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Fotografia com história dentro (217)

Uma lição histórica

Leão Zargo, em 04.10.20

FCP SCP 1939-40.jpg

Em 1939-40 o Campeonato Nacional foi ganho pelo FC Porto, ficando o Sporting em 2º lugar. A fotografia refere-se ao clássico disputado no Campo da Constituição, para a 5ª jornada do Campeonato Nacional, perante 12 000 espectadores. As duas equipas estavam empatadas no topo da classificação, os portistas venceram o jogo por 4-2 e passaram para a liderança que mantiveram até ao final da prova. Na imagem, o guarda-redes Rosado parece agarrar a vitória da sua equipa. Nessa época o Sporting não conquistou nenhuma das competições em que participou.

Ficha de jogo:

Campeonato Nacional (5ª jornada)

FC Porto 4 - Sporting 2

Campo da Constituição (Porto), 18 de Fevereiro de 1940

Árbitro - Eduardo Augusto (Setúbal)

FC Porto - Rosado, Pereira, Guilhar, Anjos, Carlos Pereira, Baptista I, António Santos, Pinga, Kordnya, Gomes da Costa e Petrak

Treinador - Mihaly Siska

Sporting - Dores, Galvão, Álvaro Cardoso, Paciência, Gregório, Manuel Marques, Mourão, Armando Ferreira, Peyroteo, Soeiro e Cruz

Treinador - Joseph Szabo

Golos - Kordnya (35m, 44m e 75m), Armando Ferreira (47m), Petrak (56m) e Peyroteo (76m)

A época de 1939-40 encerra uma lição para o Sporting. O presidente Joaquim Oliveira Duarte pretendeu prescindir dos serviços de Joseph Szabo porque este não estaria a corresponder às expectativas da Direcção. Contratado em Março de 1937, ainda não tinha levado o Clube à conquista do título de campeão nacional. Para mais, com o treinador húngaro, a equipa tinha sido reforçada por grandes jogadores como Fernando Peyroteo, Álvaro Cardoso, Carlos Canário e Armando Ferreira, entre outros. No entanto, Peyroteo defendeu os métodos do Mister e convenceu o presidente a renovar o contrato com Szabo. Em boa hora, a época seguinte foi totalmente vitoriosa com a conquista do Campeonato Nacional, da Taça de Portugal e do Campeonato de Lisboa, constituindo o início de uma fase de hegemonia leonina no futebol português.

publicado às 13:00

Szabo e a vontade de vencer

Leão Zargo, em 21.07.20

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Joseph Szabo revelou sempre uma vontade avassaladora de vencer no futebol. Vencer e fazer a sua equipa vencer. Por esse motivo entrou em conflitos com dirigentes de clubes e chegou a ser muito duro com os seus jogadores. Por vezes, era de grande severidade. Até o filho José Szabo Júnior, guarda-redes, ficou com as orelhas a arder mais do que uma vez. Mas, o alvo das críticas do Mister era o futebolista e não o filho.

O “violino” Fernando Peyroteo admirava profundamente Joseph Szabo, a quem chamava de Mestre. No seu livro de “Memórias de Peyroteo” publicado em 1957, o avançado-centro leonino conta o seguinte:

«Há quem já me tenha dito que Mestre Szabo trata mal os seus pupilos, insulta e ofende os rapazes, castiga-os injustamente. Nada mais injusto e mais falso! Szabo não conhece a gramática da pátria que adoptou. Veio para Portugal para ensinar futebol e não para aprender português. Nos primeiros contactos com a rapaziada da bola ensinaram-lhe, maldosamente, algumas frases a que davam sentido e significado diferentes. Decorou-as e repetiu-as quando lhe parecia oportuno, até que outros melhor intencionados procuraram corrigi-lo.

