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Coro dos tribunais

Rui Gomes, em 04.06.18

 

Os estatutos, as leis e os contratos assinados não se alteram com sessões de esclarecimento do presidente do Sporting.

 

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A Doyen, os ex-presidentes, Marco Silva, a Gestifute, os sportingados, as televisões, os jornais, os comentadores, Octávio Machado, Jorge Jesus, a Holdimo, a Liga, a FPF, José Meirim, a banda do Sporting, os jogadores, os médicos, os fisioterapeutas, o fulano do catering, Marta Soares, António Salvador, os membros da mesa da AG, os membros do Conselho Fiscal, os membros do Conselho Leonino e alguns eteceteras de que não me lembro agora.

 

O problema não pode estar nesta gente toda, por mais sessões de esclarecimento que o presidente do Sporting faça para abater cada um. Ao contrário do que Bruno de Carvalho parece pensar, a chegada dos tribunais ao problema sportinguista não é uma boa notícia para ele, porque os estatutos dos clubes, as leis e os contratos assinados não se alteram com a retórica, nem com pequenos truques de manipulação (é para isso que lá está Nuno Saraiva?) como a repetida divulgação de comunicados em cima da hora de fecho dos jornais, para não serem mitigados pelo contraditório.

 

O presidente não faz o que quer, por muito que ele o tenha repetido aos jogadores, segundo a carta de rescisão de Rui Patrício. Por outro lado, a retórica funciona junto de quem já está arregimentado, mas todos os outros (e são muitos) vêem facilmente para lá das artimanhas, ou foram eles próprios alvos das constantes vagas de insultos, insinuações e, pelo menos no caso da Imprensa, de algumas mentiras. Bruno de Carvalho pode esperar justiça, como qualquer cidadão, mas seria pouco inteligente esperar também boa vontade. Os tribunais não o verão pelos olhos do público de uma sessão de esclarecimento.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:00

Idade da Inacência

Rui Gomes, em 24.05.18

 

O avismo e o inacismo juntam-se ao brunismo, cada um à sua maneira.

 

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1 - O brunismo e o avismo (de Desportivo das Aves) são filosofias parecidas. Esta novidade de culpar a FPF pela falta de licenciamento para competir na UEFA recorda-nos que esta época, ou estas épocas, tiveram bem mais do que um Bruno. Há muitos anos que os clubes conhecem o imperativo de pedir uma licença para jogar a Liga Europa e a Liga dos Campeões. Já houve fiascos públicos nessa matéria e existe um regulamento bastante óbvio. Se, em Dezembro, ninguém do Aves imaginou que jogaria a final do Jamor, paciência, é assumir o erro e aprender com ele.

 

Muitos dos detritos que emperram o nosso futebol são asneiras próprias empurradas para outros. O que foi a hecatombe do brunismo senão culpas repetidamente sacudidas por um presidente para cima do treinador e dos jogadores? Embora passem a vida a falar-me nisso, não sei como eram os homens de antigamente (suspeito que havia de tudo, como agora), mas julgo saber como lhes era exigido que, pelo menos, parecessem.

 

2 - Augusto Inácio ao salvamento: é o que se conclui da nomeação do novo director-geral do Sporting. Do nada surge um aliado e, em simultâneo, uma almofada entre o presidente e os jogadores que lhe são alérgicos. Uma bisnaga de Fenistil e está tudo bem outra vez. Mas é muito diferente partir da inocência com Bruno de Carvalho em 2013 ou assinar por baixo tudo o que ele fez nestes cinco anos, incluindo as duas últimas semanas. Sendo sempre bonita, a lealdade também é sempre correcta e bem dirigida?

 

Como o escritor Mark Twain já foi antes chamado ao brunismo, sem poder defender-se, não será mais uma volta no túmulo a dar-lhe cabo das cruzes: "Lealdade à nação, sempre; lealdade ao governo, quando ele merece."

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:58

 

O Sporting está acima de tudo como?

 

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Como disse Bruno de Carvalho ao jornal Expresso, os jogadores de futebol podem e devem ser criticados. Talvez até seja verdade também que, em Portugal, somos demasiado mornos nessas críticas. Mas para um presidente de clube, fazer as repreensões à equipa em público só tem uma vantagem, entre vários prejuízos evidentes: sacudir as culpas próprias.

 

E dar uma entrevista, repetindo os ataques aos jogadores e fazendo mira ao treinador, na véspera de um jogo tão importante como o Marítimo-Sporting é a mesma coisa. Não traria qualquer benefício a ninguém do clube, exceptuando ao presidente caso o resultado fosse mau. Por outras palavras, Bruno de Carvalho pôs o objectivo de sacudir culpas (ou pior, a vingançazinha adolescente) acima dos 30 milhões de euros que a Liga dos Campeões poderia valer e do estado de espírito que se deseja a uma semana da final da Taça de Portugal.

