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TEORIAS DO CAOS - Imaginem que se acabam as ligas até Dezembro e até Maio se joga uma prova milionária para cobrir os prejuízos.

André Villas-Boas propôs que os campeonatos de futebol se estendam até Dezembro e que, a partir daí, se joguem em cada ano civil (ou seja, entre Janeiro ou Fevereiro e o Natal) até 2022.

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Nesse ano, tudo encaixaria com perfeição, porque o Mundial do Catar está agendado para uns estrambólicos finais de Novembro. Depois, suponho, logo se veria como atalhar o necessário regresso ao calendário normal. Na minha ingenuidade, tive uma visão alternativa, na improbabilidade de que FIFA, UEFA e as Ligas saibam o que refundação e solidariedade querem dizer.

Imaginem esta alucinação, com o devido desconto por vir de um maníaco furioso e talvez com o modesto impulso de cinco ou seis cafés, não havendo nada menos legal à mão. Os campeonatos locais, a Liga dos Campeões e a Liga Europa prolongam-se até Dezembro, há campeões, apurados, subidas e descidas de divisão. As edições seguintes são marcadas para Agosto.

Entretanto, o mundo tem um desvario. FIFA e UEFA juntam-se para criar uma tremenda competição mundial conjunta, entre Fevereiro e Maio. Os operadores televisivos de cada liga aceitam interromper os contratos a troco de um prolongamento aos mesmos preços.

Os países participam todos com idêntico número de equipas, começando por apuramentos nacionais e continentais por grupos, seguidos então por uma etapa de "poule" sem divisões geográficas (para potenciar as receitas, paciência), seguida de eliminatórias até à final, sempre em duas mãos.

A partir do momento em que a competição atinja a sua fase continental, as regras são algo (agora é que precisam mesmo de ter paciência com este meu delírio) revolucionárias. Cada clube tem direito a manter 25 jogadores com um valor máximo do plantel estabelecido por algum critério a encontrar, e todos os excedentários entrarão numa poule que os atribuirá por sorteio ou, no formato da NBA, à equipa mais fraca que os escolher (só até encerrar a prova), com partilha de despesas - solidariedade é solidariedade.

Os prémios são iguais para todos, mas dois terços da receita total são distribuídos pelas competições nacionais, mediante um cálculo dos orçamentos. Não faz sentido que uma liga com uma média de gastos, por clube, de um milhão, receba quarenta, por exemplo.

O planeta não resiste a algumas lágrimas por este vincado esforço comum, a economia do futebol conserta-se, existe a microscópica possibilidade de se ter aprendido alguma coisa sobre equilíbrio, Infantino e Ceferin tornam-se os primeiros dirigentes do futebol a ganhar o prémio Nobel da Paz e, graças a um tratamento profilático com metadona, resistem heroicamente à ganância de estoirar com as ligas nacionais e repetir a coisa logo no ano seguinte.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 05:02

Prioridades trocadas

Rui Gomes, em 29.03.20

A primeira preocupação de qualquer pessoa de bom senso nos tempos que correm só pode ser a saúde.

Nuno Lobo, presidente da Associação de Futebol de Lisboa, pontuou a actualidade de sexta-feira ao criticar a decisão da Federação de cancelar os campeonatos dos escalões de formação, garantindo que, pelo menos na capital, essa decisão ainda não é definitiva.

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Uma posição estranha, desde logo considerando que o comunicado da FPF garante que a resolução foi assumida depois de ouvidas todas as associações do país. Mas Nuno Lobo foi mais longe, assegurando que, a ser tomada, a decisão de cancelar os campeonatos dos escalões de formação terá em conta "os interesses desportivos" e "os interesses financeiros" dos clubes lisboetas.

Ora, parece que nem de propósito, os dois maiores clubes de Lisboa, Benfica e Sporting, não perderam tempo e trataram de manifestar publicamente o apoio à decisão anunciada pela Federação, sublinhando a importância incontestável de defender esse valor maior que é a saúde e, por tabela, deixando Nuno Lobo na posição estranha de não acompanhar, pelo menos para já, a opinião dos seus dois maiores associados. Claro que, apesar de serem os maiores clubes da capital, Benfica e Sporting são apenas dois, mas não é difícil imaginar que os restantes partilhem uma visão semelhante do problema.

