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À falta de melhor imagem e com um pedido de perdão para os leitores mais sensíveis, Bruno de Carvalho é mais ou menos como uma micose no pé: pensamos que nos livrámos dela com a pomada que usámos no Verão, mas depois chega o Inverno e voltamos a sentir aquela coceira incómoda que nos recorda que não foi a lado nenhum. E, como acontece com qualquer micose, coçar só agrava o problema, mas ignorá-lo também não o resolve. É preciso atacá-lo de forma eficaz para eliminá-lo definitivamente.

 

Nesse sentido, talvez a contestação de que Frederico Varandas foi alvo na Assembleia Geral de sexta-feira por parte de um grupo de apoiantes de Bruno de Carvalho possa ter um efeito profilático, pelo menos se for encarada como um sintoma de um problema que, definitivamente, não está resolvido.

 

No próximo dia 15 há outra Assembleia Geral. Essa, para analisar e votar os recursos aos processos instaurados a Bruno de Carvalho e seus pares, e os sportinguistas, a maioria dos sportinguistas, aqueles que não se revêem na forma populista, trauliteira e irresponsável como o antigo presidente levou o clube ao estado calamitoso em que ainda se encontra, têm uma oportunidade única para deixar claro que não deixam os destinos do Sporting ser determinados por uma minúscula, ainda que populista, trauliteira e irresponsável, minoria que se habituou a desrespeitar os valores da democracia.

 

Ignorar o problema, imaginar que se resolve sozinho, é deixar aquela coceira incómoda crescer até fazer ferida. E mais uma ferida é tudo o que o Sporting não precisa.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 13:00

Confundível

Rui Gomes, em 01.11.18

 

Luís Filipe Vieira não quer que se confunda Paulo Gonçalves com o Benfica. Pois...

 

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1 - Na véspera de celebrar 15 anos à frente do Benfica, Luís Filipe Vieira anunciou a vontade de se manter em funções, pelo menos, mais seis. Essa é a principal notícia que resulta da longa entrevista do presidente dos encarnados à TVI.

 

Poderia discutir-se se o facto de não saber da existência de uma cartilha distribuída aos comentadores do clube não mereceria o mesmo estatuto, mas não é a primeira vez que Luís Filipe Vieira garante nunca ter ouvido falar de coisas que toda a gente sabe que existem, como as claques do clube, por exemplo.

 

Como o voto de confiança a Rui Vitória se ficou pela timidez de um "por mim, fica até ao fim" sobra o prematuro, mas nada surpreendente anúncio da recandidatura atrelado à promessa de demissão se o clube for condenado por corrupção, embora aqui com um asterisco: não se pode confundir Paulo Gonçalves com o Benfica. O problema, claro, é que foi o próprio clube a fazer essa confusão durante demasiado tempo.

 

2 - Javier Tebas, presidente da La Liga, comporta-se em relação a Cristiano Ronaldo como a raposa da fábula de La Fontaine. Consta que o bicho tentou, sem sucesso, alcançar um cacho de uvas penduradas numa vinha muito alta. Sem lhes conseguir chegar, virou-lhes as costas resmungando: "estão verdes".

 

Em Outubro, Tebas considerou que, numa escala de 0-10, a saída de Ronaldo de Espanha teria um impacto de 3, 4 no máximo. Ontem, ficou a saber-se que admite dar o nome de Messi ao prémio de MVP da La Liga, explicando que se fala "muito de Neymar, mas Messi não tem limites".

 

A omissão do nome de Ronaldo, cujo impacto na actual crise do Real Madrid atinge um 9 na escala de Richter, não é casual. Tebas é um vendedor. Para continuar a vender La Liga, não pode admitir que a competição perdeu interesse. Por outras palavras, não é Ronaldo que está verde, é Tebas que já não lhe chega.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 02:46

O "murro" na mesa

Rui Gomes, em 28.10.18

 

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"... Sabem quem é o treinador que tem mais vitórias na Liga dos Campeões com menos número de jogos?", perguntou Rui Vitória aos jornalistas. Pois, não sabíamos. Generosamente, o treinador do Benfica quis poupar-nos trabalho e disse que era ele próprio, mas tudo o que conseguiu foi arranjar uma carga de trabalhos e pôr toda a gente a fazer contas para concluir que está enganado.

