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Reflexão do dia

Rui Gomes, em 09.05.19

 

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"(...) O desequilíbrio crescente do campeonato é uma realidade. A tendência não é nova e tem-se agravado nos últimos anos, desde que a UEFA começou a colocar os clubes da Champions a nadar em dinheiro. Mais: não é um exclusivo do português – basta olhar para o que acontece habitualmente em Espanha, França, Itália ou até na Alemanha, apesar da temporada mais atípica do Bayern. Os grandes estão cada vez maiores, em alguns casos maiores do que as próprias ligas.

 

O grande paradoxo é ver que são grandes de Portugal os primeiros a pedir proteção antes das jornadas europeias, argumentando que estão a representar os interesses do país e a contribuir para o ranking. Nada mais falacioso: o ranking de clubes da UEFA é algo que não aquece nem arrefece 14 ou 15 equipas do campeonato. Fazê-las submeterem-se aos interesses das maiores é contribuir para a ditadura".

 

Sérgio Krithinas, Director Adjunto Record

 

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publicado às 05:32

 

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A generosidade do jornal A Bola - ao dedicar meia página à conquista europeia da equipa de futsal do Sporting - é algo surpreendente, mas o Record, pela evidência à vista, nem se deu ao incómodo de disfarçar as suas prioridades.

 

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Já o jornal O Jogo recomenda o uso de uma lupa para se ler a notícia sobre o Sporting. Não se esperava muito, mas isto é nada menos do que ridículo.

 

Ficamos a saber, portanto, que a vitória dos encarnados em Braga, mesmo com arbitragem polémica à mistura, é mais importante que a conquista da Liga de Campeões de Futsal por uma equipa portuguesa.

 

Mais palavras para quê ?

 

P.S.: A publicação do cartoon do dia, obra de Henrique Monteiro, a ilustrar o menino prodígio a "mergulhar na piscina", fica para mais tarde. 

 

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publicado às 04:47

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 15.04.19

 

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Os três grandes venceram de forma clara e a boa notícia é que, pelo menos esta semana, não haverá extensímetros ligados ou com discussões sobre foras de jogo de cabelos.

 

Na Luz, o SL Benfica repetiu o resultado da quinta-feira europeia, mostrando as mesmas virtudes e defeitos: muita qualidade na frente e alguma tremedeira em situações em que se exigia um controlo maior da bola e do próprio jogo. Palmas para o V. Setúbal, que soube encarar o adversário e não se deixou afundar com o golo sofrido aos 2’.

 

Quem deu a entender que até já desistiu mesmo antes do jogo começar é o Marítimo, a próxima equipa a visitar a Luz. Edgar Costa e Joel Tagueu forçaram amarelos diante do Feirense que os deixam de fora do jogo com o Benfica, juntamente com Zainadine.

 

Na UEFA, quem ousa fazer algo semelhante é punido com um jogo extra de suspensão, no mínimo; em Portugal, os regulamentos nada prevêem. Petit – louve-se, pelo menos, a honestidade – assumiu que se tratou de uma mera estratégia, lembrando que também tinha poupado futebolistas no encontro do Dragão com o FC Porto.

 

O Marítimo até pode acabar por obter um resultado positivo na Luz, mas ninguém de bom-senso pode achar que será mais fácil sem alguns dos melhores jogadores. Este é um problema da prova: o desequilíbrio é tal que já chegámos ao ponto em que alguns jogos não vale a pena disputar. Vamos assobiar para o ar?

 

Sérgio Krithinas, Director Adjunto Record

 

Nota: "Louve-se, pelo menos, a honestidade de Petit"... ???

 

Octávio Machado: "A confissão de Petit é uma vergonha".

 

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"O problema do futebol português é não se poder ser verdadeiro e diferente dos outros. A gestão do plantel deve ser feita pelo chefe de equipa que é o Petit, que procura geri-lo da melhor forma e tem de o fazer da forma que lhe pode garantir mais pontos.

 

A verdade às vezes é dura. E também é cruel para quem é verdadeiro. As pessoas podem interpretar da forma que quiserem, mas a nós compete-nos gerir, pois na hora da aflição ninguém nos deita a mão".

 

Carlos Pereira, presidente do Marítimo (hoje)

 

O mesmo que em 29 de Abril de 2013, no dia de jogo com o Benfica, disse isto:

 

"Ambas as equipas vão querer vencer. Nada farei para que o Benfica não seja campeão, mas também nada farei para que o Marítimo não vá à Liga Europa".

 

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publicado às 12:00

Competência de grandes

Rui Gomes, em 14.04.19

 

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Um sábado gordo para Sérgio Conceição e Marcel Keizer. O primeiro venceu com inteira justiça e sem espinhas em Portimão, com a equipa a responder presente após Liverpool. O segundo mostra ao SC Braga que está a levar a sério a questão do pódio e com isso a reafirmar de forma séria o estatuto de grande que os homens do Minho almejavam. 

