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Como a DGS cria o caos na Liga

Rui Gomes, em 17.09.20

DGS fala em adiar jogos, mas o plano do futebol profissional fala em jogar desde que haja sete inscritos para pôr em campo. Em que ficamos?

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A Direcção Geral de Saúde tem em mente adiar jogos e não parar o campeonato. Dito assim, soa simpático. Se lermos antes o protocolo da Liga, nem tanto. Como o calendário está esganado, o que se contemplou não foram adiamentos: o Covid-19 é equiparado a uma gastroenterite; quem está infectado não joga e por aí adiante até haver menos de sete jogadores para pôr em campo, conforme estipula a Lei 3. Mas a DGS, e as delegações regionais, não só parecem pensar de outra maneira como podem ter direito a impô-lo.

Isto significa, imaginemos, que uma equipa com três baixas importantes por Covid-19 é obrigada a jogar e que outra, com 15, pode ser beneficiada com um adiamento, se a DGS entender. Ainda pode insinuar-se nesta dança um terceiro factor, que são os adiamentos por mútuo acordo.

Excerto da crónica de José Manuel Ribeiro, Director O Jogo

ADENDA

O jogo de sábado entre Sporting e Gil Vicente, da primeira jornada da Liga NOS, está em sério risco de realização e poderá ser adiado a qualquer momento. Nesta fase, prosseguem as conversações entre Liga, Direção-Geral da Saúde e ambos os clubes e a qualquer instante poderá ser anunciado o adiamento da partida.

O delegado de saúde de Barcelos estará a dificultar a saída da equipa gilista rumo a Lisboa, cidade do encontro referente à 1.ª jornada do campeonato. Nesta fase, o Sporting não tem ainda qualquer confirmação oficial do adiamento do jogo.

ADENDA #2

O Sporting-Gil Vicente está oficialmente adiado. Administração Regional de Saúde do Norte (ARS) entende que não estão reunidas as condições para a realização do jogo:

"Na sequência da informação que nos foi facultada e da avaliação de risco face aos resultados que foram obtidos em teste de pesquisa de SARS-CoV-2, no cumprimento das competências atribuídas às Autoridades de Saúde, foi decidido pelas Autoridades de Saúde tanto a nível nacional, como regional e local, não estarem reunidas as condições necessárias para a realização do jogo do dia 19/09/2020".

Fica-se a reflectir como é que a delegação de Saúde do Norte tem jurisdição para decidir sobre um jogo que estava agendado para ser realizado em Lisboa. O primeiro adiamento - o primeiro de muitos, porventura - que eventualmente poderá por em risco o campeonato desta época.

publicado às 19:26

Liga das vaidades

Rui Gomes, em 02.05.20

Num só dia, os três grandes vão a São Bento mostrar que a Liga pode ter juízo. Nos seguintes, os colegas fazem tudo para os desmentir.

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Os presidentes de FC Porto, Benfica e Sporting não foram a São Bento por gerirem os maiores clubes, nem por serem os mais mediáticos da I Liga ou os mais privilegiados. Foram a São Bento porque FC Porto, Benfica e Sporting são os maiores focos de instabilidade e conflitos. Porque são eles, sistematicamente, a melhor das desculpas que o nosso Governo pode arranjar para se descartar do futebol.

Faria alguma diferença para o Primeiro-ministro António Costa, e para o país, que Carlos Pereira (Marítimo), Gilberto Coimbra (Tondela) e Wei Zhao (Aves) se lhe apresentassem no gabinete em apaixonada ménage a trois? Seria essa a garantia de que o futebol está pronto a cooperar como vai ser preciso?

Ou, vendo o problema do outro lado, haverá melhor oportunidade do que este momento de fraqueza para começar a impor a FC Porto, Benfica e Sporting responsabilidade e melhores comportamentos em troca da ajuda de que o futebol vai precisar? O futebol todo, Marítimo, Tondela e Aves incluídos.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 05:04

O futebol é a Europa

Rui Gomes, em 22.04.20

Russos, americanos, chineses e árabes, entre outros, vão rapinando o maior chamariz europeu no planeta.

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O desporto vale 2,12% do PIB da União Europeia e a competição gera 1,7 milhões de empregos. Para pôr esses números em real perspectiva: a indústria automóvel vale cerca de 7% do PIB e abarca 14 milhões de empregos.

São números respeitáveis que explicam a preocupação de uma União Europeia normalmente desinteressada desse tema tão mundano.

