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O BOM

O arranque do Sporting. Com Bruno Fernandes (pois, quem mais?) como protagonista, os leões mostraram já algumas dinâmicas de ataque interessantes, com boas combinações e variações de jogo, num encontro frente a uma equipa já com outra rodagem nesta pré-temporada. A jogada do primeiro golo, quando ainda nem sequer havia três minutos no relógio, é disso um muito bom exemplo: Bruno Fernandes a abrir bem para Raphinha, o brasileiro flete para dentro e remata, com o internacional português a ir buscar a recarga, depois da defesa incompleta do guarda-redes Jonathan Klinsmann (sim, sim, filho desse mesmo Klinsmann).

Foi quase sempre dos belos pés de Bruno Fernandes que saíram passes à procura de Luiz Phellype por zonas mais interiores do relvado de St. Gallen, embora com resultados sortidos - o avançado brasileiro esteve pouco em jogo.

Do encontro frente ao St. Gallen ficam ainda na retina bonitos golos. O de Wendel, por exemplo, grande remate de fora da área, com o médio rodeado de adversários mas ainda assim com o talento para colocar a bola ao ângulo superior. E o golo de Hefti, aos 52’, com o jogador do St. Gallen, ao melhor estilo de Ricardo Quaresma, a avançar pela área e a rematar em trivela para a baliza de Renan.

O MAU

A pré-temporada também serve para fazer algumas experiências, mas nenhuma delas correu particularmente bem a Marcel Keizer neste jogo. A começar por Tiago Ilori, a jogar a defesa-direito e claramente sem andamento para a posição.

Já Eduardo não teve uma tarde muito feliz, mas talvez a culpa não seja inteiramente sua: o brasileiro jogou na posição que Gudelj ocupava na última temporada, mas esses não são claramente os terrenos que mais gosta de pisar, já que a sua leitura de jogo está muito mais virada para a frente do que para trás. Sempre na tentação de subir (e tantas vezes a recuar atabalhoadamente por saber que estava a “infringir”), Eduardo deixou muitas vezes os centrais desamparados e é dele o erro que dá o primeiro golo ao St. Gallen, ainda antes do intervalo.

Mas pior que as experiências, que não passam disso mesmo, experiências, terá sido a diferença de jogo dos leões entre a 1.ª e a 2.ª parte. Depois de um arranque interessante e de uns primeiros 45 minutos em que o Sporting controlou ainda que sem dominar por completo, na 2.ª parte os leões raramente conseguiram pegar no jogo e sofreram com a pressão dos suíços. E nem se pode culpar apenas as inúmeras alterações, normais neste tipo de jogos. O Sporting começou a segunda parte com apenas três alterações e essas três alterações serviram para fazer entrar três possíveis titulares: Bas Dost, Vietto e Doumbia. E foi logo aí que se deu a quebra, que nunca foi estancada, com o St. Gallen a chegar ao empate e a somar oportunidades para sair do encontro com a vitória.

O HERÓI

O Sporting anda ao sabor de Bruno Fernandes, que enche o campo com aquela maturidade incaracterística para quem tem apenas 24 anos. É dele que nascem os passes decisivos, é dele que surgem os golos, as boas decisões. Mais uma vez, o médio foi a rosa dos ventos da equipa leonina, que sem ele em campo parecem preocupantemente inofensivos. Bruno Fernandes é insubstituível, todos nós sabemos, mas o que terá de preocupar Keizer é que não há ninguém sequer perto do nível do internacional português actualmente no plantel.

Entre os que entraram ao longo do encontro, destaque para Luís Maximiano, que aos 79 minutos deu provas de que é um guarda-redes mais que preparado, com uma daquelas defesas pouco bonitas mas altamente complicadas a um cabeceamento de baixo para cima de Ângelo Campos. Aos 90’, nova intervenção decisiva, a sair com o timing perfeito a uma desmarcação de um avançado do St. Gallen.

O VILÃO

Já falámos das experiências falhadas de Ilori à direita e de Eduardo a médio defensivo, mas no estádio do St. Gallen não houve jogador mais apagado que Rafael Camacho. O extremo mereceu a confiança de Marcel Keizer para a titularidade, mas mal se viu e foi substituído ao intervalo. O ex-Liverpool, que chega ao Sporting após um investimento considerável, não só monetário como em rendimento expectável para o futuro, ainda é um jovem e tem tudo para evoluir e aprender, mas nestes primeiros jogos tem deixado mais dúvidas que certezas.

Já na 2.ª parte, a grande desilusão foi Idrissa Doumbia, médio-defensivo que transita da época anterior e de quem, por isso mesmo, se esperava evolução naquelas que são as suas fragilidades, nomeadamente o controlo de bola e o passe. Continua a tremer muito o costa-marfinense, que com a saída de Gudelj deveria ser a primeira opção para a posição.

Crónica de Lídia Paralta Gomes, Tribuna Expresso

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publicado às 06:48

Diogo Faro, Tribuna Expresso, comenta quem na sua opinião foram os piores da época do Sporting, nomeadamente um lateral, um médio e um extremo.

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"O flop é uma expectativa defraudada, é esperar que algo saia bem que acaba por sair mal, é esperar que alguém seja algo de muito positivo, só que depois não só não o é, como ainda consegue ser o oposto.

Ninguém quer ser um flop, nem pode querer... Acredito que ninguém lute ostensivamente para ser um flop, seja em que área for. A questão é que, muitas das vezes, as expectativas que vão gerar o flop não são criadas pelo indivíduo, mas por entidades exteriores.

Gudelj

 É sérvio, é grande, é bruto. No avião para cá vinha a ocupar uma fila inteira, comeu a comida e o tabuleiro, e ainda obrigou o piloto a deixá-lo ser ele a aterrar. Chegava o Pogba dos Balcãs, o Veron da ex-Jugoslávia, a Wall de Westeros. Só que depois não era nada disso. Aliás, a ser uma parede seria de contraplacado, e nunca na História da televisão, ou do cinema, uma parede de contraplacado se tornou icónica. Verdade seja dita, só passou a ser titular depois da lesão do Battaglia, certo. Mas perdi a conta aos jogos em que dei por mim a preferir ter lá o Battaglia a jogar só a poder dar passos à caranguejo do que continuar com o Gudelj.

Bruno Gaspar

 Neste caso, tenho de admitir parte da culpa, por ter sido eu próprio a criar expectativas. Nem sequer me lembro de ver os títulos das notícias de jornal sobre ele. Mas lembro-me que no primeiro jogo que fez pelo Sporting, eu ter pensado “olha que se calhar ainda está aqui uma mistura entre o Roberto Carlos, o Gary Neville e o Lahm”. O facto de eu estar embriagado à altura pode justificar, em parte, o meu pobre julgamento, mas foi com esta percepção sobre ele que fui para o próximo jogo. E afinal, qual Cinderela depois da meia-noite, e agora com tantos jogos passados, as expectativas que eu devia ter criado deviam ter sido “olha que somos capazes de ter aqui uma mistura de Evaldo com laivos de Grimi e um cheirinho a Marian Had".

