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Apesar de a calamitosa pandemia Covid-19 ter limitado compulsivamente o fulgor das comemorações do seu 114.º aniversário, o Sporting Clube de Portugal reafirmou, de novo, o seu íntegro e inabalável respeito pela verdade e a honestidade.

Como é sabido, o Sporting CP estaria hoje a celebrar 118 anos de existência caso tivesse recorrido ao indecoroso truque de outros clubes – com destaque para o seu maior rival e vizinho – de adoptar como data da sua fundação a da colectividade mais remota que esteve na origem na sua criação.

Ora, se utilizasse o exacto mesmo critério, a nossa Instituição ter-se-ia apropriado da data do nascimento, em 1902, do então Sport Club de Belas, criado por iniciativa dos  irmãos Francisco e José Maria Gavazzo, além de outros jovens amigos, incluindo José Roquette (Alvalade), ao qual sucederia, dois anos depois, o Campo Grande Football Club, onde a dissidência de vários dos seus fundadores, José de Alvalade, os irmãos Gavazzo e Stromp e seus companheiros acabariam, finalmente, por dar origem, em 1906, ao Sporting Clube de Portugal – que, ao longo de mais de um século e até ao presente, honra rigorosamente a sua veracidade histórica.

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Por sua vez... o Sport Lisboa e Benfica – foi, efectiva e oficialmente, fundado em 13 de Setembro de 1908. Todavia, usurpando a certidão de nascimento do seu mais velho antepassado, o Grupo Sport Lisboa – nascido em 1904 e extinto em 1907, sedeado efectivamente em Belém e sem quaisquer afinidades com o bairro de Benfica – decidiu, despudoradamente, já no início do actual milénio, alterar a data da sua fundação, acrescentando mais quatro anos ao tempo real da sua existência, decisão que teve, também, o subtil propósito de, explorando as vantagens então concedidas pelo Estado, fazer coincidir a celebração do seu (falso) centenário com a realização, em Portugal, do Campeonato da Europa de 2004.

Esta fraude suscitou, de resto, a pública contestação de, entre outros protagonistas da época, Cândido Rosa Rodrigues, um dos principais fundadores do GSL e, posteriormente, do SLB – assegurando que “o Sport Lisboa e Benfica não tem, de maneira nenhuma, qualquer coisa a ver com o extinto Sport Lisboa, a não ser o nome e alguns jogadores”. E, não obstante todos os expedientes para ocultar a verdade, o próprio clube da Luz, numa sua campanha promocional realizada em Fevereiro de 2000, confirmava: “Em 1908, fruto da fusão do Grupo Sport Lisboa e do Sport Clube de Benfica, nasceu, vermelho e branco, o Sport Lisboa e Benfica”…

A despeito de todos as tentativas e manobras para justificar o injustificável, não existe, de facto, qualquer documento oficial e verdadeiramente credível que certifique a fundação no ano de 1904 do Sport Lisboa e Benfica. Há tempos noticiou-se que teria sido encontrado um documento daquele ano, subscrito por Cosme Damião, um dos fundadores do clube – “documento” esse que, no entanto, se revelara forjado, devido ao facto de o seu autor ter recorrido à grafia que viria a ser implementada somente sete anos mais tarde, com o Acordo Ortográfico de 1911…

Texto do nosso colaborador Leão da Guia

publicado às 04:20

Os "10 Mandamentos" do Sporting

Rui Gomes, em 20.06.20

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Tendo em consideração os esforços e iniciativas que – em prol do restabelecimento ou da solidificação da força, do prestígio e da dignidade do Sporting Clube de Portugal – estão a ser construtiva e generosamente desenvolvidos por sportinguistas de boa-vontade e boa-fé, relembra-se “Os 10 Mandamentos” ditados, em 1924, por Salazar Carreira, os quais, conservando as suas plenas espiritualidade e actualidade, merecem ser escrupulosamente observados, em particular pelas gerações mais recentes.

Um grande e exemplar “leão”, José Salazar Carreira é uma das mais relevantes e históricas referências, não só do Sporting CP como, igualmente, do desporto português. Além de introdutor, no Clube, do râguebi (1922), do andebol (1932) e do voleibol (1939), foi um atleta excepcionalmente eclético, distinguindo-se notavelmente em atletismo, râguebi, andebol, ginástica, natação, futebol, voleibol, ténis, esgrima, tiro e pólo aquático – envergando a camisola leonina entre 1912 e 1937 (25 anos!).

Salazar Carreira era um médico muito conceituado, um espírito culto e um orador fluente, objectivo e cativante. Exerceu o cargo de presidente da Direcção (1925-26) e de vice-presidente em quatro mandatos directivos - a ele se devendo, também, a introdução da histórica e clássica camisola listada verde e branca, que ainda, nos tempos actuais, continua a distinguir o nosso querido Clube por todo o país e pelo mundo fora, orgulhando a nação sportinguista.

Mas, eis os “10 Mandamentos do Sporting” na sua versão original:

1º. – Ostenta sempre na lapela o emblema do Sporting como afirmação concreta das tuas aspirações desportivas.

2º. – Presta ao teu Clube o teu auxílio desportivo sempre que ele to exija. Seja qual for o teu mérito, não tens o direito de o regatear.

3º. – Quando envergares a camisola verde e branca, lembra-te de que a colectividade te honra, distinguindo-te como seu representante. Faz, portanto, quanto possas para merecer a distinção conferida.

4º. – Nunca digas mal do que não possas fazer melhor; a crítica é fácil, mas prejudica quando imerecida e perdes o direito moral de falar se não puderes realizar aquilo que amesquinhas.

5º. – Lembra-te de que directores são sete e coisas a dirigir mais de mil; exige àqueles o cumprimento do dever, mas moral e praticamente presta o teu incondicional apoio a quem trabalha para o bem de uma coisa que é tanto tua como sua.

6º. – Nunca em público amesquinhes os actos de quem represente o teu Clube; roupa suja lava-se em família e o teu dever é criar em toda a parte, pelas tuas palavras e pelos teus actos, um ambiente favorável ao Sporting, enaltecendo-o.

7º. – Cada novo sócio que proponhas é um elo mais que acrescentas à cadeia poderosa do Sporting; quanto mais forem os amigos, menos incomodam os inimigos.

8º.- Quando o Sporting disputa em campo a vitória, o teu silêncio é um crime; nunca insultes o adversário, mas incita os teus fazendo-lhes sentir o apoio moral da tua presença.

