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João Azevedo: o eterno ignorado

Rui Gomes, em 17.10.20

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Nos seus dezassete anos consecutivos (1935-1952) e 567 jogos de Leão ao peito (incluindo os não oficiais), João Azevedo foi, “apenas”, o jogador de futebol que, até hoje, mais títulos e troféus conquistou para o Sporting Clube de Portugal: 25 (8 Campeonatos Nacionais, 2 Campeonatos de Portugal, 10 Campeonatos de Lisboa, 4 Taças de Portugal e, também, a Taça Império, na inauguração, em 1944, do Estádio Nacional).

É, ainda, o recordista português do maior número de jogos sem sofrer golos: 159 de baliza inviolada – um registo histórico deveras impressionante e realisticamente imbatível – e, igualmente, dos chamados “clássicos”: 87, dos quais 29 seguidos.

Guardião da fabulosa equipa dos “Cinco Violinos” (cujo conjunto chegou a capitanear, após a retirada de Álvaro Cardoso, outro grande ícone do Sporting) e apelidado de “O Violino das Balizas”, Azevedo foi justamente considerado um dos melhores guarda-redes portugueses de sempre, senão mesmo o melhor, e nas décadas de 1930-1940, como um dos mais categorizados no continente europeu – celebrizando-se na histórica primeira vitória de Portugal, em Madrid, sobre a Espanha (1937) como “O Tigre Português” e num surpreendente empate com a Alemanha (1938) como “O Gato de Frankfurt”. Somou dezanove internacionalizações, numa altura em que os confrontos internacionais eram ainda bastante esporádicos.

Tendo vivido a transição da fase final dos duros campos de terra batida para os suaves pisos relvados actuais e jogando num tempo que não oferecia, nem de longe, as condições de conforto, de progresso, de assistência, de apoio e ainda económicas de que desfrutam os futebolistas da era moderna, o lendário João Azevedo destacou-se notavelmente pela sua extrema dedicação e inigualável fidelidade ao Sporting CP, expressivamente comprovada pelas extraordinárias coragem, arrojo e espírito de sacrifício com que cumpria a sua missão de servir o Clube.

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Ficou para sempre gravado na história o inolvidável fim-de-tarde de 17 de Novembro de 1946, quando, na alcunhada “Estância de Madeira” (então temporariamente cedida pelo Sporting ao Benfica), no Campo Grande, Azevedo, de braço esquerdo ao peito, devido a uma fractura da clavícula aos 43 minutos (então ainda não eram permitidas substituições), insistiu em regressar à baliza a meio da segunda parte, executando, apenas com o braço direito, um punhado de assombrosas defesas, que garantiu a vitória sportinguista (3-1) e a consequente conquista do Campeonato de Lisboa – tendo sido passeado em triunfo, aos ombros dos seus companheiros, perante longas e vibrantes ovações de todo o público, de pé – incluindo os muitos adeptos benfiquistas (tempos civilizados, esses…). Simplesmente emocionante e empolgante!

Numa outra final, em 1948, contra o Belenenses, nas Salésias, jogou quase todo o tempo com um pé fracturado, que mal podia mexer e, num outro desafio, insistiu em manter-se na baliza depois de suturado com doze pontos na cabeça…

Reconhecido globalmente pelo seu heroísmo, o temerário “Leão Voador” tornou-se um venerado inspirador para muitos dos guarda-redes que lhe sucederam – entre os quais se salientaria notoriamente, nas décadas de 1970-80, o também admirável e lendário Vítor Damas, cujo estilo deveras espectacular gerou uma longa e excitada idolatria entre as novas gerações de adeptos.

Damas foi imortalizado pelo Sporting com a atribuição sucessiva do seu nome à baliza sul do Estádio José Alvalade, a uma placa do “Passeio da Fama”, junto ao Pavilhão João Rocha, a uma rua na mesma área e, agora, também ao campo de treinos nº. 1 da Academia e à entrada principal do estádio, embora o seu currículo sportinguista – 15 anos e 456 jogos, divididos por duas fases, e 6 títulos (2 Campeonatos Nacionais, 3 Taças de Portugal e 1 Supertaça) seja substancialmente inferior ao de João Azevedo.

Enfrentando a realidade dos factos, facilmente se conclui o óbvio: o histórico jogador do Sporting CP mais titulado de sempre é, lamentável e incompreensivelmente, um eterno ignorado pelo seu próprio Clube, que ele serviu tão longa, abnegada e gloriosamente.

O nosso querido Sporting Clube de Portugal continua com uma grande dívida à memória do mítico, saudoso e incomparável João Azevedo, falecido em Janeiro de 1991, a condigna consagração que o “Violino das Balizas” absolutamente justifica e inteiramente merece!

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:47

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Sinceramente – e com todo o respeito pela opinião contrária – considero um grande erro, um contra-senso, um disparate, a atribuição, a título perpétuo, de nomes de jogadores lendários do Sporting aos campos de futebol da Academia – com excepção, evidentemente, do Estádio Aurélio Pereira, o justamente celebrado “pai da formação”.

Regozijo-me, no entanto, com a nova e feliz designação de Academia Cristiano Ronaldo atribuída a todo o complexo de Alcochete – tendo na devida conta o aproveitamento do prestígio planetário do maior futebolista português (e, provavelmente, mundial) de sempre e a figura de Portugal mais famosa internacionalmente – mas, desde que se mantenha visivelmente na fachada a inscrição complementar de “Centro de Futebol do Sporting Clube de Portugal”. Felicitações ao presidente Varandas e sua equipa.

Entendo, porém, que a identificação dos vários campos de futebol por nomes de antigos jogadores, ainda que se trate de “lendas”, representa, além de um exagero excessivo, uma medida precipitada e não profundamente ponderada. Susceptível, mesmo, de produzir efeitos indesejavelmente negativos ou contraditórios. De notar que – exceptuando os lendários Cinco Violinos – todos os restantes seleccionados se notabilizaram no período entre os anos setenta e oitenta.

Ora... o Sporting existe desde 1906, há 114 anos – tendo sido representado até ao presente por milhares de jogadores, incluindo numerosas glórias – pelo que a escolha dos agora homenageados arrisca-se a ser polemicamente classificada tanto de injusta como de discriminatória ou desrespeitadora do passado histórico da Instituição. Por outro lado, não há a certeza de que o comportamento moral ou profissional face ao Clube, por parte de alguns dos distinguidos, justifique suficientemente tal consagração (relembrando-se, por exemplo, o caso Paulo Futre).

Pelas mesmas razões já aqui apontadas – e sem pretender, obviamente, menosprezar de forma alguma o indiscutível e intocável mérito dos excepcionais e admirados futebolistas  seleccionados – discordo também inteiramente da atribuição de nomes de jogadores às entradas no Estádio José Alvalade. Uma medida, a meu ver, não apenas desnecessária como eventualmente propiciadora de situações embaraçosas entre o público visitante.

Outro factor a ter em consideração – provavelmente até o mais relevante – respeitará ao eventual efeito psicológico da iniciativa em causa nos jovens jogadores em formação na Academia, que – aspirando, legitimamente, à conquista do sucesso profissional e da eventual celebridade – poderão, de alguma forma, sentir-se afectados na sua motivação por considerarem dificultado ou impossibilitado o seu futuro acesso à honraria eterna agora oferecida aos “lendários”, cujos nomes passaram, de súbito, a monopolizar todos os campos do complexo.

