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Mercado difícil

Rui Gomes, em 24.09.20

Está complicado o mercado. Das saídas, entenda-se. Quem tinha dinheiro, como o Benfica, teve facilidades na abordagem aos craques que pretendia. Mas agora para equilibrar as contas na Luz, em Alvalade ou no Dragão, as coisas piam mais fino.

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O Benfica tem várias sondagens à espera de resposta. Mas são muitos os agentes que dizem que aos valores que LF Vieira pretende vender... os negócios não vão acontecer. O clube da Luz estava habituado a transferências incríveis, como foi o exemplo de João Félix. Tanto que Vieira recusou 45 milhões por Vinícius, à espera de 60 M€ que até pareciam fáceis. O problema é que em poucos meses o Mundo mudou. Muito. E de Seferovic a Jota, passando por Vinícius e Chiquinho, os interessados existem. Mas a novos preços. Baixos.

No Dragão e em Alvalade não é diferente. As finanças pedem entrada de dinheiro urgente. Mas é complicado. Jorge Mendes já resolveu Fábio Silva mas há ainda muitos por colocar. E como andam longe os tempos das propostas milionárias. Reconheça-se, também havia mais talento para vender no Dragão.

Mas não é só Pinto da Costa quem perde o sono. Varandas e Zenha também precisavam de encaixes chorudos. Mas também aqui está difícil. E ainda faltam entradas...

Artigo de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 03:30

Frase do dia

Rui Gomes, em 23.09.20

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"E agora surge, em Alvalade, a hipótese de Jovane sair. Que ninguém se iluda. O futuro do Sporting e da sua robustez financeira é este. Promover jovens e vendê-los".

Luís Pedro Sousa em Record

publicado às 04:19

Jovens jogadores e as selecções

Rui Gomes, em 23.09.20

img_192x192$2015_10_20_12_03_36_1006065_im_6366770O Congresso da FIFA aprovou recentemente uma significante alteração no regulamento que permite aos jogadores trocarem de selecções. Esta alteração visa evitar que as federações bloqueiem um jovem craque que tenha participado num jogo oficial com a selecção principal do país que primeiro o convocou. A mudança foi em grande parte impulsionada pela situação vivida por Munir El Hahhadi: jogou 13 minutos pela Espanha frente à Macedónia, num jogo da fase de qualificação do Euro2014 e, por isso, ficou impedido de disputar o Mundial de 2018 por Marrocos, país dos seus pais. Munir não voltou a ser convocado e chegou a recorrer para o TAD, que não deu razão ao hoje jogador do Sevilha.

Mesmo assim, o organismo mundial acabou por dar a mão à palmatória, por considerar que uma convocatória egoísta pode cortar o trajecto internacional de jovens promessas, por vezes ainda menores. E, a partir de agora, um jogador poderá mudar de selecção se cumprir determinados requisitos, designadamente se só tiver jogado três jogos (oficiais ou não), nunca tiver participado numa fase final do Mundial ou em torneios continentais e se tiver menos de vinte e um anos quando jogou pela última vez. Faz todo o sentido, porque mais importante do que o sítio onde se nasce ou se vive é o local onde nos sentimos felizes e úteis.

Excerto de uma crónica de Bruno Prata em Record.

publicado às 04:15

Algumas breves considerações de Rui Santos, extraídas da sua mais recente crónica em Record, em que comenta maioritariamente a propagada super equipa do Benfica.

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"No Sporting, não obstante o esforço realizado para não se perder o pé no quadro da gestão financeira, são evidentes as dificuldades para se cumprirem compromissos, como resulta evidente do facto de os leões terem partido do princípio que vale a pena pagar mais 2,1M pela contratação-kamikaze de Rúben Amorim para poderem, em 8 meses, dar melhor resposta a um vasto leque de obrigações. Também é importante ressalvar que o Sporting CP nunca manifestou vontade de não pagar; apenas se colocou na posição de pagar mais, como consequência do facto de não poder/querer pagar nos prazos inicialmente aprazados e isso é apenas a confirmação de um aperto que já todos, afinal, conhecíamos".

"No FC Porto, a notícia do Correio da Manhã segundo a qual existem salários em atraso apenas confirma aquilo que é sabido há muito, isto é, uma péssima e caótica gestão de recursos atirou um clube histórico para uma situação financeira muito complexa e só há uma explicação para isso: os custos das transferências são elevadíssimos e o produto das vendas líquidas que entra nos cofres da SAD portista não chega para contrabalançar uma estrutura de custos particularmente elevada, nalguns casos até verdadeiramente pornográfica.

Muito estranho que a comunicação do FC Porto não tenha feito um escarcéu perante a notícia. O tímido desmentido de J., a dizer que é mentira, nem em Gaia se ouviu".