9º. – Mesmo nos transes mais dolorosos, conserva inabalável a fé nos destinos do Clube. O Sporting não pode retrogradar porque por ele pulsam em todo Portugal alguns milhares de corações.

10º. – Quando os homens e mulheres do Sporting CP triunfam em qualquer competição, dizes, sorridente: “Ganhámos!” Pelo teu procedimento, justifica a palavra.

Texto da autoria do nosso estimado colaborador Leão da Guia

publicado às 03:33

Conforme o noticiado, a nova redacção introduzida no processo do assalto terrorista à Academia do Sporting Clube de Portugal considera não se ter provado qualquer instrução superior para a realização da iniciativa em causa. Numa reunião com os líderes das claques (os seus fieis parceiros e conselheiros preferenciais) o então presidente “estaria apenas a discutir formas de apoio à equipa de futebol, como cânticos, tarjas e/ou uma visita à Academia. Sublinha-se “ou uma visita à Academia” – acrescentando que o mesmo terá afirmado “façam o que quiserem e depois digam”. Ora, se lhe disseram, então ele saberia, mas nada terá feito para impedir o horrendo acto…

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De qualquer modo, é sobejamente conhecido que - para além de autor moral da profunda degradação do clima sofrido no Clube nos mais de cinco anos da sua calamitosa gerência e de odioso fomentador da desmedida desunião entre os sportinguistas – o tardiamente destituído presidente do Sporting foi, de facto, o principal instigador da hostilidade à equipa de futebol, valendo-se, já na sua fase mais alucinadamente desesperada, das redes sociais para criticar, insultar e ameaçar, assídua e publicamente, os jogadores (cujos salários tanto invejava), encarregando os chefes das claques da suja e cobarde tarefa de os perseguir, ameaçar e atemorizar – missão que teve um dos seus episódios mais execráveis na chuva de tochas incendiadas sobre o guarda-redes do próprio clube e da selecção de Portugal.

Estranhamente, parece subsistirem ainda algumas dúvidas quanto à classificação do termo “terrorismo” atribuída desde o início do caso ao violento assalto do bando de delinquentes e malfeitores à Academia, onde aterrorizaram, agrediram, feriram, insultaram, ameaçaram de morte os atletas – traumatizando-os, assim como as respectivas famílias, até ao fim das suas vidas.

Afinal – e segundo a conveniente e fantasista teoria de alguns (com destaque para o seu preeminente guru) – aquelas dezenas de fervorosos “adeptos” do Clube, encapuçados e de rosto coberto, ainda munidos de tochas e diversos instrumentos de agressão, ter-se-iam deslocado a Alcochete apenas em simples visita de cortesia. Para saudar, apoiar e motivar os jogadores… Que as coisas tenham descambado na pior das previsões terá sido apenas mera coincidência. Um azar dos diabos. “Foi Chato” – comentou em público o então presidente...

Texto da autoria do nosso colaborador Leão da Guia

publicado às 04:49

“Ninguém acredita na Justiça”

Rui Gomes, em 20.05.20

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Ninguém acredita na Justiça” – quem publicamente o afirma não é um qualquer cidadão comum português, mas "apenas" o próprio Presidente do Supremo Tribunal de Justiça (em entrevista ao “Expresso” publicada em 6 de Março, último).

Um reconhecimento deveras lúcido, realista e corajoso que reforça, de resto, a convicção geralmente enraizada de ser a Justiça precisamente a causa maior do grande e persistente atraso de Portugal face aos países democráticos evoluídos, com consequências funestas para sectores fundamentais da vida dos portugueses. Um verdadeiro e penoso entrave ao nosso progresso colectivo. Uma maldição que se arrasta desde há séculos e parece jamais extinguir-se.

Como um fenómeno galvanizador de paixões extremadas e descontroladas, o futebol tem vindo gradualmente a converter-se num dos quadrantes popularmente mais visíveis e preponderantes da impreparação, da incompetência e da ineficácia da justiça portuguesa – um terreno minado por sucessivas revelações e suspeitas de corrupção activa e passiva de juízes e magistrados, fundamentadas em abusos de influência, trocas de favores, conluios vários entre colegas de profissão, interesses externos e favoritismos clubistas, entre outros factores responsáveis pelo descrédito em que se tem afundado.

O fulminante desencadeamento - em 2004 - do célebre e escandaloso “Apito Dourado” suscitou muito fundas expectativas nos apaixonados exigentes do futebol limpo, honesto e transparente. A sempre hesitante Justiça portuguesa decidira, finalmente, penetrar em força num mundo que se tornara extensa e opacamente mafioso, a fim de repor a ordem legal e restabelecer a verdade desportiva.

Mas a ilusão não tardaria muito a transformar-se em revoltante desilusão. Apesar das inúmeras provas reunidas dos delitos, inegavelmente confirmadas pelas suas próprias declarações pessoais (que, aliás, ainda hoje se podem escutar) os protagonistas envolvidos na gravíssima trama acabariam, habilidosamente, por escapar às consequências dos seus crimes – desfazendo-se, assim, em pó um processo que custou aos contribuintes muitas centenas de milhares de euros…

Decorridos, porém, mais de dezasseis anos, a Justiça portuguesa continua, como se sabe, a ser, lamentavelmente, alvo de desconfiança e de suspeita relativamente às suas posições e intervenções nos sucessivos casos que envolvem ilicitamente o nosso maltratado futebol, os seus clubes, agentes e figurantes. Não raramente se lhe apontando ilações paradoxais, interpretações contraditórias, conclusões incongruentes ou decisões surpreendentemente incompreensíveis e inacreditáveis.

O seu fracasso ou incapacidade tem vindo a repetir-se nos variados casos em que lhe coube a responsabilidade de investigar e decidir. Entre eles, os dos E-mails, dos Vouchers, de Rui Pinto ou do E-Toupeira.

E temos presentemente, ainda, o julgamento da invasão terrorista da Academia Sporting, seus executantes e responsáveis – o qual, a deduzir pela sua evolução, se supõe igualmente destinado a engrossar o rol da controversa e da polémica. Na verdade, ao que consta, as mais recentes alterações introduzidas no processo de acusação do MP, tão enigmáticas como perturbadoras, além de muito deslocadas, permitem augurar, sem surpresa, um novo desfecho judicial mal-concebido e mal- sucedido.

