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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

Nos anos 50 o futebol inventou uma nova posição, a de quarto-defesa, cuja função seria apurada na década seguinte. As tácticas evoluíam a puxar as equipas para trás e, se com o WM apareceu o defesa-central, surgiu depois uma espécie de trinco numa altura de transição das então tradicionais linhas de três defesas para os quartetos defensivos que se seguiram. Tinha de ser um jogador clarividente, decidido, muito forte na antecipação, pois competia-lhe marcar o maior craque criativo da equipa adversária.
No Sporting, José Carlos foi o jogador que desempenhou com maior qualidade e eficácia o lugar, tendo ficado para a história os faiscantes duelos que travava com Eusébio. Capitão de equipa depois de Fernando Mendes se ter retirado, fez famosa dupla com Alexandre Baptista no Clube e nalguns jogos também na Selecção. Actuou de leão ao peito durante doze temporadas, entre 1962 e 1974, nas quais foi três vezes Campeão Nacional, ganhou quatro Taças de Portugal e a Taça das Taças de 1964. Representou a Selecção Nacional em 36 jogos. Em 1970 foi distinguido com o Prémio Stromp na categoria Atleta Profissional.
Na fotografia, José Carlos, capitão de equipa do Sporting na época de 1967-68.
19 de Março de 1961. Portugal-Luxemburgo, 6-0. Estádio Nacional, Lisboa
O início da década de 60 foi fantástico para o jogador que então representava a CUF. José Carlos esteve na Seleção de juniores que precisamente em 1960 conquistou de forma brilhante o 3º lugar no Torneio Internacional da UEFA, disputado na Hungria, e menos de um ano depois estreava-se na equipa principal das quinas num jogo que “obviamente fica gravado na memória”. Ele próprio confessa: “Foi tudo muito de repente. Não estava à espera…”
José Carlos tinha 18 anos quando se estreou num Portugal-Luxemburgo que correu às mil maravilhas para a Seleção Nacional e quase à mesma proporção para o jovem jogador da CUF. Ele explica: “Foi magnífico. O pior foram as botas. Sofri muito, não por causa do jogo ou do adversário mas por culpa das botas que eram novas e eu só tinha feito um treino com elas. Andei a sofrer o jogo todo”.

De resto, “foi uma tarde tranquila”, lembra. “Ainda tive ali um ou outro lance complicado na 1ª parte mas depois não houve muito trabalho. O resultado fala por si”. Fala, sim senhor. Portugal chegou à meia dúzia de golos sem resposta no arranque da campanha de qualificação para o Mundial’62, fase final se disputou no Chile e que a Selecção Nacional falhou.
Não falhou quatro anos depois... “Gratas recordações desse Mundial, são as minhas melhores memórias a par da conquista da Taça das Taças pelo Sporting em 1964”. Sim, porque nessa altura José Carlos já tinha dado mais um salto, passando da CUF para o Sporting. “Há treinadores que nos marcam e, no meu caso, Fernando Vaz teve uma influência tremenda. Levou-me da CUF para o Sporting Clube de Portugal e ensinou-me muitas coisas importantíssimas para a minha carreira. Nunca o esquecerei”, conclui emocionado.
José Carlos fez famosa dupla com Alexandre Baptista no Sporting e nalguns jogos também na Selecção. A cumplicidade em campo foi transportada para a vida familiar, sendo que cada um deles é padrinho das filhas que à época nasceram. No Mundial de 66, os compadres Magriços alinharam juntos os dois jogos finais (Inglaterra e União Soviética). José Carlos foi totalista na fase de apuramento e Alexandre Baptista foi opção mais constante em Inglaterra a jogar ao lado de Vicente Lucas.

Sporting 3 - Benfica 1 (Taça Emigrante, Paris - 1971)
Um Sporting-Benfica implica sempre um encadeamento de histórias, e de muitas histórias dentro de outras histórias, numa narrativa que vem desde o princípio do século XX. Cada um de nós, quando assiste a um dérbie, recorda outros jogos entre os eternos rivais e há peripécias que estão guardadas na memória como se tivessem acontecido no dia anterior. Por essa razão é sempre motivo de entusiasmo e é aguardado com enorme expectativa, como aconteceu na disputa da Taça Emigrante, em 12 de Abril de 1971, em Paris.
O Campeonato Nacional sofreu uma interrupção de três semanas na Páscoa de 1971 e combinou-se a realização de um dérbie no Estádio de Colombes, que se encheu com emigrantes portugueses e parisienses. Era muito grande o entusiasmo, até porque as duas equipas alinhariam com todos os seus craques, e para o efeito foi criada a Taça Emigrante. O desafio foi bastante equilibrado, mas a equipa leonina acabou por se superiorizar graças à segurança defensiva e à arte de Peres, Chico Faria e Dinis. A fotografia é do final do jogo, quando o capitão José Carlos, com a taça, comemorou a vitória junto dos portugueses no Estádio.
Ficha de jogo:
Taça Emigrante (Páscoa de 1971)
Sporting 3 - Benfica 1
Estádio de Colombes, Paris, 12 de Abril de 1971
Árbitro - M. Branca (França)
Sporting - Damas Caló, José Carlos, Laranjeira, Hilário (Celestino 75'), Tomé (Manaca 67'), Nelson, Peres, Lourenço, Chico Faria e Dinis
Treinador - Fernando Vaz
Benfica - José Henrique, Malta da Silva, Humberto, Zeca, Adolfo, Vítor Martins (Messias 87'), Diamantino (Jaime Graça 67'), Nené, Eusébio, Artur Jorge e Simões
Treinador - Jimmy Hagan
Golos - Tomé (47'), Jaime Graça (73'), Chico Faria (82') e Dinis (90')
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