É certo que por vezes nos dirigia uma palavra um tanto ou quanto violenta e menos própria, mas todos nós sabíamos que mestre Szabo não nos queria ofender ou insultar deliberadamente. Pois, se ele, ao referir-se ao seu filho José - que nesse tempo fazia parte dos futebolistas do Sporting - criticando-o, em presença de todos, por uma má tarde na defesa das balizas do seu grupo, disse tanta barbaridade que nos sentimos no dever moral de o chamar à razão, fazendo-lhe sentir que dizer tais coisas do seu filho era ofender-se a si próprio.

Szabo respondeu-nos: ‘Sinhores fazer favor respeitarem seu treinador. Eu falar com Zé, não chamar família que estar sossegada a casa, no trabaio. Não ter nada quê ver um coisa com outra. Não dizer um coisa dê isso... Família de tudos ser sagrada. Por favor, sinhores não brincar...’»

Na fotografia, Peyroteo segura a taça O Século, acompanhado por jogadores do Sporting, em 1948.

publicado às 15:21

Fotografia com história dentro (107)

Leão Zargo, em 29.07.18

 

thumbnail_SCP 1947-48 uma equipa perfeita.jpg

 

Uma equipa perfeita

 

O Sporting teve grandes equipas ao longo da sua história, mas provavelmente a da época de 1947-48 foi a melhor de todas elas. Era uma equipa perfeita, orientada por Cândido de Oliveira, um dos mais carismáticos treinadores portugueses de sempre, que começou a ser “construída” por Joseph Szabo no início da década de 1940. Os jogadores Azevedo, Álvaro Cardoso, Manecas, Octávio Barrosa, Canário, Peyroteo e Albano trabalharam com ambos os técnicos.

 

Cândido de Oliveira foi muito mais do que um treinador. Sendo um estudioso do futebol, considerava que a geometria estava presente nos sistemas tácticos, e reflectiu sobre a relação existente entre os triângulos e as diagonais, por exemplo, e os movimentos dos jogadores em campo. Com ele, durante o jogo, a equipa leonina alternava um futebol de passes longos para os extremos com um outro mais rendilhado, mais apoiado, pelo menos na perspectiva da época. À organização e disciplina de Szabo, Cândido acrescentou o estudo e o método.

 

O Sporting conquistou em 1947-48 tudo o que havia para disputar: Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Campeonato de Lisboa. Foi a época do “Campeonato do Pirolito”, vencido por um golo de diferença, e da final da Taça de Portugal com o Belenenses em que Azevedo jogou mais de uma hora com um pé partido. A resiliência e o espírito de sacrifício foram outras heranças que vieram do treinador húngaro. À segurança na defesa, a equipa aliava um ataque demolidor: 92 golos no Campeonato (em 26 jogos) e 23 golos na Taça (em 5 jogos). Por ter sido o Campeão Nacional, o Sporting ficou na posse da Taça O Século.

 

Na fotografia, a equipa do Sporting que defrontou o Lusitano de VRSA na última jornada do Campeonato Nacional de 1947-48:

 

De pé - Álvaro Cardoso, Cândido de Oliveira, Canário, Manecas, Juvenal, Veríssimo, Manuel Marques e Azevedo;

Em baixo - Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano.

 

(Fotografia de Manique, revista Stadium, nº 287, 1 de Junho de 1948)

 

publicado às 12:32

Fotografia com história dentro (17)

Leão Zargo, em 09.10.16

 

SCP 1940-41.jpg

Sporting (1940-41)

 

 

Os “outros” Cinco Violinos

 

Todos os sportinguistas aprenderam a soletrar, desde muito cedo, os nomes dos jogadores que o jornalista Tavares da Silva chamou de “Cinco Violinos”. Mas, a verdade é que no Sporting houve outra linha avançada que não ficou muito atrás em brilho e eficácia: aquela que alinhou com Mourão, Soeiro, Peyroteo, Pireza e João Cruz (ou Armando Ferreira).

 

Esta linha avançada evoluiu entre 1937 e 1943 e foi construída por Joseph Szabo, o treinador leonino durante esses anos. A partir da época de 1943-44 alguns dos jogadores começaram a perder fulgor e, progressivamente, foram sendo substituídos por novos protagonistas. Ficou Peyroteo até 1949.