Texto da autoria de Leão da Guia

Nota: Pintura a óleo intitulada "Justiça" de Svetlana Vinokurtsev (2005).

publicado às 02:49

Humor português em tempo de pandemia

Rui Gomes, em 03.05.20

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- Hoje de manhã, no café, quando tomava a bica, entraram duas pessoas com máscaras e foi o pânico geral. Só quando eles disseram que era um assalto é que a malta sossegou… -

Amor, estou no supermercado, queres alguma coisa?

– Levaste a máscara? – Sim.

– Traz a caixa registadora.

- Só me fazem disto. Disseram-me que para ir às compras bastava levar luvas e máscara. Mentirosos! Os outros iam todos vestidos.

- Quem ainda não tem o Covid-19, já não vale a pena ter. Em Setembro já vai sair o Covid-20, com muito mais funcionalidades.

- Nem nos meus sonhos mais loucos imaginei entrar um dia num banco com máscara para levantar dinheiro.

- Quando isto tudo terminar vou tirar uns dias de descanso.

- Aviso: Quando isto acabar vou fazer uma quarentena ao contrário

– 14 dias sem ir a casa.

- Sabem-me dizer quando podemos receber novamente pessoas em casa? A minha mulher está há dois dias a bater à porta.

- Esse vírus só pode ter sido criado por uma mulher. Conseguiu cancelar o futebol, fechar os bares e manter os maridos em casa.

- Fiquem tranquilos. Com 15 dias de escolas fechadas, as mães vão desenvolver a vacina.

- Nunca vi uma porcaria ‘Made in China’ durar tanto!

- Se este é o vírus chinês, imaginem o original.

- Falaram-me de uma série de abdominais, mas não a encontro na Netflix.

- Última hora: as estatísticas de infidelidade baixaram 80%. Um êxito.

- Bem-aventurados os que andam passeando à toa na rua, em breve eles verão o Senhor.

- Não está certo: tanto ladrão na rua, sem máscara, e eu em prisão domiciliária sem culpa formada!

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 17:00

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Embora não haja quaisquer certezas sobre a incerteza, julga-se inevitável que, vencida a sinistra pandemia, que tem espalhado a tragédia e a morte por todo o planeta (sim, temos que vencê-la!) o nosso mundo deixará de ser o mesmo. Os seres humanos tornar-se-ão, no seu comportamento social e nas suas decisões, mais inseguros e receosos, mais hesitantes e cautelosos. Prevê-se, enfim, que tudo mudará – para o bem ou para o mal.

Mas, o que dispensa quaisquer previsões é, garantidamente, a transformação radical do mundo delirante do futebol, especificamente a sua obscura, desregrada e descontrolada indústria profissional, profundamente minada pela corrupção, a ganância, a desonestidade e a falta de transparência, assentes basicamente na actividade suspeitosamente criminosa das incógnitas máfias internacionais do dinheiro sujo, oculto e não tributado. Lucrativa prática delituosa em que se envolveram a FIFA, a UEFA, federações, associações, agentes, empresários, clubes, dirigentes, banqueiros, advogados e, até, futebolistas.

Terá chegado, finalmente, o momento em que os patrões e responsáveis da bola no mundo inteiro serão forçados a reflectir realisticamente sobre a sobrevivência e o futuro do futebol como indústria-espectáculo. Sobre o ansiado regresso do fascinante jogo às suas pureza e integridade. Sobre como eliminar ou limitar a poderosa e maléfica influência dos agentes e empresários no suculento negócio do futebol (de que são os grandes predadores). E ainda sobre como reduzir ou travar o domínio do prestigioso futebol europeu pela crescente e infecciosa infiltração de interesses e capitais russos, árabes, asiáticos ou norte-americanos.

Como exemplo da loucura extrema que se apoderou do opaco futebol do presente, realça-se alguns montantes pornográficos e insultuosos pagos pelos clubes mais poderosos por sonantes contratações de jogadores – como foi, além de outros, o recém-badalado e muito intrigante contratação, pelo Atlético de Madrid, de um menor fisicamente frágil, imaturo e ainda inexperiente por anunciados 126 milhões de euros... (que dariam para construir dois hospitais ou comprar cerca de uma centena de apartamentos.

E já posteriormente constou a notícia que o Barcelona planearia contratar um outro jovem jogador português, algo desconhecido, sobre o qual o Sporting de Braga teria fixado uma cláusula de rescisão no valor de 500 milhões de euros!... Se não existe um manicómio para os loucos e gananciosos exploradores da bola, crie-se!

Na realidade, o dinheiro está progressivamente a matar o futebol, como igualmente nos comprova a frequente realização fora da Europa de jogos oficiais entre equipas de ligas e taças de países europeus – como, por exemplo, a final da Taça de Itália no Japão, as finais das Super-Taças de Itália e de Espanha (esta até em três anos consecutivos) na Arábia Saudita, etc. – revelando chocante desprezo pelo público adepto e associado dos clubes respectivos. Tendência esta que, face à reacção popular, acabou por motivar um tribunal espanhol a rejeitar a efectivação na cidade de Miami (EUA) de uma final Villareal-Atlético de Madrid. Evidentemente que o objectivo destes jogos nada tem a ver com competição desportiva, mas unicamente com interesses financeiros.

O certo é que, uma vez ultrapassada a terrível calamidade que enfrentamos, tornar-se-ão imperiosas a reformulação, a reabilitação e a dignificação do futebol como indústria e espectáculo atractivo, honesto, isento e qualificado aos olhos do público que o ama e sustenta. Sem dúvida, uma tarefa árdua e imensa que implicará a queda do negro manto de execrável mercantilismo de que gradualmente se revestiu.

E o que acontecerá, em particular, ao reconhecidamente debilitado futebol profissional português? Eis uma grande incógnita de imprevisível resolução, considerando que a quase totalidade dos clubes integrados nas primeira e segunda ligas se encontra fatalmente endividada (grande número dos quais com jogadores que estão meses sem receber o seu salário) não dispondo da mínima capacidade de manter equipas profissionais. Daí o perigo de caírem súbita e imprudentemente nas mãos de suspeitos investidores estrangeiros, cujo oportunismo é justificado pela urgência de lavagem de dinheiro clandestino.

Para agravar a frágil e muito dramática situação em que encontra, o nosso popular futebol é ainda vítima crescentemente gravosa da corrupção, da troca de favores, do câmbio de influências e do jogo de obscuros interesses que – para além da desacreditada Justiça, tanto civil como desportiva – têm florescido em imparável ritmo no seio dos organismos estatais, governamentais e federativos, cujo dever é, pelo contrário, garantir, fomentar e proteger a integridade, a isenção, a transparência e a verdadeira honestidade competitiva. Enfim, um muito poderoso cancro que carece ser prontamente desvendado e radicalmente destruído – a fim de eventualmente possibilitar e assegurar a sobrevivência honrada, sustentável e progressiva do futebol nacional.