Diaby

 É o Usain Bolt do Mali, é uma chita humana, é um Concord a voar baixinho. Pelas palavras de Sousa Cintra e, também sempre pelas capas dos jornais, começámos a achar que, nos tempos livres, o Diaby ia protagonizar os anúncios sobre a velocidade da fibra óptica, ia fazer entregas da UberEats a correr e chegar mais rápido do que as motas, ou até ser protagonizar uma série de animação onde iria estar constantemente a fugir de um coiote. Quase que era isto tudo. Acabou por ter mais em comum com o Djaló do que com que tudo o resto que nos queriam fazer acreditar. Primeiro, os nomes das filhas também devem ser francesas como as do Djaló, Lyoncée e Lyannii. Depois, a velocidade era interessante, mas não assim tão alta. E por fim, as suas recepções de bola também faziam lembrar exercício de Física no 12º ano: “se a bola bater a 70km/hora num tronco de um sobreiro, vai ressaltar a que velocidade?”.

Não gosto de ser ingrato, agradeço o que fizeram pelo Sporting. Mas as expectativas são tramadas e eles foram, de facto, três flops".

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publicado às 03:34

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 05.05.19

 

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"Actualmente, é recorrente medir o fracasso pela obtenção de vitórias ou derrotas, o que é, obviamente, demasiado redutor para ter algum fundamento. Felizmente, no caso de Nuno Dias (Sporting CP) houve clarividência suficiente para perceber que o trabalho de uma equipa e, particularmente, de um treinador, não se mede simplesmente pelos resultados positivos e negativos, como quase sempre nos pretendem vender.

 

Para ganhar, ou para perder, é preciso estar lá - e só se chega "lá", repetidamente, com competência e trabalho. Depois, hélas, vem a sorte. E a verdade é que, ganhando e perdendo, temos estado sempre lá, em quase tudo: no futsal, em clubes e na selecção e com o melhor do mundo; no futebol, com clubes e com as mais variadas selecções da base até ao topo e com o melhor do mundo; e também, no futebol de praia, com clubes e com a selecção e com o melhor do mundo. É assim que se cresce, batalha a batalha".

 

Excerto da crónica de Mariana Cabral intitulada "A batalha de Almaty", em Tribuna Expresso.

 

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publicado às 05:03

 

O que se passou no Marítimo-Sporting (0-0) é o espelho do futebol português: um árbitro que desde o princípio mostrou ao que vinha, um guarda-redes que passou metade do jogo a recuperar de lesões imaginárias e um treinador que nunca disse à sua equipa para queimar tempo de todas as maneiras e feitios.

 

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O Sporting não jogou bem, mas jogou muito melhor que o Marítimo. Melhor: o Sporting jogou futebol. O Marítimo destruiu o pouco futebol que houve. E destruiu-o de todas as maneiras e feitios, desde o guarda-redes Charles que se “lesionou” sozinho por três vezes, tendo sido atendido durante longos minutos pela equipa médica do clube, até ao capitão dos maritimistas, Edgar Costa, que numa disputa de bola caiu fora do terreno de jogo agarrado à mão e às partes pudendas, mas que apesar das enormes dificuldades, conseguiu dar um acrobático salto tipo salmão a subir o rio e atirar-se para dentro do campo, onde ficou longos minutos a contorcer-se e a ser assistido pela equipa médica, que teve tanto trabalho esta segunda-feira como se estivesse no banco de urgências do Hospital Santa Maria.

 

Ora perante tantas paragens de jogo, o que fez o árbitro Tiago Martins, um senhor com cara de mau? Pois, começou por dar um cartão amarelo ao Borja, supostamente por simulação, quando o defesa-esquerdo do Sporting corria entre três jogadores do Marítimo e sofreu contacto físico, mesmo que não tenha sido falta (que, no caso, seria penálti); mostra um inacreditável cartão amarelo a Coates e marca uma falta perigosa contra o Sporting numa disputa de bola entre o defesa leonino e o pequeno Pedro Pelágio; e expulsa o mesmo Coates já no período de descontos, quando o guarda-redes Charles mais uma vez demorava a reposição da bola em jogo e o sportinguista foi lá estimulá-lo a despachar-se – e claro que Charles ficou logo a contorcer-se com dores mais uns dois minutos.

 

Entretanto, poupou Edgar Costa ao segundo cartão amarelo, que seria mais que merecido.

 

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Perante tudo isto, o estimado senhor Tiago Martins deu três minutos de descontos na primeira parte e quatro na segunda. Um exagero! Um mãos largas! Deveria ter acabado o encontro logo aos 90 minutos porque aquilo foi sempre bola cá, bola lá, sem paragens nem tempo para respirar! Parecia um jogo da Premier Leauge. O Sporting vem agora dizer que o jogo só teve 56 minutos úteis. Mas claro que não pode ser. Quem viu o desafio percebeu muito bem porque Tiago Martins deu uns magnânimos sete minutos de descontos no total.

 

E de cada vez que havia um canto contra o Marítimo? Ui! Era sempre falta dos atacantes do Sporting! São pessoas sem maneiras, sempre a empurrar os adversários. Então o Bas Dost está sempre a agarrar os defesas das outras equipas e isso aconteceu imenso no domingo. Tiago Martins é que o topa!

 

E além de topar o grande "agarrador" Bas Dost, o ilustre Tiago Martins também é letrado. Entende extremamente bem o inglês. E quando Marcel Keizer, que é um treinador excitadíssimo, disse aquela frase capaz de fazer corar de vergonha qualquer carroceiro - “This shit is a joke” - o erudito Tiago Martins nem hesitou: rua! Não se admite este tipo de linguagem no futebol português! Em contrapartida, o Senhor Petit, treinador do Marítimo, esteve sempre calmo ao longo do jogo como a transmissão televisiva bem mostrou e as palavras que disse foram sempre em tom baixo e educativas, tipo “ó Edgar Costa, por favor tem cuidado e não dês tantos encostos suaves no Bruno Fernandes”.

 

Por isso, Petit ficou em campo, é um Senhor, e Kaizer foi expulso, porque é um arruaceiro.

 

Mais ainda: Petit preparou a sua equipa para jogar o jogo pelo jogo, em todo o campo, sempre com a baliza do adversário nos olhos, na cabeça e nos pés e não, como por vezes injustamente o acusam, de colocar um autocarro de dois andares à frente da baliza e de estimular os seus jogadores a derrubar os adversários, a puxarem as camisolas, a rasteirarem, a fazerem do campo um ringue de luta livre, a perderem o máximo tempo possível simulando lesões inexistentes. Ele próprio o disse no final do encontro: “Não dei indicações para os jogadores perderem tempo. Há contactos, é normal que os jogadores possam ficar no chão”. Oh, se é normal! E como eles ficaram no chão!