Afinal, ninguém de bom senso ousaria colocar "os interesses desportivos" e "os interesses financeiros" como prioridade perante uma situação de emergência sanitária como a que atravessamos, especialmente quando falamos de escalões de formação.

Jorge Maia, jornal O Jogo

publicado às 03:19

Teletrabalho no Sporting

Rui Gomes, em 27.03.20

Confesso que me parece pouco ou nada relevante se Frederico Varandas se voluntariou para servir o País durante o estado de emergência ou se foi "obrigado" a apresentar-se ao serviço pelo Exército.

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Portugal precisa muito de pessoal clínico para combater a Covid-19, Varandas é médico e neste momento é certamente muito mais útil para todos que ele exerça essa função do que a de presidente do Sporting. De resto, mesmo admitindo que a maior parte dos clubes portugueses é gerida num regime próximo do despotismo mais ou menos iluminado, com os respectivos presidentes no papel de "Rei-Sol", é de supor que uma instituição da dimensão do Sporting não dependa da presença de uma pessoa para continuar a funcionar.

Aliás, o Conselho Directivo a que Varandas preside, é um órgão colegial, enquanto na SAD há pelo menos mais quatro administradores executivos, pelo que a ausência temporária - sublinho o "temporária" - do presidente não deverá ser dramática.

Dito isto, é evidente que o teletrabalho está longe de ser a forma ideal de dirigir um clube, especialmente em contexto da actual crise. O Sporting, como todos os clubes portugueses, enfrenta um momento particularmente delicado, com a evolução da pandemia a alterar as circunstâncias a um ritmo quase diário. Mais cedo ou mais tarde, por exemplo, vai ter de ser decidido como desatar o campeonato, uma discussão da qual o Sporting não se pode abster e onde o peso institucional do presidente do clube terá certamente relevância.

Depois há as múltiplas questões relativas à preparação da próxima época e à negociação de entradas e saídas de jogadores, que dificilmente podem ser devidamente atendidas por telefone. Frederico Varandas está onde tem de estar agora, mas não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Se a situação se prolongar, e todos esperamos que não, isso pode ser um problema.

Jorge Maia, jornal O Jogo

publicado às 04:18

Podemos tentar ensinar alguém a ser Ronaldo, mas nada em Messi é "conhecimento" transmissível ao próximo.

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O tédio do isolamento social descambou em tiro ao Ronaldo. Porque está na piscina, porque ostentou (e ostentou?) as ajudas aos hospitais portugueses e porque há um fulano chamado Hristo Stoichkov a quem chegou a vez de se meter no drama existencial entre Cristiano e Messi. Defender Ronaldo, que é crescidinho em todos os sentidos, soa-me sempre a patrioteirismo, mas não me importo de entrar nesse barco para defender, antes dele, a racionalidade.

Para um ex-presidente da Juventus, aparenta ser lamentável que ele cumpra a quarentena na Madeira, apanhando sol numa "megapiscina". As delícias do teletrabalho nem sempre convencem: para alguém tantos meios e uma obsessão tão grande, qual é a diferença entre isolar-se em Turim ou no Funchal? Já as ofertas de dinheiro e equipamentos aos hospitais levam a um debate estafado que confunde os óbvios benefícios com juízos de intenções.

Gosto muito do comedimento e ficaria um milhão de vezes mais bem impressionado se descobrisse que Cristiano Ronaldo anda há dez anos a servir à mesa na sopa dos pobres sem ninguém saber. Mas saber-se também tem valor, ou alguém duvida de que esta chuva de contribuições dos futebolistas e treinadores estão ligadas umas às outras?

Por último, o disparate de Stoichkov, búlgaro que fez história no Barcelona e que exclui entrevistar Cristiano Cristiano porque o que quer são "ensinamentos" e "conhecimento". Erro crasso. Se há uma vantagem evidente, chamemos-lhe assim, de Ronaldo para Messi ela está precisamente na ciência. Ronaldo tem uma vida de afinações, métodos e flexões abdominais para ensinar a quem for inteligente; o que mora dentro de Lionel Messi nem se ensina, nem se aprende.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 03:18

O Governo acha que o futebol NÃO é uma actividade económica e que a Imprensa é SÓ uma actividade económica.