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 04:34

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Existirá no Estádio Nacional alguma placa/lápida, visivelmente afixada, assinalando o histórico primeiro golo da sua inauguração, marcado pelo lendário Peyroteo?

Recorde-se que o mítico estádio, construído junto à Ribeira do Jamor, em Oeiras, foi solenemente inaugurado no dia 10 de Junho de 1944 (Dia de Portugal), com a presença das principais figuras do Estado e um extenso e extraordinário festival que, acima de tudo, homenageou a beleza e a magnificência arquitectónica do grandioso recinto desportivo, formosamente revestido de mármore branco português.

Como não podia deixar de ser, o grandioso acontecimento, terminado ao início da noite, culminou com o mais importante e apaixonante derby do futebol nacional: um Sporting-Benfica, que, após um prolongamento já ao lusco-fusco, a equipa sportinguista venceria por 3-2 – conquistando assim a monumental e belíssima Taça Império, que pode, e deve, ser admirada no Museu do nosso Clube.

Mas o que neste texto se pretende distinguir, enaltecer e relembrar é o autor do histórico golo inaugural: o inevitável Fernando Peyroteo, aos dez minutos da segunda-parte do emocionante confronto – e, ainda, do segundo golo! (marcando Eliseu, ao cair do pano, o tento triunfal).

Portanto, a simples razão da minha pergunta: haverá no Estádio Nacional alguma placa comemorativa do singular feito de Fernando Peyroteo? Se, de facto, existe, poderá alguém ter a gentileza de o confirmar (se possível, com fotografia)? Obrigado.

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 15:11

O fabuloso Fernando Peyroteo

Rui Gomes, em 15.04.20

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A tão expressiva evocação, no Camarote Leonino, do grande Fernando Peyroteo – o maior goleador de todos os tempos do futebol português e um dos maiores do futebol mundial – fez perpassar pela minha memória o 'filme' de muitos momentos fabulosos, gratificantes e inolvidáveis proporcionados por um grande futebolista que sendo uma autêntica força da natureza era, igualmente, uma verdadeira e notável personalidade de excepção, homem de exemplares integridade e lealdade, um verdadeiro gentleman dentro e fora dos terrenos de jogo – detectando-se nele algo de aristocrático, talvez derivado de, como se admitia então, ser sobrinho-bisneto do Conde de Torres Novas, um antigo Governador da então Índia Portuguesa.

Era eu então apenas um miúdo quando, levado por amigos sportinguistas dos meus pais ao velhíssimo Estádio do Lumiar me deslumbrava perante aquela fenomenal “máquina” de marcar golos, comungando do êxtase da multidão que gritava “golo!” ainda a bola não tinha sido disparada dos seus pés ou da sua cabeça…

Relembro-me que, tendo eu os meus catorze anos, me atrevi a escrever uma carta pessoal a Fernando Peyroteo, endereçada à sede do Sporting, pedindo-lhe um bilhete para um jogo entre a seleção militar portuguesa (que ele integrava) e uma selecção da britânica Royal Air Force, realizado em 17 de Fevereiro de 1946.

Dois dias antes do confronto, ao regressar do colégio, a minha mãe, de ar bem severo, interpelou-me surpreendentemente..."Ouve lá, tu mandaste alguma carta ao Senhor Peyroteo? É que ele telefonou para cá, para tu estares no domingo, à uma da tarde, no Quartel da Graça”... (partida da selecção militar para o Estádio Nacional). Impressionada pela minha espontânea explosão de euforia, ela acedeu a interceder pela imprescindível concordância do meu pai, e ambos, perdoando a minha grande ousadia, acabariam por me conduzir à Graça…

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Acolhendo-me muito afavelmente, Peyroteo foi de uma extrema generosidade. Chegados ao mítico estádio – onde, dois anos antes, ele marcara o histórico golo inaugural – pediu a um membro da comitiva que me conduzisse ao meu lugar especial na bancada. E após o jogo (que terminou 1-1, com mais um golo da sua autoria) concedeu-me o enorme prazer de me sentar a seu lado na viagem de retorno ao quartel, durante a qual mantivemos uma animada conversa.

Até ao final da sua prodigiosa carreira futebolística, Fernando Peyroteo – o melhor e mais verdadeiro avançado-centro que teve até hoje o futebol nacional – continuou a oferecer incontáveis alegrias aos sportinguistas e numerosos títulos ao seu e nosso Clube – que, já muito depois da sua morte, prestaria à sua memória a impressionante consagração que inteiramente merecia e lhe devia – lamentando-se, a propósito, o tão injusto olvido em que naufragou o seu extraordinário companheiro de rota e de sucesso João Azevedo (talvez o melhor guarda-redes português de sempre e ainda hoje recordista do número de títulos e troféus conquistados pelo Sporting).

Estive presente na inauguração da loja de artigos desportivos que Peyroteo abriu na Rua Nova do Almada, em Lisboa, e reencontrei-o em Luanda, durante uma missão jornalística a Angola, em 1961, estava ele com os seus 43 anos – tendo-me chocado profundamente a depressão e a amargura que então manifestava, resultante não apenas do seu débil estado de saúde, mas também do esquecimento e da ingratidão de que se considerava injusta vítima. Faleceria em Novembro de 1978, com apenas 60 anos.

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:49

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Na peugada do seu super-alucinado guru, essa imbecil gentalha exibe uma total carência de civismo, de moral e – face à gigantesca tragédia que se abateu sobre o nosso ameaçado planeta – de verdadeiramente infame e chocante falta de humanitarismo!

Para essa cambada de garotos tudo e mais alguma coisa vale, mesmo o mais execrável e repugnante, para alimentar a sua ilusória ambição de se apoderar do Sporting – o que, nunca acontecerá!

Depois da inesquecível e dolorosa catástrofe produzida pelos seus destituídos mentores, os verdadeiros sportinguistas jamais o permitirão!

