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Do "calciocaos" ao "Portugalcaos"

Rui Gomes, em 17.11.18

 

Este sábado é um bom dia para pensar na Itália e nos efeitos colaterais da moralidade flexível.

 

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No século XXI, Portugal está muito mais próximo do futebol italiano do que a natureza determinaria. Jogou quase o mesmo número de finais internacionais, entre clubes e selecção; ganhou mais na formação; tem cinco taças internacionais para contrapor às sete de Itália (calma, eu sei que Ligas dos Campeões e Mundiais não são taças UEFA e Europeus) e, sobretudo, apresenta dois jogadores distinguidos como melhores do mundo contra apenas um italiano.

 

Esta proximidade é quase uma goleada portuguesa e talvez só possa existir porque, em tempos, houve uma condição climatérica chamada "Calciocaos" que derrubou e paralisou os principais clubes de Itália durante vários anos. O AC Milan, imperador da Europa nos anos 90, nunca recuperou. Fui acompanhando o processo, naquela altura, e acredito que nada daquilo era mais sujo do que o actual contexto português, dos casos investigados à manipulação noticiosa, passando pela opinião instrumentalizada de que ninguém parece envergonhar-se.

 

As graves consequências da má conduta italiana podem ter definido a geografia do futebol europeu, porque aconteceram quando o "calcio" procurava ainda resistir à ultrapassagem da Premier League no campeonato das ligas milionárias. Todos pagaram bem caro, uns pelo crime e os outros pela indulgência. Este sábado, data de um insólito Itália-Portugal de posições trocadas, é um bom dia para se pensar nisto, vá lá, trinta segundos.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 15:40

 

O Itália-Portugal ou Bruno de Carvalho e o e-Toupeira? Qual é o futebol que importa mostrar esta semana?

 

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Os jornalistas não são notícia (e, às vezes, as notícias também não), mas é notícia quando alguém se queixa dos jornalistas por se ocuparem demasiado do processo-crime em curso contra um ex-presidente de clube acusado de ordenar um ataque à sua própria equipa, ou de outro em que uma SAD é acusada de acesso indevido ao sistema informático da Justiça.

 

Dizem-nos que os cidadãos querem futebol futebol e que está aí à porta um jogo muito importante da Selecção, enquanto nós passamos os dias no tribunal, à cata de uma partícula de migalha de notícia. "O futebol não é aquilo". Acontece que o futebol é mesmo aquilo e que, se não estivéssemos nos tribunais e se os tribunais não estivessem nas nossas primeiras páginas, estaríamos a mentir às pessoas sobre o que o futebol é, neste momento.

 

O Itália-Portugal vai jogar-se na mesma e terá o seu espaço; com alguma sorte, a equipa continuará a divertir-se sem Ronaldo e dará ao Norte o prazer descentralizado de receber a fase final da Liga das Nações. É importante, mas podemos sobreviver sem isso (até o Norte, que só recebe a prova porque o aeroporto de Lisboa está em implosão). E, para ser correcto, também podemos sobreviver sem meter pelos olhos das pessoas dentro a fauna miserável que infecta o futebol. Já andamos assim há décadas e podemos andar outras tantas.

 

Para efeitos literários, até podia escrever agora que não haverá outras finais da Liga das Nações se continuarmos nestas companhias impróprias, mas até nem acredito nisso. O banditismo e a canalhice nunca foram obstáculos. Podemos ter um magnífico futebol canalha, eventualmente até o melhor futebol canalha do mundo, se nos aplicarmos. Basta tirarmos os jornalistas dos tribunais.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:33

 

Um megapatrocinador da Liga dos Campeões fez gato e sapato do fair-play financeiro para ficar com uma vaga portuguesa. Qual é a surpresa?

 

19668301_GZJst.jpgO regulamento do fair-play financeiro da UEFA foi uma fraude logo na sua concepção. As penas regulamentadas são vagas e arbitrárias e a liberdade de acção para quem castiga é demasiada. Na prática, serviu para sanear os clubes europeus de segunda linha, numa altura em que essa disciplina económica dava muito jeito aos bancos atolados em crédito malparado.

 

Os ricos, viesse de onde viesse a riqueza, só eram um problema entre eles: os aristocratas como Barcelona, Real Madrid ou Bayern, não queriam a concorrência do dinheiro árabe e russo. Que o dinheiro russo, despejado impunemente nos clubes russos à revelia das regras vigentes, distorcesse a competição com Portugal ou Holanda já não incomodava ninguém, pelo contrário.