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Têm os dois razão: o primeiro-ministro está certo quando diz que o futebol "não é uma prioridade" e o presidente da Liga também, quando exige a António Costa que trate o futebol do mesmo modo como trata o turismo, a indústria ou a distribuição. Ignorar os problemas do futebol, como ignorar os problemas - se me permitem - da Imprensa não é administrar o país; é administrar a imagem do Governo.

Faz parte do calculismo político perceber como é que os eleitores vão entender as medidas, mas é por de mais incompetência e cobardia (no mínimo) não as tomar apesar disso, se elas contribuírem para o bem comum. O futebol é prioridade? Claro que não, mas salvar bancos à custa da depauperação do sistema de saúde também é uma escolha (boa ou má) que põe centenas ou milhares de vidas em risco. Fora o show off mediático, o futebol é receita fiscal e postos de trabalho que ficam tão ou mais comprometidas do que quaisquer outras actividades económicas similares.

Sem o preconceito do político carreirista, o futebol só devia poder ser visto com esta crueza a partir de São Bento. A Imprensa é diferente. O fecho dos quiosques, que o Governo manda agora reabrir por decreto, foi um golpe duro que ameaça tirar do nosso controlo a gestão da trajectória de crise, numa permanente nuvem de asteróides. A ameaça não é para a Imprensa, nem para os jornalistas: é para os cidadãos e para a democracia, e já dura há uma década sem reacção dos governos nacional ou europeu. E tem graça. A mesma política que teima em não ver que o futebol é uma actividade económica, também se recusa a perceber que a Imprensa é muito mais importante do que isso. Mesmo quando um vírus lhe faz pousar essa realidade na única coisa que vê diante dos olhos: a ponta do nariz.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 03:02

Lado positivo

Rui Gomes, em 19.03.20

Bruno Fernandes, Bernardo Silva e João Félix têm mais um ano para crescer antes de se estrearem em Europeus.

Portugal vai poder ostentar o título de campeão europeu pelo menos durante mais um ano. Sim, às vezes, temos de torcer o pescoço para conseguir olhar para o lado positivo no meio de uma tragédia e manter o bom humor.

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Claro que a decisão da UEFA tem implicações mais sérias. Daqui a um ano, por exemplo, todos os jogadores da Selecção Nacional estarão um ano mais velhos. Cristiano Ronaldo terá 36 anos, Pepe 38, José Fonte 37 e João Moutinho 34 e, para alguns deles, é possível que a oportunidade de defender o título tenha acabado ontem.

Em contrapartida, a renovação progressiva da Selecção durante a era de Fernando Santos permite encarar o adiamento sem dramatismos. Bruno Fernandes, Bernardo Silva e João Félix, por exemplo, têm mais um ano para crescer e preparar a estreia em Europeus.

Texto da autoria de Jorge Maia, jornal O Jogo

publicado às 03:15

Mais "lixo" mediático

Rui Gomes, em 24.01.20

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Não há falta de pseudo-notícias cá no burgo, especialmente com o mercado de Janeiro em andamento, com o duplo intuito de vender papel e desestabilizar ainda mais o Sporting.

O jornal do Norte avança que o Sporting recebeu uma proposta do Reading FC para a cedência de Pedro Mendes até ao final da temporada, com opção de compra, e que está a ponderar a oferta.

A título de curiosidade, fui ver as notícias inglesas e a mesma referência aparece em terras de Sua Majestade, contudo, a fonte citada é... O Jogo.

Até provas absolutas em contrário, nada mais do que LIXO mediático!

publicado às 12:15

Uma praga de juízes marcianos

"Decisões a favor do Benfica (e do FC Porto) confirmam que alguns tribunais são extraterres

Rui Gomes, em 15.11.19

Duas decisões dos tribunais deram o mote para mais uma campanha que roça as "fake news", ou notícias falsas, no nosso humilde português.

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Um tribunal administrativo e um outro tribunal criminal absolveram o Benfica de uma multa por mau comportamento dos adeptos (incluindo agressões à polícia) e ainda de um jogo de interdição por apoio ilegal às claques.

Se fossem decisões definitivas, as duas sentenças significariam o fim da disciplina desportiva como nós a conhecemos, a desresponsabilização total dos clubes, a implosão da FIFA e da UEFA e talvez a ilegalidade da nova lei contra a violência no desporto. Só.