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:33

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Naquele dia, liguei logo para a minha mulher, porque não sabia se iria voltar a casa. Este episódio ficará para sempre na minha memória. Ainda hoje, no final dos jogos, tenho medo de que volte a acontecer” – Jérémy Mathieu

Nunca vivi nada como isto, nem acho que tenha acontecido em mais algum lado. Mais do que pela minha vida, temi pela da minha família. Pedi à minha mulher para ir com a minha filha para o Porto. Fiquei mais nervoso, com mais ansiedade antes dos jogos e com medo de que isto se repita se a equipa tiver um resultado menos positivo”Bruno Fernandes

Pensei que ia morrer... O meu pensamento era que não nos matassem... 'Queres ir embora? parto-te a boca toda'... disse-me um dos atacantes. Senti que o presidente estava a voltar os adeptos contra os jogadores. Ainda hoje, passado ano e meio, quando vou a Portugal não me sinto em segurança. Ainda há adeptos maldosos contra nós. Tive muitas ameaças. Tivemos de tomar medidas, eu e a minha família. Tinha de sair. Era impossível continuar em Portugal. Mesmo estando em Inglaterra, há noites e momentos em que ainda vivo aquilo” – Rui Patrício

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"Foi horrível. Não sabia qual seria o meu futuro. Vi entrar um homem muito grande com máscara, depois entraram mais e o sexto agrediu-me na cabeça com um objecto e caí imediatamente para o chão, a sangrar, mas ele começou a dar-me pontapés e a dizer a outro para fazer o mesmo. Estava com imenso medo. Logo a seguir ao ataque, fui a um psicólogo e ele sugeriu que seria bom para mim sair do país. Decidi ir três semanas para a Áustria. A minha mulher estava grávida e ela queria dar à luz em Lisboa, “ – Bas Dost

"Muito antes da invasão, Mustafá ligou-me a dizer que o presidente Bruno de Carvalho lhe tinha pedido para ameaçar os jogadores e ainda partir-lhes os carros. Fui um dos principais alvos dos cerca de 40 invasores da Academia. Três ou quatro agarraram-me e deram-me vários socos no peito e nas costas, e a gritar que eu não merecia vestir aquela camisola. Tive muito medo. Fiquei sem saber o que fazer. Estava em pânico"William de Carvalho

Disseram-me que me iam matar, que sabiam onde eu morava e onde era a escola dos meus filhos. Agrediram-me enquanto diziam 'não mereces essa camisola'. A minha primeira reacção foi ligar para a minha família. Senti medo, mais pela minha mulher e os meus filhos. Durante algum tempo andava sempre a olhar para trás, para ver se estava a ser seguido” – Marcus Acuña

"Depois deste incidente fiquei sempre com medo. Ainda hoje, cada vez que o Sporting perde um jogo, fico com medo que isto se volte a repetir. Mandei a mulher e a filha para a Macedónia. Eu fiquei alojado num hotel e no final do jogo da Taça fui ter com eles” – Stefan Ristovski

“Eles diziam que nos matavam se não ganhássemos o próximo jogo [final da Taça). Na reunião, no estádio, na véspera da invasão, o presidente Bruno de Carvalho disse que tinha o chefe da claque a ligar-lhe para saber onde moravam o Acuña e o Bataglia. Nos dias seguintes à invasão tinha muito receio e não andava tão exposto como antes”André Pinto

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"Desataram aos socos e pontapés logo que entraram, lançando tochas e gritando 'o Sporting somos nós!' Ameaçaram-nos que, caso não ganhássemos no domingo seguinte a Taça, voltariam. Um dos agressores ordenou-me que despisse o equipamento do Sporting. Colocaram-se à porta do balneário, para impedir a nossa saída. Ficámos todos sem reacção e eu em estado de nervos. Já fora do edifício, vi o nosso treinador, Jorge Jesús, a sangrar do nariz e o Bas Dost magoado e a chorar por ter sido atingido na cabeça. Tive pesadelos por causa do ataque” – João Palhinha

Estes são extractos dos depoimentos do julgamento no Tribunal de Monsanto, de algumas vítimas (físicas e morais) da invasão terrorista à Academia Sporting, no trágico 15 de Maio de 2018, por uma horda de delinquentes e malfeitores, cruelmente insensíveis à realidade de que por detrás de cada jogador de futebol existem uma mãe, um pai, uma esposa, filhos, uma família – enfim, seres humanos…

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E – para rematar – recorde-se estas infâmes palavras publicamente proferidas pelo então presidente do Clube – o principal instigador da hostilidade à equipa de futebol e autor moral da profunda degradação do clima vivido no Sporting – no próprio dia mais negro da história da centenária Instituição:

Foi chato ver os familiares dos jogadores e do “staff” a ligarem”… “O crime faz parte do dia-a-dia”…

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:47

Confesso que me decepciona irritantemente o facto de a nossa equipa principal de futebol se apresentar frequentemente a jogo, sobretudo no estrangeiro, plena e voluntariamente despida tanto da identidade visual do Sporting CP como da força global da sua própria imagem – aquela que, ao longo de mais de cem anos, tornou o nosso Clube distintamente identificável em Portugal e internacionalmente.

Tal como há pouco aconteceu em Istambul, vemos repetidamente, através das reportagens televisivas, os balneários utilizados pelo Sporting decorados com espectaculares fotos dos jogadores envergando a tradicional camisola listada verde-branca – a mesma com que, obviamente, centenas ou milhares de apoiantes se apresentam nas bancadas dos estádios, desfraldando orgulhosamente o estandarte verdejante.

Mas, imensa frustração... nenhuma equipa trajada de verde-branco surge nos relvados, mesmo naquelas partidas em que não existe a mínima hipótese de o seu equipamento se confundir com o do adversário, desperdiçando-se soberanas oportunidades de expansão da internacionalidade do Clube. Um paradoxal algo absurdo, a juntar a tantos outros que contribuem gradualmente para destruir a leal paixão pelo futebol.

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E, talvez seja apenas pura superstição ou mera coincidência, mas as minhas expectativas de sucesso do Sporting em jogos além-fronteiras desvanecem-se de imediato quase sempre que, com um misto de mágoa e indignação, assisto à entrada em campo da nossa equipa, despojada do seu histórico, famoso e vistoso equipamento tradicional – como se tratasse de um qualquer desconhecido 'clubezeco' do bairro. Sentindo-me então dominado por um mau presságio, infelizmente confirmado pela maioria dos seus desaires…

Reconheço, obviamente, que esta penosa actual realidade se deve às pressões do poderoso mundo mercantilista, sem sentimentos, que domina e infecta cada vez mais o desporto, principalmente o futebol. As exigências dos patrocinadores e fabricantes de equipamentos sobre os clubes são permanentes, intensas e não raramente abusivas. A marca Sporting Clube de Portugal, como as dos seus concorrentes, encontra-se prioritariamente subjugada aos interesses próprios das empresas participantes. O deus dinheiro tudo absorve!

