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Responsabilidade

Rui Gomes, em 24.04.18

 

O VAR não pode servir para aliviar os árbitros da obrigação de decidir.

 

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1 Há lances que faz sentido deixar correr, aproveitando a cobertura dada pelo VAR para evitar que eventuais erros sejam irreversíveis. Um fora de jogo duvidoso num lance de golo eminente, por exemplo. Uma falta discutível a meio-campo da qual resulta uma clara oportunidade, talvez. Agora, não faz sentido que os árbitros pura e simplesmente se abstenham de decidir em lances tão claros como foi o penálti cometido por Robson em Alvalade.

 

É impossível que Fábio Veríssimo e o assistente que acompanhava o ataque do Boavista não tenham visto o lance e, vendo-o, é incompreensível que não o tenham assinalado de imediato. O resultado foi um amarelo que Bryan Ruiz não devia ter sido obrigado a forçar. O VAR é uma ferramenta de precisão. Se começar a servir de pau para toda a obra como forma de desresponsabilizar os árbitros pode acabar por ser pior a emenda que o soneto.

 

2 Uma semana depois da verdadeira batalha campal entre adeptos do Benfica que se seguiu ao clássico da Luz e da qual resultaram sete detidos e seis polícias feridos - "seis polícias feridos" é o tipo de expressão que merece ser repetida a ver se entra pelos olhos de alguns responsáveis adentro -, o silêncio e a inação do Estado, concretamente do IPDJ e da Secretaria de Estado do Desporto e da Juventude (SEDJ), para já não falar do Ministério da Administração Interna, criou as condições ideais para os confrontos a que se assistiu no final do Estoril-Benfica.

 

Desta vez, houve adeptos encarnados que se deram ao trabalho de dar a volta ao estádio para forçarem a entrada na bancada central onde se multiplicaram as agressões, obrigando a uma intervenção musculada da GNR. Do IPDJ e da SEDJ, mais uma vez, nem uma reação, só silêncio que também passa uma mensagem clara: quem cala, consente.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:27

Injecção de moral

Rui Gomes, em 20.04.18

 

O FC Porto acabou com a crise dos leões e fica à espera de retorno na Liga.

 

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O Sporting foi chamado a decidir três jogos a partir da marca de grande penalidade e, em 15 remates, falhou um. Ontem acertou todos, dando razão a Jesus quando o treinador dos leões garante que as decisões da marca dos 11 metros não são uma lotaria, são competência.

 

Ao FC Porto podia valer o consolo de ter voltado a ser um remate ao poste a fazer a diferença - na Taça da Liga, foi Brahimi, agora Marcano -, não fosse o facto de o jogo ter começado a ser decidido antes, quando Sérgio Conceição decidiu defender a vantagem que trazia da primeira mão ao mesmo tempo que Jesus apostava tudo no ataque. No fundo, a mesma história que se contou do clássico do último fim de semana, embora com protagonistas diferentes.

 

O golo de Coates, que empatou a meia-final e pôs os leões emocionalmente por cima do jogo, é o que costuma acontecer quando uma equipa se retrai, abrindo espaço a que a outra cresça. Ao FC Porto resta esperar que a injecção de moral que ajudou a administrar ao Sporting lhe possa ser útil mais adiante no campeonato, quando os leões tiverem uma palavra a dizer na luta pelo título.

 

Quanto à Taça, mesmo tendo vivido ontem a mais que provável final antecipada, ainda tem outro vencedor por encontrar. O primeiro, já sabemos, foi o Caldas. Para decidir o segundo, vai mesmo ser necessário saber se o Aves já parou de fazer história.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:31

A lei das claques não funciona

Rui Gomes, em 16.04.18

 

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João Paulo Rebelo, secretário de Estado do Desporto e da Juventude, disse ontem que a lei das claques é ineficaz e não funciona. Um pleonasmo que se podia descontar nos excessos habituais da retórica política, mas que neste caso faz todo o sentido. Nos poucos casos em que é aplicada, a lei é ineficaz. Nos outros, em que simplesmente é ignorada, como é evidente não funciona. No fundo, é como qualquer lei. A respetiva eficácia depende em larga medida da capacidade do Estado para impor o seu cumprimento.