 

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A empresa Gazprom, que está por trás da maioria dos falsos patrocínios aos clubes Zenit, Lokomotiv e Dínamo, também patrocina a Liga dos Campeões, a prova para fora da qual este estratagema conseguiu empurrar uma equipa portuguesa em benefício de uma russa. Os documentos que a "Football Leaks" revela, e dos quais hoje damos conta, só atestam o óbvio.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:03

 

Sem Cintra por perto, todas as culpas eram dele e não faltava vontade de lhas apontar. Varandas chegou-se à frente.

 

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O Sporting está numa sucessão de cenários exóticos desde maio. E ter uma equipa e um treinador escolhidos, no meio do caos, por uma comissão transitória não era o mais trivial desses cenários. Ainda assim, a maior das provas de coragem que José Peseiro deu, quando aceitou o convite de Sousa Cintra, foi saber (tinha de saber, por amor da santa) como os adeptos reagiriam à aura que trazia do FC Porto, Braga, V. Guimarães e talvez até da primeira passagem por Alvalade. Somava-se a esse problema, que não era pequeno, o estatuto público de pneu sobressalente, para durar só até chegar à oficina.

 

Depois, veio a inconcebível entrevista de Cintra, cheia de recados e censuras ao treinador que ele tinha contratado, para o caso de haver adeptos distraídos que ainda dessem a Peseiro o benefício da dúvida. O despedimento acaba por ser meio golpe de misericórdia, meio operação de limpeza a uma casa atravancada e torta. Os sportinguistas já não iam a tempo de se apaixonarem pelo treinador e o presidente, pelos vistos, também nunca sofreu desse apetite. Para quê prolongar o desconforto de toda a gente?

 

Frederico Varandas, que não chegou a tempo de contratar ninguém, tem algum direito a começar a presidência dele e é mais justo fazê-lo assim, sobretudo para Peseiro. Depois de Sousa Cintra ter saltado fora, já não restava mais ninguém, se não o treinador, para responder por tudo, incluindo pelas decisões de Cintra. Como bom soldado na formatura, Varandas deu um passo à frente.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Nota: Recorrendo ao raciocínio do nosso estimado leitor Mike, em sentido inverso, se os nossos adversários aprovam a decisão (José Manuel Ribeiro é adepto do FC Porto), é porque foi a decisão errada. Será assim?

 

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publicado às 02:46

 

Infantino completou a tempestade perfeita que vai virar do avesso o calendário do futebol.

 

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O entusiasmado do V. Guimarães-SC Braga de anteontem pode já ter sido um fantasma do passado. Está em curso uma guerra cósmica pelo motivos do costume e, no fim, serão obliterados também os do costume. A FIFA quer um Mundial de Clubes ampliado e uma Liga das Nações, ou melhor, a FIFA quer os 25 mil milhões de euros que um grupo japonês e um fundo saudita lhe oferecem para organizarem as duas provas.

 

Essa quantidade despropositada de dinheiro é o detalhe que faltava para uma tempestade perfeita sobre os campeonatos nacionais. Já havia a atracção fatal pela ideia de uma superliga europeia de clubes, acentuada pela cumplicidade da UEFA, que está decidida a empurrar os jogos da Champions para o fim-de-semana. Entretanto, as renegociações de contratos televisivos pelas ligas nacionais tremem; vários deles estão inflacionados e há dúvidas sobre as virtudes das novas fontes de receita, como o 'streaming' (transmissões directas na Internet).

 

O caminho futuro é virar as competições do avesso, passando o grosso do calendário a ser preenchido pela agenda internacional e ficando a agenda nacional com as sobras. Os campeonatos são reduzidos (oito clubes? Doze?), transplantam-se para as quartas-feiras, e a Europa torna-se a arena principal. O engodo das receitas resolverá o problema dos clubes, porque os maiores serão muito bem pagos e os outros terão de se amanhar. O grande V. Guimarães-Braga pertencerá, então, a um equivalente da Taça da Liga.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:32

Mentiras e vigarices flagrantes

Rui Gomes, em 21.10.18

 

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O período Mário Figueiredo teve tantas mentiras e vigarices flagrantes (culminadas no golpe patético que o reelegeu como presidente por quinze dias) que nunca verdadeiramente entendi como pôde a directora-executiva Andreia Couto manter-se na Liga depois de três anos de cumplicidade, muito acima do necessário, com aquela triste figura.

 

Das duas uma: ou achou bem a falta de escrúpulos permanente, da qual existem dezenas de exemplos, ou não dispõe de discernimento para perceber o que lhe passa a milímetros do nariz. No mínimo, a fraude eleitoral devia tê-la despertado.

