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Acabou a erva daninha?

Naçao Valente, em 08.07.19

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Admite-se que Godinho Lopes pode ter sido um mau presidente. Pode ter gerido mal, financeira e desportivamente, o nosso Clube. Não foi o primeiro nem o único responsável. Quando chegou este já estava como se sabe. Mas de uma coisa não o podem acusar: de ter cometido ilícitos relacionados com o cumprimento dos Estatutos. Antes pelo contrário, quando estava para ser marcada uma Assembleia destitutiva, decidiu demitir-se, para dar voz aos sócios na escolha de outra direcção, sem perda de tempo.

Godinho Lopes não foi expulso de sócio, pela sua incompetência governativa. Aliás, com base nesse critério, muitos presidentes deveriam ter sido expulsos. Godinho Lopes foi expulso por revanchismo, por uma Direcção que logo aí deu os primeiros sinais de fumo da sua natureza, mostrando ao que vinha. Quem vivia num mundo de ilusão paralelo é que não percebeu. É curioso constatar que essa expulsão fosse aceite como uma coisa natural sem significado, sem protesto, sem indignação

Godinho Lopes que até tinha  dinheiro seu  no Sporting, aceitou a decisão e retirou-se para a sua vida privada, porque a tinha, sem qualquer alarido. Deixou de ser sócio, mas não deixou de ser sportinguista, nem andou pela comunicação social a fazer-se de vítima, que na minha perspectiva e em certo sentido, até foi.

O presidente que agora foi expulso e os seus fanáticos apoiantes, são (serão)  um caso de estudo na história do Sporting. Com ilusionismo mascarou a realidade e pintou-a com as cores do arco-íris. Após um processo de destituição, durante o qual violou os Estatutos, procurou inviabilizar uma AG legalmente marcada, e criou órgãos paralelos. Já depois de destituído, recusou sair de Alvalade, boicotou contas e procurou impedir a entrada da Comissão de Gestão. Quando saiu não deixou um Clube mais sólido, antes pelo contrário.

O presidente que agora foi expulso, continuou e continua a assombrar a vida do Clube. Depois de ter  decidido de tarde que já não era sportinguista e de manhã que voltava a ser, depois de  querer ser candidato à presidência quando já não podia, depois de  insultar os associados que votaram a sua destituição, depois de continuar a insultar os que o iam expulsar, ainda tem o apoio de uma minoria ruidosa.

Esta gente que demonstra estar refém do culto a uma pessoa como um salvador, não pode ser verdadeiramente sportinguista. E se o for, tem de optar entre a adoração fanática a uma personalidade, ou o apoio incondicional a uma Instituição com 113 anos de história e dezenas de presidentes. Esta Instituição continuará, e a actual Direcção e as que vierem a seguir, cumpridos os seus mandatos, não passarão de meras notas de rodapé. Porque o que continuará a persistir é o Sporting Clube de Portugal, obra de milhões de anónimos, passados e vindouros.

Este Clube urge estabilidade e união. Sem elas nunca se conseguirão grandes vitórias. Mas a estabilidade e a união não podem ser construidas em constante confronto. E para isso há momentos em que é imprescindível fazer rupturas. Nenhuma planta cresce no meio de ervas daninhas. Receio que este corte, necessário,  ainda não tenha eliminado a raiz.

Entretanto, a nova época está à porta. O Sporting, que em condições difíceis, conquistou mais títulos na campanha que terminou, que nas cinco anteriores, vê a sua Direcção vaiada por uma minoria deveras fanatizada. Os nossos dirigentes e atletas merecem respeito. Se a cegueira não deixa alguns ver isso, os que põem o Sporting acima de líderes transitórios, devem mobilizar-se no apoio ao Clube.

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publicado às 03:35

 

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1) Impor coincidentes medidas de coacção a um ex-Presidente ou a um líder de Claque, desde a comum data de detenção à libertação sob semelhante caução pecuniária de €70 Mil, leva-nos a identificar um reflexo iqualitário que emerge sob ambos. Suspeitos pela mesma diversidade criminal, o ex-Presidente e o líder de Claque partilham mais do que uma distorcida visão sócio-cultural do meio onde vivem – possuem, incrivelmente, um contexto sócio-económico homólogo. Para alguns, o Sporting foi sempre um bom negócio. Gostaria que os sportinguistas meditassem sobre isto.