Mas não são decisões definitivas, nem para lá caminham, e parece-me, a mim e a muita gente, que contrariam acórdãos do Supremo Tribunal Administrativo e daquela instância irrelevante chamada Tribunal Constitucional. Sabemos isso, e está bem fresco, porque o FC Porto tem ganho vários processos iguais a estes do Benfica apenas para os perder na instância seguinte, com alguma lógica.

O que estes tribunais estão a fazer é demolir, com uma infantilidade aterradora, as bases da disciplina desportiva, universalmente consensuais. E nem se explica com clubismo, porque, antes de fazerem a vermelho, já tinham feito várias vezes a azul.

Fica uma pergunta para eles. Se assim não pode ser, como é que se faz?

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Nota: João Paulo Rebelo, secretário de Estado da Juventude e do Desporto garantiu esta quinta-feira que a entrada em vigor da lei de combate à violência no desporto evitará situações como a que levou à recém-anulação do castigo imposto ao Benfica:

"Na próxima época desportiva haverá muito, mas muito mais, qualificação de alguns temas que recorrentemente são falados no nosso país e, portanto, haverá punição directa indiscutível, e inapelável de alguns comportamentos, nomeadamente, no que se refere aos grupos organizados e interferências de outras instâncias".

(A lei 39/2009, que estabelece o regime jurídico da segurança e combate ao racismo, à xenofobia e à intolerância nos espectáculos desportivos, foi aprovada na anterior legislatura, mas algumas alterações só entrarão em vigor na próxima época desportiva).

publicado às 02:48

A cabeça de Varandas é prémio por Alcochete?

É do que o Sporting precisa. De dar a cabeça do presidente numa bandeja de prata aos heróis da Juve

Rui Gomes, em 23.10.19

Sim, do que o Sporting precisa mesmo é de uma claque que assalte o próprio guarda-redes com uma chuva de tochas, invada o centro de treinos do clube, agrida jogadores, responda às consequências normais desse acto com uma longa campanha contra o novo presidente e, no fim de tudo isso, saia em ombros por conseguir correr com ele.

É o novo conceito de estabilidade: uma direcção eleita escorraçada por uma claque da qual os associados sabem pouco ou nada, tirando que o líder é um criminoso cadastrado, sob detenção e já acusado de mais dois crimes, incluindo um de assalto a residências. Podemos fingir que isto tem a ver com más contratações e bolas que não entram, e isso até dá jeito à oposição, mas quem derruba um presidente fica mais perto de derrubar o seguinte.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 03:04

21263428_8NEZo.jpegPopulismo, nacionalismo, extrema-direita e futebol? A Bulgária não fica assim tão longe...

A UEFA abriu anteontem um processo disciplinar à Bulgária, na sequência dos acontecimentos que marcaram o jogo de Sófia, frente à Inglaterra, pontuado por saudações nazis e cânticos racistas dirigidos aos jogadores negros da selecção britânica.

Aleksander Ceferin, presidente do organismo que tutela todo o futebol europeu, apelou à colaboração entre federações e governos para atacar o problema de forma eficaz.

Gianni Infantino, presidente da FIFA, foi mais longe e sugeriu que todos os organizadores de competições de futebol coloquem em prática regulamentos rigorosos que prevejam banir dos estádios, de forma perpétua, todos aqueles que sejam considerados culpados de actos racistas durante um jogo de futebol.

Jorge Maia, jornal O Jogo

publicado às 16:54

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Os clubes ainda mandam qualquer coisa, é a primeira ilação a tirar da exportação falhada do craque Bruno Fernandes para Inglaterra. Frederico Varandas não se deixou constranger pelas necessidades de tesouraria, o que demonstra personalidade, mas o preço pode ainda ser demasiado alto. Tudo depende do cálculo que foi feito em Alvalade.

As probabilidades de conquistar o título são suficientes para justificar o esforço de segurar Bruno Fernandes, ainda por cima com salário reforçado? Se não forem, os próximos nove meses vão parir um quadro negro, de altos custos acumulados e receitas rarefeitas.

