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Mais algumas considerações de Miguel Poiares Maduro - professor universitário e antigo presidente do Comité de Governação da FIFA -, na recém-entrevista concedida ao Jornal Económico, que já aqui publicámos:

Esta é uma oportunidade para a Liga portuguesa introduzir reformas?

Não sabemos ainda como vai evoluir esta crise. Sabemos que vamos ter uma recessão profunda mas que pode ser de rápida recuperação. E esse pode ser o caso da indústria do futebol. Se durar pouco tempo, será uma crise de liquidez de curto prazo. No entanto, sabemos que muitos clubes em Portugal têm sérios problemas de liquidez o que pode ter consequências sistémicas para muitos desses emblemas. Se a crise for de médio longo prazo, esse será um desafio estrutural para todo o modelo do futebol. Neste sentido, e na perspectiva da Liga portuguesa, esta crise pode ser uma oportunidade de utilizar este desafio como pretexto introduzir reformas profundas.

Que reformas são essas?

Em Portugal, temos a Liga de futebol menos competitiva da Europa quando medida pela proporção de pontos com que o primeiro classificado ganha campeonatos, o que gera logo muito pouco interesse ao nível dos direitos de transmissão televisiva. Pode haver aqui uma boa oportunidade para a centralização dos direitos televisivos que, se for bem utilizada, poderá promover maior competitividade. Em Portugal, precisa-se muito de melhorar o todo do espectáculo desportivo, a qualidade dos serviços oferecidos e o combate efectivo à violência nos campos de futebol. Portugal responde melhor quando está sob pressão exógena.

E os clubes estarão dispostos a baixar o ruído comunicacional?

Esse ruído existe porque em Portugal há a percepção de que esse ruído é instrumental a ter poder nas instâncias do futebol que são decisivas para os resultados que têm lugar no campo. Pressiona-se árbitros e dirigentes e espera-se então que com essa pressão haja resultados dentro de campo. Só superamos isso com a criação de um leque de regras que tornem independentes e credíveis as instituições que decidem o nosso futebol, sobretudo na arbitragem e na disciplina.

E como podem os clubes portugueses perceber essa mudança?

Vai depender muito de um factor: se os clubes conseguem ou não mudar o paradigma de gestão e ter uma forma de gestão profissional. Por gestão profissional, não estou a falar de alguns sócios do clube irem para a SAD e serem pagos como profissionais mas sim a verdadeira contratação e escolha de profissionais para estas entidades. Como é que conseguimos promover a mudança de paradigma na gestão das SAD? Passa por mudar o modelo de governo dos clubes. Um dos grandes erros é o modelo presidencialista que faz coincidir as direcções dos clubes com as direcções das SADs. Deixo esta pergunta: qual é a probabilidade de entre associados apaixonados por um clube encontrarmos os melhores gestores profissionais daquela área económica?... Deve-se dar o passo para uma gestão verdadeiramente profissional porque o modelo actual está completamente ultrapassado.

publicado às 03:03

 

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Fosso de milhões está a matar o futebol do ‘Velho Continente’?

 

Poderá uma equipa portuguesa continuar a aspirar a conquista de uma prova europeia ou este fosso de milhões de euros está a matar a competitividade no futebol do 'Velho Continente'?

 

O recente estudo do CIES – Observatório do Futebol mostra que o fosso entre os colossos do futebol europeu e os clubes fora das cinco ligas mais importantes da Europa, está a aumentar. Para se ter uma noção, só o Manchester City gastou 878 milhões de euros para ter o plantel atual e o Paris Saint Germain investiu 808 milhões de euros para garantir os jogadores que tem no plantel atualmente (ver infografia). Perante estes valores, coloca-se a questão: poderá uma equipa portuguesa continuar a aspirar a conquista de uma prova europeia ou este fosso está a matar a competitividade no futebol da ‘Velho Continente’? O Jornal Económico falou com o jornalista e comentador Rui Pedro Braz que traça três desafios aos grandes do futebol português.

 

Perante os muitos milhões de euros gastos pelos colossos europeus, o que sobra para as equipas portuguesas?