Reconhecer e corrigir o erro só enobrece o seu autor…

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:49

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A agitadora e deliquente seita brunista não perde nenhuma oportunidade para perturbar a vida normal do Sporting através da sua organizada missão de sabotagem do trabalho de quem trabalha intensamente pelo bem do Clube.

Como bem sabemos, o seu único objectivo é a reposição no trono do desprezível charlatão psicopata, tardia e humilhantemente destituído, diga-se, e, inerentemente, a recuperação dos escandalosamente e injustificáveis privilégios que sugavam da Instituição em troca da sua actividade como exército pretoriano ao serviço do seu guru.

Para essa gentalha indesejável, o que somente interessa é atacar e destruir o Sporting CP actual e futuro, tentando impedir a sua estabilidade, o seu progresso e o seu sucesso. E a reprovação das contas e do orçamento parece bem comprová-lo:será que os tão orgulhosos reprovadores se dignaram ler e procuraram compreender, atenta e interessadamente, os documentos que tão prontamente reprovaram?. Duvida-se...

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:03

Mercados e futebolistas

Rui Gomes, em 18.08.20

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O desporto de futebol civilizado e humanizado que se ambiciona surgir no rescaldo da tragédia pandémica (de consequências totais ainda inimagináveis) exigirá, entre várias outras prioridades, que os seus únicos verdadeiros artistas... os jogadores, sejam pessoal e profissionalmente considerados – por dirigentes, árbitros, adeptos ou comunicação social – com toda a dignidade e o respeito a que, como seres humanos, têm pleno direito. Como recentemente comentou Xavi Hernández, antigo e histórico jogador do Barcelona, o futebol é o único emprego em que o trabalhador é permanentemente insultado…

Apesar da notória ondulação mercantilista em que se encontram crescente e fatalmente mergulhados, os futebolistas profissionais não devem ser tratados como mera mercadoria, como um qualquer objecto vendável, ainda que se designe por “mercado” a actividade de contratações, dispensas, transferências ou empréstimos de jogadores exercida anualmente em dois períodos distintos. Expressões como compra e venda – em vez de contratação, transferência, cedência ou dispensa – são intoleravelmente humilhantes e despropositadas e deviam ser definitivamente banidas do vocabulário futebolístico.

Estas reflexões surgem a propósito do início de mais um excitante tempo de especulações, boatos e mentiras acerca de novos artistas da bola a contratar ou a dispensar pelos clubes portugueses – o qual é essencialmente alimentado pela infecciosa promiscuidade entre jornalistas que buscam o sensacionalismo em primeira mão e agentes ou empresários sem escrúpulos. Uns para fantasiar vendáveis manchetes, outros para, simplesmente, engordar a sua conta bancária, nem que seja através da prática dos mais abomináveis expedientes, incluindo o de ludibriar jovens promessas ainda em fase de formação e os seus respectivos progenitores com falsas e ilusórias promessas, assim como contractos de escravatura, com consequências verdadeiramente dramáticas para a carreira e a vida dos lesados.

Aliás, e a meu ver, o período de transacção de jogadores devia ser limitado exclusivamente à época anual do defeso, eliminando-se definitivamente o chamado “mercado de inverno” – opinião que me parece cada vez mais consensual.

Muito para além de consolidar a integridade e a transparência das competições, tal opção permitiria libertar parcialmente os clubes das pressões oportunistas e gananciosas de agentes e empresários – os principais interessados e beneficiários do mercantil sistema vigente – e apontar prioritariamente o foco dos respectivos dirigentes e treinadores no planeamento equilibrado, responsável e racional de cada temporada competitiva na sua totalidade, bem como no aproveitamento mais estável, rentável e prolongado da matéria humana ao seu dispor.

Por outro lado, contribuiria para fortalecer a relação empática entre adeptos e futebolistas dos próprios clubes, muitas vezes deteriorada pela permanência excessivamente curta dos chamados “jogadores-saltimbancos”.

Reconheço, contudo, tratar-se o aqui exposto de matéria deveras complexa, sensível e não menos problemática.

Texto de Leão da Guia

publicado às 03:20

A dignidade e o retorno do proscrito

Rui Gomes, em 04.08.20

Como se recorda, quando, há cinco anos, abandonou o Benfica para rumar ao Sporting – num golpe populista e altamente dispendioso do então líder sportinguista destinado a galvanizar a rapaziada que o erguera ao poder – Jorge Jesus foi rancorosamente insultado, ameaçado e perseguido pelas então furiosas hostes vermelhas.

O clube da Luz recusou-se a pagar-lhe o último mês de salário, processou-o judicialmente por quebra unilateral do seu contracto, acusou-o de desvio de equipamento, exigiu-lhe o pagamento de sete milhões e meio de euros de indemnização por danos patrimoniais e Luís Filipe Vieira jurou que, enquanto mandasse, Jorge Jesus jamais voltaria a treinar os encarnados – garantia que ainda no ano passado repetiu.

Afinal, numa espectacular jogada de malabarismo, foi o mesmo presidente que, fretando um avião especial, “raptou” de súbito ao Flamengo precisamente o mesmo treinador – apresentando-o agora, em Lisboa, transvertido de “Salvador” (do Benfica ou do próprio Vieira?)… Uma operação que deverá custar ao clube muitos milhões, implicando salários astronómicos do técnico, indemnização ao “roubado” campeão brasileiro, contratação de dispendiosos craques exigidos pelo retornado e múltiplas condições privilegiadas.

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Se resultará no sucesso ansiado e prometido, restará apenas esperar – embora a forma fulminante, precipitada e imprecisa de todo o processo não permita, para já, alimentar grandes ilusões. As dúvidas acumulam-se no horizonte...

Na opinião dos próprios críticos benfiquistas, a grande farsa resumir-se-á exclusivamente ao interesse pessoal de um Luís Felipe Vieira desesperado por se conservar no seu seguro e confortável refúgio como todo-poderoso presidente do clube. De um homem cada vez mais cercado pela justiça, a banca e o fisco e cuja cega ambição se julga turvar-lhe a sensatez, arriscando conduzir irracionalmente o seu Benfica à falência.

É bem claro que para grande parte, ou mesmo a maioria, dos eufóricos e fanáticos adeptos benfiquistas, inebriados com o regresso do proscrito – cuja dignidade parece ter sido esmagada pelo peso do dinheiro – algo como a moral, a ética, o decoro, a coerência e a decência não passam de simples balelas. Tudo isso deixou de existir no decadente mundo futebolístico. O único que verdadeiramente conta são os golos na baliza adversária. Nada mais.

E, no meio de toda esta loucura, será que o Benfica irá repor a imagem de Jorge Jesus na fotografia oficial da equipa conquistadora do último ou penúltimo campeonato – da qual foi vingativamente apagada?

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:48

O mito do primeiro derby

Rui Gomes, em 14.07.20

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Contrariamente ao que, ao longo dos tempos, tem vindo a ser ampla e entusiasticamente publicitado por grande parte da comunicação social (muito particularmente a desportiva) e insistentemente sustentado por gente bastante mal informada ou de facciosa clubite, o tão propalado “Primeiro Derby” Sporting-Benfica, datado 1 de Dezembro de 1907, na realidade, nunca aconteceu.