 

A verdade é que a lei das claques não funciona porque não há absolutamente nenhuma consequência para quem simplesmente a ignora. Aliás, o processo é de tal forma kafkiano que apenas aqueles que a tentam cumprir acabam por ser punidos. Um caso nítido de falência do Estado de Direito que devia deixar envergonhado qualquer político, João Paulo Rebelo incluído. 

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:08

Chamem a PSP

Rui Gomes, em 05.04.18

 

A intervenção do superintendente Luís Filipe Simões na Assembleia da República merece ser ouvida com atenção por quem decide.

 

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Quando o tema é "Violência no Desporto" talvez o melhor seja dar ouvidos a quem sabe do assunto. Nem de propósito, o barulho feito pelos intervenientes do costume, na conferência que ontem decorreu na AR sobre o assunto, abafou as notícias, oferecidas numa bandeja pelo superintendente da PSP, Luís Filipe Simões.

 

E as notícias são assustadoras: em 2960 incidentes com adeptos ocorridos em 2016/17, 2763 aconteceram em jogos de futebol masculino. Paralelamente, 97,6 por cento de todos os incidentes envolveram adeptos de sete clubes: Benfica, Sporting, FC Porto, Braga, Vitória de Guimarães, Boavista e Belenenses, mas não de forma equitativa. Explicou o superintendente, que em 2015/16 houve mais de 700 incidentes com adeptos do Benfica, mais de 600 com adeptos do Sporting e mais de 200 com adeptos do FC Porto.

 

No ano seguinte, a coisa complicou-se: cerca de 900 incidentes com adeptos das águias, quase 700 com adeptos dos leões e acima de 400 com adeptos dos dragões. São números esclarecedores, que demonstram para lá de qualquer dúvida (como as que subsistem no IPDJ) que se os adeptos são todos iguais, alguns são mesmo mais organizados do que os outros.

 

O superintendente sugere que se deve aplicar mais vezes as medidas de porta fechada e interdição e propõe a criação da inibição de transmissão televisiva para punir os excessos dos adeptos. Mas, lá está, isso implicava dar ouvidos a quem sabe mesmo do assunto.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:17

Contos de fadas

Rui Gomes, em 31.03.18

 

O secretário de Estado da Juventude e do Desporto quer que os dirigentes só falem das coisas boas do futebol, mas os problemas não desaparecem por magia.

 

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No clássico PeterPeter PanPan, de JJ. MM. BarrieBarrie, a fada SininhoSininho consegue fazer qualquer pessoa voar com os seus pós de perlimpimpim: basta que tenham pensamentos felizes. João Paulo Rebelo, secretário de Estado do Desporto, tem uma abordagem parecida em relação aos problemas do futebol português: basta que os dirigentes falem dele apenas pelas boas razões.

 

Claro que PeterPeter PanPan é uma obra infantil enquanto o futebol português é pelo menos o que se joga fora das quatro linhas, um espectáculo apenas para adultos. A ideia de que não se deve falar dos problemas, com a esperança de que voem para longe por artes mágicas, é enternecedora, mas infantil e, por isso mesmo, irresponsável.

 

Ora, as crianças podem ser irresponsáveis, os governantes não. Quando o primeiro-ministro fica descansado porque, por cá, ao contrário do que aconteceu na Grécia, ainda não chegámos ao ponto de ver um dirigente entrar com uma pistola no meio do campo, fica a ideia de que também ele prefere os pensamentos felizes.

 

De resto, não é a primeira vez que um governante português não dá muito crédito aos avisos que chegam da Grécia. Claro que, para tal, é preciso ignorar que, não há assim tanto tempo como isso, um adepto morreu atropelado numa rixa, com o Ministério Público a descrever o clima entre as duas claques rivais - ou grupos de adeptos organizados - em causa como sendo de "guerra permanente".

 

Mas é melhor não falar sobre isso. Lembrem-se: só pensamentos felizes e pós de perlimpimpim. A questão é que, com a cabeça assim enfiada na areia, não vai ser fácil voar, mas não se pode ter tudo até porque isto, definitivamente, não é um conto de fadas.

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publicado às 03:52

Ruído que ecoa

Rui Gomes, em 29.03.18

 

O Braga-Sporting da próxima jornada dispensava o barulho que o antecede.