"É evidente que a contratação de Jorge Jesus pressupõe, aliás como foi reconhecido pelo próprio técnico no dia do seu regresso ao Benfica, uma equipa a jogar o triplo do que jogava antes, e, portanto, há uma espécie de expectativa segundo a qual os jogadores que já estiveram entregues a Rui Vitória, Bruno Lage e Nélson Veríssimo tenham, sem as chamadas alcavalas de qualidade, um rendimento superior, por força da influência e do trabalho de Jorge Jesus.

Contudo, se o Benfica 2019-20 com Jesus renderia, em tese, muito mais, o actual só pode ter aspirações de se recolocar com ambição no quadro das competições europeias com um acrescento de qualidade no plantel. E isso, neste momento, não corresponde àquilo a que se pode chamar de Super Equipa, até porque falhou, no tempo certo, a aquisição de uma estrela do futebol internacional (Cavani era uma boa ideia)".

publicado às 03:33

Gastar ou não gastar?

Rui Gomes, em 11.09.20

img_192x192$2015_10_12_13_07_15_1005695_im_6366777O Relatório e Contas da Benfica SAD confirma o que se esperava e que já se antecipava pelos relatórios parciais: a temporada 2019/20 foi extraordinária... em termos financeiros. Mas os números apresentados permitem também fazer um lançamento do que será 2020/21. Ou do que já está a ser. Para já, o Benfica ainda não teve nenhum João Félix – e é pouco crível que venha a ter. Acumula mais de 80 milhões de euros em contratações, não contando salários nem prémios de assinatura, e tem uma série de jogadores que não contam para Jorge Jesus ainda por colocar, alguns deles com salários bastante elevados.

Um dos pontos referidos no relatório é o risco de pisar as linhas de fair play financeiro, por culpa do rácio entre gastos com pessoal e receitas sem incluir venda de jogadores. Na época passada, por culpa da pandemia de Covid-19, esse rácio chegou aos 69 por cento, quando o recomendado é que não ultrapasse os 70. Ainda com estádios fechados e bilhetes por vender, é difícil imaginar que as receitas subam este ano. E também é difícil imaginar que os gastos com pessoal sejam reduzidos, por aquilo que se tem visto. O que deixa Vieira numa encruzilhada: dar a Jesus a equipa que este pede ou ter mais cuidado com as contas?

O que aconteceu ao FC Porto deve ser um exemplo.

Artigo de Sérgio KrithinasDirector Adjunto Record

publicado às 03:02

O galinho

Rui Gomes, em 09.09.20

21105016_F4Vcq.pngÉ um sinal de inteligência e maturidade que Sporting e Sp. Braga tenham conseguido chegar a um acordo, relativo ao pagamento da indemnização por cessação do contrato de trabalho de Rúben Amorim.

Parece que se conseguiu acomodar, no entendimento, o essencial das pretensões de ambas as partes, o Sp. Braga de não abdicar das verbas a que contratualmente tinha direito e o Sporting em ter mais tempo para as pagar.

Da mesma forma que me regozijo com o encerrar deste contencioso, não posso deixar de lamentar o desnecessário circo mediático que o Sp. Braga montou a propósito deste tema.

Em primeiro lugar, quando recusou renegociar as condições existentes, face à drástica redução de ingressos e à incerteza dos tempos futuros, decorrente do surto de Covid-19. Intolerância, para mais em tempos de crise, é sempre lamentável. O Sporting conseguiu negociar com todos aqueles a quem devia e os que lhe estavam a dever, só com o Sp. Braga é que não foi possível!

Em segundo lugar, a campanha de vitimização pública desencadeada pelo Sp. Braga, que chegou aos limites da intoxicação informativa, acusando o Sporting de prevaricação sistemática, esquecendo o período de exceção que se vive. Foi uma ação claramente ‘ad odium’, trazendo para a praça pública aquilo que outros, mais sensatos, resolveram sem este estardalhaço.

O Sporting nunca disse que não pagava, outros sim que, face às novas e imprevisíveis condições, precisava de mais prazo para pagar; pena foi que tanta e desnecessária louça se tenha partido pelo caminho.

O presidente do Sp. Braga tem dois problemas, um com o Benfica e outro com o Sporting. Com o Benfica de complacência, com o Sporting de perseguição.

O Sp. Braga quer-se equiparar aos grandes e é respeitável essa ambição, como todas. Porém, para aspirar a essa grandeza, há que saber ter dimensão e comportar-se como tal; neste particular, tem ainda muito tirocínio pela frente, como os factos o demonstram.

Em Barcelos mora o galo, um dos símbolos mais queridos de Portugal. Em Braga, bem perto, mora um galinho.

Artigo de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 11:00

Bater à proverbial porta

Rui Gomes, em 03.09.20

(...) Nos jogos do Sporting CP fica óbvio que as notícias sobre a morte da qualidade na Academia de Alcochete eram manifestamente exageradas. Há uma série de miúdos com talento suficiente para se baterem por um lugar no plantel principal.

