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O espectáculo tem de continuar

Rui Gomes, em 05.01.22

Era inevitável que a explosão de casos positivos de Covid-19 no país, potenciada pela variante Ómicron, se reflectisse no futebol.

Aliás, considerando as previsões que apontam para um pico de infecções mais adiante no mês, é provável que o recente surto no Estoril não seja o último a ameaçar a normalidade do campeonato.

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Depois da vincada vergonha a que se assistiu no Jamor, no já infame Belenenses-Benfica, os clubes deliberaram no sentido de evitar que volte a ser possível um espectáculo daquele calibre. O novo mínimo de treze jogadores disponíveis, incluindo pelo menos um guarda-redes, procura estabelecer um compromisso inevitavelmente delicado entre a salvaguarda da competitividade dos jogos e a protecção possível de um calendário bem espremido pelas várias competições que têm de caber nos nove meses disponíveis. Claro que uma equipa reduzida a 13 opções, incluindo elementos das equipas de sub-23, estará sempre muito limitada na resposta que pode oferecer, mas o calendário não aguenta uma avalanche de adiamentos, pelo menos não sem comprometer a própria conclusão das competições e, com isso, as receitas que dependem da realização dos jogos e sem as quais, num cenário de crise generalizada, os clubes não podem passar.

E é por isso que, considerado individualmente, o eventual adiamento do Estoril-FC Porto do próximo sábado não é um drama. Para um jogo, há de arranjar-se uma data disponível. Mas se a progressão desta vaga da pandemia corresponder às previsões mais pessimistas e casos semelhantes se multiplicarem, ou os clubes assumem de uma vez por todas que este é mesmo o novo normal e que o espectáculo tem de continuar desde que, como decidiram livremente, haja treze jogadores disponíveis, ou correm o risco de comprometer a própria sobrevivência.

Artigo da autoria de Jorge Maia, em O Jogo

publicado às 04:18

Paulinho melhora a todos os níveis

Rui Gomes, em 02.01.22

Paulinho assinou contra o Portimonense a exibição mais prolífica pelo Sporting, uma vez que marcou três golos. Com quase um ano de leão ao peito, foi a primeira vez que o avançado celebrou mais do que um golo num jogo e logo depois de ter parado com Covid-19.

Vai com nove tentos em 25 partidas e, em comparação a 2020/21, época na qual fez 14 encontros e marcou três vezes pelo Sporting, precisa de menos tempo para festejar: são 217 minutos em média entre cada golo, quando na época transacta eram 357.

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Paulinho subiu o nível de eficácia porque remata mais e melhor. Tem uma média de 2,24 tiros por jogo e acertou 46,4 por cento destes na baliza adversária, batendo os registos de 2,14 por partida e de 43,3 remates no alvo em 2020/21. O jogo com o Portimonense foi o encontro em que o barcelense mais chutou (7) desde que é do Sporting, acertando em cinco ocasiões na baliza de Samuel Portugal.

Só que a preponderância de Paulinho, como Rúben Amorim várias vezes afirmou, não se mede apenas pelos golos que marca. Antes facturou em vitórias largas (e uma derrota) e o Sporting CP poucos golos sofre, o que acaba por minimizar os pontos dados de forma directa pelo dianteiro (3); mas soma ainda quatro assistências este ano, mais duas do que na temporada passada, e é muito mais influente em toda a construção ofensiva, servindo de plataforma giratória para o ataque.

Faz em média 2,2 passes para o último terço por jogo (somou 1,36 em 2020/21) e 17,4 passes certos, melhorando os 13,7 por jogo da época de estreia. Faz menos passes para remate (média de 0,48) do que em 2020/21 (0,71), o único atributo que desceu e que revela um maior egoísmo frente à baliza.

Já era conhecido pela entrega defensiva, mas Paulinho ainda a exponenciou: tem, por jogo, quase duas interceptações e 2,65 recuperações. Mais do que duplicou os números da última época.

Reportagem de Frederico Bártolo, em O Jogo

publicado às 03:03

O inimigo público

Rui Gomes, em 26.12.21

image.pngEm Inglaterra, tanto o treinador espanhol do Manchester City como o treinador alemão do Liverpool meteram-se numa alhada por terem dado a impressão de contestar o Boxing Day, a jornada natalícia que é tradicional na Premier League. Fizeram-no com todos os cuidados ("adoro o Boxing Day"), mas a mera sugestão de que talvez fosse melhor poupar... "a saúde dos jogadores" a essa canseira gerou quase uma ameaça de guerra civil.

Isso aconteceu fundamentalmente porque Inglaterra é o único país do mundo em que o mais importante elemento do futebol profissional põe (muito de vez em quando) a cabeça de fora: o público. Aqui, não sabemos sequer se as pessoas que pagam isto tudo gostam, por exemplo, de futebol na quadra.

