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Pinto da Costa e os exclusivos

Rui Gomes, em 25.04.18

 

Em Alvalade, a equipa de Conceição garantiu que a época não lhe fará justiça suficiente. Mas pode ser histórica na mesma.

 

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Ao fim de quatro anos de jejum, sair da Taça em Alvalade nunca poderia ser bem digerido pelo FC Porto ou pelos portistas. O campeonato, que está longe de se confirmar, é pouco para uma equipa tão marcante e, talvez, ameaçada de desmantelamento. O título descreve mal os afazeres de Sérgio Conceição assim como as ganas de um grupo de jogadores muito açoitados, de várias formas, nas épocas anteriores. As duas figuras do momento, Herrera e Marega, são os melhores exemplos disso.

 

Em Alvalade, este FC Porto perdeu, sobretudo, a hipótese de fazer justiça a si próprio e à relevância que devia ter na história. Resta-lhe a hora agá: a possibilidade de roubar ao Benfica, pelo menos por mais meia década, o feito de igualar o penta, um dos exclusivos de Pinto da Costa, que ontem celebrou 36 anos de presidência. A acontecer, será uma intervenção no limite e histórica também por causa disso.

 

Das muitas análises que anteontem ouvi e li à vigência de Pinto da Costa, há um termo reincidente: "Clube regional." Foi usada de duas maneiras, ou para catalogar o FC Porto que este presidente encontrou em 1982, ou (e acima de tudo) para defender que o grande fracasso dele foi nunca ter conseguido dar ao emblema uma dimensão nacional.

 

Para além de desonesta, por ignorar que Sporting e Benfica conseguiram essa dimensão em tempos muito diferentes dos actuais, essa tese esquece um detalhe que está, por estes dias, mais claro do que nunca: a escala nacional do FC Porto dependeu sempre menos de Pinto da Costa do que da grande máquina que o combateu e que continua a combatê-lo sempre que, como agora, invoca o "clube regional". Nem falo de falta de escrúpulos; só de boa vontade, que é óbvia. 

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:07

Responsabilidade

Rui Gomes, em 24.04.18

 

O VAR não pode servir para aliviar os árbitros da obrigação de decidir.

 

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1 Há lances que faz sentido deixar correr, aproveitando a cobertura dada pelo VAR para evitar que eventuais erros sejam irreversíveis. Um fora de jogo duvidoso num lance de golo eminente, por exemplo. Uma falta discutível a meio-campo da qual resulta uma clara oportunidade, talvez. Agora, não faz sentido que os árbitros pura e simplesmente se abstenham de decidir em lances tão claros como foi o penálti cometido por Robson em Alvalade.

 

É impossível que Fábio Veríssimo e o assistente que acompanhava o ataque do Boavista não tenham visto o lance e, vendo-o, é incompreensível que não o tenham assinalado de imediato. O resultado foi um amarelo que Bryan Ruiz não devia ter sido obrigado a forçar. O VAR é uma ferramenta de precisão. Se começar a servir de pau para toda a obra como forma de desresponsabilizar os árbitros pode acabar por ser pior a emenda que o soneto.

 

2 Uma semana depois da verdadeira batalha campal entre adeptos do Benfica que se seguiu ao clássico da Luz e da qual resultaram sete detidos e seis polícias feridos - "seis polícias feridos" é o tipo de expressão que merece ser repetida a ver se entra pelos olhos de alguns responsáveis adentro -, o silêncio e a inação do Estado, concretamente do IPDJ e da Secretaria de Estado do Desporto e da Juventude (SEDJ), para já não falar do Ministério da Administração Interna, criou as condições ideais para os confrontos a que se assistiu no final do Estoril-Benfica.

 

Desta vez, houve adeptos encarnados que se deram ao trabalho de dar a volta ao estádio para forçarem a entrada na bancada central onde se multiplicaram as agressões, obrigando a uma intervenção musculada da GNR. Do IPDJ e da SEDJ, mais uma vez, nem uma reação, só silêncio que também passa uma mensagem clara: quem cala, consente.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:27

O armazém de talentos

Rui Gomes, em 23.04.18

 

Conjugado com os bês, o campeonato de sub-23 é uma boa ideia cá dentro e um problema de açambarcamento lá fora.

 

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O campeonato de sub-23 que a FPF vai lançar é uma mudança séria. Se impusesse a extinção das equipas B, seria um tiro no escuro - a troca do certo pelo incerto -, por isso percebe-se que Fernando Gomes se tenha envolvido pessoalmente na destrinça entre os dois objectivos.