 

Marega acabou com o jejum, Brahimi mostrou compromisso com o objectivo da época e isto num jogo sem casos, a não ser o relvado artístico de Portimão, bonito de facto, mas péssimo para se perceberem os foras-de-jogo. Felizmente foi tudo claro. Ou teríamos conversa para a semana toda.

 

Na Vila das Aves um triunfo que é uma demonstração clara de força do grupo treinado por Keizer. Perder o guarda-redes aos quatro minutos, sofrer o golo do empate num penálti cometido pelo homem que entrou e ainda assim dominar e ganhar de forma claríssima por 3-1... eis algo que parecia impossível aos leões há algum tempo.

 

A verdade é que o técnico holandês soma a sétima vitória consecutiva e consegue superar uma luta pessoal com o seu homólogo Abel Ferreira que chegou a parecer perdida. Para além disso, há Luiz Phellype, o avançado económico que vai marcando.

Sim, também ainda houve Bruno Fernandes, mas isso quase já não é notícia. Que craque o capitão leonino!

 

Bernardo Ribeiro, Director jornal Record

 

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publicado às 11:20

O pior vem a caminho ?

Rui Gomes, em 10.04.19

 

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Se isto é de algum modo indicativo do que vem a caminho, não será exagero algum esperar o pior.

 

A outra questão que nos afronta de momento, é esta informação ter chegado às mãos do jornal Record antes de ser divulgada aos sócios (e adeptos) do Sporting. Isto, partindo do princípio que corresponde à realidade dos factos.

 

Esta antecipação de informação tem em vista informar ou destabilizar ?

 

Nota: Retirei todas as ligações a reportagens do Record  porque me chamaram a atenção que são "Premium", ou seja, a pagar, o que eu desconhecia.

 

Deixo aqui a ligação a uma reportagem da Tribuna Expresso, com um breve resumo do que constam as notícias desta quarta-feira sobre a Auditoria Forense do Sporting.

 

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publicado às 03:32

Campeão de uma só cor

Rui Gomes, em 09.04.19

 

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A guerra Benfica-FC Porto está a atingir níveis que chegámos a julgar impensáveis. As acusações sucedem-se e vão do ataque aos árbitros, de campo ou VAR, até à honorabilidade das equipas adversárias, vide as dúvidas dos encarnados em relação ao Feirense. Se havia quem pensasse que o desaparecimento de Bruno de Carvalho da cena pública iria melhorar o debate e comportamento dos clubes, a esta altura já deve ter percebido que o ex-presidente leonino não era o único problema. As culpas pelo nojo vigente têm de ser repartidas por mais gente e emblemas. 

 
O principal problema das duas cruzadas pela verdade desportiva é encerrarem uma questão péssima para a liga; ganhe quem ganhar, seja Benfica ou FC Porto, só os adeptos desse clube acreditarão no título. O facto de ambos terem as respectivas máquinas de propaganda a bombardearem diariamente o espaço público com a verdade a que acham que os adeptos têm direito vai fazer com que mais ninguém acredite na justiça da conquista. A cada ataque que fazem um ao outro, águias e dragões diminuem o significado do título que perseguem. Não no acesso aos milhões da Europa. Mas aos olhos de todos nós. E isso é uma pena...".
 
Bernardo Ribeiro, Director jornal Record
 

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publicado às 04:48

Os corredores do poder obscuro

Rui Gomes, em 27.03.19

 

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"César Boaventura e Vítor Catão. Uma boa imagem do lado podre do futebol português. O mais grave de tudo isto, mais ainda do que as acusações feitas, que valem o que valem até serem validadas pela justiça nacional – e esperemos que haja alguém que averigue tudo isto, porque no meio de tanta sujidade algo se deverá encontrar – é estes serem agentes do nosso desporto. Como chegam estes homens aos corredores do poder? Como são próximos de presidentes? Em que expedientes estão metidos? Assustador".
 
Bernardo Ribeiro, jornal Record
 
 

Dependendo do contexto, obscuro pode ter diversas acepções:

 

1 – Obscuro pode qualificar algo sombrio, medonho, tenebroso, pouco promissor, lúgubre, inquietador.

 

2 - Obscuro, no sentido figurado, é algo difícil de entender, confuso, enigmático para se decifrar, algo que não está claramente visível ou declarado.

 

3 - Obscuro também pode ser algo desconhecido, ignorado, encoberto, de que não se tem informações ou que não se destacou.

 

4 – Obscuro é algo que não se define, vago, confuso, que não se distingue.

 

Será que tudo isto serve para descrever com exactidão a actualidade do futebol português?

 

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A previsível capa do previsível Correio da Manhã

 

*** Reportagem do Record , esta quarta-feira, com título bem visível em letras douradas ... "Notáveis desacreditam polémica com Catão"

 

"Record contactou cinco notáveis benfiquistas e a maioria deixou claro que as acusações fundamentadas pelo director do São Pedro da Cova ao Benfica e a Luís Filipe Vieira não devem ser tidas em conta. "Isso é de gente que não merece qualquer credibilidade...".