A minha impressão é que sim, até gostam muito, mas não deixa de ser altamente provável que, quando o próximo calendário surgir à discussão, opinião de dois ou três treinadores influentes, os Guardiolas e Klopps à escala portuguesa, valha mais do que a vontade de quatro ou cinco milhões de pagantes. Aliás, diga-se, o futebol esforça-se ao máximo por nem sequer a reconhecer. A saúde dos jogadores não importa? Claro que importa, por eles acima de tudo, mas depois também pela qualidade de jogo que atletas desgastados podem oferecer ao público, por quem quase ninguém costuma interessar-se muito, incluindo (ou sobretudo) os árbitros.

Metade dos clássicos entre FC Porto e Benfica desde 2017 terminaram com, pelo menos, uma expulsão e várias vezes até ainda na primeira parte. Em mais nenhum campeonato europeu os jogos cabeça de cartaz são abordados desta maneira pela arbitragem, e até pela maioria dos comentadores. Significa, literalmente, que em território português o árbitro se sente muito superior ao adepto numa escala de importância. As exibições de autoritarismo e cegueira legalista destinam-se ao Conselho de Arbitragem, à UEFA e à FIFA. Mas não é para eles que o árbitro trabalha.

publicado às 03:48

Ainda... a importância de Pablo

Rui Gomes, em 26.12.21

Sarabia vive um bom momento no Sporting e alcançou frente ao Casa Pia o sexto golo pelos leões ao 21.º encontro, uma marca muito satisfatória para um jogador que só fez o primeiro tento pelos leões diante do Besiktas, na sétima partida pelos verdes e brancos. A sequência é de tal forma boa que nos últimos 16 jogos o espanhol teve influência em dez golos, obtendo os tais seis tentos aos quais somou quatro assistências.

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Pelo PSG ainda marcou em Agosto, ao Estrasburgo, mas só fazendo contas ao Sporting o jogador de 29 anos está apenas a um golo de igualar a marca de 2020/21 pelos parisienses, de sete golos, e definiu que a meta dos 15 tentos pode ser um passo muito importante para ajudar o campeão nacional e da mesma forma o seu sucesso individual: a confirmarem-se os 15 golos numa temporada o espanhol alcançaria o melhor pecúlio da carreira, batendo o registo de 14 golos pelo PSG em 2019/20, só ficando atrás da época muito positiva que fez em Sevilha, em 2018/19, na qual marcou 23 vezes e assistiu em 14 ocasiões.

Para já, chega ao Natal convicto de que o pode fazer, pois tem, neste momento, o segundo melhor princípio de temporada: em 2016 fizera cinco golos, em 2017 dois, em 2019 quatro e em 2020 três. Só mesmo em 2018 foi mais prolífico até ao final do ano civil, marcando 15 vezes pelos andaluzes.

Satisfeito pelo apreço que os adeptos leoninos demonstram, Sarabia vai aproveitando as folgas para sair de Alcochete e conhecer melhor Lisboa, estando satisfeito por ter escolhido Portugal e o Sporting para ter minutos, acreditando que a regularidade o ajudará a estar, como titular, no Mundial"2022 pela Espanha.

Apesar de demonstrar talento na bola parada, Sarabia só cobrou dez penáltis na carreira, todos com total sucesso. Só pelos bês do Real Madrid, em 2011, era o habitual cobrador, marcando depois quatro vezes pelo Sevilha em três anos. Em Novembro deu uma vitória decisiva à Espanha batendo Vlachodimos e a Grécia e marcou, na Turquia, pelo Sporting também de penálti. Está a subir na hierarquia e face aos dois penáltis falhados por Pedro Gonçalves, Sarabia está à espreita e sabe que assumir esses lances facilitariam o objectivo individual, sempre ajudando a equipa.

Assente parcialmente numa reportagem de Frederico Bártolo, em O Jogo

publicado às 03:47

Precisamente na semana em que Portugal acordou petrificado com a detenção do virtuoso César Boaventura, ficou a conhecer-se a terceira versão do novo regulamento com que a FIFA pretende domesticar o faroeste das transferências.image.png

Os números não são perfeitos, mas são bem melhores do que os anteriores. Não poderão ser gastos em comissões mais de 10% do valor de cada transferência, distribuídos em 3% (3,3) para cada uma das partes (clube vendedor, jogador e clube comprador).

Só o representante do clube vendedor poderá amealhar o máximo dos 10%, significando isso que nenhum outro interveniente receberá comissão nesse negócio, e deixa de existir a possibilidade de um agente atuar em nome de mais do que uma das partes envolvidas.

A "Clearing House", a criar pela FIFA e traduzível por "Casa da Clarificação", acolherá o dinheiro de cada transferência e será responsável pela respectiva distribuição, com um detalhe essencial: as comissões serão depositadas apenas em contas sedeadas no país de residência do agente. Não há informações do que sucede quando o país de residência são as Ilhas Caimão e, mais importante, nenhuma garantia de que os tribunais europeus e os neoliberais da Comissão Europeia não voltem a julgar o projeto como um atentado contra o livre empreendedorismo. Das futuras normas (veremos), entendem-se algumas melhor do que outras.