 

Um campeonato de sub-23 não é alternativa aos rigores da II Liga, mas será melhor do que o campeonato de juniores A. Se o objectivo é submeter os jogadores a ritmos e graus de dificuldade acima dos lhes seriam naturais, fica criado um patamar intermédio que beneficiará quem não encontrava vaga nos bês. O número de jogadores rotinados vai aumentar.

 

Onde a ideia piora, para os interesses portugueses, é no estrangeiro. Uma das nuvens sobre esta prova é a dificuldade de recrutamento que até Benfica, FC Porto e Sporting já sentem cá dentro. Os melhores juvenis e juniores são cada vez mais disputados com italianos, ingleses e espanhóis. Dar-lhes a possibilidade de armazenarem outros 25 ou trinta jogadores nas suas próprias equipas de sub-23 agrava o problema. Defender a formação também é combater o açambarcamento de talentos pelos mais ricos. Até porque, na maioria dos casos conhecidos, só conseguem destruí-los ou adiá-los.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:31

A Taça move-se a ressentimento

Rui Gomes, em 21.04.18

 

Já é a segunda vez que este presidente do Sporting chega ao Jamor sem direito a abraços.

 

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A ironia desta época lastimável a tantos níveis é que a competição está a ser boa e até poderia ser a melhor de sempre, se o Braga não se tivesse atrasado nas afinações, entre campeonato e Liga Europa. É a primeira ilação a tirar da meia-final da Taça entre Sporting e FC Porto. A segunda é que Bruno de Carvalho tem razão. O episódio alucinado de há duas semanas pôs os jogadores a carburar. O despeito é sempre uma boa fonte de energia e acredito que fez a diferença num jogo estranho, com tanta gente esgotada, treinadores incluídos.

 

Às vezes, esquecemo-nos de que Jorge Jesus não precisa de um grande vocabulário, nem de correcções gramaticais, para ter a palavra certa. Neste caso, foi "coração". Disse-a muitas vezes depois do ataque de facebookismo inflamatório do presidente: "Esta equipa tem coração." Se não tinha antes - e acho que tinha - estava forçada a ter a partir desse momento.

 

A Taça passou a ser uma daquelas histórias de drama e romance que nós, jornalistas, gostamos de exagerar. Por coincidência, já é a segunda vez que este presidente do Sporting chega ao Jamor pela via dos desafectos. Com Marco Silva, a birra era parecida, se não pior e mais absurda. Já nessa final o treinador Sérgio Conceição, que esteve à frente do resultado (2-0) quase todo o jogo, viu o Braga cair nos últimos minutos aos pés de um Sporting tão cardíaco e despeitado como o de anteontem. Funciona. E torna os resultados justos, de certa maneira.

 

Talvez Bruno de Carvalho seja, no fundo (mas mesmo no fundo, pronto), um filósofo revolucionário conformado a procurar eternamente abraços num relvado de vencedores que não querem nada com ele.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:00

Injecção de moral

Rui Gomes, em 20.04.18

 

O FC Porto acabou com a crise dos leões e fica à espera de retorno na Liga.

 

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O Sporting foi chamado a decidir três jogos a partir da marca de grande penalidade e, em 15 remates, falhou um. Ontem acertou todos, dando razão a Jesus quando o treinador dos leões garante que as decisões da marca dos 11 metros não são uma lotaria, são competência.

 

Ao FC Porto podia valer o consolo de ter voltado a ser um remate ao poste a fazer a diferença - na Taça da Liga, foi Brahimi, agora Marcano -, não fosse o facto de o jogo ter começado a ser decidido antes, quando Sérgio Conceição decidiu defender a vantagem que trazia da primeira mão ao mesmo tempo que Jesus apostava tudo no ataque. No fundo, a mesma história que se contou do clássico do último fim de semana, embora com protagonistas diferentes.

 

O golo de Coates, que empatou a meia-final e pôs os leões emocionalmente por cima do jogo, é o que costuma acontecer quando uma equipa se retrai, abrindo espaço a que a outra cresça. Ao FC Porto resta esperar que a injecção de moral que ajudou a administrar ao Sporting lhe possa ser útil mais adiante no campeonato, quando os leões tiverem uma palavra a dizer na luta pelo título.

 

Quanto à Taça, mesmo tendo vivido ontem a mais que provável final antecipada, ainda tem outro vencedor por encontrar. O primeiro, já sabemos, foi o Caldas. Para decidir o segundo, vai mesmo ser necessário saber se o Aves já parou de fazer história.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:31

O teu crime é o nosso crime

Rui Gomes, em 18.04.18

 

Incidentes como o da Luz são eternizados pela mania das generalizações. Continuar a culpar todos é continuar a culpar ninguém.