E não aconteceu, simplesmente, porque, nessa altura, ainda nem sequer se imaginaria o surgimento de um qualquer Sport Lisboa e Benfica. O jogo ficticiamente cognominado de “Primeiro Derby” foi, na realidade, entre o Sporting Clube de Portugal (vencedor por 2-1) e o Grupo Sport Lisboa (agremiação nascida e estabelecida em Belém), tendo esta, por fusão com o Sport Clube de Benfica (colectividade prioritariamente dedicada ao ciclismo à data), estado na real origem do clube da Luz, fundado, efectiva e comprovadamente, em Setembro de 1908 – como certificado, de resto, aliás, também pelas actas 93 e 94 de 2 de Setembro do mesmo ano, citadas por um leitor do Camarote Leonino.

Trata-se, no fundo, de uma das múltiplas ficções, enigmas e contradições que envolvem a história do Sport Lisboa e Benfica. De uma mistificação que tem sido habilmente usada como reforço da fábula construída sobre a sua antiguidade. “Um caso surreal em que a cria nasceu no mesmo dia da sua progenitora”, como comentou, sarcasticamente, outro leitor. Uma fraude alimentada com a generosa cumplicidade de, entre outros, jornalistas e políticos aliados.

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Enfim, uma clara adopção, consciente ou inconsciente, do notório e abominável princípio de Goebbels, em que uma mentira sistemática e persistentemente repetida acabará, com o decorrer do tempo, por se transformar em verdade…

São, aliás, inúmeras as fontes que atestam a data formal e verídica da fundação do SLB, incluindo, por exemplo, a Enciclopédia do Diário de Notícias, a conceituada historiadora Marina Tavares Dias e a publicação “Aqui Nasceu o Futebol em Portugal”, editada pela Câmara Municipal de Cascais quando da realização, no nosso país, do Campeonato da Europa de 2004, em que ilustra o seu texto alusivo ao nascimento, a 13 de Setembro de 1908, da colectividade benfiquista com uma fotografia de “a primeira equipa do Sport Lisboa e Benfica, em 1908”.

Todavia, e como se conhece, este não é caso único no que respeita à manipulação das datas de nascimento de agremiações desportivas, entre as quais se destaca outro dos chamados “Três Grandes”: o Futebol Clube do Porto – cuja fundação oficial, no dia 2 de Agosto de 1906, por iniciativa de José Monteiro da Costa, foi rigorosamente respeitada e anualmente celebrada até ao ano de 1988, quando (invocando-se a "extraordinária" descoberta de alguns antigos recortes de jornais) foi súbita e surpreendentemente alterada para 28 de Setembro de 1893 (acrescendo, assim, treze anos à existência da colectividade).

Facto que até muitos dos seus próprios sócios e adeptos classificam de autêntica fraude, praticada já na longa e nebulosa era Pinto da Costa – um dos arquitectos do “sistema” denunciado por Dias da Cunha e principal protagonista do célebre e infame processo de corrupção “Apito Dourado”, que acabou em nada, apesar de ter custado um dinheirão aos contribuintes…

Louvavelmente, porém, não são assim poucos os exemplos de integridade no que se refere a clubes de renome oriundos de fusões. Entre eles, os lisboetas Atlético Clube de Portugal (fundado em 1942 por junção do Carcavelinhos com o União) e Clube Oriental de Lisboa (que foi criado em 1946 entre o Chelas, o Marvilense e os Fósforos). Simples lições de honestidade.

Texto da autoria do nosso colaborador Leão da Guia

publicado às 03:19

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Apesar de a calamitosa pandemia Covid-19 ter limitado compulsivamente o fulgor das comemorações do seu 114.º aniversário, o Sporting Clube de Portugal reafirmou, de novo, o seu íntegro e inabalável respeito pela verdade e a honestidade.

Como é sabido, o Sporting CP estaria hoje a celebrar 118 anos de existência caso tivesse recorrido ao indecoroso truque de outros clubes – com destaque para o seu maior rival e vizinho – de adoptar como data da sua fundação a da colectividade mais remota que esteve na origem na sua criação.

Ora, se utilizasse o exacto mesmo critério, a nossa Instituição ter-se-ia apropriado da data do nascimento, em 1902, do então Sport Club de Belas, criado por iniciativa dos  irmãos Francisco e José Maria Gavazzo, além de outros jovens amigos, incluindo José Roquette (Alvalade), ao qual sucederia, dois anos depois, o Campo Grande Football Club, onde a dissidência de vários dos seus fundadores, José de Alvalade, os irmãos Gavazzo e Stromp e seus companheiros acabariam, finalmente, por dar origem, em 1906, ao Sporting Clube de Portugal – que, ao longo de mais de um século e até ao presente, honra rigorosamente a sua veracidade histórica.

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Por sua vez... o Sport Lisboa e Benfica – foi, efectiva e oficialmente, fundado em 13 de Setembro de 1908. Todavia, usurpando a certidão de nascimento do seu mais velho antepassado, o Grupo Sport Lisboa – nascido em 1904 e extinto em 1907, sedeado efectivamente em Belém e sem quaisquer afinidades com o bairro de Benfica – decidiu, despudoradamente, já no início do actual milénio, alterar a data da sua fundação, acrescentando mais quatro anos ao tempo real da sua existência, decisão que teve, também, o subtil propósito de, explorando as vantagens então concedidas pelo Estado, fazer coincidir a celebração do seu (falso) centenário com a realização, em Portugal, do Campeonato da Europa de 2004.

Esta fraude suscitou, de resto, a pública contestação de, entre outros protagonistas da época, Cândido Rosa Rodrigues, um dos principais fundadores do GSL e, posteriormente, do SLB – assegurando que “o Sport Lisboa e Benfica não tem, de maneira nenhuma, qualquer coisa a ver com o extinto Sport Lisboa, a não ser o nome e alguns jogadores”. E, não obstante todos os expedientes para ocultar a verdade, o próprio clube da Luz, numa sua campanha promocional realizada em Fevereiro de 2000, confirmava: “Em 1908, fruto da fusão do Grupo Sport Lisboa e do Sport Clube de Benfica, nasceu, vermelho e branco, o Sport Lisboa e Benfica”…

A despeito de todos as tentativas e manobras para justificar o injustificável, não existe, de facto, qualquer documento oficial e verdadeiramente credível que certifique a fundação no ano de 1904 do Sport Lisboa e Benfica. Há tempos noticiou-se que teria sido encontrado um documento daquele ano, subscrito por Cosme Damião, um dos fundadores do clube – “documento” esse que, no entanto, se revelara forjado, devido ao facto de o seu autor ter recorrido à grafia que viria a ser implementada somente sete anos mais tarde, com o Acordo Ortográfico de 1911…

Texto do nosso colaborador Leão da Guia

publicado às 04:20

Os "10 Mandamentos" do Sporting

Rui Gomes, em 20.06.20

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Tendo em consideração os esforços e iniciativas que – em prol do restabelecimento ou da solidificação da força, do prestígio e da dignidade do Sporting Clube de Portugal – estão a ser construtiva e generosamente desenvolvidos por sportinguistas de boa-vontade e boa-fé, relembra-se “Os 10 Mandamentos” ditados, em 1924, por Salazar Carreira, os quais, conservando as suas plenas espiritualidade e actualidade, merecem ser escrupulosamente observados, em particular pelas gerações mais recentes.