Existe uma facção convincente na Europa que defende o formato norte-americano, onde o agente representa exclusivamente o jogador e respectivos direitos de imagem. Pareceria bem se o mercado de transferências não se tivesse tornado uma fonte de rendimento tão importante, sobretudo para as órfãs ligas médias (como a portuguesa). Isso não acontece nos Estados Unidos da América. O trabalho do agente que procura a colocação para os jogadores excedentários ou vendáveis é, muitas vezes, fundamental aqui (daí o valor de Jorge Mendes), e conflitua com os interesses do representante do atleta. Este último pode, por exemplo, conformar-se com um clube que aceda aos salários desejados, sem cuidar do valor de transferência esperado pelo vendedor.

Já será menos fácil entender que continue a ser pagável uma comissão ao representante do clube comprador. Se uma administração não consegue fazer esse trabalho sozinha, serve para quê? E se o objectivo declarado dos regulamentos é travar as fraudes e a inflação no futebol profissional, legitimar, do lado do comprador, alguém que tem todo o interesse em negociar o valor mais alto possível é manter a porta aberta às mesmas artimanhas actuais.

E demasiada gente à mesa negocial, ainda que, em princípio, seja gente de cadastro limpo ou branco sujo, porque a FIFA recusará licenças a quem tenha sido condenado a penas de prisão para além dos doze meses por determinados crimes. Não chegará, porventura, para manter os Boaventuras ao largo, pelo menos antes de se atascarem na lama, mas era o mínimo dos mínimos, até porque o grande mistério depois destas medidas óbvias ao ano 21.º do século XXI reside numa pergunta óbvia: porquê tão pouco e só agora?

Artigo de José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 03:02

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Considerações de Rosa de Oliveira Pinto, jornalista da SIC, em recém-entrevista ao jornal O Jogo...

Gostas muito de futebol, já se percebeu. Tens algum clube favorito ou, por decência ética, não me vais dizer qual é?

"Adoro futebol, mas já gostei mais. Aos meus olhos, perdeu alguma magia...e digo isto com mágoa. Tenho um clube de futebol preferido, mas acho que em Portugal ainda não estamos numa fase em que os jornalistas possam dizer qual é o seu clube. Eu já fui acusada de ser de três clubes diferentes. O adepto de futebol vê apenas o que quer ver e não vale a pena tentar convencer ninguém do contrário. Partir do pressuposto que nós, jornalistas, somos uns vendidos e que trabalhamos em função dos interesses dos clubes, diz mais sobre quem pensa assim do que sobre nós. É lamentável".

Tens acompanhado o campeonato? Já me consegues dizer quem vai ser o campeão?

"Acompanho, sim. Tenho o meu palpite. Há uma equipa que está a jogar melhor do que as outras, mas sabemos bem que, até ao fim, muita coisa pode mudar, sobretudo com a reabertura do mercado em Janeiro. Eu diria que o Sporting vai voltar a ganhar o campeonato".

Está mais emotivo e competitivo o campeonato. Concordas?

"Não concordo. O Sporting, o FC Porto e o Benfica estão de facto muito próximos na classificação, mas ainda há uma grande diferença para as restantes equipas. É um campeonato desigual.

Não é que seja uma questão super importante, mas continuamos sem saber qual é o clube de simpatia de Rosa de Oliveira Pinto.

publicado às 03:32

Fernando Santos comentou o sorteio da Liga das Nações dizendo o óbvio: "Daqui até lá, muita coisa pode mudar".

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De facto, pode mudar desde logo o seleccionador, que depende muito do resultado do play-off de apuramento para o Mundial que se disputa em Março. Fernando Santos já confirmou que sairá pelo próprio pé se não garantir a presença no Qatar, pelo que todo o contexto em que será disputada a fase de grupos da Liga das Nações está em aberto.

Caso Portugal se apure para o Mundial 2022, batendo a Turquia primeiro e a Itália ou a Macedónia do Norte logo a seguir, a Liga das Nações não se esgotará em si própria e pode muito bem ser uma excelente plataforma de lançamento para o Qatar. Jogos em Junho e Setembro, com equipas do calibre da Espanha, de Suíça e da República Checa serão, desde logo, uma boa forma de avaliar o nível da Selecção Nacional, a eficácia das alterações que o seleccionador já prometeu introduzir e então a necessidade de eventuais afinações antes do Mundial.

Por outro lado, caso Portugal não se apure para o Qatar, a Liga das Nações será a primeira competição de um novo seleccionador nacional, o arranque oficial de um novo ciclo para Portugal e, pelos exactos mesmo motivos enunciados acima - a indiscutível qualidade dos adversários - um baptismo de fogo para a esperada renovação, se não tanto dos jogadores, pelo menos da filosofia de jogo que uma larguíssima parte da crítica exige.