Dois, batem mesmo à porta do onze ideal de Rúben Amorim: Nuno Mendes e Tiago Tomás. Eles batem à porta com classe e simplicidade. Cabe ao treinador ouvir o som do sucesso e do dinheiro a cair em cascata de milhões.

Texto de Octávio Ribeiro, Record

Observação: Além de Nuno Mendes, eu diria que quem da formação está neste momento mais perto da "porta do onze ideal de Rúben Amorim" é Matheus Nunes. Isto, sem querer desvalorizar Tiago Tomás, um talento muito promissor embora ainda algo "cru".

publicado às 12:15

Excesso de faltas

Rui Gomes, em 03.09.20

A Liga publicou recentemente o balanço da temporada ora finda e forneceu estatísticas deveras interessantes, que, de algum modo, ajudam a situar o nível de competitividade do nosso futebol face aos restantes campeonatos.

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A internacionalização das ligas, ou seja, a vendagem dos direitos de transmissão dos jogos para o mercado internacional é cada vez mais uma importante fonte de receita, seguindo o exemplo precursor da liga inglesa. E, aqui, não há fórmulas mágicas; o público só consome jogos onde evoluam as grandes estrelas, ou que sejam competitivos.

Ora, constata-se que, em média de golos, remates, cantos e goleadas, o nosso futebol não desmerece e até está em linha com as ‘big four’, ou seja as ligas espanhola, inglesa, alemã e italiana. Onde é que descolamos? No número de faltas. Em 2019/20, a Liga teve uma média de 32,3 faltas por jogo, bastante acima das supracitadas; a inglesa teve uma média de 21,4, veja-se a distância…

É desnecessário lembrar que as faltas assinaladas mais vezes do que não empastelam a fluidez do jogo, transformando o espetáculo, muitas vezes, num penoso festival do apito. E aqui reside a magna questão. Há faltas em excesso porque os jogadores as cometem ou porque os árbitros as marcam? Sem querer entrar em polémicas do ovo e da galinha, direi que é um misto dos dois.

Há árbitros ‘miudinhos’, que assinalam falta ao mínimo contacto físico, e que acham que a sua autoridade se mede pela frequência com que intervêm. É a prática muito nacional de ‘segurar o jogo’, frequentemente acompanhada com a amostragem extemporânea de cartões.

Mas também há o mau hábito de jogadores cometerem faltas ditas ‘cirúrgicas’, ‘cavarem’ as mesmas, ou teatralizar os respectivos efeitos. Chama-se a isso ‘quebrar o ritmo do adversário’, costume muito arreigado entre nós.

Em 2018, um extenso estudo promovido pelo Observatório do CIES, relativamente a 37 ligas europeias, dava à nossa a dispensável lanterna-vermelha, ou seja, Portugal é o país onde menos tempo útil se joga.

Com este perfil, o nosso futebol não pode ter grandes argumentos de comercialização, por muito que se queira convencer o mercado de que há – porque efectivamente há – jogos interessantes.

Como todos os defeitos estruturais, é um assunto que não pode ser resolvido nem sozinho, nem rápido. Mas, para o qual os intervenientes deviam olhar com preocupação. Porque há remédios.

Artigo de Carlos Barbosa da Cruz, Record

publicado às 03:48

Leão à vista de todos

Rui Gomes, em 30.08.20

Indicações interessantes no primeiro teste aberto aos olhos do público, seja na bancada a jornalistas ou a adeptos via televisão. O estudo detalhado do que se passou em Portimão está nas páginas interiores, mas há algumas notas a reter.

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Pote é reforço. Dificilmente será na ala que fará a diferença, mas acredito que não será aí que Rúben Amorim tenciona usá-lo. O meio-campo do Sporting tem três homens que contam mais do que os outros: Wendel, Pote e Matheus Nunes. Nos jogos a doer será muito por aqui. Há outros valores, claro, mas falta-lhes qualquer coisa. Mesmo que Bragança seja uma delícia. E é.

Antunes mostrou que se pode contar com ele. Não diria para titular, por muito que tenha legítimas aspirações a isso. Mas para obrigar o portento que parece ser Nuno Mendes a crescer. A aprender até. E uma época longa dá para todos.

Porro e Feddal necessitam de mais visionamentos. Tal como Adán, que não teve nada para fazer, ao contrário de Max. Nuno Santos mostrou futebol. E escola, que a tem. Mas algo fora do esquema. Natural com uma semana de trabalho.

Certo é que Rúben Amorim tem muito trabalho pela frente. Muito. E menos armas do que os rivais.

Crónica de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 04:03

img_192x192$2017_01_05_16_18_59_1203503_im_6366916Enquanto o ‘folhetim’ Edinson Cavani se encontra em ‘banho-maria’ (tornei-me crente da causa e acho que o uruguaio, que tem andado a brincar com uma instituição secular, vai assinar… porque LFV não quer ficar mal no assunto), o FC Porto regressou à função sem nenhuma ‘bomba’ (excepção para aquela que foi apresentada pelo ‘míster’), o Sp. Braga segue muito tranquilo e com Paulinho sem propostas que valham a pena (vejo os minhotos muito lá para cima na tabela…) e o Sporting está no Algarve, com a casa virada do avesso.