 

Aquilo que aconteceu esta temporada ao Benfica e ao FC Porto na Liga dos Campeões não deixa de ser sintomático e preocupante e é parte do que está a acontecer à competitividade entre as equipas portuguesas e os grandes da Europa. Isto aconteceu no passado, noutras circunstâncias, mas aconteceu: os ‘grandes’ de Portugal serem goleados por outras equipas europeias. O problema é se isto acontecer de forma mais sistemática, ou seja, se este desfasamento entre as forças que existem noutros campeonatos e a força do campeonato português passar a ser uma prática comum e não um ato isolado. Na última década e meia tivemos muitas equipas portuguesas a chegar a finais europeias, o que é demonstrativo de que Portugal tem capacidade. Primeiro, isso acontece cada vez mais na Liga Europa, a segunda competição europeia, e não na Liga dos Campeões; segundo: Portugal tem vindo a perder pontos, nos últimos anos, no ranking de ligas europeu.  Estivemos no top 5 e agora já estamos a sentir dificuldades para aguentar a sétima posição do ranking europeu, com os custos que isso tem na presença das equipas portuguesas na Europa.

 

Mas, acima de tudo, o desfasamento a nível financeiro mostra que algo está errado com a organização das competições europeias. Porquê? O fair-play financeiro é uma miragem para conter estes novos ricos do futebol que podem comprar os jogadores que querem quando querem, conforme querem. Chelsea, Manchester City, PSG, entre outros. Este ano, o PSG contratou Neymar por 222 milhões e no final da época, para contornar o fair-play financeiro, vai contratar Mbappé por 180 milhões. Há muitas formas de contornar o fair-play financeiro e as cláusulas de compra obrigatória no final da temporada são um caminho muito utilizado. Há uma série de medidas que têm de ser adotadas pela UEFA para que haja um maior equilíbrio.

 

Poderemos estar a caminho de uma Liga Europeia?

 

O caminho à vista que se está a trilhar vai desembocar, inevitavelmente, numa superliga europeia: Ou seja, as ligas domésticas vão perder importância, vão perder dimensão e vai haver uma espécie de NBA do futebol na Europa. Haverá eventualmente promoções e despromoções de divisão entre a Liga dos Campeões e a Liga Europa e quando isso acontecer, as ligas domésticas vão perder dimensão, pelo menos no que diz respeito à dimensão dos clubes grandes.

 

Um modelo próximo da Liga das Nações?

 

Poderá ser muito próximo disso mesmo. Implicará que Benfica, Sporting e FC Porto, eventualmente, possam marcar presença na SuperLiga Europeia e participem na Liga Portuguesa com equipas B ou segundas linhas, com segundas escolhas. A Liga Portuguesa irá perder mediatismo, os melhores jogadores vão estar na Champions League, a disputar essas competições europeias.  Equipas como o Sporting de Braga, o Vitória de Guimarães, o Belenenses, o Marítimo, o Boavista poderão eventualmente ganhar competitividade e quem sabe, lutar pelo título, o que não deixará de ser interessante.

 

Mas isto é tudo no campo das hipóteses. Para já, temos que lidar com outra realidade: há um desfasamento brutal em termos financeiros e a questão é ‘como é que, nesta realidade, os clubes podem sobreviver?’ Os clubes não podem estar à espera que o contexto mude, que evolua para essa tal liga europeia.

 

O segredo é apostar cada vez mais na formação, como o Sporting CP faz há muito anos e continua a fazer; como o SL Benfica tem vindo a fazer ao longo dos últimos quinze anos;  como o FC Porto tem vindo a fazer nos últimos anos. O jogador português é talentoso por natureza, tem que ser trabalhado e bem formado e o ‘produto’ português tem muito valor lá fora. Não é por acaso que existem propostas de muitos milhões por jogadores que, por vezes, ainda nem chegaram a uma equipa principal.

 

Mas atenção: nem todos os anos é possível ter jovens da formação a entrar directamente no plantel principal. Como é que se pode arranjar uma solução que permita essa aposta sem perder competitividade? Um scouting extremamente competente: especialistas, olheiros, na América Latina, no Brasil, nos países de Leste. Em Portugal, nos escalões inferiores. Devem perceber onde é que está o talento antes dos grandes europeus. Os clubes portugueses, não tendo dinheiro, têm de ir em busca desse engenho e conseguir detetar o talento muito mais cedo.

 

Temos a vantagem da Liga Portuguesa ser vista como uma catapulta para outras Ligas mais fortes?

 

Exatamente. E isso acontece muito no que diz respeito aos jogadores brasileiros por razões óbvias. Toda a América Latina ainda olha para a Liga Portuguesa como uma porta de entrada, mas é preciso apanhar os grandes talentos numa fase precoce da sua evolução, antes de se valorizarem para patamares de muitos milhões de euros, onde os clubes portugueses não conseguem chegar. O segredo é esse.

 

Outra saída é encontrar novas formas de financiamento. Tentar ir ao encontro de investidores estrangeiros que estejam interessados em depositar a sua confiança e o seu investimento em Portugal, como aconteceu com a Fly Emirates no patrocínio da camisola do SL Benfica.

