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Fotografia com história dentro (205)

Joaquim Agostinho e a vitória no Alpe d'Huez (1979)

Leão Zargo, em 12.07.20

Joaquim Agostinho Alpe d'Huez 1979.jpg

Bernard Hinault, Joop Zoetemelk e Joaquim Agostinho classificaram-se nos três primeiros lugares no Tour de France em 1979. Destacaram-se logo na 2ª etapa,  entre Luchon e Superbagnères, nos Pirenéus, em 29 de Junho, na difícil subida para a estância de ski. Hinault venceu com 11 segundos de vantagem sobre Agostinho, e Zootmelk atrasou-se 53 segundos.

A 15 de Julho, na 17ª etapa, Joaquim Agostinho venceu no emblemático Alpe d'Huez, uma escalada impressionante com vinte e uma curvas e uma altitude de 3 300 metros. Durante a subida, já numa fase adiantada, “Tinô” encheu-se de força e de coragem e deixou para trás os seus dois rivais incapazes de o acompanharem. Impôs um ritmo da pedalada de tal ordem que o duo perseguidor viria a perder cerca de 3 minutos. O Alpe d'Huez é uma das escaladas míticas do Tour e por essa razão trata-se da vitória mais emblemática de um português na prova rainha do ciclismo internacional.

Em Julho de 2006, no âmbito do centenário do Sporting, foi inaugurada uma lápide de homenagem a Joaquim Agostinho na 14.ª curva do Alpe d’Huez, um alto-relevo em bronze com 1,70 metros de altura e apoiada num pedestal com 3 metros. Na base, ostenta a seguinte mensagem: “À memória de Joaquim Agostinho, homenagem do Sporting no seu centenário.” O presidente leonino Filipe Soares Franco, familiares do ciclista e antigos companheiros de equipa, entre outros, estiveram presentes na cerimónia.

publicado às 12:30

Fotografia com história dentro (205)

Tour 1971: 11º etapa Grenoble - Orcières-Merlette (8.7.1971)

Leão Zargo, em 05.07.20

Tour 1971 11º etapa Grenoble - Orcières-Merlette

A 11ª etapa da Volta a França 1971 é considerada como uma das mais espectaculares de sempre do Tour. À partida, Joop Zoetmelk vestia a camisola amarela, mas Luís Ocaña, Gösta Pettersson, Lucien van Impe, Eddy Merckx Bernard Thévenet e Joaquim Agostinho seguiam-no na classificação com pequenas diferenças de tempo. Ocaña estava numa forma fantástica, a sua equipa Bic era fortíssima, e acreditava que alcançaria o 1º lugar.

Nessa etapa, Agostinho partiu o pelotão ao lançar um ataque pouco depois da partida em Grenoble, na subida de 9 quilómetros para o “Côte de Laffrey”, quase a 1 000 metros de altitude, onde chegou isolado com 15 segundos de vantagem. Mais à frente, apenas Ocaña, Zoetemelk e van Impe é que o conseguiram alcançar. Pettersson tentou segui-los, mas sem sucesso, enquanto que Merckx ficou na expectativa.

O ciclista português impôs um ritmo muito forte ao pequeno grupo de quatro ciclistas e o pelotão atrasou-se ainda mais. Com a sua equipa esfrangalhada, Merckx andou “sozinho” durante quase 80 quilómetros, procurando desesperadamente recuperar o atraso. Na meta elogiou os adversários, considerando que “é isto o desporto. Na vida, como no desporto, assistimos a acontecimentos fantásticos. Não há mais nada a dizer. É essa a regra, saber reconhecer o mérito”.

Ocaña fez uma corrida impressionante, venceu a etapa destacado com grande vantagem sobre os principais competidores (van Impe, Merckx, Zoetmelk, Agostinho e outros) e conquistou a camisola amarela. No entanto, na 14ª etapa, numa descida nos Pirenéus, com trovoada e a estrada encharcada, Ocaña sofreu uma queda a mais de 70 kms/hora, levantou-se, foi abalroado por Zoetemelk, e teve de desistir. Merckx que estava a 7´23´´, ficou com a amarela, mas recusou-se a vesti-la antes de ir homenagear o rival ao hospital.