 

Até poderemos subscrever essa adjectivação, mas nem por isso deixamos de reflectir... o César Boaventura é "gente" credível, apenas por ser amigo da casa ?

 

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publicado às 03:19

Que Rui Pinto não se iluda

Rui Gomes, em 25.03.19


«"Portugal está podre!" - atirou Rui Pinto no dia em que, na Hungria, conheceu a decisão do tribunal em extraditá-lo para Portugal.

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A expressão chocou parte da ‘intelligentsia’ nacional, a mesma que, nas suas fragilidades e dependências, alimentaram o sistema que levou ao colapso do BES. "Está podre?!" Não. Não está. Como pode estar podre um País cujos apoios aos bancos já custaram, em nove anos, a partir de 2008 — segundo o Tribunal de Contas — 16,8 mil milhões de euros? Como pode estar podre um País que obrigou os contribuintes a financiar este custo, faltando depois dinheiro para investimento público e para melhorar a qualidade de vida dos portugueses?

 

Como pode estar podre um País que, confortável perante a apatia dos "coletes anémicos", se diverte a "bastonar" sem piedade os contribuintes, chamados a pagar todos os abusos, os dislates e os ‘chás dançantes’ das elites — de direita e de esquerda —, nada preocupados em fazer pagar a factura aqueles que são os verdadeiros culpados do gigantesco buraco em que colocaram o País?

No futebol, não sei se é melhor ou pior, mas o mal é semelhante e resulta tudo da mesma causa: o sentimento de impunidade. Como o Apito Dourado não teve as consequências que deveria ter tido, e não obstante a evolução que o sistema judicial conheceu em Portugal nos últimos anos, continua a achar-se que a construção de um novo poder ou a alternância de poderes se pode fazer numa mesma base de viciação orgânica. Pode mas não deve.

Aliás, esse é precisamente o problema de visão de Luís Filipe Vieira, presidente do maior clube desportivo português, em número de adeptos e em capacidade de gerar receitas e faturação acima de todas as entidades rivais.

 

Está a fazer uma boa gestão, assente desportivamente em pilares de desenvolvimento e crescimento interessantes, mas é incapaz de travar todos aqueles que vão projectando uma imagem tremendamente negativa do clube, seja nos espaços televisivos de debate, seja através de pontas-de-lança que enxameiam as redes sociais, seja através de intermediários que, montados em cima de ‘boas aventuranças’, metem-se em assuntos que nada têm a ver (ou têm?!) com transferências de jogadores.

Na verdade, bastava a Luís Filipe Vieira e a Jorge Nuno Pinto da Costa enterrarem de vez estes prosélitos do futebol marginal para tudo começar a mudar. A sensação que se colhe é a inversa; é a percepção de que precisam desses ‘anfíbios’, capazes de se moverem em qualquer tipo de ambientes e terrenos, mesmo os mais enlameados, para fazer a afirmação do seu poder. Talvez seja uma questão de e da natureza.

 

E por isso eu tenho sugerido a Luís Filipe Vieira que se agarre aquilo que verdadeiramente interessa (o cumprimento do seu projecto, nas vertentes desportiva e financeira), fechando a botija de oxigénio a quem se sente confortável com aquilo que eles consideram ser o patrocínio do Benfica, achando-se por isso ‘intocáveis". Não serão afinal Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira mais próximos do que aparentam?…

 

Um excerto da crónica semanal de Rui Santos, no jornal Record.

 

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publicado às 12:55

 

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1. O que pensa das duras críticas feitas por José Maria Ricciardi à liderança de Frederico Varandas? 

"Conheço o dr. Ricciardi muito bem e estou muito surpreendido. É de um messianismo completamente despropositado. Foi copiosamente derrotado nas eleições e mais do que Messias, precisamos de paz e responsabilidade. Tenho estima pessoal por Ricciardi, mas não me revejo minimamente nisto".


2. E como classifica a liderança de Frederico Varandas até ao momento? 


"Acho que procura construir algo após uma situação calamitosa. Sempre fui um crítico do estilo e conteúdo da última Direcção, não apenas após Alcochete. Varandas poderá não ter acertado sempre, mas tenta reerguer o Clube com humildade, discrição e uma equipa jovem que terá de, por vezes, errar. Mas a herança era terrível".

3. Do que precisa então o Sporting?


"De muita paz e estabilidade. De sócios unidos, que tenham paciência. Isto parece-me fundamental. Messias e salvadores da pátria tiveram um efeito terrível no clube, tanto no passado recente, como mais longínquo. É uma das explicações para a ausência de títulos. Repito, é preciso paz. Sem ela, não se faz nada.»

 

Bernardo RibeiroDirector de Record

 

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publicado às 04:17

O leão, lições e venha a Liga

Rui Gomes, em 29.01.19
Após um dia de festa merecida com a conquista da Taça da Liga e o pomposo e enganador título de campeão de inverno, eis que o Sporting está de volta à normalidade e com Varandas a arrumar a casa. Não se pode dizer que o período de mercado esteja a correr mal.
 