Todavia, há que prevalecer o equilíbrio e o bom-senso. Ninguém, nenhuma marca, ganha com a descaracterização da histórica imagem visual do Clube. Antes pelo contrário: todos perdem. Quanto maior for o sucesso desportivo do Sporting CP e da sua prestigiosa marca – nacional e internacionalmente – mais bem-sucedidas e lucrativas serão as empresas e marcas que o apoiam ou com ele colaboram.

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:18

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É profundamente condenável a manifesta falta de consideração e de respeito – tanto do arrogante e autoritário senhor Jorge Sousa como da maioria dos seus colegas portugueses – pelos reais artistas do espectáculo futebolístico, que são os jogadores, normalmente ofendidos na sua dignidade humana e profissional por juízes sem a mínima qualificação cívica, ética, psíquica ou técnica para exercer função tão decisiva e responsável.

Na realidade, o que predominantemente se constatou em Braga, no domingo, foi mais uma expressivamente escandalosa “arbitragem” (?) de um tal senhor dubitativamente classificado como “um dos melhores apitadores nacionais”, a qual reconfirmou, de novo e inequivocamente, a justa razão porque – apesar de Portugal ser o Campeão da Europa – os árbitros lusos não serem convocados para actuar nas grandes competições europeias. Um afastamento humilhante para o nosso país futebolístico.

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Antes de autorizados a desfilar a sua soberba, a sua incompetência e a sua reconhecida e habitual pressão tendenciosa pelos relvados, os árbitros nacionais deviam ser obrigados a frequentar um deveras exigente curso de formação profissional na Inglaterra – no qual aprenderiam, igualmente, a distinguir e a sancionar exemplarmente o número cada vez maior de futebolistas simuladores e mergulhadores que fazem da batota a sua grande e ridícula especialidade, defraudando a autenticidade do jogo e lesando, consequentemente, o público que paga para assistir a um espectáculo limpo e honesto.

Texto da autoria do nosso estimado colaborador Leão da Guia

*Nota: Primeiro e sobretudo, o nosso agradecimento ao estimado leitor Pedro51 pela gentileza de nos enviar a foto que aqui publicamos.

Na imagem é possível ver o aperto de pescoço de Wallace - jogador do SC Braga - a Rafael Camacho, mesmo nas 'barbas' do árbitro auxiliar, acção que pode ser considerada agressão, punível com expulsão directa.

publicado às 03:04

Orgulho de sportinguista

Rui Gomes, em 15.01.20

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Na tarde do passado sábado... o meu grande orgulho de sportinguista voltou a atingir o cume. Em transmissões simultâneas, três diferentes canais televisivos lusos confirmavam inequivocamente a histórica grandeza do nosso Clube.

Num deles, o Sporting jogava e ganhava no futsal em Matosinhos, apurando-se para a final da Taça da Liga (que perdeu com uma arbitragem visivelmente inquinada). No segundo canal, a equipa de hóquei em patins vencia largamente na Marinha Grande para a Taça de Portugal. E no terceiro, em transmissão do Pavilhão João Rocha, os leões do basquetebol cilindravam espectacularmente a Ovarense.

Um dia de grande sucesso, coroado, na mesma noite, com o triunfo da equipa de futebol em Setúbal, a despeito da execrável farsa encenada pelo presidente do Vitória.

E ainda, neste mesmo fim-de-semana, as atletas leoninas consagraram-se, pela quinta vez consecutiva, no Jamor, campeãs nacionais de atletismo de estrada em seniores, vencendo igualmente a competição em juniores, dominando em absoluto,  masculino e feminino, individual e colectivamente, enquanto que o conjunto principal masculino de ténis de mesa conquistava a quinta Taça de Portugal também consecutiva.

Lastimavelmente, contudo, o tema permanentemente dominante no comentário ou debate público, senão mesmo o único, é o insucesso da nossa equipa principal neste cada vez mais corrupto futebol português, como se o Sporting CP fosse uma instituição (ou empresa) exclusivamente futebolística, à inglesa – ignorando-se sistemática, absurda e injustamente os notáveis feitos, nacionais e internacionais, dos atletas sportinguistas na grande maioria das restantes modalidades, parte dos quais honrando o nosso país. Atitude que, no fundo, revela um lamentável défice de cultura desportiva.

Não, o Sporting não é, nunca foi e espero que jamais venha a ser apenas futebol!

No entanto, todos aqueles que se dedicam, afanosa, insistente e fastidiosamente, a criticar o Sporting na globalidade (e os seus dirigentes) pela actual falta de sucesso da sua equipa principal de futebol (das bolas que não entram nas balizas ou batem nos postes) parecem ter-se esquecido, por incurável amnésia ou manifesta intencionalidade, de que o futebol foi, precisamente, a maior vítima das consequências calamitosas herdadas da gestão irresponsável e catastrófica do alucinado charlatão tardiamente destituído.

Consequências estas que tiveram o efeito de deixar o Clube numa situação absolutamente ruinosa, ajoujado de dívidas, profundamente agravada pela invasão terrorista à Academia, cujos danosos efeitos financeiros rondaram os 250 milhões de euros. Uma pesarosa realidade, cuja solução exige, obviamente, tempo e um gigantesco esforço – requerendo a compreensão, a tolerância e a adesão convicta de toda família sportinguista.

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:48

Fora com os vândalos!

Rui Gomes, em 09.01.20

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Parece absolutamente incompreensível que o Sporting Clube de Portugal – dispondo da tecnologia necessária – não descubra, identifique e recorra aos seus seguranças e à PSP para, de imediato, expulsar e deter esses vândalos cretinos e desordeiros, responsáveis pelos distúrbios e o clima tenebroso que fomentam no estádio ou no pavilhão do nosso Clube - desafiando ostensivamente as clamorosas reacções condenatórias da generalidade do público presente.

Na realidade, só passam por não ser mais que bandos de delinquentes, perturbadores do espectáculo desportivo, criadores de um ambiente deveras intolerável, irritante, revoltante e assustador. Contribuindo fundamentalmente para o afastamento das pessoas dos estádios – causando, por conseguinte, avultados prejuízos financeiros ao Sporting.