 

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Há cerca de duas semanas, na Assembleia da República, ouvimos um procurador, um superintendente da PSP e um coronel da GNR pedirem mais interdições de estádios e adeptos banidos, embora com o asterisco de também nos terem dito que não conseguem controlar se esses adeptos continuam, ou não, a ir ao futebol (pausa para uma palmada na testa). Nessa altura, disseram-nos que havia dez singelos cidadãos banidos (segunda palmada). Só esta época, a olho nu, qualquer um de nós seria capaz de apontar o triplo de candidatos e faltará contabilizar todos os incidentes que a televisão não mostrou. Para além de terem sido muitos, andamos há anos a noticiá-los e a falar neles.

 

Não devia ser preciso ouvir seja quem for na Assembleia da República. O procurador, o superintendente e o coronel são o Estado. As informações deles são as informações do Estado. Episódios como o de domingo na Luz acontecem porque o Estado autoriza. Culpar "as claques" e "os clubes", ou "o futebol", é como culpar "os cidadãos" quando há um crime. Quando há "um" crime, há "um" culpado. Quando o culpado é, invariavelmente, o mesmo, há um problema claramente identificado que não se resolve com generalizações, vá lá, diplomáticas ou paridas pelo politicamente correcto.

 

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Vivemos numa eterna epidemia de generalizações, que se desculpa com a necessidade de não agravar conflitos, quando, na verdade, sempre foi o primeiro passo para nunca os resolver.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:33

A lei das claques não funciona

Rui Gomes, em 16.04.18

 

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João Paulo Rebelo, secretário de Estado do Desporto e da Juventude, disse ontem que a lei das claques é ineficaz e não funciona. Um pleonasmo que se podia descontar nos excessos habituais da retórica política, mas que neste caso faz todo o sentido. Nos poucos casos em que é aplicada, a lei é ineficaz. Nos outros, em que simplesmente é ignorada, como é evidente não funciona. No fundo, é como qualquer lei. A respetiva eficácia depende em larga medida da capacidade do Estado para impor o seu cumprimento.

 

A verdade é que a lei das claques não funciona porque não há absolutamente nenhuma consequência para quem simplesmente a ignora. Aliás, o processo é de tal forma kafkiano que apenas aqueles que a tentam cumprir acabam por ser punidos. Um caso nítido de falência do Estado de Direito que devia deixar envergonhado qualquer político, João Paulo Rebelo incluído. 

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:08

Os valores são para os palermas

Rui Gomes, em 11.04.18

 

Os sportinguistas, e mais ainda o presidente da Assembleia Geral do Sporting, conheciam bem a pessoa que revalidaram em Fevereiro.

 

O Bruno de Carvalho que os sportinguistas assobiaram anteontem é exactamente o mesmo de há dois meses, para não dizer que é o mesmo de há cinco anos. A diferença, se houver uma, está nos stripteases psiquiátricos que ele, entretanto, ganhou o hábito de fazer.

 

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Quando lhe deram carta-branca, na última assembleia, os sócios conheciam o presidente por fora e por dentro. Já o tinham visto dizer tudo e fazer tudo, no mínimo duas vezes, incluindo o raspanete público aos jogadores que, agora, se tornou intolerável. Conheciam-lhe pensamentos íntimos, leram-no chorar de solidão nas estradas transmontanas e viram-no dar saltos e fazer caretas na Sporting TV. Registámos um casamento, uma lipoaspiração, duas mulheres, as filhas, outra filha, os pais (sabemos a idade do pai), conhecemos o vocabulário inteiro do tio-avô, todos os detalhes do romance de escritório e talvez só o clima nos tenha poupado ao vídeo do último parto.

 

Nenhuma parcela da alma de Bruno de Carvalho está por escancarar, há muito tempo. Se alguma coisa mudou, para minha própria surpresa, foi ter desenvolvido genuína pena daquela pessoa que parece compelida por uma força superior a ostentar todas as misérias e fraquezas humanas. Os sócios, e muito mais o presidente da Assembleia Geral do Sporting, estavam ao corrente de quem era Bruno nas últimas eleições e melhor ainda há dois meses, quando o revalidaram por aclamação.

 

Esta não é uma história sobre futebol: é uma história sobre os valores e princípios que, em Fevereiro, tantos sportinguistas voltaram a achar dispensáveis. Como outros fariam e fazem, para desgraça de todos.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:42

Confusão

Rui Gomes, em 08.04.18

 

Projecto do Sporting está gravemente ferido. Ver-se-á a seguir se é de morte.