De Bruxelas chegam sinais de que o desporto entrou no campo de visão dos governantes europeus e isso é fácil de explicar. Só em receitas relacionadas com eventos desportivos, transmissões e bilheteiras, são cerca de 50 mil milhões de euros anuais, dos quais 28,4 respeitantes a uma modalidade muito particular.

Para a Europa, o futebol não são apenas receitas e empregos. O futebol é uma das áreas em que os europeus são líderes incontestados do mercado. Para grande parte do mundo, a Europa é o futebol ou o futebol é a lente pela qual veem a Europa.

Da guerra entre as grandes potências económicas, em que a UE aparece sempre como o parceiro menos agressivo, não sobra muito mais, e mesmo o "futebol europeu" vai sendo repartido aos poucos por (calculem) russos, americanos, árabes e chineses, com certeza por ser irrelevante no tabuleiro planetário, enquanto em Genebra os burocratas preferem nem tomar conhecimento, entretidos a ser robôs ideológicos.

Mas por mais que os repugne, não há como separar a Europa do futebol, embora ele tenha crescido selvagem, sem pai nem mãe em Bruxelas, sem aprender boas maneiras, sem ser cuidado, nem potenciado, nem desparasitado, nem gerido, ao contrário do que as outras grandes potências fazem com as suas maiores mais-valias. E estamos a falar de uma União Europeia que se entretém a medir maçãs com uma régua.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 03:34

Juiz benfiquista ou juiz sem juízo

Rui Gomes, em 19.04.20

Pescar juízes sem clube é complicado, mas deve haver um ou dois com o discernimento de não se meterem no Facebook.

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No caso e-Toupeira, o Tribunal da Relação atacou a competência do Ministério Público para justificar a decisão de não levar a Benfica SAD a julgamento e com aparente razão: o Ministério Público desistiu de interrogar o presidente benfiquista num tema em que isso era mais do que imprescindível, abrindo caminho ao que sucederia depois, isto é, a falta de fundamentação para acusar a SAD.

Até o primeiro-ministro teve de estrebuchar no caso Tancos para prestar depoimento por escrito, mas Vieira diz que está com amnésia e a Justiça portuguesa, que pode mandar a polícia buscá-lo a casa, embarca nisso? Tal como fizeram o país, a Imprensa, os outros juízes, o Conselho da Magistratura?

A partir desse momento, a dúvida por serenar na cabeça das pessoas está justificada. Mas um juiz benfiquista não põe os processos mais em causa do que um juiz portista ou um juiz sportinguista. Seria uma canseira procurar juízes asséticos, sem clube, sem religião e, já agora, assexuados. O problema do juiz Paulo Registo não é ser benfiquista; é não ter o juízo - importante, sendo juiz - para não fazer "likes" no Facebook em coisas que poderá ter de vir a julgar.

Um juiz benfiquista com juízo é diferente de um juiz benfiquista sem juízo. Diria mesmo que juiz com Facebook é diferente de um juiz sem Facebook, não por eles terem menos direitos individuais do que qualquer cidadão comum, mas por levantar dúvidas sobre o discernimento. Os juízes não podem ser levianos em público, nem, remetendo para um caso anterior, "fanáticos" de coisa alguma que não seja a Justiça.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 03:33

Os calotes ainda vão no adro

Rui Gomes, em 18.04.20

O Sporting foi só o primeiro... Será impossível à FIFA manter a inflexibilidade actual quando começarem a chover as queixas.

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Francisco Salgado Zenha, administrador financeiro do Sporting CP, desvaloriza a notícia do pagamento em falta da primeira prestação de Rúben Amorim ao SC Braga. Desvalorizar a notícia não faz sentido. Se o Sporting não queria dar tanto nas vistas, não deveria ter negociado um treinador-proveta por 10 milhões de euros e ainda por cima com um concorrente directo. Mas o argumento é lógico. As circunstâncias mudaram.

Em muito pouco tempo, o dinheiro não chegará para tudo e a FIFA ficará assoberbada por queixas de pagamentos por fazer a clubes, jogadores e treinadores (com regulamentos que castigam esse tipo de dívidas a sério). Todos os clubes, incluindo o Sporting, têm dinheiro a receber de vendas passadas, de patrocinadores ou de outro tipo de clientes, e todos eles também dependem de determinadas datas.

Como diz Salgado Zenha, Julho e Agosto são meses importantes para a venda de bilhetes de época, que significaram 2,8 milhões de euros em 2019/20, e nessa altura também devia entrar em caixa a primeira das dez prestações dos contratos televisivos, sem sequer falar nas eventuais receitas do defeso. A International Champions Cup, que o Benfica costuma jogar nos Estados Unidos (e que já foi cancelada), rendeu em 2019 cerca de três milhões de euros.