A outra grande dúvida será o próprio Bruno, tão excepcional em 2018/19 que ninguém de bom senso deve tomar por certa uma produção semelhante esta época. Bruno será o pior inimigo de Bruno, depois de João Félix ter sido o pior inimigo do Sporting (e de Bruno também).

Sem os 120 milhões de euros, o número de referência seriam os 50 milhões da venda de Militão pelo FC Porto. O Sporting teria transferido o seu maestro por uma soma recorde, amorteceria as contas e descartar-se-ia do título com uma boa desculpa. Félix (ou Jorge Mendes) virou o mundo sportinguista do avesso, apenas pela habitual hipervalorização das aparências versus bom senso.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 04:03

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 25.06.19

Das condutas questionáveis que o Benfica possa ter, oferecer "quantias astronómicas e pornográficas a jogadores de 12 e 13 anos" é das mais legítimas, por muito que isso perturbe o trabalho dos outros clubes.

A acusação é feita pelo coordenador da formação do FC Porto, em entrevista a O JOGO, mas bate um pouco no poste, porque competir não vai contra as regras, mesmo que essa competição se faça em cantante.

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Haverá uma questão do foro filosófico por trás em que, eventualmente, a FPF poderia intervir, com medidas que adiassem a idade de entrada dos miúdos no mercantilismo, mas a pressão financeira que o FC Porto sofre do Benfica não é muito diferente da pressão que o Paços de Ferreira ou o Gondomar sofrem do FC Porto.

Ou da que o próprio Benfica sofreu durante anos do FC Porto e que o obrigou a evoluir também no bom sentido (não foi só no mau), quer desenvolvendo o conceito de empresa, quer pelo método mais tradicional de ganhar os favores de Jorge Mendes. O FC Porto está apenas a dar respostas antigas a um problema novo e muito maior, que nem sequer foi suficientemente reconhecido nos corredores do Dragão.

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo, um artigo intitulado "Pornográfico, mas dentro das regras".

publicado às 03:31

 

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Entrevista de Islam Slimani ao jornal O Jogo, através da qual comentou a actualidade leonina e, mais uma vez, vincou a sua grande paixão pelo Sporting.

 

Eis algumas das considerações do antigo "leão" que deixou Alvalade em lágrimas no Verão de 2016:

 

"O presidente é uma excelente pessoa e, acima de tudo, a pessoa certa para comandar o Sporting. É um homem muito inteligente. É verdade que o Sporting viveu um período difícil, mas também é verdade que todos os grandes clubes - como é o caso - conseguem passar por esses períodos.

 

Hoje, a equipa está bem, o clube está bem orientado e vemos um grupo de jogadores de qualidade. O que se passou, passou; agora, o Sporting vai na direcção certa e tem, a meu ver, todas as condições para conquistar o título. Estão a poucos pontos da frente e os outros candidatos não vão ganhar sempre.

 

Nunca escondi a minha opinião sobre ele Bas Dost: é muito bom jogador e as estatísticas mostram isso mesmo. Foi uma grande aposta do Sporting, espero que continue assim e que possa ajudar a equipa a conquistar o campeonato.

 

Todo o mundo conhece bem a qualidade do treinadores holandeses. Marcel Keizer é bom treinador e está a demonstrá-lo com os recém-resultados. O Sporting está a praticar muito bom futebol.

 

O plantel do Sporting está recheado de bons jogadores. Coates, Mathieu... Nani é muito bom, tem muita experiência. Até o Jefferson tem qualidade. Mas, de longe, quem mais me impressiona é o Bruno Fernandes. Que jogador!... Quem sabe se um dia não podemos formar uma dupla na frente".

 

publicado às 03:02

 

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Não sei bem a que propósito Rui Miguel Gomes, jornal O Jogo, escreve nesta altura sobre Bas Dost e a sua reintegração no Sporting após a decisão de rescindir contrato unilateralmente, pelos infâmes eventos da Academia em Alcochete.

 

Já passaram vários meses, o assunto já foi extensivamente publicitado e comentado pela imprensa e pelos adeptos, e só faz sentido que alguém entenda "atear a fogueira" porque a performance da equipa do Sporting intimida alguns adversários e as respectivas aspirações ao título.