 

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1 - Mesmo considerando a importância dos jogos de FC Porto e Benfica nas vésperas de um clássico potencialmente decisivo na corrida ao título, o Braga-Sporting é o grande confronto da próxima jornada. O Sporting precisa de ganhar para poder capitalizar a eventual perda de pontos dos rivais no Benfica-FC Porto da jornada seguinte e o Braga tem de vencer para pressionar o terceiro lugar dos leões e quebrar o enguiço que, esta época, o tem impedido de vencer os grandes com quem quer discutir olhos no olhos. Um jogo assim, disputado por duas das melhores equipas do campeonato nacional, dispensava o ruído que os dois clubes têm alimentado em torno das dívidas por Battaglia. O tipo de ruído que tem o mau hábito de encontrar eco nas bancadas.

 

2 - Um dia depois de a seleção principal ter lançado algumas dúvidas sobre o presente, os escalões jovens trataram de dar algumas garantias em relação ao futuro. Os sub-21 estiveram a perder por 2-0 frente à Suíça, mas deram a volta e construíram uma vitória robusta por 2-4, suficiente para os isolar na liderança do Grupo 8 de apuramento para o Europeu da categoria. Melhor ainda, os sub-19 venceram a Irlanda por 4-0, encerrando a Ronda de Elite de apuramento para o Europeu que se vai disputar na Finlândia com o registo impressionante de três vitórias em três jogos, dez golos marcados e nenhum sofrido.

 

Um reflexo do excelente trabalho desenvolvido pela FPF e pelos treinadores Rui Jorge e Hélio Sousa, mas também pelos clubes. E sobretudo uma demonstração da evolução que se tem registado nos escalões de formação, nomeadamente através do aproveitamento do espaço que as equipas B oferecem para a evolução dos jogadores jovens.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:42

Líderes tribais

Rui Gomes, em 28.03.18

 

Entre Luís Filipe Vieira e Bruno de Carvalho há, sobretudo, uma diferença de estilo.

 

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Entre o registo sobejamente passivo-agressivo de Luís Filipe Vieira e a notória acidez desbragada de Bruno de Carvalho não há assim tantas diferenças como isso. De um lado, há um presidente que garante respeitar os rivais sem se rir apenas para os atacar logo a seguir com uma série de indiretas apontadas à jugular. Do outro, um presidente que usa as redes sociais para comparar o homólogo a um conhecido gangster com uma série de piscadelas de olho tão óbvias que correm o risco de serem confundidas com um tique nervoso.

 

A separá-los, apenas uma questão de estilo. A uni-los, a mesma opção pelo arremesso de achas para a fogueira. Nada de novo no futebol em geral e no português em particular. Os dirigentes, uns mais sonsos, outros mais dados à comédia, sempre se comportaram como líderes tribais. Há de ser também por aí que se explica que, nas franjas, haja tantos adeptos que se comportam como selvagens.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:04

Jesus com a faca na Liga... Europa

Rui Gomes, em 16.03.18

 

O treinador do Sporting parece cada vez mais interessado em fazer da frente europeia uma prioridade.

 

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Jesus exagera. Acontece-lhe muitas vezes, especialmente quando o tema é ele próprio.Ontem exagerou na importância da Liga Europa. Já tinha exagerado há cerca de um mês, quando garantiu que a presença numa final da segunda competição da UEFA vale mais prestígio para um treinador que a conquista de três ou quatro campeonatos em Portugal.

 

Para não ir mais longe, não é difícil imaginar que Domingos Paciência, finalista vencido em 2011, quando orientava o Braga - que até eliminou o Benfica de Jesus nas meias-finais -, terá uma opinião ligeiramente diferente, mas lá está, as opiniões são como as cabeças: cada um tem uma e penteia-a como entende. Ainda assim, parece evidente que a de Jesus não coincide com a do Sporting, que obviamente não o contratou com a esperança de o ver repetir em Alvalade as derrotas nas finais europeias que disputou, mas sim as vitórias que lhe valeram os títulos de campeão que conquistou pelo caminho.

 

Claro que depois de dois anos sem chegar ao título e numa altura em que, mais uma vez, os leões não dependem de si próprios para o conseguir, é provável que o espaço de manobra de Jesus em Alvalade seja cada vez mais reduzido. Nessas circunstâncias, e considerando o esgotamento do mercado interno para treinadores que ganham quatro milhões de euros por ano, talvez seja mesmo do interesse do clube a exposição tão prolongada quanto possível de Jesus na montra europeia.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 02:40

Abalo sísmico

Rui Gomes, em 08.03.18

 

As suspeitas em torno de Paulo Gonçalves levantadas pela operação "e-toupeira" são mais preocupantes do que qualquer email.

