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Fotografia com história dentro (160)

Leão Zargo, em 25.08.19

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Manuel Vasques, o “Malhoa”

Manuel Vasques foi um dos “Cinco Violinos” e, apesar de ser o mais novo, talvez pela sua invulgar capacidade técnica entendia-se de olhos fechados com os companheiros. “Tinha bola dos pés à cabeça (…) dentro do campo era ele quem jogava ao meu lado e fazíamos umas combinações fantásticas”, recordou Jesus Correia. A excepcionalidade do quinteto também decorria da complementaridade entre eles. É o terceiro maior goleador da história do Sporting, com 227 golos em 348 jogos, tendo jogado de 1946 até 1959 de leão ao peito.

O jornalista Tavares da Silva chamou-lhe “Malhoa”. Tal como o pintor impressionista encarava o quadro como a obra em si mesma captando as múltiplas cores da natureza, o jogador leonino revelava o seu lirismo no rectângulo de jogo e na corrida em direcção à baliza através da magia com a bola nos pés ou da insuperável trajectória da bola. Um campo de futebol era como que uma folha A4 em branco onde ele iria pintar jogadas carregadas de génio e de epopeia.

Nunca foi consensual como os outros companheiros da linha avançada, pois não mostrava o mesmo vigor bélico. Maravilhou os adeptos sportinguistas pela componente artística, como os desesperou pela inconstância. Vasques possuía a consciência mítica do seu destino. Em entrevista ao jornal Norte Desportivo, em 1963, proferiu uma reflexão lapidar: "Como futebolista, senti que cumpri um destino ao qual não podia fugir, uma espécie de fado... não triste como é hábito ser cantado ou pintado, mas ao jeito corrido, alegre. Este foi o meu fado."

No futebol tudo é paixão e drama, sorte e azar, vitória e derrota. A memória de jogadores como ele mostra como num jogo de futebol, e a propósito dos seus grandes praticantes, é possível reflectir sobre as virtudes e as imperfeições da condição humana e, de igual modo, sobre o génio e a persistência ou o efémero e o circunstancial.

publicado às 13:30

 

“Para existir, não basta ter história. Mas quem não conhece a história dos grandes clubes portugueses dificilmente poderá respeitar o que estes clubes representam na história do nosso desporto, na história do nosso país. De símbolos é feita a história! De símbolos são feitos os clubes desportivos !”  (Manuel Sérgio)

 

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Jogadores como Manuel Vasques obrigam-nos a reviver o passado, um passado já difuso, e que se não for recordado e partilhado corre o risco de se perder irremediavelmente. Vasques foi um dos “Cinco Violinos” e, apesar de ser o mais novo, talvez pela sua invulgar capacidade técnica entendia-se de olhos fechados com os companheiros. “Tinha bola dos pés à cabeça (…) dentro do campo era ele quem jogava ao meu lado e fazíamos umas combinações fantásticas”, recordou Jesus Correia.

 

Por outro lado, a memória de jogadores como Vasques mostra que num jogo de futebol, e a propósito dos seus grandes praticantes, é possível reflectir sobre as virtudes e as imperfeições da condição humana. De igual modo, sobre o génio e a persistência ou o efémero e o circunstancial como quando vemos um atacante a serpentear por entre a defesa adversária ou o vigor do defesa que se bate com avançados velozes e audazes.

 

Recordo-me de Pedro Barbosa e ocorre-me Carrillo quando imagino Manuel Vasques. Como eles, Vasques era virtuoso e genial e maravilhou os adeptos pela componente artística, tanto quanto os desesperou pela inconstância que era capaz de revelar num jogo. Ocupava várias posições no campo, mas nunca se notabilizou por grandes correrias, choques ou esforços que considerasse desnecessários.

 

sporting 1950 azevedo octavio barrosa passos vasqu

“Malhoa”, o nome que lhe foi dado pelo jornalista e treinador Tavares da Silva. Tal como o pintor impressionista encarava o quadro como a obra em si mesma captando as múltiplas cores da natureza, o jogador leonino revelava o seu lirismo no rectângulo de jogo e na corrida em direcção à baliza através da magia com a bola nos pés ou da insuperável trajectória da bola. Um campo de futebol era como que uma folha A4 em branco onde ele iria pintar jogadas carregadas de génio e de epopeia.

 

Manuel Vasques possuía a consciência mítica do destino que encontramos em grandes atletas. Em entrevista ao jornal Norte Desportivo, em 1963, proferiu uma reflexão lapidar: "Como futebolista, senti que cumpri um destino ao qual não podia fugir, uma espécie de fado... não triste como é hábito ser cantado ou pintado, mas ao jeito corrido, alegre. Este foi o meu fado."

 

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Tendo integrado o célebre quinteto dos Violinos, Vasques nunca foi consensual como os restantes companheiros da linha avançada, pois, dizia-se, não demonstrava o mesmo vigor regular e bélico. Ele, o artista, preferia esperar pela bola para executar uma jogada excepcional ou marcar o golo que ficaria na memória. Sublinhe-se que é o terceiro maior goleador da história do Sporting, com 225 golos em 349 jogos, tendo jogado de 1946 até 1959 de leão ao peito. Afinal, a excepcionalidade do quinteto também decorria da complementaridade entre todos. 

 

No futebol tudo é paixão e drama, sorte e azar, vitória e derrota. Quando me recordo do percurso de Manuel Vasques no Sporting ocorre-me com frequência a frase lapidar de Ottmar Hitzfiel no rescaldo da viragem conseguida pelo Manchester United na final da Liga dos Campeões, em 1999: “Futebol é isto mesmo. A sorte premeia o génio de alguns.” Vasques e o “fado” que lhe foi destinado!

 

 

P.S.: Vasques tem página de Facebook.

 

publicado às 12:04

Arquivo do Passado

Rui Gomes, em 20.04.15

 

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Manuel Soeiro Vasques

 

publicado às 19:17

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