 

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O até recente incontestado e incensado, pela maioria esmagadora dos sócios, presidente do Sporting deu um passo em falso e instalou o caos. Suspendeu 19 jogadores e esteve prestes de suspender o resto do grupo. Está criada uma situação sem igual que não vaticina nada de bom para o Sporting. Esta semana, na Grécia, Evangelos Marinakis também mandou o plantel do Olympiacos de férias e anunciou que a equipa de sub-20 jogaria o que resta da época. Mas há uma diferença: Marinakis é dono do Olympiacos, Bruno de Carvalho submeteu-se a sufrágio no Sporting e é assalariado da SAD.

 

O presidente-adepto viu o jogo de Madrid pela televisão, anotou as asneiras e não conseguiu controlar a fúria. Desancou os jogadores mas ficou de má consciência, tendo feito duas tentativas para minimizar os danos: um telefonema para a CMTV (o líder do Sporting pode ver a CMTV e os sócios não?) e uma declaração pública aligeirada à saída da Procuradoria-Geral da República. Não contava com a resposta dos jogadores e faltou-lhe jogo de cintura para a suportar. Suspendeu os subscritores de um texto ácido e hoje poderá ter de actuar de igual modo com os que só não o fizeram por não terem contas nas redes sociais.

 

Nada neste processo é normal. E se espanta a reacção colectiva, por inesperada, não chega a haver verdadeiras surpresas quando Bruno de Carvalho fala publicamente ou escreve nas redes sociais. Desta vez expôs publicamente jogadores, entrou no balneário da pior maneira e deixou a porta aberta. Ainda assim, uma reacção tão enérgica só pode ser explicada de uma forma: o plantel atingiu o limite da tolerância.

 

Não há remedeio à vista para tão grave situação. O projecto do Sporting está ferido. O passo seguinte será evitar que seja de morte.

 

Carlos Machado, jornal O Jogo

 

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publicado às 05:21

 

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O Sporting nunca venceu em Espanha e esta quinta-feira enfrenta uma defesa que não sofre golos em casa há oito jogos.

 

O Sporting defronta esta quinta-feira, nos quartos de final da Liga Europa, o Atlético de Madrid no Wanda Metropolitano, onde a equipa da casa ainda só sofreu nove golos em 23 partidas. Aliás, os 'colchoneros', conhecidos pela sua eficácia defensiva, ergueram uma muralha e estão numa série já com oito partidas seguidas em casa sem encaixar qualquer golo, desde 20 de Janeiro, ciclo que os leões pretendem contrariar... mas o histórico não é animador.

 

Em 15 embates fora com formações de Espanha, o melhor que o Sporting obteve foram três empates, o último precisamente contra o Atlético de Madrid (0-0, em 2009/10).

 

Jorge Jesus costuma referir que independentemente dos resultados que obtém nos jogos europeus fora de casa, é comum conseguir marcar, o que facilita muito as qualificações quando se trata de eliminatórias.

 

Ao longo da carreira, Jesus orientou cinco equipas em provas europeias, num total de 61 deslocações. Dessas visitas, só em 19 as suas equipas ficaram em branco (marcaram, portanto, em 68,8 por cento dos jogos fora). Contabilizando apenas jogos de eliminatórias, excluindo as fases de grupos, apenas em 5 de 32 não viu os seus comandados festejarem qualquer golo.

 

Não marcar fora é meio caminho para não seguir em frente, mas curiosamente, o acesso do técnico às duas finais europeias da sua carreira, em 2012/13 e 13/14, na Liga Europa, foi conseguido sem marcar golos nas meias-finais em casa de Fenerbahçe e Juventus, respectivamente.

 

Já o Sporting, esta época, só ficou em branco em quatro ocasiões (contra Braga, Estoril, FC Porto e Barcelona); soma 24 deslocações (13 vitórias, quatro empates e sete derrotas) e marcou 44 golos, à média de 1,8 por jogo.

 

Rafael Toucedo, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:00

Chamem a PSP

Rui Gomes, em 05.04.18

 

A intervenção do superintendente Luís Filipe Simões na Assembleia da República merece ser ouvida com atenção por quem decide.

 

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Quando o tema é "Violência no Desporto" talvez o melhor seja dar ouvidos a quem sabe do assunto. Nem de propósito, o barulho feito pelos intervenientes do costume, na conferência que ontem decorreu na AR sobre o assunto, abafou as notícias, oferecidas numa bandeja pelo superintendente da PSP, Luís Filipe Simões.