Um grande e exemplar “leão”, José Salazar Carreira é uma das mais relevantes e históricas referências, não só do Sporting CP como, igualmente, do desporto português. Além de introdutor, no Clube, do râguebi (1922), do andebol (1932) e do voleibol (1939), foi um atleta excepcionalmente eclético, distinguindo-se notavelmente em atletismo, râguebi, andebol, ginástica, natação, futebol, voleibol, ténis, esgrima, tiro e pólo aquático – envergando a camisola leonina entre 1912 e 1937 (25 anos!).

Salazar Carreira era um médico muito conceituado, um espírito culto e um orador fluente, objectivo e cativante. Exerceu o cargo de presidente da Direcção (1925-26) e de vice-presidente em quatro mandatos directivos - a ele se devendo, também, a introdução da histórica e clássica camisola listada verde e branca, que ainda, nos tempos actuais, continua a distinguir o nosso querido Clube por todo o país e pelo mundo fora, orgulhando a nação sportinguista.

Mas, eis os “10 Mandamentos do Sporting” na sua versão original:

1º. – Ostenta sempre na lapela o emblema do Sporting como afirmação concreta das tuas aspirações desportivas.

2º. – Presta ao teu Clube o teu auxílio desportivo sempre que ele to exija. Seja qual for o teu mérito, não tens o direito de o regatear.

3º. – Quando envergares a camisola verde e branca, lembra-te de que a colectividade te honra, distinguindo-te como seu representante. Faz, portanto, quanto possas para merecer a distinção conferida.

4º. – Nunca digas mal do que não possas fazer melhor; a crítica é fácil, mas prejudica quando imerecida e perdes o direito moral de falar se não puderes realizar aquilo que amesquinhas.

5º. – Lembra-te de que directores são sete e coisas a dirigir mais de mil; exige àqueles o cumprimento do dever, mas moral e praticamente presta o teu incondicional apoio a quem trabalha para o bem de uma coisa que é tanto tua como sua.

6º. – Nunca em público amesquinhes os actos de quem represente o teu Clube; roupa suja lava-se em família e o teu dever é criar em toda a parte, pelas tuas palavras e pelos teus actos, um ambiente favorável ao Sporting, enaltecendo-o.

7º. – Cada novo sócio que proponhas é um elo mais que acrescentas à cadeia poderosa do Sporting; quanto mais forem os amigos, menos incomodam os inimigos.

8º.- Quando o Sporting disputa em campo a vitória, o teu silêncio é um crime; nunca insultes o adversário, mas incita os teus fazendo-lhes sentir o apoio moral da tua presença.

9º. – Mesmo nos transes mais dolorosos, conserva inabalável a fé nos destinos do Clube. O Sporting não pode retrogradar porque por ele pulsam em todo Portugal alguns milhares de corações.

10º. – Quando os homens e mulheres do Sporting CP triunfam em qualquer competição, dizes, sorridente: “Ganhámos!” Pelo teu procedimento, justifica a palavra.

Texto da autoria do nosso estimado colaborador Leão da Guia

publicado às 03:33

Conforme o noticiado, a nova redacção introduzida no processo do assalto terrorista à Academia do Sporting Clube de Portugal considera não se ter provado qualquer instrução superior para a realização da iniciativa em causa. Numa reunião com os líderes das claques (os seus fieis parceiros e conselheiros preferenciais) o então presidente “estaria apenas a discutir formas de apoio à equipa de futebol, como cânticos, tarjas e/ou uma visita à Academia. Sublinha-se “ou uma visita à Academia” – acrescentando que o mesmo terá afirmado “façam o que quiserem e depois digam”. Ora, se lhe disseram, então ele saberia, mas nada terá feito para impedir o horrendo acto…

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De qualquer modo, é sobejamente conhecido que - para além de autor moral da profunda degradação do clima sofrido no Clube nos mais de cinco anos da sua calamitosa gerência e de odioso fomentador da desmedida desunião entre os sportinguistas – o tardiamente destituído presidente do Sporting foi, de facto, o principal instigador da hostilidade à equipa de futebol, valendo-se, já na sua fase mais alucinadamente desesperada, das redes sociais para criticar, insultar e ameaçar, assídua e publicamente, os jogadores (cujos salários tanto invejava), encarregando os chefes das claques da suja e cobarde tarefa de os perseguir, ameaçar e atemorizar – missão que teve um dos seus episódios mais execráveis na chuva de tochas incendiadas sobre o guarda-redes do próprio clube e da selecção de Portugal.

Estranhamente, parece subsistirem ainda algumas dúvidas quanto à classificação do termo “terrorismo” atribuída desde o início do caso ao violento assalto do bando de delinquentes e malfeitores à Academia, onde aterrorizaram, agrediram, feriram, insultaram, ameaçaram de morte os atletas – traumatizando-os, assim como as respectivas famílias, até ao fim das suas vidas.

Afinal – e segundo a conveniente e fantasista teoria de alguns (com destaque para o seu preeminente guru) – aquelas dezenas de fervorosos “adeptos” do Clube, encapuçados e de rosto coberto, ainda munidos de tochas e diversos instrumentos de agressão, ter-se-iam deslocado a Alcochete apenas em simples visita de cortesia. Para saudar, apoiar e motivar os jogadores… Que as coisas tenham descambado na pior das previsões terá sido apenas mera coincidência. Um azar dos diabos. “Foi Chato” – comentou em público o então presidente...

Texto da autoria do nosso colaborador Leão da Guia

publicado às 04:49

“Ninguém acredita na Justiça”

Rui Gomes, em 20.05.20

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Ninguém acredita na Justiça” – quem publicamente o afirma não é um qualquer cidadão comum português, mas "apenas" o próprio Presidente do Supremo Tribunal de Justiça (em entrevista ao “Expresso” publicada em 6 de Março, último).

Um reconhecimento deveras lúcido, realista e corajoso que reforça, de resto, a convicção geralmente enraizada de ser a Justiça precisamente a causa maior do grande e persistente atraso de Portugal face aos países democráticos evoluídos, com consequências funestas para sectores fundamentais da vida dos portugueses. Um verdadeiro e penoso entrave ao nosso progresso colectivo. Uma maldição que se arrasta desde há séculos e parece jamais extinguir-se.

Como um fenómeno galvanizador de paixões extremadas e descontroladas, o futebol tem vindo gradualmente a converter-se num dos quadrantes popularmente mais visíveis e preponderantes da impreparação, da incompetência e da ineficácia da justiça portuguesa – um terreno minado por sucessivas revelações e suspeitas de corrupção activa e passiva de juízes e magistrados, fundamentadas em abusos de influência, trocas de favores, conluios vários entre colegas de profissão, interesses externos e favoritismos clubistas, entre outros factores responsáveis pelo descrédito em que se tem afundado.

O fulminante desencadeamento - em 2004 - do célebre e escandaloso “Apito Dourado” suscitou muito fundas expectativas nos apaixonados exigentes do futebol limpo, honesto e transparente. A sempre hesitante Justiça portuguesa decidira, finalmente, penetrar em força num mundo que se tornara extensa e opacamente mafioso, a fim de repor a ordem legal e restabelecer a verdade desportiva.

