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Mas que raio de capa é esta?

Rui Gomes, em 10.05.21

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Não dá para compreender a capa desta segunda-feira de Record, no que diz respeito ao alegado interesse do Sporting em Carlos Mané e Ricardo Esgaio.

Duvido muito que a fonte desta informação seja fidedigna, se é que houve fonte e não apenas uma reportagem avulsa com adorno sensacionalista.

Primeiro e sobretudo, nada disto originaria com o Sporting, especialmente nesta altura da época e, muito em especial, na véspera de um jogo muito importante.

Segundo, é deveras discutível se os atletas em questão satisfariam os interesses superiores do Sporting.

Carlos Mané, de 27 anos, faz parte do passado do Sporting e apenas isso. Por outro lado, Ricardo Esgaio até poderia ser útil como alternativa a Pedro Porro, mas vejamos as suas circunstâncias: também de 27 anos, tem contrato com o SC Braga até Junho 2024 e o seu passe está neste momento avaliado em 6,6 milhões de euros (fora o que Salvador exigiria a mais).

O timing desta pseudo-reportagem é suspeito, mas, em abono da verdade, nem sequer serve para destabilizar seja o que for. Pura e simplesmente, é melhor ignorada, que é, porventura, o que eu deveria ter feito.

publicado às 16:30

Coisas quase normais

Rui Gomes, em 04.05.21

O seleccionador nacional dá hoje uma entrevista interessante ao jornalista Rui Dias. Vale a pena ler. Muitas das ideias importantes para o Europeu estão ali explicadas. E outras nas entrelinhas. Mesmo com *Fernando Santos a tentar fintar o nosso Rui.

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Jovane Cabral parece ter convencido Amorim. Espero bem que sim. O extremo/avançado não é um craque dos que apaixona, mas a utilidade no plantel é mais do que evidente. E por muito que lhe custe ouvir isto, a verdade nua e crua é que Jovane corresponde na perfeição ao que antigamente se chamava a ‘arma secreta’. Saltar do banco assenta-lhe como uma luva.

Escreve Marco Ferreira hoje nas páginas de arbitragem e sou obrigado a concordar. O jogo de Alvalade parece não ter tido VAR. O árbitro escolhido já estava longe de ser de primeira linha, mas a equipa completa fez uma das piores exibições que vimos esta época. Escolhas estranhas as de Fontelas para os jogos que decidem o título. Tivessem os leões empatado e teríamos uma semana animada. Ridículo.

Artigo da autoria de Bernardo Ribeiro, Director de Record

NOTA

*Fernando Santos reconhece que errou ao convocar para a fase final do Mundial2018, na Rússia, jogadores que tinham rescindido contrato com o Sporting na sequência da invasão à Academia de Alcochete, ocorrido em maio daquele ano. "Achei, se calhar presunção minha, que levar o Rui Patrício, o William Carvalho, o Bruno Fernandes, o Gelson, os jogadores que tinham rescindido com o Sporting, não seria um problema. Se fosse hoje não os teria levado".

"Pensamos na cabeça deles, e estamos a falar de grandes profissionais, ninguém duvide. O dia a dia deles - não durante o treino, nas palestras, nas refeições - era a pensar no que lhes iria suceder a seguir, se teriam ou não clube, no que iria suceder depois".

"Não foi favorável. Eu achava, na altura da convocatória e durante mais tempo, que aquilo estava ultrapassado, mas...".

publicado às 03:16

O crocodilo velho e o bandalho

Rui Gomes, em 30.04.21

img_192x192$2020_02_13_19_45_22_1663516.pngPinto da Costa faz lembrar, definitiva e vivamente, a parábola do crocodilo velho. O crocodilo velho sabe que o tempo já não é o mesmo. Que é mais curto. Que o futuro já não é seu. Também sabe que o pântano vai continuar o mesmo de sempre, que é imutável. Águas podres, cheiro nauseabundo e a concorrência impiedosa do bando de predadores mais novos. Venham eles das suas hostes ou da outra tropa do sector sul, liderada pelo caimão de grossas escamas avermelhadas, que lhe disputa a influência sobre o território e sobre quem arbitra o respeito pelas poucas regras do pântano.