 

Claro que errar é humano e não será por acaso que a matemática é a disciplina mais detestada por qualquer estudante normal pelo que convém não empolar o caso. Ainda assim, fica o aviso: quando se quer dar um murro na mesa, convém garantir que se vai acertar em cheio para a coisa não fazer ricochete.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 02:01

Nova Selecção

Rui Gomes, em 13.10.18

 

Consta que em equipa que ganha não se mexe. Em equipa que ganha como Portugal ganhou à Polónia, ainda menos.

 

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1 Não deixa de ser significativa a forma como Fernando Santos fez questão de colocar água na fervura que a exibição de Portugal levantou, garantindo que há muitos jogadores que não estão nesta equipa e que podem estar. O seleccionador sabe que todos vimos o jogo de anteontem. Nós e os tais jogadores que não estão. E sabe que tanto uns como outros percebem que dominar a Polónia como Portugal dominou na primeira parte, não apenas dando a volta a uma desvantagem, mas multiplicando as oportunidades na baliza de Fabianski, não é tão normal como ele quis convencer-nos que é e como nós gostávamos que fosse. Se numa equipa que ganha não se mexe, numa que ganha assim, ainda menos.

 

É óbvio que nem tudo foi perfeito. O primeiro golo dos polacos nasce de um erro defensivo e o segundo do adormecimento à sombra da vantagem. Mas não se vê, por exemplo, que margem existe para mexer no triângulo formado por Bernardo Silva, Pizzi e Cancelo no lado direito. Nem como tirar a clarividência de Rúben Neves à equipa ou como travar o crescimento de André Silva no ataque. Claro que se todos víssemos tanto como Fernando Santos, não seria ele o seleccionador.

 

2 A presença de Bruno de Carvalho no DIAP um mero dia depois de Frederico Varandas ter afirmado que acabou o circo no Sporting situa-se ali, entre a ironia e a tragédia. Como uma catástrofe qualquer, não era de esperar que os efeitos da passagem de Bruno de Carvalho por Alvalade se apagassem em meia dúzia de dias e os próximos tempos podem tratar de o provar.

 

A confirmar-se o envolvimento do ex-presidente ou de funcionários do clube no ataque à Academia de Alcochete, ganham força os processos de rescisão unilateral avançados pelos jogadores e perde o Sporting. Outra vez.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:03

 

Só há duas coisas surpreendentes na anunciada saída de Paulo Gonçalves do Benfica.

 

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A primeira é que apenas tenha acontecido agora. Há muito tempo que era insustentável a tese de defesa dos encarnados, alegando que as eventuais acções do assessor jurídico no âmbito do processo e-Toupeira não eram do conhecimento da SAD e simultaneamente mantendo nele toda a confiança. Parece evidente que se Paulo Gonçalves agiu por iniciativa individual, arrastando a SAD consigo para a lama sem lhe dar conhecimento, não pode merecer toda a confiança dos empregadores.

 

O que entronca na segunda surpresa: que a saída seja iniciativa de Paulo Gonçalves. Não que seja inesperado ver um profissional tão elogiado dar o primeiro passo no sentido de proteger a entidade patronal, sacrificando-se pela causa, mas apenas porque, a fazer fé na tese de defesa da SAD, que alega desconhecer os ilícitos de que o seu funcionário é sustentadamente acusado pelo MP, seria mais normal ser aquela a retirar-lhe a confiança.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 17:22

Cyber futebol

Rui Gomes, em 15.09.18

 

A insegurança e o crime informático são um desafio para a Justiça.

 

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1 - Robert Mueller, antigo director do FBI e actual responsável pela investigação à interferência russa nas eleições presidenciais americanas de 2016, disse em 2012 que só havia dois tipos de empresas no mundo: as que já foram pirateadas e as que ainda vão ser. Entretanto passaram seis anos, pelo que o número das que ainda não foram terá diminuído drasticamente.

 

Para sermos claros, quando até o Citius, o sistema informático de gestão processual da Justiça Portuguesa, é permeável a acessos indevidos, qualquer expectativa de segurança neste admirável - ou abominável - mundo online é vã, pelo que a única maneira de não temer é mesmo não dever.

 

Menos vã é a expectativa de que a Justiça funcione. E que funcione para este tipo de crimes informáticos, de forma a serem devidamente investigados e punidos; mas também para os crimes que eventualmente sejam descobertos durante o processo.