 

2) Pelas razões conhecidas, no mês de Maio o Sporting adiou o reembolso de obrigações 2015-2018 para final deste ano. Foi aprovado, no mesmo mês, futura emissão dual – empréstimo e títulos obrigacionistas – no valor máximo de €60 Milhões. A emissão de obrigações em curso – com um juro aberrante de 5,25% – sob as quais o estagiário Zenha denuncia reservas relativamente a um potencial excesso de procura (inédito!), servirão como finalidade a liquidação… do anterior reembolso não cumprido.

 

Aposto, contudo e infelizmente, que o maior problema não se afigura entre a escassa procura por parte de investidores (facto nestes 4 dias) ou ainda os encargos de operação bancária do promotor. O Sporting mais uma vez procura dinheiro caro no mercado sem crença alguma de o conseguir – porém longe das taxas faraónicas superiores a 6,25% do contabilista Vieira – e pior do que isso, sempre com as mesmas soluções que prejudicam financeiramente o Clube. O Sporting, em termos financeiros, continua a ter uma grande experiência de inaptidão curricular.

 

3) Sempre fui partidário de medidas liberais para com o nosso Sporting, nomeadamente aquelas que de uma forma ou outra impõem uma adaptação de mentalidade à evolução. Desde a privatização/globalização do Clube, fim das presidências-parábolas de poder executivo e extinção de associativismo de pressão organizada (Claques) que submete ao medo e à insegurança o associativismo de apoio espontâneo e independente – os Adeptos.

 

Sempre que termina um mandato no Sporting, encontramos sempre o Sporting num caos. Creio que, como diria Bertrand Russel, o Homem moderno é senhor do seu destino – se continua a sofrer, é porque é estúpido ou perverso, não porque tal seja uma lei da natureza.

 

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publicado às 10:30

 

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O avançado cabo-verdiano Heldon chegou ao Sporting em Janeiro de 2014, proveniente do Marítimo, a troco de cerca de 1.5 milhões de euros.

 

Por falta de espaço na equipa leonina foi cedido ao Córdoba - actual 20.º e último classificado de "La Liga" - na última semana de Janeiro de 2015, até ao final da temporada.

 

Antes de partir de Alvalade, ainda na época em curso, participou em dois jogos da I Liga, um como titular, outro como suplente utilizado, acumulando 64 minutos de jogo, sem golos marcados. Ainda jogou uns escassos minutos num jogo da Taça de Portugal e participou num outro jogo da Taça da Liga - 87 minutos - marcando um golo.

 

Desde que chegou a Espanha, realizou 5 jogos como titular e um como suplente utilizado, acumulando 294 minutos de jogo (3,25 jogos), sem registo de golos.

 

Muito embora haja alguma incerteza neste momento sobre os extremos que irão constar no plantel leonino na próxima época, muito indica que Heldon ainda não justificou a aposta e que, muito provavelmente, o seu futuro não passará por Alvalade. Dito isto, há a questão de recuperar o investimento feito, se é que é possível, sem perder de vista que o seu contrato com o Sporting é válido até Junho de 2019. Não creio que a cláusula de 45 milhões de euros venha a ter influência em quaisquer futuras negociações.

 

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publicado às 18:34

Futuro procura-se

Rui Gomes, em 13.12.14

 

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Com o primeiro terço do campeonato realizado - 1.ª Liga - verifica-se que 13 clubes, ou seja 72,2 por cento do total, não conseguem meter em média mais do que 3.005 espectadores nos respectivos estádios, nos jogos do campeonato.

 

Perante este acentuadamente desestimulante cenário, é apenas lógico questionar o futuro do futebol português.

 

Winston Churchill disse que " é um erro ver muito longe no futuro. A corrente do destino somente pode ser puxada um ela por vez", mas também há quem acredite que o problema do nosso tempo é que o futuro não é o que costumava ser.

 

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publicado às 11:33

Já está de malas feitas ?

Rui Gomes, em 14.07.14
 

 

Pela exclusão de Valentin Viola, Fito Rinaudo e Salim Cissé do lote dos 25 convocados para o jogo nos Açores, escrevi em um outro post que esta decisão era uma indicação, para mim, de que o seu futuro foi decidido pela Sporting SAD mesmo antes do primeiro treino, ou seja, que não são jogadores para ficar em Alvalade.