Até porque, sem o Mundial no horizonte à vista, a Liga das Nações passa a ser o primeiro objectivo da Selecção e uma prioridade absoluta para o novo seleccionador. Ora, todos sabemos que não há uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão. O que, provavelmente, significa que até o eventual sucessor de Fernando Santos está a torcer para que ele se dê bem no play-off de Março.

Artigo de Jorge Maia, em O Jogo

publicado às 03:30

21768990_HZTHy.jpegAparentemente, um erro de software obrigou à repetição do sorteio da Champions. Sim, pelos vistos, é preciso um programa de software para realizar um sorteio entre 16 equipas com um par de condicionantes: as equipas dos mesmos países e aquelas que se enfrentaram na fase de grupos não podem jogar entre si. Ridículo.

De resto, um ridículo que expôs a UEFA às críticas, lideradas por Real Madrid e Juventus que, para além de não terem gostado nada do resultado do sorteio definitivo, mantêm a Superliga no bolso para sacar à primeira oportunidade.

O Benfica não se queixou, mas é irresistível supor que Jesus tenha ficado desapontado. O treinador encarnado tinha garantido que, se o sorteio lhe atirasse o Real Madrid para a frente, era para passar e quase lhe saía a sorte grande. Sobre o Ajax, não se conhece o pensamento do técnico das águias, mas sabe-se que os neerlandeses venceram o grupo C com seis triunfos, incluindo duas goleadas ao Sporting, o que não deixa de ser um cartão-de-visita impressionante.

Os leões também não têm motivos para sorrir. A Juventus, que foi a escolha do sorteio invalidado, é uma equipa em crise: o Manchester City é precisamente o contrário. Se não for mais nada, e este Sporting já provou que todas as previsões podem ser precipitadas, a eliminatória com o colosso inglês é mais uma oportunidade de crescimento para uma equipa que, em Portugal, já não tem grande coisa a aprender.

Na Liga Europa o software aguentou-se à bronca e o FC Porto vai jogar com a Lázio, velha conhecida de Conceição. Os dragões têm-se dado bem nos duelos com equipas italianas, os romanos estão no nono lugar da Serie A e há bons motivos para um optimismo moderado que também vale para o Braga, adversário dos moldavos do Sheriff. Desde que o software não falhe.

Artigo de Jorge Maia, em O Jogo

publicado às 04:32

Os clubes não querem vice-almirantes

Rui Gomes, em 02.12.21

image.pngO caso Belenenses-Benfica criou um equívoco. Os clubes não elegem uma autoridade soberana para gerir competições profissionalmente e impor as regras de higiene e funcionamento: elegem um subordinado para gerir contradições permanentes e acatar, muito caladinho, as regras que derem na real gana aos associados.

Devem chegar os dedos de uma mão para contar os clubes que, alguma vez, votaram num presidente da Liga por achar que ele teria dotes excecionais de organizador ou que seria um gestor visionário. No máximo, terão ponderado a influência política ou financeira, mas em geral as direções da Liga são eleitas porque os eleitores imaginam que terão algum tipo de ascendência sobre elas.

Ao mais pequeno desentendimento, não hesitam em ridicularizá-las, e normalmente por futilidades. Outros circunscrevem-se à tradicional sabotagem, esgotando logo à nascença a credibilidade e imagem pública dos eleitos. A seguir voltam ao ataque porque os eleitos não têm credibilidade nem boa imagem pública.

Chega a ser cómico ouvir falar da Liga como uma entidade que dá orientações. Nenhum clube votou com o propósito de ser orientado por aquelas pessoas. Por cá, o futebol ainda não atingiu o nível de profissionalismo em que se confia dessa forma em alguém, seja quem for (e para ser sincero, com alguma razão).

Por isso, antes de falarem da Liga como se ela estivesse obrigada ser a versão desportiva do vice-almirante Gouveia e Melo, esperem por umas eleições em que os clubes escolham uma administração em vez de uma direção e técnicos especializados em vez de sacos de pancada. E que depois aceitem, vá lá, uma decisão em cada dez. Já seria uma melhoria de dez por cento.

Artigo de José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 12:30

Teoria da evolução aplicada ao VAR

Reconhecer que há problemas de credibilidade que resultam da análise microscópica de cada lance

Rui Gomes, em 18.08.21

Não foi preciso esperar muito: à 2.ª jornada, as polémicas com a arbitragem voltaram à ordem do dia na Liga Bwin, com o VAR inevitavelmente metido ao barulho.

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Entretanto, na Premier League, o uso do videoárbitro foi revisto no arranque desta época com o principal objectivo de evitar a análise microscópica e a respetiva penalização de lances triviais. Seguindo o exemplo da Holanda, linhas mais grossas são usadas para avaliar todas as situações de fora de jogo e, em caso de sobreposição, o benefício volta a ser dado ao atacante, considerando-se o lance legal.

Bruno Fernandes já foi favorecido pelas alterações, ao marcar um dos seus três golos na vitória do Man United sobre o Leeds numa situação que, há um ano, provavelmente teria sido invalidada por deslocação. Claro que as polémicas não vão acabar por causa disso em Inglaterra e menos ainda acabariam por cá, onde a relação dos adeptos com a arbitragem se processa na base de disparar primeiro e fazer perguntas depois.