 

Em Espanha, por exemplo, os documentos revelados pelo Football Leaks - alegadamente da responsabilidade do mesmo hacker suspeito de ter roubado correspondência ao Benfica - impulsionaram muitos dos recentes processos fiscais movidos contra estrelas do futebol.

 

Paralelamente, a Justiça nunca deixou de procurar activamente o responsável ou os responsáveis pelo roubo dessa informação no sentido de os levar a responder pelos seus crimes. Porque, como dizia um famoso treinador português, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. E duas coisas erradas não fazem uma certa.

 

2 - Quando Varandas Fernandes (vice do SLB) pergunta se alguém acredita que um hacker ofereceu informação a troco de nada não percebe que está a abrir espaço para que os rivais perguntem se alguém acredita que as eventuais acções de Paulo Gonçalves no âmbito do processo e-Toupeira não são do conhecimento da SAD do Benfica?

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:18

O futuro sem Ronaldo

Rui Gomes, em 12.09.18

 

Portugal mostrou frente à Itália que há vida para além do CR7, mesmo que tudo seja mais fácil com ele.

 

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Entrar a ganhar na Liga das Nações é bom. Fazê-lo quebrando um enguiço de 61 anos sem vitórias sobre a Itália em jogos a doer e, sobretudo, sem poder contar com Cristiano Ronaldo é ainda melhor. Um dia destes, inevitavelmente, as ausências do CR7 deixarão de ser excepções para se tornarem a regra e é bom perceber que há vida para além dele. Claro que ainda é uma vida frágil, até porque o início é sempre um momento delicado, e o nervosismo de quem dá os primeiros passos sem o suporte da experiência percebe-se melhor precisamente no ataque, onde a clarividência de Ronaldo sempre fez a diferença.

 

Mas os jogos com a Croácia e a Itália provaram para lá de qualquer dúvida razoável que o futuro não tem de ser um lugar assustador para a Selecção Nacional. Fernando Santos terá encontrado uma nova fórmula para o meio-campo, com Rúben Neves a permitir o adiantamento de William, tão importante para o transporte da bola para o ataque, como para a recuperação de jogo ainda no meio-campo contrário. Depois há Pizzi, no melhor momento de forma de sempre, a combinar com Bernardo Silva e ainda a velocidade de Bruma e Cancelo a encurtar as distâncias para a baliza adversária.

 

Problema, até porque ontem não houve erros defensivos a borrar a pintura, apenas a dificuldade para traduzir a produção ofensiva da equipa em golos. O que nos traz de volta a Ronaldo. Como Fernando Santos disse no final do jogo, nenhuma selecção fica mais forte sem o melhor do mundo e Portugal será sempre mais forte com Ronaldo, especialmente lá na frente, onde os jogos se decidem. A boa notícia é que, definitivamente, não é uma equipa de coitadinhos sem ele. Perguntem à Itália.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:45

Fazer a diferença

Rui Gomes, em 11.09.18

 

Não ser Bruno de Carvalho é um bom princípio para Frederico Varandas, mas não chega.

 

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"Nasci Sporting, cresci Sporting, respiro Sporting mas não sou o Sporting." A frase mais marcante de Frederico Varandas na cerimónia de tomada de posse como presidente, é de algum modo uma forma poética de sublinhar que não é Bruno de Carvalho. Ora, não ser Bruno de Carvalho é um bom princípio, mas não chega. Para unir o Sporting, como afirmou ser prioritário, Frederico Varandas terá de ser mais do que a negação da personalidade do antecessor. Até porque não há assim tantas maneiras diferentes de unir os clubes.

 

Há a que Bruno de Carvalho escolheu, adotando um discurso trauliteiro e populista que apelava ao clubismo mais básico e à unidade dos sportinguistas contra inimigos externos. E há a outra, mais complicada e que se resume numa palavra: ganhar. Foram as vitórias que uniram o FC Porto em torno de Pinto da Costa e o Benfica em torno de Luís Filipe Vieira.

 

E é por aí que os sportinguistas esperam que Frederico Varandas seja diferente de Bruno de Carvalho. Claro que ser emocionalmente mais estável e menos dado a totalitarismos bacocos ajuda, mas aquilo que o Sporting precisa é de um presidente que seja diferente, não só do destituído Bruno de Carvalho mas também de uma longa lista de antecessores: um presidente que ganha.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:03

Nunca é tarde para mudar

Rui Gomes, em 03.09.18

 

O IPDJ mudou de ideias em relação às claques ilegais do Benfica.