 

A esta minha observação surgiu um leitor a comentar: "Viola é um jogador ainda jovem e interessante, com muitas qualidades, e já tem o destino traçado sem fazer a pré-época ?".

 

A resposta ao leitor é que as qualidades do avançado argentino não entraram nas contas na época passada e não vão entrar agora, por razões que só Bruno de Carvalho e Augusto Inácio poderão explicar. A ser emprestado em 2013/14, nunca deveria ter sido ao Racing da Argentina - o seu clube de origem - porque o jogador necessitava de uma mais extensa exposição ao futebol europeu de modo a contribuir para a sua evolução.

 

Segundo as informações disponíveis esta segunda-feira, tanto Viola como Salim Cissé já foram relegados para a equipa B, uma ocorrência que sustenta a minha afirmação original. O caso de Cissé - uma das contratações "flop" da nova liderança - não surpreende, mas o bom senso indica que Viola iria ter, pelo menos, a oportunidade de se mostrar a Marco Silva durante a pré-época. Fica claro que após apenas meia dúzia de treinos, esta decisão não conta com o aval do treinador.

 

Durante o período de empréstimo ao Racing - que, aliás, tinha uma opção de compra que se sabia antecipadamente que o clube não teria condições para exercer - Valentin Viola participou em 32 jogos da Primeira Divisão argentina, 25 como titular e 7 como suplente utilizado, acumulando 2156 minutos de jogo (23,9 jogos) e marcando 2 golos.

 

Na sua primeira época no Sporting - 2012/13 - o jovem avançado realizou 7 jogos como titular e 18 como suplente utilizado pela equipa principal, inclusive de 4 jogos na Liga Europa, e 3 jogos como titular e 1 como suplente utlizado pela equipa B.

 

Nunca saberemos quanto poderia ter evoluído a ser treinado por Leonardo Jardim, face a mais um decisão sem o aval de treinador.

 

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publicado às 12:26

 

 

Não será injusto afirmar que o futuro do jovem avançado - 23 anos - é uma autêntica incógnita neste momento. Começou a época de 2013/14 muito bem, titular sete vezes nas primeiras oito jornadas da I Liga, mas gradualmente foi desaparecendo do leque de escolhas de Leonardo Jardim. Tanto é assim, que acabou a temporada com apenas 12 jogos como titular e 8 como suplente utilizado, acumulando 1080 minutos de jogo (12 jogos). Participou em mais dois jogos, como titular, na Taça de Portugal e outros tantos na Taça da Liga, um como titular e o segundo como suplente utlizado.

 

Sempre foi a minha opinião que Wilson Eduardo nunca verdadeiramente se adaptou ao sistema de jogo de Leonardo Jardim, o 4x3x3 rígido que exige que os extremos disponham tanta ou mais energia a defender como a atacar, disposição agravada pelo simples facto de ele não ser um extremo natural mas sim o que é referido como um falso ponta de lança. Inúmeras vezes que verifiquei que contrário a um extremo natural, que visa sobretudo o cruzamento para a área, o instinto de Wilson Eduardo é quase sempre rematar. Pela sua velocidade, é um jogador muito útil em jogadas de transições rápidas, mas o problema é que o Sporting, mais vezes do que não, enfrenta adversários posicionados em linhas baixas onde o espaço nas alas é escasso.

 

Wilson Eduardo tem contrato até 2018. 40% do seu passe é da pertença do "Sporting Portugal Fund" (pagou 600 mil euros) e desconheço se existe uma outra percentagem na posse da Holdimo.

 

Ficamos perante a expectativa de surgir ou não alguma tentativa de o ceder novamente ou se, com um novo treinador, será integrado nos trabalhos de pré-época.

 

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publicado às 06:58

 

 

O jovem avançado argentino chegou ao Sporting no Verão de 2012 com um contrato válido por cinco anos. Na sua primeira época de "leão ao peito" participou em 25 jogos pela equipa principal - entre a I Liga, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa - 7 como titular e 18 como suplente utilizado, acumulando 1047 minutos de jogo (11,6 jogos), e marcando 2 golos. Ainda foi titular em 3 jogos pela equipa B.

 

No final da temporada a Sporting SAD decidiu emprestá-lo ao seu clube de origem - Racing Club - por uma época. Na Argentina, entre o Torneio Apertura, Torneio Clausura e Taça Sul-Americana, participou em 32 jogos, 25 como titular e 7 como suplente utilizado, acumulando 2156 minutos de jogo (23,9 jogos), marcando 2 golos. O Racing Club detinha opção de compra, mas pela sua situação financeira nunca houve uma real expectativa que a viesse a exercer.