 

É possível contestar esta conclusão e fazer uma dúzia de outras interpretações dos actos do presidente; o que não se conseguirá nunca, nem com a ajuda de um argumentista de Hollywood, será explicar como é que isto defende o Sporting. De que maneira está o Clube acima de tudo com aquela entrevista? Bruno de Carvalho é mesmo um presidente-adepto ou será antes um adepto do presidente?

 

Ao fim de três anos e cerca de 20 milhões pagos a Jorge Jesus (por Bruno de Carvalho, sem pistolas apontadas à cabeça), mais o orçamento recorde desta época, impõe-se, claro, reavaliar o percurso. O primeiro problema, pelo menos aos olhos de um observador externo mas, com certeza, também para os sportinguistas serenos, está em perceber o peso, nos fracos resultados, destas perturbações constantes criadas pelo presidente. E, se calhar, reavaliar cada um desses episódios fazendo a pergunta básica: o que ganhou, ou teria a ganhar, o Sporting com qualquer deles?

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:22

Esta maratona nem Rosa Mota

Rui Gomes, em 10.05.18

 

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A eterna campeã acertou em cheio no maior obstáculo à integridade no desporto: a pouca importância que, na verdade, lhe damos. Na cimeira de peritos em apostas, integridade e média que se realizou ontem no Porto, a melhor (e mais curta) intervenção foi a de Rosa Mota: por que razão, perguntou ela, há tantos ex-atletas condenados por doping a dirigir ou comentar desporto? A resposta é que o doping, a pequena corrupção (ou, se calhar, a grande), a mentira e as canalhices em geral não nos aborrecem assim tanto, ou - para entrar no futebol - só nos aborrecem no adversário.

 

Por exemplo, o grande incómodo do representante do Sporting com a presença de Paulo Gonçalves, arguido nos casos emails e e-Toupeira, na última Assembleia Geral da Liga devia ser compreensível para toda a gente (e não foi), mas a falta desse incómodo com a chuva de tochas que as claques sportinguistas atiraram ao seu próprio guarda-redes não se entende, como não se entende a simplicidade com que se engole os posts do "pai" de Bruno de Carvalho no Facebook e, em consequência, toda uma linha de comportamento insuportável. Quem escrever isto é anti-sportinguista, ou coisas muito piores, e fica o problema resolvido.

 

A mesma lógica foi usada antes com Benfica e FC Porto, embora me pareça que nunca houve tanto descaramento como agora. Nunca as más acções foram tão claras e, apesar disso, tão ignoradas, com as desculpas falaciosas de que outros fizeram o mesmo ou de que nem sequer podemos falar delas sem, pelo menos, contrabalançarmos com um caso, real ou atamancado, de outro clube para cumprirmos os formulários de "isenção". Já nem importa, como se vê pelos casos citados, que as vítimas do jogo sujo sejam "dos nossos". Rosa Mota tocou na maior ferida de todas, mas receio que nem ela tenha pulmão para essa ultramaratona.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:16

Pinto da Costa e os exclusivos

Rui Gomes, em 25.04.18

 

Em Alvalade, a equipa de Conceição garantiu que a época não lhe fará justiça suficiente. Mas pode ser histórica na mesma.

 

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Ao fim de quatro anos de jejum, sair da Taça em Alvalade nunca poderia ser bem digerido pelo FC Porto ou pelos portistas. O campeonato, que está longe de se confirmar, é pouco para uma equipa tão marcante e, talvez, ameaçada de desmantelamento. O título descreve mal os afazeres de Sérgio Conceição assim como as ganas de um grupo de jogadores muito açoitados, de várias formas, nas épocas anteriores. As duas figuras do momento, Herrera e Marega, são os melhores exemplos disso.

 

Em Alvalade, este FC Porto perdeu, sobretudo, a hipótese de fazer justiça a si próprio e à relevância que devia ter na história. Resta-lhe a hora agá: a possibilidade de roubar ao Benfica, pelo menos por mais meia década, o feito de igualar o penta, um dos exclusivos de Pinto da Costa, que ontem celebrou 36 anos de presidência. A acontecer, será uma intervenção no limite e histórica também por causa disso.

 

Das muitas análises que anteontem ouvi e li à vigência de Pinto da Costa, há um termo reincidente: "Clube regional." Foi usada de duas maneiras, ou para catalogar o FC Porto que este presidente encontrou em 1982, ou (e acima de tudo) para defender que o grande fracasso dele foi nunca ter conseguido dar ao emblema uma dimensão nacional.