Na fotografia, Agostinho com Ocaña, Zoetmelk e van Impe na 11ª etapa do Tour 1971.

publicado às 14:00

Fotografia com história dentro (204)

A primeira vitória de Agostinho numa etapa na Volta à França.

Leão Zargo, em 28.06.20

Joaquim Agostinho Tour 1969 5ª etapa Nancy - Mulh

Em 3 de Julho de 1969, Joaquim Agostinho venceu pela primeira vez uma etapa na Volta à França. Foi quando chegou isolado à meta na 5.ª etapa, entre Nancy e Mulhouse, na distância de 193,5 quilómetros. Dez dias mais tarde, o ciclista português venceu de novo, entre La Grande-Motte e Revel, com 234 quilómetros. Completam-se 51 anos sobre esta data histórica vitória na próxima 6ª feira.

O “Tour de 1969” foi o primeiro em que Agostinho participou, mas ele nunca se sentiu intimidado com a sua estreia na alta roda do ciclismo mundial. Naquele estilo um tanto anárquico, frequentemente pedalando mais com o coração do que com a cabeça, com uma força e um talento que ainda não tinham sido avaliados, nas quatro etapas iniciais dessa edição da Volta à França atacara quase todos os dias.

Finalmente ao quinto dia teve sucesso quando encetou uma fuga com Charly Grosskost. O francês teve um furo em Munster (135 kms), mas o português continuou sozinho a galgar os quilómetros. Na contagem de montanha em Firstplan passou com 2m 55s sobre um grupo de vinte ciclistas que tinha partido em sua perseguição (Merckx, Ocaña, Gimondi, Pingeon, Altig, Van Impe, Poulidor, Van Springel, De Vlaemink e Panizza, entre outros). Apesar de terem diminuído a desvantagem, não apanharam Agostinho que chegou à meta em Mulhouse com 18 segundos de avanço.

A fotografia refere-se à fase final da etapa em que Joaquim Agostinho pedala isolado, mas perseguido pelo grupo de vinte ciclistas. Podemos imaginar a solidariedade activa de uma emigrante portuguesa que incita e grita por “Tinô”.

publicado às 14:00

Fotografia com história dentro (177)

Lá vai o “portugais”!

Leão Zargo, em 22.12.19

J. Agostinho corta a meta em Divonne-les-Bains.jpg

Joaquim Agostinho é o maior ciclista português de todos os tempos. Embora parecesse um velocista, destacou-se como trepador nas subidas da montanha. Tornou-se profissional bastante tarde, com 26 anos. Durante a guerra em Moçambique, em 1965, espantou o seu capitão. Numa bicicleta pesadíssima levava as mensagens para outro quartel, a cinquenta quilómetros, em duas horas quando os companheiros demoravam mais do dobro do tempo. João Roque e Leonel Miranda trouxeram-no para o Sporting e participou na Volta a Portugal pela primeira vez em 1968.

Era uma força viva da natureza.  Agostinho começou a correr em provas populares na zona de Torres Vedras. Tinha pouca técnica, mas possuía um coração enorme, uma resistência soberba e uma força mental que o tornaram especial no pelotão. Eddy Merckx respeitava-o e admirava a sua forma de correr, pedalando em força mesmo nas subidas íngremes. Luis Ocaña, que foi seu companheiro de equipa na Bic, contou que “nunca sabíamos bem o que esperar de Agostinho, ele não percebia nada de táctica mas tinha a força suprema de um lavrador a lavrar na sua terra”.