 

Valentin surgiu recentemente nas notícias a afirmar o seu entusiasmo pela época realizada pelo Sporting e a confirmar que já tinha recebido instruções da SAD para se apresentar na Academia no início dos trabalhos para a nova época. Dito isto, não é claro neste momento, pela informação disponível quais, são os planos da SAD para o jogador.

 

Critiquei o seu empréstimo na época passada por duas razões principais: a primeira das quais por não fazer sentido algum, no que ao seu desenvolvimento diz respeito, colocá-lo a jogar novamente na Argentina, quando ele necessitava, sobretudo, de mais extensa exposição ao futebol europeu. A segunda razão, porque gostaria de o ter visto a ser trabalhado por Leonardo Jardim, uma experiência que, na minha opinião, o teria beneficiado imenso e, por consequência, também o Sporting.

 

A ser sincero, analisando a época realizada pelos extremos da equipa, acho que ele poderia ter sido muito útil, e salvo exibições a um outro nível na próxima temporada, não vejo em que aspecto Heldon lhe é superior. Não se sabe ao certo o seu salário, mas nada nos pode levar a concluir que seja exorbitante, mesmo admitindo que seja mais elevado do que a média do actual plantel. Para ser valorizado, desportiva e financeiramente, terá de jogar na Europa, quer seja no Sporting ou em um outro clube. O jornal "O Jogo" surgiu recentemente a noticiar que nova cedência está no horizonte e que o destino provável será o campeonato alemão ou o francês. Como sempre, dá para questionar a fonte de informação do diário desportivo. Com 22 anos, de uma forma ou outra, ainda tem muito futebol nas pernas e é a opinião deste observador que durante a sua primeira estada em Alvalade demonstrou o suficiente para justificar uma nova aposta, agora sob a liderança de Marco Silva.

 

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publicado às 18:46

"O Sporting não me pode pagar"

Rui Gomes, em 06.06.13

  

Estas, as palavras de Zakaria Labyad em entrevista ao jornal holandês «De Telegraaf.» O médio/avançado de 20 anos chegou ao Sporting do PSV Eindhoven no Verão passado, a custo zero, e assinou um contrato válido por quarto épocas. Embora o próprio reconheça que, à semelhança da equipa, a temporada não lhe correu da melhor forma - participou em 27 jogos, em todas as competições, e marcou três golos - deixa expresso o seu desejo de continuar em Alvalade, apesar do seu futuro estar muito incerto neste momento: «É verdade que o clube não me pode pagar. O meu contrato prevê um aumento se começar a próxima temporada. Não queria sair, ainda não dei tudo o que posso este clube. Ainda tenho muito para crescer e mostrar. Tenho apenas um ano de Sporting e queria retribuir o apoio dos adeptos.»

 

Há muitas conjecturas relativamente ao seu salário; já se leu 900 mil por ano, hoje pode-se ler 1,200 milhões, mas, na realidade, só "lá" dentro é que se conhecem os verdadeiros valores e quanto é especificamente designado salário e quanto visa compensar o valor dos seus direitos económicos, já que o Sporting nada pagou ao PSV Eindhoven.

 

Embora não haja qualquer informação oficial do Clube, depreende-se - depreendo eu, pelo menos - que o jogador já terá sido notificado pelos dirigentes que os termos do seu contrato não são aceitáveis e que a nova Direcção procura transferi-lo durante o período de defeso. Por não se saber os números factuais, não é possível adiantar qualquer tipo de apreciação sobre os prós e contras desta decisão. Ao que me compete, como adepto, lamento a sua saída, se esta se confirmar, porque entendo que é jovem com muito talento e que está longe de atingir o seu melhor. Bem utilizado na sua posição mais natural, com treinamento de qualidade e tempo de jogo, sinto que a sua progressão e consequente valorização seria notável.

 

Pelo andar das coisas, será justo questionar quantos mais jogadores foram notificados que o Sporting não lhes pode pagar e que procura transferi-los.