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A chegada de Tiago Ilori é apenas mais uma boa notícia, por muito que o regresso do central seja uma aposta de risco. Os leões não têm capacidade de investimento para jogadores de primeira linha e tentar fazer renascer o talento de alguém que em miúdo parecia destinado ao sucesso, pode valer a pena. Vai depender de Keizer, mas ainda mais do jogador. Há muito quem não tenha uma oportunidade assim. 

 
Por muito que Sp. Braga e FC Porto tenham dificuldades em engolir o triunfo leonino, a verdade é que este foi merecido. Dá um pouco a ideia de que ambos subestimaram a equipa de Keizer. Quem ouviu Abel e Sérgio ficou com a sensação de que estão os dois convencidos de que foram muito superiores. Esquecendo, porém, que no futebol é preciso marcar mais do que o adversário. Há lições a tirar das derrotas. Esta é clara. 
 
A Liga vai regressar. O FC Porto sentirá o abalo? O Benfica confirmará as melhorias? O Sp. Braga é candidato a algo? Que Sporting depois de uma conquista? O futebol segue dentro de momentos.
 
Bernardo Ribeiro, jornal Record
 
 
Ao parágrafo em que Bernardo Ribeiro comenta a contratação de Tiago Ilori, anexamos a opinião do leitor Pepeu:
 
"Tiago Ilori não me entusiasma, seja pela forma como será sempre visto com algum estigma, seja sobretudo por ser alguém que não evoluiu na exacta medida daquilo que se perspectivava dele.

Hoje em dia é um jogador perfeitamente banal, igual a tantos outros, que só um clube como o Sporting se lembraria de ir rebuscar...

Vamos lá a ver!

O Sporting investe em estrutura técnica e dirigente. Reforça-se com supostos elementos que oferecem maior competência à sua gestão desportiva e, no meio de tanto trabalho em "scouting", o melhor que consegue é ir buscar este?!...".
  

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publicado às 04:04

Melhorar a manta curta

Rui Gomes, em 11.01.19

 

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"Sem dinheiro para milagres de qualquer espécie e com um clube para reorganizar, Frederico Varandas vai tentar em Janeiro dar ao plantel leonino mais qualidade, ainda que sem grandes nomes para titulares à primeira vista. Investimentos pequenos e cirúrgicos, aliados a saídas de jogadores claramente excedentários e a quem nem José Peseiro nem agora Marcel Keizer reconhecem qualidade.

Pode parecer pouco mas não é. O Sporting tem hoje um onze interessante, mas a que falta claramente banco para poder aspirar a mais. Defendo que o leão não é candidato ao título porque saiu demasiado enfraquecido do terror em Alcochete e é precisamente nas segundas linhas onde é necessário dar um pulo de grande qualidade.

O Sporting não pode paralisar de medo quando não tem um titular. Uma onda de lesões é uma coisa. Perder em Tondela porque não se tem Bas Dost é outra. Até porque neste caso fica por perceber por que não foi chamado e utilizado Luiz Phellype. Quem joga e marca no Paços de Ferreira não precisa assim de tanta ambientação. Diria que aqui foi Keizer quem falhou e não o plantel. Ao contrário de Guimarães, onde a coisa pareceu não dar para mais.

Os leões estão hoje muito longe de FC Porto e Benfica. Recuperar passa também por isto. Mais qualidade".

 

Bernardo Ribeiro, jornal Record

 

 

Nota: Montero sofreu um traumatismo no tornozelo direito numa das sessões de treino desta semana e está em dúvida para o jogo de sábado. Com ou sem ele, veremos se desta vez Luiz Phellype é chamado por Marcel Keizer.

 

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publicado às 04:16

Cristiano Ronaldo comenta Alcochete

Rui Gomes, em 31.12.18

 

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Record - Tem o Sporting no coração. Como acompanhou todas as notícias da invasão da Academia de Alcochete? Estupefacto? Incrédulo? Indignado?

 

"Um pouco disso tudo e também preocupação pelos amigos que tinha e tenho no plantel. Por outro lado, um grande sentimento de tristeza por ver uma situação destas acontecer no Clube do meu coração, que acabou por sair também fortemente prejudicado".

 

Cristiano Ronaldo em entrevista, hoje publicada na íntegra na edição impressa do Record.

 

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publicado às 04:16

 

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Nani concedeu uma entrevista ao jornal Record, publicada esta quarta-feira. Eis algumas das suas considerações que considero de maior interesse:

 

Regresso ao Sporting

 

"O que aconteceu no clube deu-me ainda mais força para vir. Queria estar tranquilo e desfrutar de jogar futebol. Tinha mesmo de ser aqui, em casa, no meu clube. Foi aqui que cresci e saltei para grandes palcos. Deixei muito dinheiro para trás, mas já não é a primeira vez. Quando fui para o Valência tinha propostas milionárias da China, que bateu muitas vezes à porta.

 

Nasci para jogar futebol, é a minha paixão, se não tivesse já ganho muito dinheiro, poderia ir para a China, mas como já ganhei algum, posso dar prioridade à família e a mim, como jogador".