Mas a ilusão não tardaria muito a transformar-se em revoltante desilusão. Apesar das inúmeras provas reunidas dos delitos, inegavelmente confirmadas pelas suas próprias declarações pessoais (que, aliás, ainda hoje se podem escutar) os protagonistas envolvidos na gravíssima trama acabariam, habilidosamente, por escapar às consequências dos seus crimes – desfazendo-se, assim, em pó um processo que custou aos contribuintes muitas centenas de milhares de euros…

Decorridos, porém, mais de dezasseis anos, a Justiça portuguesa continua, como se sabe, a ser, lamentavelmente, alvo de desconfiança e de suspeita relativamente às suas posições e intervenções nos sucessivos casos que envolvem ilicitamente o nosso maltratado futebol, os seus clubes, agentes e figurantes. Não raramente se lhe apontando ilações paradoxais, interpretações contraditórias, conclusões incongruentes ou decisões surpreendentemente incompreensíveis e inacreditáveis.

O seu fracasso ou incapacidade tem vindo a repetir-se nos variados casos em que lhe coube a responsabilidade de investigar e decidir. Entre eles, os dos E-mails, dos Vouchers, de Rui Pinto ou do E-Toupeira.

E temos presentemente, ainda, o julgamento da invasão terrorista da Academia Sporting, seus executantes e responsáveis – o qual, a deduzir pela sua evolução, se supõe igualmente destinado a engrossar o rol da controversa e da polémica. Na verdade, ao que consta, as mais recentes alterações introduzidas no processo de acusação do MP, tão enigmáticas como perturbadoras, além de muito deslocadas, permitem augurar, sem surpresa, um novo desfecho judicial mal-concebido e mal- sucedido.

Texto da autoria de Leão da Guia

Nota: Pintura a óleo intitulada "Justiça" de Svetlana Vinokurtsev (2005).

publicado às 02:49

Humor português em tempo de pandemia

Rui Gomes, em 03.05.20

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- Hoje de manhã, no café, quando tomava a bica, entraram duas pessoas com máscaras e foi o pânico geral. Só quando eles disseram que era um assalto é que a malta sossegou… -

Amor, estou no supermercado, queres alguma coisa?

– Levaste a máscara? – Sim.

– Traz a caixa registadora.

- Só me fazem disto. Disseram-me que para ir às compras bastava levar luvas e máscara. Mentirosos! Os outros iam todos vestidos.

- Quem ainda não tem o Covid-19, já não vale a pena ter. Em Setembro já vai sair o Covid-20, com muito mais funcionalidades.

- Nem nos meus sonhos mais loucos imaginei entrar um dia num banco com máscara para levantar dinheiro.

- Quando isto tudo terminar vou tirar uns dias de descanso.

- Aviso: Quando isto acabar vou fazer uma quarentena ao contrário

– 14 dias sem ir a casa.

- Sabem-me dizer quando podemos receber novamente pessoas em casa? A minha mulher está há dois dias a bater à porta.

- Esse vírus só pode ter sido criado por uma mulher. Conseguiu cancelar o futebol, fechar os bares e manter os maridos em casa.

- Fiquem tranquilos. Com 15 dias de escolas fechadas, as mães vão desenvolver a vacina.

- Nunca vi uma porcaria ‘Made in China’ durar tanto!

- Se este é o vírus chinês, imaginem o original.

- Falaram-me de uma série de abdominais, mas não a encontro na Netflix.

- Última hora: as estatísticas de infidelidade baixaram 80%. Um êxito.

- Bem-aventurados os que andam passeando à toa na rua, em breve eles verão o Senhor.

- Não está certo: tanto ladrão na rua, sem máscara, e eu em prisão domiciliária sem culpa formada!

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 17:00

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Embora não haja quaisquer certezas sobre a incerteza, julga-se inevitável que, vencida a sinistra pandemia, que tem espalhado a tragédia e a morte por todo o planeta (sim, temos que vencê-la!) o nosso mundo deixará de ser o mesmo. Os seres humanos tornar-se-ão, no seu comportamento social e nas suas decisões, mais inseguros e receosos, mais hesitantes e cautelosos. Prevê-se, enfim, que tudo mudará – para o bem ou para o mal.

Mas, o que dispensa quaisquer previsões é, garantidamente, a transformação radical do mundo delirante do futebol, especificamente a sua obscura, desregrada e descontrolada indústria profissional, profundamente minada pela corrupção, a ganância, a desonestidade e a falta de transparência, assentes basicamente na actividade suspeitosamente criminosa das incógnitas máfias internacionais do dinheiro sujo, oculto e não tributado. Lucrativa prática delituosa em que se envolveram a FIFA, a UEFA, federações, associações, agentes, empresários, clubes, dirigentes, banqueiros, advogados e, até, futebolistas.

Terá chegado, finalmente, o momento em que os patrões e responsáveis da bola no mundo inteiro serão forçados a reflectir realisticamente sobre a sobrevivência e o futuro do futebol como indústria-espectáculo. Sobre o ansiado regresso do fascinante jogo às suas pureza e integridade. Sobre como eliminar ou limitar a poderosa e maléfica influência dos agentes e empresários no suculento negócio do futebol (de que são os grandes predadores). E ainda sobre como reduzir ou travar o domínio do prestigioso futebol europeu pela crescente e infecciosa infiltração de interesses e capitais russos, árabes, asiáticos ou norte-americanos.

Como exemplo da loucura extrema que se apoderou do opaco futebol do presente, realça-se alguns montantes pornográficos e insultuosos pagos pelos clubes mais poderosos por sonantes contratações de jogadores – como foi, além de outros, o recém-badalado e muito intrigante contratação, pelo Atlético de Madrid, de um menor fisicamente frágil, imaturo e ainda inexperiente por anunciados 126 milhões de euros... (que dariam para construir dois hospitais ou comprar cerca de uma centena de apartamentos.

E já posteriormente constou a notícia que o Barcelona planearia contratar um outro jovem jogador português, algo desconhecido, sobre o qual o Sporting de Braga teria fixado uma cláusula de rescisão no valor de 500 milhões de euros!... Se não existe um manicómio para os loucos e gananciosos exploradores da bola, crie-se!

Na realidade, o dinheiro está progressivamente a matar o futebol, como igualmente nos comprova a frequente realização fora da Europa de jogos oficiais entre equipas de ligas e taças de países europeus – como, por exemplo, a final da Taça de Itália no Japão, as finais das Super-Taças de Itália e de Espanha (esta até em três anos consecutivos) na Arábia Saudita, etc. – revelando chocante desprezo pelo público adepto e associado dos clubes respectivos. Tendência esta que, face à reacção popular, acabou por motivar um tribunal espanhol a rejeitar a efectivação na cidade de Miami (EUA) de uma final Villareal-Atlético de Madrid. Evidentemente que o objectivo destes jogos nada tem a ver com competição desportiva, mas unicamente com interesses financeiros.

O certo é que, uma vez ultrapassada a terrível calamidade que enfrentamos, tornar-se-ão imperiosas a reformulação, a reabilitação e a dignificação do futebol como indústria e espectáculo atractivo, honesto, isento e qualificado aos olhos do público que o ama e sustenta. Sem dúvida, uma tarefa árdua e imensa que implicará a queda do negro manto de execrável mercantilismo de que gradualmente se revestiu.