O crocodilo velho sabe, por isso, que tem de ter a tropa agrupada e manter o pântano em efervescência, sempre a bater forte nos inimigos e a fingir que nada vê dos pecadilhos que apontam aos seus. É a melhor (única) forma de ter um final de reinado sossegado, sem ser estraçalhado pelo cardume de piranhas que anda sempre por ali. Já pouco lhe interessam as guerras de afirmação do bando. Bastam-lhe as suas. Já só tem de chorar, aqui e ali, algumas das suas mais cínicas lágrimas de velho crocodilo e atirar para o lado. Atirar sempre para o lado e manter uma parte da matilha que sobra sempre pronta para atacar. Só assim pode banquetear-se em sossego com as suas vítimas. E nem todas são os seus adversários…

A recém-agressão ao jornalista da TVI por um dos predadores mais novos, nas vestes de bandalho, como muito bem foi qualificado por Rui Rio, mostrou-nos a plenitude dessa parábola pantanosa. O bandalho, primeiro, na agressão servil para brilhar aos olhos do crocodilo velho. Este, depois, a derramar as suas melhores lágrimas para o seu palanque televisivo privado para agregar o seu povo. Como espectáculo, o crocodilo velho continua um mestre na interpretação. É incomparável na arte da vitimização, do cinismo e da manipulação dos sentimentos de pertença a uma espécie de religião que bebe pela mais pura das cartilhas maniqueístas. Os meus bons e os maus lá de baixo, das forças ocultas que nos roubam. Como realidade, é muito triste.

Há um clube e uma cidade deveras extraordinários, que mereciam muito melhor. É a última narrativa sobre a incapacidade atroz do futebol português em mudar, um milímetro que seja. É, também, o resultado das suas insuportáveis dependências, entre clubes que são os legisladores dos regulamentos, desportivos e disciplinares, que montaram uma organização desportiva de fachada, para poderem ser eternamente juízes em causa própria. Tenhamos pena de nós, os que pensávamos gostar de futebol.

Majestoso escrito de Eduardo Dâmaso, Director da Sábado

publicado às 03:49

Outra vez Segunda-Feira

Rui Gomes, em 26.04.21

img_192x192$2015_10_12_15_23_37_1005745_im_6366770... Podemos dizer o que quisermos, o que é e o que não é. Que o Porro não recuperou a forma que o levou à selecção espanhola, que o João Mário joga devagar ou que o João Palhinha não tem, na fase de construção, a qualidade que demonstra quando é preciso defender. Certo é que a equipa leonina está um bloco – estratégica, física e mentalmente. Só um grupo muito solidário, que sabe o que faz e que mete a pressão no bolso, consegue equilibrar primeiro uma partida em que praticamente começou com dez e criar depois a oportunidade de desferir o golpe fatal. Talvez aconteça, mas não estou a ver como poderá o FC Porto vir a ultrapassar este Sporting. Ah, e já agora: também não estou a ver o Artur Soares Dias a expulsar o Pepe aos 18 minutos...

Excerto da crónica de Alexandre Pais em Record

publicado às 14:00

O Sporting está canhoto

Rui Gomes, em 22.04.21

Duvido que alguma vez na história uma equipa tenha actuado com tantos canhotos ao mesmo tempo como este Sporting. Desde a entrada de Tabata e de Bragança, o Sporting actuou com oito canhotos, até à saída de Matheus Reis.

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Os canhotos são um bem inestimável no futebol, pela forma como cruzam e pela especialíssima técnica que abençoa muitos deles. Claro que na soma de oito canhotos está Adán, que, sendo canhoto, tem dois pés direitos, como se viu no segundo golo do Belenenses. Demasiados canhotos em campo tornam o jogo estranho. Quando o lado direito fica entregue a canhotos como Tabata e Gonçalo Inácio, a que, em várias situações, ainda se juntava Nuno Santos, numa anarquia táctica pouco edificante, não adianta ter Coates e Paulinho na área. Poucas bolas jogáveis lá chegarão. Com a saída de Matheus Reis e a entrada de Matheus Nunes, os canhotos continuaram em maioria, mas a anarquia táctica ficou menos grave.

O Sporting está a jogar sobre brasas. E isso compreende-se. O que não se entende tão bem é por que caíram a pique jogadores fulcrais, com João Palhinha à cabeça. Está a jogar condicionado? Então talvez seja melhor descansar e voltar o grande Palhinha, que chegou à selecção e depois ficou assim, com menos eficácia e sem intensidade. Também Pedro Porro chegou da selecção espanhola com muito menos eficácia. Agora que a equipa mais precisava deles, estes pontos altos de toda a época estão a afundar. Sem nunca brilhar continua João Mário. Dá toques e toquinhos na bola, adequando o ritmo da equipa à sua falta dele. É um jogador maravilhoso (não há razão para usar o passado), mas não está em forma há anos. Precisa de voltar a vibrar, a acreditar mais no seu futebol. Ousar passes de rutura, como só ele poderá fazer. A jogar como tem jogado, não merece a titularidade.

O Belenenses foi uma agradável surpresa pela capacidade de se desdobrar para o ataque. Mesmo com equipas de meio da tabela, a equipa de Petit tem pecado pelo encolhimento. Ontem, chegou sempre à frente com perigo e métodos simples.