 

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publicado às 20:13

O defeso e afins

Rui Gomes, em 30.05.13

Neste período de defeso em que a bola está parada, salvo pela Selecção Nacional que ainda tem dois jogos importantes por disputar, vamos lidando com um vasto leque de conjecturas, boatos e rumores diários sobre o movimento de jogadores e treinadores no mundo do futebol. Meramente para manter aceso o debate sobre a modalidade, em geral, e o nosso Sporting, em particular, vamos comentando o mais construtivamente possível as temáticas de maior relevância, especialmente as que, porventura, mais interessam a sportinguistas, reconhecendo, no entanto, que nem tudo o que é noticiado corresponde à verdade.

O presidente e Augusto Inácio têm discursado imenso sobre o que pretendem para o futebol do Sporting sob a sua liderança, mas muito pelas generalizações ou afirmações que pisam o irrealizável, ainda não se tem um conceito concreto relativamente aos meios a que recorrerão para levar a cabo a complicada missão que assumiram, considerando as limitações dos cofres de Alvalade e os muitos jogadores sob contrato, sejam eles da equipa principal, da B ou do lote dos emprestados. 

Depois da má decisão sobre Jesualdo Ferreira, surgiu a contratação de Leonardo Jardim a estimular os ânimos e a injectar renovada esperança de que na próxima época continuaremos a ter um treinador competente a liderar a equipa. Por muito do que tem constado sobre a venda de jogadores, especialmente aqueles com maior potencial no mercado, não deixa de ser preocupante que alguns dos mais importantes da equipa seguirão outro rumo, para serem substituídos por outros activos "low budget". A contratação de Jefferson encaixa neste enquadramento e só resta desejar que o defesa brasileiro consiga repetir a época que realizou este ano no Estoril, ao nível do Sporting. Já o atraso em contratar o muito badalado ponta de lança do Moreirense, Ghilas, precipita a sensação que um activo um pouco além do "low budget" já não é expectável.

Um dos jogadores mais falados - com razão de ser - é Marcos Rojo, o polivalente defesa da selecção argentina que pode provocar um negócio razoável para o Sporting. Nunca será um "bom" negócio, porque o jogador é jovem e necessita de ser valorizado através de mais uma ou duas época de bom nível. Não é segredo algum que Leonardo Jardim aprecia-o imenso, mas nem esta consideração será um impedimento caso surja uma oferta que satisfaça a SAD leonina. Entre os muitos outros dossiers à mão, encontra-se a renovação de Bruma, processo que aparenta estar num impasse pelo extremar de posições entre as partes. O seu representante Nir Zahavi não dá sinais de querer recuar nas exigências e o Sporting continua a não ceder por as considerar muito altas. Consta que o seu antigo representante Catio Baldé, que ainda age como uma espécie de conselheiro, irá mediar as negociações nos próximos dias para tentar encontrar uma resolução.

Por fim, e não de menor importância, parece-me que um plantel de somente 20 jogadores, como foi enunciado por Inácio - em vez do usual e mais desejado 23 - não é adequado, mesmo para um Sporting não europeu. Partindo dessa base, poderemos então contar com dois guarda-redes, quatro centrais, três laterais, seis médios, inclusive de trincos, três avançados/extremos e dois pontas de lança. Esta disposição obrigará Leonardo Jardim a recorrer frequentemente à equipa B, esta aos juniores e estes aos juvenis, perturbando o mais natural e eficaz curso de evolução dos jovens. A muito propagada ideia de "fazer mais com menos" é viável em certas áreas de funcionamento e gestão, mas não ao que concerne a vertente desportiva, independente da ilusão em voga que o Sporting poderá recuperar os patamares de sucesso seguindo os exemplos do Estoril e Paços de Ferreira, entre outros. Teoricamente é apetecível mas, na realidade, especialmente na do Sporting, não resultará.

 

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publicado às 23:03


No final da vitória sobre o Olhanense, que coincidiu com o adeus do Sporting à Europa para a próxima época, Jesualdo Ferreira dirigiu palavras marcantes à comunicação social e, indirectamente, aos sportinguistas:

"Se quero ou não quero ficar no Sporting na próxima época ? Se quero ou não quero, não vou responder porque isso seria puxar o fio todo. No entanto, e sobre os aplausos quando o meu nome foi ouvido no estádio, ninguém é indiferente ao carinho e ao recomhecimento.