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Recorrem a cânticos insultuosos, tarjas com mensagens ofensivas e despropositadas, explosivos, chamas e destruição de cadeiras, lançamento de tochas incandescentes para o relvado e sobre os jogadores, densa fumarada intoxicante – afectando gravemente crianças, idosos, pessoas com problemas respiratórios e, obviamente, os próprios atletas em jogo (como é possível colocar dentro do estádio todo esse perigoso material? Não existe controlo algum?).

Enfim, uma autêntica e infame sabotagem ao nosso Clube promovida por essa gentalha indesejável e destrutiva, que deve ser policialmente denunciada, banida para sempre de recintos desportivos e judicialmente forçada a pagar integralmente os volumosos danos causados pelos seus actos criminosos, assim como as indemnizações e coimas impostas pelas instâncias oficiais.

Porque não adoptar o bom exemplo da Juventus? Como noticiado, na sequência de uma denuncia do clube de Cristiano Ronaldo, a polícia de Turim deteve, no passado Setembro, 40 elementos da claque mais radical da agremiação, entre os quais dez dos seus líderes, acusados de prática chantagista por ameaças, provocarem nas bancadas, durante os jogos, cenas desordeiras e violentas e de entoarem cânticos insultantes se não recebessem um número específico de privilégios, incluindo bilhetes gratuitos, que seriam, de seguida, vendidos no mercado negro…

Caros sportinguistas, o que é que este caso nos faz lembrar?

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:48

Assustadoramente inacreditável

Rui Gomes, em 22.10.19

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Mais uma preciosíssima “pérola” desta peculiar Justiça portuguesa…

Segundo revelaram há dias vários jornais, o Tribunal da Relação de Lisboa defende que o insulto, a ofensa e a baixeza moral fazem parte do futebol.

Efectivamente, um acórdão dos juízes da 9ª Secção daquele tribunal fundamenta-se em considerações polémicas para recusar o enquadramento penal de injúrias no mundo do desporto, com a justificação de que comportamentos reveladores de baixeza moral são, de alguma forma, tolerados na cena futebolística.

O jornal A Bola referenciou um caso, a propósito, em que durante um qualquer jogo um delegado insultou um técnico com expressões gravosamente ofensivas – as quais, no entanto, aquele tribunal entendeu que as ofensas, feitas no seio do mundo do futebol, não atingiram um patamar de obscenidade e grosseria de linguagem, argumentando que no contexto de acesa discussão, numa envolvência futebolística em que foram proferidas, aquelas palavras não têm outro significado que não seja a mera verbalização de palavras obscenas, sendo absolutamente incapazes de pôr em causa o caráter, o bom nome ou a reputação do visado.

A decisão judicial acentua ainda que um comportamento revelador de falta de educação e de baixeza moral e contra as regras de ética desportiva é de alguma forma tolerado nos bastidores da cena futebolística.

Igualmente divulgada pelos media cá do burgo, foi a reacção do presidente do Comité Olímpico de Portugal, que, afirmando-se surpreendido com o teor do acórdão, afirmou: "Na perspectiva daquele tribunal, um recinto desportivo é uma espécie de offshore, onde se pode praticar o que é criminalizado no exterior".

Para José Manuel Constantino, esta gravíssima decisão derruba esforços de professores, pais e autoridades desportivas para a regulamentação dos comportamentos em situações competitivas. Ao justificar que são aceitáveis expressões que ferem o património pessoal, humilham, mancham a honra e a dignidade pessoal, o exemplo que se transmite é muito negativo.

E agora?” – interroga-se o Expresso... Ou, como diria certamente o saudoso Fernando Pessa: “E esta hein?”…

É por de mais evidente que chocantes e assustadores exemplos destes, vindos da própria Justiça, complicam ainda mais a tarefa gigantesca, mas urgente e crucial, de mobilizar e motivar esforços contra a crescente violência física e verbal no mundo do desporto.

Com magistrados desta mentalidade, é facílimo compreender o estado desastroso em que existe a Justiça portuguesa – indubitavelmente a maior responsável pelo enorme atraso de Portugal face aos países evoluídos, onde ela funciona, transparente e credível.

Texto da autoria do nosso leitor/colaborador Leão da Guia

publicado às 15:00

Não nos deixemos iludir...

Rui Gomes, em 15.10.19

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Estou plenamente convicto, há muito, de que a esmagadora maioria dos sportinguistas apoia firmemente a Direcção no seu possível propósito de banir radical e definitivamente de associados e de todas as instalações do Clube essa indesejável gentalha, cujo constante e condenável comportamento desordeiro tem provocado crescente mal-estar e indignação de todos os que - no estádio ou no pavilhão - têm pleno direito a assistir pacificamente às variadas actividades do Sporting, para além de incomensuráveis danos financeiros e de repercussão.

Lamentavelmente, a agora tão mal-afamada (dentro e fora do país) Juve Leo tornou-se gradualmente presa fácil de arruaceiros, delinquentes e afins (alguns até com cadastro criminal), estratégica e astuciosamente infiltrados na própria claque, usando-a como única actividade 'profissional', explorando parasiticamente o Sporting Clube de Portugal - gozando das inadmissíveis, injustificáveis e generosas benesses (incluindo bilhetes grátis, viagens, estadias, acesso directo aos jogadores e técnicos, etc.) concedidos pelo psicopata charlatão, tardiamente destituído, em troca de serviços pessoais de milícias protectoras do alucinado ditador.

São, pois, estes ditos órfãos do 'brunismo' que, saudosos das suas muitas infames regalias - e contando com a vergonhosa conivência da media sem escrúpulos - espalham e fomentam os ridículos espectáculos desordeiros que se têm verificado e que visam atacar o Sporting e os seus legítimos dirigentes. Não nos deixemos iludir...

Texto da autoria do nosso leitor/colaborador Leão da Guia

publicado às 04:03

Numa extensa e interessante entrevista de Rui Miguel Tovar, publicada no site do “Mais Futebol” na passada quinta-feira, o conhecido antigo chefe do Restaurante Churrasqueira no Campo Grande, João Dinis (cozinheiro do Sporting Clube de Portugal nas deslocações da sua equipa ao estrangeiro nos anos 70 a 90), desfiou um longo somatório das suas memórias, recheado de curiosas revelações e inéditos relatos de episódios pessoais com protagonistas históricos como, entre outros, Yazalde, João Rocha, Bobby Robson, José Mourinho, John Toshack, António Oliveira, Rui Jordão, Manuel Fernandes, Meszaros, Carlos Queiroz, Luís Figo, Balakov, Carlos Xavier, Futre, Mário Jardel, Jaime Pacheco, Jorge Jesus ou o massagista Manuel Marques (o inesquecível “mãos de ouro”).