 

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As violações do segredo de justiça são todas iguais, mas há algumas que são mais iguais do que as outras. Aquilo que, de acordo com o comunicado emitido pela Polícia Judiciária, está em causa no caso "e-toupeira" é a corrupção de funcionários judiciais para garantir acesso a informação privilegiada sobre investigações em curso, com o objectivo de as monitorizar, antecipar e, eventualmente, condicionar.

 

Portanto, este não é mais um caso de violação do segredo de justiça através de fugas de informação mais ou menos pontuais para jornalistas. Aquilo que temos aqui é um bicho diferente e muito mais perigoso, porque a aliciação de oficiais de justiça diretamente por uma das partes interessada num determinado processo para aceder a informação sobre investigações em curso coloca em causa a própria realização da justiça.

 

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De resto, a gravidade dos crimes elencados pela PJ e a firmeza das suspeitas em que se baseou o processo refletem-se nas medidas aplicadas aos arguidos e em concreto a Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, detido para interrogatório. Se essas suspeitas se vão confirmar é algo que apenas poderemos saber mais adiante, sublinhando que também a este caso se aplica a presunção de inocência.

 

Agora mesmo, aquilo que deve ficar bem claro é que estar em posição de sabotar uma investigação do Ministério Público é mais grave do que manipular a classificação de árbitros ou a nomeação de observadores, colocando em causa não só a verdade desportiva, mas, muito acima disso, a própria aplicação da justiça. O suficiente para nos deixar, a todos e independentemente da cor clubística, verdadeiramente preocupados.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo.

 

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publicado às 12:30

Grandes descontos

Rui Gomes, em 21.02.18

 

Não é a primeira vez que fica a sensação de que os grandes têm direito a descontos maiores do que os outros.

 

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José Sá, adjunto de Pepa no Tondela, disse com alguma graça na flash interview após o jogo de ontem que só estava ali porque o Sporting já tinha marcado, caso contrário ainda estariam a jogar. Um exagero, claro, que traduz acima de tudo a frustração por uma derrota sofrida aos 90+8' de um jogo para o qual João Capela tinha previsto quatro minutos de descontos.

 

Um desfecho cruel para uma equipa que, durante uma parte significativa do jogo, cumpriu a promessa feita por Pepa na véspera de enfrentar o Sporting de "uma forma titânica", mas que em boa verdade começou a jogar com o cronómetro demasiado cedo, desaparecendo do meio-campo ofensivo mais ou menos quando ficou em vantagem numérica por expulsão de Mathieu. E depois, a verdade é que esta não foi a primeira vez que um grande foi buscar pontos para lá do tempo de descontos inicialmente previsto, pelo que o Tondela já deveria estar avisado para a necessidade de não desmobilizar antes do último apito, especialmente frente a um Sporting que tem resolvido muitos jogos assim, no limite.

 

Para o conseguir, com menos um homem em campo, Jesus arriscou tudo, como a presença constante de Coates na área do Tondela nos últimos instantes da partida torna evidente. Claro que é mais fácil ser corajoso quando o adversário se encolhe e há Bas Dost na área. O avançado holandês, que já tinha marcado o golo do empate, foi essencial para garantir a superioridade aérea no lance decisivo e para manter os leões vivos na corrida ao título.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:01

Cultura de exigência

Rui Gomes, em 30.01.18

 

Os sportinguistas estão mais exigentes. Bruno de Carvalho devia ficar orgulhoso em vez de irritado.

 

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Será certamente uma questão de ponto de vista, mas talvez Bruno de Carvalho pudesse considerar a hipótese de que está enganado. Bem sei que não é fácil, mas talvez pudesse admitir que o facto de haver adeptos do Sporting que não ficam saciados com a conquista da Taça da Liga ou que exigem que a equipa jogue melhor é, ao contrário do que supõe o presidente leonino, uma forma de puxar a equipa para cima, em vez de a atirar abaixo como afirmou ontem. Um bom sinal, no fundo. De resto, um bom sinal pelo qual merece ser responsabilizado.

 

Os adeptos do Sporting estão mais exigentes, não se satisfazem com migalhas e, em vez de os criticar, talvez o presidente dos leões fizesse melhor em incentivar essa cultura de exigência. A contratação de um treinador como Jorge Jesus, o investimento ímpar no futebol português que essa aposta significou, bem como o suporte que lhe foi dado com as sucessivas investidas no mercado de transferências para o reforço do plantel, aliados ao próprio discurso presidencial, criaram expectativas nos adeptos que a Taça da Liga obviamente não satisfaz. O que não significa que exista um único sportinguista aborrecido por ganhar.

