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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

"A UEFA aproveita a oportunidade para reiterar que o respeito é um princípio chave do futebol, incluindo o respeito pelo jogo, pela integridade, pela diversidade, pela saúde dos jogadores, pelas normas, pelos árbitros, pelos adversários e pelos adeptos", pode ler-se na página daquele organismo na Internet." (Copiado de um texto do Camarote Leonino)
Respeito é um princípio base nas relações entre todos os seres humanos e até destes com todos os seres vivos. O respeito marca a diferença entre a barbárie e a civilização. E quando a barbárie, escondida no recôndito da natureza humana vem à superfície, é porque o respeito foi desrespeitado. Não há nenhum grande ditador, responsável por exploração, massacres e genocídios que tenha respeitado o seu semelhante.
O respeito no futebol devia ser um princípio base, mas de facto não é. Mesmo pessoas que pautam a sua vida por princípios e valores, esquecem-nos perante a cegueira clubista. Essa, expressa no calor das emoções, não sendo justificável e até condenável é compreensível. Mas mais grave é ser alimentada por quem, no futebol, a devia combater, isto é a classe dirigente. Mais grave ainda é quando o adepto confunde a cegueira pelo clube, pela cegueira por uma personalidade.Como é que o adepto respeita o adversário transmutado em inimigo, quando o presidente do seu clube, usa, abusa e fomenta a falta de respeito?
Sei que é uma utopia, um pensamento à margem da realidade, mas quem exerce altas funções de chefia, devia ser sujeito a avaliação sobre a sua formação ética. No que diz respeito ao futebol, onde os dirigentes são eleitos por um universo de adeptos, estes deviam assentar a sua escolha não nas suas promessas vagas e demagógicas que não cumprem, mas na sua idoneidade. Não se devia escolher um presidente, sem considerar a sua capacidade para se respeitar a si próprio e aos outros. Outro factor fundamental é a educação.Depois devia-se considerar a maturidade e a responsabilidade, sem as quais não é possível levar a bom porto qualquer projecto com segurança e solidez. Sem estes princípios básicos, não há competência que possa vingar, nem justificar a concordância de cidadãos plenos, a troco de qualquer" prato de lentilhas".
No futebol, ao contrário da pretensão da UEFA, não há respeito, nem pelo jogo, nem pelos seus intervenientes, nem pelos adversários, nem pelas regras. Só interessam os resultados a qualquer custo. Em Portugal, os presidentes, com relevo para os chamados grandes, não respeitam, nem se dão ao respeito. Julgam-se acima da lei, e como tal agem.
Os adeptos, na generalidade, bajulam-nos se conseguirem bons resultados, seja a que preço for. Podem insultar e vilipendiar adversários, desrespeitar os seus antecessores e o próprio clube, perseguir e banir os críticos, que são sempre considerados inimputáveis. Os adeptos apoiam-nos e escolhem-nos pela demagogia e pelo populismo. Aos princípios, aos valores, dizem nada. Os grandes demagogos são oportunistas que conhecem os truques para enganar as massas, sabem o que estas querem ouvir e estas gostam de ser enganadas.
Respeito no futebol só existirá quando este for dirigido por pessoas com formação ética, o que não é o caso. Estes fogem do futebol como o diabo da cruz. Não estão para se sujeitar à irracionalidade do adepto. O campo está livre para oportunistas de todo o jaze. Uns mais polidos, outros mais rudes, alguns obtusos. Que interessa o respeito? Era verde e um burro comeu-o. Bem pode a UEFA pregar no deserto.

Aleluia! Depois de uma seca prolongada chega finalmente um título. Pode ser um título menor mas não deixa de ser um título. Um título amaldicionado pelos grandes, e que permitiu a que, em 11 edições, três clubes de pequena dimensão o conseguissem vencer. Nesse sentido, é a prova mais democrática possível, e que os mais poderosos não hegemonizaram. E mesmo o nosso Clube, para além da taça que nos foi expurgada, podía ter ganho outras, não fora a birra infantil do senhor (digo-o por educação e não por me parecer ser um Senhor) Bruno Miguel, que por causa de questiúnculas de uns minutos de diferença num jogo, obrigou o treinador da época seguinte , a disputá-la com os juniores.
Durante os mandatos do senhor Bruno Miguel, o clube ganhou, até agora, para sermos rigorosos, três títulos: a Taça de Portugal, a Taça Cândido de Oliveira, e agora a CTT. Exceptuando a Taça de Portugal, o mais importante na hierarquia interna, os outros são de menos monta. Mas volto a insistir, valem mais estes que nada. Uma das razões na minha perspectiva têm a ver com a jactância "infantil" do Presidente que, sem experiência de vida e sem conhecimento da realidade desportiva, considerou que bastava a sua prosápia para vencer. Leva a pensar que, com as devidas reservas, em termos mentais, não saiu da creche.
Daí a contratação de um treinador, extremamente caro para a nossa situação financeira e demasiado endeusado como um treinador de top. Daí a convicção de que bastava isso para ser campeão. Os problemas não se resolvem deitando-lhes dinheiro, que não se tem, para cima. Um pouco de bom senso permitiria verificar que a nível nacional há muitos outros treinadores do mesmo nível, alguns já reformados e que não têm os mesmos títulos, porque nunca tiveram as condições excepcionais internas e externas de que o "mestre" dispôs no Benfica. O seu trajecto no Sporting comprova-o.
As aparências mostram que o Sporting está mais competitivo e que joga melhor futebol. Até pode estar, mas para além das aparências não está. Falta-lhe apenas um bocadinho, mas esse é o bocadinho fundamental que faz a diferença. Se assim não fosse, já teria ganho um campeonato nacional, aproveitando o período de eclipse do Porto, e até numa época transacta, o mau começo do clube da Luz. E não ganhou porque para além das aparências lhe faltou a solidez que têm as equipas campeãs. Essa solidez constrói-se de dentro para fora, com trabalho, inteligência e humildade. Dispensa atitudes de altivez, de arrogância, e que contribuem para à primeira dificuldade se naufragar sem remissão. Esta tem sido a história dos últimos anos.
P.S.: Quando estava a concluir este texto, vi imagens do senhor Bruno Miguel a exercitar artes circenses, como alguém que precisa de palco. Lembrei-me do escultor Apeles da Grécia Antiga, quando disse a um sapateiro que "não subisse acima do chinelo", por ter colocado um defeito no joelho da estátua. Este senhor, ao contrário, parece que não sabe subir acima do chinelo.
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