 

Não estamos perante um exercício de bom e objectivo jornalismo, até porque o autor não identifica a fonte da sua informação e o leitor, no seu pleno direito, ficará com dúvidas sobre a veracidade do que é adiantado. Eis o texto que foi hoje publicado no diário desportivo:

 

"Ao aceitar regressar ao Sporting e com base num novo vínculo contratual, BasDost viu substancialmente melhorada a sua folha de vencimento nos verdes e brancos. Ainda durante a liderança transitória de Sousa Cintra, o goleador holandês rubricou um novo contrato - tinha rescindido o anterior após a invasão a Alcochete -, válido por até 2021 e vendo disparar o salário para os 3 milhões de euros limpos. É, de longe, o mais bem pago dos jogadores do emblema lisboeta.

 

Contratação mais cara de sempre dos verdes e brancos, Bas Dost ingressou nos leões durante o Verão de 2016, a troco de dez milhões de euros, estabelecendo assim a soma recorde em Alvalade. À altura, o internacional holandês deixou o Wolfsburgo para receber 1,8 milhões de euros livres de impostos, sendo também aí o mais bem pago. Porém, a contratação posterior de Seydou Doumbia furou o teto salarial, com o marfinense a ganhar um ordenado superior a dois milhões de euros também limpos.

 

Depois dos tumultos registados em Alcochete que estão sob investigação da justiça, Dost foi o póster da invasão, ficando célebre a sua foto com uma ferida na cabeça, depois de ser agredido pelo bando de adeptos que invadiu Alcochete. Em consequência disso - a 11 de Junho passado - Bas Dost revogou unilateralmente o primeiro contrato que assinara, juntando-se, então, a Rui Patrício, Daniel Podence, William Carvalho, Bruno Fernandes e Gelson Martins, alegando condições de segurança necessárias para a prática da sua profissão.

 

Com a destituição de Bruno de Carvalho e Sousa Cintra a apresentar um vínculo novo em folha e com salário quase duplicado, o holandês aceitou então regressar e continua a ser uma pedra nuclear nos verdes e brancos".

 

Como ponto final, devo esclarecer que não estou minimamente preocupado com o que será um elevado salário do nosso avançado holandês. A Sporting SAD paga-lhe o que entende que ele merece e o seu histórico de "leão ao peito" justifica a consideração. Pontas de lança que marcam 79 golos em 100 jogos não se encontram todos os dias, muito menos ainda para um clube como o Sporting. 

 

Bas Dost tem sido cem por cento profissional desde que chegou a Alvalade, dá sempre o seu melhor em campo, e a equipa e o Clube beneficiam com isso. O resto é conversa de café para entreter os incautos.

 

publicado às 15:00

 

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À falta de melhor imagem e com um pedido de perdão para os leitores mais sensíveis, Bruno de Carvalho é mais ou menos como uma micose no pé: pensamos que nos livrámos dela com a pomada que usámos no Verão, mas depois chega o Inverno e voltamos a sentir aquela coceira incómoda que nos recorda que não foi a lado nenhum. E, como acontece com qualquer micose, coçar só agrava o problema, mas ignorá-lo também não o resolve. É preciso atacá-lo de forma eficaz para eliminá-lo definitivamente.

 

Nesse sentido, talvez a contestação de que Frederico Varandas foi alvo na Assembleia Geral de sexta-feira por parte de um grupo de apoiantes de Bruno de Carvalho possa ter um efeito profilático, pelo menos se for encarada como um sintoma de um problema que, definitivamente, não está resolvido.

 

No próximo dia 15 há outra Assembleia Geral. Essa, para analisar e votar os recursos aos processos instaurados a Bruno de Carvalho e seus pares, e os sportinguistas, a maioria dos sportinguistas, aqueles que não se revêem na forma populista, trauliteira e irresponsável como o antigo presidente levou o clube ao estado calamitoso em que ainda se encontra, têm uma oportunidade única para deixar claro que não deixam os destinos do Sporting ser determinados por uma minúscula, ainda que populista, trauliteira e irresponsável, minoria que se habituou a desrespeitar os valores da democracia.

 

Ignorar o problema, imaginar que se resolve sozinho, é deixar aquela coceira incómoda crescer até fazer ferida. E mais uma ferida é tudo o que o Sporting não precisa.