Mas, indubitavelmente, a mais surpreendente revelação do chefe João Dinis incida no fervoroso sportinguismo demonstrado pelo actual presidente do Sport Lisboa e Benfica:

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O Luís Filipe Vieira era um sportinguista ferrenho. Trabalhava numa casa de pneus e o seu patrão ia muito à Churrasqueira nessa altura com os seus empregados. Todos nós, no restaurante, tínhamos carros do seu 'stand'. Foi então que conheci o Luís Filipe Vieira. Um sportinguista ferrenho. Nem imagina... sócio e tudo. Se não deixou de pagar as quotas, deve ser o número dois-mil-e-tal. A gente falava muito do Yazalde, dos seus golos, das suas jogadas”.

Na mesma entrevista, João Dinis confessou que, depois de sempre ter assistido aos jogos do Sporting, em casa e fora, deixou de o fazer a partir do trágico incidente do very-light no Estádio do Jamor, em 1996, na final da Taça de Portugal com o Benfica, em que um adepto do Sporting foi mortalmente atingido. “O very-light passou mesmo por cima de nós. Aquilo fez-me desistir de ir à bola”.

E não terminou a longa entrevista sem relatar mais um episódio ”picante”, daqueles que, na sombra, contribuíram decisivamente para a obscuridade, a suspeição e a desconfiança que hoje envolve o tão martirizado futebol português:

Lembrei-me de uma outra história, esta, passada há 30 anos, com o Jaime Pacheco. A Churrasqueira fechava ao domingo à noite e convidei-o para ir comer a minha casa. Já bem bebidos, tive então a coragem de lhe perguntar sobre a força do Porto no futebol português. E ele disse-me 'João, vou contar-te, não digas a ninguém: quando o delegado ao jogo entrava no balneário do árbitro, entregava as fichas dos jogadores titulares e uma nota de 100 dólares'. (…)

Ainda quanto a Luís Filipe Vieira:

Após uma passagem pelo FC Alverca (onde julgou ter descoberto a sua “mina de ouro” no futebolista angolano Pedro Mantorras) e complicados problemas com a Justiça, tornou-se, na sua actividade de empresário da construção civil e da imobiliária, um notório grande devedor... ao Fisco e à Banca, tendo-se refugiado finalmente, e comodamente, como presidente do Benfica.

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 05:03

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Segundo o publicado pelo Expresso, baseado em notícia divulgada pela agência Reuters, a polícia de Turim deteve ontem (segunda-feira) cerca de quarenta elementos de algumas das claques mais violentas da Juventus – incluindo dez dos seus líderes – suspeitos de chantagear o clube a fim de obter ingressos grátis para os jogos, que, de seguida, eram vendidos no mercado negro.

O método utilizado era bem simples: caso a Juventus não disponibilizasse bilhetes a esses grupos, os seus membros ameaçavam causar cenas de violência nos estádios e entoar cânticos ofensivos e racistas durante os jogos do clube de Cristiano Ronaldo.

Derivada de queixa da Juventus às autoridades, e após um ano de investigações por parte uma unidade especial da polícia de Turim, a operação estendeu-se a 14 cidades do norte e centro de Itália – devendo os suspeitos ser acusados de conspiração, crime organizado, lavagem de dinheiro e agressão.

Acrescenta esta mesma notícia ter este caso surgido poucos meses depois do Ministério Público italiano ter aberto uma investigação, que ainda decorre, à alegada infiltração de membros da máfia calabrese em grupos de ultras da Juventus.

Atendendo aos imensos danos e perturbações causados por algumas das suas “claques” radicais infiltradas de desordeiros, os clubes portugueses mais atingidos por este crescente problema bem deviam seguir o exemplo do campeão italiano – isto, claro, se, devidamente mentalizadas, as nossas autoridades policiais se empenhassem na exterminação deste cada vez mais gravoso fenómeno social.

Texto da autoria do nosso leitor/colaborador Leão da Guia

publicado às 02:33

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Agora, que se inicia mais um campeonato nacional de futebol, alguém se recordará ainda da punição federativa acumulada de quatro (ou seis) interdições aplicadas ao Estádio da Luz - mas até hoje não cumpridas?

O que acontecerá? Estarão os processos escondidos no fundo de uma qualquer gaveta do presidente do inútil Instituto da Juventude e Desporto ou do igualmente inútil secretário de Estado do Desporto? Do próprio presidente da FPF ou do seu Conselho de Disciplina?

Haverá ordens superiores da “geringonça” a pensar nas próximas eleições?... Estará o Benfica, realmente, acima da lei (como parece)? Estarão todos os responsáveis envolvidos ansiosamente à espera de que mais este incómodo assunto mergulhe definitivamente no oceano do esquecimento?

Vá lá, expliquem-se!

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:33

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Para lastimável descrédito do Desporto e da Justiça deste singular país, tem-se constatado ultimamente a tendência de alguns dos maiores devedores ao fisco e à banca (isto é, a todos nós, cidadãos contribuintes) - nomeadamente empresários da construção civil e da imobiliária - se refugiarem comodamente como altos dirigentes de populares clubes de futebol. Um expediente habilidoso que, resistindo ilicitamente ao cumprimento da lei e das dívidas, lhes permite garantir a manutenção da sua vida confortável, em prejuízo das vítimas ignoradas e sofredoras dos seus calotes.

A fim de conservar o seu poder (indispensável à sua segurança) esses astutos personagens cultivam avidamente o apoio das aduladoras e inconscientes massas adeptas dos seus clubes, usando simultaneamente o seu prestigioso estatuto na conquista de uma influência cada vez mais notória e pessoalmente interesseira sobre as variadas instâncias desportivas, políticas ou da comunicação social – o que resulta, obviamente, numa promiscuidade crescentemente suspeitosa e altamente perniciosa para a imprescindível integridade do movimento desportivo nacional, sobretudo o futebolístico.

Neste particular e inflamado contexto, não surpreende que o comum observador manifeste o seu repúdio pela frequente e desavergonhada exibição pública, nas elegantes tribunas dos estádios e outros locais, desses desafiantes grandes caloteiros, principalmente quando ladeados de governantes e políticos igualmente destituídos de pudor.

Texto da autoria de Leão da Guia

publicado às 03:33

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