A fotografia é reveladora da têmpera e do carácter de “Tinô” e da sua resistência física e capacidade de superação do sofrimento. Num “Tour”, em Divonne-les-Bains, sofreu uma queda violenta, o alcatrão rasgou-lhe a pele e a carne, mas levantou-se e levou a bicicleta até à meta, cortando-a a pé, correndo, coxeando muito. Apesar de ter sofrido amnésia, no dia seguinte apresentou-se na linha de partida, que à beira da estrada os conterrâneos esperavam-no para gritar o seu nome: “Jaquim! Jaquim! Jaquim! Jaquim!”. Nos grandes momentos, pedalava como se fosse em fúria, com uma paixão avassaladora, numa mistura de ideias e de sentimentos que só a sua alma enorme conseguia revelar.

publicado às 13:30

Joaquim Agostinho recordado

Rui Gomes, em 07.04.17

 

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Joaquim Agostinho

7 de Abril de 1943 - 10 de Maio de 1984

 

 

publicado às 04:56

Foi há 31 anos

Rui Gomes, em 10.05.15

 

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Joaquim Agostinho

 

7 de Abril de 1943   -    10 de Maio de 1984

 

publicado às 13:00

Faz hoje 30 anos (10 de Maio de 1984)

Rui Gomes, em 10.05.14
 

 

*** Joaquim Agostinho, o melhor ciclista português de todos os tempos ***

 

Um breve vídeo pode ser visto aqui.

 

 

publicado às 14:32

44 anos mais tarde...

Rui Gomes, em 19.07.13
 

Ao vencer a 19.ª etapa da 100.ª edição da Volta a França, Rui Costa igualou o feito de Joaquim Agostinho em 1969, conquistando duas etapas numa só edição da Tour. Esta foi a terceira conquista da sua carreira nesta prova. Parabéns !

 

publicado às 23:14

Histórias de "leões" do passado (1)

Rui Gomes, em 16.05.13

 

Houve ligeiro toque a frustração, no "Tour" (1970) de Joaquim Agostinho, que não foi além do 14.º lugar, a mais de 26 minutos de Eddy Merckx. De raiva e espírito «leonino» fez o brlharete. E, por isso, segundo acabou por ser no Prémio da Combatividade, atrás do imparável belga voador.

À chegada a Mulhouse, em etapa que vencera sem proveito, com a Volta já para além da metade, no primeiro grito de revolta: «Gribaldy que decida - ou ele ou eu! Um de nós está a mais!» Referia-se, dorido de alma, sao «menino» Mogens, que não colaborava na fuga, apesar de ser seu companheiro de equipa. E dera. Agostinho, tanto nas vistas, que pela segunda vez lhe foi atribuído o Prémio da Combatividade. Mas a «embrulhada» na chegada a Mulhouse custar-lhe-ia uma penalização de 30 segundos e uma multa de 25 francos, além da atribuição do segundo lugar na etapa. No final confessaria:«Os aaques de Merckx deram cabo de mim, pois a minha ideia era aguentar o mais que pudesse.» Mas aquele momento haveria de valer sintomático comentário de Eddy Merckx: «Agostinho é um fora-de-série, é um ciclista de grande, de enorme valor. Tenho para mim que Agostinho pertence ao grupo daqueles que, quando pressinto que ele está para atacar, ataco eu que é para não lhe dar chance nenhuma e continuar a ter a corrida na mão». Disse Louís Caput, ex-orientador técnico da Frimatic, em plenos Campos Elísios: «Por motivod compreensíveis, não gosto de falar da minha antiga equipa. Mas, para falar com franqueza, tenho de dizer que o que faltou a Agostinho foi uma orientação adequada e uma equipa que ajudasse. Não tenho dúvidas: depois de Merckx, Joaquim Agostinho foi o melhor dos ciclistas presentes neste "Tour" e poderia ter sido segundo.»

 

publicado às 17:28

Memórias (5)

Rui Gomes, em 22.11.12

___  Joaquim Agostinho  ___

O melhor ciclista português de todos os tempos

7/04/1942 - 10/05/1984

 

publicado às 01:10

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