 

Foi no final da década de 1930 que os leões construíram os alicerces do seu período de hegemonia no futebol português. Como que a avisar sobre essa superioridade, o Sporting venceu tudo aquilo que disputou em 1940-41: Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Campeonato de Lisboa.

 

Depois, o Sporting teve grandes jogadores na linha avançada. E os seus nomes são bem conhecidos por todos nós. Mas, estes que pertenceram a um tempo ainda romântico do nosso futebol, e quando o "Clube" era compromisso sério para toda a vida, merecem a maior admiração e respeito de todos os sportinguistas.

 

publicado às 12:00

Memórias - Peyroteo e Joseph Szabo

Rui Gomes, em 04.07.13

 

Fernando Peyroteo era já, incontestavelmente, a primeira figura do Sporting. Viva em Sintra. Apanhava o comboio das 6.03 horas para chegar ao Rossio às 6.45 horas. Nos Restauradores tomava o eléctrico e chegava ao velho Estádio Alvalade por volta das 7.20 para que pudesse começar a treinar às 7.45. «Tudo era feito pontualmente sob as ordens de mestre Szabo. Cinco minutos de atraso equivaliam a 10 por cento de multa sobre um ordenado de 700 escudos mensais. Um dia, porque co meu velho despertador, cansado de muitos anos de trabalho, tocou às 5.15, fez-me perder o comboio das 6.03 da manhã e cheguei a Alvalade com meia hora de atraso, mesmo utilizando um taxi desde os restauradores à porta da cabina. Quando entrei no rectângulo já mestre Szabo dirigia o treino. Cumprimentei-o, apresentei desculpas e pedi licença para treinar-me e, por se tratar do habitual treino de conjunto, dirigi-me para o meu posto, onde outro avançado-centro se encontrava. Szabo exclamou: "Carágo, Fernando, não fazer um coisa dê isso ! Primeiro dar-me quatro voltas a corer e quatro em marcha. Indispensável footing, aquecer músculos!..."

Assim fiz e enquanto decorria o treino andava eu a dar voltas ao rectângulo. Acabadas as voltas, entrei para o lugar de avançado-centro e, no final do treino, fiquei - como sempre - no campo, apenas com o mestre Szabo, para fazer o treino individual de técnica. Cerca das 10.30 tomámos banho e encontrámo-nos para virmos para a Baixa. É preciso acentuar que a equipa do Sporting treinava-se apenas às terças e quintas, ao passo que eu fazia dois treinos extras: às quartas e sextas, para me especializar no pontapé ao golo.

Logo que nos encontrámos à saída das cabinas renovei o meu pedido de desculpas por ter chegado atrasado, Szabo interrompeu-me e dise:"Férnando ter que ser multado 10 per cente no ordenado. Férnando ter quê dar exemplo. Tudos égales, Férnando... PK Férnando, você treinar quatro vezes por sêmana, eles dois, mas não treinar para mim, treinar para si ! Mas para a sêmana só dois vezes como os outros... Não poder desculpar, outros dizem quê você mênino bonito. Tudos égales... "»

Nos Restauradores, Szabo disse a Peyroteo que lhe perdoaria a multa se comprasse um despertador novo por... 50 escudos. Que sim. »Mestre Szabo escolheu, ele próprio, um despertador capaz de acordar um morto e, no domingo seguinte, antes do jogo, disse à rapaziada: "Cárago, sinhores ! Férnando não chigar mais atrasado a treining. Fumos comprar déspertador, experimentar tocar lá na loja e fazer uma barulheira quê Férnando vai ouvir no Barreiro..."».

 

publicado às 01:11

Memórias (6)

Rui Gomes, em 23.11.12

 

___  Joseph Szabo ( 11/05/1896 - 17/03/1973)  ___

O treinador que mais anos orientou o Sporting

1937/45 - 1953/55 - 1964/65

Campeonato de Portugal (1) - Campeonato Nacional (3)

Campeonato de Lisboa (6) - Taça de Portugal (2) - Taça Império (1)

 

publicado às 03:20

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