 

Tudo visto e revisto, o Marítimo merecia ter ganho este jogo por 3-0 e o sr. Tiago Martins deve ser considerado o árbitro da jornada. Que portento! Que competência! Que olho de lince! Que segurança! Com equipas, treinadores e árbitros assim, o futebol português será cada vez mais prestigiado no mundo e irá muito longe. Olá se irá!

 

Artigo da autoria de Nicolau Santos, na Tribuna Expresso.

 

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publicado às 18:00

 

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Stephen Eustáquio é o meu jogador - é o jogador do treinador. Vai cumprir com tudo o que lhe pedir defensivamente, com rigor e excelência. Fiável, e dificilmente me falhará nesse capítulo. Se tiver que fazer um sprint para garantir que a equipa fica mais junta e mais ligada, ainda que não intervenha no lance, assim o fará num piscar de olhos.

 

Com bola, vai jogar o jogo que está na minha cabeça como se estivesse a ler um manual de instruções – robótico. Serei sempre capaz de ver o resultado do treino e do que idealizo em campo, porque cada decisão dele foi inventada por mim. Saberei sempre para onde irá seguir cada bola em que tocar. Dará sempre o seguimento que eu imagino para os lances, não me cria dúvidas. Coloca-me questões, eu respondo; não me ensinará nada.

 

Receberei informação vinda dele, mas nunca me obrigará a pensar, porque não é criativo. Ele será o barómetro perfeito para perceber a qualidade das minhas ideias, uma vez que faz tudo como eu, faz tudo por mim.

 

Francisco Geraldes é diferente. Precisa de melhorar e de fazer aquele sprint extra para ligar o jogo da equipa, ainda que não intervenha no lance. Terei que o convencer, no jogo sem bola, da importância dos momentos de esforço e que terá depois o descanso com bola. Vou mostrar-lhe que aquele momento importa para que o adversário tenha menos tempo com bola, e consequentemente para que ele possa tocar mais vezes nela. Mas ele sabe ocupar espaços, e é inteligente; não será uma tarefa tão difícil assim.

 

Com bola, divergimos, é dissidente. Marginalizado pelo futebol pragmático de Portugal. Escolherá muitas vezes, por coincidência com as ideias de jogo que tenho, os caminhos assinalados no meu mapa. Mas, haverá outras situações onde sai da estrada e das rotas que o meu GPS assinala. Não me deixa formatá-lo. Nunca.

 

Mas isso não me preocupa, porque, no final, entendo que cria novos caminhos, melhores do que aqueles que eu alguma vez poderia ter pensado. Eu pergunto e ele responde. Sabe o que fez, quando fez, e quando é que começou a idealizar o lance. Tem soluções pouco óbvias e mais interessantes do que aquelas que constam do meu manual de instruções. Com ele eu aprendo.

 

Não joga só para ele, não é egoísta, e talvez os colegas não o entendam por ele conseguir ver mais longe. Por ele, terei que alterar os meus mapas para que possam constar os novos caminhos que ele criou, para que passem a constar do roteiro dos colegas. Para que a equipa possa beneficiar da criatividade que tem.

 

Trocamos impressões, e fico sempre com a sensação que, do jogo, ele sabe muito mais do que eu. Com onze Geraldes teria uma equipa a jogar um jogo que nunca tinha pensado até então, teria a qualidade de jogo dos deuses. Porque teria onze gajos mais inteligentes do que eu a jogar sob meu comando.

 

Blessing Lumueno, treinador de futebol e cronista no jornal Expresso

 

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publicado às 03:15

As nêsperas do futebol português

Rui Gomes, em 18.12.18

 

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A Nêspera

 

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

 

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A meio da semana, ao quinto jogo da era Marcel Keizer, não se falava noutra coisa: finalmente, o Sporting não sofria golos. É que, antes, tinha sofrido sempre: um, um, um e um. Ou seja, quatro. Mas faltava falar no reverso da medalha: marcou quatro, seis, três e quatro. Ou seja, 17. E foi por isso que o treinador holandês disse o seguinte, quando questionado pelos jornalistas sobre o assunto, antes do Sporting-Nacional: “Se marcarmos mais, não é um problema. Para mim o futebol é marcar golos. Prefiro ganhar por 3-2 do que por 1-0”.

 

Domingo à noite, os deuses do futebol pareciam estar atentos: o Nacional entrou confiante em Alvalade, começou a jogar bem melhor do que o adversário e rapidamente ficou em vantagem, 2-0. Pumba, mais dois golos sofridos. Os mais cínicos já preparavam ralhetes ao "futebol positivo" desse inconsciente chamado Keizer, como fez recentemente José Mota, que disse que os treinadores portugueses são especialistas em "anular" o jogo (a esse propósito, vale a pena ler este texto do treinador Blessing Lumueno), mas tiveram de arrumar a viola no saco quando o Sporting fez aquilo que o treinador mais quer que a equipa faça: atacar, com qualidade e variedade, para marcar mais golos do que o adversário.

 

Porque, como bem disse a minha querida colega Lídia Paralta Gomes na sua crónica do jogo, a regra primordial do futebol é esta: ganha quem marca mais golos - que é como quem diz que não ganha quem sofre menos golos.

 

Mais: o saldo do sonolento Sporting de José Peseiro era melhor? Vejamos: em seis jogos, a equipa de Marcel Keizer tem 25 golos marcados e seis golos sofridos; em 14 jogos, a equipa de Peseiro teve 24 golos marcados e 14 sofridos. Ou seja, em menos de metade dos jogos, este Sporting já marcou bem mais golos e, no fundo, mantém exactamente a mesma média de golos sofridos do que anteriormente, um por jogo. Afinal parece que isto de ser proactivo não é assim tão mau.

 

Mariana Cabral, jornal Expresso

 

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publicado às 03:32

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 10.12.18

 

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"Apesar de tudo, há que dar os parabéns ao Marcus Acuña. Já fez mais de vinte jogos e em praticamente todos eles ficou ali no limiar de ir para a rua. Aguentou-se valentemente até hoje. Praticamente um herói, este nosso argentino que provavelmente deve andar em consultas de 'anger management' para se ter andado a aguentar tão bem até esta jornada. Agora acalma-te lá que nós precisamos de ti a titular todos os jogos".

 

Diogo Faro, jornal Expresso

 

 

Nota: Em assunto separado, está a ser noticiado que Wendel fez uma entorse do joelho esquerdo com lesão parcial do ligamento colateral interno, que o obrigará a uma paragem de pelo menos oito semanas. O jogador do Sporting vai ser sujeito a uma nova reavaliação nas próximas 48 horas mas a primeira abordagem indica que será esse o tempo em que não poderá dar o contributo à equipa.

