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Eu tive um sonho. Sonhei que o Bruno de Carvalho (BdC) ainda ia ganhar isto. Sonhei que, num tempo não muito longínquo, ele ia ser campeão. Nesse que era o dia mais feliz da sua vida, BdC estava sozinho no centro do relvado. Como em todas as 33 jornadas anteriores, nenhuma equipa comparecera para defrontar o Sporting Clube Bruno de Carvalho, que assim vencia a tão desejada Liga Bruno de Carvalho. A liga que ele próprio criara, com as suas regras. E ali estava ele, campeão. Ahhhh, o doce sabor da vitória? Por fim.

 

No palanque montado no centro do relvado, BdC, presidente da Liga BdC, entregou a BdC, presidente eleito do Sporting Clube BdC, a tão desejada Taça BdC para o vencedor do campeonato. Antes de se soltarem os confetes e a música dos Queen, BdC, presidente da Liga, ainda entregou a BdC, o futebolista, o prémio de melhor jogador e melhor marcador do campeonato, sem ter marcado um só golo ou disputado um só jogo. Que dia aquele! Onde estavam agora os críticos? Iriam curvar-se perante a sua glória?

 

Desceu do palco montado no centro do relvado quando se começaram a ouvir as primeiras notas de “We Are The Champions”. Estava na hora da tão sonhada volta olímpica ao estádio, um gesto que tinha ensaiado vezes sem conta no tempo em que ainda nada ganhava no futebol sénior masculino. Desta vez, não havia ninguém para o assobiar nas bancadas. Ninguém apareceu para o consagrar, nem mesmo os amigos da Juve Leo que sempre estiveram com ele nas horas mais difíceis. Ninguém. Era ele e só ele, como tantas vezes sonhei.

 

BdC correu para a sala de imprensa para contar a sua vitória ao mundo, mas não havia ninguém à sua espera. Nem uma câmara, nem um microfone. Bandidos! Não precisava deles. Pegou no telemóvel e abriu a sua página no Facebook. Ali, pelo menos, não havia quem lhe fizesse perguntas incómodas. Tinha eliminado um a um todos aqueles que o questionavam, até que acabou só ele, na sua página, a falar sozinho.

 

Um tonto tinha dito que o presidente do futuro era o presidente-adepto. O presidente do futuro era ele, era o presidente-adepto-treinador-jogador e tudo mais. Ali estava ele, no futuro, a celebrar o dia mais feliz da sua vida e não havia ninguém a estragar-lhe a festa. Nem Jesus, nem Rui Patrício, nem Marta Soares, nem jornalistas. Ninguém. Era ele e só ele. Só. Como merece.

 

Nelson Marques, jornal Expresso

 

publicado às 17:34

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