 

Para isso, é importante que os dirigentes tenham noção que é importante “vender o produto”, mas têm que saber promover o produto ‘futebol nacional’. A Liga deveria fazer mais, embora nos últimos tempos tenha melhorado significativamente. Onde está a falha mais gritante é nos clubes: os clubes têm que perceber que, enquanto não se unirem para aquele que é um bem comum, a ‘galinha dos ovos de ouro’, o core business destes clubes, que é o futebol de 11 – enquanto houver estas guerras, estes conflitos, um produto como o futebol arrisca-se a perder cada vez mais credibilidade, prestigio e é mais difícil atrair investimento estrangeiro.

 

Artigo de José Carlos Lourinho e José Varela Rodrigues, O Jornal Económico

 

publicado às 03:20

Crise do BES e o Futebol

Rui Gomes, em 20.07.14
 

 

Eu não escrevo sobre assuntos desta natureza e já pedi ao meu colega Desert Lion para dar a sua opinião sobre a relação entre a crise que o BES atravessa neste momento e os três grandes do futebol português. Como ele está a gozar as suas férias, não sei se será possível nesta altura, no entanto, para quem ainda não leu, recomendo este artigo no jornal Económico:

 

"Baseado nos relatórios das três SAD relativos a 2012/13, António Samagaio traça uma estimativa de 215,2 milhões de euros quanto à relação Grupo com os três principais clubes."

 

Vale a pena ler.

 

publicado às 04:20

 

A temática vem a debate novamente pela intervenção, em comentário "off-topic", pelo leitor JMR, relativamente a uma recém-entreviststa do presidente do Sporting ao Diário Económico. Comentou o leitor:

 

«Não tem a ver com o tema , mas já agora, para descansar umas mentes mais inquietas:

 

De onde vão chegar os investidores ?

Conseguimos o equilíbrio operacional muito antes do previsto e tudo será feito dentro do plano, tendo em conta necessidades de financiamento adicionais transmitidas e aprovadas pelos associados. Por exemplo, uma linha adicional de 30 milhões de euros que tem estado a ser usada na nossa actividade. Isto vem demonstrar que a grande preocupação que agora se quer transmitir pelos investidores não deve ocupar muito a mente dos sportinguistas, pois sabíamos que a entrada só iria acontecer no momento da fusão. Temos uma linha de 18 milhões cedida nas negociações com a banca, está a ser utilizada e será paga após  fusão com o aumento de capital. Para a reestruturação estar terminada falta fazer a fusão, os aumentos de capital e a passagem de parte da dívida. Os estatutos dos benefícios fiscais e o código do IMT para qualquer processo de reestruturação de empresas, nomeadamente no que a fusões diz respeito, têm previstas isenções e aguardamos o seu deferimento. Quando houver isenções, creio que 30 dias depois poderão ser feitas ests operações todas e terminar de vez com esta reestruturação.

 

Tirado da entrevista de Bruno de Carvalho ao Diário Económico.»

 

Resposta ao leitor por Desert Lion, pessoa entendida nesta matéria:

 

«Bom seria que as palavras do presidente do SCP correspondessem à verdade. No entanto, como poderá facilmente ver no último Relatório e Contas da SAD, ignorando transacções de jogadores, continuamos com um deficit Operacional + juros de mais de 10 milhões de euros por semestre. Não se nega, de qualquer modo, que houve uma evidente melhoria nas contas apresentadas face ao semestre homologo do ano anterior, mas também não se deve embandeirar em arco e vir com afirmações que só servem para confundir quem as ouça.

 

Caso o semestre corrente tenha semelhante comportamento, o deficit global anual da Sporting SAD será ligeiramente superior a 20 milhões de euros. Ora, na minha opinião, esta não é uma situação equilibrada, pois obriga-nos a ter mais valias na transacção de jogadores num montante suficiente para, pelo menos, cobrir esse deficit.

 

Uma vez que na próxima época se prevê que venhamos  participar na Liga dos Campeões, os Proveitos deverão aumentar por essa via. No entanto, também deverá ser na próxima época que iniciaremos a liquidação do capital dos vultuosos créditos que mantemos na Banca, pelo que a obrigação de ganharmos mais de 20 milhões de euros em transacções vs amortizações deverá manter-se mais ou menos inalterada.

 

P.S. Para simplificar o comentário, não me refiro aqui a diferenças entre "cash-flow" e resultados antes de impostos. Sendo tal diferença real, não será de significado relevante, até porque não contabilizamos também nas contas operacionais, os desembolsos referentes a  contratações a efectuar.»

  

publicado às 03:47

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