Porque tem seis novos jogadores, tirando alguns jovens (saúde-se, vá lá, a integração de Daniel Bragança), e deixou na soleira da porta da rua uns quantos, entre eles quatro contratações desta SAD: Ilori, Eduardo, Rosier e Camacho. Qualquer coisa a rondar 17 milhões de euros… Sem falar noutros em ‘saldo’: Acuña, Battaglia e Palhinha!

Ponto prévio: só conheço Adán de o ver jogar. De forma efectiva no Bétis, porque o Adán do At. Madrid, em dois anos (101 jogos)… só jogou sete vezes. Num guarda-redes, sabemos que é igual a nada. E Adán vem para ser titular. Assim, questiono: o que fez Maximiano, ele que representa o ADN do leão (está no clube desde 2012/13, tem 21 anos, é o futuro) para passar por isto? A não ser que venha aí uma proposta de muitos milhões… veremos se não será uma jogada como a de… Domingos Duarte. Rui Patrício não é bom exemplo?

Entretanto, a SAD terá encontrado um bode expiatório para o fracasso do futebol: Roberto Severo. A quem quis mudar de funções, e este, sportinguista de berço, preferiu dizer adeus ao seu clube do coração. Por isso, sócios e adeptos não calam a desgraça. Coisa(s) de doutores...

Excerto da mais recente crónica de José Manuel Freitas, Record

publicado às 03:34

Há opções e opções

Rui Gomes, em 26.08.20

21312452_L0T3b.pngO Benfica já trabalha em alternativas a Cavani e Darwin Nuñez. Nada mais normal num grande clube, até porque a contratação dos uruguaios não está fácil. Contudo, Mariano também promete ser tarefa árdua. Não só pelo que ganha, mas por resistir a abandonar Madrid. Mas se há mesmo dinheiro...

O empresário de Max diz ter clubes italianos interessados na contratação do jovem. Se forem palpáveis, ao contrário do que sucedeu com os de Bruno Fernandes, o jovem devia ir à aventura. Não vai ser fácil ganhar a Adán esta época.

Nakajima é uma pedra no sapato do FC Porto desde a contratação. Agora chegou tarde e ainda espera ordem para ser integrado no grupo. Erro de casting confirmado?

Já há algum tempo que deixei de tentar perceber as convocatórias da Selecção. E não falo desta em particular. O seleccionador está lá para isso e as escolhas são as que considera melhores. Mesmo que por vezes não as perceba. Seja como for, é só ele que lida com as consequências.

A ANA Aeroportos impediu que o Record e outros órgãos de comunicação social fizessem o seu trabalho com Miguel Oliveira. Mas é preciso mais do que prepotência para tirar o piloto das nossas páginas.

Artigo de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 03:32

Agora com público, se faz favor

Rui Gomes, em 24.08.20

img_192x192$2017_11_10_18_02_51_1332913_im_6366770Para o presidente da UEFA, o esloveno Alexander Ceferin, não há dúvidas: escolhia Lisboa novamente para organizar esta inédita fase final da Champions. Foi uma organização de topo, como o próprio salientou.

Já antes, com a retoma da liga portuguesa, ficaram sinais claros de que não seria a Covid-19 a fintar o regresso do futebol aos estádios do nosso país. Tudo decorreu dentro da normalidade possível num percurso sem acidentes.

Está aqui a prova de que já é mais do que tempo de se passar à fase seguinte. Não faz o mínimo sentido que o futebol continue vedado ao público quando, aqui e ali, em recintos com menos condições, noutro tipo de eventos, vemos aglomerados de pessoas.

E talvez o problema nem esteja em permitir que essas outras indústrias possam ter plateia. O pior é quando, em todo este processo, no que toca à parte portuguesa, continuamos a ter filhos e enteados. Um concerto sem público não é um concerto. Mais parece um ensaio. Mas desporto de bancadas vazias, por melhor organizado que esteja, é pouco mais do que um treino.

A indústria do futebol, em Portugal, tem condições, conhecimento e capacidade "de topo", como diz Ceferin, para reabrir portas. Adiar esse passo natural e lógico é injustificável. É estar a sacrificar uma área que precisa de muita gente para viver (e sobreviver). É ignorar, só para algumas partes, que é possível regressar, em total segurança, à celebração de um espectáculo. E a médio prazo esse vírus pode ser o pior de todos. 

Artigo de Luís Aguilar, Record

publicado às 03:03

Futebol vibra ... e gasta!

