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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

Mário Wilson começou a jogar futebol com dezasseis anos no Desportivo de Lourenço Marques, onde já praticava basquetebol. Antes tinha jogado no Harmonia, que ele e alguns amigos tinham fundado. Nos juniores do Desportivo laurentino, durante duas épocas, alinhou a médio-centro, passando para avançado-centro na equipa sénior.
O Sporting andava à procura de um substituto de Fernando Peyroteo e contratou-o no Verão de 1949. Para além dele também foi contratado Rola, avançado-centro do CD de Estarreja, que simbolicamente substituiu Peyroteo aos 63 minutos no jogo de despedida com o Atlético de Madrid e foi o titular frente ao Lusitano VRSA na primeira jornada do Campeonato Nacional.
Rola foi o avançado-centro no primeiro jogo, mas na segunda jornada com o Estoril-Praia o técnico Sándor Peics pô-lo a interior esquerdo, sendo Wilson o nº 9. Os leões venceram por 4-0, o moçambicano não marcou, mas o jornalista Tavares da Silva escreveu na revista Stadium que o estreante cumpriu e que já era “para alguns uma certeza”. O treinador gostou do que viu e deu-lhe a titularidade. Em 1949-50 participou em vinte e um jogos e marcou vinte e dois golos.
No Sporting procurava-se substituto de Peyroteo à maneira do “bombardeiro”. Forte na luta com os defesas, mas também veloz no jogo da grande área, o que não era um atributo de Wilson. Na época seguinte, Randolph Galloway ainda o observou em posições mais recuadas no meio campo e a defesa central na partida com o Atlético de Madrid para a Taça Latina, mas acabou por sair para a Académica terminando o vínculo com os leões.
A fotografia é do final do jogo de estreia de Mário Wilson com o Estoril-Praia, em 16 de Outubro de 1949. Falta Vasques porque lesionou-se durante a partida.
Em cima: Passos, Veríssimo, Juvenal, Azevedo, Barrosa. Mateus e Sándor Peics;
Em baixo: Jesus Correia, Mário Wilson, Albano e Rola.
(Pode haver algum jogador mal identificado.)

Quando Hernâni jogou pelo Sporting
O Sporting disputou entre 14 e 26 de Junho de 1953 o Torneio Octogonal, no Pacaembu (São Paulo), com as equipas do São Paulo, Santos, Corinthians e Olímpia (Paraguai). Para esse torneio, os leões viajaram reforçados com Mário Wilson e Hernâni.
A presença de Mário Wilson não surpreendeu. O defesa sportinguista Pacheco lesionou-se num jogo com o AC Milan para Taça Latina poucos dias antes da partida para o Brasil, e os leões recorreram a um velho conhecido que na Académica, entretanto, recuara no terreno para a posição de defesa central.
Hernâni foi contactado para substituir o “violino” Jesus Correia que não viajou em virtude do Mundial de Hóquei em Patins de 1953. O jogador portista, que nessa época tinha alinhado no Estoril-Praia por causa do serviço militar, participou em três jogos (São Paulo, Olímpia e Santos). Marcou um golo, no empate 1-1 com os paraguaios.
Na fotografia, uma equipa do Sporting no Pacaembu:
Em cima - Carlos Gomes, Caldeira, Armando Barros, Passos, Juca, Rita e Vicente;
Em baixo - Hernâni, Vasques, João Martins, Travassos e Albano.

Mário Wilson, de avançado-centro a defesa-central
O Sporting contratou Mário Wilson ao Desportivo de Lourenço Marques, em 1949, para substituir Peyroteo no lugar de avançado-centro. Foi o melhor goleador da equipa logo no seu primeiro ano com a camisola leonina, com 21 golos em 22 jogos. No entanto, não terá convencido totalmente o treinador Randolph Galloway, pois Joaquim Pacheco, acabado de chegar de Macau, é que surgiu no centro do ataque no início da época seguinte.
Em 1950-51, Mário Wilson só se estreou na 3ª jornada, com dois golos na vitória sobre o Atlético por 3-2. Recuperou a camisola nº 9, mas nunca foi um titular indiscutível. Na verdade, nesta época, para além do moçambicano, também Joaquim Pacheco, João Martins, Galileu e Jesus Correia jogaram na posição de avançado-centro. O goleador da equipa foi o interior-direito Vasques.
Entretanto, em jogos particulares, Mário Wilson começou a surgir em zonas mais recuadas do terreno, principalmente a defesa-central. Aconteceu nos jogos de preparação da época com o União de Montemor e o Boavista, em Setembro de 1950. Voltou a jogar nesse lugar em Abril de 1951 em jogos amigáveis com os brasileiros do São Paulo e com o Marinhense. Foi ele próprio que contou numa entrevista a Carlos Rias (A Bola, 17 de Outubro de 2009):
“O Sporting vai jogar uma Taça Latina e lesiona-se o Passos. Não tinham outro defesa-central, eu até era polivalente e perguntaram-me: ‘É menino para fazer o lugar do Passos?’ Claro, disse que sim. (…) Foi no Sporting que comecei nesse lugar. Quando vou para a Académica já vou com a sensibilidade do lugar. Não estranhei ocupar essa posição.”
A partida da Taça Latina a que Mário Wilson se refere é o Atlético de Madrid - Sporting, disputado em 24 de Junho de 1951, que os madrilenos venceram por 3-1. Em 9 de Julho fez o último jogo com a camisola do Sporting, num amigável com a Portuguesa Santista, em Santos. Entretanto, invocou regulamentação desportiva para estudantes-futebolistas e transferiu-se para a Académica de Coimbra. Mas, isso já é outra história.
A fotografia refere-se a um Sporting - Belenenses para o Campeonato Nacional, em 12 de Novembro de 1950. Mário Wilson e o guarda-redes José Sério disputam a bola na grande área belenense. Os leões venceram por 6-2 e o jogador sportinguista marcou dois golos.
Mário Wilson, antigo jogador e treinador, faleceu esta segunda-feira aos 86 anos. O "velho capitão", como era conhecido, foi figura na Académica e no Sporting enquanto jogador e no papel de treinador evidenciou-se no Benfica, entre vários outros clubes.
As nossas mais sinceras condolências à família enlutada.
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