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A Liga da traficância

Rui Gomes, em 15.10.21

O conflito entre Rui Pinto e o alegado empresário de jogadores César Boaventura, ou o "erro de percepção mútuo", como diria Mário Centeno, entre o FC Porto e o empresário de Otávio referente aos 15 milhões que o jogador terá recebido como prémio de assinatura, exemplificam demasiado bem os problemas com que o futebol português se debate.

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Opacidade é a palavra mais óbvia, se de facto quisermos puxar pela diplomacia e não carregar demasiado nas tintas da casa. Não adianta desqualificar Rui Pinto, como faz César Boaventura, num assunto que é óbvio. As negociatas que fez com Luís Filipe Vieira, envolvendo as sociedades anónimas desportivas do Benfica e Atlético são claras. Podemos tentar envolver tudo num qualquer embrulho de verdade formal, com papelada, documentação, registos para cá e para lá, mas nada disso resiste aos buracos deixados em aberto.

O Benfica faz negócios, como o da aquisição de Mika, com empresas que não declaram impostos ou que se refugiam em paraísos fiscais? Sociedades que aparecem e desaparecem à velocidade de um fósforo a arder. Foi esse ambiente de promiscuidade e opacidade que conduziu o clube e Vieira a um abismo reputacional. Conduziu também a práticas de pura traficância, em que a mercadoria são os jogadores mas os corsários que os representam, vendem ou compram é que levam a fatia de leão.

É esse mesmo ambiente que se detecta na brutal discrepância entre os 15 milhões inscritos no Relatório e Contas da FC Porto SAD, a título de prémio de assinatura, e a não menos brutal declaração do empresário de Otávio, que fez um desmentido tonitruante: "O jogador não recebeu nem um euro!". Em que ficamos? É difícil que seja possível sustentar um prémio de 15 milhões para uma renovação de contrato, num clube que já não tem capacidade de reter jogadores valiosos e os deixa sair a custo zero.

Onde fica a polícia do mercado, a CMVM, se ficar calada e não exigir esclarecimentos? Onde vai parar esta Liga Portugal se deixar crescer o ambiente de traficância que está instalado? Que credibilidade tem um futebol que gera os melhores jogadores do mundo mas também os piores gestores do planeta? Já para não falar dos alegados empresários, que enchem os bolsos vendendo a cumplicidade que os presidentes que se julgam donos dos clubes necessitam para fazer as suas negociatas. Uns e outros são a toxina mortal para este futebol e esta Liga da traficância.

Artigo de Eduardo Dâmaso, Director da Sábado, em Record

publicado às 03:03

O fair-play é uma treta

Rui Gomes, em 18.09.21

img_192x192$2020_02_13_19_45_22_1663516.pngJorge Jesus não tinha razão quando disse que o fairplay era uma treta. Teria razão para dizer agora que o fairplay financeiro é uma treta. Ainda não foi nesta jornada inaugural da Champions que se fez a prova plena do desequilíbrio introduzido no futebol pelos clubes financiados pelos petrodólares do Qatar e de outros emirados árabes onde os direitos humanos são a mais pura das tretas.

Desde logo porque o trio milionário feito por Mbappé, Messi e Neymar foi incapaz de cilindrar o muito modesto Brugge. Ou porque o também milionário Atlético Madrid não conseguiu ganhar a um bravíssimo FCPorto, onde continua a abismar o talento mas, sobretudo, a garra, entrega e determinação de todos, de jogadores a treinador. Mas que vamos a caminho de uma espécie de Liga dos Milionários fáctica, reduzida a meia dúzia de clubes, restam poucas dúvidas.

Mesmo por cá, o grande desequilíbrio do dinheiro vai deixando os seus traços. O Sporting claudicou perante o Ajax e poderia ter evitado a goleada se tivesse armado o autocarro em frente à baliza. Optou pela aventura romântica de jogar o jogo-pelo-jogo até ao fim, de querer contrariar a dinâmica dos acontecimentos pela generosidade do esforço físico e pela superação da vontade. Falhou rotundamente e deve retirar as devidas ilacções.

Sobretudo, duas: como gerir um plantel inegavelmente muito curto de opções, como é bem evidenciado pela fatídica conjugação de lesões e castigos; como ultrapassar a dura realidade de ter perdido um jogador, João Mário, que custaria ao clube mais do que todo o meio-campo do Sporting. E se a primeira questão já abre a porta grande para o problema financeiro, a segunda demonstra claramente que, também por cá, fairplay-financeiro é uma boa treta.

