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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

Novo ano, o mesmo Cristiano Ronaldo: começa 2021 com dois golos e uma assistência no embate entre a Juventus e Udinese, que o campeão italiano venceu por 4-1.
Merecedor de destaque, é o golo que lhe permitiu ultrapassar Pelé na lista de jogadores com mais golos por clubes e selecções em toda a história do futebol.
Com o seu 18.º golo da época - 14 Serie A e 4 Champions - Cristiano Ronaldo chegou aos 758 na carreira, contabilizando apenas equipas seniores. Desta forma, ultrapassou Pelé e está mais perto de Joseph Bican (805 golos).
One of a kind... sem dúvida!

Abrantes Mendes e a tentativa por Pelé
A vida de António Abrantes Mendes cruzou-se com o Sporting durante quase meio século. Na realidade, começou em 1926 nos juniores e vestiu a camisola leonina até 1939, tendo integrado uma linha avançada precursora dos “Cinco Violinos”, com Mourão, Gralho, Valadas e “Abelhinha”. Depois, jogou ao lado de outros grandes nomes como Peyroteo, Pireza, Soeiro e Francisco Lopes. Chamaram-lhe o “avançado doutor” por se ter licenciado em Direito. Vestiu a camisola das quinas por duas vezes.
Quando terminou a sua carreira de jogador de futebol, Abrantes Mendes continuou ligado ao Sporting. Foi “olheiro” (por exemplo, descobriu o avançado João Martins na CUF), treinador (dos juniores por várias vezes, da equipa principal em 1945-46 e adjunto de Cândido de Oliveira), dirigente (fez parte das direcções dos presidentes Joaquim Oliveira Duarte e António da Cunha Rosa) e Secretário Técnico da equipa que conquistou a Taça dos Vencedores das Taças, em 1964.
O jornalista Afonso de Melo publicou no jornal i (11.8.2017) uma história verídica sobre o dirigente sportinguista, mas pouco conhecida. Aconteceu no início de 1964 quando ele foi ao Brasil tentar contratar Pelé. O Sporting possuía um plantel fortíssimo, que se equivalia ao do Benfica, ficando apenas a perder pelo desempenho de Eusébio que frequentemente desequilibrava nos jogos decisivos. Por sua vez, o craque do Santos atravessava um tempo conturbado no clube que o acusava de pouco empenhamento e de aburguesamento. E que se queixava demasiado de lesões.
No Brasil, Abrantes Mendes entrou em contacto com os dirigentes santistas, apresentou uma proposta financeira, que no entanto não foi aceite. É que, entretanto debelada uma lesão, Pelé levou o Santos à vitória no Campeonato Paulista, sendo o melhor marcador da competição, e teve um papel decisivo na goleada por 5-1 à Inglaterra, no Maracanã, em Maio desse ano. Um pouco por essa razão, o Secretário Técnico leonino regressou a Lisboa de mãos a abanar e Pelé ficou no clube brasileiro ainda por mais dez anos, até 1974.
Na fotografia, equipa leonina em 1935-36
Em cima: Martinho de Oliveira (capitão-geral), Faustino, João Correia “Abelhinha”, Rui Araújo, Jurado, Vianinha, Azevedo e Wilhelm Possak (treinador);
Em baixo: Abrantes Mendes, Pedro Pireza, Manuel Soeiro, Adolfo Mourão e Francisco Lopes.

Reencontro em Alvalade
O Santos realizou uma digressão europeia em 1959, de 23 de Maio até 5 de Julho. Em 22 jogos obteve 13 vitórias, 5 empates e 4 derrotas. Venceu os dois torneios em que participou (Teresa Herrera e Valência) e jogos com grandes equipas, como o Feyenoord (3-0), Inter de Milão (7-1) ou Barcelona (5-1). Disputou uma partida com o Sporting no Estádio José Alvalade (2-2), no dia 19 de Junho, presenciada por 35 000 espectadores.
O Santos possuía uma equipa fortíssima e tinha brilhado no Campeonato Brasileiro desse ano, apesar de ter perdido na final com o Bahia. Preparava-se para o seu ciclo hegemónico na década de 1960. Apresentou-se no jogo de Alvalade com quase todos os seus craques, nomeadamente Coutinho, Dorval, Jair, Ramiro e Getúlio, entre outros. Pelé era a estrela em ascensão.
O Sporting tinha acabado de contratar Fernando Puglia ao São Paulo e depositava grandes esperanças no novo craque. E com razão, pois nas duas épocas em que ele esteve de leão ao peito (1959-60 e 1960-61) foi o melhor marcador da equipa no Campeonato Nacional. Brilhou de tal maneira que saiu para Itália em 1961, tendo jogado depois no Palermo, Juventus e Bari.
O embate de Alvalade naquela noite quente de Junho permitiu que se encontrassem de novo jogadores que pouco tempo antes disputavam os campeonatos Paulista e Brasileiro. Na fotografia, Puglia, Pelé e Formiga festejam o reencontro lisboeta.
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