 

Como me disse uma vez um treinador do FC Porto que haveria de levar o clube à conquista de vários títulos, a Taça de Liga é como o número zero: sozinha não vale grande coisa, mas ao lado de um campeonato ou de um título europeu, multiplica-lhe o valor de forma exponencial. É isso que adeptos mais exigentes do Sporting querem. Bruno de Carvalho também. No fundo, como quase tudo nos dias que correm, é só um problema de comunicação.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:47

Clássico simplificado

Rui Gomes, em 24.01.18

 

Num clássico que não admite empates, ganhar é a única coisa.

 

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1 Depois de três empates nos três primeiros clássicos da temporada, amanhã alguém vai ter de ganhar o Sporting-FC Porto que decide o segundo finalista da Taça da Liga. O que, em contrapartida, significa que alguém vai ter de perder e lidar com a frustração de deixar ficar pelo caminho um dos objectivos da temporada. Sérgio Conceição e Jorge Jesus ainda não tiveram de lidar com essa sensação de perda esta época e, numa altura em que o calendário aperta, hão de querer adiar o impacto psicológico acrescido de uma derrota com um rival directo. Como desta vez não há espaço para o empate, a única forma de o garantirem é ganhando, o que deverá limitar qualquer espaço para especulação e forçar as duas equipas a procurar o golo. Normalmente, é dessa busca da baliza adversária que nascem os grandes jogos.

 

2 O International Board (IFAB) desconfia da fiabilidade das linhas virtuais de fora de jogo apresentadas nas transmissões televisivas. Isso mesmo consta das conclusões sobre a experiência com o VAR que ontem foi analisada na 132.ª reunião de trabalho daquele organismo. "As dimensões exactas do relvado, qualquer tipo de arqueamento do mesmo e a própria distorção provocada pelas lentes utilizadas nas câmaras tornam muito difícil desenhar uma linha virtual que corresponda com precisão à linha recta que seria de facto desenhada num relvado." Uma conclusão que explica o facto de, pelo menos tanto quanto o protocolo prevê, o vídeo-árbitro não ter acesso às linhas virtuais desenhadas pelos operadores televisivos, mas que também coloca muito em causa a fiabilidade daquilo que está a ser "generosamente" oferecido aos espectadores, a começar por foras de jogo tirados ao milímetro. Especialmente considerando que, pelo menos em Portugal, há quem tenha a oportunidade de desenhar essas linhas em causa própria.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:57

Problema sério

Rui Gomes, em 11.01.18

 

O racismo é um problema. Reconhecê-lo é a primeira forma de o combater.

 

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1 - A notícia de que o Pleno do Conselho de Disciplina ilibou o Sporting de Braga de quaisquer acusações de racismo é reconfortante a vários níveis. Desde logo, por assegurar que o Braga é um clube decente, ao garantir que não há "qualquer facto que permita afirmar que promoveu, consentiu ou tolerou qualquer ato de cariz racista ou xenófobo por parte dos seus adeptos". O contrário representaria, obviamente, um comportamento intolerável e uma mancha indelével na honra de um emblema histórico.

 

Igualmente reconfortante é perceber que as instituições da justiça desportiva funcionam, nomeadamente assegurando as condições para que um clube possa limpar o respetivo nome de uma acusação tão grave como aquela que lhe foi feita através dos meios legais colocados à sua disposição. Dito isto, convém que esta decisão não nos faça baixar a guarda. Basta passar por qualquer caixa de comentários de qualquer jornal para perceber que racismo existe e é um problema. Reconhecê-lo é o primeiro passo para combatê-lo.

 

2 - Ouve-se Jesus dizer que Wendel terá dificuldades para apanhar o comboio e percebe-se nas palavras do treinador do Sporting, mais do que um desafio lançado ao brasileiro, a necessidade de enviar uma mensagem de tranquilidade à equipa. Depois dos pedidos insistentes de prendas dirigidos ao presidente, sob ameaça de hipoteca de alguma das frentes em que a equipa se encontra envolvida, as sucessivas notícias da chegada de reforços a Alvalade que tem marcado os últimos dias tinham um potencial considerável de criação de bolsas de resistência e consequente desestabilização do balneário.

