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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

Mário Lino destacou-se no Sport Clube Lusitânia e a sua transferência para o Sporting em 1958, a mais avultada dos Açores até então, deu ao Lusitânia a possibilidade de comprar a sua sede social, um dos mais belos e históricos edifícios de Angra do Heroísmo. O antigo jogador sportinguista costuma dizer “que a Primária foi na Horta, o Liceu no Lusitânia e a Universidade no Sporting”.
Em Alvalade passou de médio ofensivo a defesa direito no decurso da renovação do sector recuado da equipa, e apesar de ser baixo era muito forte fisicamente e tinha uma grande capacidade de desarme, que aliada a uma excelente técnica individual, fez dele um jogador que também era capaz de participar nas acções ofensivas da equipa. Foi titular indiscutível durante cinco épocas, tendo conquistado um Campeonato Nacional (1961-62) e uma Taça de Portugal (1962-63).
Como treinador, em Janeiro de 1969 substituiu Fernando Caiado, de quem era adjunto, até ao regresso de Armando Ferreira ao cargo de Secretário Técnico, com quem trabalhou como treinador de campo. Foi adjunto de Fernando Vaz, com o qual conquistou um Campeonato (1969-70) e uma Taça de Portugal (1970-71), e depois de Ronnie Allen, com uma vitória na Taça de Portugal (1972-73). Foi o treinador principal em 1973-74, numa das melhores épocas de sempre do Sporting, em que chegou às meias-finais da Taça das Taças, e venceu o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal, embora Mário Lino já não se tenha sentado no banco no jogo da final.
Foi galardoado com o Prémio Stromp Técnico Profissional em 1972 e 1974.
Mário Lino completa hoje 86 anos.

Mário Lino e Hector Yazalde
Mário Lino era o treinador adjunto de Fernando Vaz quando Hector Yazalde se estreou no Sporting num jogo amigável com o São Paulo disputado no Morumbi em 25 de Janeiro de 1971. A seguir foi adjunto de Ronnie Allen, passando a treinador principal depois do despedimento do inglês em Abril de 1973. Foi ele que em Junho dirigiu a equipa leonina no Jamor na vitória da Taça de Portugal frente ao Vitória de Setúbal (3-2) e na época de 1973-74 a conduziu à conquista do título de campeão nacional.
“Chirola” foi perseguido durante algum tempo pelo fantasma de Mosquera, contratado em 1970, que fez três jogos e marcou um golo. Nos primeiros meses de Yazalde em Alvalade, quando as coisas lhe corriam mal, os adeptos recordavam-se do avançado peruano. No entanto, o argentino adaptou-se com grande sucesso ao futebol português, deu um ar da sua graça em 1971-72 (9 golos no Campeonato), fez uma boa época em 1972-73 (19 golos no Campeonato) e foi decisivo em 1973-74 (46 golos no Campeonato). Na época seguinte, a última de verde e branco, o goleador argentino marcou 30 golos e voltou a conquistar a Bola de Prata, no entanto Mário Lino já não era o treinador.
Yazalde triunfou no Sporting pelo seu valor intrínseco. Mas, Mário Lino, um avançado que se tornou num defesa lateral enérgico e muito competitivo, entendeu da melhor maneira os movimentos repentinos e imprevistos do jogador argentino, e a sua subtileza na grande área adversária. Inicialmente como adjunto de Fernando Vaz, depois como treinador principal, foi absolutamente determinante para que o craque das pampas se tornasse na “triunfante fatalidade” (Dinis Machado) que os sportinguistas nunca esquecem.

A Taça de 1972-73
Mário Lino, Vítor Damas, Nelson, Yazalde e Tomé seguram a Taça de Portugal de 1972-73. O treinador, o capitão de equipa e os três marcadores dos golos na final com o Vitória de Setúbal (3-2). Uma conquista que chegou a parecer impossível de tão desastrosa que foi a época. Longas digressões aos Estados Unidos da América, a Moçambique e à Europa de Leste, o fracasso logo na primeira eliminatória da Taça das Taças frente aos escoceses do Hibernian, a invasão de campo num Sporting-Leixões, a interdição do Estádio de Alvalade, a agressão a Damas por adeptos do Montijo, o fracasso de Ronnie Allen como treinador do Sporting, a demissão do presidente Brás Medeiros e um péssimo 5º lugar no Campeonato Nacional.
A Taça foi salvação da época. No final do mês de Abril, Mário Lino passou de adjunto a técnico principal e Osvaldo Silva dos juniores avançou para adjunto. Organizaram a “casa” e conquistaram a Taça de Portugal frente ao perigosíssimo Vitória de Setúbal. Yazalde fez um jogo soberbo, assistiu Nelson no 1-0 e fez ele próprio o 2-0 num remate que fulminou Torres. Depois, Tomé elevou para 3-0. O último quarto de hora foi de grande sobressalto por causa dos dois golos sadinos, mas Damas segurou as pontas lá atrás. Com este triunfo, Mário Lino conseguiu o direito de preparar a equipa para a 4ª dobradinha de história do Sporting em 1973-74 e para o percurso vitorioso na Taça das Taças até às meias-finais com o Magdeburgo.
Ficha de jogo:
Final da Taça de Portugal, 1972-73
Sporting 3 - Vitória de Setúbal 2
Estádio Nacional, 17 de Junho de 1973
Árbitro - Fernando Leite (AF Porto)
Sporting - Vítor Damas, Bastos, Laranjeira, Carlos Alhinho, Manaca, Tomé (Hilário, 80m), Vagner, Nelson, Marinho, Yazalde (Chico Faria, 80m) e Dinis
Treinador - Mário Lino
Golos - Nelson (23m), Yazalde (34m) e Tomé (66m)
Vitória de Setúbal - Torres, Rebelo, João Cardoso, José Mendes, Carriço, Amâncio, José Maria, Câmpora (Vicente), José Torres e Jacinto João (Arcanjo)
Treinador - José Maria Pedroto
Golos - Duda (76m) e Vicente (84m)