 

Para além de desonesta, por ignorar que Sporting e Benfica conseguiram essa dimensão em tempos muito diferentes dos actuais, essa tese esquece um detalhe que está, por estes dias, mais claro do que nunca: a escala nacional do FC Porto dependeu sempre menos de Pinto da Costa do que da grande máquina que o combateu e que continua a combatê-lo sempre que, como agora, invoca o "clube regional". Nem falo de falta de escrúpulos; só de boa vontade, que é óbvia. 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:07

O armazém de talentos

Rui Gomes, em 23.04.18

 

Conjugado com os bês, o campeonato de sub-23 é uma boa ideia cá dentro e um problema de açambarcamento lá fora.

 

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O campeonato de sub-23 que a FPF vai lançar é uma mudança séria. Se impusesse a extinção das equipas B, seria um tiro no escuro - a troca do certo pelo incerto -, por isso percebe-se que Fernando Gomes se tenha envolvido pessoalmente na destrinça entre os dois objectivos.

 

Um campeonato de sub-23 não é alternativa aos rigores da II Liga, mas será melhor do que o campeonato de juniores A. Se o objectivo é submeter os jogadores a ritmos e graus de dificuldade acima dos lhes seriam naturais, fica criado um patamar intermédio que beneficiará quem não encontrava vaga nos bês. O número de jogadores rotinados vai aumentar.

 

Onde a ideia piora, para os interesses portugueses, é no estrangeiro. Uma das nuvens sobre esta prova é a dificuldade de recrutamento que até Benfica, FC Porto e Sporting já sentem cá dentro. Os melhores juvenis e juniores são cada vez mais disputados com italianos, ingleses e espanhóis. Dar-lhes a possibilidade de armazenarem outros 25 ou trinta jogadores nas suas próprias equipas de sub-23 agrava o problema. Defender a formação também é combater o açambarcamento de talentos pelos mais ricos. Até porque, na maioria dos casos conhecidos, só conseguem destruí-los ou adiá-los.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:31

"Dono disto tudo"

Rui Gomes, em 22.04.18

 

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"O documento do Benfica que O JOGO hoje revela, na sequência de outro revelado anteontem pela revista "Sábado", é um facto. Branqueiem-no, manipulem-no, mintam, mas, no fim, aquele plano à génio do mal de um filme do 007 continuará a ser um facto. Um facto ao qual o futebol decidiu, de livre vontade, fechar os olhos. Durante todo este tempo, nem uma pergunta institucional foi feita ao Benfica. Outro facto".

 

José Manuel Ribeiro, O Jogo

 

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publicado às 03:49

A Taça move-se a ressentimento

Rui Gomes, em 21.04.18

 

Já é a segunda vez que este presidente do Sporting chega ao Jamor sem direito a abraços.

 

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A ironia desta época lastimável a tantos níveis é que a competição está a ser boa e até poderia ser a melhor de sempre, se o Braga não se tivesse atrasado nas afinações, entre campeonato e Liga Europa. É a primeira ilação a tirar da meia-final da Taça entre Sporting e FC Porto. A segunda é que Bruno de Carvalho tem razão. O episódio alucinado de há duas semanas pôs os jogadores a carburar. O despeito é sempre uma boa fonte de energia e acredito que fez a diferença num jogo estranho, com tanta gente esgotada, treinadores incluídos.

 

Às vezes, esquecemo-nos de que Jorge Jesus não precisa de um grande vocabulário, nem de correcções gramaticais, para ter a palavra certa. Neste caso, foi "coração". Disse-a muitas vezes depois do ataque de facebookismo inflamatório do presidente: "Esta equipa tem coração." Se não tinha antes - e acho que tinha - estava forçada a ter a partir desse momento.

 

A Taça passou a ser uma daquelas histórias de drama e romance que nós, jornalistas, gostamos de exagerar. Por coincidência, já é a segunda vez que este presidente do Sporting chega ao Jamor pela via dos desafectos. Com Marco Silva, a birra era parecida, se não pior e mais absurda. Já nessa final o treinador Sérgio Conceição, que esteve à frente do resultado (2-0) quase todo o jogo, viu o Braga cair nos últimos minutos aos pés de um Sporting tão cardíaco e despeitado como o de anteontem. Funciona. E torna os resultados justos, de certa maneira.

 

Talvez Bruno de Carvalho seja, no fundo (mas mesmo no fundo, pronto), um filósofo revolucionário conformado a procurar eternamente abraços num relvado de vencedores que não querem nada com ele.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:00

O teu crime é o nosso crime

Rui Gomes, em 18.04.18

 

Incidentes como o da Luz são eternizados pela mania das generalizações. Continuar a culpar todos é continuar a culpar ninguém.