Excerto da crónica de Octávio Ribeiro, em Record

NOTA: O jornalista deixou omisso um simples facto, com a sua afirmação " O Belenenses chegou sempre à frente com perigo e métodos simples": este "chegar sempre à frente com perigo" traduziu-se em 3 remates durante 90+6 minutos de jogo.

publicado às 03:00

O momento do Sporting

Rui Gomes, em 18.04.21

O texto que segue é um excerto da crónica de Bernardo Ribeiro, Director de Record, publicada na manhã de sexta-feira, ou seja, antes do jogo do Sporting com o Farense. Mesmo assim, não deixa de ser interessante e, parece-me, muito pertinente, face ao momento da equipa.

21312452_L0T3b.pngO Sporting vive um momento estranho. Lidera o campeonato com 6 pontos de avanço e parece entregue à tristeza. Provavelmente tem muitas frentes de batalha. Palhinha e a vontade dos rivais em ganhar pontos na secretaria, a palavra de Rui Costa valer mais do que a de Rúben Amorim, a mão pesada do Conselho de Disciplina que pode querer queimar quem ousou fazer-lhe frente e ainda os dois recentes empates, que contribuindo para um facto histórico prestes a acontecer, levaram os sportinguistas à depressão. Custa a entender. Não conheço nenhum adepto do clube que arriscasse a candidatura no início da época. Rúben Amorim fartou-se de avisar que não estava ganho. A equipa é hoje, haja o que houver, uma aposta certa. E acordarem para a vida?

publicado às 05:48

img_192x192$2015_10_12_15_23_37_1005745_im_6366770Ao cair do pano, a pressão era muita e o remate de difícil execução, sem hipótese de preparação e de ângulo reduzido – na sequência de um portentoso passe longo do jovem Nuno Mendes. Mas Cristiano Ronaldo esteve ao seu usual nível, enviou a bola para a baliza e fê-la ultrapassar claramente a linha final, logrando aquilo que daria a vitória a Portugal. Com régua e esquadro não se faria melhor! Só que o jogo era da FIFA e de qualificação para o Mundial, pormenor de somenos, pelo que nem tinha um árbitro assistente capaz – o homem correu até à bandeirola de canto e fechou os olhos… – nem VAR, nem sequer a já vetusta tecnologia da linha de golo. Como é possível? E o juiz da partida, que não era português – ai se fosse! – fez igualmente vista grossa e evitou o meio apuramento que a derradeira proeza de CR7 nos daria. Se a palavra "roubo" se pode aplicar no futebol, e não se devia, é numa situação tão escandalosa como esta.

Pois apesar de tão enorme evidência, os "gremlins" das redes sociais, apoiados nalguns comentadores frustrados por não viverem em Turim, condenaram sem a berraria que os distingue a asneira do apitador, criticaram mansamente as opções de Fernando Santos – a entrada de Renato Sanches brada aos céus, é certo, mas depois de vencer o Europeu 2016 o engenheiro silenciou para a eternidade os ignorantes – e centraram-se em quê? Isso mesmo: na irritada saída de campo do capitão da Selecção! Como se ele não tivesse razão ao ver-se esportulado decaradamente de mais um golo histórico, obtido fora de casa e num momento decisivo da contenda. Ou como se lhe corresse nas veias sangue de barata e não interpretasse o grande sentimento de revolta que se apoderara da imensa maioria dos seus compatriotas.

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Temendo que a gritaria não fosse suficiente, os invejosos da rede não se ficaram por aí, ampliando a sua indignação pelo facto de Cristiano, com o jogo terminado e à entrada dos balneários, ter atirado ao chão a braçadeira de capitão, esse glorioso e acrisolado símbolo da Pátria, que faz do Hino e da Bandeira simples apêndices da nacionalidade... Que falta de noção!

Perseguir Cristiano Ronaldo por atravessar uma fase menos feliz de forma, em boa parte devido aos deprimentes insucessos da Juventus, sublinhando que não marca pela Selecção há quatro jogos – que são realmente três porque no sábado ele fez o que lhe competia – é o passatempo preferido dos idiotas que sempre anunciam a morte sabendo muito bem que algum dia ela virá. Com a vacinação a correr bem, os novos casos de covid em queda e o desconfinamento progressivo a avançar, este pequeno tropeção da Selecção vem mesmo a calhar à cambada. E se amanhã não ganharmos ao Luxemburgo?... Por esta altura, deve haver por aí muitos grunhos em oração.

A terminar, um aceno para Rui Jorge e para o trabalho modelar que desenvolve nos Sub-21. Sim, não é só a selecção principal que tem aquele que é, porventura, o melhor plantel de equipas nacionais do Mundo. Também nos mais novos essa qualidade está presente, como se confirmou ontem com o belíssimo triunfo sobre os ingleses, que nos últimos anos vêm somando êxitos nos escalões jovens. Chapeau!