A Taça que “salvou” a época de 1972-73
A época de 1972-73 chegou a parecer que seria desastrosa para o Sporting. Muita coisa correu mal, em particular a realização no Verão de longas digressões aos Estados Unidos da América, Moçambique e Europa de Leste, a eliminação na 1ª eliminatória da Taça das Taças pelo Hibernian, a invasão de campo num Sporting – Leixões, a interdição do Estádio de Alvalade, a agressão a Damas por adeptos do Montijo, o fracasso de Ronnie Allen como treinador leonino, a demissão do presidente Brás Medeiros… A consequência foi um péssimo 5º lugar no Campeonato Nacional.
Felizmente, havia em Alvalade os recursos humanos necessários para ainda “salvar” a época. Mário Lino passou de adjunto a técnico principal e Osvaldo Silva dos juniores avançou para adjunto. Organizaram a “casa” e conquistaram a Taça de Portugal, frente ao Vitória de Setúbal (3-2), em 17 de Junho de 1973. Com este triunfo, ganharam o direito de preparar a equipa para a 4ª dobradinha de história do Sporting em 1973-74 e para o percurso vitorioso na Taça das Taças até às meias-finais com o Magdeburgo.
Na fotografia, com a gloriosa Taça, reconhecem-se Bastos, Chico Faria, Alhinho, Yazalde, Mário Lino, Damas, director Manuel Aranha, Vagner e Osvaldo Silva (de pé), Laranjeira, Tomé, Nelson, Marinho, Dinis, Moniz e Manaca (em baixo).
Campeonato Nacional - 27 de Maio de 1962 - Sporting 3 Benfica 1. O Sporting alinhou com: Libânio; Lino e Hilário; Pérides, Lúcio e Fernando Mendes; Hugo, Figueiredo, Diego, Geo e Morais. O Benfica: Costa Pereira; Mário João e Ângelo; Cávem, Germano e Cruz; Simões, Eusébio, José Águas, Coluna e José Augusto.
«Naquele dia, uma vitória do Sporting frente ao Benfica significava simplesmente a conquista do título. por isso não era apenas um "derby". Além daquele ambiente fantástico que sempre envolve estes jogos, havia um interesse redobrado. O estádio estava tão cheio que até havia adeptos na pista.
O jogo foi muito complicado. Estavam frente a frente as duas melhores equipas do campeonato, de resto o resultado demonstra o grande equilíbrio que houve dentro do campo. Foi um grande espectáculo de futebol !
Quando jogo acabou foi a loucura dos adeptos sportinguistas. Não só fomos campeões como ganhámos ao eterno rival. Lembro-me que quando entrei no túnel estava completamente nu. Isso demonstra o entusiasmo e a loucura que se viveu em Alvalade. No final do jogo, estávamos dentro do balneário a fazer a festa, apareceu o José Augusto acompanhado pelo Eusébio e pelo Cávem.Vinham felicitar-nos e considerar a vitória do Sporting justa. Havia na altura um grande ambiente de camaradagem entre os adversários, mas julgo que os maiores responsáveis para que isso acontecesse eram o Eusébio e o Hilário. Eles eram como irmãos ! Aliás, eram compadres...»
Do livro Estórias d'Alvalade por Luís Miguel Pereira.
«Tive o privilégio de assistir à inauguração do estádio de Alvalade apesar de não ser ainda atleta do Sporting. Jogava no Lusitânia dos Açores, uma filial do Sporting. O clube instituiu dois prémios para os jogadores mais regulares ao longo da época. Os vencedores ganhavam direito a estar presentes na inauguração do estádio de Alvalade. Fui um dos contemplados. Fiquei maravilhado! É que nas ilhas não se passava nada. Os campos de futebol eram verdadeiros «quintais» e ter oportunidade de ver um estádio daqueles foi como um sonho. O público, as bancadas, aquele ambiente todo...foi maravilhoso. A partir daquele momento fiquei logo com vontade de jogar ali. Dois anos depois cumpria-se o sonho: estava a jogar em Alvalade. Vim prestar serviço militar para Lisboa e, uma vez na capital, resolvi ir fazer um treino à experiência no Sporting. Fiquei!»
Do livro «Estórias d'Alvalade» por Luís Miguel Pereira
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