E o que acontecerá, em particular, ao reconhecidamente debilitado futebol profissional português? Eis uma grande incógnita de imprevisível resolução, considerando que a quase totalidade dos clubes integrados nas primeira e segunda ligas se encontra fatalmente endividada (grande número dos quais com jogadores que estão meses sem receber o seu salário) não dispondo da mínima capacidade de manter equipas profissionais. Daí o perigo de caírem súbita e imprudentemente nas mãos de suspeitos investidores estrangeiros, cujo oportunismo é justificado pela urgência de lavagem de dinheiro clandestino.

Para agravar a frágil e muito dramática situação em que encontra, o nosso popular futebol é ainda vítima crescentemente gravosa da corrupção, da troca de favores, do câmbio de influências e do jogo de obscuros interesses que – para além da desacreditada Justiça, tanto civil como desportiva – têm florescido em imparável ritmo no seio dos organismos estatais, governamentais e federativos, cujo dever é, pelo contrário, garantir, fomentar e proteger a integridade, a isenção, a transparência e a verdadeira honestidade competitiva. Enfim, um muito poderoso cancro que carece ser prontamente desvendado e radicalmente destruído – a fim de eventualmente possibilitar e assegurar a sobrevivência honrada, sustentável e progressiva do futebol nacional.

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 04:34

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Existirá no Estádio Nacional alguma placa/lápida, visivelmente afixada, assinalando o histórico primeiro golo da sua inauguração, marcado pelo lendário Peyroteo?

Recorde-se que o mítico estádio, construído junto à Ribeira do Jamor, em Oeiras, foi solenemente inaugurado no dia 10 de Junho de 1944 (Dia de Portugal), com a presença das principais figuras do Estado e um extenso e extraordinário festival que, acima de tudo, homenageou a beleza e a magnificência arquitectónica do grandioso recinto desportivo, formosamente revestido de mármore branco português.

Como não podia deixar de ser, o grandioso acontecimento, terminado ao início da noite, culminou com o mais importante e apaixonante derby do futebol nacional: um Sporting-Benfica, que, após um prolongamento já ao lusco-fusco, a equipa sportinguista venceria por 3-2 – conquistando assim a monumental e belíssima Taça Império, que pode, e deve, ser admirada no Museu do nosso Clube.

Mas o que neste texto se pretende distinguir, enaltecer e relembrar é o autor do histórico golo inaugural: o inevitável Fernando Peyroteo, aos dez minutos da segunda-parte do emocionante confronto – e, ainda, do segundo golo! (marcando Eliseu, ao cair do pano, o tento triunfal).

Portanto, a simples razão da minha pergunta: haverá no Estádio Nacional alguma placa comemorativa do singular feito de Fernando Peyroteo? Se, de facto, existe, poderá alguém ter a gentileza de o confirmar (se possível, com fotografia)? Obrigado.

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 15:11

O fabuloso Fernando Peyroteo

Rui Gomes, em 15.04.20

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A tão expressiva evocação, no Camarote Leonino, do grande Fernando Peyroteo – o maior goleador de todos os tempos do futebol português e um dos maiores do futebol mundial – fez perpassar pela minha memória o 'filme' de muitos momentos fabulosos, gratificantes e inolvidáveis proporcionados por um grande futebolista que sendo uma autêntica força da natureza era, igualmente, uma verdadeira e notável personalidade de excepção, homem de exemplares integridade e lealdade, um verdadeiro gentleman dentro e fora dos terrenos de jogo – detectando-se nele algo de aristocrático, talvez derivado de, como se admitia então, ser sobrinho-bisneto do Conde de Torres Novas, um antigo Governador da então Índia Portuguesa.

Era eu então apenas um miúdo quando, levado por amigos sportinguistas dos meus pais ao velhíssimo Estádio do Lumiar me deslumbrava perante aquela fenomenal “máquina” de marcar golos, comungando do êxtase da multidão que gritava “golo!” ainda a bola não tinha sido disparada dos seus pés ou da sua cabeça…

Relembro-me que, tendo eu os meus catorze anos, me atrevi a escrever uma carta pessoal a Fernando Peyroteo, endereçada à sede do Sporting, pedindo-lhe um bilhete para um jogo entre a seleção militar portuguesa (que ele integrava) e uma selecção da britânica Royal Air Force, realizado em 17 de Fevereiro de 1946.

Dois dias antes do confronto, ao regressar do colégio, a minha mãe, de ar bem severo, interpelou-me surpreendentemente..."Ouve lá, tu mandaste alguma carta ao Senhor Peyroteo? É que ele telefonou para cá, para tu estares no domingo, à uma da tarde, no Quartel da Graça”... (partida da selecção militar para o Estádio Nacional). Impressionada pela minha espontânea explosão de euforia, ela acedeu a interceder pela imprescindível concordância do meu pai, e ambos, perdoando a minha grande ousadia, acabariam por me conduzir à Graça…

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Acolhendo-me muito afavelmente, Peyroteo foi de uma extrema generosidade. Chegados ao mítico estádio – onde, dois anos antes, ele marcara o histórico golo inaugural – pediu a um membro da comitiva que me conduzisse ao meu lugar especial na bancada. E após o jogo (que terminou 1-1, com mais um golo da sua autoria) concedeu-me o enorme prazer de me sentar a seu lado na viagem de retorno ao quartel, durante a qual mantivemos uma animada conversa.

Até ao final da sua prodigiosa carreira futebolística, Fernando Peyroteo – o melhor e mais verdadeiro avançado-centro que teve até hoje o futebol nacional – continuou a oferecer incontáveis alegrias aos sportinguistas e numerosos títulos ao seu e nosso Clube – que, já muito depois da sua morte, prestaria à sua memória a impressionante consagração que inteiramente merecia e lhe devia – lamentando-se, a propósito, o tão injusto olvido em que naufragou o seu extraordinário companheiro de rota e de sucesso João Azevedo (talvez o melhor guarda-redes português de sempre e ainda hoje recordista do número de títulos e troféus conquistados pelo Sporting).

Estive presente na inauguração da loja de artigos desportivos que Peyroteo abriu na Rua Nova do Almada, em Lisboa, e reencontrei-o em Luanda, durante uma missão jornalística a Angola, em 1961, estava ele com os seus 43 anos – tendo-me chocado profundamente a depressão e a amargura que então manifestava, resultante não apenas do seu débil estado de saúde, mas também do esquecimento e da ingratidão de que se considerava injusta vítima. Faleceria em Novembro de 1978, com apenas 60 anos.

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:49

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Na peugada do seu super-alucinado guru, essa imbecil gentalha exibe uma total carência de civismo, de moral e – face à gigantesca tragédia que se abateu sobre o nosso ameaçado planeta – de verdadeiramente infame e chocante falta de humanitarismo!

Para essa cambada de garotos tudo e mais alguma coisa vale, mesmo o mais execrável e repugnante, para alimentar a sua ilusória ambição de se apoderar do Sporting – o que, nunca acontecerá!

Depois da inesquecível e dolorosa catástrofe produzida pelos seus destituídos mentores, os verdadeiros sportinguistas jamais o permitirão!