As expectativas do SC Braga talvez estejam ainda por adaptar ao planeta da dívida em que vamos viver, mas é difícil que continuem assim por muito tempo. Se António Salvador tivesse de facto que pagar nove milhões de euros por Abel Ruiz ao Barcelona (em vez de descontar na venda de Francisco Trincão) ou 3,5 milhões ao FC Porto por Galeno (em vez de descontar em Loum) teria essa possibilidade? Fica aqui uma previsão: "moratória" vai ser a palavra mais usada no próximo ano e meio. E não vale discriminar devedores.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 04:17

O vírus da mudança não é este

Rui Gomes, em 13.04.20

A pandemia não gerou, até ao momento, nenhuma acção inédita, nem surpreendente, nem revolucionária.

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A Selecção Nacional de futebol doou há dias metade do prémio de qualificação para o Euro'2020 ao fundo de apoio aos "amadores" da FPF. Ronaldo e Mendes compraram ventiladores. Multimilionários americanos financiaram pesquisas de uma vacina. Ficámos agora a apreciar os enfermeiros e médicos (não tanto, se calhar, o imigrante que nos traz comida a casa a dois ou três euros de custo que terá de partilhar com uma multinacional). A FIFA diz que o futebol tem de dar um passo atrás. O jornal Financial Times reflecte, em editorial, sobre as fraquezas do capitalismo e a necessidade de procurar novos caminhos.

Centenas de figuras públicas escrevem e dizem todos os dias coisas sensatas, mesmo sobre a inflação demencial no futebol de elite. Outros fazem contas e garantem-nos que nunca mais haverá transferências como aquelas de Neymar ou João Félix, até conseguem dizer ao cêntimo, usando uma ciência obscura qualquer, quanto vale agora cada jogador. No jornal Público, o filósofo José Gil tira a conclusão obrigatória deste contexto... o vírus não mudou nada de significativo.

O gesto da Selecção de nós todos não me surpreende, Cristiano Ronaldo e Jorge Mendes já tinham feito acções do género, os multimilionários americanos têm por hábito financiar sempre pesquisas, por uma questão de marketing, e o facto de simpatizarmos mais agora com o pessoal clínico não nos fará valorizar mais amanhã os professores e muito menos ainda mudarmos de opinião sobre os funcionários públicos. A FIFA fala em passos atrás e à frente desde que o FBI lhe caiu em cima. O "Financial Times" é um farol do capitalismo, mas sempre fez jornalismo decente e as figuras públicas que dizem coisas sensatas já as diziam em 2008, 2011, etc.

Aos poucos descobriremos, sem doutoramento em bioquímica nem surpresa, que o vírus não deixa boas sequelas.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

Nota: Uma visão muito cínica de José Manuel Ribeiro em que todas as acções em prol do combate à pandemia em curso, indiferente da razão de ser, são vistas com elevado grau de descrença. Porquê... o Mundo estaria melhor sem elas?

O facto destas acções não serem "inéditas", "surpreendentes" ou "revolucionárias" - se de facto assim são - nega o benefício das mesmas?

publicado às 16:30

Das obscenidades

Rui Gomes, em 08.04.20

Obsceno é o número de clubes que precisam mesmo de ajuda em tão pouco tempo.

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É claro que toda a gente acha obscenas as cifras do futebol, mas temos verdadeira noção? Vou citar algumas... A receita conjunta das dez maiores ligas da Europa chegou, em 2018/19, aos 18 mil e 300 milhões de euros. Repartido esse valor pelos 182 clubes desses campeonatos, ficamos com um parcela de 100 milhões de euros para cada um, ou seja, teríamos 182 clubes com orçamentos semelhantes aos de Benfica e FC Porto. Respeitando o fair play financeiro da UEFA, afectamos 70% desse valor (70 milhões) para salários, dividimos por um plantel de 25 e sobra-nos um vencimento anual bruto de 2,8 milhões de euros para cada um dos 4550 jogadores.

O futebol europeu está submerso em dinheiro. Se pensarmos que a maior parte dele se concentra em cerca de 10% daqueles 182 clubes, a obscenidade ainda consegue crescer, mas nada nos prepara para a maior de todas: apenas uma mão-cheia daquelas quase duas centenas de empresas não está, neste momento, em pré-falência, sem meios para garantir mais do que dois meses de hibernação, e talvez eu esteja a exagerar quando falo em dois meses. O futebol não é uma máquina de fazer dinheiro; é uma máquina optimizada para garantir que não fica lá um cêntimo.