 

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Há cerca de duas semanas, na Assembleia da República, ouvimos um procurador, um superintendente da PSP e um coronel da GNR pedirem mais interdições de estádios e adeptos banidos, embora com o asterisco de também nos terem dito que não conseguem controlar se esses adeptos continuam, ou não, a ir ao futebol (pausa para uma palmada na testa). Nessa altura, disseram-nos que havia dez singelos cidadãos banidos (segunda palmada). Só esta época, a olho nu, qualquer um de nós seria capaz de apontar o triplo de candidatos e faltará contabilizar todos os incidentes que a televisão não mostrou. Para além de terem sido muitos, andamos há anos a noticiá-los e a falar neles.

 

Não devia ser preciso ouvir seja quem for na Assembleia da República. O procurador, o superintendente e o coronel são o Estado. As informações deles são as informações do Estado. Episódios como o de domingo na Luz acontecem porque o Estado autoriza. Culpar "as claques" e "os clubes", ou "o futebol", é como culpar "os cidadãos" quando há um crime. Quando há "um" crime, há "um" culpado. Quando o culpado é, invariavelmente, o mesmo, há um problema claramente identificado que não se resolve com generalizações, vá lá, diplomáticas ou paridas pelo politicamente correcto.

 

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Vivemos numa eterna epidemia de generalizações, que se desculpa com a necessidade de não agravar conflitos, quando, na verdade, sempre foi o primeiro passo para nunca os resolver.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:33

Os valores são para os palermas

Rui Gomes, em 11.04.18

 

Os sportinguistas, e mais ainda o presidente da Assembleia Geral do Sporting, conheciam bem a pessoa que revalidaram em Fevereiro.

 

O Bruno de Carvalho que os sportinguistas assobiaram anteontem é exactamente o mesmo de há dois meses, para não dizer que é o mesmo de há cinco anos. A diferença, se houver uma, está nos stripteases psiquiátricos que ele, entretanto, ganhou o hábito de fazer.

 

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Quando lhe deram carta-branca, na última assembleia, os sócios conheciam o presidente por fora e por dentro. Já o tinham visto dizer tudo e fazer tudo, no mínimo duas vezes, incluindo o raspanete público aos jogadores que, agora, se tornou intolerável. Conheciam-lhe pensamentos íntimos, leram-no chorar de solidão nas estradas transmontanas e viram-no dar saltos e fazer caretas na Sporting TV. Registámos um casamento, uma lipoaspiração, duas mulheres, as filhas, outra filha, os pais (sabemos a idade do pai), conhecemos o vocabulário inteiro do tio-avô, todos os detalhes do romance de escritório e talvez só o clima nos tenha poupado ao vídeo do último parto.

 

Nenhuma parcela da alma de Bruno de Carvalho está por escancarar, há muito tempo. Se alguma coisa mudou, para minha própria surpresa, foi ter desenvolvido genuína pena daquela pessoa que parece compelida por uma força superior a ostentar todas as misérias e fraquezas humanas. Os sócios, e muito mais o presidente da Assembleia Geral do Sporting, estavam ao corrente de quem era Bruno nas últimas eleições e melhor ainda há dois meses, quando o revalidaram por aclamação.

 

Esta não é uma história sobre futebol: é uma história sobre os valores e princípios que, em Fevereiro, tantos sportinguistas voltaram a achar dispensáveis. Como outros fariam e fazem, para desgraça de todos.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:42

 

Os melhores cruzamentos do mundo para o melhor cabeceador do mundo vão jogar o primeiro Mundial. Aos 34 anos.

 

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A verdadeira dificuldade de escolher o melhor jogador de futebol do mundo está na quantidade de alíneas abaixo dessa. O jogo parte-se em muitas tarefas e possibilidades. Não sei se Ronaldo será melhor que Messi no campo todo; só sei que nem Messi é bom no campo todo e também que, a responder a cruzamentos dentro da área, todos aceitam que Ronaldo é superior. E também que é complicado encontrar um avançado equiparável nessa habilidade específica. Acredito que nunca tenha havido.

 

Por outro lado, há muitos anos que vou registando a perfeição das elipses saídas do pé direito (sobretudo, mas não só) de Quaresma e procurando compará-las com outros talentos do género. Se ele não for o melhor do mundo a pôr a bola na cabeça dos avançados, pelo menos é garantido que se bate com qualquer um. Ou seja, Portugal possui há mais de uma década os melhores cruzamentos disponíveis no futebol actual e, talvez, o jogador que, em cento e tantos anos de jogo, mais aperfeiçoou a arte de lhes dar uso.

