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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

Há inúmeras histórias a propósito de grandes disputas entre defesas e avançados em jogos de futebol. Muitos garantem que eles não são propriamente farinha do mesmo saco e é frequente ouvir-se falar das vezes em que o caldo ficou bastante entornado. Por exemplo, ficaram memoráveis os duelos entre Fernando Peyroteo e o benfiquista Gaspar Pinto pela faísca que provocavam.
No entanto, parece que não tem de ser necessariamente assim e até acontece que defesa e avançado se façam fotografar sorrindo para a posteridade. É o caso desta fotografia do “bombardeiro” Peyroteo e de Francisco Vitória antes de um Portimonense - Sporting para a Taça de Portugal, em 20 de Junho de 1948. Curiosamente, Francisco Vitória também era conhecido por Chico Caceteiro vá lá saber-se porquê.
Os leões venceram facilmente o jogo por 6-1 e o avançado sportinguista não deixou os seus créditos por mãos alheias. O jornalista algarvio Constantino Romão escreveu que “coube ao Chico Caceteiro fazer a marcação ao Peyroteo, que era o melhor marcador de golos em Portugal. O Peyroteo marcou cinco golos, mas o Chico fez uma exibição memorável, que tenho a certeza nem ele próprio esqueceu”.
No sábado, Viktor Gyökeres vai pisar a relva de Portimão, num jogo crucial para a equipa do Sporting. O grande objectivo é terminar o ano da melhor maneira, no primeiro lugar do campeonato, e à espera dele não estará apenas um, mas vários “caceteiros” para tentarem evitar os golos do actual “bombardeiro” sportinguista. Numa entrevista ao jornal Record, Gyökeres referiu a sua dificuldade em lidar com tantas faltas que os árbitros lhe marcam. Logo ele que é tão severamente castigado pelos adversários. Há coisas que não mudam no futebol!
A fotografia é de Chico Vitória (trata-se de outro Francisco Vitória), repórter fotográfico do futebol algarvio entre os anos 30 e 50 do século passado.
Nesta rubrica, o leitor tem a oportunidade de apreciar - e se entender, criticar as notas (0-6) que eu atribuí aos jogadores do Sporting CP e a outros intervenientes do jogo com o Portimonense, da 23ª. jornada da Liga BWIN, que resultou numa vitória por 1-0. Golo de Paulinho 77''.
VITÓRIA A FERROS NO ALGARVE
O domínio e o desperdício são já as principais características do Sporting na sua versão 2022/23. O futebol não tem justiça, ontem a equipa voltou a jogar muito bem, a dominar completamente a maior parte do tempo, criando inúmeras oportunidades claras para marcar, que, inexplicavelmente, eram desperdiçadas, ora porque a bola batia nos ferros ou até na cara do guarda-redes, ora porque desviava por puro azar, outras ainda por simples aselhice na pontaria (penálti) e que foram transformando um jogo que parecia ir resolver-se com alguma facilidade, numa quase extrema dificuldade e complicação, com o tempo a escoar-se e o empate a persistir. O veneno algarvio parecia ir acabar por ter o seu efeito desejado, mas o Rúben Amorim tinha afinal a solução no banco, o antídoto que Paulinho levou para o jogo e que resultou num lance de execução artística só ao alcance dos craques, oferecendo aos leões a justíssima vitória.

DESTAQUE - PAULINHO - 4 - Os adeptos pedem-lhe para resolver e resolveu, entrou num momento em que o jogo estava já muito complicado, foram quinze minutos de muito bom nível, trazendo o antídoto letal do banco que aniquilou os algarvios. Fez o que mais ninguém tinha conseguido fazer em 75 minutos, o golo e numa grande finalização dando seguimento a um excelente lançamento do Pote, que terminou com o sofrimento de todos.