 

Até por isso, agora que os reforços estão assegurados, é apenas normal que o treinador sinta a necessidade de mostrar publicamente que confia nos outros, os que trataram de lhe garantir a presença nas tais quatro frentes que ainda tem para disputar. Afinal, não adianta nada ganhar três ou quatro reforços se se perderem outros tantos jogadores no processo.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:00

Bom, mesmo, só para o Dragão

Rui Gomes, em 06.01.18

 

Resultado do dérbi foi mau para o Sporting, mas pior para o Benfica. Mas os sinais do jogo também contam.

 

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Jorge Jesus garantiu que o empate no dérbi não é um bom resultado para o Sporting, mas é pior para o Benfica, e tem razão. Desde logo, porque os encarnados fizeram muito mais para ganhar o jogo do que os leões, mas sobretudo porque, depois das contas feitas, a liderança ficou agora a cinco pontos de distância, sem que a diferença para o Sporting tenha diminuído.

 

O Benfica é mais terceiro depois do dérbi do que era antes, mas a verdade é que voltou a sobreviver ao confronto directo com um dos rivais e até deu uma prova de vida capaz de adiar a condenação definitiva de Rui Vitória ao cadafalso. É verdade que as águias estavam entre a espada e a parede e o espaço ainda se estreitou mais depois do golo do Sporting, mas arriscaram tudo e chegam à última jornada da primeira volta vivas, mesmo sem ter conseguido quebrar o enguiço dos jogos à semana. Um problema que os encarnados não voltam a ter tão cedo.

 

Quanto ao Sporting, é impossível não ver no dérbi de ontem uma oportunidade perdida, até pela vantagem de que a equipa beneficiou desde cedo. Jesus não costumava ficar satisfeito com tão pouco, mas a idade muda as pessoas e aquilo que se viu foi uma equipa amontoada em frente da baliza de Rui Patrício e incapaz de explorar o contra-ataque. Uns dias antes e não sei se ia ter as prendas que pediu a Bruno de Carvalho.

 

Já Sérgio Conceição ganhou argumentos para pedir reforços. O FC Porto ganhou e isolou-se na frente, mas sofreu e percebeu-se que a equipa precisa de argumentos não só para discutir com os adversários, mas também para resistir a outro tipo de interferências. Há limites para além dos quais nenhum treinador consegue esticar um plantel.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:36

O pragmatismo aplicado ao dérbi

Rui Gomes, em 03.01.18

 

O Benfica precisa de sobreviver ao jogo com o Sporting. Ganhar será o ideal, claro, mas não perder também serve.

 

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Rui Vitória diz que não lhe interessa ganhar um jogo contra um clube grande se a seguir perder contra uma equipa qualquer. Provavelmente, a abordagem do Benfica aos clássicos com o FC Porto e o Sporting nunca foi assumida de uma forma tão clara pelo treinador dos encarnados. Tal como aconteceu nos últimos anos, tal como ficou claro no jogo do Dragão, o objectivo do Benfica nos jogos com os grandes é sobreviver-lhes, para decidir o campeonato a seguir, nos encontros com as outras equipas.

 

Amanhã (hoje), Rui Vitória vai jogar uma parte importante do resto da temporada frente ao Sporting. Nesta altura, e olhando para a sequência de resultados mais recentes, parece evidente que os leões estão mais fortes e mais estáveis, mas um clássico é sempre um jogo de tripla. A jogar em casa, perante os seus adeptos, em desvantagem em relação aos rivais, e apenas com o campeonato para disputar depois das eliminações na Taça de Portugal, na Champions e na Taça da Liga, seria de esperar que o Benfica assumisse a iniciativa do jogo para dar uma prova de vida. A questão é que foi em condições parecidas que os encarnados foram jogar ao Dragão e nem por isso deixaram de celebrar o empate arrancado a ferros frente ao FC Porto como se de uma vitória se tratasse.

 

Com o campeonato ainda na primeira volta, com os rivais envolvidos em quatro frentes, o objectivo do Benfica para o dérbi com o Sporting é sobreviver. Ganhando de preferência, como é óbvio, mas sobretudo não perdendo. No fundo, garantindo que 2018 não começa pelo fim.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:44

Regresso à anormalidade

Rui Gomes, em 22.12.17

 

Depois da goleada no jogo com o Tondela, o Benfica voltou à normalidade das exibições sofríveis e dos resultados comprometedores.