Não foi fácil para mim e para os sportinguistas encarar-nos, eu porque sabia que ia entrar num contexto difícil e os sportinguistas porque vinha de clubes rivais. A verdade é que isso foi ultrapassado e só tenho de agradecer aos sportinguistas pelo reconhecimento que me deram. Há um registo de gratidão que me toca cá dentro."

Apesar de não haver qualquer tomada de posição pública pela liderança do Sporting, é por de mais evidente que existem divergências entre as partes sobre o futuro «make-up» do futebol leonino. Pelas palavras proferidas por Jesualdo Ferreira de há uns dias a esta parte, não é difícil compreender que este pretende uma estrutura e um plano de acção que permita ao Sporting obter um nível de competitividade futebolística digna da imagem e da grandiosidade do Clube e que disponibilize, no mínimo, os meios para se poder ambicionar alcançar algumas metas. Esta não será a visão do presidente e de quem mais colabora com ele neste contexto. E, aqui, reside a essência do impasse.

Não tenho grandes dúvidas que a nova liderança até prefere que o técnico não permaneça, porque o seu objectivo primodial é formar um grupo íntimo de "yes men" em torno de um presidente que nada percebe de futebol mas que o pretende liderar de forma ditatorial. O problema com este desejo relaciona-se com o reconhecimento de que a vasta maioria de sportinguistas aprova a continuidade de Jesualdo Ferreira e contrariar esta vontade representa um grau de exposição e vulnerabilidade com enorme potencial para repercussões no curto prazo.

 

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publicado às 03:50

Jesualdo Ferreira e o futuro

Rui Gomes, em 10.05.13

 

Sem abordar, directamente, a questão das negociações aparentemente em curso sobre a sua renovação contratual com o Sporting, será que esta sua frase, proferida hoje na conferência de imprensa, tem significado especial nesse contexto ?

 

" A minha perspectiva pessoal é de que se evoluiu, mas ficamos longe do esperado, pois não houve tempo para mais e há uma relação directa. O Sporting tem de constituir um alerta, tem de dar um passo firme em relação ao futuro. Tem de haver vontade e condições. Ficar constantemente em quarto ou terceiro, ou uma vez em primeiro parece bom mas não é, acidentes acontecem e o Sporting ao cair nesta posição tem de fazer uma avaliação para que não volte a cair nisto."

 

Pelo menos para mim, esta sua consideração faz perfeito sentido, mas será que reflecte o raciocínio da nova liderança do futebol leonino ?... Esta é a questão que está sobre a mesa e que requere definição urgente. Cair num poço para depois recuperar elevação poderá não viabilizar o futuro que se deseja e que o Sporting, pela sua grandiosidade, merece.

 

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publicado às 17:37

Para onde vai a "caravela" leonina ?

Rui Gomes, em 06.05.13

 

O presidente Bruno de Carvalho visitou este fim de semana o núcleo sportinguista de Freamunde e entre as suas diversas afirmações surgiu esta, algo alarmante, embora, porventura, não totalmente inesperada: «Se algo acontecer com os atletas e as pessoas do Sporting e que não seja aquilo que estamos à espera, saibam que o faço pelo futuro do clube.»

 

Dá para perceber que faz uma alerta directa a cortes no actual plantel, de jogadores que são considerados nucleares ou, no mínimo, importantes. Há longo que se compreende que determinados casos pontuais têm de ser resolvidos para baixar custos, nomeadamente de um ou outro jogador mais idoso e, sobretudo, daqueles que estão emprestados e que já não fazem parte dos planos. Dito isto, e considerando a juventude do plantel, não dá para imaginar a quem ele se refere, especificamente, quando o Sporting já tem uma equipa algo carente e a necessitar de dois ou três reforços posicionais.

 

Esta sua alerta - do género a preparar a plateia para algo chocante - deixa igualmente a ideia que os tão badalados investidores também não estão no horizonte, pelo que não será possível aspirar a uma equipa mais competitiva do que se verificou esta época.

 

Segundo o que foi noticiado este domingo, mas não confirmado pelo próprio, Aurélio Pereira vai assumir novas funções que representam, na realidade, um acumular de tarefas, mantendo-se como coordenador do departamento de prospeção e envolvendo-se no recrutamento mais directamente ligado à equipa principal. Uma questão cujo mérito que fica no ar, porque embora a sua carreira a lidar com os muito jovens seja lendária, desconhece-se a sua zona de conforto em recrutar atletas já adultos. Ainda mais, parece que a boa época da equipa B não será o suficiente para garantir a continuidade de José Dominguez e Pedrosa - não obstante ainda terem mais um ano de contrato - que serão substituidos por Abel Ferreira e a restante equipa técnica que o acompanha actualmente nos juniores. Quanto a Jesualdo Ferreira, o presidente limitou-se a afirmar que «as pessoas estão a conversar». Vai ser um verão escaldante para a «caravela» leonina sem rumo definido.