 

Para além de tudo isso, em 2014, dezasseis associados da Liga apresentaram contra ela uma participação criminal por abuso de poder. Como é que, depois de todos esses sinais, de todas estas provas de inabilitação, achou melhor ficar por lá?

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:02

O país é Ronaldo e mais 23%

Rui Gomes, em 19.10.18

 

A questão do IVA carrega um equívoco: o futebol é que está a dar pouco ao Governo.

 

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A directora-executiva da Liga critica o Governo, com razão integral, por excluir o futebol na descida do IVA para os espectáculos públicos. Esse tema já foi aqui abordado várias vezes, a última delas ontem pelo nosso director-adjunto, que tocou nos pontos todos, incluindo no drama do "estigma" da promiscuidade, que nunca fez sentido e menos ainda fará no momento actual do futebol europeu: o Estado não precisa de dar nada ao futebol; precisa de aprender a ganhar mais dinheiro com ele, como faz em todas as outras áreas de negócio internacionalizadas.

 

Olhar para o resto da Europa, ver como a Liga portuguesa está a ser varrida para o lixo pelos ratings clandestinos dos mais ricos, reparar no fluxo das transferências de jogadores e ter a (pouca) perspicácia de perceber que se está a perder muitos milhões de euros de receita fiscal não seria subserviência; seria ter um mínimo de competência para governar. Assim como recusar intervir no debate da centralização dos direitos televisivos, que é chave para resolver o problema, não é evitar promiscuidades; é cobardia ou muito pior do que isso.

 

Seria impopular entre os eleitores dar incentivos ao futebol profissional, mesmo sabendo que isso traria lucros mais tarde? É para isso que servem as manhas da política, ou "a arte do possível", como lhe chamava Bismark. Negoceiem, imponham regras duras, saiam deste filme como o Governo que domou a bola; o que quiserem. Mas não façam de conta que Portugal pode deitar fora o impacto do futebol ou esquecer-se de que ele existe.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 11:00

Grande notícia para Leonardo

Rui Gomes, em 11.10.18

 

O treinador a quem só pediam para ganhar equipas sai do Mónaco por perder jogos.

 

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O presidente Enrico Preziosi, do Génova, chicoteou David Ballardini, que considera "um treinador terrível": "A carreira dele comprova isso. Foi despedido 13 vezes nas últimas 14 épocas." O curioso é que, não só Ballardini tinha o cadastro actual bem à vista em 2017, quando Preziosi o contratou, como já havia sido contratado por ele antes, em 2010/11. Dos 13 despedimentos, só consegui encontrar seis, pelo que nem essa parte deve ser honesta.

 

Os treinadores são um par de ombros largos, à disposição de qualquer banana (ou do Pogba) para lhe branquear a incompetência. Na soma de quatro anos, Leonardo Jardim vendeu 800 milhões de euros em jogadores do Mónaco, cumpriu uma Liga dos Campeões estratosférica e venceu um campeonato inimaginável ao Paris Saint-Germain. De época para época, conformou-se a treinar equipas cada vez menos reforçadas, por decisão estratégica do clube e a mero troco de uma reputação efémera de "formador". Fez-se um agricultor de talentos.

 

Mas o despedimento, que será confirmado hoje, condena a tal ideia fresca do viveiro que o Mónaco parecia representar. Afinal, o unicórnio do clube-escola e infinitamente paciente com os resultados regressa ao reino da fantasia assim que põe os olhos num nome vistoso como o do alegado sucessor, Thierry Henry, campeão da Europa e do Mundo pela França, em 1998 e 2000.

 

E Jardim, o treinador a quem só pediam para ganhar equipas, sai do Mónaco por perder jogos, como acontece a todos os comuns mortais que aspiram a taças. A boa notícia é que o livram do calvário desta espécie de auto-exílio competitivo, muito abaixo do seu potencial, e ainda lhe devem pagar uma valente indemnização por cima. Ah... e o patrão Ryobolev vai ver-se à rasca para lhe encontrar despedimentos como os de Ballardini no currículo.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

P.S.: Já é oficial, Leonardo Jardim foi despedido do Mónaco, prova absoluta que nenhum treinador está seguro, mesmo com um registo de vencedor.

 

Mensagem de despedida do vice-presidente Vadim Vasilyev:

 

"Tenho de felicitar com muito respeito o Leonardo pelo trabalho realizado. No banco do Mónaco tornou-se uma referência na Europa e deixa um balanço muito positivo. A sua passagem ficará como uma das mais belas da história do nosso clube. O Leonardo vai continuar a fazer parte da família do Mónaco".