Artigo da autoria de Alexandre Pais, em Record

NOTA: Já tinha um post preparado para comentar o episódio com Cristiano Ronaldo, quando li a crónica semanal de Alexandre Pais, a qual subscrevo na íntegra. Confesso, no entanto, que preferia que CR7 não tivesse feito o que fez, mas depois do tanto que ele tem contribuído para elevar o futebol português ao longo dos anos, não lhe vou exigir perfeição em tudo.

publicado às 04:03

Palavras de capitão

Rui Gomes, em 27.03.21

21312452_L0T3b.pngLê-se a entrevista de Sebastián Coates a Record e percebe-se o porquê de o uruguaio ser capitão de equipa. Não há declarações bombásticas. Não há tiradas para irritar. Há um discurso consciente, sem fugir às perguntas, mas de homem feito e que sabe bem o que pretende dizer. Faz títulos menos sonantes, mas ganha muito o respeito de quem o lê. Porque está ali, de facto, um capitão.

Hoje joga a nossa selecção. Após uma estreia sensaborona frente ao Azerbaijão, claro que esperamos mais e melhor frente à Sérvia. Mesmo que Fernando Santos, no seu estilo resultadista, avise já que prefere ganhar do que ter nota artística. Por muito que ter ido de empate em empate até à vitória final em França tenha sido uma das maiores alegrias da minha vida, confesso que até senti alguma vergonha alheia deste discurso quando olho ao ‘plantel’ nacional. Erro meu, certamente.

Parabéns a Joana Ramos. Mais uma medalha aos 39 anos. Um grande exemplo de vida desportiva. Em tempos de pandemia, bem precisamos de quem nos aponte o caminho. Que retire do léxico a palavra desistir das mais utilizadas. Obrigado pelo exemplo, Joana.

Permitem-me terminar com um abraço ao meu camarada João Lopes. Estamos contigo. Força!

Artigo da autoria de Bernardo RibeiroDirector de Record

publicado às 15:30

Mais perto dos milhões

Rui Gomes, em 22.03.21

21312452_L0T3b.pngTriunfo muito importante e saboroso para o Benfica. A luta pelos milhões é vital para o clube e vencer em Braga era essencial para não perder completamente o comboio. O muito talento do plantel começa finalmente a vir ao de cima. Mais vale tarde do que nunca. E há uma Taça para ganhar.

O SC Braga falhou o teste. É bem verdade que esta época já tinha ganho ao Benfica mais do que uma vez, mas este era um encontro em que estava proibido de falhar para aumentar a distância. Disse adeus ao pódio.

João Pinheiro foi decisivo. A expulsão de Fransérgio acabou por marcar de forma indelével um jogo que, provavelmente, teria sido bem melhor. Critério muito dúbio e desmentido no próprio encontro. É dos melhores? Estamos conversados.

Espantosa a reacção do Famalicão à chegada de Ivo Vieira. De facto, às vezes basta um bom treinador para colocar as peças no sítio e começar a ver-se futebol digno desse nome.

Record conta-lhe hoje a história de Dário Essugo. Um dos muitos miúdos lançados por Rúben Amorim numa caminhada que a maioria dos sportinguistas até julgava impossível. Alcochete agradece.

Dez anos sem Artur Agostinho. O Record não esquece. Obrigado.

Artigo da autoria de Bernardo RibeiroDirector de Record

publicado às 17:57

Três juristas quatro opiniões

Rui Gomes, em 19.03.21

img_192x192$2015_10_12_13_07_15_1005695_im_6366777Aqui há uns anos, numa conversa informal, um antigo presidente de um clube português dizia-me: “Se pedir opinião a três juristas diferentes, vai ter quatro opiniões”. As leituras que se fizeram do acórdão do TAD relativo ao caso João Palhinha fizeram-me lembrar essa conversa. Quer pela interpretação dos diversos especialistas ouvidos por diferentes órgãos de Comunicação Social, quer pelas dúvidas geradas junto das partes interessadas: a decisão anula o quinto amarelo ou anula o jogo de castigo pelo quinto amarelo?

Há, na forma como se aplicam as Leis, uma vincada tendência para utilizar uma linguagem complexa e densa, quase sempre imperceptível à maior parte dos cidadãos (há quem diga que isso só é assim para justificar a existência de advogados). No caso concreto, o TAD elaborou um acórdão de 147 páginas e chegámos ao fim sem resposta clara a uma das perguntas mais importantes.

Independentemente da conclusão, que ainda está longe, o caso Palhinha está a ter um efeito de cascata na pirâmide da disciplina, obrigando a mudanças nos procedimentos do CD e, para já, com uma decisão que estabelece de forma mais clara os procedimentos de intervenção disciplinar sobre decisões erradas assumidas pelos árbitros. O que andámos para aqui chegar.

Artigo da autoria de Sérgio Krithinas, Director Adjunto de Record

publicado às 02:15

O furriel

Rui Gomes, em 17.03.21

21105016_F4Vcq.pngEm artigo escrito em Record, na semana passada, o presidente da ANTF veio justificar a queixa apresentada contra o Sporting e Rúben Amorim, dizendo que se trata de uma mera questão de legalidade, de aplicação de normas emanadas das entidades que superintendiam o Desporto.