 

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publicado às 14:05

 

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O Sporting recebe este domingo o Aves para a 12.ª jornada e o jogo marca a estreia de Marcel Keizer em Alvalade, um holandês desconhecido que está a mudar o futebol do Clube - agora bem diferente do que foi praticado sob a orientação do mal amado José Peseiro.

 

"Três jogos, três vitórias, 13 golos marcados e três golos sofridos. São estes os números (positivos) de Marcel Keizer nas primeiras semanas como treinador do Sporting. Mas por trás destes números está algo bem mais importante: uma ideia de jogo que, apesar de ainda estar em construção, já é possível perceber e que permite identificar alguns dos princípios que a caracterizam.

 

Nestes três jogos, foi possível observar determinadas regularidades no futebol do Sporting, fruto do processo já implementado por Marcel Keizer. Vamos por partes.(...)".

 

Um artigo interessante da autoria de Tiago Teixeira (analista de futebol), disponível na Tribuna Expresso este domingo.

 

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publicado às 16:00

 

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O Sporting de Keizer é um Sporting transfigurado. É um Sporting que quer a bola e pressiona para a ter e quando a tem trata-a bem, a um, dois toques, com intensidade. E ao terceiro jogo, no mais difícil teste, a ideia de jogo do holandês, que quer a equipa a recuperar a bola em apenas cinco segundos, passou com distinção: vitória por 3-1 frente a um bom Rio Ave, três golos marcados e oportunidades para fazer mais ainda. É como a noite e o dia, a diferença do mau e do bom futebol.

 

Quem frequenta certo espaço nocturno lisboeta de nome Incógnito, ali entre o Chiado e o Palácio de São Bento, sabe bem que, tão certo quanto os impostos, a morte e outras inevitabilidades, é algures a meio da madrugada passar um tema de um rapaz chamado Twin Shadow, de seu nome “Five Seconds”.

 

Não consta que Marcel Keizer vá dançar ao Incógnito ou se tenha inspirado em Twin Shadow para a sua metodologia de treino. Mas de acordo com as palavras de Gudelj no final do encontro frente ao Qarabag, também para ele o segredo está em cinco segundos.

 

Cinco segundos é o tempo que os jogadores do Sporting têm para recuperar uma bola perdida, cinco segundos é o que têm para pegar nela, dar no máximo dois toques e rodar para o próximo. Se Twin Shadow, logo no arranque da canção, canta “cinco segundos para o coração, directos para o coração”, para Keizer e para este novo Sporting, são cinco segundos para o bom futebol, directos para o bom futebol.

 

Lídia Paralta Gomes, no jornal Expresso, aqui.

 

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publicado às 04:33

 

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O guarda-redes português Miguel Santos, actualmente ao serviço dos romenos do Astra Giurgiu, teve ocasião de defrontar Marcel Keizer durante a sua estada de ano e meio na Holanda e quando este era o técnico da equipa B do Ajax. Eis algumas considerações suas sobre as ideias de jogo do provável novo treinador do Sporting:

 

"O Ajax B era uma equipa extremamente dominadora, corria riscos, tinha uma saída de bola curta e uma atitude ofensiva muito grande", recordou o guardião luso, em alusão à temporada de 2016/17, em que a formação secundária do clube de Amesterdão terminou a II Liga holandesa em 2.º lugar, com 93 golos marcados (e 54 sofridos) ao longo das 38 jornadas.

 

Foi precisamente o sucesso dessa campanha que levou Keizer à equipa principal do Ajax, onde replicou "o mesmo estilo" exibido na época anterior ao comando dos bês, tendo ajudado a potenciar jovens como os já internacionais holandeses Justin Kluivert, Donny van de Beek, Frenkie de Jong e Matthijs de Ligt.

 

Apesar das diferenças entre o futebol português e o holandês, Miguel Santos acredita que o modelo de jogo do técnico de 49 anos "pode ter sucesso" em Portugal. "Está tudo na confiança, para se correr riscos. Talvez numa equipa B e numa liga secundária haja menos pressão. Mas quando chegas à equipa principal e tens pela frente jogadores mais habilidosos e experientes, cada erro é fatal. Podes pagar mais pelos erros numa I Liga".

 

Sobre o homem Marcel Keizer, Miguel Santos confessa desconhecimento: "Nunca entendi o holandês, por isso sempre estive à parte."

 

Resumo de um artigo de David Pereira, no Diário de Notícias

 

Nota: Já referimos num outro texto aqui publicado, que Marcel Keizer foi despedido do Ajax em Dezembro 2017, após apena seis meses de serviço. Na altura do despedimento o Ajax ocupava o 2.º lugar no campeonato, atrás do PSV Eindhoven, e já levava 51 golos marcados e 16 sofridos, em 17 jogos, uma média de 3 golos marcados por jogo, clara evidência do estilo ofensivo que Keizer aparentemente impõe nas suas equipas.

 

Por qualquer motivo não muito claro, e apesar deste registo, a administração do Ajax não gostou como a equipa estava a ser conduzida. Só isso pode explicar o despedimento, especialmente num campeonato que não é reconhecido pelo seu futebol defensivo.

 

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publicado às 14:00

Futebol com humor à mistura

Rui Gomes, em 05.11.18

 

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Eis algumas apreciações à performance de jogadores do Sporting no jogo de ontem diante do Santa Clara, pelo humorista Diogo Faro, jornal Expresso:

 

RENAN RIBEIRO

O Renan fez no primeiro golo aquilo que eu devia ter feito ontem com o último shot de tequilla. Hesitou e não foi lá buscar a bola. Eu não hesitei e fui ao bar sabendo que já era demais. Tivesse sido ao contrário e teríamos evitado muito sofrimento a muita gente, principalmente a mim.

 

LUMOR

Só hoje é que fiquei a saber que se chama Lumor Agbenyenu, e agora acho que o Sporting o devia incentivar a passar a usar Agbenyenu, e não Lumor, para dar mais trabalho aos comentadores. Tudo o que seja para os castigar pelas parvoíces que dizem, sou a favor. Portanto, Agbenyenu fez um jogo certinho com dois destaques importantes: o facto de nos fazer perceber que podemos continuar a jogar com o Acuña no meio-campo (excelente!) e lançou bem a bola da linha lateral para o Jovane cruzar para o golo. Talvez este segundo ponto não seja um grande destaque, afinal.

 

NANI

Claramente a poupar o seu talento para o jogo contra o Arsenal no qual vai marcar um golo e fazer uma assistência. Foi apenas por isso que não brilhou como tem feito já em vários jogos deste campeonato. Agora não nos deixes na mão na quinta-feira, ó Luís Carlos.

 

BRUNO FERNANDES

Sinto que não jogou Worms Armaggedon o suficiente. Se o tivesse feito, sabia bem melhor como atirar granadas quando o vento está muito forte, quer a favor quer contra, e alguma daquelas 65 bolas que rematou teria entrado.