Rui Gomes, em 19.08.20

21312452_L0T3b.pngO Benfica tenta fechar hoje (ontem) o negócio Cavani. É a grande operação de mercado em Portugal até ao momento e que promete, por si só, recolocar o clube da Luz na montra internacional. Aliás, se o estatuto de Jorge Jesus em Portugal é intocável, a verdade é que a chegada de um ‘ponta’ desta magnitude ofusca o treinador vindo do Flamengo. Na Europa o Benfica passará a ser conhecido como a equipa de Cavani. O clube vive bem com isso, acredito que o técnico também, porque o que todos desejam são vitórias. E essas têm sempre muitos responsáveis.

Boavista e Vitória de Guimarães também estão a animar o mercado. A pantera muda por completo. Juntar aos homens do Lille nomes como Bruno Alves e Javi García obriga a atenção. No Berço é apresentado Tiago, um dos treinadores que suscitam mais curiosidade esta época. Ele e os jovens, muitos, descobertos por Carlos Freitas em mercados pouco habituais para os portugueses. Filão ou risco?

O Sporting garantiu um dos melhores médios da Liga. Pode ser uma grande contratação. Pote junta-se a Porro, Antunes, Feddal e vem aí Adán. Mal ou bem, ver-se-á, o leão está a trabalhar.

Suspeito de que há clubes em contraciclo. As empresas estão assustadas com a economia, o futebol gasta como sempre. O Benfica como nunca. Estranho!

Artigo de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 04:04

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Com seis reforços para a próxima temporada praticamente assegurados, a SAD leonina pretende agora fazer uma espécie de pausa na lista de compras, que contempla ainda a chegada de um avançado e, se ainda for possível, um central a Alvalade. Porém, depois de apresentar Pedro Porro e Antunes e estar próximo de anunciar Antonio Adán, Feddal, Pedro Gonçalves e Nuno Santos , a estrutura do futebol verde e branco vai concentrar-se um pouco mais na libertação dos jogadores excedentários e na venda dos elementos mais cobiçados do plantel.

Nesta fase, o objectivo é encaixar algum dinheiro, que permita fazer face aos negócios que estão em fase de conclusão, mas também libertar receitas que permitam voltar ao mercado com uma disponibilidade financeira que não existe neste momento. Além disso, o tempo poderá possibilitar algumas oportunidades de negócio que nesta fase não estariam ao alcance dos cofres do clube. Com o aproximar do encerramento do mercado – o que esta época sucede apenas a 5 de Outubro – haverá certamente futebolistas ainda sem colocação e que poderão rumar a Alvalade em condições mais vantajosas.

Apesar de terem mudado um pouco a estratégia, tanto Frederico Varandas como Hugo Viana continuarão, naturalmente, atentos ao que o mercado da bola vai ditando e não enjeitarão a possibilidade de concretizar um bom negócio. Mas, para isso, necessitam de vender primeiro para comprar depois. A prioridade passa a ser colocar antes de voltar a comprar.

Começar a casa pelos alicerces

É conhecida a atenção que Rúben Amorim dedica ao processo defensivo das suas equipas. Talvez esse aspecto justifique o facto de o Sporting ter assegurado até este momento um guarda-redes e três defensores. Depois destes, avançou para o meio-campo ofensivo com a contratação de Pedro Gonçalves e agora sim, começa a retocar o ataque. No fundo, a casa começa a ser construída pelos alicerces.

Artigo de João Lopes, em Record

publicado às 03:34

Mercados diferentes

Rui Gomes, em 11.08.20

O Benfica é o grande animador do mercado em Portugal. Ter ou não dinheiro faz toda a diferença e o ‘all-in’ que Luís Filipe Vieira decidiu fazer com a contratação de Jorge Jesus e a equipa que lhe pretende dar vai fazer muitas parangonas.

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Cavani, Vertonghen e o jovem Waldschmidt são jogadores de primeiro plano para a Liga portuguesa. O uruguaio e o belga são futebolistas experientes de quem Jesus tirará rendimento imediato. O alemão uma grande promessa do futebol germânico que até na selecção A já jogou. Investimento seguro desportiva e financeiramente, porque aqui o retorno económico é previsível. Pelo menos tanto quanto no futebol se pode contar com o ovo no cu da galinha.

FC Porto e Sporting estão em planos muito diferentes. Com dificuldades financeiras terão, provavelmente, um mercado mais lento e prolongado. Enquanto JJ deverá contar com a maioria dos reforços antes de começar a jogar, acredito que no Dragão e em Alvalade haverá muitas mexidas com o futebol já a correr.

Ter dinheiro dá vantagem ao Benfica... E não é pouca. Será necessária muita competência para equilibrar a balança. Têm a palavra Pinto da Costa e Varandas. Sem os tais ovos, Conceição e Amorim não farão milagres. Nem eles, nem ninguém.

Texto de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 08:45

As cartilhas e a sede de controlo

Rui Gomes, em 01.08.20

img_192x192$2019_09_07_00_18_48_1598529.jpgEm NOTA a fechar o artigo da semana passada, escrevi: "Espero sinceramente que Jorge Jesus e, até, Sérgio Conceição se unam no combate aos tóxicos departamentos de comunicação, empenhados em transformar o futebol numa lixeira atómica. Com ela, o futebol em Portugal nunca se desenvolverá nem sequer será olhado com seriedade".

