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A problemática salarial

Rui Gomes, em 18.05.14
 

 

Hesito em abordar esta temática, pela escassa informação disponível, mas sendo verdade o que o "O Jogo" adianta na sua edição deste domingo, um jogador da equipa principal do Sporting com um salário de 10 mil euros/mês, é um conceito que não consigo contextualizar, mesmo tendo em conta as actuais condições financeiras e orçamentais do Clube.

 

Apetece-me dizer - mas não digo - que as chuteiras de Cristiano Ronaldo custam mais do que isso. Segundo o diário desportivo do Norte, William Carvalho usufrui de um salário de 10 mil euros por mês e que a proposta sobre a mesa visa um aumento para 30 mil euros, ou seja 360 mil ao ano, o que também não é nada deslumbrante. Acredito na informação noticiada, admitindo que mesmo que não seja cem por cento correcta, aproxima-se muito dos números reais. Também ajuda a dar fundamento ao rumor que o salário de Leonardo Jardim é/era 35 mil euros/mês.

 

Segundo consta, Rui Patrício e Adrien Silva são os jogadores mais bem pagos no Sporting, com  vencimentos que ultrapassam um milhão de euros anual. Faz sentido, pelas circunstâncias, que Diego Capel, Marcos Rojo e Carrillo seguem, mas sem atingir a mesma marca. Teremos depois um grupo mais modesto, em decréscimo, liderado por Fredy Montero e a terminar com William Carvalho, Carlos Mané e, muito provavelmente, Eric Dier.

 

A corresponder à realidade, ou não, é difícil de imaginar este lote de jogadores virem a enfrentar equipas na próxima época em que um só jogador recebe mais do que a soma da equipa do Sporting. Mas esta disposição até acaba por ser menos importante - no contexto global das coisas - muito mais pertinente são as diversas situações actualmente pendentes com jogadores leoninos, a exemplo de Fabrice Fokobo, Vítor Golas e o próprio Eric Dier, só para nomear três, que até ao momento recusam comprometer-se longo prazo com o Clube, por estas e outras questões. Para ser sincero, se eu fosse um jogador com talento e potencial de evolução, também não aceitaria renovar.

 

O caso de Eric Dier será algo diferente dos outros, em que o jovem sente que já demonstrou o suficiente para ser titular na equipa e vê o seu lugar tapado, nomeadamente por Maurício, um jogador oriundo da segunda divisão brasileira que impressionou esta época pela sua regularidade, garra e entrega, sem dúvida, uma das razões do sucesso atingido. Dito isto, é um futebolista tecnicamente muito limitado e, sobretudo, não é o "patrão" da defesa que o Sporting necessita. Eric Dier, não obstante a sua juventude, tem tudo para ser isso e mais. 

 

Mas voltando à questão dos salários e mesmo desconhecendo os números exactos, dá para imaginar as condições contratuais de todos aqueles que têm vindo a assinar vínculos por 4 e 5 anos. Ao primeiro sinal de performance a um nível mis elevado, interesse do exterior é inevitável e tornar-se-á difícil para um atleta resistir perante ofertas muitíssimo superiores.

 

Assumir uma posição de força com jogadores como Fokobo e Golas é uma coisa, outra totalmente diferente é fazê-lo com aqueles que já demonstraram a sua mais-valia. A exemplo extremo, vejamos este cenário: o Sporting recebe e recusa uma proposta por William abaixo dos 45 milhões de euros da cláusula de rescisão. Digamos, para efeitos de argumento, que é somente 27 milhões ou 30 milhões e vem acompanhada com uma oferta salarial para o jogador de 1,5 ou 2 milhões de euros. O jogador exerce pressão no Sporting para que a transferência se realize. Quais são as reais opções do clube, contrato ou não contrato ?... Ficar com um jogador descontente e com performance potencialmente reduzida ou encostar o jogador e desvalorizá-lo ?

 

O caso de Bruma foi um autêntico "milagre", pelas circunstâncias, e assente em uma decisão da CAP que ainda hoje não faz sentido e que nem o próprio Sporting esperava. Tiago Ilori só o futuro dirá se foi a decisão mais correcta, mesmo considerando que era o desejo do jogador de se transferir até 2015.

 

Não possuo dados suficientes para sugerir soluções, mas, na minha opinião, este estado das coisas, mais cedo ou mais tarde, vai dar muito que falar. 

 

publicado às 16:26

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