 

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publicado às 13:26

O castigo das visitas

Rui Gomes, em 09.10.18

 

É nos jogos fora que os adeptos se portam pior. E haver castigados por tabela também resulta.

 

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A Polícia de Segurança Pública quer castigar os adeptos que se portem mal no estádio dos outros com "jogos de torcida única", ou seja, sem espectadores visitantes. Se os clubes treparam pelas paredes só com os jogos à porta fechada, esta ideia vai pô-los, no mínimo, a hiperventilar, embora tenha ainda mais lógica do que a anterior. É nos jogos fora que os adeptos, sobretudo os dos três grandes, se portam pior.

 

A pacificação também depende de como cada clube educa os seus adeptos, venham eles da bancada ou do estúdio de televisão. A motivação para o fazerem, até agora, foi sempre nula. Ter uma claque feroz ainda traz mais vantagens do que desvantagens.

 

As objecções à torcida única são muito fáceis de antecipar. Dois terços das equipas da I Liga seriam castigadas por tabela, por dependerem muito das receitas geradas pelas visitas dos grandes, mas a lei nunca é suficiente para a mudança. O clube que é vítima colateral passa a interessar-se, nas assembleias da Liga, por pressionar os infractores e votar melhores regulamentos: o teu problema passa a ser o nosso problema. Essa frase confunde o futebol profissional.

 

Quase todas as decisões são tomadas com leviandade, com o umbigo, ou nascem das intrigas mais absurdas, como prova o facto de os clubes terem resolvido contestar o castigo de jogos à porta fechada, cuja presença nos regulamentos da Liga foi proposta por eles e aprovada por maioria. Os adeptos também ser educados assim, quando se lhes dá a entender, diariamente, que ser troca-tintas, ofensivo ou mesmo mentiroso não faz mal nenhum.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:15

A violência da opinião

Rui Gomes, em 06.10.18

 

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As mulheres têm todo o direito de dizer não e de ver essa vontade respeitada, independentemente da hora a que o digam, do local, da roupa que vistam ou da profissão que tenham. E Cristiano Ronaldo tem o direito de ser julgado sozinho e não em nome do saco de gatos em que se transformou o #MeToo, movimento global nascido para combater o assédio e assalto sexual.

 

Li muito sobre o caso nestes últimos dias e poucas opiniões conseguiram navegá-lo sem maltratar, pelo menos, um destes dois princípios sagrados, até as que tentaram ser delicadas. Escrevo apenas para não fugir a um tema que tomou conta da actualidade mundial e que é grave sob qualquer ponto de vista. Tomar partido com leviandade implica ferir uma causa que compreendemos e defendemos ou presumir culpas, de Ronaldo, que só duas pessoas no planeta podem, eventualmente, avaliar. Por isso, mais do que este parágrafo não, obrigado.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

 

Entretanto, há quem tenha princípios e uma linha de pensamento radicalmente diferentes de José Manuel Ribeiro, como é o caso de Paulo Dentinho, director de informação da RTP, que se deu a publicar o que só pode ser considerado um vergonhoso post, alegando que "estava a preparar um programa sobre o aniversário do movimento 'Me Too' e isso, aliado ao facto de ter três filhas, fez-me ter um momento emocional. Não me estava a referir ao caso concreto de Cristiano Ronaldo":

 

"Há violadas de primeira, violadas de segunda categoria, violadas de terceira categoria, etc. Depende muito do estatuto delas mas, sobretudo, do estatuto deles. Questão de perspectiva... Um "não" de uma puta - e tem também ela direito a dizer não - vale nada. É mercadoria. E se o violador tiver a auréola de herói nacional, é puta de certeza, no mínimo dos mínimos uma aproveitora sem escrúpulo algum. Logo, puta! Os factos, que se fodam os factos. Estava a pedi-las, foi o que foi. Felizmente não é a mamã, a filhota ou o filhote de ninguém. Porque nesta justiça será sempre uma filha ou um filho da puta".

 

E é este indivíduo director de informação da estação pública ?... Por mim, deixava de exercer o cargo imediatamente.

 

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publicado às 03:48

Os santos dos clubes

Rui Gomes, em 28.09.18

 

Reacção do G15 à nova lei de segurança é, em simultâneo, uma cambalhota, um ataque de amnésia, uma hipocrisia, uma prova e um bom sinal.

 

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O G15 acha que a nova lei de segurança "diminui os clubes" e "assume a indústria do futebol como um problema para a segurança pública". Para um movimento que se iniciou com o pretexto de pôr na ordem os três grandes, por ser considerado que estavam a "incendiar" o ambiente, o mortal à rectaguarda não podia de modo algum ser mais pronunciado, nem contraditório.