 

DIABY

Se calhar está com saudades do Peseiro e as emoções triste não deixaram que fizesse um jogo da mesma qualidade que fez na semana passada. Já todos tivemos saudades de alguém ao ponto de as nossas pernas nem responderem em condições. Diaby, tens de ser forte. Lembra-te de como o Peseiro durante 6 jogos só te pôs a 27 segundos do fim, lembra-se daquela vez em que te disse que o jantar de equipa era às 23:45 e quando lá chegaste já estavam todos no café. Agarra-te a essas coisas para o esqueceres e voltares a jogar com alegria novamente.

 

JOVANE

Herói da revolução. Talvez não tenha sido um 25 de Abril ou um Maio de 68, mas o ímpeto de mudar as coisas foi quase o mesmo. Jovane entrou a perder, mas entrou para ganhar. Devemos-lhe um agradecimento sentido por estarmos em segundo lugar, ainda que possa ser provisoriamente.

 

MIGUEL LUÍS

Excelente entrada do Miguel Luís, ali com um pé a seguir ao outro, sem tropeçar nem nada. Depois acabou o jogo.

 

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publicado às 04:02

Futebol com humor à mistura

Rui Gomes, em 29.10.18

 

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Alguns comentários do humorista Diogo Faro, jornal Expresso, sobre as performances dos jogadores do Sporting no jogo deste domingo frente ao Boavista:

 

BRUNO GASPAR

Ele foi toques de calcanhar, ele foi cruzamentos, ele foi cortes de carrinho à antiga, ele foi 1- 2 com o Diaby ou com o Montero. Sim senhor, Bruno. Assim vale a pena.

 

MATHIEU

Salut, salut! Bienvenue! Que bom ter aquele pinheiro francês de volta. Marca cantos, marca livres com cheirinho a André Cruz, defende o que tem a defender e ainda falhou lá um passe meio preocupante de propósito só para não ter um regresso perfeito e nós não ficarmos ainda mais contentes.

 

ACUÑA

O homem estava num daqueles dias em que se pudesse ainda agora estava lá a correr o campo todo em sprints. Faz lembrar um argentino que também lá tivemos recentemente, o Schelotto, com a diferença que este além de correr sabe fintar, cruzar e rematar. Sorte a nossa.

 

BRUNO FERNANDES

De vez em quando, durante a semana, vejo comentários nas redes sociais de como o Bruno Fernandes é sobrevalorizado. Depois chega a hora do jogo, o Bruno Fernandes manda à barra, marca golos, finta como se fosse bailado, passa como quem pinta um quadro, e eu volto só a querer beijar-lhe as chuteiras.

 

DIABY

Viste, Peseiro? Viste? E não é que o rapaz até joga bastante bem à bola? É que naqueles 35 segundos que ele andava a jogar em cada jogo, curiosamente, não estava a dar para ver. Parecendo que não, 35 segundos em futebol não dá para assim tanta coisa. No início fez um remate na vertical que me assustou um pouco – “queres ver que temos aqui outro Djaló?” – mas a partir foi sempre a melhorar. Pena não ter fuzilado o guarda-redes naquela vez que tentou fazer golo a picar a bola, de resto, impecável.

 

NANI

Não sei se sabiam, porque os comentadores só disseram 57 vezes ao longo do jogo, mas o primeiro golo de sempre do Nani pela equipa principal do Sporting foi contra o Boavista. Provavelmente, era o único facto que tinham decorado para o jogo. E o Nani, além de ter feito um jogão, ainda fez um favor aos comentadores. Marcou dois golos. E assim para o ano eles vão poder dizer que na estreia pelo Sporting marcou 1 e neste regresso marcou dois. Factos divertidos.

 

BAS DOST

La la la la la la! BAS DOST! Sentiu-se um ambiente de veneração no estádio por um dos nossos grandes heróis actuais da nossa equipa quando este chegou à linha, pronto para entrar. Normal. Jogou nem 20 minutos, depois de tanto tempo de lesão, mas mesmo assim esteve muito perto de marcar.

 

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publicado às 12:15

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 27.10.18

 

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"Os casos do Benfica - os emails, o e-toupeira, tudo isso - são uma vergonha para o futebol português.

 

Eu ando no futebol há alguns anos e obviamente presenciei e sei de coisas. Já contei tudo o que sabia às instituições do futebol português: FPF, Liga e Associação Portuguesa dos Árbitros de Futebol. E acredito que se vai fazer justiça. Digo-lhe mais: tenho a certeza que o futebol português jamais voltará a ser o mesmo, o dirigismo mudará, tudo será muito mais transparente.

 

Na cimeira dos presidentes da Liga eu disse que ia arrumar a minha casa, mas que eles também tinham de arrumar a casa deles. Nós vamos ser implacáveis na defesa da transparência".

 

Entrevista a Frederico Varandas na edição deste sábado do jornal Expresso.

 

Mais algumas considerações do presidente:

 

O empréstimo obrigacionista está montado e intermediado pelo banco Montepio, com cerca de 30 milhões de euros, para emitir em Dezembro. E o empréstimo anterior, cujo pagamento já fora adiado, iremos pagar tudo aos investidores na data prevista.

 

- O Wolverhampton paga 18 milhões de euros pelo Rui Patrício e o Sporting encaixa 14 milhões; os outros quatro milhões serão para os intermediários, sendo que a Gestifute, que era credora de sete milhões de euros do Clube, abdicou de três. E o Rui abdicou de um milhão de euros, do ano de contrato que restava do Sporting e de cinco milhões de euros, pelo prémio de assinatura. Não foi fácil e não posso explicar tudo.

 

- Já estamos a preparar 2019 e a agir em áreas específicas, que nos ajudam a ganhar. Na área de scouting, por exemplo, estamos a reformular o departamento e acabámos de contratar o José Guilherme Chieira, que esteve no FC Porto durante muitos anos. No departamento clínico, virá outro médico, João Pedro Araújo, que é melhor que eu.

 

- No Sporting que eu idealizo, a equipa tem de jogar melhor que o adversário pelo menos em 32 jornadas do campeonato. Pode nem ganhar, mas tem essa obrigação.

 

- Só dispenso jogadores ou treinadores quando tenho uma solução melhor em carteira.

 

- O primeiro passo é tornar o Sporting imune a essa fogueira e a própria comunicação social também está numa espécie de ressaca, estranha este vazio mediático. Se eu não falar durante duas semanas é estranho, mas já repararam, nos outros clubes, se os respectivos presidentes falam? Não.

 

- Como presidente, nunca entrarei dentro do balneário: é uma área de jogadores. Tal como eles nunca entrarão numa área de presidente. Também nunca farei uma crítica aos jogadores publicamente, porque essa será feita cara a cara.

 

- Quando cheguei à Direcção do Clube, uma das primeiras coisas com que me deparei  foi a validação de uma despesa de hotel no valor de 80 euros de um jogador que estava a fazer uns exames médicos.