 

Desde que Fernando Santos recuperou Ricardo Quaresma, essa evidência confirmou-se e reconfirmou-se tantas vezes que, se o futebol precisasse de carta de condução, Scolari e Paulo Bento ficariam apeados até repetirem o exame de código e apresentarem outro atestado médico. Quando estão disponíveis dois recursos tão extremos como estes, no mínimo somos obrigados a tentar usá-los. Nenhum deles o fez realmente. No primeiro caso, culparia a ignorância e a clubite (era a doença de Scolari, por adopção); no segundo, talvez o pecado da intransigência. Se tudo correr bem, Quaresma vai fazer o primeiro Mundial. Aos 34 anos.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:01

O tio da América

Rui Gomes, em 24.03.18

 

Congresso do Sporting: são incríveis as coisas que levamos a sério. Mas como o VAR em directo nos estádios há poucas.

 

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1 - O congresso "The Future of Football" trouxe a Portugal duas mãos-cheias dos maiores especialistas internacionais para fruírem dos conhecimentos e experiência do presidente do Sporting, que lhes deu (que nos deu) lições sobre todos os aspectos da modalidade. Fomos informados de que é essencial pôr os estádios a ver as imagens do VAR ao mesmo tempo que o árbitro, porque na América já se faz assim e na América já há frigoríficos, ioiós e tevês a cores.

 

Se as repetições infinitas e comentadas de lances de arbitragem funcionam tão bem nas televisões à segunda-feira à noite, porque não replicar o formato durante o próprio jogo? Porque não transformar os nossos loucos furiosos das bancadas em loucos homicidas, para ajudar o árbitro a pensar com clareza? Ou, melhor ainda, passar as imagens no ecrã gigante e deixar que sejam os espectadores a votar electronicamente? Verde é penálti (nem era preciso dizer), vermelho não, nunca. O primeiro adepto a pressionar o botão ganha o direito a vergastar o próximo sócio expulso e dois jornalistas à escolha. Cheira-me que até arranjei um candidato.

 

2 - Alguns dos internacionais mais relevantes no Euro"2016 e no pós-Europeu foram maltratados pela sorte e pelo futebol nos últimos meses. João Mário, Adrien, André Gomes, Nani e André Silva tombaram, pelo menos, um patamar desde Agosto ou talvez mais, se pensarmos na aura de campeões da Europa com que voltaram de Paris. Outros, como Rafael Guerreiro, foram desviados pelas lesões e pela táctica. Os casos são todos diferentes. Talvez alguns tenham enrijecido com a experiência, outros terão economizado energia e outros nem uma coisa, nem outra. Mas, à entrada para a última etapa antes do Mundial, há um facto incontornável: o Euro"2016 foi ganho por jogadores que fizeram muitos minutos nessa época.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:38

Silêncio que vale por mil emails

Rui Gomes, em 23.03.18

 

Tirando a polícia, ainda ninguém desmentiu o poder do Benfica.

 

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Já há meses que não é possível negar a existência de um plano, estratégia, projecto, difusão de marca (o que quiserem chamar-lhe) do Benfica para estender a sua rede de influências. Podemos ver essa ideia pelos olhos de um benfiquista, que só destrinçará o maior clube português a tirar rendimento legítimo do seu tamanho e da variedade das simpatias que colhe em todos os círculos. Ou podemos vê-la pela perspectiva dos adversários, que imaginam em cada adepto do Benfica uma potencial vantagem desonesta, seja nos tribunais, nos governos, nas grandes empresas, na Imprensa, nos escritórios de advogados ou nos conselhos de disciplina e arbitragem.

 

Em qualquer dos casos, falamos de poder e o problema de todos estes meses, já quase um ano, não está tanto no que os órgãos oficiais da área fizeram para confirmar que o Benfica tem, de facto, poder sobre eles, apesar do comportamento reiterado e até chocante do Instituto Português do Desporto e da referência despropositada do primeiro-ministro ao "clube que nos é querido". O problema está no que não se fez para deixar claro o contrário.

 

Apesar de múltiplos ataques ao Sporting e ao FC Porto, em críticas directas ou sugestões descaradas, por várias figuras com responsabilidade institucional e até em locais como a Assembleia da República, nem uma vez qualquer delas tocou o nome do Benfica ou reagiu a uma qualquer acção do Benfica. Os timings escolhidos foram sempre de maneira a que parecessem respostas a acções de FC Porto ou Sporting.

 

Podem negar, mas são factos comprováveis: houve vários episódios de ousadia, e até rebeldia, para com FC Porto e Sporting e apenas respeitáveis generalizações quando as culpas apontaram para a Luz (na Liga, por exemplo, o Benfica ganhou influência neste período, enquanto FC Porto e Sporting a perderam).