 

A derrota em Guimarães e o título

 

"A derrota não vai afectar o nosso crescimento porque os processos continuam a ser assimilados, e esse crescimento não vai sair beliscado. O treinador já nos tinha dito que não iríamos ganhar sempre, não há drama. Vamos trabalhar para voltar às vitórias.

 

Ainda é muito cedo para se falar em corrida ao título. A meio da segunda volta sim, se estivermos nessa posição, a dois pontos do líder, por exemplo. Aí sim poderemos falar de título. Por agora, há muita corrida pela frente e temos é que mostrar qualidade, evolução e humildade".

 

José Peseiro

 

"Acho que fez um bom trabalho, não era nada fácil estar no seu lugar. Segurou o plantel, juntamente com os jogadores mais experientes. O nosso objetivo inicial era ganhar pontos e autoestima e foi isso que conseguimos. Só que houve sempre uma contestação em relação à forma como ganhávamos. Não era bonito, sempre no esforço, na raça. Mas eu sempre disse que mais valia ganhar mal, porque poderíamos e iríamos melhorar.

 

Nunca pensei que pudesse sair. Foi uma decisão que nos surpreendeu a todos porque foi muito rápido, mas as razões foram explicadas e tivemos de concordar. Somos jogadores, e não somos nós que tomamos as decisões e por isso não temos de opinar sobre nada".

 

Alcochete

 

“Já ninguém se lembra disso! Quem gosta e vibra com o futebol já esqueceu. As pessoas que sofreram mais com essa situação já não se lembram. Não vale a pena falar mais sobre isso, pois a maioria tenta ao máximo que não se fale. Se falarmos, recordamos”.

 

Bruno Fernandes

 

 “Não foi o Bruno que tomou esta decisão [de rescindir contrato]! Talvez um empresário, um familiar. Fizeram-lhe a cabeça e ouviram os ‘dlim-dlims’ [faz o gesto de moedas a cair]. Disseram-lhe logo que era uma oportunidade e uma hipótese de encaixar uns 5 milhões… É aquela ilusão! Por causa disto, muitos dão tiros nos pés, pois esquecem-se que, para enriquecer no futebol, é preciso jogar à bola”.

 

O anti-jogo em Portugal

 

“Não sou a favor do antijogo, não gosto de ver um jogador a ficar no chão a reclamar. Aqui, em Portugal, é uma pouca-vergonha, desculpem-me dizer isto, mas é uma coisa que temos de melhorar.

 

Fomos jogar com o Santa Clara e o lateral-esquerdo, o Mamadu, um gajo cheio de músculos que até me enervou. Cada vez que lhe tocava era ‘ahhh’! Eu só lhe disse: ‘Estás sempre a gritar, mano’…. Até o árbitro disse que era verdade e pediu-lhe para parar com os gritos. Qualquer toque com a mão na cabeça, por trás, ouve-se um ‘ahhh’! Também grito, não digo que sou um santinho, mas não é em todos os lances. É só sentir que estão pressionados e sentem um toquezinho. Não dá para jogar futebol assim!”.

 

A saída de José Mourinho do Manchester United

 

“É um grande treinador, com um excelente currículo e que já demonstrou, várias vezes, que é um dos melhores do Mundo. Os resultados não aconteceram, mas sabemos que este tipo de processos levam tempo.

 

O problema é que um clube como o United não pode, nesta altura, esperar tanto tempo como há uns anos, quando Ferguson pegou na equipa. Ele esteve 10 épocas sem ganhar o título!”

 

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publicado às 03:17

Tondela e Sporting

Rui Gomes, em 21.11.18

Os leitores que generosamente se interessam por esta coluna, perguntarão qual o racional deste, aparentemente, estranho título.
 
Explico.
 

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O Tondela tornou público há dias, que vendeu a maioria do capital (80%) da sua SAD, a um grupo internacional, já proprietário do Granada e do Parma.

 
As razões são por de mais cristalinas: o Tondela não tem músculo financeiro para aguentar um projecto sustentável na primeira divisão e, assim sendo, vende as suas acções a quem, alegadamente, o tem.
 
Este é, pragmaticamente, o destino escrito de muitos clubes em Portugal; já aconteceu com o Famalicão, Belenenses e o Estoril, e, muitos outros, na minha opinião, se seguirão.
 
A alienação não é um caminho necessariamente mau, tem é de ser regulamentado.
 
Por duas razões: em primeiro lugar, porque o fenómeno desportivo, atrai capital ligado a actividades ilícitas, desde o branqueamento de capital ao match fixing, e faz-me impressão que, em Portugal, qualquer pessoa possa ser dona de uma SAD.
 
Em segundo lugar, porque já houve clubes que foram no canto da sereia e se entregaram a vendedores de ilusões, com desfechos catastróficos, como foram os casos do Olhanense, do Beira-Mar e do Atlético.
 
Defendo, por isso, que em sede de auto-regulação, se justifica haver uma verificação de idoneidade prévia, de qualquer entidade, que queira investir no futebol profissional.
 