 

- Uma empresa com receitas de milhões, 300 funcionários, mais de mil atletas - e uma despesa de 80 euros tem de ser validada pelo presidente? Isto só demonstra como o Sporting estava montado, tudo concentrado numa pessoa. Eram práticas da Idade da Pedra.

 

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publicado às 12:59

Futebol com humor à mistura

Rui Gomes, em 08.10.18

 

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O humor surge em escassa dose depois de uma derrota, contudo, Diogo Faro, cronista do jornal Expresso, fez um breve comentário sobre a performance de alguns jogadores do Sporting:

 

RISTOVSKI

Durante o jogo todo, levou um massacre tão grande do japonês Nakajima que a partir de hoje o pode passar a tratar por Hiroshima.

 

ANDRÉ PINTO

Grande mestria e consistência durante todo o jogo ao deixar o Jackson Martínez sempre sozinho e a jogar à vontade. Ficou-lhe bem a atitude, visto que o colega de profissão voltou hoje a ser titular mais de um ano depois da sua paragem. Admiro-me é como, no meio de tanta abnegação, não deslocou a bacia com a quantidade de vezes que se torceu todo à procurar a bola.

 

BATTAGLIA

Se fosse multado por cada vez que se perdeu e também a bola, só com este jogo tinha ficado sem ordenado até Janeiro. Por favor, volta ao normal já no próximo jogo.

 

RAPHINHA

Estava aqui à procura de palavras para descrever o seu desempenho no jogo de hoje, mas não as encontro. Nem ao desempenho dele.

 

NANI

Foi capitão sem braçadeira e a sua vontade e entrega fizeram com que não levássemos 4 secos do Portimonense. Bem sei que os pontos que ganhávamos eram os mesmo do que ficando 4-2, mas nunca mais teria coragem de ir jantar sardinhas a Portimão.

 

DIABY

Voltou àqueles 7 segundos em campo a que o Peseiro nos tem habituado.

 

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publicado às 05:01

Futebol com humor à mistura

Rui Gomes, em 05.10.18

 

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 O 'onze' inicial do Sporting na Ucrânia, com o novo equipamento

 

Diogo Faro, cronista do jornal Expresso, tem por vezes um humor sarcástico um tanto ou quanto "bicudo", mas não deixa de acertar em alguns casos. Escolhi uns exemplos para o entretenimento do leitor:

 

JEFFERSON

 

Às vezes fico com a impressão de que é como o Ministro da Defesa em relação ao caso de Tancos. Parece não fazer a mínima ideia do que anda ali a fazer, mas lá passa por entre os pingos da chuva.

 

BRUNO GASPAR

 

Fez de tal forma um jogo tão fraquinho como quase todos os seus amigos de preto e branco (equipamento exclusivo para este jogo por causa de regulamentos da UEFA, e bonito, diga-se). Portanto, o maior benefício de ter jogado foi ter dado descanso ao Ristovski.

 

ACUÑA

 

Voltou ao meio-campo e aquela raça está lá sempre, mesmo que sem grande inspiração, como foi o caso de hoje. Pior ainda, agora que já me habituei a vê-lo a defesa esquerdo (bastou-me três minutos, habituei-me quase tão rápido como a Demi Lovato ao cavalo), custa-me que ele volte para aquela zona do campo.

 

PETROVIC

 

Excelente, excelente, excelente. Aquele lance em que foi a correr para a linha em direção ao banco para a entrada do Jovane.

 

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NANI

 

Fez uma birrinha ao ser substituído há dois jogos, foi castigado (terá sido mesmo? Ou houve ali um acordo – inteligente – de cavalheiros para fingir que estava castigado e a comunicação social não implicar com o Sporting e o Peseiro?), e agora voltou de regresso a delegado de turma pronto a liderar de novo os colegas rumo ao sucesso. Voltou com vontade, deixou foi a sua própria eficácia ainda de castigo.

 

DIABY

 

Finalmente jogou mais de três segundos e meio, o que só por si já é notícia. Tendo em conta que a toda a equipa esteve meio apática quase todo o jogo, também não era ele que ia fazer a desfeita e sobressair pela positiva.

 

JOVANE

 

Fica apenas uma sugestão para o próximo jogo: que entre em campo com uma camisola a dizer Rei Midas.

 

MONTERO

 

Freddy Classe Montero.

 

Ele hoje sentiu que tinha que aconchegar a bola no seu peito, como se de um bebé se tratasse. À primeira, abraçou a bola com o peito e arriscou o pontapé de bicicleta. Era difícil, muita gente à frente. À segunda, - inteligente a jogar como é – voltou a acolher a bola carinhosamente no peito, mas meteu no chão, puxou para o outro pé, deixando a defesa toda mais manca que o Paulo Gonzo e meteu em arco no poste mais longe. Que bonito foi.

 

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publicado às 04:47

 

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"Antes do jogo frente ao Sporting, Abel Ferreira não quis falar abertamente sobre um dos assuntos da época: é ou não o Sp. Braga candidato ao título. Não foi preciso. O que o treinador dos minhotos não disse em conferência de imprensa, disse em campo, ou ao lado dele. Porque o triunfo do Sp. Braga por 1-0 frente aos leões é um triunfo de um treinador que soube ler o jogo no meio da anarquia, dizendo-nos assim, sem palavras mas em acções, o que vale esta equipa.    

 

(...) E nós vimos, em campo vimos as respostas que se dão sem abrir a boca. E que há jogos que valem mais que mil conferências de imprensa. O Sp. Braga, sim, é candidato ao título, sem anúncios, sem frases bonitas, com pragmatismo e competência, numa vitória que teve muito de treinador.

 

Teve dedo de treinador porque numa altura em que o jogo pendia entre o anárquico e o exasperante, ali pelos 62 minutos, Abel apostou em Eduardo Teixeira, brasileiro que só tinha jogado na 1.ª ronda. Cinco minutos depois de entrar, Eduardo fez o cruzamento que encontrou Dyego Sousa demasiado sozinho na área do Sporting e o ponta de lança, oportuno, meteu o pé quando meter o pé era tudo o que era preciso para que a bola fosse para as entranhas da baliza de Salin".

 

Parte da crónica de Lídia Paralta Gomes, jornal Expresso, disponível aqui.

 

A usual infeliz análise em função do resultado. Abel Ferreira hoje é bestial, mas há pouco mais de um mês, quando o SC Braga foi eliminado na 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa por aquele "galáctico" Zorya, da Ucrânia, não sei se besta satisfez os ânimos dos adeptos do clube minhoto.

 

Muito desta aclamação pela entrada de um suplente que fez um passe para o centro da área que calhou encontrar um colega sozinho que conseguiu desviar o esférico o suficiente para bater Salin. Refiro a mera casualidade do lance, porque o dito Eduardo Teixeira nem sequer viu Dyego Sousa no momento do passe.

 

De qualquer modo e indiferente das opiniões sobre este lance, esta vitória na 5.ª jornada da Liga não faz do SC Braga um candidato ao título, longe disso.