O presidente do Sindicato dos Jogadores acerta quando ataca a moralidade do bicho, mas não quando dá a entender que os clubes só têm uma dorzita de barriga. Não, estão mesmo nas últimas e alguns precisam mesmo de ajudas do Estado, por culpa deles, primeiro, por culpa da UEFA, por culpa da União Europeia e também muito por culpa das organizações sindicais de jogadores que combatem tectos salariais, que ajudaram a desregular o futebol na UE chegando a exigir o fim das janelas de transferências, para que o negócio durasse o ano inteiro. Não há santos aqui. Mas há falidos, sem dúvida nenhuma, e às mãos-cheias.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 11:30

Se a ruína dos clubes fosse irrelevante para as operadoras de televisão, estaria mesmo tudo perdido. Ou maluco...

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As operadoras de televisão pagam vagões de dinheiro pelo futebol porque, calculem, ele interessa-lhes. Por muito que tentem negá-lo no fogo cruzado de notícias e comunicados, feito de simulações e bluffs, há uma simbiose entre MEO, NOS, Sport TV, etc., e os clubes. O destino da bola não lhes é indiferente, como também não lhes deve ser indiferente a realidade de que, para os clubes, será muito difícil financiarem-se nos próximos tempos.

Quer isto dizer que devem ser elas então a suportar os clubes durante a depressão do vírus, pagando por jogos que não existem? Talvez não, mas, se calhar, convém-lhes participar na solução, sob pena de haver mesmo jogos (não agora, mas dentro de uns meses largos) que as pessoas só quererão ver de graça ou a preços muito baixos - e que elas terão de pagar na mesma, respeitando os contratos que pretendem fazer valer agora.

Ninguém melhor do que as operadoras sabe como são muito poucos e disputadíssimos os "conteúdos" valiosos, nem como é ameaçadora, para elas, a onda dos chamados serviços de "streaming", Netflix, Amazon Prime, HBO, Disney, etc.

Quem disse que precisaremos de operadoras no futuro? E, neste exacto momento, o que têm elas que essas novas plataformas não ofereçam mais barato? Assim na ponta da língua, talvez o futebol (por enquanto), mesmo combalido e incerto. Como as operadoras, que não são geridas por gente distraída, também não levo demasiado a sério o regresso do campeonato em Junho.

Não estamos fechados numa qualquer caixa, a pandemia espalha-se a tempos diferentes pelo planeta e, enquanto durar lá fora, durará aqui, mas acaba por ser irrelevante. As coisas estão tão complexas que, em tantos e tantos casos, será difícil perceber se estamos a ajudar o outro ou se, fazendo isso, estamos a salvar-nos a nós próprios.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 05:02

Os hunos por trás dos Átilas

Rui Gomes, em 31.03.20

Quem acha que os obstáculos ao bom senso são quatro ou cinco presidentes idiotas não fez as contas como devia.

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A imagem do presidente da Bielorrússia, de capacete de hóquei no gelo, stique e ombreiras, com a legenda "Mais vale morrer em pé do que viver de joelhos" (falava sobre o vírus), podia muito bem ser a capa de uma biografia de Átila, o huno. A filosofia é a mesma, a 1500 anos de distância. Lukashenko, Trump, Bolsonaro ou o ministro das Finanças holandês (neerlandês), que considera os povos do Sul preguiçosos e pedintes, são todos o vilão ideal, cada um no seu grau de sacanice e estupidez patentes. Mas sozinhos valem zero, por muito geniais que sejam no Twitter ou no WhatsApp. São 0,1 por cento do problema.

Se o Partido Republicano não suportasse as canalhices de Trump, no senado americano, ele teria caído há muito. Bastaria até que alguns senadores não se esforçassem tanto por aguentar o vómito. Se grandes instituições, como as inexplicavelmente toleradas igrejas evangélicas, não tivessem interferido,  Jair Bolsonaro não seria presidente do Brasil e, sem Putin nos bastidores, Lukashenko teria sofrido bem mais dificuldades na Bielorrússia. O neoliberal Wopke Hoekstra também faz parte de um exército organizado, não é um idiota solitário, nem tem um pensamento assim tão distante de alguns ex-primeiros-ministros portugueses.

Donald Trump e Bolsonaro podem ser uma mera moda passageira e Hoekstra apenas um arrogante particularmente descarado, mas quem os promove ou, podendo fazê-lo, abdica de os eliminar leva décadas de enraizamento, de amizades e de confrades que não têm nada de ignorantes nem de burgessos. O bom senso está em grande desvantagem e tem um longo historial de ingenuidade e inércia no cadastro.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 05:03

Podemos tentar ensinar alguém a ser Ronaldo, mas nada em Messi é "conhecimento" transmissível ao próximo.

