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Apreensões em tom de azul

Rui Gomes, em 25.02.21

Numa chuvosa noite de Janeiro de 2002 fui, com amigos, ver o Sporting jogar às Antas, com o FC Porto.

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O meu clube do coração com a contratação de Jardel despontava na classificação e aquecia o coração dos adeptos. O Sporting empatou a dois, embalou para o título, mas acabou aflitivamente o jogo com oito elementos, por força da arbitragem de Martins dos Santos, talvez das mais tendenciosas a que, alguma vez, assisti.

No Verão de 2007, Anderson Polga quer jogar a bola mas, estorvado por um adversário, esta vai parar ao guarda-redes, que a recolhe com a mão. O senhor Pedro Proença (esse mesmo!) assinala um inacreditável atraso intencional, e do livre dentro da área nasce o golo com que o FC Porto derrotou o Sporting.

Em 2012, Cédric está caído na área do Sporting, procura levantar-se e a bola vai bater na sua mão. O sr. Jorge Sousa marcou um penálti clamoroso e o FC Porto ganhou esse jogo.

Estes são alguns exemplos de que me lembro, outros haverá, que ilustram uma realidade incontornável: Antas/Dragão é o estádio de futebol do país onde o Sporting mais tem sido prejudicado.

Não tenho quaisquer angústias sobre o que vai ser a exibição do Sporting no Dragão; à semelhança do que aconteceu na Taça da Liga, vai jogar como nos tem habituado este ano, com muita serenidade e coesão, sofrendo quando tem de sofrer e brilhando quando tem oportunidade. O que me causa apreensões é a arbitragem, por três ordens de razões.

A primeira, é que esta época o nível das arbitragens tem sido preocupantemente baixo. Só de pensar nos nomes dos ilustres Luís Godinho, Fábio Veríssimo e André Narciso, fico compreensivelmente de pé atrás.

A segunda é a questão do quinto árbitro, ou seja, aquele conjunto de pessoas que se senta no banco do FC Porto e, do princípio ao fim, procura audível e porfiadamente condicionar o trabalho dos quatro restantes árbitros; já vi, este ano, muitos cartões mostrados por pressão do quinto árbitro.

A terceira é esta sensação incómoda com que fiquei do jogo de Alvalade que, quando o FC Porto está aflito, há sempre uma mão amiga e providencial que o ampara.

Eu bem me quero convencer que as coisas mudaram, que o presidente do FC Porto já não prodigaliza conselhos matrimoniais e outras coisas que o país conhece, só que este jogo é de crucial importância para o FC Porto – muito mais até do que para o Sporting – e os antecedentes que referi não me ajudam nada a ficar descansado.

Para além das duas equipas, que sei que vão dar o seu máximo, há outra que estará em alto escrutínio: a da arbitragem. Nos dérbis já jogados, houve erros técnicos e disciplinares que influenciaram, de algum modo, o resultado.

Por uma vez, que não prevaleça a tradição e que, por via de uma arbitragem corajosa e competente, ganhe o melhor.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 03:18

A Champions com esteróides

Rui Gomes, em 22.02.21

img_192x192$2015_10_12_13_07_15_1005695_im_6366777Os planos da UEFA para reformular as provas europeias, e que, em princípio, vão ter efeitos práticos a partir de 2024/25, vão constituir uma revolução completa no futebol tal e qual como o conhecemos actualmente. Se a Champions actual já é um factor de desequilíbrio financeiro em quase todos os campeonatos domésticos, imagine-se o que será uma Champions com esteróides, a garantir um prémio de presença mínimo próximo dos 100 milhões de euros – mais do dobro do que os maiores clubes portugueses recebem actualmente pelos direitos de transmissão de todos os jogos da Liga. Não haja ilusões: cada dez minutos de um jogo da Champions vão valer mais, financeiramente falando, do que um jogo inteiro do campeonato nacional.