 

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publicado às 00:42

Bruma e afins

Rui Gomes, em 23.04.13

 

A renovação contratual de Bruma chegou a um acordo verbal por intermédio de Godinho Lopes mas, entretanto, devido ao acto eleitoral, foi congelada. Com o passar de cada jogo e o  seu visível progresso, esta disposição aumenta em dificuldade. Não obstante os condicionantes financeiros, o presidente deveria tentar finalizar este importante dossiê quanto antes possível para evitar dissabores num futuro muito próximo, que poderá ser já em Janeiro, já que o seu actual contrato termina a 30 de Junho de 2014.

 

Declarou o seu empresário Catio Baldé: «Bruma acredita piamente que quer ficar no Sporting. Mas se surgir alguma cosida no meio disto... mas nunca vamos criar condições para ele sair. Bruma reza todos os dias para que Portugal se apure. É muito jovem e tem uma ambição: considera que neste momento, humildemente, que é uma alternativa credível ao Nani.»

 

Não está mal visto, de facto; renovar com o Sporting para garantir continuidade, aumento salarial e na clásula de rescisão, apresentar-se em bom nivel no Mundial de 2014 - caso Paulo Bento o convoque - e, então, tudo correndo bem, o salto milionário para um clube de topo com contrapartidas significativas tanto para o jogador como para o Sporting.

 

Apesar de tudo isto, continuo a insistir que a sua assumida titularidade na equipa principal é algo prematura. Deve-se manter no plantel e jogar quanto possível, mas existem aspectos do seu jogo que exigem melhoramento substancial, nomeadamente ao que concerne as funções defensivas, os movimentos no miolo nos últimos 20-30 metros ofensivos e o seu remate, que pouco se tem evidenciado. No futebol moderno, especialmente para um jogador de topo, um leque completo de aptidões é imprescendível, já que não é suficiente jogar apenas no meio campo ofensivo, sendo Cristiano Ronaldo e Lionel Messi duas das muito poucas notáveis excepções nesse capítulo. Ainda com 18 anos, Bruma apresenta um enorme potencial, mas o seu desenvolvimento necessita de se manter em curso. Querer dar saltos altos de mais, prematuramente, pode vir a ser severamente prejudical a prazo.

 

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publicado às 14:55

Ainda sobre Augusto Inácio

Rui Gomes, em 04.04.13

 

A situação de Augusto Inácio tem vindo a ser muito falada, por motivos óbvios para todos menos para ele, aparentemente: «Não percebo, à vezes, a dúvida que existe e queria que alguém me explicasse qual é o cargo que ocupo neste momento... Neste momento só tenho um cargo até pelo menos ao dia 19 de Maio, que é quando acaba o campeonato. Se quiser festejar contra o Sporting festejo.»

 

Inácio não é uma pessoa ingénua e não deve passar por tal, nem fazer dos outros ingénuos. No centro da discussão não está somente o seu surgimento no sábado em Alvalade como treinador do Moreirense mas também a sua ausência da SAD sportinguista cujo único elemento, neste momento, aparenta ser Virgílio Lopes. Em causa estão os inúmeros assuntos relacionados com a nova época, os casos dos emprestados, a definição do futuro de Jesualdo Ferreira, possiveis novas contratações e, em geral, o novo organigrama da SAD que, como Jesualdo Ferreira já indicou, ainda não lhe foi apresentado, se é que existe.

 

Além do mais, e abordei esta temática na altura, nunca deu para perceber a ideia de Augusto Inácio ao aceitar o cargo em Moreira de Cónegos - salvo o salário, claro - considerando que acompanhou Bruno de Carvalho em campanha incessante durante dois anos e acabou por ir treinar outro clube já com eleições à vista no Sporting. Eu sou um dos que sente alguma dificuldade em perceber qual vai ser a sua função e a essência da sua contribuição na suposta nova estrutura do futebol leonino, além de não ver de bons olhos a receptividade de Jesualdo Ferreira a trabalhar sob ele e Virgílio Lopes, seus inferiores em tudo quanto é futebol.