ANTONIO ADÁN - 3.5 - Exibição característica da época menos conseguida, esteve no medíocre de lances que provocaram intranquilidade, mas também em outros excepcionais que salvou a equipa de sofrer danos que resultariam de todo injustos, com realce para a dupla parada nos instantes finais da partida e que podia ter dado o golo do empate.
RICARDO ESGAIO - 3 - Jogo equilibrado no global da sua actuação, cumprindo a missão. O problema fulcral é quando a equipa necessita de algo mais que não está ao seu alcance dar. Teve oportunidade de ouro para marcar com o guarda redes a defender com a cara por instinto.
OUSMANE DIOMANDE - 3.5 - Com cada jogo que faz vai mostrando algo mais, agora já melhor entrosado sai a jogar com muito bom critério, sendo um acréscimo notável na ajuda da construção. É rápido na reacção e sabe usar o corpo nas disputas, sendo difícil de ultrapassar pelos adversários. Mostra competência.
SEBASTIÁN COATES (Cap) - 3 - Algum apuro a resolver erros dos colegas, curioso o momento em que se justificava com o árbitro pela falta em que foi amarelado e ao mesmo tempo dava uma dura no Gonçalo Inácio pelo erro que cometeu. Necessita de cuidados de gestão de esforço e por isso foi substituído quase no final.
GONÇALO INÁCIO - 3 - Um erro inadmissível ainda na primeira parte que podia ter dado tudo a perder, valeu-lhe o seu capitão que salvou a situação mas não o cartão amarelo que o condicionou. Melhorou na segunda parte mas voltou a ficar algo intranquilo após o golo do Paulinho, o Portimonense já sem mais nada a perder, provocou muito jogo directo nos instantes finais da partida provocando alguma instabilidade.
NUNO SANTOS - 3.5 - Muito activo no seu corredor, levou quase sempre a melhor frente ao seu opositor directo (Pedrão) e executou vários cruzamentos, mas pouco eficazes.
MANUEL UGARTE - 3 - Jogo difícil, pelo excessivo e muito agressivo contacto físico dos algarvios na disputa dos lances, ficou cedo inferiorizado pelas mazelas dessas entradas, às quais o árbitro fez vista grossa sem amarelar como devia os prevaricadores.
HIDEMASA MORITA - 3.5 - Depois de um início de jogo confuso e de menor acerto foi crescendo progressivamente na partida. Muito melhor na segunda parte quando matou à raiz várias tentativas de saída do Portimonense. Podia ter também facturado, mas a bola foi salva em cima da linha de golo por um defesa adversário.
PEDRO GONÇALVES - 3.5 - Noite que não vai esquecer pelos piores motivos, voltou a ser o atirador de serviço mas desta vez nunca conseguiu acertar no golo, teve 5 oportunidades flagrantes de marcar, um penálti muito mal executado, uma bola que acertou nos ferros, duas outras que permitiu a defesa da noite e uma defesa por instinto do Nakamura e ainda uma outra que saiu ligeiramente ao lado. Redimiu-se no acerto do pique na bola bem medido, que permitiu ao Paulinho finalizar. Certo que falhou bastante, mas esteve nos principais lances e podia ter saído do Algarve de saco cheio.
MARCUS EDWARDS - 3 - Desaparecido em combate. Fugazes surgimentos na partida a que executou alguns dribles que desequilibraram o adversário, isolando num desses lances o Pote e depois voltou a desaparecer. Reapareceu posteriormente num lance que podia ter dado auto golo com a bola a bater na barra e ainda um outro que falhou escandalosamente atirando ao lado.
YOUSSEF CHERMITI - 3 - Lutou muito e foi importante em segurar a bola muitas vezes lá na frente para que o apoio chegasse, vai ter que melhorar na definição do ultimo passe, perderam-se alguns contra ataques por fazer más opções no passe decisivo e dentro da área adversária foi sempre anulado pelos centrais algarvios.
MATHEUS REIS - 3 - Entrou a mexer esclarcidamente no jogo, trouxe novas pilhas à equipa (que até já estava a necessitar) para o derradeiro ataque ao castelo algarvio e a tempo da conquista dos três preciosos pontos.