Ainda assim, é indiscutível que o futebol ganha com o facto de se "perderem" menos golos por uma mera unha. De resto, o mais relevante das experiências holandesas e inglesas é o reconhecimento de que o VAR é uma ferramenta recente que pode e deve ser melhorada. O uso da tecnologia de vídeo no râguebi, por exemplo, levou quase seis anos até atingir a eficácia e aceitação generalizada que se regista atualmente.

Reconhecer que há problemas de credibilidade que resultam da aplicação da tecnologia para uma análise forense de cada lance e assim reduzir a margem para polémicas estéreis protege os árbitros e, sobretudo, o espetáculo. Reconhecê-lo e agir em conformidade é só uma demonstração de bom senso.

Artigo da autoria de Jorge MaiaO Jogo

publicado às 13:30

Abunda a esperteza saloia na transferência do médio para o Benfica. Todos sabem o que acordaram e, apesar disso, ninguém hesita em usar o expediente mais indigno para lhe fugir.

A transferência de João Mário para o Benfica há de ser um caso de estudo na FIFA: todos os intervenientes, com a eventual excepção do jogador, estiveram mal e sempre de uma maneira descarada.

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Começa pela cláusula antirrivais que, sendo prática comum, é uma violação da liberdade de escolha. Vender um futebolista, lucrar com ele, e, ainda assim, poder controlar-lhe o futuro indefinidamente (sem que ele ganhe mais por isso) não tem justificação. Depois, vem a artimanha da rescisão de contrato, pelo Inter, para disponibilizar João Mário, a custo zero, ao Benfica. Havendo a alternativa de o transferir para o Sporting por três milhões de euros, mais dois por objectivos, os milaneses devem ser o clube mais altruísta do planeta, uma espécie de São Francisco de Assis do futebol.

Segue-se o comunicado do Inter, depois da indignação sportinguista: "As declarações são inaceitáveis, extremamente graves e, mais importante, infundadas." Não são. Só se for obrigatório fingirmos que somos patetas. Inaceitável é um comunicado que faz dos leitores estúpidos, sendo certo que não podia constar do texto uma verdade que o Sporting tem de ouvir. Perde-se um pouco de moral para falar em "expedientes" quando se usou a rescisão de contrato, pós-Alcochete, para recusar à Sampdória o pagamento de 10% da mais-valia da venda de Bruno Fernandes ao Manchester United.

Pode ser eventualmente legal, de uma forma muito torcida, mas não respeita os "valores" de que Varandas está sempre a falar, tirando a hipótese de esses valores serem como os de Groucho Marx: "Estes são os meus princípios. Se não gostarem, tenho outros." Tudo somado, mais um episódio infeliz e até pouco inteligente. Nos negócios do futebol, nunca é boa ideia cuspir para o ar.

Artigo de José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 13:15

O Portugal-Israel é uma oportunidade para ajudar Ronaldo a aproximar-se dos 109 golos de Ali Daei? Claramente: não.

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A poucos dias do Europeu, urge à Selecção estipular novas rotinas. A única situação em que faria sentido procurar o capitão, agora, era se este estivesse a um golo ou dois da dita glória. A seis, não faz nenhum sentido. Porque Portugal jogar para o CR7 é o que os adversários esperam; e jogar de outro modo será o primeiro passo para surpreendê-los.

Mesmo no encontro com Espanha pairou esse odor: houve pouco espaço, a solicitação do CR7 era sempre difícil, mas o plano A mantinha-se esse. Dá ideia de que, hoje, Ronaldo espera todos os passes, bate todos os penáltis, cobra todos os livres e até marcaria todos os cantos se pudesse correr para cabecear. E, de repente, aquilo que é um património - as qualidades de um dos melhores futebolistas de sempre - torna-se a grande vulnerabilidade da equipa. Pois é isto que amanhã se deve pedir a Fernando Santos: que defina, planeie e rotine novos modelos. Talvez Cristiano até marque mais... Mas, seja como for, só assim Portugal poderá aspirar à revalidação.

Artigo da autoria de Joel Neto, jornal O Jogo

publicado às 03:03

O "normal" do bandido-mor

Rui Gomes, em 24.04.21

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"A memória é, de facto, muito curta neste país. O Pinto da Costa tem o desplante de dizer que, se tudo correr de forma normal, o FCP será campeão. O normal deve ser aquilo a que temos assistido nos jogos do FCP, golos oferecidos e penáltis fantasmas. Mas, neste país, ninguém nas TVs tem a coragem de dizer "o Rei vai nu", só quando os bandidos vão ao tapete é que a generalidade dos jornalistas acorda para a vida. O normal neste país, é os Bandidos não irem para a cadeia ou lá permanecerem e até terem tempo de antena na TV, assim que, por "artes mágicas", se levantam do tapete. E claro, os amigos dos Bandidos fazem de conta que não tiveram nada a ver com a bandidagem e alguns nem conseguem disfarçar que, no íntimo, desejam que o mais comum dos mortais se esqueça dos crimes perpetrados pelos bandidos da sua tribo. O PdC é um exemplo desta prática, mas há mais e eles continuam a andar por aí...".