Não posso deixar de sublinhar a hipocrisia subjacente a essas palavras. Já não questiono que a ANTF faça queixas selectivas, porque esse é um juízo ético, que competirá aos associados e ao público em geral fazer.

A questão é que a ANTF acusa o Sporting e Rúben Amorim de fraude à lei, ou seja, de pretenderem alcançar um fim ilícito, através de meios aparentemente lícitos. Os artigos do Regulamento Disciplinar da Liga, alegadamente violados, resultam para o Sporting numa multa moderada e para o treinador, numa pesada suspensão.

Por outras palavras, já não estamos no quadro de uma participação relativa ao eventual cometimento de ilegalidade, outrossim a um processo de intenções, de contornos bem mais rebuscados, já que pressupõe uma articulação dolosa entre os denunciados.

Registando a insensibilidade da ANTF, abrindo a porta a que um treinador possa ficar no desemprego, por via das disposições regulamentares que invocam, há três questões que, em meu entender, definem os limites do caso.

A primeira é que o Sporting CP respeita as exigências legais e tem, no seu quadro, um treinador principal e dois treinadores adjuntos. A segunda é a de que o Sporting organiza a sua actividade conforme bem entende. A terceira é que Rúben Amorim é empregado e faz aquilo que a entidade patronal manda.

Com estes pressupostos, não se vislumbra como pode Rúben Amorim pagar as favas do despeito. Ser treinador de futebol de grau IV em Portugal leva mais tempo do que ser advogado, médico, engenheiro ou outra profissão para que seja exigida formação especial, com uma agravante: só há curso de vez em quando.

A exigência vigente é tão desproporcional quanto os muitos exemplos de treinadores não habilitados e que fizeram trabalho brilhante nas equipas que dirigiram.

A evolução na carreira por tempo de serviço é um conceito muito próprio de uma certa instituição militar e, patentemente, ainda há quem, tendo saído dela, mantenha o essencial da sua mentalidade.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 03:02

Os eternos burros de secretaria

Rui Gomes, em 16.03.21

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"Recordam-me, no Twitter, o que aconteceu a Paulo Bento, no Sporting, em 2005, a Jorge Costa, no Sp. Braga, em 2007, ou depois disso ainda a Marco Silva, no Estoril, a Nuno Espírito Santo, no Rio Ave, a Paulo Fonseca, no Paços de Ferreira, a Pedro Emanuel, na Académica, a Sérgio Conceição, no Olhanense, ou a Silas, também no Sporting. Vão ser agora todos castigados para Rúben Amorim não se sentir tão só. Os eternos burros de secretaria...".

Alexandre Pais, em Record

publicado às 03:18

Todos são importantes

Rui Gomes, em 13.03.21

21312452_L0T3b.pngÀs vezes somos tentados a pensar que o que decide os campeonatos são apenas os jogos grandes. Depois vemos esfumarem-se vantagens em menos de um simples fósforo, em jogos com equipas de valor muito diferente. Porque ao contrário de uma Taça, uma Liga não se decide num jogo, mas sim em longas jornadas onde as incógnitas são muitas e os momentos de forma também.

Sporting CP e Benfica têm jogos importantes. Não que os adversários sejam da mesma igualha, mas perder dois ou três pontos frente a Tondela ou Boavista tem o mesmo custo do que num dérbi ou clássico. Os leões têm isso bem presente com o susto que apanharam frente ao Santa Clara. Já o Benfica deve lembrar-se do resultado no Bessa.

Os rivais da Segunda Circular terão de estar no máximo. Os primeiros se querem mesmo ser campeões. Os segundos para pressionarem a concorrência na complicadíssima luta pela Liga dos Campeões.

Amorim e Jesus mostraram ter isto bem presente. São os motores das equipas, para o bem e para o mal.

Sílvio Cervan de uma vez só insultou adeptos do Sporting CP e do Benfica. A oposição incomoda sempre o poder. Felizmente na política não o tratam assim. E ainda bem.

Artigo da autoria de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 13:00

O ódio de estimação

Rui Gomes, em 09.03.21

A estória é simples de contar. A ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol) fez queixa ao Conselho de Disciplina da FPF relativamente à contratação, pelo Sporting, do treinador Rúben Amorim, que supostamente não teria na altura o grau exigido para desempenhar tais funções.

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O Conselho de Disciplina da FPF fez baixar a queixa à Comissão de Instrutores da Liga, para abertura do processo. A instrutora Filipa Elias desenvolveu então as diligências que reputou pertinentes para apuramento de eventual ilícito disciplinar e, em função da prova recolhida, resolveu acusar Rúben e o Sporting de fraude. Baseia-se a acusação em três pontos fundamentais.