 

E as notícias são assustadoras: em 2960 incidentes com adeptos ocorridos em 2016/17, 2763 aconteceram em jogos de futebol masculino. Paralelamente, 97,6 por cento de todos os incidentes envolveram adeptos de sete clubes: Benfica, Sporting, FC Porto, Braga, Vitória de Guimarães, Boavista e Belenenses, mas não de forma equitativa. Explicou o superintendente, que em 2015/16 houve mais de 700 incidentes com adeptos do Benfica, mais de 600 com adeptos do Sporting e mais de 200 com adeptos do FC Porto.

 

No ano seguinte, a coisa complicou-se: cerca de 900 incidentes com adeptos das águias, quase 700 com adeptos dos leões e acima de 400 com adeptos dos dragões. São números esclarecedores, que demonstram para lá de qualquer dúvida (como as que subsistem no IPDJ) que se os adeptos são todos iguais, alguns são mesmo mais organizados do que os outros.

 

O superintendente sugere que se deve aplicar mais vezes as medidas de porta fechada e interdição e propõe a criação da inibição de transmissão televisiva para punir os excessos dos adeptos. Mas, lá está, isso implicava dar ouvidos a quem sabe mesmo do assunto.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:17

 

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A formação secundária do Sporting provou a sua utilidade a promover talentos e a dar rodagem a jogadores da equipa principal, além, obviamente, de ter contribuído para receitas extraordinárias em vendas.

 

O Sporting prepara-se para fechar mais um ciclo da equipa B (de 2012 a 2018), com um balanço extremamente positivo, sobretudo do ponto de vista financeiro. Contabilizando as principais vendas de jogadores que saíram dos plantéis dos últimos seis anos (sem considerar os futebolistas da equipa principal que por lá passaram esporadicamente, como por exemplo Slimani ou Cédric Soares), a receita prevista em termos de vendas de atletas promovidos pela formação secundária poderá ascender a 108,8 milhões de euros: 81,5 milhões de vendas já efectuadas (João Mário, Rúben Semedo, Bruma, Ilori, Dier e Sacko) e 27,3 milhões de opções de compra que podem ser ativadas (Carlos Mané, Iuri Medeiros e Tobias Figueiredo).

 

Embora a equipa B seja apenas parte de uma engrenagem que começa na formação e acaba na equipa principal, o seu papel na afirmação de jogadores é relevante, sendo que, do lote assinalado que deixou bom encaixe nas arcas leoninas, somente Sacko não é formado no clube. Além desta função, que relega até para segundo plano a classificação na II Liga (por sinal praticamente sempre a piorar), a possibilidade de servir de cenário para a recuperação e obtenção de ritmo de jogo de atletas do elenco principal dota o Sporting B de uma importância que muitas vezes é menosprezada.

 

Nestes seis anos, o Sporting B contou com seis treinadores que utilizaram um total de 132 jogadores, a maioria vindos da formação, mas também contratados e "despromovidos" da principal. Há internacionais lusos que passaram pelo Sporting B, onde foi igualmente forjado um actual titular da selecção de Inglaterra: Eric Dier.

 

Recorde-se que a inscrição da equipa B custava apenas 50 mil euros, um valor que a partir da próxima temporada poderá passar para os 500 mil. Não é esse o motivo decisivo para o clube verde e branco abdicar de um segundo plantel a competir em provas profissionais, mas pesou na opção, tal como a "dureza" da II Liga.

 

Certo é que a partir de 2018/19 os leões passarão a ter os seus atletas mais jovens a competirem numa nova prova, o campeonato de sub-23.

 

Rafael Toucedo, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:53

Contos de fadas

Rui Gomes, em 31.03.18

 

O secretário de Estado da Juventude e do Desporto quer que os dirigentes só falem das coisas boas do futebol, mas os problemas não desaparecem por magia.

 

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No clássico PeterPeter PanPan, de JJ. MM. BarrieBarrie, a fada SininhoSininho consegue fazer qualquer pessoa voar com os seus pós de perlimpimpim: basta que tenham pensamentos felizes. João Paulo Rebelo, secretário de Estado do Desporto, tem uma abordagem parecida em relação aos problemas do futebol português: basta que os dirigentes falem dele apenas pelas boas razões.

 

Claro que PeterPeter PanPan é uma obra infantil enquanto o futebol português é pelo menos o que se joga fora das quatro linhas, um espectáculo apenas para adultos. A ideia de que não se deve falar dos problemas, com a esperança de que voem para longe por artes mágicas, é enternecedora, mas infantil e, por isso mesmo, irresponsável.

 

Ora, as crianças podem ser irresponsáveis, os governantes não. Quando o primeiro-ministro fica descansado porque, por cá, ao contrário do que aconteceu na Grécia, ainda não chegámos ao ponto de ver um dirigente entrar com uma pistola no meio do campo, fica a ideia de que também ele prefere os pensamentos felizes.

