nada, espera que o tempo faça passar a borrasca. Bruno Miguel é um admirador de Pinto da Costa, e queria imitá-lo no Sporting, mas não tem 'chico espertice' suficiente para o fazer. Escolheu o tempo e os alvos errados, e minou o seu próprio caminho.

 

O futebol português tem praticantes pacíficos mas dirigentes violentos escreve o cronista no Jornal El País. O texto é acompanhado por uma imagem de Bruno Miguel equipado no meio da claque a ver um jogo. E se esta situação de mau dirigismo chegou à imprensa espanhola e se deve ao dirigismo rasca de todos clubes grandes, o certo é que a utilização da imagem do presidente do Sporting não pode deixar de ser significativa. A entrada desta personagem não trouxe nada de bom para o futebol em Portugal. Com um discurso arrogante, que apela à violência e com uma prática revanchista contra o passado do clube que dirige, entre outras atitudes, tem contribuído para um agravamento da imagem do futebol em Portugal.

 

Bruno Miguel deve estar nas suas sete quintas. De ilustre desconhecido já conseguiu que a sua fama ,pelas piores razões, ultrapassasse fronteiras. É uma estrela no universo leonino, pela cegueira dos adeptos, quiçá uma estrela no país, pelo espectáculo triste que teima em representar, e agora também em Espanha por ser um factor ligado à situação degradante que se vive no futebol nacional. Está de parabéns tal como os adeptos, que rezando ladainhas, o levam num andor e que rasgam as vestes à sua passagem. Triste imagem de um clube prestigiado. Triste imagem da situação vergonhosa do futebol nacional.

 

Mas o dirigismo rasca que está a tornar o futebol em Portugal um caso de estudo tem outros protagonistas. Nos dois principais clubes rivais não há exemplos a seguir, e no que diz respeito a uma classe de dirigentes, há a mesma baixa qualidade. No clube do Porto sabemos do uso de práticas desonestas para influenciar resultados e no clube da Luz está tudo cada vez mais obscuro, vivendo num mundo subterrâneo. Contudo, Bruno Miguel, com as suas atitudes primárias, onde impera a falta de bom senso, de inteligência, e a utilização gratuita da grosseria, só veio acrescentar mais descrédito, à imagem de uma modalidade admirada internacionalmente pela qualidade dos praticantes. Os campeões europeus em futebol e futsal, não merecem isto. Este mau dirigismo é digno de chacota.

 

Quando há coragem para mudar?

 

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publicado às 04:29

Bom senso e bom gosto

Naçao Valente, em 21.04.17

Que as claques são escolas de maus costumes, todos sabemos. Que as claques servem de guardas pretorianas ao serviço de jogos de poder, é uma evidência. Que as claques promovem o ódio, é inegável. Que as claques não sejam exemplos de bom senso, pela sua natureza, compreende-se. Agora que sejam os dirigentes os focos principais dos comportamentos condenáveis é de lamentar.

 

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O presidente Bruno de Carvalho, declarou durante a campanha eleitoral para a Direcção do Sporting, que ia ser mais comedido. Palavras sem significado como se comprova pelas suas últimas afirmações. Enquanto o presidente fez o trabalho que lhe compete e se remeteu ao silêncio senti-me bastante aliviado e até pensei, é desta que o homem toma senso. Sol de pouca dura. Não consegue fujir à sua natureza. E assim que abre a boca sai disparate. Utilizar, por exemplo, a pedofilia, uma prática criminosa grave, e associada a indivíduos com perturbações mentais, como termo de comparação com a chamada “cartilha” não revela apenas falta de bom senso, mostra muito mau gosto. O que é mais preocupante é que o uso destas formulações é recorrente. Lembram-se termos como “belfodil” ou “as duas nádegas”., para se questionar se isto não estará relacionado com traumas de âmbito sexual.


Pouco me interessa que o cidadão Bruno de Carvalho, use ou abuse deste tipo de expressões, o que me envergonha é que o presidente do clube de que sou adepto há mais de sessenta anos, o faça na sua qualidade de dirigente máximo. Talvez seja urgente fazer formação intensiva de "bom senso e de bom gosto", para este e outros presidentes, com a certeza, porém, que só aprende quem está receptivo à aprendizagem.


PS: A pressão da opinião pública, expressa na comunicação social a propósito da irracionalidade das claques, demonstrada na ausência de humanismo (falta de respeito pela vida humana) levou alguns dirigentes a fazerem uma espécie de “mea culpa”. O presidente do meu clube também o fez, cavalgando a mesma onda. Merecem elogios, mas não sei porquê, parece-me hipocrisia.

 

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publicado às 17:22

A Inaudita Guerra da Segunda Circular

Naçao Valente, em 08.04.17

 

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O escritor Mário Carvalho escreveu uma história intitulada a "A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho", onde um grupo de berberes do século XII, montados nos seus cavalos, invadiam a dita avenida, depois da musa da história enlear dois fios de tempos distintos. Quando o exército português chega ao local, desvanece-se o passado, e este fica sem saber o que faz ali. Com a habitual qualidade literária é , em certo sentido, uma narrativa do absurdo. Esta narrativa veio-me à memória a propósito do clima de guerrilha quase diária que se estabeleceu entre os dois clubes da Segunda Circular. São muitas as semelhanças, começando pela sua absurdidade e terminando na sua inutilidade.


É certo que a rivalidade entre os dois clubes já vem de longe, do tempo em que a Segunda Circular ainda nem era uma miragem. É certo que sempre houve episódios de guerrilha, muitas vezes por motivo de contratações, mas sempre pontuais e transitórios. A natural rivalidade concentrava-se, sobretudo, como deve ser, dentro das quatro linhas. Esta guerra arcaica do século XXI, com palco na comunicação social, transformou-se na principal razão de existir da vida dos dois clubes. São queixas, queixinhas, insinuações, insultos, golpes baixos. Vale tudo. Mobilizam-se os adeptos para uma espécie de cruzada contra os infiéis, inimigos figadais que é preciso destruir. É a repescagem do que de pior têm as religiões. O ódio, a intolerância, o fundamentalismo.

 

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A explicação para esta guerra contínua, inútil e degradante, encontramo-la na qualidade das lideranças. Quer de um lado, quer de outro, do rio de alcatrão que os divide ,estão dirigentes de baixa qualidade. De facto, o dirigismo desportivo nunca esteve tão no fundo como actualmente. Os generais que ocupam a presidência dos dois centenários clubes, não passam de sargentos de má qualidade, arvorados em oficiais de estrelas de latão. Sem a devida formação cívica, formados à pressa na escola das claques ou na tarimba  de pequenos clubes, são presidentes sem classe, sem preparação e algumas vezes sem carácter. Fazem da guerra um modo de vida, um objectivo permanente, procurando, por essa via, manter as 'tropas' unidas. É uma perigosa união assente na irracionalidade das massas, apelando aos seus instintos mais primários. A violência gratuita ,já visível a olho nu, é o caminho desta deriva guerreira.


Os presidentes/caudilhos nascem ,vivem e alimentam-se da guerra. Precisam dela para subsistir, como de pão para a boca. Têm os 'soldados' presos ao seu magnetismo. E mesmo quando o ataque atinge as raias do ridículo, como aquando das últimas queixinhas do general do lado Norte ,todos o seguem cegamente. Em abono da verdade, situações idênticas também acontecem do lado Sul. Destas guerras inauditas ninguém tirará qualquer proveito palpável. Nem o desporto, nem o futebol. Perdem todos. Perdem principalmente as duas grandes instituições arrastadas para este lamaçal por aventureiros oportunistas.

 

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publicado às 05:31

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