O primeiro é que Rúben Amorim, embora inscrito como treinador adjunto, é o que recebe mais e tal indicia que afinal é ele o treinador principal.

O segundo é o testemunho do ex-leão Francisco Geraldes que, embora reconhecendo que durante os jogos era o treinador principal Emanuel Ferro quem emitia as instruções aos jogadores, nos treinos e preparação dos encontros era Rúben Amorim quem pontificava.

O terceiro resulta da circunstância de publicamente, o Sporting ter resgatado ao SC Braga o treinador em questão, com a pompa e circunstância de quem era escolhido para liderar o projecto desportivo leonino e não como o adjunto que veio a inscrever. Não vou entrar em pormenores jurídicos, mas há aqui coisas de bradar aos céus.

É extensa a lista de treinadores lusos que, não possuindo o grau IV, assumiram "de facto", o desempenho de treinadores principais, nos últimos anos, sem que a ANTF reagisse desta maneira.O mínimo que se pode dizer é que estamos perante uma óbvia, e diria suspeita, discriminação.

É singular basear a investigação no testemunho de um único jogador, que estava em clara rota de colisão com o clube, que acabou por cedê-lo ao Rio Ave. Não há aqui um patente conflito de interesses? Do vasto plantel de profissionais do Sporting, só se julga útil ouvir um, por acaso alguém convenientemente despeitado.

O Sporting Clube de Portugal, no uso do seu direito constitucional de livre empresa, paga aos seus profissionais como entende e organiza a sua actividade como melhor lhe aprouver e não como a ANTF acha que deve ser.

Eu acho que esta é uma questão laboral e não disciplinar e que mal andou o Conselho de Disciplina da FPF em acarinhar as dores corporativas da classe, se calhar porque desta vez dava jeito.

Cada vez tenho mais saudades do prof. Meirim, e por aqui me fico.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruzem Record

publicado às 16:00

O resgate de um grande

Rui Gomes, em 05.03.21

(...) Uma gestão que resgatou o Sporting, um dos grandes, de um futuro sinistro, feito de maus resultados desportivos, de indecência cívica e de grande opacidade financeira no negócio das transferências.

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Um Sporting CP a ombrear com os maiores, tanto no plano interno como internacional, com os pés assentes no chão e na sua capacidade de gerar valor a partir da formação, é uma boa notícia para o futebol português. O mesmo se diga para o SC Braga. Torna-o muito mais competitivo, mais democrático, no sentido em que a diversidade de liderança desportiva é melhor do que a eterna concentração da luta pelo título em apenas dois clubes.

Resta saber se, após a pandemia, os clubes conseguem criar um modelo de gestão mais sério, mais transparente, menos assente na criação de esquemas criminosos de compra e venda de jogadores apenas para potenciar comissões e falsear a verdade desportiva. Se conseguirem, talvez isso devolva alguma pureza a um desporto-rei tão necessitado dela e tão viciado em esquemas tribalistas fora e dentro do campo. Em que uns cantam a canção do bandido e outros cospem para o chão que os adversários pisam.

Excerto da crónica de Eduardo Dâmaso, Director da Sábado, em Record

publicado às 12:00

Sérgio disse que era fácil desmontar a equipa do Sporting e demonstrou ter a lição bem estudada. Mas quem comandou os ritmos foram os de Alvalade, que abandonam o Dragão com os mesmos 10 pontos de vantagem sobre o FC Porto.

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Comandar o campeonato como tem feito e passar incólume no maior dos testes à liderança até ao momento não é para todos. O trabalho de Rúben Amorim em Alvalade é digno dos maiores elogios. E por muito que ele não queira assumir a candidatura, não há certamente nenhum adepto sportinguista que não seja "obrigado" a acreditar que este ano pode mesmo ser.

A personalidade com que o Sporting CP jogou tendo no relvado sete jogadores sub-23 é impressionante. Diz muito sobre a qualidade da formação e alguns achados como Porro, mas também da confiança que lhes é dada por um treinador que não olha, mas não olha mesmo, a bilhetes de identidade.

Esperava um FC Porto mais próximo do que fez nos dois jogos em Braga, onde foi muito superior até às expulsões. Gostei francamente dos dragões aí e também frente à Juventus. Ontem, para impor a primeira derrota na Liga aos leões, era preciso uma exibição muito semelhante. Talvez seja verdade o que diz Sérgio, que a equipa quis mais ganhar, mas quem impôs os ritmos foi o Sporting. Com uma primeira parte morna e uma segunda em que se soltou. Os portistas tiveram mais oportunidades, mas soube a pouco para quem queria e precisava de virar o tabuleiro. Demasiado pouco, diria. O leão não pode mesmo festejar ainda, mas ficou claramente mais perto.

João Pinheiro. Acabou por passar com distinção num teste complicadíssimo. Foi corajoso, impôs respeito e não falhou em nenhuma decisão importante. Somou pontos.