 

De resto, não é a primeira vez que um governante português não dá muito crédito aos avisos que chegam da Grécia. Claro que, para tal, é preciso ignorar que, não há assim tanto tempo como isso, um adepto morreu atropelado numa rixa, com o Ministério Público a descrever o clima entre as duas claques rivais - ou grupos de adeptos organizados - em causa como sendo de "guerra permanente".

 

Mas é melhor não falar sobre isso. Lembrem-se: só pensamentos felizes e pós de perlimpimpim. A questão é que, com a cabeça assim enfiada na areia, não vai ser fácil voar, mas não se pode ter tudo até porque isto, definitivamente, não é um conto de fadas.

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publicado às 03:52

Há monstros e monstros bons

Rui Gomes, em 30.03.18

 

Há sempre gente indesejável a atravessar-se nos textos quando se pretende escrever sobre futebol.

 

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Desafiado a caracterizar-se, o benfiquista Fejsa considerou que os adjectivos "monstro", "inteligente" e "muro" lhe assentavam bem. É verdade! Convidado a falar de futebol, o primeiro-ministro António Costa reafirmou que o adora "dentro das quatro linhas" mas detesta tudo o que se passa fora delas. Apesar de tudo, mostrou-se bastante aliviado porque na Grécia um dirigente entrou em campo de pistola e cá "ainda não chegámos a esse ponto". É a verdade preocupante! Mas preocupante a sério, como se percebe pelos insultos de Bruno de Carvalho a António Salvador depois de uma azeda troca de argumentos sobre dinheiros que vão para além da transferência de Battaglia.

 

Estará fora de questão que António Salvador e Bruno de Carvalho puxem de pistola um para o outro depois de amanhã, quando Braga-Sporting pelejarem pelo terceiro lugar, mas arrastar o nível das discussões até ultrapassar os limites da sanidade e atingir a baixaria pode ter consequências graves. A irracionalidade das turbas em fúria é difícil de controlar. Um penálti bem ou mal assinalado, um golo anulado ou até fora de jogo tirado de esguelha passa de decisão errada a potencial foco de conflito

 

Os monstros que interessam ao nosso futebol não são esses. São os do início do texto, os futebolistas de excepção, os portadores de capacidades incomuns, como o multicampeão Fejsa, ou o miúdo Dalot que tem tudo para ser um fenómeno, ou os manos Horta ou o imponente Rui Patrício. Só queria escrever sobre esses, mas há sempre gente indesejável a atravessar-se nos textos que só pretendiam ser de futebol!

 

Carlos Machado, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:21

Ruído que ecoa

Rui Gomes, em 29.03.18

 

O Braga-Sporting da próxima jornada dispensava o barulho que o antecede.

 

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1 - Mesmo considerando a importância dos jogos de FC Porto e Benfica nas vésperas de um clássico potencialmente decisivo na corrida ao título, o Braga-Sporting é o grande confronto da próxima jornada. O Sporting precisa de ganhar para poder capitalizar a eventual perda de pontos dos rivais no Benfica-FC Porto da jornada seguinte e o Braga tem de vencer para pressionar o terceiro lugar dos leões e quebrar o enguiço que, esta época, o tem impedido de vencer os grandes com quem quer discutir olhos no olhos. Um jogo assim, disputado por duas das melhores equipas do campeonato nacional, dispensava o ruído que os dois clubes têm alimentado em torno das dívidas por Battaglia. O tipo de ruído que tem o mau hábito de encontrar eco nas bancadas.

 

2 - Um dia depois de a seleção principal ter lançado algumas dúvidas sobre o presente, os escalões jovens trataram de dar algumas garantias em relação ao futuro. Os sub-21 estiveram a perder por 2-0 frente à Suíça, mas deram a volta e construíram uma vitória robusta por 2-4, suficiente para os isolar na liderança do Grupo 8 de apuramento para o Europeu da categoria. Melhor ainda, os sub-19 venceram a Irlanda por 4-0, encerrando a Ronda de Elite de apuramento para o Europeu que se vai disputar na Finlândia com o registo impressionante de três vitórias em três jogos, dez golos marcados e nenhum sofrido.

 

Um reflexo do excelente trabalho desenvolvido pela FPF e pelos treinadores Rui Jorge e Hélio Sousa, mas também pelos clubes. E sobretudo uma demonstração da evolução que se tem registado nos escalões de formação, nomeadamente através do aproveitamento do espaço que as equipas B oferecem para a evolução dos jogadores jovens.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:42

Líderes tribais

Rui Gomes, em 28.03.18

 

Entre Luís Filipe Vieira e Bruno de Carvalho há, sobretudo, uma diferença de estilo.