Sobra, por fim, uma terceira questão que emerge das outras duas. Até que ponto vai o Sporting aguentar a pressão, no campeonato nacional, de ter um plantel pequeno, limitado e barato, assente em grande parte na formação, que funcionou o ano passado num quadro competitivo diverso e numa ruptura com o modelo de negócio clássico, marcado pelo irrealismo financeiro?! Principalmente, perante adversários que gastaram muito mais ou que aguentam plantéis mais caros mas muito mais diversificados nas soluções. É que se o fairplay financeiro ainda não é uma treta, cá pelo burgo, anda lá muito perto.

Artigo da autoria de Eduardo Dâmaso, em Record

publicado às 03:02

Quando Al Capone entra em cena

Rui Gomes, em 28.05.21

Quinze dias depois já se percebe muito melhor a 'Operação Covid Free'. Confrontado com uma investigação demasiado complexa – e longa – para a justiça portuguesa, agora que, segundo alguns ideólogos do processo penal resultadista, os chamados megaprocessos têm os dias contados, o Ministério Público abraçou o teorema de Al Capone.

Expliquemos: perante uma investigação difícil e deveras complexa sobre o dinheiro do dono (chamemos-lhe assim) do Portimonense, que entra nos cofres do FC Porto, dos negócios em que as comissões correm para quem vende e quem compra, das sociedades-ecrã em paraísos fiscais, a justiça optou por um caminho aparentemente mais fácil.

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Apanhando a traficância dos testes covid negativos à boleia daquele notável processo principal, através de uma informação que ali caiu, certificada formalmente por uma denúncia anónima mas, muito provavelmente, sacada de um espírito santo de orelha que caiu no colo dos investigadores por via um pouco mais tecnológica do que pela mesquinhez humana, estes fizeram as contas da simplicidade.

Os protagonistas são os mesmos do primeiro processo, a pena aplicável no caso dos testes Covid é muito mais alta dos que a dos crimes em causa no processo das negociatas, o bem jurídico violado é a própria saúde pública, portanto, mais capaz de recolher a censura social generalizada do que aquelas, a prova é, incomensuravelmente, mais fácil de fazer.

As peças do puzzle encaixam todas no teorema Al Capone e, na verdade, é de se lhes tirar o chapéu. Isto, claro, se a investigação não demorar os habituais seis ou sete anos da justiça portuguesa sempre que os visados são gente que se pode sentar à mesa de alguns polícias, procuradores ou juízes, seja em jantares de comissões de honra de ilustres recandidaturas à presidência de clubes cá do burgo ou almoçaradas comemorativas de um título qualquer no restaurante do Parlamento.

A finalizar, João Félix e Frederico Varandas...

João Félix não foi tão decisivo como Suarez ou Oblak no título do Atlético de Madrid, é bem verdade. Mas o Atlético jamais seria campeão se Félix não tivesse sacado aquele passe quasi-genial que, aos 82 minutos, começou a reviravolta contra o Osassuna, na penúltima jornada. Classe, inspiração e muito talento. Os 120 milhões voaram para dentro da baliza adversária naquela bola. E o título para o Atlético.

O discurso vitorioso de Varandas, na Câmara Municipal de Lisboa, é um grande momento de síntese sobre o que vai mal no futebol português. Só não terá gostado quem enfiou o gorro que aquelas palavras levavam.

Artigo da autoria de Eduardo Dâmaso, Director da Sábado

publicado às 03:04

O crocodilo velho e o bandalho

Rui Gomes, em 30.04.21

img_192x192$2020_02_13_19_45_22_1663516.pngPinto da Costa faz lembrar, definitiva e vivamente, a parábola do crocodilo velho. O crocodilo velho sabe que o tempo já não é o mesmo. Que é mais curto. Que o futuro já não é seu. Também sabe que o pântano vai continuar o mesmo de sempre, que é imutável. Águas podres, cheiro nauseabundo e a concorrência impiedosa do bando de predadores mais novos. Venham eles das suas hostes ou da outra tropa do sector sul, liderada pelo caimão de grossas escamas avermelhadas, que lhe disputa a influência sobre o território e sobre quem arbitra o respeito pelas poucas regras do pântano.