Comentário do leitor Greenlight

publicado às 12:00

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Rúben Amorim reformulou o plantel do Sporting no início de 2020/21, após deixar já o seu cunho no final da temporada anterior ao refrescar a equipa com vários jovens, e os resultados estão à vista e são traduzidos não só na liderança isolada da Liga NOS a dez jornadas para o fim da prova, como na valorização de um grupo que manteve poucas peças da altura em que o técnico foi contratado, há pouco mais de um ano.

Desde o início da presente época até à última actualização efectuada pelo site especializado Transfermarkt, nos últimos dias, o grupo que se mantém às ordens de Amorim valorizou de 108,6 milhões de euros para 165 M€, o que representa um extra de 56,4 M€.

À medida que o título fica mais perto de ser alcançado, que as exibições são marcadamente positivas, é natural que o mercado internacional preste mais atenção aos jovens leõezinhos e, consequentemente, os valores disparem ainda mais quando 2020/21 terminar. Fazendo as contas de outra forma, para contabilizar todos os que chegaram a integrar o grupo (os que começaram no plantel e já saíram, e os que entretanto foram contratados no mercado de janeiro), o saldo continua a ser muito positivo e a dar perspectivas de alto rendimento com encaixes em futuras vendas: o grupo que arrancou a temporada valia 140,10 M€ e o actual está avaliado em 182,8 M€, o que perfaz um incremento de 42,7 M€.

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Em todo o plantel, apenas dois jogadores perderem valor de mercado: Eduardo Quaresma, que foi sensação no fim de 2019/20 e perdeu o lugar, e Luiz Phellype, que esteve um ano sem jogar e apenas agora recupera ritmo competitivo na equipa B. Muito valorizados há obviamente vários jogadores, como os constantes rumores sobre o interesse de clubes estrangeiros denotam, e com um impulso recente dado também pelas chamadas de alguns deles às selecções de Portugal e de Espanha: Nuno Mendes passou a valer mais 18 milhões, Pedro Gonçalves e Pedro Porro mais oito, Palhinha mais seis e Tiago Tomás e Gonçalo Inácio mais cinco. Valores que são apenas referência no papel, pois numa negociação em mercado aberto os valores podem atingir outras proporções em relação ao definido pelo sítio mencionado.

O resultado é o sucesso que está bem à vista, de um grupo que resistiu animicamente à eliminação prematura primeiro da Liga Europa e mais tarde da Taça de Portugal, tendo já conquistado a Taça da Liga, e prosseguindo a caminhada deveras histórica na Liga NOS, a continuar a bater recordes e a ambicionar, em Maio, sagrar-se campeão nacional.

Reportagem completa de Rafael Toucedo, jornal O Jogo, disponível aqui.

publicado às 12:30

A agenda também chateia o Sporting

Rui Gomes, em 21.12.20

Quando a agenda encheu, também o Sporting  embaciou. À primeira sucessão de três jogos numa semana, os rapazes de Rúben Amorim não tiveram a mesma energia: as maldades do calendário tocam a todos.

Os três da frente ganharam, mas de formas diversas. O extraordinário é que, por um par de minutos, o pior desempenho (o do Benfica) não rendeu o primeiro lugar em igualdade de pontos com o Sporting. Seria, nesse caso, a melhor equipa da Liga, para aplicar a lógica de Jesus?

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O Gil Vicente discordaria, mesmo a jogar com apenas dez. Rematou tanto como os lisboetas (12 vezes) e enquadrou mais bolas na baliza (7), depois de os conter sem problemas aparentes enquanto teve onze jogadores lá dentro e até depois disso. O Benfica será sempre um perigo, pelas armas à disposição, mas fica a ideia de que piora, em vez de melhorar. A Supertaça vai trazer mais dados, depois de amanhã, ainda que o adversário viva as suas próprias idiossincrasias.

O FC Porto fez, com o Nacional, o jogo mais consistente dos três. Conseguiu o feito raro, esta época, de acabar uma jornada da I Liga sem golos sofridos, nem percalços de monta. Na verdade, fez setenta metros de um futebol sem contestação. Nos outros trinta, estragou jogadas atrás de jogadas com um catálogo inteiro de más decisões individuais e erros técnicos incompreensíveis que fizeram da noite de ontem bastante menos do que ela devia ter sido, como se não fosse possível aos jogadores reunirem o mesmo foco nas duas pontas do campo. Foi mais desconcertante ainda por três dos participantes no ataque serem Corona, Otávio e Taremi, a quem a bola não costuma incomodar. Por muito confuso que esteja, o Benfica não dará tantas chances.