 

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Entre o registo sobejamente passivo-agressivo de Luís Filipe Vieira e a notória acidez desbragada de Bruno de Carvalho não há assim tantas diferenças como isso. De um lado, há um presidente que garante respeitar os rivais sem se rir apenas para os atacar logo a seguir com uma série de indiretas apontadas à jugular. Do outro, um presidente que usa as redes sociais para comparar o homólogo a um conhecido gangster com uma série de piscadelas de olho tão óbvias que correm o risco de serem confundidas com um tique nervoso.

 

A separá-los, apenas uma questão de estilo. A uni-los, a mesma opção pelo arremesso de achas para a fogueira. Nada de novo no futebol em geral e no português em particular. Os dirigentes, uns mais sonsos, outros mais dados à comédia, sempre se comportaram como líderes tribais. Há de ser também por aí que se explica que, nas franjas, haja tantos adeptos que se comportam como selvagens.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:04

 

Os melhores cruzamentos do mundo para o melhor cabeceador do mundo vão jogar o primeiro Mundial. Aos 34 anos.

 

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A verdadeira dificuldade de escolher o melhor jogador de futebol do mundo está na quantidade de alíneas abaixo dessa. O jogo parte-se em muitas tarefas e possibilidades. Não sei se Ronaldo será melhor que Messi no campo todo; só sei que nem Messi é bom no campo todo e também que, a responder a cruzamentos dentro da área, todos aceitam que Ronaldo é superior. E também que é complicado encontrar um avançado equiparável nessa habilidade específica. Acredito que nunca tenha havido.

 

Por outro lado, há muitos anos que vou registando a perfeição das elipses saídas do pé direito (sobretudo, mas não só) de Quaresma e procurando compará-las com outros talentos do género. Se ele não for o melhor do mundo a pôr a bola na cabeça dos avançados, pelo menos é garantido que se bate com qualquer um. Ou seja, Portugal possui há mais de uma década os melhores cruzamentos disponíveis no futebol actual e, talvez, o jogador que, em cento e tantos anos de jogo, mais aperfeiçoou a arte de lhes dar uso.

 

Desde que Fernando Santos recuperou Ricardo Quaresma, essa evidência confirmou-se e reconfirmou-se tantas vezes que, se o futebol precisasse de carta de condução, Scolari e Paulo Bento ficariam apeados até repetirem o exame de código e apresentarem outro atestado médico. Quando estão disponíveis dois recursos tão extremos como estes, no mínimo somos obrigados a tentar usá-los. Nenhum deles o fez realmente. No primeiro caso, culparia a ignorância e a clubite (era a doença de Scolari, por adopção); no segundo, talvez o pecado da intransigência. Se tudo correr bem, Quaresma vai fazer o primeiro Mundial. Aos 34 anos.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 04:01

O tio da América

Rui Gomes, em 24.03.18

 

Congresso do Sporting: são incríveis as coisas que levamos a sério. Mas como o VAR em directo nos estádios há poucas.

 

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1 - O congresso "The Future of Football" trouxe a Portugal duas mãos-cheias dos maiores especialistas internacionais para fruírem dos conhecimentos e experiência do presidente do Sporting, que lhes deu (que nos deu) lições sobre todos os aspectos da modalidade. Fomos informados de que é essencial pôr os estádios a ver as imagens do VAR ao mesmo tempo que o árbitro, porque na América já se faz assim e na América já há frigoríficos, ioiós e tevês a cores.

 

Se as repetições infinitas e comentadas de lances de arbitragem funcionam tão bem nas televisões à segunda-feira à noite, porque não replicar o formato durante o próprio jogo? Porque não transformar os nossos loucos furiosos das bancadas em loucos homicidas, para ajudar o árbitro a pensar com clareza? Ou, melhor ainda, passar as imagens no ecrã gigante e deixar que sejam os espectadores a votar electronicamente? Verde é penálti (nem era preciso dizer), vermelho não, nunca. O primeiro adepto a pressionar o botão ganha o direito a vergastar o próximo sócio expulso e dois jornalistas à escolha. Cheira-me que até arranjei um candidato.