O que tem isto a ver com o Sporting? Muito simples; os sócios do Sporting têm defendido e bem, que o Clube deve manter a maioria do capital da SAD.
 
Só que este legítimo desiderato, comporta uma obrigação: se se veda a outrem o apport de capital à SAD, terão de ser os seus accionistas e, em última análise, os sócios e adeptos do Sporting, quem tem de providenciar pela sua sustentabilidade financeira. Já disse e repito, acabaram os bancos, as entidades públicas e os salvadores da pátria.
 
Trocando por miúdos: o Sporting tem dois desafios financeiros pela frente, a subscrição do empréstimo obrigacionista e a recompra das VMOC; sem os resolver, entrará num ciclo de fragilidade, que pode culminar, com a maior das fragilidades, na perda da maioria da SAD. 
 
O sportinguismo de cada um de nós está à prova. A não ser que queiramos acabar como o Tondela, sem desprimor, claro está.
 
Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record
 
*** O autor, devoto sportinguista, também participou na reunião realizada em Alvalade na segunda-feira, referenciada neste nosso post.
 

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publicado às 03:48

Que fazer com a Juve Leo ?

Rui Gomes, em 14.11.18


Este artigo já estava pensado antes da detenção do líder da Juve Leo e as consequentes reflexões não são afectadas por essa circunstância.

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Assisti ao aparecimento, ainda no Estádio antigo, da Juve Leo; foi uma lufada de ar fresco, uma alegria contagiante no apoio à equipa, uma plástica inovadora, abrilhantada com a música dos Vapores do Rego. Nesta, como em muitas outras frentes, o Sporting inovou, foi o primeiro.

Outros comentadores mais abalizados explicarão as razões desportivas, e outras, que conduziram à subversão deste espírito inicial e empurraram a Juve Leo para aquilo que hoje é. Não quero adjectivar, mas quero dizer que nesta história não há inocentes, de agora ou de antes.

Em minha opinião, há coisas que mais vale atalhar do que remediar; o que a Juve Leo fez assume tamanha gravidade que é inaceitável à luz dos valores que devem reger o clube e este não pode deixar-se ficar.

Com todo o respeito, não creio que o assunto se resolva com a proibição de ir no charter da equipa ou no encurtamento do prazo de reembolso dos bilhetes; compreendo a boa intenção, mas viu-se a reacção e esta diz tudo.

O Sporting CP tem, de uma vez por todas, de demarcar-se da Juve Leo; e, se não a pode juridicamente extinguir, pode exercer os seus direitos enquanto entidade promotora do espectáculo desportivo, nomeadamente denunciar com justa causa o protocolo existente, proibir o acesso ao estádio, acabar com as tolerâncias e o apoio financeiro.

Costumo dizer que a Justiça distributiva em Portugal só poderá existir quando houver um governo que não ceda à chantagem dos sindicatos dos professores (os funcionários mais bem pagos de Portugal, na opinião da OCDE); só existirá paz no Sporting no dia em que o clube se livrar da nefasta dependência da Juve Leo.

A argumentação de que tudo é permitido porque esses adeptos é que se sacrificam pelo clube e o apoiam em todo o lado tem limites. Haja alguém que assuma que gente da laia de Fernando Mendes ou de Mustafá não é digna de chefiar uma claque do Sporting, que comportamentos como Alcochete, as tochas em cima de Rui Patrício, as intimidações e agressões, a ordinarice das palavras de ordem não são toleráveis e que, conclusão lógica, a Juve Leo, tal como é hoje, não tem lugar, não encaixa nos valores e práticas do clube.

Se houve, no passado, o rasgo de criar a Juve Leo, haverá que ter agora a clarividência de acabar com ela. Até porque há mais claques e outras podem ser criadas. E haverá sempre, mas sempre, adeptos que apoiem o clube.

 

Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record

 

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publicado às 04:18

O dia em que Acuña voltou do exílio

Rui Gomes, em 05.11.18

 

Tiago Fernandes, de cabeça fresca, viu de imediato o que nos parecia absurdo mas que José Peseiro teimava em ignorar: a qualidade de Acuña exangue no exílio da lateral. E ontem, em São Miguel, um rosto novo, uma mudança inteligente, uma energia recarregada e a atitude dos jogadores – sempre eles! – fizeram a diferença. 


Atrasado mental.jpgPara ser sincero, também me apetece defender José Peseiro, que em quatro meses no Sporting e perante circunstâncias particularmente difíceis cumpriu uma tarefa responsável e abnegada que merece elogios. Abandonado pela nova direcção – e até pelo "padrinho" Sousa Cintra – com o talento no plantel reduzido a 50 por cento e detestado por muitos adeptos que pedem a Lua, o treinador acabou, como se esperava, despedido, e como não se esperava de gente tão civilizada, afastado como um incompetente e um inútil. Deixo-lhe um aceno de simpatia, a vida continua.


