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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

A Taça de 1972-73
Mário Lino, Vítor Damas, Nelson, Yazalde e Tomé seguram a Taça de Portugal de 1972-73. O treinador, o capitão de equipa e os três marcadores dos golos na final com o Vitória de Setúbal (3-2). Uma conquista que chegou a parecer impossível de tão desastrosa que foi a época. Longas digressões aos Estados Unidos da América, a Moçambique e à Europa de Leste, o fracasso logo na primeira eliminatória da Taça das Taças frente aos escoceses do Hibernian, a invasão de campo num Sporting-Leixões, a interdição do Estádio de Alvalade, a agressão a Damas por adeptos do Montijo, o fracasso de Ronnie Allen como treinador do Sporting, a demissão do presidente Brás Medeiros e um péssimo 5º lugar no Campeonato Nacional.
A Taça foi salvação da época. No final do mês de Abril, Mário Lino passou de adjunto a técnico principal e Osvaldo Silva dos juniores avançou para adjunto. Organizaram a “casa” e conquistaram a Taça de Portugal frente ao perigosíssimo Vitória de Setúbal. Yazalde fez um jogo soberbo, assistiu Nelson no 1-0 e fez ele próprio o 2-0 num remate que fulminou Torres. Depois, Tomé elevou para 3-0. O último quarto de hora foi de grande sobressalto por causa dos dois golos sadinos, mas Damas segurou as pontas lá atrás. Com este triunfo, Mário Lino conseguiu o direito de preparar a equipa para a 4ª dobradinha de história do Sporting em 1973-74 e para o percurso vitorioso na Taça das Taças até às meias-finais com o Magdeburgo.
Ficha de jogo:
Final da Taça de Portugal, 1972-73
Sporting 3 - Vitória de Setúbal 2
Estádio Nacional, 17 de Junho de 1973
Árbitro - Fernando Leite (AF Porto)
Sporting - Vítor Damas, Bastos, Laranjeira, Carlos Alhinho, Manaca, Tomé (Hilário, 80m), Vagner, Nelson, Marinho, Yazalde (Chico Faria, 80m) e Dinis
Treinador - Mário Lino
Golos - Nelson (23m), Yazalde (34m) e Tomé (66m)
Vitória de Setúbal - Torres, Rebelo, João Cardoso, José Mendes, Carriço, Amâncio, José Maria, Câmpora (Vicente), José Torres e Jacinto João (Arcanjo)
Treinador - José Maria Pedroto
Golos - Duda (76m) e Vicente (84m)
«O mais importante naquele dia era a festa, o jogo (Sporting 2 Beira-Mar 1 - 5 de Maio de 2002) era secundário. A equipa do Beira-Mar também ajudou e os jogadores até pintaram os cabelos. Fui o primeiro jogador a entrar para o aquecimento e assisti a uma explosão de alegria. Parecia que tinha sido golo! Senti um arrepio enorme que subiu pela coluna... é dificil explicar porque é o culminar de uma luta de meses que depois tem o reconhecimento de uma multidão. Há uma mistura de sentimentos: sentimo-nos pequenos porque temos aquela gente toda a aplaudir mas ao mesmo tempo sentimo-nos grandes por sabermos que ajudámos aquelas pessoas a sentirem-se felizes.
No final do jogo aconteceram aquelas cenas habituais. Pegámos no treinador e colocámo-lo dentro da banheira de hidromassagem, eu peguei no microfone de uma estação de televisão e comecei a fazer o relato do «afogamento» do treinador. Depois foram todos ao banho, incluindo os jornalistas que entraram no nosso espaço e ali mandamos nós!»
* Do livro «Estórias d'Alvalade» por Luís Miguel Pereira.
«A primeira vez que entrei em Alvalade foi como espectador, para assisir a um Sporting-Boavista no início da década de 90. Tinha os meus 15 anos. Vim com um amigo da aldeia que me convidou. No final do jogo disse-lhe que nunca voltaria a ver o Sporting com ele, porque o Sporting não tinha ganho. O resultado foi 1-1. A minha estreia em Alvalade foi inesquecível. Foi em 1997, contra o Celtic de Glasgow. Tudo correu bem, fui considerado o melhor jogador em campo. Eu era um desconhecido e toda a gente ficou surpreendida.
Mas o que aguardo de mais forte do estádio de Alvalade é o balneário. As coisas que se passaram ali dentro são verdadeiras lições de vida. Foi a nossa casa, partilhámos as nossas alegrias particulares e chorámos as nossas tristezas. O grupo ajuda-nos a superar tudo!
Neste aspecto, gostava de destacar a pessoa mais especial que encontrei no Sporting: chama-se Paulinho. Com aquele jeito especial que ele tem, consegue animar toda a gente. Fiquei muito contente quando o Paulinho foi distinguido como um dos sete magníficos da UEFA. Se alguém merece esse prémio é ele. No ano em que fomos campeões até conseguimos pô-lo na escola. Ele trabalhava no Sporting durante o dia e frequentaca as aulas de noite. Nós éramos os explicadores: enchíamos o quadro do treinador de contas para ele treinar.»
* Do livro «Estórias d'Alvalade» por Luís Miguel Pereira
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