 

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Afinal, as recém-notícias da retoma do Benfica eram francamente exageradas. O empate de ontem, frente a um Portimonense que Vítor Oliveira submeteu a oito mexidas em relação ao jogo com o Sporting, deixa os encarnados com um pé fora da Taça da Liga e dependente de resultados de terceiros para poder sonhar com o apuramento. Depois da participação catastrófica na Liga dos Campeões e da eliminação na Taça de Portugal, a Taça da Liga, prova onde o clube até tem tradições, parecia o lugar certo para ganhar balanço para o decisivo dérbi de 3 de Janeiro com o Sporting, mas o que se viu foi, mais uma vez, um Benfica tacticamente instável, emocionalmente frágil e a atravessar uma enorme crise de confiança.

 

Perder uma vantagem de dois golos para acabar com o credo na boca, jogando em casa e frente a uma equipa que aproveitou para dar minutos a jogadores que ainda não os tinham tido - Vítor Oliveira destacou os casos de Inácio, Jadson e Ryuki - diz quase tudo sobre o momento que os encarnados atravessam, desmentindo a "boa fase" que Rui Vitória imaginou estar a atravessar depois da goleada que o Tondela permitiu. Salvo uma conjugação de resultados altamente improvável, o Benfica arrisca chegar ao final do ano apenas com o campeonato na agenda e isso implica jogar o dérbi com o Sporting com a corda ainda mais apertada na garganta. Uma situação desconfortável, especialmente considerando a demonstração de força que os leões protagonizaram ontem em Alvalade e a vontade que Jesus terá de estreitar o laço.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:53

 

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"O VAR funcionou no domingo em Braga, anulando bem o que teria sido um dos golos do campeonato, marcado por Hassan. Perdeu-se uma pequena obra de arte, mas ganhou-se verdade desportiva e provou-se, mais uma vez, que o videoárbitro é uma ferramenta que funciona, desde que seja usada. O que só faz aumentar a perplexidade com o número de vezes em que tem sido pura e simplesmente ignorada pelos árbitros.

 

Árbitros agredidos, invasões de campo, jogos interrompidos. Pode dar jeito a alguns discursos dizê-lo, mas o problema não começou nem vai acabar neste fim de semana. E ninguém pode atirar pedras ao vizinho".

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

Entretanto, o vídeo-árbitro voltou a assumir papel decisivo no Estoril-Portimonense desta segunda-feira. Aos 55 minutos, a equipa algarvia marcou e, numa fase inicial, o árbitro Bruno Paixão validou o golo.

 

No entanto, o juiz recorreu ao VAR para verificar a legalidade do lance e, verificando que um jogador do Portimonense se encontrava em posição irregular, reverteu a decisão, anulando o golo e mantendo o nulo no marcador.

 

Pelos vistos, nem todos os árbitros ignoram o vídeo-árbitro, mas como refere Jorge Maia, o problema não começou nem vai acabar este fim de semana.

 

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publicado às 04:37

A medida da Champions

Rui Gomes, em 21.11.17

 

A Europa também reflecte o momento que cada um dos três grandes atravessa.

 

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E agora algo completamente diferente. A Liga dos Campeões é aquela competição que coloca os três grandes clubes portugueses na posição desconfortável de terem de olhar para os adversários de baixo para cima ou, na melhor das hipóteses, olhos nos olhos e, em qualquer dos casos, apoiados nos bicos de pés para não se notar tanto da diferença de tamanho. Claro que quem já esteve numa posição semelhante sabe como pode ser difícil mantê-la por muito tempo, o que há de explicar os problemas que as equipas portuguesas têm sentido para se afirmarem na liga milionária.

 

Claro que há diferenças entre os três grandes. O Sporting e, especialmente, o FC Porto têm as hipóteses de apuramento intactas, o que, em contrapartida, desautoriza poupanças na liga milionária numa altura em que o calendário aperta e os plantéis não esticam. O Benfica, por seu lado, já resolveu o problema. Com quatro derrotas, dez golos sofridos e apenas um marcado, as hipóteses de apuramento são tão remotas que Rui Vitória não tem sentido qualquer problema, não apenas para poupar jogadores tão decisivos como Jonas para as competições internas, como ainda para fazer o baptismo de fogo de alguns jovens (Svilar, Rúben Dias ou Diogo Gonçalves por exemplo) numa prova em que os eventuais erros são facilmente digeridos pelos adeptos e pouco menos que irrelevantes em termos desportivos.