 

Dez meses de tanto silêncio revelam bem mais do que mil emails.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:44

Braga de Abel é topo de gama

Rui Gomes, em 20.03.18

 

Nenhuma equipa fez quinze golos em três jogos consecutivos fora de casa nas duas últimas épocas. Pelo menos.

 

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Nem o FC Porto, nem o Benfica, nem o Sporting facturaram esta época 15 golos em três jogos seguidos fora de casa. E na anterior também não. Poupei-me ao trabalho de procurar nas outras, porque o essencial estava confirmado: seria muito ingénuo, até ofensivo, ignorar o Braga nas últimas sete jornadas do campeonato, sobretudo para os lados de Alvalade, ali na berma do pódio.

 

O Sporting marcou menos nove golos até agora e nem se pode desculpar com estes 15 mais recentes, porque mesmo em casa fez menos quatro. São números muito, mas muito invulgares - tanto que nunca se tinham verificado na história do Braga - e obrigam-nos a pensar no que poderia ter sido esta Liga sem a complicação irremediável das pré-eliminatórias europeias.

 

Abel e a equipa dele arrancaram a 27 de Julho, três semanas antes do primeiro jogo oficial do Sporting, ainda estremunhados e cosidos à pressa, como tem de ser quando se costura futebol a desoras. O treinador era seminovo, porque chegara apenas uns meses antes, e metade dos jogadores eram contratações frescas. Não terá sido começar do zero, mas foi começar do zero vírgula cinco e ir tecendo uma época que não admite sugestões de casualidades quando se marca 15 vezes seguidas fora de casa.

 

O Braga ficou apenas três vezes a zero no campeonato (e quatro no total) e só em três das 20 vitórias se conformou com um golo. Ou seja, não houve ponta de tédio para os adeptos em mais de 17 jogos, sem falar numa Liga Europa que esteve muito longe de envergonhar o currículo bracarense. Tenhamos a inteligência de contar com eles para a corrida ao pódio.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 02:26

 

Medo e a insegurança que o médico do Bayern sentiu no treinador espanhol são a base do jogo.

 

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As entrevistas de André Gomes e as revelações (à alemão) do médico do Bayern sobre Guardiola mostram um futebol que, normalmente, não chega ao cidadão comum. Nas primeiras peças, a vergonha de sair à rua que o jogador admite e a conclusão, atingida por ele, de que pensa demasiado, soam alienígenas ao adepto, mas são bem familiares a quem anda mais perto do desporto.

 

Em Portugal, a Imprensa desportiva é meiga com os jogadores, por razões estruturais relacionadas com o acantonamento de cada jornal junto de um clube, sem abandonarem por completo a esperança de convencer os leitores dos rivais. À Imprensa espanhola não se impõem esses limites. É adepta para o bem e para o mal, sempre com um travozinho de xenofobia que piora tudo.

 

Um jornalista espanhol, que ouvimos há dias sobre as desventuras de Fábio Coentrão no Real Madrid, chamou-lhe a crítica mais exigente do mundo. Foi nas mãos desse torturador que caiu o melancólico a diesel André Gomes, um jogador demasiado específico para ser compreendido pela superficialidade do jornalista "hincha".

 

Personalidades mais poderosas também sofreram ou ficaram marcadas. Mourinho talvez seja o melhor caso de estudo. Já a descrição que Muller-Wohlfart faz de Guardiola lembra-me o treinador português a quem os adversários gostavam de revelar, na véspera, o onze que iam utilizar, por saberem que essa informação lhe rebentaria um fusível.

 

O medo e a insegurança são génese do futebol vivido; da paranoia do treinador consciente do pouco que controla ao trauma do jogador assobiado. Bem-vindos ao verdadeiro mundo da bola. Tragam o frasco dos comprimidos.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 02:30

Políticos e jornais

Rui Gomes, em 10.03.18

 

A deputada que quer pouco barulho, o blogger que manda na Imprensa e o agente de jogadores que dá "notícias".

 

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O presidente do Sporting CP desafiou (ante) ontem os políticos a meterem-se com o Benfica. Na véspera, o "Público" citava uma deputada do Partido Socialista que reagia ao processo e-Toupeira pedindo ao governo que pusesse os dirigentes do futebol na ordem. Plural. Na verdade, o Apito Dourado foi há mais de uma década e o caso Pereira Cristóvão está sentenciado. O caso actual não diz respeito ao Sporting, nem ao FC Porto, seja qual for o ângulo que se experimente, tal como os dois exemplos que mencionei não eram imputados ao Benfica quando os seus dirigentes falavam deles.