Texto da autoria de José Manuel Ribeiro, Director do jornal O Jogo

publicado às 11:45

Como a DGS cria o caos na Liga

Rui Gomes, em 17.09.20

DGS fala em adiar jogos, mas o plano do futebol profissional fala em jogar desde que haja sete inscritos para pôr em campo. Em que ficamos?

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A Direcção Geral de Saúde tem em mente adiar jogos e não parar o campeonato. Dito assim, soa simpático. Se lermos antes o protocolo da Liga, nem tanto. Como o calendário está esganado, o que se contemplou não foram adiamentos: o Covid-19 é equiparado a uma gastroenterite; quem está infectado não joga e por aí adiante até haver menos de sete jogadores para pôr em campo, conforme estipula a Lei 3. Mas a DGS, e as delegações regionais, não só parecem pensar de outra maneira como podem ter direito a impô-lo.

Isto significa, imaginemos, que uma equipa com três baixas importantes por Covid-19 é obrigada a jogar e que outra, com 15, pode ser beneficiada com um adiamento, se a DGS entender. Ainda pode insinuar-se nesta dança um terceiro factor, que são os adiamentos por mútuo acordo.

Excerto da crónica de José Manuel Ribeiro, Director O Jogo

ADENDA

O jogo de sábado entre Sporting e Gil Vicente, da primeira jornada da Liga NOS, está em sério risco de realização e poderá ser adiado a qualquer momento. Nesta fase, prosseguem as conversações entre Liga, Direção-Geral da Saúde e ambos os clubes e a qualquer instante poderá ser anunciado o adiamento da partida.

O delegado de saúde de Barcelos estará a dificultar a saída da equipa gilista rumo a Lisboa, cidade do encontro referente à 1.ª jornada do campeonato. Nesta fase, o Sporting não tem ainda qualquer confirmação oficial do adiamento do jogo.

ADENDA #2

O Sporting-Gil Vicente está oficialmente adiado. Administração Regional de Saúde do Norte (ARS) entende que não estão reunidas as condições para a realização do jogo:

"Na sequência da informação que nos foi facultada e da avaliação de risco face aos resultados que foram obtidos em teste de pesquisa de SARS-CoV-2, no cumprimento das competências atribuídas às Autoridades de Saúde, foi decidido pelas Autoridades de Saúde tanto a nível nacional, como regional e local, não estarem reunidas as condições necessárias para a realização do jogo do dia 19/09/2020".

Fica-se a reflectir como é que a delegação de Saúde do Norte tem jurisdição para decidir sobre um jogo que estava agendado para ser realizado em Lisboa. O primeiro adiamento - o primeiro de muitos, porventura - que eventualmente poderá por em risco o campeonato desta época.

publicado às 19:26

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Uma reportagem do jornal O Jogo, através da qual os autores Bruno Fernandes e Filipe Alexandre Dias alegam que estão negociações em curso entre o Sporting e Rafael Leão para "atenuar a dívida", com o empresário Jorge Mendes no papel de intermediário.

"A Sporting, SAD e Rafael Leão estão em contacto por um acordo que permita selar o contencioso que os separa desde que o atleta rescindiu unilateralmente contrato com os leões a 14 de Junho de 2018, ingressando depois no Lille. Entretanto transferido para o AC Milan, o avançado foi condenado pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), no dia 18 de Março, a ressarcir os verdes e brancos em 16,5 milhões de euros por não lhe ser reconhecida justa causa, mas O JOGO sabe que as partes entraram em diálogo para acordar uma verba e selar a questão de vez".

Enquanto se admite que tudo é possível, com este jornal como fonte, a história não parece ser muito credível. O Tribunal Arbitral do Desporto já condenou o jogador a indemnizar o Sporting e o recurso de desespero que foi entretanto apresentado tem poucas ou mesmo nenhumas probabilidades de sucesso.

Por outro lado, uma vez que o Lille parece ter salvaguardado a sua posição - assinou Rafael Leão a custo zero e posteriormente transferiu-o para o AC Milan por cerca de 35 milhões de euros, sem aparentemente assumir qualquer responsabilidade directa por eventuais decisões de indemnização sobre o jogador - não é nada claro como Rafael Leão vai poder ressarcir o Sporting com 16,5 milhões de euros.

A questão que fica no ar é se o Sporting deve ou não aceitar negociar a dívida. É por de mais evidente que o jogador não merece o mínimo de consideração, mas a sua capacidade financeira poderá ser um factor incontornável.

Já o seu advogado, na altura da condenação do TAD, queixou-se que o jogador não tem meios para pagar tão elevada indemnização e que nem sequer poderá vir a ganhar tanto em toda a sua carreira.

publicado às 04:17

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O mais jovem estreante de sempre na história do Sporting, Santamaria (alcunha com que ficou conhecido o defesa-central Ricardo Duarte), agora com 38 anos no Alta de Lisboa - e funcionário da EMEL -, espera que Eduardo Quaresma trilhe um percurso diferente do seu.