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O tédio do isolamento social descambou em tiro ao Ronaldo. Porque está na piscina, porque ostentou (e ostentou?) as ajudas aos hospitais portugueses e porque há um fulano chamado Hristo Stoichkov a quem chegou a vez de se meter no drama existencial entre Cristiano e Messi. Defender Ronaldo, que é crescidinho em todos os sentidos, soa-me sempre a patrioteirismo, mas não me importo de entrar nesse barco para defender, antes dele, a racionalidade.

Para um ex-presidente da Juventus, aparenta ser lamentável que ele cumpra a quarentena na Madeira, apanhando sol numa "megapiscina". As delícias do teletrabalho nem sempre convencem: para alguém tantos meios e uma obsessão tão grande, qual é a diferença entre isolar-se em Turim ou no Funchal? Já as ofertas de dinheiro e equipamentos aos hospitais levam a um debate estafado que confunde os óbvios benefícios com juízos de intenções.

Gosto muito do comedimento e ficaria um milhão de vezes mais bem impressionado se descobrisse que Cristiano Ronaldo anda há dez anos a servir à mesa na sopa dos pobres sem ninguém saber. Mas saber-se também tem valor, ou alguém duvida de que esta chuva de contribuições dos futebolistas e treinadores estão ligadas umas às outras?

Por último, o disparate de Stoichkov, búlgaro que fez história no Barcelona e que exclui entrevistar Cristiano Cristiano porque o que quer são "ensinamentos" e "conhecimento". Erro crasso. Se há uma vantagem evidente, chamemos-lhe assim, de Ronaldo para Messi ela está precisamente na ciência. Ronaldo tem uma vida de afinações, métodos e flexões abdominais para ensinar a quem for inteligente; o que mora dentro de Lionel Messi nem se ensina, nem se aprende.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 03:18

O Governo acha que o futebol NÃO é uma actividade económica e que a Imprensa é SÓ uma actividade económica.

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Têm os dois razão: o primeiro-ministro está certo quando diz que o futebol "não é uma prioridade" e o presidente da Liga também, quando exige a António Costa que trate o futebol do mesmo modo como trata o turismo, a indústria ou a distribuição. Ignorar os problemas do futebol, como ignorar os problemas - se me permitem - da Imprensa não é administrar o país; é administrar a imagem do Governo.

Faz parte do calculismo político perceber como é que os eleitores vão entender as medidas, mas é por de mais incompetência e cobardia (no mínimo) não as tomar apesar disso, se elas contribuírem para o bem comum. O futebol é prioridade? Claro que não, mas salvar bancos à custa da depauperação do sistema de saúde também é uma escolha (boa ou má) que põe centenas ou milhares de vidas em risco. Fora o show off mediático, o futebol é receita fiscal e postos de trabalho que ficam tão ou mais comprometidas do que quaisquer outras actividades económicas similares.

Sem o preconceito do político carreirista, o futebol só devia poder ser visto com esta crueza a partir de São Bento. A Imprensa é diferente. O fecho dos quiosques, que o Governo manda agora reabrir por decreto, foi um golpe duro que ameaça tirar do nosso controlo a gestão da trajectória de crise, numa permanente nuvem de asteróides. A ameaça não é para a Imprensa, nem para os jornalistas: é para os cidadãos e para a democracia, e já dura há uma década sem reacção dos governos nacional ou europeu. E tem graça. A mesma política que teima em não ver que o futebol é uma actividade económica, também se recusa a perceber que a Imprensa é muito mais importante do que isso. Mesmo quando um vírus lhe faz pousar essa realidade na única coisa que vê diante dos olhos: a ponta do nariz.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 03:02

Uma praga de juízes marcianos

"Decisões a favor do Benfica (e do FC Porto) confirmam que alguns tribunais são extraterres

Rui Gomes, em 15.11.19

Duas decisões dos tribunais deram o mote para mais uma campanha que roça as "fake news", ou notícias falsas, no nosso humilde português.

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Um tribunal administrativo e um outro tribunal criminal absolveram o Benfica de uma multa por mau comportamento dos adeptos (incluindo agressões à polícia) e ainda de um jogo de interdição por apoio ilegal às claques.

Se fossem decisões definitivas, as duas sentenças significariam o fim da disciplina desportiva como nós a conhecemos, a desresponsabilização total dos clubes, a implosão da FIFA e da UEFA e talvez a ilegalidade da nova lei contra a violência no desporto. Só.