 

Até terça-feira passada, ainda dava para engolir a tese do terrível ruído e dos directores de comunicação, porque estava tudo dentro do futebol, mas uma deputada, mesmo que não perceba nada de bola, tem de saber que espiar investigações da Polícia Judiciária não é 4x3x3, nem está ao mesmo nível de uns piropos aos árbitros atirados por Nuno Saraiva ou Francisco J. Marques. Pedir ao governo que endireite "os dirigentes" foi uma espécie de resposta antecipada à pergunta que Bruno de Carvalho faria um dia depois. Foi mais um "calem-se", como aquele que o presidente da FPF pediu, em Setembro, ao Parlamento - e talvez até um resultado direto dessa intervenção. Mas nessa altura era futebol.

 

Agora é o Estado de Direito. "Calem-se" já é bem mais do que ingenuidade ou cobardia, exceto se for a Entidade Reguladora para a Comunicação Social a dizê-lo aos órgãos que, por exemplo, publicam sem hesitar "notícias" dadas por um blogger pago pelo Benfica e por um agente de jogadores (profissão subitamente muito respeitada) de quarta categoria envolvido em mil barafundas. E sabem o pior? É que os "jornais desportivos" são como "os dirigentes" da deputada. Quando um faz, parece que todos fazemos. Mas olhem que não.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:00

Voz da maioria

Rui Gomes, em 09.03.18

 

A máquina de comunicação do Benfica está há dois dias a exibir os músculos.

 

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Não sei se há jornalismo desportivo. A expressão faz-me sempre pensar num porreiraço de mangas arregaçadas e fraldas de fora. Mas sei que no futebol há, pelo menos, dois jornalismos: o das maiorias e o das minorias. Um escrutina o outro. Isso significa que o jornalismo das maiorias é sujeito a um pequeno escrutínio e o das minorias a um grande escrutínio. Qualquer jornalista devia pensar bem nisto. O jornalismo do Benfica é, não sei se já ouviram, o das maiorias.

 

Aqui estou a ser simpático, porque muitos dos comentadores encartados das televisões não são jornalistas, mas antes uma espécie de humor autodepreciativo da classe. Vamos ali buscar um seccionista ao Benfica (que é um clube com falta de voz e representação) e damos-lhe o fundamental, isto é, um blazer com cotoveleiras. Mas estou a derrapar. O jornalismo do Benfica é o das maiorias.

 

Um jornalismo de maiorias consegue criar visões deturpadas do mundo - imagino que concordam - com mais facilidade do que o jornalismo das minorias. Se o fizer com a intenção e o planeamento de uma máquina de comunicação como a que o Benfica conseguiu repartir pelas televisões, é invencível, a menos que os jornalistas façam a si próprios a pergunta: com tanta gente a dizer o mesmo, não seria mais "jornalístico" experimentar outro ponto de vista?

 

Escrevo isto porque, nos dois últimos dias, o segredo de justiça é uma ficção sem valor, Paulo Gonçalves um anónimo free-lancer, a administração do Benfica uma pobre vítima formada por clones do general Ramalho Eanes e os emails que estão para trás, perdão, quais emails que estão para trás? Havia uma investigação e o suspeito, seguríssimo da inocência, procurou inocentemente saber o que tinham para ali inventado, sem pensar, na sua candura, que podia magoar os nobres benfeitores que o tiraram do relento da Circunvalação e lhe deram um tecto.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:36

FIFA: o futebol do treinador rico

Rui Gomes, em 06.03.18

 

A quarta substituição passa a ser mais um passo na direcção do jogo de tabuleiro e do açambarcamento de talentos pelos tubarões.

 

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Todos os Verões, os treinadores vão a Genebra tirar uma fotografia e conversar com a UEFA, não sei se por esta ordem ou ao contrário. Como aconteceria com um massagista ou um fiscal de linha que fossem à UEFA, os treinadores debatem, acima de tudo, coisas que lhes interessem pessoalmente. Paragens de tempo para dar instruções, substituições extra, mais suplentes.

 

Ao longo dos tempos, muitas das opiniões deles foram vencendo, migalha a migalha, sempre no mesmo sentido: o do controlo psicológico do jogo por quem o orienta a partir do banco, aproximando-o cada vez mais (perdão pelo lugar comum) da proverbial Playstation. O último episódio foi a entrada da quarta substituição nas leis do futebol, anteontem, de mãos dadas com o vídeo-árbitro.

 

Para quem se preocupa mais com o espectáculo, cada substituição ou espaço que se abre à maior intervenção do treinador no jogo devia ser um problema, porque são ataques à espontaneidade e à surpresa. Permitem a quem marca um golo tomar medidas imediatas para o defender, por exemplo. Mas também formata a acção dos treinadores e o próprio conceito do jogo. Não precisam de montar equipas ofensivas, nem defensivas, nem capazes de se gerirem autonomamente. É sempre possível dar-lhes uma volta completa a qualquer instante.