O crocodilo velho sabe, por isso, que tem de ter a tropa agrupada e manter o pântano em efervescência, sempre a bater forte nos inimigos e a fingir que nada vê dos pecadilhos que apontam aos seus. É a melhor (única) forma de ter um final de reinado sossegado, sem ser estraçalhado pelo cardume de piranhas que anda sempre por ali. Já pouco lhe interessam as guerras de afirmação do bando. Bastam-lhe as suas. Já só tem de chorar, aqui e ali, algumas das suas mais cínicas lágrimas de velho crocodilo e atirar para o lado. Atirar sempre para o lado e manter uma parte da matilha que sobra sempre pronta para atacar. Só assim pode banquetear-se em sossego com as suas vítimas. E nem todas são os seus adversários…

A recém-agressão ao jornalista da TVI por um dos predadores mais novos, nas vestes de bandalho, como muito bem foi qualificado por Rui Rio, mostrou-nos a plenitude dessa parábola pantanosa. O bandalho, primeiro, na agressão servil para brilhar aos olhos do crocodilo velho. Este, depois, a derramar as suas melhores lágrimas para o seu palanque televisivo privado para agregar o seu povo. Como espectáculo, o crocodilo velho continua um mestre na interpretação. É incomparável na arte da vitimização, do cinismo e da manipulação dos sentimentos de pertença a uma espécie de religião que bebe pela mais pura das cartilhas maniqueístas. Os meus bons e os maus lá de baixo, das forças ocultas que nos roubam. Como realidade, é muito triste.

Há um clube e uma cidade deveras extraordinários, que mereciam muito melhor. É a última narrativa sobre a incapacidade atroz do futebol português em mudar, um milímetro que seja. É, também, o resultado das suas insuportáveis dependências, entre clubes que são os legisladores dos regulamentos, desportivos e disciplinares, que montaram uma organização desportiva de fachada, para poderem ser eternamente juízes em causa própria. Tenhamos pena de nós, os que pensávamos gostar de futebol.

Majestoso escrito de Eduardo Dâmaso, Director da Sábado

publicado às 03:49

O resgate de um grande

Rui Gomes, em 05.03.21

(...) Uma gestão que resgatou o Sporting, um dos grandes, de um futuro sinistro, feito de maus resultados desportivos, de indecência cívica e de grande opacidade financeira no negócio das transferências.

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Um Sporting CP a ombrear com os maiores, tanto no plano interno como internacional, com os pés assentes no chão e na sua capacidade de gerar valor a partir da formação, é uma boa notícia para o futebol português. O mesmo se diga para o SC Braga. Torna-o muito mais competitivo, mais democrático, no sentido em que a diversidade de liderança desportiva é melhor do que a eterna concentração da luta pelo título em apenas dois clubes.

Resta saber se, após a pandemia, os clubes conseguem criar um modelo de gestão mais sério, mais transparente, menos assente na criação de esquemas criminosos de compra e venda de jogadores apenas para potenciar comissões e falsear a verdade desportiva. Se conseguirem, talvez isso devolva alguma pureza a um desporto-rei tão necessitado dela e tão viciado em esquemas tribalistas fora e dentro do campo. Em que uns cantam a canção do bandido e outros cospem para o chão que os adversários pisam.

Excerto da crónica de Eduardo Dâmaso, Director da Sábado, em Record

publicado às 12:00

A lei relativa no futebol

Rui Gomes, em 05.12.20

img_192x192$2020_02_13_19_45_22_1663516.pngJosé Narciso Cunha Rodrigues, que exerceu a função de procurador-geral da República ao longo de 16 anos, publicou há semanas as suas "Memórias Improváveis", Almedina. Um livro essencial para quem queira entender o que foi realmente a história da política, da justiça criminal e da separação de poderes nos anos 80 e 90 cá pelo burgo. Sobre o cargo que ainda exerce na UEFA, onde é presidente do órgão de Controlo Financeiro dos Clubes, Cunha Rodrigues não escreve, exceptuando o facto de deixar bem expressa a sua preocupação de incrementar a rule of law , ou seja, as regras do Estado de Direito, no mundo e nas estruturas do futebol.