Coisa diversa de apoiar Peseiro são as críticas ao direito de Frederico Varandas de tomar as decisões pelas quais só ele responderá. Afinal, o técnico dispensado veio do desemprego para o Sporting e teve mais uma oportunidade, ainda que difícil, penosa mesmo, de desenvolver o seu trabalho. E cometeu erros como aquele que o levou a mexer demasiado na equipa que escolheu para defrontar o Estoril. Fê-lo de forma suicida, após haver conseguido, frente ao Boavista, a melhor exibição da época e de ter perdido com o Arsenal de novo com a ajuda da fiel companheira que nunca lhe falha: a bruxa dos últimos minutos.
 
Isso para deixarmos no esquecimento que o árbitro prejudicou claramente os leões na partida da Liga Europa, ao fazer vista grossa a uma falta para grande penalidade. Nada que tivesse excitado muito aquela "boa imprensa" que queria à viva força ver Paulo Sousa em Alvalade – ui... do que o Sporting se livrou!

O sucesso das empresas, no futebol ou fora dele, não se compadece com sentimentalismos, e Varandas fez bem em mudar de treinador se entende, e para isso foi eleito, que defende assim os interesses do Sporting. Apesar de ninguém, para além dele e do amigo dr. Araújo, estar a ver como poderá Marcel Keizer melhorar a situação de uma equipa que continua a competir, quase intacta, em quatro frentes, e que segue até, no campeonato, em terceiro lugar e com dois pontos de vantagem sobre o Benfica.
 
A alegria dos cemitérios com que o holandês do presidente Varandas será recebido em Lisboa prenuncia vaias sem fim ao presidente quando a bola não entrar – ele tinha em Peseiro, que não escolheu, um seguro de vida e rasgou-o – e recomenda a Tiago Fernandes que se mantenha atento: depois de ontem, já não é só o filho do maior «capitão» da história do Sporting.

E não foi o despedimento de Peseiro que motivou os assobios que esperavam nos Açores por Varandas. Ele precisará de grandes êxitos desportivos para esbater a imagem daquela figura veneradora que emergia como uma sombra do banco do Sporting, repetindo os gestos tantas vezes destemperados do querido líder – que viria mais tarde a abandonar. Nada lhe será perdoado, a memória é uma chatice.
 
Alexandre Pais, jornal Record
 

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publicado às 11:30

Castanha seca

Rui Gomes, em 24.10.18

 

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Eu não quero ser descortês nem injusto para com o Luc Castaignos, de alguma forma, o involuntário protagonista da crónica de hoje. Admito que o Luc seja uma jóia de rapaz e um atleta meritório; não duvido um minuto. Da mesma maneira, acho que o Luc não tem quaisquer condições para jogar no Sporting. Se dúvidas houvesse, a performance contra o modesto Loures, encarregou-se de as dissipar.

 
O Luc só joga no Sporting por três razões: nenhuma equipa o quer (o Vitesse mandou-o de volta), o Sporting não o conseguiu colocar e não há outros para jogar. Simplesmente não acho que o Luc seja o principal culpado da situação, antes pelo contrário, ele é mais vítima, porque seguramente dá o seu melhor em cada jogo; a culpa foi de quem o contratou, provavelmente porque foi barato ou tinha um empresário com argumentos persuasivos.
 
E aqui se situa o busílis da questão, na inusitada quantidade de Luc Castaignos desta vida que vão desfilando na equipa do Sporting, sem qualquer contribuição útil, votados a um irremediável anonimato.
 
Veja-se o caso do Doumbia, que, a custo zero (e muito a custo...), rumou para Girona, mas perdendo o Sporting os sete milhões e duzentos mil euros pagos pelo passe. E não falo no Sinama-Pongolle, que ainda me está a atravessado e custou mais do que isso.
 
O rácio de sucesso nas contratações do Sporting tem urgentemente de melhorar, porque por cada Bruno Fernandes e Bas Dost, ainda pesam os Alan Ruiz, Douglas, Shikabalas e quejandos, que não jogam, custam muito dinheiro e massacram os orçamentos. Se não há dinheiro, é indispensável haver mais critério.
 
Eu sei que nos mercados em que o Sporting se move a margem de erro é muito maior e que comprar o Diaby não é bem o mesmo que comprar o Harry Kane, mas impõe-se uma prática de rigor que evite estes erros de 'casting', para os quais o Sporting, por vezes, tem uma propensão recorrente.
 
É que, nesta vizinhança do São Martinho, não há nada mais desolador do que as castanhas secas, às quais nem sequer se consegue tirar a casca.
 
Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record

 

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publicado às 03:03

O futebol e a desunião

Rui Gomes, em 23.10.18

 

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O Sporting não está a jogar bem. Um facto que salta à vista de todos os observadores do futebol português e que não aconteceu unicamente frente ao humilde Loures, derrotado pela margem mínima. A pensar, e bem, na Liga Europa, José Peseiro lançou em Alverca uma equipa com alguns nomes alternativos como Castaignos, Mané ou Marcelo. Ainda assim, o leão tinha a responsabilidade de conseguir um resultado mais descansado e de ter jogado bem mais à bola, problema que vem evidenciando desde o início de época.