NOTAS DE RODAPÉ

Palhinha, Coates e João Mário foram enormes no Dragão. Caso se sagre campeão, vai ser difícil a quem escrever a história deste leão não falar muitíssimo neles. Há mais? Sim, curiosamente quase todos, mas estes ontem foram vitais.

Santa Clara com público? Entendo a Liga. E faz-se lá fora. Mas discordo. Em absoluto. Desvirtua a verdade desportiva. Em casa vão ter a ajuda do público e fora o conforto das bancadas vazias. Os outros não são mais fortes ao lado dos seus? Mal.

Comunicar a vinda de árbitros estrangeiros para Portugal no dia do jogo do título é de uma insensatez atroz. Fazê-lo sem falar com a APAF ainda pior. João Pinheiro e Artur Soares Dias não precisavam disto antes do clássico. Muito mau.

Artigo da autoria de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 17:00

Apreensões em tom de azul

Rui Gomes, em 25.02.21

Numa chuvosa noite de Janeiro de 2002 fui, com amigos, ver o Sporting jogar às Antas, com o FC Porto.

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O meu clube do coração com a contratação de Jardel despontava na classificação e aquecia o coração dos adeptos. O Sporting empatou a dois, embalou para o título, mas acabou aflitivamente o jogo com oito elementos, por força da arbitragem de Martins dos Santos, talvez das mais tendenciosas a que, alguma vez, assisti.

No Verão de 2007, Anderson Polga quer jogar a bola mas, estorvado por um adversário, esta vai parar ao guarda-redes, que a recolhe com a mão. O senhor Pedro Proença (esse mesmo!) assinala um inacreditável atraso intencional, e do livre dentro da área nasce o golo com que o FC Porto derrotou o Sporting.

Em 2012, Cédric está caído na área do Sporting, procura levantar-se e a bola vai bater na sua mão. O sr. Jorge Sousa marcou um penálti clamoroso e o FC Porto ganhou esse jogo.

Estes são alguns exemplos de que me lembro, outros haverá, que ilustram uma realidade incontornável: Antas/Dragão é o estádio de futebol do país onde o Sporting mais tem sido prejudicado.

Não tenho quaisquer angústias sobre o que vai ser a exibição do Sporting no Dragão; à semelhança do que aconteceu na Taça da Liga, vai jogar como nos tem habituado este ano, com muita serenidade e coesão, sofrendo quando tem de sofrer e brilhando quando tem oportunidade. O que me causa apreensões é a arbitragem, por três ordens de razões.

A primeira, é que esta época o nível das arbitragens tem sido preocupantemente baixo. Só de pensar nos nomes dos ilustres Luís Godinho, Fábio Veríssimo e André Narciso, fico compreensivelmente de pé atrás.

A segunda é a questão do quinto árbitro, ou seja, aquele conjunto de pessoas que se senta no banco do FC Porto e, do princípio ao fim, procura audível e porfiadamente condicionar o trabalho dos quatro restantes árbitros; já vi, este ano, muitos cartões mostrados por pressão do quinto árbitro.

A terceira é esta sensação incómoda com que fiquei do jogo de Alvalade que, quando o FC Porto está aflito, há sempre uma mão amiga e providencial que o ampara.

Eu bem me quero convencer que as coisas mudaram, que o presidente do FC Porto já não prodigaliza conselhos matrimoniais e outras coisas que o país conhece, só que este jogo é de crucial importância para o FC Porto – muito mais até do que para o Sporting – e os antecedentes que referi não me ajudam nada a ficar descansado.

Para além das duas equipas, que sei que vão dar o seu máximo, há outra que estará em alto escrutínio: a da arbitragem. Nos dérbis já jogados, houve erros técnicos e disciplinares que influenciaram, de algum modo, o resultado.

Por uma vez, que não prevaleça a tradição e que, por via de uma arbitragem corajosa e competente, ganhe o melhor.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 03:18

A Champions com esteróides

Rui Gomes, em 22.02.21

img_192x192$2015_10_12_13_07_15_1005695_im_6366777Os planos da UEFA para reformular as provas europeias, e que, em princípio, vão ter efeitos práticos a partir de 2024/25, vão constituir uma revolução completa no futebol tal e qual como o conhecemos actualmente. Se a Champions actual já é um factor de desequilíbrio financeiro em quase todos os campeonatos domésticos, imagine-se o que será uma Champions com esteróides, a garantir um prémio de presença mínimo próximo dos 100 milhões de euros – mais do dobro do que os maiores clubes portugueses recebem actualmente pelos direitos de transmissão de todos os jogos da Liga. Não haja ilusões: cada dez minutos de um jogo da Champions vão valer mais, financeiramente falando, do que um jogo inteiro do campeonato nacional.