Este é um tema crucial para o processo de desintoxicação do futebol português e é preciso que se adquira uma consciência colectiva no país, num quadro de normalização das relações entre o negócio futebol e a sociedade, com relevo para aquelas que se estabelecem no âmbito dos poderes públicos e privados, de que esse processo de despoluição não corresponde a uma luta específica contra o clube A ou clube B; é uma necessidade, no sentido de reposicionar o futebol nacional em relação ao futuro, um futuro ainda por cima cheio de incertezas, por via das interrogações suscitadas pela Covid.

Quer dizer, o futuro sugere contenção, racionalidade, bom-senso, reformas — e a febre pelos títulos faz com que muitos protagonistas continuem virados para a querela, para o ataque descabelado ou sub-reptício e para a mobilização dos exércitos do mal.

O futebol sugere ainda assumpção de responsabilidades de todas as partes directa ou indirectamente envolvidas no negócio e, nesse aspecto, entre vícios, entorses e dinâmicas de contra-informação muito difíceis de contrariar, a partir das quais tem valido tudo para desviar atenções, a comunicação social tem, como sempre e agora ainda mais, um papel relevante a desempenhar.

Esta semana, a propósito, fomos confrontados com uma decisão histórica, cujo pontapé de saída foi dado pela Direcção de Informação da SIC e seguido pela TVI: acabar com os programas de debate, com representantes do FC Porto, Benfica e Sporting.

Antes da pandemia, o grito (clubístico) já tinha tomado conta de 90% das tribunas de debate futebolístico em televisão, algumas das quais haviam sido tomadas, em casos facilmente identificáveis, pelas direcções de comunicação dos clubes, no caso concreto com FC Porto e Benfica a tentarem marcar pontos nessa área.

Há um ano e meio, dei uma entrevista ao jornal i, na qual dizia que "Os clubes têm sede controlar a AR, os tribunais, a comunicação social", sem deixar de chamar a atenção para o facto de "alguns jornalistas ditos independentes são fabricações dos próprios clubes". Dei a entrevista há um ano e meio, mas o meu discurso neste capítulo há muito que aponta para a tentativa de controlo da opinião por parte de alguns clubes de futebol, cuja prática se agudizou a partir do momento em que se descobriu que essa tentativa de controlo correspondia a uma visão organizada pelo departamento de comunicação do Benfica e coordenada por Carlos Janela.

Quando nasceram as célebres cartilhas, já o ambiente não era o melhor e o logro estava identificado. Não me parece que haja muitas dúvidas de que a trama tem uma raiz político-socrática, no sentido de tentar fazer passar para o espaço público, e no futebol, realidades que afinal não o são. Ninguém está numa posição moral para reivindicar qualquer superioridade, tal os níveis de toxicidade produzidas em ambas as centrais de contra-informação e propaganda, uma vez que não existem quaisquer tipo de dúvidas de que, no polo oposto, também não existem escrúpulos.

De um lado, alguma subtileza e sofisticação e, de quando em vez, metralha; do outro,  apenas metralha.

[É bom relembrar, em forma de parêntesis, que o director de comunicação do FC Porto, ‘Jota’ Marques, tão pressuroso na defesa da ‘verdade’, foi condenado (ao pagamento de 523 000€ por danos patrimoniais emergentes e 1,4M€ por danos não emergentes, na sequência da divulgação de correspondência, em processo movido pela SAD do Benfica), tendo o Tribunal do Juízo Central Cível do Porto entendido que Francisco J. Marques nunca quis servir o interesse público com a divulgação dos emails do Benfica e a entender que a informação foi obtida ‘de má fé’, sem "qualquer interesse público", e por meio de "omissão dolosa, cirúrgica e inteligente". Foi ainda considerado judicialmente que "esta deturpação selectiva do texto é pior do que mentira, pois essa é facilmente posta em causa, a deturpação é bem mais difícil de detetar e nunca porá em causa a primeira impressão já criada". E mesmo que tribunal tenha considerado que em 31 dos 55 emails divulgados poderia existir interesse público, conclui, porém, que a forma como foram tratados no Porto Canal — "sem contraditório, com omissões, sem enquadramento, sem tratamento jornalístico" — levaram a que se decidisse pela condenação].

Estas guerras intestinas entre FC Porto e Benfica, com os respectivos departamentos de comunicação a afastarem-se cada vez mais do seu objecto primacial, já causaram danos irreparáveis ao futebol português e vão continuar a causar, porque pelos vistos, viciados nestas dinâmicas, não são capaz de produzir jogo limpo, aceitando a regra de que as instituições, nas suas imperfeições e submetidas à crítica (também) limpa, precisam de cultivar autonomias e mecanismos de escrutínio e regulação, à margem do jugo ou da influência dos clubes de futebol.

