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Tudo aconteceu num frente a frente entra o Nápoles e o Sporting em Setembro de 1989, no Estádio San Paolo , em jogo da segunda mão da 1.ª eliminatória da Taça UEFA.

Ivkovic, o guarda-redes do Sporting apostou e ganhou 100 dólares ao defender um penálti do jogador argentino num desempate com o Nápoles para a Taça UEFA.

Mas a notável história não se fica por aqui. Quase um ano depois, a 30 de Junho de 1990, em Florença, as selecções da Argentina e da Jugoslávia decidiam quem passava às meias-finais do Campeonato do Mundo, que se realizava em Itália, recorda o DN.

O jogo foi outra vez resolvido no desempate por penáltis e outra vez temos Ivkovic contra Maradona. Desta vez, em vez de uma aposta, houve uma espécie de provocação... "No Mundial 1990 defendi outro penálti dele. Voltei a provocar, dizendo: 'Cuidado, eu sei para onde vais marcar...', simulei que ia para o mesmo lado e atirei-me para o outro. Defendi dois penáltis de Maradona e perdi esses dois jogos", disse Ivkovic ao DN.

Ao defender o penálti, Ivkovic festejou como se de um golo tratasse, mas no final quem se ficou a rir foi Diego Maradona, que voltou a vencer o jogo e alcançou as meias-finais de um Mundial, do qual seria finalista vencido, aos pés da República Federal Alemã.

Duas histórias que cruzam as vidas de Ivkovic e Maradona.

publicado às 04:46

A barriga de Maradona

Rui Gomes, em 26.11.20

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Na era da grande democratização do acesso à televisão, que começa nos finais da década de sessenta do século passado, o melhor golo de sempre deu-se no Mundial de 1986 e teve a assinatura de  Maradona. Nesta obra de arte, Maradona, com uma finta de corpo, ainda no seu meio campo, tira dois ingleses da jogada e arranca num longo sprint de 50 metros, com os dribles necessários até passar o guardião, Peter Shilton, e fazer o seu segundo golo no jogo, o primeiro que foi inteiramente legal, já que no anterior teve a batota que ficou eternizada como a ‘Mão de Deus’.

A Argentina passava assim os ingleses nos quartos-de-final, a caminho do título mundial. Dessa fase de ouro da carreira do enorme artista argentino, muitos irão falar nestes dias de despedida. Outros optarão por coçar a ferida da sua longa decadência, até esta morte que, sendo prematura, tardou vinte anos ou mais, face à incapacidade de Maradona se adaptar à vida fora das quatro linhas.

Foi muito duro para tantos milhões de fãs testemunhar a degradação física e mental deste semideus. Maradona tinha-se destinado a morrer cedo. Poeta dos relvados, será eterno. Pena termos os últimos longos anos para apagar da memória.

Voltemos ao que mais importa de Maradona. Enquanto futebolista, tornou-se um enorme líder, catalisador de invulgar coragem e ousadia para todo o grupo. Isso ficou provado de forma incrível na campanha para o Mundial de 1994, nos Estados Unidos. O ídolo estava velho e gordo. Meio retirado depois de sombria passagem pelo Sevilha. Sem o astro, no apuramento para o Mundial, ver jogar a Argentina era um sofrimento só suportável por razões profissionais. O futebol não saía apesar da qualidade de muitos craques. Foi preciso chamar Maradona, com mais de 15 quilos acima do peso, para os jogos de repescagem frente à Austrália. E o futebol argentino renasceu.

Não foram os seus golos do Mundial de 1986, ou a capacidade de carregar o Nápoles até ao pináculo da sua história em Itália, que colocam Maradona num lugar inatingível. É o milagre de Maradona, com proeminente barriga, a devolver o cérebro à selecção argentina na campanha de 1994, que o coloca acima de todos.

Depois, a história já é muito mais conhecida, Maradona – amigo de Fidel e devoto de Che – preparava-se para levar a Argentina à disputa de mais um título mundial. De novo em forma, é na fase final deste Mundial que Maradona descobre o caminho da festa para as câmaras de televisão. Pela primeira vez, um jogador festejou um golo com o Mundo. Foi Maradona, no jogo frente à Grécia.

Um controlo antidoping, positivo para efedrina – que terá usado para emagrecer – pôs fim à euforia argentina e à carreira internacional deste astro.

Terminou então a vida de Diego Maradona no céu do futebol. Arrastou-se até ontem neste purgatório de simples mortais, que nunca logrou entender.   

Artigo da autoria de Octávio Ribeiro, em Record 

publicado às 03:31

O egoísmo é a praga do século XXI

Rui Gomes, em 13.02.17

 

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A FIFA anunciou recentemente a contratação de um cocainómano, fisgado em controlos antidoping com outras substâncias que não a cocaína, condenado por fuga ao fisco, condenado por agressão a tiro a um jornalista, e elevado ao eterno Olimpo da bola por ter feito batota num jogo do Campeonato do Mundo.