Quem o conhece, sabe que essa tem sido a sua preocupação dominante, numa estrutura onde tem uma equipa de juristas e peritos de grande nível a trabalhar consigo. E que, aliás, se viu no processo de violação do fair-play financeiro pelo Manchester City, onde os factos da acusação foram dados integralmente como provados. A equipa de José Narciso Cunha Rodrigues foi buscar inspiração jurídica à jurisprudência suíça para contrariar a tese da arvora envenenada quanto à admissibilidade da matéria probatória, toda ela oriunda de Rui Pinto, e, portanto, condicionada em muitos ordenamentos jurídicos pelo facto de ter sido furtada.

Apesar desse trabalho notável feito pela equipa de Cunha Rodrigues, a política do futebol e dos múltiplos interesses associados ao dinheiro, no entanto, falaram muitíssimo mais alto, como sempre aconteceu nos bastidores do desporto-rei e dos seus órgãos de direcção e fiscalização. Num acto mera e puramente político e diplomático, o Tribunal Arbitral (TAS) preteriu a conclusão do órgão fiscalizador da UEFA e aliviou o Manchester City FC de um castigo de dois anos nas competições europeias.

Duas coisas ficaram aqui demonstradas: o dinheiro árabe (ou russo) fala sempre mais alto do que a lei do futebol e neste impera uma relativização do preceito legal que, salvo um milagre, deverá manter-se até à eternidade. E que resistirá, eventualmente, a um novo volume de memórias de José Narciso Cunha Rodrigues, caso este venha a escrevê-las, inteiramente dedicado às muitas revelações que teria para fazer sobre esta experiência nos meandros do poder no futebol.

Artigo da autoria de Eduardo Dâmaso, Director da 'Sábado'

publicado às 03:01

O triunfo de Varandas

Rui Gomes, em 14.02.20

Eduardo_Damaso_s.jpgSobre as claques organizadas no futebol já sabemos tudo e há demasiado tempo. Há estudos académicos de grande nível, há leis nacionais e da União Europeia, há uma generalizada censura social e política da violência no futebol, mas a "velha" impunidade persiste. Há uma lei, a 39/2009, sujeita a sucessivas alterações na última década, que permanece um monumento à hipocrisia do Estado. Os governos têm feito declarações de circunstância aqui e ali mas, no essencial, lavam as mãos como Pilatos.

O mundo despertou para o perigo das claques com a tragédia de Hysel Park, em Maio de 1985, na tristemente célebre final da Taça dos Campeões Europeus em que morreram 39 pessoas. Mas Portugal nunca despertou. Até aos anos 90 não existiam Super Dragões, Juventude Leonina ou No Name Boys. Existiam adeptos que gostavam de ver futebol, que tinham as suas rivalidades, é certo, mas não eram grupos organizados, financiados pelos clubes. Não existiam líderes eternos nas claques que exibissem verdadeiras fortunas em termos patrimoniais sem nenhuma explicação lógica, que tivessem ligações ao submundo da droga ou fizessem e desfizessem direcções.

O Sporting transformou-se no caso mais grave de todos. É o primeiro exemplo de um clube que foi dominado por uma claque. Uma claque que elegeu um presidente que, por sua vez, deu uma excepcional situação de privilégio a esse grupo, transformando-o na sua guarda pretoriana. O dito presidente saiu mas o vírus ficou.

Os estudos académicos feitos em toda a Europa sobre o hooliganismo e a ideologia ultra explicam muita coisa sobre as claques e, cada vez mais, a sua ligação ao crime organizado. Em Itália, de Milão a Palermo, os comportamentos violentos, a intimidação e o ódio, o poder e os negócios detectados nas três maiores claques portuguesas, são os ingredientes que levam a Mafia a utilizar estes grupos radicais nas suas vinganças e estratégias de terror. Por isso, os que agora se riem da luta de Frederico Varandas contra a Juventude Leonina podem um dia ter de chorar. O mal também está na casa deles. Varandas pode não ganhar esta luta porque a falta de resultados desportivos não agrega vontades. Mas uma coisa é certa: no campeonato da decência Frederico Varandas está a golear por vinte a zero. E é lamentável que os outros clubes ditos ‘grandes’ não se juntem a ele numa frente unida pela paz no futebol, pressionando um poder político totalmente inepto no ataque a esta tragédia social.

Texto da autoria de Eduardo Dâmaso, Director da revista Sábado.

publicado às 15:30

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