 

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A notícia de que o Instituto Português do Desporto e Juventude puniu o Benfica com uma multa de 56 250 euros e um jogo à porta fechada na Luz por causa do apoio do clube a claques ilegais não deixa de ser surpreendente. Desde logo, caso se confirme que a decisão do IPDJ se baseou em autos de notícia da Polícia de Segurança Pública de 2017. Afinal, foi em Novembro de 2017, já perto do final do ano, que o ainda presidente daquele instituto, Augusto Baganha, garantiu que apesar de o Benfica não ter "grupos organizados de adeptos registados" isso "não é um problema para o IPDJ nem para a polícia".

 

Pelos vistos, Augusto Baganha estava muito enganado e, se é normal que não saiba exactamente o que é ou não é um problema para a polícia, já é mais estranho que não consiga sabê-lo em relação ao instituto que dirige, mas a inversão no discurso talvez sirva de pista para o facto de o governo ter decido pela remodelação anunciada recentemente. Claro que agora é preciso esperar pelo resultado do recurso apresentado pelo Benfica, tendo em conta que já houve outras decisões do IPDJ desfavoráveis aos interesses dos "encarnados" que acabaram por redundar em coisa nenhuma.

 

Ainda assim, a confirmar-se a punição e estando ela comprovadamente ligada ao apoio do clube a claques ilegais, parece sobrar espaço para a actuação da justiça desportiva. O ponto l do artigo 6.º do Regulamento de Prevenção da Violência que integra o Regulamento de Competições da Liga estabelece como dever do promotor do espectáculo desportivo "não apoiar, sob qualquer forma, grupos organizados de adeptos, em violação dos princípios e regras definidos na lei n.º 39/2009, de 30 de Julho, com a redacção dada pela lei n.º 52/2013, de 25 de Julho".

 

Certamente não será apenas uma sugestão para cada clube interpretar como entender.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:17

Dura lex, sed lex

Rui Gomes, em 29.08.18

 

O Ministério Público constituiu o Benfica arguido, o Benfica contestou a decisão: é a Justiça a fazer o seu caminho.

 

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A violência da reacção do SL Benfica à constituição da SAD encarnada como arguida no processo E-Toupeira - tão violenta, de facto, que terá de merecer uma resposta do Ministério Público - não deixa de significar um contraste bem significativo com aquela que foi, reiteradamente, a posição de aparente tranquilidade do clube perante as suspeitas que se foram acumulando ao longo dos últimos meses a propósito dos casos que o têm envolvido, fossem os "Vouchers", os "Emails", os "Resultados Viciados" - todos juntos num mesmo processo - a "Operação Lex" ou até, numa primeira fase, o próprio "E-Toupeira".

 

Não sendo jurista, seria um disparate avaliar aqui os méritos da constituição do Benfica como arguido por parte do Ministério Público ou os da contestação apresentada pelos encarnados. Sobra espaço para repetir aquele que foi o discurso do clube até agora: é preciso confiar na Justiça, até porque quem nada deve, nada teme.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

***Dura lex, sed lex "A lei é dura, mas é a lei".

 

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publicado às 03:22

O tempo a contar

Rui Gomes, em 14.08.18

 

Apesar da vitória frente ao Moreirense, é evidente que o Sporting parte com atraso para a corrida ao título.

 

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Suada como foi, a vitória de domingo do Sporting sobre o Moreirense autoriza duas conclusões: os leões partem mesmo para a corrida ao título 2018/19 com um atraso significativo na preparação em relação aos rivais de sempre, bem mais autoritários nas respectivas estreias, e essa desvantagem só não é mais significativa porque Sousa Cintra conseguiu recuperar Bruno Fernandes e Bas Dost para a equipa.

 

Não é difícil imaginar que as dificuldades enfrentadas pelos leões em Moreira de Cónegos se tivessem revelado inultrapassáveis se José Peseiro não pudesse contar com o génio do médio português e a eficácia do avançado holandês para relativizar a desinspiração geral da equipa. Claro que, tal como o treinador referiu no final do jogo, o mais importante foi ganhar, não apenas os três pontos, mas também alguma paz de espírito e sobretudo tempo.