 

Jorge Maia, jornal O Jogo

 

publicado às 13:00

 

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O empréstimo obrigacionista lançado pelo Sporting acabou por revelar-se mais do que uma operação financeira. Foi também um grito de revolta contra a pressão da banca. Foi uma manobra de diversão contra a omnipresença mediática do caso Alcochete. Foi uma manifestação de unidade que atirou para segundo plano (pelo menos momentaneamente) a substituição do treinador. E foi até uma boa oportunidade para ex-capitães desavindos com o clube, ou este com eles (com ou sem justiça), proporem o definitivo restabelecimento da paz.

 

Tudo isso aconteceu porque Frederico Varandas e Francisco Salgado Zenha souberam dar a volta a um processo tortuoso, mas sobretudo porque a resiliência, a paixão e a fé - é essa a palavra - dos sócios do Sporting não têm fim.

 

Quantos clubes, depois de tantos anos de má gestão, fracasso e turbulência, ainda estariam sequer na I Divisão, quanto mais no primeiro quarto da hierarquia nacional? Aquela é uma massa associativa e adepta singular, e isso nem sempre tem sido dito vezes suficientes.

 

Joel Neto, jornal O Jogo.

 

publicado às 03:46

Do "calciocaos" ao "Portugalcaos"

Rui Gomes, em 17.11.18

 

Este sábado é um bom dia para pensar na Itália e nos efeitos colaterais da moralidade flexível.

 

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No século XXI, Portugal está muito mais próximo do futebol italiano do que a natureza determinaria. Jogou quase o mesmo número de finais internacionais, entre clubes e selecção; ganhou mais na formação; tem cinco taças internacionais para contrapor às sete de Itália (calma, eu sei que Ligas dos Campeões e Mundiais não são taças UEFA e Europeus) e, sobretudo, apresenta dois jogadores distinguidos como melhores do mundo contra apenas um italiano.

 

Esta proximidade é quase uma goleada portuguesa e talvez só possa existir porque, em tempos, houve uma condição climatérica chamada "Calciocaos" que derrubou e paralisou os principais clubes de Itália durante vários anos. O AC Milan, imperador da Europa nos anos 90, nunca recuperou. Fui acompanhando o processo, naquela altura, e acredito que nada daquilo era mais sujo do que o actual contexto português, dos casos investigados à manipulação noticiosa, passando pela opinião instrumentalizada de que ninguém parece envergonhar-se.

 

As graves consequências da má conduta italiana podem ter definido a geografia do futebol europeu, porque aconteceram quando o "calcio" procurava ainda resistir à ultrapassagem da Premier League no campeonato das ligas milionárias. Todos pagaram bem caro, uns pelo crime e os outros pela indulgência. Este sábado, data de um insólito Itália-Portugal de posições trocadas, é um bom dia para se pensar nisto, vá lá, trinta segundos.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

publicado às 15:40

 

O Itália-Portugal ou Bruno de Carvalho e o e-Toupeira? Qual é o futebol que importa mostrar esta semana?

 

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Os jornalistas não são notícia (e, às vezes, as notícias também não), mas é notícia quando alguém se queixa dos jornalistas por se ocuparem demasiado do processo-crime em curso contra um ex-presidente de clube acusado de ordenar um ataque à sua própria equipa, ou de outro em que uma SAD é acusada de acesso indevido ao sistema informático da Justiça.

 

Dizem-nos que os cidadãos querem futebol futebol e que está aí à porta um jogo muito importante da Selecção, enquanto nós passamos os dias no tribunal, à cata de uma partícula de migalha de notícia. "O futebol não é aquilo". Acontece que o futebol é mesmo aquilo e que, se não estivéssemos nos tribunais e se os tribunais não estivessem nas nossas primeiras páginas, estaríamos a mentir às pessoas sobre o que o futebol é, neste momento.

 

O Itália-Portugal vai jogar-se na mesma e terá o seu espaço; com alguma sorte, a equipa continuará a divertir-se sem Ronaldo e dará ao Norte o prazer descentralizado de receber a fase final da Liga das Nações. É importante, mas podemos sobreviver sem isso (até o Norte, que só recebe a prova porque o aeroporto de Lisboa está em implosão). E, para ser correcto, também podemos sobreviver sem meter pelos olhos das pessoas dentro a fauna miserável que infecta o futebol. Já andamos assim há décadas e podemos andar outras tantas.