 

Nota: Além do já acima referido, se a proposta de Mário Figueiredo para o alargamento da I Liga for aprovada no sábado e esta incluir uma «liguilha» entre os dois últimos classificados e o terceiro e quarto da II Liga, é muito possível que o Moreirense ainda se mantenha em competição pelo menos mais duas semanas.

 

 

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publicado às 17:09

E Jesualdo Ferreira ?

Rui Gomes, em 28.03.13

 

Pelas palavras de Bruno de Carvalho - após a visita à Academia e o encontro com o prof. Jesualdo Ferreia - dá para perceber que o técnico permanecerá até ao final de época, mas que ainda há muito por esclarecer quanto ao futuro. Além do vínculo contratual, em si, Jesualdo Ferreira pretenderá poderes alargados, do género que acordou com Godinho Lopes, e resta saber se essa disposição será viável com Virgílio Lopes, Augusto Inácio e o tal ainda anónimo terceiro elemento na estrutura. Acima de tudo, ele quererá ser informado, tanto como nós, relativamente à visão da nova liderança para o futebol, uma total incógnita até agora.

Mera opinião minha: duvido imenso, nesta adiantada fase da sua carreira e da sua vida, que esteja disposto a limitar-se à função de treinador. Pretenderá uma palavra e um envolvimento directo - com poderes - no planeamento de todo o futebol do Sporting. Para já é claro que nenhuma das partes assumiu qualquer comprometimento e o capítulo final só será escrito no verão, ficando na dúvida, igualmente, até que ponto os resultados dos últimos sete jogos da época irão influenciar decisões.

 

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publicado às 02:39

O possível e o improvável

Rui Gomes, em 12.03.13

 

Acreditar é poder, eu acredito nisso, e gostaria de acreditar que o Sporting ainda vai chegar a um dos lugares de acesso à Europa, mas não acredito que aconteça. Com as notórias oscilações de natureza individual e colectiva e com três deslocações muito complicadas, nomeadamente aos terrenos do Benfica, SC Braga e Paços de Ferreira, nas últimas oito jornadas da Liga, tudo aquilo que é matematicamente possível, torna-se realisticamente improvável. A equipa do Sporting do momento requere, urgentemente, maturidade e experiência a complementar tanta juventude, mas só com o regresso de Schaars no horizonte, e este sem ritmo competitivo, temo que seja muito pouco e já muito tarde na campanha de 2012/13.

Sendo assim, a nova direcção vai ter de enfrentar mais este problema, a juntar-se a tantos outros já existentes, pela sua tentativa de recuperar o Clube desportiva e financeiramente. A eventual ausência das provas europeias, além de eliminar uma fonte de receita, poderá precipitar desânimo nos jogadores pela falta do estímulo e da montra que essa competição disponibiliza. Perante este exasperante cenário, resta olhar para um futuro mais risonho um pouco mais à distância, sendo possível manter estes jovens de grande qualidade e adicionar algum outro talento mais experiente que preencha o vazio agora tão evidente na equipa.

 

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publicado às 08:45

Jesualdo Ferreira sobre o futuro

Rui Gomes, em 26.01.13

 

«Agora há um conjunto de factores a favorecer a equipa. Houve muito trabalho para trás, positivo. Há, a partir de agora, um novo rumo. Mas os jogadores são os mesmos, se bem que alguns já cá não estão. Há um entendimento todo, do grupo, sobre o que é preciso fazer, todos os dias, para que se possam ganhar jogos. Dizem que ainda é difícil quando a equipa tem de jogar em espaços reduzidos, que a equipa não tem intensidade. Mas esta não se mede pelas correrias, antes pela eficácia.»

 

«Não estou preocupado com as funções que vou desempenhar na próxima época. No fim desta espero estar vivo e bem vivo, é um assunto que neste momento não equaciono. Há um contrato entre mim e o Sporting que tem uma série de condicionantes. A única coisa que eu quero - foi essa a missão que assumi - é colocar a equipa onde ela merece.»

 

Mais do que um discurso à conveniência do momento, são palavras sinceras e honestas que sublinham o presente do Sporting e a sua forma de estar e lidar com essa realidade. Quem não compreender, terá de olhar para o espelho para verificar a raiz do problema.

 

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publicado às 16:25

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