 

Não é nem será candidato, salvo António Salvador ter mais algum "saco azul" muito bem recheado em reserva.

 

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publicado às 02:53

Futebol com (algum) humor à mistura

Rui Gomes, em 18.09.18

 

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Este foi o fim de semana em que a famigerada Taça da Liga, que já conheceu um bom número de designações oficiais e oficiosas, conquistou a sua carta de alforria competitiva. No Dragão, viveram-se minutos dignos de Champions, com a expulsão do sempre combustível Sérgio Conceição e uma mão de Vata, perdão, de Aboubakar, que não valeu. Em Alvalade, Peseiro lá vai levando a água ao seu moinho em pezinhos de lã, que é como quem diz, em pezinhos de Bruno Fernandes. Na Luz, escreveu-se mais uma página dessa bonita história de amor entre o clube e a taça que era parente pobre, mas que agora já é remediada e que, um dia, talvez venha a pertencer à classe média. Em Paços de Ferreira, jogou-se à porta fechada, mas nem isso impediu uma desavença tipicamente lusitana rematada com corte de relações entre pacenses e avenses.

 

Por sua vez, em Itália, Cristiano Ronaldo reatou relações diplomáticas com o República do Golo e fê-lo na baliza onde, há meses, assinou o melhor da carreira, aquela bicicleta impossível que, de certa forma, o transportou de Madrid para Turim. O bis de Ronaldo – dois golos contra a angústia e a pressão – deveria ser a notícia do fim de semana se o companheiro do madeirense, Douglas Costa, não tivesse guardado para os minutos finais do jogo contra o Sassuolo uma portentosa exibição de pontaria.

 

A história conta-se em poucas linhas, como costumam dizer os prolixos: com a Juventus a ganhar 2-0, Douglas Costa sofre uma falta no meio-campo adversário. O árbitro manda jogar. Na sequência da jogada, Douglas Costa tira desforço de Federico Di Francesco, mas o Sassuolo marca um golo que semeia a incerteza no resultado (bonita expressão dos meandros futebolísticos). Bola ao centro, Costa e Di Francesco trocam algumas palavras, presume-se que no idioma de Moravia, e, sem que nada o fizesse prever, o jogador brasileiro presenteia o adversário com uma cuspidela certeira. O árbitro, alertado pelo VAR, exibe o cartão vermelho a Costa, que terá lamentado não se fazer acompanhar de um cigarro eletrónico que lhe servisse de álibi.

 

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Cuspir num adversário é talvez a agressão mais vil e nojenta em sociedade, desportos de contacto incluídos. Um insulto pode trazer para a discussão terceiros que nada têm que ver com o caso e um murro ou uma cabeçada certamente doem muito mais. Mas, como desconsideração, como ofensa, não há nada que se compare a esta cedência indesejada de fluidos. Nenhum adepto de futebol poderá esquecer o ignominioso escarro com que Frank Rijkaard atingiu Rudi Völler no Mundial de Itália, em 1990, com a agravante de se ter emaranhado na farta permanente do avançado alemão. Em Inglaterra, cuspir num adversário dá seis jogos de suspensão. Como escreveu um jornalista do Guardian, “cuspir adquiriu uma importância simbólica. É um crime que visa diretamente os valores originais do desportivismo, em grande medida imaginários.”

 

Em certas culturas, o ato de cuspir serve para manter o mal à distância, para afastar o mau-olhado e para proteger os recém-nascidos. Douglas Costa não terá tido motivações culturais para o seu gesto, nem terá tido a intenção de proteger Di Francesco do olho gordo de vizinhos invejosos, embora não fosse má ideia defender-se com um qualquer ritual de uma tribo amazónica em que acertar com uma cuspidela em alguém seja sinal de distinção e deferência.

 

O grande Nelson Rodrigues, nas suas habituais prédicas de nostalgia encenada, queixava-se do desaparecimento da escarradeira da paisagem urbana do Rio da sua infância. A escarradeira era um símbolo de civilização. Bem, de uma certa civilização. Hoje, usar um adversário como escarradeira é tão somente o gesto mais indigno no desporto, sobretudo com a omnipresença de câmaras que captam as asas de uma traça como se fossem as de um 747 e mostram ao mundo o alcance e a viscosidade do produto salivar que cada um deve guardar para si.

 

Não foi o caso de Douglas Costa. Diga-se que, antes da cuspidela, já tinha tentado acertar uma cabeçada em Francesco. Tivesse ele revelado a mesma precisão com a cabeça e talvez escapasse com uma simples advertência. Assim, espera-o uma sanção pesada, que pode ir até aos cinco jogos de suspensão. Durante o tempo em que estiver fora dos relvados, poderá tentar inscrever o seu nome no Livro do Guiness que, a par de feijoadas e demais recordes gastronómicos, também contempla arremesso de saliva, cuspidelas de pevides e de outros projéteis naturais. Por ora, só tem direito a figurar no desonroso livro dos grandes cuspidores futebolísticos.

 

Bruno Vieira Amaral (escritor) Tribuna Expresso

 

***Crónica original intitulada "O Ignominioso Douglas Costa".

 

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publicado às 04:00

 

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As eleições do Sporting terão eco na relação entre os juízes e os clubes de futebol. O Conselho Superior da Magistratura (CSM) vai discutir a participação de magistrados nos órgãos sociais dos clubes. O tema será levado a plenário em Outubro e irá incidir sobre juízes no activo e jubilados.

 

Desde 1993 que o CSM tem manifestado o desagrado na relação entre os juízes e o futebol. Nesse ano, o Conselho deliberou que os magistrados não poderiam ter funções no futebol profissional, tendo então sido alterado o Estatuto dos Magistrados. Contudo, o Tribunal Constitucional veio a considerar a norma inconstitucional.

 

"Tendo em conta a sensibilidade, dado a necessidade de preservar a dignidade da função judicial, e o tempo decorrido, é altura do Conselho Superior da Magistratura reapreciar e reflectir sobre a conveniência de condicionar a participação de juízes nos órgãos estatutários de entidades envolvidas em condições desportivas de cariz profissional à prévia autorização do Conselho", afirma Mário Morgado, vice-presidente do CSM.

 

Depois de Carlos Catarino, conselheiro jubilado que tem em mãos o processo de Neto Moura, ter sido eleito como suplente do Conselho Fiscal e Disciplinar e de José Manuel Costa Galo Tomé de Carvalho, desembargador da Relação de Évora, ter tomado posse como secretário da Mesa da Assembleia Geral do clube de Alvalade.