 

As diligências que os clubes têm supostamente feito para controlar os respectivos adeptos vão de inexistentes a duvidosas, na maioria dos casos, e a manipulação deliberada e suja que alguns deles fazem das massas já está provada, em documentos e testemunhos, sem que o G15 tenha mencionado essa praga, sequer de raspão.

 

Por outro lado, há uma série de casos em tribunal, alguns já com sentenças, que provam inúmeros tipos de más condutas de clubes - e aí não são apenas os grandes, como não são apenas eles que falam de árbitros, como geralmente também não são eles que irritam os adeptos com antijogo e muitas outras práticas que compõem a actual cultura do futebol português.

 

Algum presidente censura um treinador por o ter feito? Ou por insultar um árbitro à vista de todos? Castigam internamente um jogador por agressão? Ou por simular um penálti? Abrem inquéritos a adeptos? Expulsam-nos? Talvez tenha acontecido, mas não tenho notícia disso. Sei é que as câmaras de vigilância de alguns deles avariam em momentos convenientes; que os castigos aplicados até agora não funcionam e que os jogos à porta fechada os incomodam muito, sinal de que devem manter-se na lei (embora fosse preferível a interdição pura e dura).

 

É a mentalidade dos clubes que tem de mudar primeiro e a pronta reacção do G15 ao esforço da nova lei foi pôr essa hipótese imediatamente de parte. Comprovando-a.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:01

Meta volante na Pedreira

Rui Gomes, em 24.09.18

 

O ponto alto da 5.ª jornada joga-se em Braga, na segunda-feira, com a eventual pressão do Benfica sobre os dois candidatos sombra.

 

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Já há muito tempo que um jogo Braga-Sporting é uma meta volante do campeonato. Só lhe faltava, em importância, que o Braga perdesse os complexos e apontasse ao título, como sucede esta época. Se lhe juntarmos um Sporting que também pretende ser visto como um candidato que corre por fora, temos uma espécie de governo sombra na Pedreira que vai medir as aspirações de ambos, embora seja cedo para diagnósticos profundos.

 

Na tabela classificativa, as diferenças são poucas e favorecem o Braga, que tem o segundo melhor ataque da prova e melhor diferença de golos, apesar de ter os piores resultados defensivos dos sete primeiros da classificação. Os sete golos marcados contra três sofridos do Sporting são argumentos para a desconfiança da crítica. José Peseiro venceu cinco dos seis jogos que fez, mas, em geral, "não convenceu", para usar a expressão mais repetida na Imprensa.

 

Há outras leituras ao alcance. Uma delas é que pode ter abandonado o desprendimento atacante que lhe marcou a carreira e optado, desta vez, por começar a equipa lá por trás, pela defesa. A outra é faltar-lhe Bas Dost e os outros avançados ficarem muitas milhas atrás da qualidade do holandês. Falamos sempre de quatro jornadas apenas, mas cada uma tem a sua história.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:18

O medo de não parecer corajoso

Rui Gomes, em 22.09.18

 

É verdade que o Bayern está ainda mais rico e mais forte, mas o futebol português precisa de ficar mais burro?

 

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É mais compreensível que o Qarabag, dos confins do Azerbaijão, oponha resistência ao Sporting, em Alvalade, ou que o Benfica não oponha resistência ao Bayern no Estádio da Luz? A confiar no grosso da opinião publicada sobre o segundo destes jogos, perder com o campeão alemão era uma fatalidade que se adivinhou logo nos primeiros instantes. Aliás, não foi o Benfica que perdeu, foi o "futebol português" por atacado, ainda que, abusivamente, só Rui Vitória tivesse voto na matéria quanto às decisões tácticas.

 

Toda a gente chegou à conclusão de que as diferenças são demasiado grandes, que se há de fazer? Primeiro: não entrar em negação e conversa fiada só porque se é comentador e benfiquista. Isso nem o Benfica ajuda. As diferenças são grandes, sem dúvida, mas não são maiores do que as existentes entre o Chaves e o FC Porto. O que separa o Chaves deste Benfica - ou, noutros tempos, do FC Porto e do Sporting - é o ego que substituiu a inteligência colectiva do país futebolístico e proíbe algo tão simples como jogar à defesa. Nenhum treinador dos três grandes quer ser apanhado a perder, jogando à defesa ou sequer usando alguma ratice que possa ser confundida com isso.