 

O pior desta quarta substituição, só permitida nos prolongamentos, nem será tanto o facto de ser mais um contributo para transformar o futebol em xadrez. O pior, num contexto em que se discute o distanciamento dos clubes ricos, é tomar uma medida que favorece, outra vez, quem tem dinheiro para comprar mais e melhores jogadores. E dar-lhes uma boa razão para continuarem a açambarcar talentos. Onde pára o Jorge Valdano?

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:57

Entre o vírus e a bactéria

Rui Gomes, em 28.02.18

 

O Conselho de Arbitragem livrou-se de boa e Jesus, se calhar, também. Mas com tanta trapalhada tinha de haver vítimas.

 

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Se me mostrassem um vídeo furtivo do Conselho de Arbitragem a festejar o golo de Gelson, eu compreenderia e estenderia a minha solidariedade a Fontelas Gomes. Na semana de um FC Porto-Sporting, uma expulsão tão estapafúrdia como a de Petrovic ligada à perda de pontos da equipa do excelentíssimo senhor presidente Bruno de Carvalho seria um desafio à própria subsistência do cosmos. Mas esse erro grosseiro de arbitragem, que apesar de ser erro e de ser grosseiro não entra na jurisdição do VAR (só vermelhos directos), foi só um detalhe numa torrente de outros.

 

O jogo Sporting-Moreirense começa por um azar bíblico: calhou de aparecer um vírus em Alcochete e de escolher por vítimas logo o trio William Carvalho, Piccini e Fábio Coentrão. Sem essa informação (também sem pôr em dúvida a palavra de Jesus), aquele onze tinha o ar de ser um daqueles pontuais rasgos de economia de que o treinador do Sporting sofre, com frequência a despropósito. Não foi.

 

William quis jogar com 39 graus de febre, contou um Jesus comovido, e lá para o fim do jogo é possível que Gelson Martins estivesse perto dos 44. O cartão vermelho que o tira romanticamente do Dragão, na sexta-feira (despiu a camisola para mandar um recado ao amigo Rúben Semedo), acaba por ser a "punch line" necessária para uma noite estranha em que, pela segunda vez seguida (e quinta ou sexta esta época), o Sporting escapa de perder pontos por um cabelo. Anteontem, eram pontos que talvez descosessem de vez o campeonato.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:16

O lado sensual de Rui Vitória

Rui Gomes, em 25.02.18

 

Os treinadores têm mesmo de experimentar sentirem-se obrigados a falar quando o erro os favoreceu. Entretanto, que tal tirar a régua ao VAR?

 

19668301_GZJst.jpgPodíamos fazer um acordo: o próximo treinador que se sinta obrigado a falar de apitos para apelar ao "bom senso" deve experimentar fazê-lo quando tiver ganho por causa de um erro do árbitro. Já todos se sentiram "obrigados" a falar de arbitragem, esta época (a exemplo de Rui Vitória na conferência de ontem), ou envergonhados por outros se terem sentido obrigados também. Os árbitros são os mesmos de 2017. A competência deles não piorou. Era um grupo difícil de ordenhar na primeira volta, por falta de qualidade e traquejo, e continua a ser.

 

Um observador desinteressado teria dito isto em Outubro e voltaria a dizê-lo agora. Um participante interessado faz o que fez Rui Vitória, como quase todos os outros antes dele. Escrevi-o há seis meses e repito-o: só um ingénuo podia pensar que o video-árbitro não pede contrapartidas. Tanto auxilia como expõe, muito mais do que antes, os critérios duplos assim como a má aplicação das leis. Os árbitros deixaram de se poder refugiar na interpretação, porque passaram a ser uma só criatura e ninguém tolera que a mesma pessoa (ainda que com tantas cabeças) decida de uma maneira hoje e de outra amanhã. O melhor que se pode fazer é identificar quatro ou cinco padrões que se possam amenizar.

 

À cabeça estão os foras de jogo e as desconfianças que o próprio IFAB (International Football Association Board) passou a escrito sobre as linhas traçadas nos ecrãs, que podem ser deturpadas de várias maneiras diferentes, ora na geometria utilizada, ora no momento escolhido para congelar a imagem, ora nos amontoados de jogadores que não permitem destrinçar o alvo, ora na incapacidade física do assistente para observar dois locais em simultâneo. O offside nasceu para evitar um determinado tipo de táctica que estragaria o jogo; não para contar milímetros com uma régua. Já seria tempo de estabelecer que foras de jogo com menos de dez ou vinte centímetros não existem. Pelo menos para o VAR.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 11:30

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