Mas não são decisões definitivas, nem para lá caminham, e parece-me, a mim e a muita gente, que contrariam acórdãos do Supremo Tribunal Administrativo e daquela instância irrelevante chamada Tribunal Constitucional. Sabemos isso, e está bem fresco, porque o FC Porto tem ganho vários processos iguais a estes do Benfica apenas para os perder na instância seguinte, com alguma lógica.

O que estes tribunais estão a fazer é demolir, com uma infantilidade aterradora, as bases da disciplina desportiva, universalmente consensuais. E nem se explica com clubismo, porque, antes de fazerem a vermelho, já tinham feito várias vezes a azul.

Fica uma pergunta para eles. Se assim não pode ser, como é que se faz?

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Nota: João Paulo Rebelo, secretário de Estado da Juventude e do Desporto garantiu esta quinta-feira que a entrada em vigor da lei de combate à violência no desporto evitará situações como a que levou à recém-anulação do castigo imposto ao Benfica:

"Na próxima época desportiva haverá muito, mas muito mais, qualificação de alguns temas que recorrentemente são falados no nosso país e, portanto, haverá punição directa indiscutível, e inapelável de alguns comportamentos, nomeadamente, no que se refere aos grupos organizados e interferências de outras instâncias".

(A lei 39/2009, que estabelece o regime jurídico da segurança e combate ao racismo, à xenofobia e à intolerância nos espectáculos desportivos, foi aprovada na anterior legislatura, mas algumas alterações só entrarão em vigor na próxima época desportiva).

publicado às 02:48

A cabeça de Varandas é prémio por Alcochete?

É do que o Sporting precisa. De dar a cabeça do presidente numa bandeja de prata aos heróis da Juve

Rui Gomes, em 23.10.19

Sim, do que o Sporting precisa mesmo é de uma claque que assalte o próprio guarda-redes com uma chuva de tochas, invada o centro de treinos do clube, agrida jogadores, responda às consequências normais desse acto com uma longa campanha contra o novo presidente e, no fim de tudo isso, saia em ombros por conseguir correr com ele.

É o novo conceito de estabilidade: uma direcção eleita escorraçada por uma claque da qual os associados sabem pouco ou nada, tirando que o líder é um criminoso cadastrado, sob detenção e já acusado de mais dois crimes, incluindo um de assalto a residências. Podemos fingir que isto tem a ver com más contratações e bolas que não entram, e isso até dá jeito à oposição, mas quem derruba um presidente fica mais perto de derrubar o seguinte.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 03:04

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Os clubes ainda mandam qualquer coisa, é a primeira ilação a tirar da exportação falhada do craque Bruno Fernandes para Inglaterra. Frederico Varandas não se deixou constranger pelas necessidades de tesouraria, o que demonstra personalidade, mas o preço pode ainda ser demasiado alto. Tudo depende do cálculo que foi feito em Alvalade.

As probabilidades de conquistar o título são suficientes para justificar o esforço de segurar Bruno Fernandes, ainda por cima com salário reforçado? Se não forem, os próximos nove meses vão parir um quadro negro, de altos custos acumulados e receitas rarefeitas.

A outra grande dúvida será o próprio Bruno, tão excepcional em 2018/19 que ninguém de bom senso deve tomar por certa uma produção semelhante esta época. Bruno será o pior inimigo de Bruno, depois de João Félix ter sido o pior inimigo do Sporting (e de Bruno também).

Sem os 120 milhões de euros, o número de referência seriam os 50 milhões da venda de Militão pelo FC Porto. O Sporting teria transferido o seu maestro por uma soma recorde, amorteceria as contas e descartar-se-ia do título com uma boa desculpa. Félix (ou Jorge Mendes) virou o mundo sportinguista do avesso, apenas pela habitual hipervalorização das aparências versus bom senso.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 04:03

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 25.06.19

Das condutas questionáveis que o Benfica possa ter, oferecer "quantias astronómicas e pornográficas a jogadores de 12 e 13 anos" é das mais legítimas, por muito que isso perturbe o trabalho dos outros clubes.

A acusação é feita pelo coordenador da formação do FC Porto, em entrevista a O JOGO, mas bate um pouco no poste, porque competir não vai contra as regras, mesmo que essa competição se faça em cantante.

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Haverá uma questão do foro filosófico por trás em que, eventualmente, a FPF poderia intervir, com medidas que adiassem a idade de entrada dos miúdos no mercantilismo, mas a pressão financeira que o FC Porto sofre do Benfica não é muito diferente da pressão que o Paços de Ferreira ou o Gondomar sofrem do FC Porto.