Bem sei que é muito difícil esta mudança de mentalidades e procedimentos num terreno dominado por dois dinossauros do dirigismo desportivo: Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, tão diferentes em muitas virtudes mas tão siameses em tantos pecados. Não vão ser eles, já se percebeu, por razões distintas, os motores da transformação, no que diz respeito ao modelo de comunicação que ajudaram a construir. Todavia, mais tarde ou mais cedo, Benfica e FC Porto — com o Sporting ainda na corda bamba — vão conhecer mudanças estruturais e geracionais e, com as condicionantes económicas que a pandemia vai impor, este halo de mudança será imperativo.

Esperemos que, até lá, se faça progressivamente o real desmantelamento dos exércitos especializados em produtos tóxicos. O futebol português merece que os seus méritos sejam exaltados, sem o contributo químico de guerras e jotas. E é neste contexto que precisamos de Jorge Jesus, Sergio Conceição e mais Vítores Oliveiras. E de um país que saiba honrar o valor da rivalidade e do desportivismo.

NOTA… DE ESCABECHE - A final da Taça de Portugal desta noite em Coimbra pode assemelhar-se a uma ida a um restaurante, pedir carapaus de escabeche, e trazerem-nos apenas os carapaus, com o argumento de que o (molho de) escabeche acabou. Pode ser bom, mas não é a mesma coisa.

publicado às 05:02

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Apesar de o Sporting ter terminado a edição 2019-20 da I Liga em quarto lugar, atrás do SC Braga, Frederico Varandas garante que os bracarenses jamais poderão rivalizar com a grandeza dos leões:

"Não é por uma ou outra época menos bem conseguida que alguma vez o SC Braga vai conseguir ser o que o Sporting é. Repare no exemplo do Liverpool! Esteve 30 anos sem vencer o campeonato, fez épocas muito aquém do seu passado e, no entanto, nunca deixou de ser um gigante.

O Sporting mesmo numa época atípica de 4º lugar... será sempre um gigante e jamais o SC Braga será um rival, com todo o respeito que o SC Braga nos merece".

O presidente do Sporting diz que a má época da equipa principal também é justificada por erros de arbitragem, sobretudo após o reatamento do campeonato.

"Como é obvio, o Sporting foi severamente prejudicado nesta retoma do campeonato. Quando eu vejo o lance do Coates em Moreira de Cónegos e o árbitro Tiago Martins, mesmo tendo sido chamado pelo VAR a ver aquelas imagens, a considerar que não é penálti fico muito preocupado com a competência desse árbitro. Mas não foi só essa situação. Recordo-me por exemplo dos jogos contra Paços de Ferreira e Tondela em casa, em que vários penáltis ficaram por marcar, apesar de termos vencido esses dois jogos".

A propósito do regresso de Jorge Jesus: "Desejo-lhe o melhor, excepto profissionalmente".

Excerto de um texto de António Tadeia:

Sei que o Sporting é um campo minado para o qual nem a guerra civil do Afeganistão prepara um homem. Costumo mesmo dizer que o futebol português está de tal modo que sempre que se vê um debate ele acaba com portistas a insultar benfiquistas, benfiquistas a insultar portistas e sportinguistas a insultarem-se uns aos outros.

No caos que resultou dos processos de afirmação (primeiro) e implosão (depois) do “brunismo”, em que muitos sportinguistas quase regozijam com a temporada com mais derrotas da história do clube só para poderem dizer “votaram nisto? Agora aguentem!”, não deve ser fácil vir reconhecer culpas próprias em público, porque isso equivale a dar munição aos saudosistas de um passado que não regressa, que nem por isso hesitariam por um segundo em apontá-las directamente à cabeça de quem manda".

publicado às 12:37

In(coerência) personalizada

Rui Gomes, em 09.07.20

img_920x518$2019_12_03_14_33_19_1634470.jpgO futebol é um desporto propício ao erro por existirem contactos permitidos e justificados pela grande falta de objectividade das leis de jogo. O factor humano é sempre decisivo na forma como os árbitros analisam e punem as situações em campo, muitas vezes alegando questões de interpretação para justificá-las. O jogo em Moreira de Cónegos é um exemplo clássico pela forma como a ‘interpretação’ é utilizada para justificar o injustificável, contando com a ‘cumplicidade’ de alguns especialistas.

No início do jogo, há um penálti por assinalar sobre Jovane após rasteira de João Aurélio, o árbitro nada assinala e o VAR ignora a situação. Erro apontado pelos especialistas. Halliche é expulso por destruir uma clara oportunidade de golo, o defesa perde a bola e, na tentativa de recuperá-la, impede a progressão do adversário, existindo posteriormente uma troca de braços entre os jogadores. Árbitro assinala, o VAR valida. Erro apontado por alguns especialistas, justificando que o atacante agarra.

No final do jogo, uma camisola é bem agarrada e esticada dentro da área. O árbitro nada assinala, o VAR alerta para penálti e, após ver as imagens, o árbitro insiste em não punir o óbvio. Especialistas que até já tinham interpretado uma falta atacante na expulsão de Halliche, desta vez com a camisola visivelmente agarrada e esticada, defendem a decisão final do árbitro!