Pode ser de facto um caminho difícil para os românticos, mas as rivalidades atravessaram fronteiras, gerando um interesse global que era difícil de imaginar até há 20 ou 30 anos – hoje em dia, sobretudo entre os mais novos, há quem vibre mais com Haaland ou Mbappé do que com as figuras do respectivo campeonato. Para as ligas domésticas, mesmo para a rica inglesa, querer travar isto seria como tentar parar o vento com as mãos. Por isso, a solução é cada uma delas adaptar-se à nova realidade. Mesmo que isso tenha custos, como a redução do número de equipas.

Artigo da autoria de Sérgio Krithinas, Director Adjunto de Record

publicado às 17:30

Força mental de leão

Rui Gomes, em 20.02.21

21312452_L0T3b.pngApesar da vantagem na Liga NOS e constantes pressões para assumir o favoritismo à conquista do título, Rúben Amorim tem sido muito cauteloso com essa questão. Já foi estratégia comunicacional. Agora é mesmo realidade. O treinador reconhece que é jovem e tem um grupo muito coeso mas a quem ainda falta o hábito de ganhar. E que hoje o principal inimigo do Sporting na busca pela vitória no campeonato é... o próprio Sporting.

Não falo das lutas intestinas em que o clube é pródigo. De brunistas a claques, de anti-Varandas aos muitos que lhe pretendem o lugar, todos têm tido consciência de que o que a equipa menos precisa é de inimigos internos. E têm apoiado com o silêncio responsável de quem discorda das políticas seguidas mas deseja o melhor para o clube. Ou seja, o título de campeão.

Falo da força mental que o grupo vai precisar para enfrentar a segunda volta. A ressaca da primeira derrota. A reacção a um eventual mau momento qualquer, gerado seja pelo que for. Se este tempo de pandemia serve para nos ensinar alguma coisa, é que só os mais fortes mentalmente resistem. É esta fibra que Rúben e o plantel terão de ter até ao fim. Seja jogo a jogo ou a navegar à bolina.

Futebol e tráfico de droga misturados. O nojo que dispensávamos.

Artigo da autoria de Bernardo RibeiroDirector de Record

publicado às 17:00

Espertezas saloias

Rui Gomes, em 17.02.21

O SL Benfica apresentou uma queixa no Conselho de Disciplina da FPF, relativamente à utilização, pelo Sporting, do jogador João Palhinha, no recente jogo entre ambos. Não está em causa a legitimidade do exercício desse direito.

21105016_F4Vcq.png

O que choca, outros sim, é a explicação dada. Diz o Benfica que essa queixa se destina apenas a esclarecer as regras aplicáveis a castigos de jogadores. Sejamos claros, o Benfica queixou-se na expectativa de uma decisão que lhe traga proveito, máximo, a perda de pontos do Sporting. Por outras palavras, aspira a ganhar na secretaria aquilo que perdeu em campo.

Se a intenção era mesmo a clarificação das regras, esperava tranquilamente o desfecho do processo que, como se sabe, já teve o seu impacto, uma vez que os castigos em processo sumário, a partir desta semana, passam a prever a defesa do atleta visado, coisa que o Conselho de Disciplina, principal responsável deste imbróglio, devia desde a primeira declaração de inconstitucionalidade do art.º 241.º do Regulamento de Disciplina ter implementado.

Ao Benfica não interessa que um cidadão, que por acaso também é profissional de futebol do Sporting, questione a constitucionalidade de uma norma que o discrimina e afecta. Pretende antes, pela calada, puxar a brasa à sua sardinha, sem porém assumir que o faz.

É este tipo de toupeirices que deslustram quem as subscreve e que, infelizmente para o futebol nacional, começam a ter um cariz de recorrência. Haja alguém que lembre que as vitórias não podem ficar a dever-se a convites para a tribuna presidencial, a cedências de jogadores a preço de saldo a clubes que competem no mesmo campeonato, a coscuvilhar no Citius. Mesmo que a Justiça absolva, fica a mácula ética de estratagemas que não estão ao nível de quem se gaba de estar dez anos à frente.

À luz dos preceitos vigentes em sede de justiça desportiva, João Palhinha conduziu a sua pretensão em estrita conformidade com o que a lei determina. Pode o TAD rejeitar o recurso com a consequência de o atleta cumprir o castigo que o CD lhe aplicou, ou pode julgá-lo procedente e o processo baixar de novo ao CD que, neste caso, tem competência para reiniciar a tramitação sancionatória, desejavelmente com respeito pelo contraditório.

Estes são todos os cenários possíveis, mas às vezes, no futebol, há penáltis que ninguém compreende.

Para mim, o Sporting ganhou justamente dentro das quatro linhas. Quem quiser contestar esta singela verdade desportiva e acalente esperanças de algum benefício administrativo que fique com a sua. Agora, em matéria de desportivismo, estamos conversados, qualquer que seja o desfecho.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 12:45

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