 

2 - Alguns dos internacionais mais relevantes no Euro"2016 e no pós-Europeu foram maltratados pela sorte e pelo futebol nos últimos meses. João Mário, Adrien, André Gomes, Nani e André Silva tombaram, pelo menos, um patamar desde Agosto ou talvez mais, se pensarmos na aura de campeões da Europa com que voltaram de Paris. Outros, como Rafael Guerreiro, foram desviados pelas lesões e pela táctica. Os casos são todos diferentes. Talvez alguns tenham enrijecido com a experiência, outros terão economizado energia e outros nem uma coisa, nem outra. Mas, à entrada para a última etapa antes do Mundial, há um facto incontornável: o Euro"2016 foi ganho por jogadores que fizeram muitos minutos nessa época.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 12:38

Silêncio que vale por mil emails

Rui Gomes, em 23.03.18

 

Tirando a polícia, ainda ninguém desmentiu o poder do Benfica.

 

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Já há meses que não é possível negar a existência de um plano, estratégia, projecto, difusão de marca (o que quiserem chamar-lhe) do Benfica para estender a sua rede de influências. Podemos ver essa ideia pelos olhos de um benfiquista, que só destrinçará o maior clube português a tirar rendimento legítimo do seu tamanho e da variedade das simpatias que colhe em todos os círculos. Ou podemos vê-la pela perspectiva dos adversários, que imaginam em cada adepto do Benfica uma potencial vantagem desonesta, seja nos tribunais, nos governos, nas grandes empresas, na Imprensa, nos escritórios de advogados ou nos conselhos de disciplina e arbitragem.

 

Em qualquer dos casos, falamos de poder e o problema de todos estes meses, já quase um ano, não está tanto no que os órgãos oficiais da área fizeram para confirmar que o Benfica tem, de facto, poder sobre eles, apesar do comportamento reiterado e até chocante do Instituto Português do Desporto e da referência despropositada do primeiro-ministro ao "clube que nos é querido". O problema está no que não se fez para deixar claro o contrário.

 

Apesar de múltiplos ataques ao Sporting e ao FC Porto, em críticas directas ou sugestões descaradas, por várias figuras com responsabilidade institucional e até em locais como a Assembleia da República, nem uma vez qualquer delas tocou o nome do Benfica ou reagiu a uma qualquer acção do Benfica. Os timings escolhidos foram sempre de maneira a que parecessem respostas a acções de FC Porto ou Sporting.

 

Podem negar, mas são factos comprováveis: houve vários episódios de ousadia, e até rebeldia, para com FC Porto e Sporting e apenas respeitáveis generalizações quando as culpas apontaram para a Luz (na Liga, por exemplo, o Benfica ganhou influência neste período, enquanto FC Porto e Sporting a perderam).

 

Dez meses de tanto silêncio revelam bem mais do que mil emails.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

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publicado às 03:44

Leão por um fio

Rui Gomes, em 22.03.18

 

As baixas leoninas no contingente à disposição de Fernando Santos dizem qualquer coisa sobre o esforço a que o Sporting tem sido sujeito.

 

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1. Jesus tem-se queixado com alguma frequência da sobrecarga de jogos a que a equipa leonina tem sido sujeita nas últimas semanas. Tratando-se de Jesus, as queixas têm sido relativizadas pela maior parte da crítica, mas os reflexos dessa sobrecarga estão agora à vista de todos.

 

Coentrão e William abandonaram o estágio da Selecção por estarem lesionados, Gelson não iniciou o treino de ontem e apenas Bruno Fernandes e Rui Patrício estão a trabalhar com Fernando Santos sem limitações. Jesus tem esticado o Sporting até ao limite e dá que pensar até onde poderia ir se não fosse esta pausa para as selecções. Da última vez, esticou Bas Dost até partir...

 

2. A propósito de Jesus, há uns dias o treinador do Sporting disse que era conhecido no mundo por ter disputado duas finais da Liga Europa. Ontem, ficou ainda mais conhecido no Brasil por ter sido o treinador que disse, a propósito de Wendel, que uma coisa é jogar no Fluminense e outra é jogar no Sporting.

 

Os brasileiros, que pelos vistos não ligam muito à Liga Europa, ainda não conheciam a tendência de Jesus para os exageros de retórica e ficaram ofendidos. Passaram o dia de ontem a ligar para cá, tentando descodificar a mensagem e nós passámos o dia a dizer que não, não era nenhuma falta de respeito, que o próprio treinador tratou de o garantir na declaração que produziu, que no máximo seria falta de diplomacia e que, na verdade, Jorge Jesus estava apenas a sublinhar a necessidade de adaptar Wendel, não apenas à intensidade do futebol português, mas também à especificidade das ideias do próprio treinador.

 

Um simples "fait-divers" que, ainda assim, levanta uma questão: será mais estranho que os brasileiros fiquem incomodados com tão pouco ou que nós conheçamos Jesus tão bem que já não fiquemos incomodados com nada?

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

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publicado às 02:40

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