 
Daí à resposta que os elementos das claques deram aos jogadores vai alguma distância. Lembra-nos novamente como é autofágico o clube de Alvalade, tantas são as vezes em que dispensa inimigos para arranjar problemas. A equipa não jogou bem, é um facto. Peseiro ainda não encontrou forma de colocar o Sporting a jogar bom futebol, outro facto. Mas não merecerá uma equipa remendada mais algum apoio?
 
Mais, não há ali naquela bancada pelo menos um grupo organizado de adeptos que devia ter o pudor, para não dizer a vergonha, de não assobiar a equipa? É que há quatro meses estavam a atacar o plantel e o treinador em Alcochete, no que foi a maior vergonha de sempre do clube em mais de 100 anos de história.
 
Não fazia mal ter um pingo de decoro e pensar no que andam a fazer os grupos de... apoio. É grande a desunião e poucos os que realmente pensam no que dizem amar.
 
Bernardo Ribeiro, jornal Record
 

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publicado às 04:02

Milhões sem futuro

Rui Gomes, em 19.10.18

 

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A grande incógnita do futebol português – como será o nível da Selecção quando Ronaldo se retirar? – está a ser brilhantemente dissipada por Fernando Santos e uma nova geração de jogadores, que emocionam até às lágrimas, quando desatam a verter talento no jogo do conjunto. São geniais, sem deixarem de ser colectivistas. É na dinâmica colectiva que conseguem espraiar a sua genialidade. 

 

Estas dezenas de jogadores que fazem o trajecto desde as selecções jovens, a que se juntam alguns outros que só explodem já próximo da idade adulta, garantem que só um corte com o extraordinário trabalho que está a ser realizado na Federação Portuguesa de Futebol poderá de algum modo afastar-nos do actual nível de excelência. A próxima década está garantida. Poderemos aparecer sempre nos grandes momentos como candidatos aos títulos mundiais e europeus.

 

A montante desta superabundância de talento, capacidade atlética, cultura táctica, está o excelente trabalho desenvolvido pelos principais clubes portugueses na área de formação. 

É neste contexto que dificilmente se entendem e menos se aceitam os números que os clubes apresentam aos seus accionistas, associados, adeptos e à comunidade nacional.

Como podem explicar os responsáveis das SAD a venda de dedos virtuosos, ainda antes de encantarem devidamente todos os adeptos que os vêem crescer, e a compra de anéis de pechisbeque por quem se paga opíparos salários? 

Saem os Silvas, os Cancelos, os Félix, entram internacionais medianos de África ou das Américas. O encaixe dos milhões conseguidos à custa dos miúdos geniais que partem é desbaratado no salário dos banais que chegam. Não se veja nestas linhas qualquer laivo de nacionalismo bafiento, muito menos xenófobo. Quem chega para trabalhar deve ser bem acolhido e estimado. Mas custa ver, por exemplo, um André Silva sair do FC Porto tão cedo que poderia ter posto em causa o seu crescimento harmonioso, e pensar quão feliz ele ficaria, por mais dois ou três anos, no Porto, com um salário próximo do de Aboubakar. 

Não tem havido equilíbrio na gestão dos fluxos de vendas das estrelas jovens. Nos clubes, ninguém pensa no amanhã, tal a ânsia de antecipar receitas. Andamos a vender sementes, em vez de vendermos os frutos já bem maduros. Assim, os clubes nunca equilibrarão as suas contas. E talvez não voltemos a ver um grande de Portugal chegar a maior da Europa. 

 

Não venham dizer que, com o que se gastou em salários na época passada (FC Porto, 6.6 milhões/mês; Sporting, 6.2 milhões/mês; Benfica, 5.7 milhões/mês), as equipas dos nossos grandes clubes não podiam ser bem melhores e mais portuguesas.

 

Octávio Ribeiro, jornal Record

 

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publicado às 03:33

Um pequeno passo

Rui Gomes, em 18.10.18

 

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José Peseiro tem vindo a descrever cada vitória no trajecto do Sporting neste arranque de época como um pequeno passo. Assim tem sido, excepção feita ao tropeção em Portimão que obviamente não se compara com a derrota ‘mais natural’ sofrida em Braga. Mas a imagem do pequeno passo também se pode aplicar ao acordo que Frederico Varandas acertou em Londres com o Wolverhampton e que fecha o processo Rui Patrício. É um pequeno passo – e sobretudo será uma gota de água na fogueira dos problemas financeiros que o Sporting enfrenta – mas é efectivamente um passo na longa caminhada que o presidente leonino terá de fazer. Aguardamos pelos próximos.

 

Um ‘pequeno grande’ passo será também o que poderá dar Samaris se ao sair do Benfica assinar pelo Sporting ou FC Porto. No futebol indústria dos tempos modernos, como em qualquer actividade, há que perceber que um profissional estará hoje a defender a camisola de um clube e amanhã pode estar a defender a do rival. Com a mesma paixão. 

 

António Magalhães, director de Record

 

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publicado às 03:49

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