 

Afinal, é de tempo que o Sporting precisa para recuperar algum do atraso para o FC Porto e para o Benfica que parece tão evidente agora. O problema, claro, é que, com um dérbi para disputar na Luz daqui por 15 dias, o tempo é um bem escasso para os lados de Alvalade.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:33

A multiplicação que divide

Rui Gomes, em 21.07.18

 

A multiplicação de candidatos à presidência do Sporting pode ter como consequência a divisão dos adeptos.

 

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Há pelo menos duas maneiras de olhar para a multiplicação de candidaturas à presidência do Sporting - que ontem conheceu mais um episódio com a entrada oficial de João Benedito na corrida. A primeira é ver nela o reflexo da vitalidade democrática do clube, traduzida na disponibilidade de tantas personalidades diferentes prontas para assumir as redes de uma instituição que promete ser um grande desafio de gestão seja quem for o eleito, ou na riqueza que representa a discussão e a vasta pluralidade de opiniões num universo tão dado à unanimidade em torno de líderes mais ou menos carismáticos como é o futebol português.

 

A outra é perceber nesta proliferação quase epidémica de candidatos a fragilidade de cada um deles considerado individualmente, desde logo pela incapacidade de reunir consensos à sua volta, de unir o clube em vez de o dividir em torno de personalidades e projectos não apenas diferentes, mas muitas vezes contraditórios. Para quem assiste de fora, parece mais ou menos evidente que a sucessão de Bruno de Carvalho e os desafios que a gestão do clube vai apresentar durante os próximos tempos exigia um presidente forte, sustentado não apenas por uma maioria alargada de associados, mas também pelos principais accionistas e figuras do clube, por mais ou menos croquetes que comam.

 

Tudo aquilo que o estado actual do período pré-eleitoral do Sporting permite adivinhar é precisamente o oposto. Ora, um presidente fragilizado por uma votação residual e uma maioria relativa, suscetível de ser contestado desde a primeira hora, pode acabar por revelar ser mais um problema em vez de representar uma solução definitiva. 

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:02

Última chamada

Rui Gomes, em 03.07.18

 

O Sporting, mesmo este Sporting, é uma oportunidade única para José Peseiro cumprir as promessas que deixou na primeira passagem por Alvalade

 

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A argumentação de Sousa Cintra para justificar a contratação de José Peseiro é sólida. É um treinador português experiente, conhece tão bem as entranhas do clube e a personalidade dos jogadores como as particularidades do campeonato e as características dos adversários. Com este perfil, tal como o presidente em exercício sublinhou, era o único treinador disponível ou, pelo menos, o único disposto a aceitar o desafio que representa treinar o Sporting na próxima época.

 

Peseiro, como o próprio admitiu, está habituado a assumir projectos complicados, embora a frequência com que o tem feito também o possa definir como uma espécie de último recurso ou eterno interino. A verdade é que depois daquela sua primeira passagem pelo Sporting, em que quase ganhou o campeonato e quase venceu a Liga Europa, a carreira não tem sido propriamente ascendente, mas também é certo que nunca abdicou de jogar um futebol positivo por onde passou.

 

O Sporting, tal como se encontra neste momento, com as múltiplas dúvidas que envolvem a construção do plantel, é um enorme desafio, mas também uma grande oportunidade, talvez uma das últimas para confirmar as promessas que deixou na primeira passagem por Alvalade.

 

Afinal, tudo o que Peseiro conseguir tirar de positivo do monte de escombros que Bruno de Carvalho deixou para trás será mais do que é justo exigir-lhe. Um típico caso de tudo a ganhar e quase nada a perder ou, por outras palavras, uma proposta irresistível para um treinador cuja carreira nunca fez justiça às respectivas ambições.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:56

Cadeira de pesadelo

Rui Gomes, em 10.06.18

 

Não será fácil encontrar alguém com tão pouco a perder que aceite treinar o Sporting de Bruno de Carvalho.

 

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Sá Pinto disse que "não estão reunidas as condições para voltar" e Scolari explicou que "neste momento" não é possível aceitar o convite, provando definitivamente que, afinal, o burro não é ele. Encontrar alguém que aceite treinar o Sporting está a revelar-se tão complicado como era fácil de prever depois de tudo o que aconteceu nas últimas semanas, mas também perante a enorme expectativa de tudo o que pode suceder nas próximas.