FRANCISCO TRINCÃO - 2 - Ninguém deu por ele, salvo quando apareceu uma vez na área a tentar driblar todo o mundo, quiçá ainda contagiado pelo grande golo que marcou em Alvalade na jornada anterior.
JEREMIAH ST. JUSTE - 2 - Foi lançado nos derradeiros instantes do jogo, quando o Portimonense fez avançar todas as suas tropas no ataque desesperado para a tentativa de evitar a derrota. Deu uma ajuda nessa fase mais intranquila da equipa.
RÚBEN AMORIM - 4 - Saiu ileso do Algarve, com a muito desejada vitória e sem sofrer golos (terceiro jogo seguido) no sempre complicado campo do Portimonense. Mas o jogo veio a complicar-se, depois de tanto desperdício que desanimava a equipa e dava alento ao adversário que se julgou numa noite invencível. Fez entrar Paulinho que contrariou essa ideia, dando plena justiça ao resultado e fazendo respirar de alívio os adeptos. Leu bem a hora de substituir e desta vez o banco não desiludiu, resolveu. Registou a sua 100.ª vitória ao leme do Sporting.
PAULO SÉRGIO - 2 - Montou um inédito autocarro venenoso (estratégias exclusivas para o Sporting) com nove jogadores com características defensivas, na verdade não resultou, tantas foram as vezes que os leões conseguiram rompê-lo, criando oportunidades atrás de oportunidades claras de fazer golo. Só o desperdício adiou o inevitável, Paulinho entrou e furou-lhe os pneus e a rede da baliza do seu guarda-redes que deveria chamar-se antes "NAKAMURO".
GUSTAVO CORREIA ( Árbitro) - 3 - Gestão do jogo sempre no limite do seu controle, vários erros no julgamento das faltas e dos cartões amarelos com prejuízo claro para o Sporting. Ugarte foi bastante massacrado em lances para amarelo e nem falta marcou. Caiu com facilidade nas simulações dos jogadores algarvios, marcando faltas inexistentes e ainda castigando os jogadores do Sporting com despropositados amarelos.
ANDRÉ NARCISO (VAR) - 4 - Esteve muito bem em alertar o árbitro no lance da falta grosseira sobre o Nuno Santos (aos 39'), que ocorreu dentro da área e resultou na grande penalidade falhada por Pote.
Fernando Peyroteo e Francisco Vitória
Há inúmeras histórias sobre grandes disputas entre defesas e avançados em jogos de futebol. Muitos adeptos garantem que eles não são propriamente farinha do mesmo saco e é frequente ouvir-se falar das vezes em que o caldo ficou entornado. Por exemplo, ficaram célebres os duelos entre o sportinguista Fernando Peyroteo e o benfiquista Gaspar Pinto pela faísca que provocavam.
Mas, parece que não tem de ser sempre assim e até acontece que um defesa e um avançado se façam fotografar sorrindo para a posteridade. É o caso desta fotografia de Francisco Vitória e Peyroteo antes de um Portimonense-Sporting para a Taça de Portugal, em 20 de Junho de 1948. Curiosamente, o Vitória também era conhecido por Chico Caceteiro vá lá saber-se porquê.
O Sporting venceu por 6-1 e o jogador leonino não deixou os seus créditos por mãos alheias. O jornalista algarvio Constantino Romão escreveu que “coube ao Chico Caceteiro fazer a marcação ao Peyroteo, que era o melhor marcador de golos em Portugal. O Peyroteo marcou cinco golos, mas o Chico fez uma exibição memorável, que tenho a certeza nem ele próprio esqueceu”.
Falta dizer que o Francisco Vitória não foi um jogador qualquer. Na verdade, ainda jogou nas reservas do Benfica ao lado de Joaquim Macarrão, outro algarvio, e depois brilhou em equipas fortíssimas do Portimonense durante quase toda a década de 1940.
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