Ou da que o próprio Benfica sofreu durante anos do FC Porto e que o obrigou a evoluir também no bom sentido (não foi só no mau), quer desenvolvendo o conceito de empresa, quer pelo método mais tradicional de ganhar os favores de Jorge Mendes. O FC Porto está apenas a dar respostas antigas a um problema novo e muito maior, que nem sequer foi suficientemente reconhecido nos corredores do Dragão.

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo, um artigo intitulado "Pornográfico, mas dentro das regras".

publicado às 03:31

Do "calciocaos" ao "Portugalcaos"

Rui Gomes, em 17.11.18

 

Este sábado é um bom dia para pensar na Itália e nos efeitos colaterais da moralidade flexível.

 

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No século XXI, Portugal está muito mais próximo do futebol italiano do que a natureza determinaria. Jogou quase o mesmo número de finais internacionais, entre clubes e selecção; ganhou mais na formação; tem cinco taças internacionais para contrapor às sete de Itália (calma, eu sei que Ligas dos Campeões e Mundiais não são taças UEFA e Europeus) e, sobretudo, apresenta dois jogadores distinguidos como melhores do mundo contra apenas um italiano.

 

Esta proximidade é quase uma goleada portuguesa e talvez só possa existir porque, em tempos, houve uma condição climatérica chamada "Calciocaos" que derrubou e paralisou os principais clubes de Itália durante vários anos. O AC Milan, imperador da Europa nos anos 90, nunca recuperou. Fui acompanhando o processo, naquela altura, e acredito que nada daquilo era mais sujo do que o actual contexto português, dos casos investigados à manipulação noticiosa, passando pela opinião instrumentalizada de que ninguém parece envergonhar-se.

 

As graves consequências da má conduta italiana podem ter definido a geografia do futebol europeu, porque aconteceram quando o "calcio" procurava ainda resistir à ultrapassagem da Premier League no campeonato das ligas milionárias. Todos pagaram bem caro, uns pelo crime e os outros pela indulgência. Este sábado, data de um insólito Itália-Portugal de posições trocadas, é um bom dia para se pensar nisto, vá lá, trinta segundos.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

publicado às 15:40

 

O Itália-Portugal ou Bruno de Carvalho e o e-Toupeira? Qual é o futebol que importa mostrar esta semana?

 

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Os jornalistas não são notícia (e, às vezes, as notícias também não), mas é notícia quando alguém se queixa dos jornalistas por se ocuparem demasiado do processo-crime em curso contra um ex-presidente de clube acusado de ordenar um ataque à sua própria equipa, ou de outro em que uma SAD é acusada de acesso indevido ao sistema informático da Justiça.

 

Dizem-nos que os cidadãos querem futebol futebol e que está aí à porta um jogo muito importante da Selecção, enquanto nós passamos os dias no tribunal, à cata de uma partícula de migalha de notícia. "O futebol não é aquilo". Acontece que o futebol é mesmo aquilo e que, se não estivéssemos nos tribunais e se os tribunais não estivessem nas nossas primeiras páginas, estaríamos a mentir às pessoas sobre o que o futebol é, neste momento.

 

O Itália-Portugal vai jogar-se na mesma e terá o seu espaço; com alguma sorte, a equipa continuará a divertir-se sem Ronaldo e dará ao Norte o prazer descentralizado de receber a fase final da Liga das Nações. É importante, mas podemos sobreviver sem isso (até o Norte, que só recebe a prova porque o aeroporto de Lisboa está em implosão). E, para ser correcto, também podemos sobreviver sem meter pelos olhos das pessoas dentro a fauna miserável que infecta o futebol. Já andamos assim há décadas e podemos andar outras tantas.

 

Para efeitos literários, até podia escrever agora que não haverá outras finais da Liga das Nações se continuarmos nestas companhias impróprias, mas até nem acredito nisso. O banditismo e a canalhice nunca foram obstáculos. Podemos ter um magnífico futebol canalha, eventualmente até o melhor futebol canalha do mundo, se nos aplicarmos. Basta tirarmos os jornalistas dos tribunais.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

publicado às 03:33

 

Um megapatrocinador da Liga dos Campeões fez gato e sapato do fair-play financeiro para ficar com uma vaga portuguesa. Qual é a surpresa?

 

19668301_GZJst.jpgO regulamento do fair-play financeiro da UEFA foi uma fraude logo na sua concepção. As penas regulamentadas são vagas e arbitrárias e a liberdade de acção para quem castiga é demasiada. Na prática, serviu para sanear os clubes europeus de segunda linha, numa altura em que essa disciplina económica dava muito jeito aos bancos atolados em crédito malparado.