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:33

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Naquele dia, liguei logo para a minha mulher, porque não sabia se iria voltar a casa. Este episódio ficará para sempre na minha memória. Ainda hoje, no final dos jogos, tenho medo de que volte a acontecer” – Jérémy Mathieu

Nunca vivi nada como isto, nem acho que tenha acontecido em mais algum lado. Mais do que pela minha vida, temi pela da minha família. Pedi à minha mulher para ir com a minha filha para o Porto. Fiquei mais nervoso, com mais ansiedade antes dos jogos e com medo de que isto se repita se a equipa tiver um resultado menos positivo”Bruno Fernandes

Pensei que ia morrer... O meu pensamento era que não nos matassem... 'Queres ir embora? parto-te a boca toda'... disse-me um dos atacantes. Senti que o presidente estava a voltar os adeptos contra os jogadores. Ainda hoje, passado ano e meio, quando vou a Portugal não me sinto em segurança. Ainda há adeptos maldosos contra nós. Tive muitas ameaças. Tivemos de tomar medidas, eu e a minha família. Tinha de sair. Era impossível continuar em Portugal. Mesmo estando em Inglaterra, há noites e momentos em que ainda vivo aquilo” – Rui Patrício

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"Foi horrível. Não sabia qual seria o meu futuro. Vi entrar um homem muito grande com máscara, depois entraram mais e o sexto agrediu-me na cabeça com um objecto e caí imediatamente para o chão, a sangrar, mas ele começou a dar-me pontapés e a dizer a outro para fazer o mesmo. Estava com imenso medo. Logo a seguir ao ataque, fui a um psicólogo e ele sugeriu que seria bom para mim sair do país. Decidi ir três semanas para a Áustria. A minha mulher estava grávida e ela queria dar à luz em Lisboa, “ – Bas Dost

"Muito antes da invasão, Mustafá ligou-me a dizer que o presidente Bruno de Carvalho lhe tinha pedido para ameaçar os jogadores e ainda partir-lhes os carros. Fui um dos principais alvos dos cerca de 40 invasores da Academia. Três ou quatro agarraram-me e deram-me vários socos no peito e nas costas, e a gritar que eu não merecia vestir aquela camisola. Tive muito medo. Fiquei sem saber o que fazer. Estava em pânico"William de Carvalho

Disseram-me que me iam matar, que sabiam onde eu morava e onde era a escola dos meus filhos. Agrediram-me enquanto diziam 'não mereces essa camisola'. A minha primeira reacção foi ligar para a minha família. Senti medo, mais pela minha mulher e os meus filhos. Durante algum tempo andava sempre a olhar para trás, para ver se estava a ser seguido” – Marcus Acuña

"Depois deste incidente fiquei sempre com medo. Ainda hoje, cada vez que o Sporting perde um jogo, fico com medo que isto se volte a repetir. Mandei a mulher e a filha para a Macedónia. Eu fiquei alojado num hotel e no final do jogo da Taça fui ter com eles” – Stefan Ristovski

“Eles diziam que nos matavam se não ganhássemos o próximo jogo [final da Taça). Na reunião, no estádio, na véspera da invasão, o presidente Bruno de Carvalho disse que tinha o chefe da claque a ligar-lhe para saber onde moravam o Acuña e o Bataglia. Nos dias seguintes à invasão tinha muito receio e não andava tão exposto como antes”André Pinto

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"Desataram aos socos e pontapés logo que entraram, lançando tochas e gritando 'o Sporting somos nós!' Ameaçaram-nos que, caso não ganhássemos no domingo seguinte a Taça, voltariam. Um dos agressores ordenou-me que despisse o equipamento do Sporting. Colocaram-se à porta do balneário, para impedir a nossa saída. Ficámos todos sem reacção e eu em estado de nervos. Já fora do edifício, vi o nosso treinador, Jorge Jesús, a sangrar do nariz e o Bas Dost magoado e a chorar por ter sido atingido na cabeça. Tive pesadelos por causa do ataque” – João Palhinha

Estes são extractos dos depoimentos do julgamento no Tribunal de Monsanto, de algumas vítimas (físicas e morais) da invasão terrorista à Academia Sporting, no trágico 15 de Maio de 2018, por uma horda de delinquentes e malfeitores, cruelmente insensíveis à realidade de que por detrás de cada jogador de futebol existem uma mãe, um pai, uma esposa, filhos, uma família – enfim, seres humanos…

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E – para rematar – recorde-se estas infâmes palavras publicamente proferidas pelo então presidente do Clube – o principal instigador da hostilidade à equipa de futebol e autor moral da profunda degradação do clima vivido no Sporting – no próprio dia mais negro da história da centenária Instituição:

Foi chato ver os familiares dos jogadores e do “staff” a ligarem”… “O crime faz parte do dia-a-dia”…

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:47

Confesso que me decepciona irritantemente o facto de a nossa equipa principal de futebol se apresentar frequentemente a jogo, sobretudo no estrangeiro, plena e voluntariamente despida tanto da identidade visual do Sporting CP como da força global da sua própria imagem – aquela que, ao longo de mais de cem anos, tornou o nosso Clube distintamente identificável em Portugal e internacionalmente.

Tal como há pouco aconteceu em Istambul, vemos repetidamente, através das reportagens televisivas, os balneários utilizados pelo Sporting decorados com espectaculares fotos dos jogadores envergando a tradicional camisola listada verde-branca – a mesma com que, obviamente, centenas ou milhares de apoiantes se apresentam nas bancadas dos estádios, desfraldando orgulhosamente o estandarte verdejante.

Mas, imensa frustração... nenhuma equipa trajada de verde-branco surge nos relvados, mesmo naquelas partidas em que não existe a mínima hipótese de o seu equipamento se confundir com o do adversário, desperdiçando-se soberanas oportunidades de expansão da internacionalidade do Clube. Um paradoxal algo absurdo, a juntar a tantos outros que contribuem gradualmente para destruir a leal paixão pelo futebol.

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E, talvez seja apenas pura superstição ou mera coincidência, mas as minhas expectativas de sucesso do Sporting em jogos além-fronteiras desvanecem-se de imediato quase sempre que, com um misto de mágoa e indignação, assisto à entrada em campo da nossa equipa, despojada do seu histórico, famoso e vistoso equipamento tradicional – como se tratasse de um qualquer desconhecido 'clubezeco' do bairro. Sentindo-me então dominado por um mau presságio, infelizmente confirmado pela maioria dos seus desaires…

Reconheço, obviamente, que esta penosa actual realidade se deve às pressões do poderoso mundo mercantilista, sem sentimentos, que domina e infecta cada vez mais o desporto, principalmente o futebol. As exigências dos patrocinadores e fabricantes de equipamentos sobre os clubes são permanentes, intensas e não raramente abusivas. A marca Sporting Clube de Portugal, como as dos seus concorrentes, encontra-se prioritariamente subjugada aos interesses próprios das empresas participantes. O deus dinheiro tudo absorve!

Todavia, há que prevalecer o equilíbrio e o bom-senso. Ninguém, nenhuma marca, ganha com a descaracterização da histórica imagem visual do Clube. Antes pelo contrário: todos perdem. Quanto maior for o sucesso desportivo do Sporting CP e da sua prestigiosa marca – nacional e internacionalmente – mais bem-sucedidas e lucrativas serão as empresas e marcas que o apoiam ou com ele colaboram.