 

Será preciso alguém muito - como dizê-lo sem ferir susceptibilidades? -, "especial" para aceitar um convite de Bruno de Carvalho nesta altura, quando a memória da forma como Jorge Jesus foi tratado ainda está fresca como uma ferida aberta e o futuro do clube é uma incógnita.

 

Porque se era difícil encontrar alguém capaz de lidar com um presidente que não pensa duas vezes antes de dinamitar um balneário inteiro, que festeja as vitórias na primeira pessoa do singular e sacode a responsabilidade pelas derrotas para os ombros de terceiros, é pouco menos que inverosímil fazê-lo numa altura em que ninguém pode saber que plantel restará em Alvalade depois de a poeira das rescisões assentar e, sobretudo, quando aquilo que se discute é se este presidente ainda tem legitimidade para tomar decisões desse calibre.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:33

Manobras de diversão

Rui Gomes, em 06.06.18

 

O anúncio de uma queixa na FIFA contra o Benfica é apenas mais uma fuga para a frente de Bruno de Carvalho.

 

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1 - É difícil olhar para o comunicado emitido anteontem pelo Conselho Directivo do Sporting(CD), anunciando uma queixa na FIFA contra o Benfica por alegado "assédio" a jogadores verdes-e-brancos com base no depoimento de um comentador (Octávio Machado) num programa televisivo cuja credibilidade tem sido constantemente atacada pelo próprio Bruno de Carvalho, sem ver nele uma tentativa atabalhoada de ensaiar uma manobra de diversão.

 

Na iminência de uma manifestação de adeptos para pedir a demissão dos órgãos sociais ou, mais concretamente, de Bruno de Carvalho, o CD que resta depois das demissões das últimas semanas resolveu recorrer ao estratagema mais batido dos livros de propaganda, marcando a actualidade com a criação de um facto e apontado os holofotes para fora, na direcção de um inimigo comum. O resultado foi pífio.

 

A queixa da FIFA contra o Benfica redundou numa queixa-crime dos encarnados por difamação e denúncia caluniosa e a manifestação aconteceu mesmo, juntando centenas de adeptos unidos pela vontade de devolver o clube aos sócios. Uma amostra tão significativa como outra qualquer de que, simplesmente, não é possível enganar sempre toda a gente.

 

2 - A crise do Sporting não afecta apenas esse clube. Ontem, na Euronext, durante a apresentação dos resultados da emissão de obrigações do FC Porto, Fernando Gomes queixou-se de concorrência desleal, numa referência ao recente "perdão" de dívida ao Sporting, mas foi mais longe.

 

O administrador da SAD do FC Porto explicou que o facto de os leões terem falhado o reembolso das obrigações que venciam a 25 de maio forçou uma subida nos juros que os dragões vão ter de pagar. Dos 4,25% previstos inicialmente, a taxa passou para 4,75%, quase 200 mil euros a mais. A prova de que isto anda tudo ligado.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:01

Alhos e bugalhos

Rui Gomes, em 05.06.18

 

O contexto torna os casos da invasão violenta de um treino do Guimarães e do ataque a Alcochete incomparáveis.

 

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O Conselho Directivo (CD) e a Comissão Executiva (CE) da SAD do Sporting ou, em menos palavras, Bruno de Carvalho emitiu anteontem mais um comunicado em que comparava a invasão violenta de um treino do Vitória de Guimarães por um grupo de adeptos com o ataque à Academia de Alcochete. Tudo isto para louvar a atitude dos atletas vitorianos que, ao contrário do que aconteceu com alguns jogadores do Sporting, não rescindiram os respectivos contratos.

 

Um nítido caso de mistura de alhos com bugalhos ou de como é possível escrever torto por linhas direitas. Os dois casos, igualmente graves, são incomparáveis, desde logo pelas circunstâncias que os envolvem.

 

No caso do V. Guimarães, não há qualquer notícia de que Júlio Mendes tenha passado as semanas que antecederam os incidentes a enviar mensagens com ralhetes aos jogadores e técnicos, que os tenha censurado de forma pública e notória em entrevistas publicadas na véspera de jogos decisivos ou ainda que tivesse recorrido à página de Facebook para os classificar de "meninos mimados", criticando o respectivo profissionalismo e alimentando a animosidade dos adeptos em relação à equipa.