 

Uma boa parte dos treinadores portugueses sofre do paradoxo mais palerma do planeta: o medo de não parecer corajoso. Portanto, se o mundo do futebol mudou (e mudou), se os Bayerns estão cada vez mais ricos (e estão) e se os portugueses estão cada vez mais longe deles, talvez a mentalidade precise de se ajustar ao novo contexto. Antes de ser bonito ou feio, destemido ou medroso, o futebol precisa de ser um bocadinho inteligente.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 02:52

Paulo Gonçalves explica quanto ?

Rui Gomes, em 07.09.18

 

Por trás do processo e-Toupeira há uma pilha de emails e comportamentos que combinam demasiado bem com ele. É feio fingir que não.

 

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1 A resposta oficial de Luís Filipe Vieira aos avanços do processo e-Toupeira tem um problema, apesar de irrelevante para a maioria benfiquista: o Benfica talvez possa desligar-se de Paulo Gonçalves, mas como é que se desliga de todos os outros emails que encaixam tão estranhamente bem neste caso? Como é que se separa as toupeiras do padrão de comportamento que ressalta daquela informação toda? Ou do PowerPoint com a receita do "domínio total", de que já ninguém se lembra? E da desproporcionalidade cada vez mais notória no espaço de opinião das televisões? Ou das próprias reacções da SAD, negando repetidamente notícias e emails que sabe serem verdadeiros, entre outras manobras mediáticas questionáveis? Paulo Gonçalves pode explicar uma parte razoável, mas não finjam que explica tanto.

 

2 O secretário de Estado do Desporto reagiu ontem à tempestade IPDJ, na SIC Notícias, e ficámos na mesma, porque ninguém quer saber se o ex-presidente Augusto Baganha é bom ou mau funcionário. Há uma lei que proíbe o apoio dos clubes a claques ilegais. Pergunta básica, sem mais nada ao barulho: por que razão é que essa lei ficou tantas vezes por cumprir nos seus nove anos de existência? A falta de uma resposta e a permanente indiferença do secretário de Estado é que denegriram o IPDJ. As acusações de Baganha, desonestas ou não, chovem no molhado.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:41

Podem e mandam

Rui Gomes, em 05.09.18

 

Antes de ser justa ou injusta, a promoção de Vítor Pataco à presidência do IPDJ é outra bofetada nos cidadãos de segunda.

  

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A anunciada promoção de Vítor Pataco à presidência do Instituto do Desporto (IPDJ), depois de demitido Augusto Baganha, navega entre a irrelevância e o descaramento. A irrelevância reside no papel do IPDJ, que vai perder a curto prazo a jurisdição sobre as claques e, com ela, as atenções sempre venenosas do futebol profissional. A pouca-vergonha leva mais tempo a explicar.

 

No momento em que, ao fim de nove anos de surdez, o Instituto castiga o Benfica por apoiar ilegalmente as suas claques (que não estão registadas, como exige a lei), o Governo tinha a obrigação mínima de abrir um inquérito para explicar aos cidadãos esta década de omissões e acusações graves. Há duas muito importantes.

 

A primeira é a existência, revelada pela Imprensa, de um relatório estatal de 95 páginas que menciona vários autos da polícia, ao longo dos anos, narrando exemplos de apoio do Benfica às claques (que o IPDJ ignorou).

 

A segunda é a acusação, nunca desmentida pelo Instituto, de que era o vice-presidente Vítor Pataco, ex-funcionário do Sport Lisboa e Benfica, o responsável pelo processo das claques benfiquistas. Pataco pode ser o mais sério, o mais preparado e o mais competente dos administradores públicos - acredito que seja -, mas chega ao cargo como prova da existência, em Portugal, de cidadãos de segunda classe.

 

Porque é o que sucede quando, tantas e tantas vezes, se deixa tão claro que as leis não são para todos. Nomear Vítor Pataco sem, pelo menos, esclarecer estes nove anos é mandar metade do país àquele sítio. E a rir dos palermas que votam, incluindo benfiquistas. É que se há imunidades para clubes, também há para partidos, para amigos, etc., etc.

 

Nota: o futebol profissional é uma incumbência microscópica do IPDJ, que é muito mais importante para todas as outras modalidades. Com o carácter certo, não falta ali o que estragar.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:20

Sporting precisa de mais golos

Rui Gomes, em 07.08.18

 

As equipas de Peseiro têm uma característica em comum: não sobrevivem marcando uma vez por jogo.