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:18

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É profundamente condenável a manifesta falta de consideração e de respeito – tanto do arrogante e autoritário senhor Jorge Sousa como da maioria dos seus colegas portugueses – pelos reais artistas do espectáculo futebolístico, que são os jogadores, normalmente ofendidos na sua dignidade humana e profissional por juízes sem a mínima qualificação cívica, ética, psíquica ou técnica para exercer função tão decisiva e responsável.

Na realidade, o que predominantemente se constatou em Braga, no domingo, foi mais uma expressivamente escandalosa “arbitragem” (?) de um tal senhor dubitativamente classificado como “um dos melhores apitadores nacionais”, a qual reconfirmou, de novo e inequivocamente, a justa razão porque – apesar de Portugal ser o Campeão da Europa – os árbitros lusos não serem convocados para actuar nas grandes competições europeias. Um afastamento humilhante para o nosso país futebolístico.

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Antes de autorizados a desfilar a sua soberba, a sua incompetência e a sua reconhecida e habitual pressão tendenciosa pelos relvados, os árbitros nacionais deviam ser obrigados a frequentar um deveras exigente curso de formação profissional na Inglaterra – no qual aprenderiam, igualmente, a distinguir e a sancionar exemplarmente o número cada vez maior de futebolistas simuladores e mergulhadores que fazem da batota a sua grande e ridícula especialidade, defraudando a autenticidade do jogo e lesando, consequentemente, o público que paga para assistir a um espectáculo limpo e honesto.

Texto da autoria do nosso estimado colaborador Leão da Guia

*Nota: Primeiro e sobretudo, o nosso agradecimento ao estimado leitor Pedro51 pela gentileza de nos enviar a foto que aqui publicamos.

Na imagem é possível ver o aperto de pescoço de Wallace - jogador do SC Braga - a Rafael Camacho, mesmo nas 'barbas' do árbitro auxiliar, acção que pode ser considerada agressão, punível com expulsão directa.

publicado às 03:04

Orgulho de sportinguista

Rui Gomes, em 15.01.20

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Na tarde do passado sábado... o meu grande orgulho de sportinguista voltou a atingir o cume. Em transmissões simultâneas, três diferentes canais televisivos lusos confirmavam inequivocamente a histórica grandeza do nosso Clube.

Num deles, o Sporting jogava e ganhava no futsal em Matosinhos, apurando-se para a final da Taça da Liga (que perdeu com uma arbitragem visivelmente inquinada). No segundo canal, a equipa de hóquei em patins vencia largamente na Marinha Grande para a Taça de Portugal. E no terceiro, em transmissão do Pavilhão João Rocha, os leões do basquetebol cilindravam espectacularmente a Ovarense.

Um dia de grande sucesso, coroado, na mesma noite, com o triunfo da equipa de futebol em Setúbal, a despeito da execrável farsa encenada pelo presidente do Vitória.

E ainda, neste mesmo fim-de-semana, as atletas leoninas consagraram-se, pela quinta vez consecutiva, no Jamor, campeãs nacionais de atletismo de estrada em seniores, vencendo igualmente a competição em juniores, dominando em absoluto,  masculino e feminino, individual e colectivamente, enquanto que o conjunto principal masculino de ténis de mesa conquistava a quinta Taça de Portugal também consecutiva.

Lastimavelmente, contudo, o tema permanentemente dominante no comentário ou debate público, senão mesmo o único, é o insucesso da nossa equipa principal neste cada vez mais corrupto futebol português, como se o Sporting CP fosse uma instituição (ou empresa) exclusivamente futebolística, à inglesa – ignorando-se sistemática, absurda e injustamente os notáveis feitos, nacionais e internacionais, dos atletas sportinguistas na grande maioria das restantes modalidades, parte dos quais honrando o nosso país. Atitude que, no fundo, revela um lamentável défice de cultura desportiva.

Não, o Sporting não é, nunca foi e espero que jamais venha a ser apenas futebol!

No entanto, todos aqueles que se dedicam, afanosa, insistente e fastidiosamente, a criticar o Sporting na globalidade (e os seus dirigentes) pela actual falta de sucesso da sua equipa principal de futebol (das bolas que não entram nas balizas ou batem nos postes) parecem ter-se esquecido, por incurável amnésia ou manifesta intencionalidade, de que o futebol foi, precisamente, a maior vítima das consequências calamitosas herdadas da gestão irresponsável e catastrófica do alucinado charlatão tardiamente destituído.

Consequências estas que tiveram o efeito de deixar o Clube numa situação absolutamente ruinosa, ajoujado de dívidas, profundamente agravada pela invasão terrorista à Academia, cujos danosos efeitos financeiros rondaram os 250 milhões de euros. Uma pesarosa realidade, cuja solução exige, obviamente, tempo e um gigantesco esforço – requerendo a compreensão, a tolerância e a adesão convicta de toda família sportinguista.

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:48

Fora com os vândalos!

Rui Gomes, em 09.01.20

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Parece absolutamente incompreensível que o Sporting Clube de Portugal – dispondo da tecnologia necessária – não descubra, identifique e recorra aos seus seguranças e à PSP para, de imediato, expulsar e deter esses vândalos cretinos e desordeiros, responsáveis pelos distúrbios e o clima tenebroso que fomentam no estádio ou no pavilhão do nosso Clube - desafiando ostensivamente as clamorosas reacções condenatórias da generalidade do público presente.

Na realidade, só passam por não ser mais que bandos de delinquentes, perturbadores do espectáculo desportivo, criadores de um ambiente deveras intolerável, irritante, revoltante e assustador. Contribuindo fundamentalmente para o afastamento das pessoas dos estádios – causando, por conseguinte, avultados prejuízos financeiros ao Sporting.

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Recorrem a cânticos insultuosos, tarjas com mensagens ofensivas e despropositadas, explosivos, chamas e destruição de cadeiras, lançamento de tochas incandescentes para o relvado e sobre os jogadores, densa fumarada intoxicante – afectando gravemente crianças, idosos, pessoas com problemas respiratórios e, obviamente, os próprios atletas em jogo (como é possível colocar dentro do estádio todo esse perigoso material? Não existe controlo algum?).

Enfim, uma autêntica e infame sabotagem ao nosso Clube promovida por essa gentalha indesejável e destrutiva, que deve ser policialmente denunciada, banida para sempre de recintos desportivos e judicialmente forçada a pagar integralmente os volumosos danos causados pelos seus actos criminosos, assim como as indemnizações e coimas impostas pelas instâncias oficiais.

Porque não adoptar o bom exemplo da Juventus? Como noticiado, na sequência de uma denuncia do clube de Cristiano Ronaldo, a polícia de Turim deteve, no passado Setembro, 40 elementos da claque mais radical da agremiação, entre os quais dez dos seus líderes, acusados de prática chantagista por ameaças, provocarem nas bancadas, durante os jogos, cenas desordeiras e violentas e de entoarem cânticos insultantes se não recebessem um número específico de privilégios, incluindo bilhetes gratuitos, que seriam, de seguida, vendidos no mercado negro…

Caros sportinguistas, o que é que este caso nos faz lembrar?

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:48

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