 

Aliás, não consta que Júlio Mendes tenha conta no Facebook e muito menos que, tendo, a use para abordar temas da gestão do clube. Serve esta explicação para concluir o óbvio: os jogadores do Vitória não rescindiram com o clube, da mesma forma como Rui Patrício e Podence não rescindiram com o Sporting; rescindiram com Bruno de Carvalho.

 

Isso mesmo fica claro pelo facto de admitirem voltar atrás caso o presidente se demita. Simplesmente porque, ao contrário do que parece acontecer com o próprio e os restantes membros do CD e da CE, os jogadores do Sporting não confundem o clube com Bruno de Carvalho.

 

Jorge Maia, jornal Record

 

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publicado às 04:03

Procrastinação

Rui Gomes, em 23.05.18

 

Os órgãos sociais do Sporting resolveram adiar o futuro. Primeiro 'round' para Bruno de Carvalho.

 

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Depois de quatro horas de reunião, os órgãos sociais do Sporting tomaram a decisão de (acrescentar aqui um rufar de tambores) marcar uma nova reunião. Como alguém dizia com alguma graça, aqui na redacção, ninguém pode ficar surpreendido: o Sporting passou a temporada a decidir tudo no tempo extra, não era agora que ia mudar de hábitos.

 

A verdade é que a montanha pariu um rato. Ora, curiosamente, foi Jaime Marta Soares, que parece ter algumas dificuldades para tomar decisões definitivas, quem teve de dar a cara pelo adiamento do futuro do Sporting. Não deixa de ser irónico ver um bombeiro deixar o clube a arder em lume brando nem assustador confirmar que, pelo menos numa coisa, Bruno de Carvalho tinha razão: o presidente demissionário na Mesa da Assembleia Geral passa a vida em "flic flacs" constantes.

 

Anteontem, defendeu a decisão de adiar tudo para quinta-feira com a "necessidade de reflexão". Na quinta-feira passada, garantia que se Bruno de Carvalho não saísse pelo próprio pé faria "uma Assembleia Geral extraordinária com uma nota de culpa bem elaborada para o destituir". Da certeza do caminho à dúvida existencial foi o instante que leva a passar do "flic" para o "flac".

 

E é assim, sustentado na flexibilidade das convicções alheias que, depois de uma série de revezes e de uma sucessão impressionante de tiros nos pés, Bruno de Carvalho consegue a primeira vitória das últimas semanas. Se não tiver ganho mais nada, ganhou cúmplices com quem partilhar a responsabilidade pelo que vier a acontecer e, sobretudo, ganhou tempo. O drama, para quem assiste de fora, é perceber que este é um tempo que o Sporting não tem.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:31

O futuro é hoje

Rui Gomes, em 08.05.18

 

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O FC Porto tem de começar a trabalhar já para garantir que este título não é uma meta, mas um ponto de partida. Agora que a festa começa a arrefecer, depois de dois dias escaldantes, talvez não seja demasiado cedo para começar a pensar no futuro do FC Porto. Afinal, é lá que o clube vai passar o resto da vida e não vai estar sozinho.

 

No Benfica, Luís Filipe Vieira não voltará a cometer a imprudência de acreditar que todos os problemas se resolvem com o Seixal nem voltará a colocar as finanças à frente da equipa, desde logo porque os adeptos não lho perdoariam. Depois de uma época a zeros, que ainda pode ficar mais pobre se se confirmar a perda do segundo lugar, não é preciso ser bruxo para adivinhar um investimento considerável no reforço do plantel encarnado com o objectivo de recuperar o título.

 

No Sporting, Bruno de Carvalho vai repetir a fórmula dos últimos anos, armando Jorge Jesus até aos dentes com tudo o que o treinador lhe pedir o que, apesar de tudo, pode não ser tanto como nos últimos anos. Afinal, desta vez há uma base que vale a pena manter, se o clube for capaz de segurar jogadores como Gelson ou Bruno Fernandes.

 

No FC Porto, depois de encerrado o jejum de quatro anos e de quebrada a hegemonia do Benfica, o objectivo tem de ser garantir que este título é o ponto de partida e não a meta. A prioridade é óbvia: manter Sérgio Conceição. Parafraseando uma máxima do futebolês, em treinador que ganha não se mexe, especialmente depois de quatro anos de tiros ao lado.