 

Os ricos, viesse de onde viesse a riqueza, só eram um problema entre eles: os aristocratas como Barcelona, Real Madrid ou Bayern, não queriam a concorrência do dinheiro árabe e russo. Que o dinheiro russo, despejado impunemente nos clubes russos à revelia das regras vigentes, distorcesse a competição com Portugal ou Holanda já não incomodava ninguém, pelo contrário.

 

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A empresa Gazprom, que está por trás da maioria dos falsos patrocínios aos clubes Zenit, Lokomotiv e Dínamo, também patrocina a Liga dos Campeões, a prova para fora da qual este estratagema conseguiu empurrar uma equipa portuguesa em benefício de uma russa. Os documentos que a "Football Leaks" revela, e dos quais hoje damos conta, só atestam o óbvio.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

publicado às 04:03

 

Sem Cintra por perto, todas as culpas eram dele e não faltava vontade de lhas apontar. Varandas chegou-se à frente.

 

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O Sporting está numa sucessão de cenários exóticos desde maio. E ter uma equipa e um treinador escolhidos, no meio do caos, por uma comissão transitória não era o mais trivial desses cenários. Ainda assim, a maior das provas de coragem que José Peseiro deu, quando aceitou o convite de Sousa Cintra, foi saber (tinha de saber, por amor da santa) como os adeptos reagiriam à aura que trazia do FC Porto, Braga, V. Guimarães e talvez até da primeira passagem por Alvalade. Somava-se a esse problema, que não era pequeno, o estatuto público de pneu sobressalente, para durar só até chegar à oficina.

 

Depois, veio a inconcebível entrevista de Cintra, cheia de recados e censuras ao treinador que ele tinha contratado, para o caso de haver adeptos distraídos que ainda dessem a Peseiro o benefício da dúvida. O despedimento acaba por ser meio golpe de misericórdia, meio operação de limpeza a uma casa atravancada e torta. Os sportinguistas já não iam a tempo de se apaixonarem pelo treinador e o presidente, pelos vistos, também nunca sofreu desse apetite. Para quê prolongar o desconforto de toda a gente?

 

Frederico Varandas, que não chegou a tempo de contratar ninguém, tem algum direito a começar a presidência dele e é mais justo fazê-lo assim, sobretudo para Peseiro. Depois de Sousa Cintra ter saltado fora, já não restava mais ninguém, se não o treinador, para responder por tudo, incluindo pelas decisões de Cintra. Como bom soldado na formatura, Varandas deu um passo à frente.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Nota: Recorrendo ao raciocínio do nosso estimado leitor Mike, em sentido inverso, se os nossos adversários aprovam a decisão (José Manuel Ribeiro é adepto do FC Porto), é porque foi a decisão errada. Será assim?

 

publicado às 02:46

 

Infantino completou a tempestade perfeita que vai virar do avesso o calendário do futebol.

 

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O entusiasmado do V. Guimarães-SC Braga de anteontem pode já ter sido um fantasma do passado. Está em curso uma guerra cósmica pelo motivos do costume e, no fim, serão obliterados também os do costume. A FIFA quer um Mundial de Clubes ampliado e uma Liga das Nações, ou melhor, a FIFA quer os 25 mil milhões de euros que um grupo japonês e um fundo saudita lhe oferecem para organizarem as duas provas.

 

Essa quantidade despropositada de dinheiro é o detalhe que faltava para uma tempestade perfeita sobre os campeonatos nacionais. Já havia a atracção fatal pela ideia de uma superliga europeia de clubes, acentuada pela cumplicidade da UEFA, que está decidida a empurrar os jogos da Champions para o fim-de-semana. Entretanto, as renegociações de contratos televisivos pelas ligas nacionais tremem; vários deles estão inflacionados e há dúvidas sobre as virtudes das novas fontes de receita, como o 'streaming' (transmissões directas na Internet).

 

O caminho futuro é virar as competições do avesso, passando o grosso do calendário a ser preenchido pela agenda internacional e ficando a agenda nacional com as sobras. Os campeonatos são reduzidos (oito clubes? Doze?), transplantam-se para as quartas-feiras, e a Europa torna-se a arena principal. O engodo das receitas resolverá o problema dos clubes, porque os maiores serão muito bem pagos e os outros terão de se amanhar. O grande V. Guimarães-Braga pertencerá, então, a um equivalente da Taça da Liga.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

publicado às 12:32

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