Texto de Marco Ferreira, em Record

publicado às 04:19

É a cabeça que faz o homem

Rui Gomes, em 06.07.20

Descobridores de pérolas que somos, tecemos agora loas a Rúben Amorim com a mesma cega certeza que tínhamos no futuro grandioso de Bruno Lage na Luz. Ignorando, vá lá saber-se porquê, que tudo dando aos audazes, nada o futebol lhes garante.

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Não é preciso ir muito mais longe, basta ver o caso de José Mourinho, o melhor treinador português pelos títulos que conquistou, e que ainda conseguiu um grandioso feito que dificilmente outro técnico lograria: interromper, em Espanha, a hegemonia absoluta do Barcelona, numa altura em que os catalães dispunham daquela que foi, talvez, a mais fabulosa equipa da história do futebol.

Certo é que após o insucesso no Chelsea, Mou foi despedido pelo Manchester United e sofre hoje as consequências de um regresso algo precipitado à ribalta – os "spurs" eram uma opção de alto risco – com o Tottenham a cair para a nona posição na Premier. E a poder ficar mesmo fora da Liga Europa e a complicar muito a vida de um treinador que, aos 57 anos, acumula um capital inigualável de experiência, conhecimento e mediatismo, que chegaria, numa actividade normal, para o manter no topo até à eternidade. Mas o futebol depende de demasiados imponderáveis para que se possa definir um objectivo e ter uma garantia mínima de o poder cumprir.

Rúben Amorim parece dispor de uma consciência da realidade diferente da que exibia o ex-treinador do Benfica, cuja postura misturava a afabilidade com o convencimento de quem viera para ficar. Declarações de Amorim como "é trabalho, sorte e tudo misturado" ou – sobre Lage – "um dia é ele, outro dia serei eu" são sinais de maturidade e sabedoria. E revelam a convicção plena, e nada artificial, que o futebol é o momento e que uma bola que bate na trave ou um erro do VAR podem precipitar uma crise que se abaterá sobre o que Carlos Carvalhal considera "a zona mais frágil" – a cabeça do chefe da equipa, claro.

Permanecendo a dúvida, vivamos então um dia de cada vez. E o de hoje mostra-nos um profissional preparado para liderar, um trabalhador paciente, um estratega sagaz e, especialmente, um hábil "colador de cacos". Amorim começou por pôr a nu uma evidência negada pela insensatez de gestores de aviário: vale mais – muito mais! – recuperar talentos "perdidos", como Jovane Cabral, ou lançar jovens promissores, como Eduardo Quaresma, fontes de receitas futuras, que gastar fortunas com barretes grotescos, como Jesé ou Bolasie. Parece simples? E é, mas houve necessidade de fazer descer de Braga à capital a inteligência capaz de explicar o óbvio aos entendidos zero.

Resta o que há de vir, que será o que for, mas a mentalidade de Rúben Amorim faz-me acreditar no seu êxito. Em Alvalade ou noutro sítio qualquer. Porque é a cabeça que faz o homem.

Um último parágrafo para uma simples pergunta: após 42 jogos em que consegue apenas 13 vitórias, um treinador deixa o clube porque "bate com a porta" ou porque quem lhe pagava o quis ver pelas costas? É isso, leitor, a sua resposta é igual à minha.

Texto de Alexandre Pais, em Record

publicado às 02:18

A vida difícil do leão

Rui Gomes, em 05.07.20

21312452_L0T3b.pngAs mais recentes vitórias são um bálsamo para os sportinguistas após boa parte da época ter-se revelado muito penosa. O despedimento prematuro de Keizer e a aposta a destempo em Silas passaram uma factura desportiva grande. A chegada de Rúben Amorim, por muito que sejam criticáveis os 10 milhões pagos pelo jovem técnico, trouxe uma lufada de ar fresco a Alvalade. Tanto desportivamente, com a série de vitórias assinalável, como no discurso.

Mas a estrutura leonina, no caso Frederico Varandas, Hugo Viana e Amorim, entende que o plantel de momento à disposição – e que tão boa conta está agora a dar do recado, diga-se – não vai chegar para as encomendas. E para a exigência. Em Alvalade não resistem a dizer que vão lutar pelo título, por muito que se olhe para a realidade e ela diga que o recato nas palavras era mais aconselhável. Tanto presidente como técnico sabem que a pressão, o público nas bancadas hostis e uma época carregada de datas não se faz só com miúdos, por muito que a fé neles depositada seja real.

É vital que cheguem reforços de qualidade. Como fazê-lo sem dinheiro é complicadíssimo. Mas a verdade é que a argúcia de Varandas, Viana e Zenha será determinante para o futuro de Amorim. Sem ovos não há omeletas, por genial que seja o chef.

Texto de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 02:17

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