 

Carolina Reis, Tribuna Expresso

 

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publicado às 05:00

O refrescante Sousa Cintra

Rui Gomes, em 10.09.18

 

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Quando o estadista romano Caio Mecenas morreu, Jesus Cristo ainda não tinha nascido, o que faz do mecenato uma prática muito mais antiga do que o Cristianismo. Mecenas, amigo do imperador Augusto, não abdicou da fortuna que herdou, como Cristo haveria de exortar os ricos a fazerem, mas usou-a para patrocinar homens de talento como Virgílio e Horácio. Séculos depois, durante o Renascimento, o seu exemplo foi seguido por famílias poderosas como os Médici e os Sforza, a quem devemos a existência de obras-primas de artistas como Miguel Ângelo e Botticelli.

 

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José Sousa Cintra não patrocinou, tanto quanto se saiba, nenhuma obra de arte imortal digna de exposição nas paredes do Louvre ou do Prado, mas poucas equipas do Sporting, se é que alguma, estiveram tão perto do sublime como aquela que a liberalidade do empresário ajudou a financiar nos anos 90. Com “O Rapto do Pacheco e do Sousa” (água com gás sobre relva, 110X75, Estádio José Alvalade), o próprio Sousa Cintra assinou uma das peças artísticas mais audazes da história do futebol português, levando a parte verde do país à euforia e lançando numa profunda depressão estival a parte vermelha, subitamente a contemplar o Apocalipse nas praias algarvias.

 

Cintra, o génio por trás do golpe, entusiasmou-se tanto com a sua astúcia que provocou os deuses com o despedimento de Bobby Robson, ele que tinha conseguido a proeza de o contratar. A partir daí nada lhe correu bem no Sporting e o epitáfio da sua presidência foi João Vieira Pinto – o jogador que ele não foi capaz de desviar ao rival – quem o assinou, destruindo com os próprios pés a obra de arte que Cintra demorara cinco anos a cinzelar com escopo e cheques.

 

Quando o empresário saiu do Sporting, anunciavam-se os tempos das SAD e dos clubes-empresa. Tinha acabado a era dos mecenas. À gestão financiada pelos bolsos liberais de uns carolas, com os seus caprichos e excitações, sucedeu-se a abordagem racional dos gestores desapaixonados (cof, cof).

 

Mas, com o fim da era dos mecenas, também acabou o tempo em que os clubes precisavam mais dos seus presidentes do que os presidentes precisavam dos seus clubes. Talvez em 1989 Sousa Cintra tenha precisado do Sporting para se tornar conhecido – a vaidade, como reconheceu há uns tempos um ex-primeiro-ministro, é um poderoso motor da acção humana – mas o Sporting precisava muito mais do dinheiro de Sousa Cintra. O próprio o reconheceu, com a habitual candura, em entrevista ao Expresso: “Não se pagava aos jogadores e ao pessoal há sete meses. Pagámos a toda a gente e fiz isso por amor ao clube. […] Meti muito dinheiro do meu bolso. Tive de meter, então, ninguém emprestava dinheiro ao Sporting!”

 

Entretanto, o homem das águas desapareceu de circulação futebolística e da vida do Sporting e muitos se perguntavam se ainda estaria vivo e se ainda teria fortuna. A resposta chegou neste verão e pode dizer-se, agora que Sousa Cintra já passou o testemunho ao próximo presidente do Sporting, que o seu regresso, ainda que temporário, foi das melhores coisas que aconteceu, não só ao clube, como ao futebol nacional.

 

Em primeiro lugar, Cintra afirmou não ter qualquer intenção de permanecer em funções após este período limitado de transição, o que, num clube que tem algo de shakespeariano nas oscilações de poder e de fidelidades, em que todos temem a própria sombra, foi um sinal saudável de desprendimento, sobretudo depois de um consulado traumático de um aspirante a Nero com a sua corte de personagens grotescas e instáveis.

 

Em segundo lugar, Cintra tudo fez para repor a normalidade e demonstrar aos adeptos e ao mundo que o Sporting não era o hospício em que os episódios de maio e Junho tinham ameaçado transformá-lo. Trazer de volta Bas Dost, Bruno Fernandes e Battaglia, que muitos julgavam ser uma missão impossível, ajudou a afastar de vez a possibilidade de um cataclismo definitivo.

 

Tão importante como o facto foi a forma. Sousa Cintra não lhes acenou com um livro de cheques, mas com uma bandeira branca, sinal de paz e boa vontade. Teve a capacidade de compreender o problema humano e, por isso, tentou resolvê-lo com humanidade. Fê-lo com dois instrumentos que não se vendem e não se compram: honestidade e bom-senso. Numa estratégia capaz de meter na algibeira déspotas de algibeira, manejadores, nem sequer exímios, da ameaça e da coação, fez com que os jogadores se sentissem desejados e protegidos.

 

Anjinho, porém, Sousa Cintra nunca foi. Despachou Mihajlović sem remorsos, não cedeu às pressões de certos empresários, foi inflexível com o Atlético de Madrid no caso Gelson e, quando sentiu que esticar a corda poderia obrigar o seu sucessor a enforcar-se com ela, recuou, nos seus termos e condições.

 

As críticas também não o demoveram de aceitar o convite do Benfica para ir para a tribuna do estádio da Luz: “a rivalidade é dentro de campo”, disse, com uma sabedoria e uma simplicidade que andavam desaparecidas do nosso futebol, o homem que quase destruiu o rival naquele célebre verão quente de 93.

 

Talvez a postura assumida só fosse possível nestas circunstâncias peculiares e em alguém com a sua também peculiar personalidade. O tempo desgasta, o poder corrompe e, muitas vezes, até o mais circunspecto dos líderes cede ao apelo do populismo quando vê o seu lugar ameaçado.

 

Seja como for, a incontornável presença de Sousa Cintra durante este interlúdio, com o seu optimismo militante e a independência que distingue os muito ricos ou os indigentes, tornou a atmosfera um pouco mais respirável, matou a nossa sede de decência e fez-nos ter saudades dos tempos em que, por amor ao clube, os mecenas patrocinavam a felicidade de milhões de adeptos famintos de alegrias.

 

Bruno Vieira Amaral, escritor, Tribuna Expresso

 

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publicado às 16:00

E tudo Jovane mudou

Rui Gomes, em 02.09.18

 

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Às vezes, é tudo uma questão de paciência. A paciência que Matheus não teve é a mesma que Jovane Cabral, o miúdo nascido há 20 anos na ilha cabo-verdiana de Santiago, está a aproveitar. Quando ele sai do banco, o Sporting muda. Foi assim frente ao Moreirense, quando sofreu a grande penalidade que permitiu aos leões engatarem uma vitória difícil. Foi assim na jornada seguinte, frente ao V. Setúbal, quando menos de 10 minutos depois de entrar deu a assistência para Nani fazer um segundo golo que valeu três pontos.

 

E foi também assim este sábado. Ele entrou e o Sporting mudou. O golo que marcou a três minutos do fim e que desfez um zero-zero que em alguns momentos do jogo pareceu mais que anunciado, foi só a cereja, o lacinho, a pièce de résistance.

 

Lídia Paralta Gomes, jornal Expresso

 

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publicado às 04:54

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