 

Para efeitos literários, até podia escrever agora que não haverá outras finais da Liga das Nações se continuarmos nestas companhias impróprias, mas até nem acredito nisso. O banditismo e a canalhice nunca foram obstáculos. Podemos ter um magnífico futebol canalha, eventualmente até o melhor futebol canalha do mundo, se nos aplicarmos. Basta tirarmos os jornalistas dos tribunais.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

publicado às 03:33

Sem esquecer a assinatura

Rui Gomes, em 10.11.18

 

Tiago Fernandes obteve dois resultados que farão dele uma reserva do leão.

 

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O Sporting saiu do 'Emirates' com honra, um ponto e uma importante injecção de confiança. Em termos práticos, não interessa muito discutir se fez apenas uma parte do trabalho, a defensiva, porque sair vivo de Londres era o mais importante para os leões neste princípio de época conturbado. O apuramento para as rondas a eliminar está praticamente garantido e esse era o projecto imediato.

 

A vitória sofrida nos Açores e o empate espremido em Londres modificam o estado de espírito de jogadores que desde o primeiro dia parecem à deriva e elevam o interino Tiago Fernandes ao papel de reserva técnica dos leões. As exibições não melhoraram por aí além, mas a equipa lutou e nas duas das três aparições previstas para o exercício do treinador de transição resultaram como proveitosas para os registos estatísticos.

 

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Tiago Fernandes tem vindo a transmitir a ideia de que estava preparado para assumir o comando. Conhecia o grupo e tinha ideias para modificar não só o onze como, mais significativo ainda, a forma de jogar. Ou seja, mesmo sabendo-se a prazo fez questão de assinar a intervenção.

 

A passagem para o modelo 4x4x2, a aparição de Lumor no onze frente ao Santa Clara, a surpreendente titularidade de Miguel Luís, estreado quatro dias antes mas só para ficar na história, já que entrou na compensação, foram decisões para assinalar. Se não sair do trilho no domingo, com o Chaves, ficará registado nas memórias. Caso o holandês não resulte, tem via livre para voltar. E discurso!

 

Carlos Machado, jornal O Jogo

 

publicado às 03:35

 

Sem Cintra por perto, todas as culpas eram dele e não faltava vontade de lhas apontar. Varandas chegou-se à frente.

 

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O Sporting está numa sucessão de cenários exóticos desde maio. E ter uma equipa e um treinador escolhidos, no meio do caos, por uma comissão transitória não era o mais trivial desses cenários. Ainda assim, a maior das provas de coragem que José Peseiro deu, quando aceitou o convite de Sousa Cintra, foi saber (tinha de saber, por amor da santa) como os adeptos reagiriam à aura que trazia do FC Porto, Braga, V. Guimarães e talvez até da primeira passagem por Alvalade. Somava-se a esse problema, que não era pequeno, o estatuto público de pneu sobressalente, para durar só até chegar à oficina.

 

Depois, veio a inconcebível entrevista de Cintra, cheia de recados e censuras ao treinador que ele tinha contratado, para o caso de haver adeptos distraídos que ainda dessem a Peseiro o benefício da dúvida. O despedimento acaba por ser meio golpe de misericórdia, meio operação de limpeza a uma casa atravancada e torta. Os sportinguistas já não iam a tempo de se apaixonarem pelo treinador e o presidente, pelos vistos, também nunca sofreu desse apetite. Para quê prolongar o desconforto de toda a gente?

 

Frederico Varandas, que não chegou a tempo de contratar ninguém, tem algum direito a começar a presidência dele e é mais justo fazê-lo assim, sobretudo para Peseiro. Depois de Sousa Cintra ter saltado fora, já não restava mais ninguém, se não o treinador, para responder por tudo, incluindo pelas decisões de Cintra. Como bom soldado na formatura, Varandas deu um passo à frente.

 

José Manuel Ribeiro, jornal O Jogo

 

Nota: Recorrendo ao raciocínio do nosso estimado leitor Mike, em sentido inverso, se os nossos adversários aprovam a decisão (José Manuel Ribeiro é adepto do FC Porto), é porque foi a decisão errada. Será assim?

 

publicado às 02:46

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