 

Segurar Conceição garante paz de espírito, que é coisa que não tem preço e que o FC Porto não conheceu nos últimos anos. Perdê-lo significaria esvaziar o balão e recomeçar do zero, um luxo a que o clube já não se pode dar. Depois, há o oxigénio que o apuramento directo para a Champions garantiu. As finanças do clube podem respirar outra vez, o que deverá facilitar renovações e permitir o reforço do plantel. Depois de tudo o que fez este ano, inclusive pelas finanças, Conceição merece bem atacar o próximo campeonato com as mesmas armas dos adversários.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:32

Maus exemplos

Rui Gomes, em 30.04.18

 

Insultos e ameaças entre dirigentes de topo não podem ser desvalorizados como o novo normal no futebol português.

 

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É seguro supor que, quando o advogado do SL Benfica, João Correia, garantiu que "quem semeou ventos vai ter de colher tempestades" não estivesse a antecipar o temporal que se abateu sobre a assembleia geral da Liga que decorreu na sexta-feira. E, no entanto, há quem garanta que o bater de asas de uma borboleta em Lisboa pode provocar um ciclone no Porto.

 

A multiplicação de versões sobre o que realmente aconteceu na sede da Liga não permite conclusões definitivas, mas há vários pontos comuns a todos os relatos que autorizam uma conclusão segura: nenhum dos protagonistas ficou muito bem na fotografia. Nem Bruno Mascarenhas, que semeou ventos ao chamar "cabecilha do e-Toupeira" a Paulo Gonçalves; nem Paulo Gonçalves, que numa reacção tempestuosa ameaçou o sportinguista com um ajuste de contas fora do recinto na melhor tradição do Faroeste; nem António Salvador que, se queria verdadeiramente serenar os ânimos, talvez pudesse ter dispensado referir-se a Bruno de Carvalho como palhaço, até porque o presidente do Sporting nem sequer estava presente.

 

Que, por sua vez, o presidente da Assembleia Geral, Mário Costa tente colocar água na fervura, relativizando o episódio, é compreensível. Que o faça dizendo que aquilo que se passou é uma discussão normal entre clubes quando faltam três jornadas para o final do campeonato é preocupante. Se começarmos a achar que os insultos e as ameaças são normais entre dirigentes com responsabilidades, o que podemos verdadeiramente esperar dos adeptos dos respectivos clubes que se revêem em semelhantes exemplos?

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:24

Responsabilidade

Rui Gomes, em 24.04.18

 

O VAR não pode servir para aliviar os árbitros da obrigação de decidir.

 

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1 Há lances que faz sentido deixar correr, aproveitando a cobertura dada pelo VAR para evitar que eventuais erros sejam irreversíveis. Um fora de jogo duvidoso num lance de golo eminente, por exemplo. Uma falta discutível a meio-campo da qual resulta uma clara oportunidade, talvez. Agora, não faz sentido que os árbitros pura e simplesmente se abstenham de decidir em lances tão claros como foi o penálti cometido por Robson em Alvalade.

 

É impossível que Fábio Veríssimo e o assistente que acompanhava o ataque do Boavista não tenham visto o lance e, vendo-o, é incompreensível que não o tenham assinalado de imediato. O resultado foi um amarelo que Bryan Ruiz não devia ter sido obrigado a forçar. O VAR é uma ferramenta de precisão. Se começar a servir de pau para toda a obra como forma de desresponsabilizar os árbitros pode acabar por ser pior a emenda que o soneto.

 

2 Uma semana depois da verdadeira batalha campal entre adeptos do Benfica que se seguiu ao clássico da Luz e da qual resultaram sete detidos e seis polícias feridos - "seis polícias feridos" é o tipo de expressão que merece ser repetida a ver se entra pelos olhos de alguns responsáveis adentro -, o silêncio e a inação do Estado, concretamente do IPDJ e da Secretaria de Estado do Desporto e da Juventude (SEDJ), para já não falar do Ministério da Administração Interna, criou as condições ideais para os confrontos a que se assistiu no final do Estoril-Benfica.

 

Desta vez, houve adeptos encarnados que se deram ao trabalho de dar a volta ao estádio para forçarem a entrada na bancada central onde se multiplicaram as agressões, obrigando a uma intervenção musculada da GNR. Do IPDJ e da SEDJ, mais uma vez, nem uma reação, só silêncio que também passa uma mensagem clara: quem cala, consente.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:27

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