 

Claro que, por outro lado, o sofrível desempenho do Benfica na Liga dos Campeões, que se estende da defesa ao ataque mas também ao capítulo disciplinar, não ajuda nada a sustentar o discurso oficial segundo o qual os problemas sentidos a nível interno se devem a factores extra futebol. Mas essa é uma outra conversa.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:46

Renovação inevitável

Rui Gomes, em 08.11.17

 

Alguns sectores da Selecção Nacional estão a chegar ao limite do prazo de validade.

 

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Não é provável que um par de amigáveis e uma mão-cheia de treinos em Outubro influenciem de maneira determinante as decisões que Fernando Santos há de tomar em relação aos 23 convocados para o Mundial do próximo ano. Mais ainda quando os jogadores chamados para os jogos com a Arábia Saudita e os Estados Unidos vão actuar num contexto que não é exactamente o da Selecção que nos habituámos a reconhecer, desde logo ao longo do apuramento. Afinal, uma equipa sem Rui Patrício, William, João Moutinho ou Cristiano Ronaldo, para citar apenas os mais óbvios ausentes, não pode ser exactamente a mesma coisa e todos sabemos que os jogadores são eles próprios e as respectivas circunstâncias.

 

O que não invalida a importância da observação que o seleccionador Fernando Santos vai fazer de alguns dos valores emergentes no futebol português. A renovação da Selecção é uma inevitabilidade, mesmo sendo provável que o Mundial da Rússia sirva muito mais como uma porta de saída para a geração actual do que propriamente como uma porta de entrada para a seguinte. De resto, como todos sabemos, há sectores que simplesmente não podem esperar mais por essa renovação, a começar pelo eixo da defesa.

 

No último jogo da fase de apuramento, frente à Suíça, Pepe (34 anos) e Fonte (33 anos) eram os únicos centrais disponíveis, mas as alternativas, Bruno Alves (35) e Neto (29), não são exactamente jovens com grande margem de progressão, pelo que se saúdam as actuais chamadas de Edgar Ié e Ricardo Ferreira e se olha com interesse para a evolução de jogadores como Rúben Dias ou André Pinto.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:49

Altos e baixos

Rui Gomes, em 02.11.17

 

O Benfica fica à espera de um milagre na Champions; o Sporting ainda respira pelos próprios meios.

 

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Há boas e más notícias para retirar dos dois jogos de terça-feira. Ora, manda o senso comum guardar o melhor para o fim, pelo que o mais sensato será arrumar já com a parte desagradável. O Benfica voltou a perder e a não conseguir marcar, tornando o apuramento num exercício de fé e matemática.

 

Para o conseguirem, os encarnados terão de vencer os dois jogos que restam, esperar que o Manchester faça o mesmo e ainda anular a desvantagem que carregam nos factores de desempate em relação a CSKA e Basileia.

 

Não é impossível, mas nunca foi feito e a verdade é que, até a julgar pelo alinhamento de terça-feira, com Jonas - autor de cinco dos últimos oito golos do clube da Luz - a começar no banco, parece-me evidente que o foco de Rui Vitória já está no campeonato. Aliás, considerando não apenas o tormento em que se tornou a carreira europeia, mas também o impacto que tem tido no campeonato (cinco pontos perdidos nos jogos realizados após jornadas europeias), uma saída prematura da Europa pode ser exactamente o que o doutor receitou.

 

O que nos traz até ao Sporting e à evidência de que faltam 10-15 minutos aos leões para discutirem até ao fim um dos grupos mais complicados da Champions. Faltou isso em Itália e voltou a faltar anteontem, apesar da excelente resposta que a equipa deu às ausências de Mathieu, Coentrão, Piccini e William, sobretudo graças à energia inesgotável de Gelson.

 

E se é verdade que o empate deixa a equipa na luta, mesmo que a lógica aponte o foco para a Liga Europa, não é menos certo que a recém-sucessão de lesões musculares e a fadiga acumulada ainda se podem reflectir no campeonato, desde logo em jogos mais exigentes, como o próximo, com o SC Braga. Ainda assim, ao contrário do Benfica, o Sporting ainda respira pelos seus próprios meios na Champions. E essa é uma boa notícia.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 10:00

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