 

Para além disto, desde que largou o futebol, nunca lhe saíram da boca duas frases seguidas que convencessem a mais tolerante das almas a encará-lo como um adulto, muito menos como um adulto equilibrado. No relvado, houve um Maradona celestial (e batoteiro); fora dele, só alguém que piora o mundo de várias maneiras diferentes. O egoísmo é a praga do século XXI e ninguém o promove tanto, nem com tanta inconsciência, como o futebol.

 

 

José Manuel Ribeiro - O Jogo

 

publicado às 04:15

O auge da absurdidade

Rui Gomes, em 28.02.13

 

 Já vi. li e ouvi muitas coisas absurdas na minha vida, mas esta deve atingir o topo da lista.  «Notícia» gentileza do jornal A Bola - inevitável - através, alegadamente, da Sky Sport Italia, que Diego Maradona é o nome escolhido para treinador do Sporting na próxima época por um dos candidatos à presidência do Clube. Inclusive, dizem eles, o lendário argentino deverá reunir-se nas próximas horas em Espanha com o dito candidato, para o efeito.

 

Até não sei bem o que é mais ridículo; a escolha do treinador, em si, ou por ser para o Sporting. Espero não ter que «engolir» estas palavras, mas não me passa pela imaginação que um dos candidatos seja louco a este extremo. Nem me vou dar ao trabalho de adiantar conjecturas.

 

P.S. Isto, por mera «coincidência», não estará ligado a um certo jogo de sábado ?

 

 

publicado às 03:27

O golo de Zlatan não é o melhor

Rui Gomes, em 24.11.12

Sim, o mundo do futebol está envolto em ainda mais uma controvérsia, mas, para variar, de uma forma mais encantadora. A discussão do momento não abrange qualquer incidente polémico, gestos ou palavras ofensivas ou, até, conceitos sobre a arbitragem, mas sim a quem atribuir o honroso galardão do melhor golo na história da modalidade. Mais precisamente, será que o quarto dos quatro golos que Zlatan Ibrahimovic marcou à Inglaterra no amistoso da semana passada foi o golo mais espectularmente sublime jamais marcado, pela primazia da finalização ? Possívelmente, sim. Se foi o melhor, enfaticamente, não.

 

Para o adepto que não teve a oportunidade de ver o lance ao vivo, não faltam vídeos no You Tube com repetições. Um remate em «pontapé de bicicleta» de costas e a cerca de 30 metros da baliza, executado com perfeição, traindo o guarda-redes Joe Hart que tinha saído para distanciar o esférico, mas sem conseguir iludir o avançado sueco. Não há qualquer dúvida de que foi um golo soberbo, mas não o melhor de todos tempos, porque para essa prestigiosa consideração tem de se ter em conta o todo das circunstâncias. Depois de o ver, de certo que alguns dos lendários que poderão clamar a distinta honra não ficarão preocupados. Este surgiu num amistoso sem responsabilidade invulgar, sem pressão para vencer ou para garantir um qualquer apuramento ou título. A jogada, no seu todo, não tem nada de encantador, salvo o aproveitamento sensacional pela espectacular finalização de Ibrahimovic. E, daí, o debate eterno. O que deve prevalecer numa discussão deste género, a execução final ou a jogada na sua totalidade ? Há golos brilhantemente apontados que advêm de jogadas fortuitas, até descabidas - muito semelhantes à de Ibrahimovic - e, depois, há os outros em que tudo do princípio ao fim é executado com absoluta perfeição técnica e beleza atlética, por jogadores que, naquele momento, estavam sob a divina protecção dos deuses do futebol.                                                                                                                                                         

Para muitos adeptos por esse mundo fora, há um golo jamais visto antes ou depois, que marcou uma geração e que foi votado pela FIFA, em 2002, o »Golo do Século». O palco é o Estádio Azteca na Cidade do México. Em disputa, os quartos-de-final do Campeonato do Mundo de 1986. Num meio campo, encontram-se os melhores da Terra de Sua Majestade D. Rainha Isabel, no outro, os azuis-e-brancos do País cujo nome é associado às primeiras expedições portuguesas na conquista do Rio de la Plata, no século XVI, que contam nas suas trincheiras com um génio por nome de Diego Maradona. Uma jogada nos limites do surreal em que o avançado argentino «galopa» cerca de 60 metros, dribla cinco defesas ingleses e o guarda-redes Peter Shilton, para, depois, muito delicadamente, introduzir o esférico na baliza. Afirmou Maradona posteriormente: «A minha intenção era de passar a bola ao Jorge Valdano quando cheguei à área, mas como ele estava muito bem marcado, senti que a única alternativa era eu finalizar a jogada ». Quando Diego produziu esta virtuosa obra de garra e execução, foi possível ver, em forma humana, o futebol divino dos deuses e, para mim, o melhor golo de sempre. Sem dúvida que quando Zlatan marcou o dele, também estava sob o seu olhar atento, mas eles estavam com uma disposição mais brincalhona.

 

publicado às 13:07

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