Santamaria foi lançado por Mirko Jozic contra o Chaves em 1998/99 quase a chegar aos 17 anos (aos 16 anos, 11 meses e 12 dias). O central, que nessa partida até entrou para o lado direito para render Patacas, fez mais um jogo nessa temporada, mas depois nunca vingou no clube. A Quaresma pede que saiba ouvir e que procure bons conselheiros.

"Ele está nessa posição porque tem qualidade e é muito bom que já seja aposta. Agora apostam muito mais nos jogadores jovens, até porque os clubes atravessam uma fase difícil financeiramente, enquanto que na minha altura havia mais dinheiro e iam buscar mais jogadores lá fora. Agora é mais fácil ser da formação e ser lançado, muito mais fácil. Aconselho-o a ser ele mesmo, que acredite nas suas capacidades, que procure ser bem aconselhado e acima de tudo que tome as melhores opções de carreira.

Mais vale cair em graça que ser engraçado... É importante saber ouvir. Tem de tomar decisões acertadas, eu tomei algumas não acertadas... e como eu há outros que mesmo com qualidade se perdem. Não foi por vaidade. Recomendo que tenha paciência e que acredite", insistiu, após apreciar o que Quaresma mostrou na estreia:

"Não conheço o Eduardo Quaresma assim tão bem, mas falaram-me muito bem dele. Lembro-me de um lance no jogo em que é ultrapassado e depois recupera em grande velocidade e consegue incomodar a ação do adversário... Fez muitos passes e ganhou confiança com bola no pé, os colegas deram-lhe essa confiança e acreditaram nele."

Reportagem de Rafael Toucedo e Rui Miguel Gomes, O Jogo

publicado às 06:04

Acabou a trégua

Rui Gomes, em 08.05.20

image.pngAinda falta definir muita coisa quanto à logística total que suportará o regresso da Primeira Liga. Se pensarmos bem, falta até garantir que esta regressará de facto: num país que não adoeceu mas também não imunizou, com alguns infecciologistas a insistir na precocidade deste desconfinamento e com virologistas a insistir no risco de novo surto de Covid-19, o que, a confirmar-se, ainda pode fazer tudo voltar para trás. Estas duas semanas serão decisivas.

Agora, defina-se o que se vier a definir, é urgente juntar um plano de segurança pública às prioridades de topo. As claques portaram-se geralmente bem durante o confinamento, em alguns casos até especialmente bem ainda antes dele. Mas o tom em que os SuperDragões expressaram o seu apoio ao FC Porto à volta do Olival já era dúbio. Este vandalismo na Rotunda Cosme Damião, eventualmente perpetrado por adepto do Sporting, é um alerta.

As saudades do futebol; as tensões acumuladas no lockdown; uma certa atmosfera de fim-do-mundo em que alguns de nós ainda se deixam viver; o agravamento do desemprego e dos problemas socio-profissionais ao longo de Maio; a dispersão de ultras por espaços algo mais difíceis de determinar do que um mero estádio (mas, por outro lado, com eventual concentração numa geografia muito mais pequena do que o país inteiro) - tudo isso vai transformar aquelas oito semanas num período de alto risco, que exige uma estratégia de contingência.

Pode correr tudo bem e, inclusive, pode estar toda a gente determinada a que corra tudo bem - mesmo as claques. Mas, como se sabe, às vezes basta um erro num penálti - que, aliás, o visionamento pela TV vai tornar ao mesmo tempo mais fácil de esclarecer e mais difícil de discutir com civilidade - para que as coisas descambem. Num país exausto, daí à violência pode ser um saltinho.

Joel Neto, jornal O Jogo

publicado às 03:01

Liga das vaidades

Rui Gomes, em 02.05.20

Num só dia, os três grandes vão a São Bento mostrar que a Liga pode ter juízo. Nos seguintes, os colegas fazem tudo para os desmentir.

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Os presidentes de FC Porto, Benfica e Sporting não foram a São Bento por gerirem os maiores clubes, nem por serem os mais mediáticos da I Liga ou os mais privilegiados. Foram a São Bento porque FC Porto, Benfica e Sporting são os maiores focos de instabilidade e conflitos. Porque são eles, sistematicamente, a melhor das desculpas que o nosso Governo pode arranjar para se descartar do futebol.

Faria alguma diferença para o Primeiro-ministro António Costa, e para o país, que Carlos Pereira (Marítimo), Gilberto Coimbra (Tondela) e Wei Zhao (Aves) se lhe apresentassem no gabinete em apaixonada ménage a trois? Seria essa a garantia de que o futebol está pronto a cooperar como vai ser preciso?

Ou, vendo o problema do outro lado, haverá melhor oportunidade do que este momento de fraqueza para começar a impor a FC Porto, Benfica e Sporting responsabilidade e melhores comportamentos em troca da ajuda de que o futebol vai precisar? O futebol todo, Marítimo, Tondela e Aves incluídos.

José Manuel Ribeiro, Director de O Jogo

publicado às 05:04

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