 

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Sousa Cintra fez quase tudo bem. Acho que sou o último a escrevê-lo. Escolheu um treinador português com algum passado na casa e bem informado sobre o campeonato nacional, porque era preciso parar a desagregação iniciada com as rescisões e a saída de Jorge Jesus. E resgatou Nani, que até poderá não vir a ser uma solução fenomenal no campo, mas ajuda a atenuar a perda total de referências, depois de perdidos Patrício e William.

 

Esse é o maior problema do Sporting e aquele em que são mais evidentes as distâncias para FC Porto e Benfica. As surpresas, como será forçosamente esta equipa nova, esgotam-se depressa e, para a etapa seguinte, falta também em Alvalade um fora de série ou, pelo menos, um incendiário como Gelson. Essa figura foi importante em todos os recentes campeões. O FC Porto ainda tem Brahimi e uma remota esperança em Corona, o Benfica abre uma grande interrogação com a venda de Jonas e a Peseiro resta esperar a explosão de Matheus Pereira ou Raphinha.

 

Quando se esgota a táctica, que é o futebol em fato e gravata, as equipas precisam do imprevisível ou, pelo menos, de algum recurso que os adversários tenham dificuldade em parar, mesmo sabendo o que aí vem. Marega é um exemplo disso. No caso do Sporting, esse papel é duplamente fundamental, porque as equipas de Peseiro precisam de mais golos para saldar os muitos que sofrem. FC Porto e Benfica talvez possam ganhar um campeonato na defesa; este Sporting não.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:48

Alfa e Geraldes: a Liga 2018/19

Rui Gomes, em 30.07.18

 

A luta pelo título está a ganhar potência mas a perder talento. E as manadas não se conduzem sozinhas.

 

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Alfa Semedo e Francisco Geraldes são os nomes da semana. Entre um e outro, há 13 quilos, 15 centímetros e mais um mundo inteiro de diferenças, apesar de jogarem ambos no meio-campo e até na mesma posição, com algum esforço. Se juntássemos as mais-valias deles num só jogador, acabaríamos num negócio de cento e muitos milhões de euros. Também ajudam a descodificar o último campeonato do mundo e a prever como será a I Liga esta época, em resposta ao FC Porto/Marega de 2017/18.

 

Alfa é a "surpresa" do Benfica, embora só surpreenda quem não esteve atento a este último ano; Francisco Geraldes forçou a saída do Sporting por achar que o onze estava vedado pela imponência do regressado Bruno Fernandes. O apetite de José Peseiro por Enzo Pérez (intensidade+intensidade+intensidade) descartava a hipótese (já remota) de lhe ser dada a vaga de segundo médio. Geraldes é leve e pausado num futebol esfomeado por poder físico e stress.

 

Neste momento, FC Porto, Benfica e Sporting estão mais preocupados em comparar watts de potência do que talento, e têm razão: a liga portuguesa pode (e vai) ser ganha no músculo. Mas isso não significa que se possa dispensar os Geraldes, os Otávios e os Zivkovics, tal como um carro não dispensa a caixa de velocidades, por muito poderoso que o motor seja.

 

Estou a ver os três grandes (o FC Porto nem tanto, e isso é mau) a ganharem quilos e centímetros, mas a perderem (ou na iminência de perderem) talento e a preocuparem-se pouco com isso.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:40

 

Entrevistas (alarmadas) do director de segurança do Benfica sobre o futuro cartão de adepto sugerem que a proposta acerta na mouche.

 

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A Assembleia da República vai votar uma proposta de lei que cria, nos estádios, zonas exclusivas para as claques da casa e às quais só têm acesso membros registados e munidos de um novo cartão de adepto, facultado pela futura Alta Autoridade para o Combate à Violência no Desporto. Fora desses espaços não haverá bombos, megafones, nem a habitual parafernália, por força de lei. Ou seja, acaba-se, especificamente, o festival do Benfica, cujas claques não são registadas, mas mantêm todos os privilégios das claques legais, a par do pior cadastro nacional.

 

A esta notícia, o Benfica reagiu a jacto com duas entrevistas alarmadas do seu director de segurança, contestando a proposta com base nesta cândida ideia: as claques da Luz não vão aceitar legalizar-se, porque entendem que os seus membros já são sócios do clube e que isso é registo suficiente. E como não aceitam, obrigadinho pela intenção, mas guardem lá isso. Para quê mudar e afrontar estes cavalheiros, se o Benfica até os controla, à parte um ou outro homicídio? O cartão do adepto, ideia do presidente da Federação, não é um beliscão ao Benfica; o Benfica é que tem sido um beliscão à lei da segurança.

 

Com este registo, autónomo dos clubes (supomos nós, porque o Instituto do Desporto também era), passa a ser teoricamente possível limpar as bancadas de quem não tem maneiras, seja nos estádios, seja fora deles. E isso, a funcionar bem, será verdade para Benfica, FC Porto, Sporting e por aí adiante. O único argumento contrário que qualquer deles pode apresentar é a lista dos sócios que baniram a seguir a cada caso de mau comportamento nos últimos dez anos. Por lapso, com certeza, não há referência a nada parecido com isso nas duas entrevistas do preocupado director de segurança do Benfica.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:16

O próximo amador

Rui Gomes, em 14.07.18

 

A escolha do novo presidente do Sporting tem de ser assim, como se gerir um clube de Champions ou um rancho folclórico fosse igual.

 

Os presidentes de clube à portuguesa têm, em geral, um defeito inultrapassável: o dinheiro não é deles. São eleitos pelas hormonas saltitantes dos sócios. Vêm dos gabinetes, dos estaleiros de obras, dos bancos, das fábricas de pneus e quase nunca do futebol, embora só isso garanta pouco.

 

Quando chegam, mudam funcionamentos e pessoas, trocando-as por outras que caem lá de paraquedas. Com alguma competência ou sorte à mistura, ficarão o suficiente para aprenderem qualquer coisa e reunirem uns quantos profissionais, ou semiprofissionais, que o presidente seguinte dispensará, para recomeçar tudo do princípio, às vezes do zero absoluto.

 

Normalmente, nem sequer há a preocupação de buscar o melhor cérebro possível para o futebol, com anos de experiência, contactos, conhecimento do mercado e trabalho feito. Procura-se um ex-jogador que impressione os adeptos - e quando calha de ser um ex-jogador que já fez de director, ninguém pergunta se foi um desastre na tarefa.

 

É mesmo assim que o futebol funciona, em Portugal, para lá do balneário. Os microciclos, a periodização táctica, os índices lesionais, o ácido láctico e as subtilezas do tiki-taka encontram correspondência no improviso e nos palpites dos gabinetes.

 

A administração de clubes, em Portugal, é apenas uma administração de condomínio a uma escala maior, como se o futebol de alta competição não fosse específico e complicado de gerir. O operador de empilhadora do 2.º esquerdo ou o banqueiro do 8.º direito servem perfeitamente.

 

E o terrível é que as eleições têm mesmo de ser como esta do Sporting: a democracia é o pior dos sistemas, tirando todos os outros. Mas do outro lado continuarão Pinto da Costa, Luís Filipe Vieira, António Salvador e até Júlio Mendes, com épocas e épocas e épocas de avanço.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:00

Insolventes

Rui Gomes, em 30.06.18

 

Os advogados "peritos" estão em débito com o futebol, mas agem sempre como se fosse ao contrário.

 

O Sporting desconfia da Comissão Arbitral Paritária, um órgão da Liga que hoje serve, exclusivamente, para carimbar os pedidos de rescisão, incluindo dos nove jogadores que debandaram de Alvalade. A CAP até não poderá fazer grande mal ao Sporting, mas a desconfiança tem razão de ser.

 

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Há pouco mais de um ano, um dos seus elementos teve de se demitir por ser pateticamente fanático por um determinado clube grande e a substituta trabalha no gabinete de advogados que representa, em nome do sindicato, alguns dos jogadores que rescindiram. O elemento que sobra é comentador crónico de direito do desporto num vasto número de títulos da Imprensa e teceu dezenas de sentenças sobre a vida do Sporting nos últimos meses, para além de ser conotado com o mesmo determinado clube, cujas posições costuma partilhar quase à sílaba.

 

Esta é a parte muda dos bastidores do futebol que não se cura com banhos de silêncio e harmonia. O "perito" em direito do desporto de hoje, mais perito ainda em escalada social, é o presidente do Conselho de Disciplina de amanhã, ou estará pelo menos entre os vogais; fará parte do lote de juízes do Tribunal Arbitral e, com bons ventos, até chegará a secretário de Estado ou presidente da Câmara de Sintra.

 

A camada adiposa formada por este tipo de advogados que se entranha no futebol - os "peritos" - foi responsável por múltiplas agressões à modalidade, neste século, que provocaram estragos tão grandes ou maiores do que o Apito Dourado, o caso Pereira Cristóvão, os emails e o Cashball todos juntos. Não são opiniões: são decisões transitadas em julgado que o dizem. Os juristas estão em débito com o futebol. Têm de provar que merecem alguma confiança das pessoas, em vez de continuarem a portar-se mal e a promoverem mil tipos de promiscuidades diferentes, às vezes com um descaramento inconcebível.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:19

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