Pode ser de facto um caminho difícil para os românticos, mas as rivalidades atravessaram fronteiras, gerando um interesse global que era difícil de imaginar até há 20 ou 30 anos – hoje em dia, sobretudo entre os mais novos, há quem vibre mais com Haaland ou Mbappé do que com as figuras do respectivo campeonato. Para as ligas domésticas, mesmo para a rica inglesa, querer travar isto seria como tentar parar o vento com as mãos. Por isso, a solução é cada uma delas adaptar-se à nova realidade. Mesmo que isso tenha custos, como a redução do número de equipas.

Artigo da autoria de Sérgio Krithinas, Director Adjunto de Record

publicado às 17:30

Força mental de leão

Rui Gomes, em 20.02.21

21312452_L0T3b.pngApesar da vantagem na Liga NOS e constantes pressões para assumir o favoritismo à conquista do título, Rúben Amorim tem sido muito cauteloso com essa questão. Já foi estratégia comunicacional. Agora é mesmo realidade. O treinador reconhece que é jovem e tem um grupo muito coeso mas a quem ainda falta o hábito de ganhar. E que hoje o principal inimigo do Sporting na busca pela vitória no campeonato é... o próprio Sporting.

Não falo das lutas intestinas em que o clube é pródigo. De brunistas a claques, de anti-Varandas aos muitos que lhe pretendem o lugar, todos têm tido consciência de que o que a equipa menos precisa é de inimigos internos. E têm apoiado com o silêncio responsável de quem discorda das políticas seguidas mas deseja o melhor para o clube. Ou seja, o título de campeão.

Falo da força mental que o grupo vai precisar para enfrentar a segunda volta. A ressaca da primeira derrota. A reacção a um eventual mau momento qualquer, gerado seja pelo que for. Se este tempo de pandemia serve para nos ensinar alguma coisa, é que só os mais fortes mentalmente resistem. É esta fibra que Rúben e o plantel terão de ter até ao fim. Seja jogo a jogo ou a navegar à bolina.

Futebol e tráfico de droga misturados. O nojo que dispensávamos.

Artigo da autoria de Bernardo RibeiroDirector de Record

publicado às 17:00

Espertezas saloias

Rui Gomes, em 17.02.21

O SL Benfica apresentou uma queixa no Conselho de Disciplina da FPF, relativamente à utilização, pelo Sporting, do jogador João Palhinha, no recente jogo entre ambos. Não está em causa a legitimidade do exercício desse direito.

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O que choca, outros sim, é a explicação dada. Diz o Benfica que essa queixa se destina apenas a esclarecer as regras aplicáveis a castigos de jogadores. Sejamos claros, o Benfica queixou-se na expectativa de uma decisão que lhe traga proveito, máximo, a perda de pontos do Sporting. Por outras palavras, aspira a ganhar na secretaria aquilo que perdeu em campo.

Se a intenção era mesmo a clarificação das regras, esperava tranquilamente o desfecho do processo que, como se sabe, já teve o seu impacto, uma vez que os castigos em processo sumário, a partir desta semana, passam a prever a defesa do atleta visado, coisa que o Conselho de Disciplina, principal responsável deste imbróglio, devia desde a primeira declaração de inconstitucionalidade do art.º 241.º do Regulamento de Disciplina ter implementado.

Ao Benfica não interessa que um cidadão, que por acaso também é profissional de futebol do Sporting, questione a constitucionalidade de uma norma que o discrimina e afecta. Pretende antes, pela calada, puxar a brasa à sua sardinha, sem porém assumir que o faz.

É este tipo de toupeirices que deslustram quem as subscreve e que, infelizmente para o futebol nacional, começam a ter um cariz de recorrência. Haja alguém que lembre que as vitórias não podem ficar a dever-se a convites para a tribuna presidencial, a cedências de jogadores a preço de saldo a clubes que competem no mesmo campeonato, a coscuvilhar no Citius. Mesmo que a Justiça absolva, fica a mácula ética de estratagemas que não estão ao nível de quem se gaba de estar dez anos à frente.

À luz dos preceitos vigentes em sede de justiça desportiva, João Palhinha conduziu a sua pretensão em estrita conformidade com o que a lei determina. Pode o TAD rejeitar o recurso com a consequência de o atleta cumprir o castigo que o CD lhe aplicou, ou pode julgá-lo procedente e o processo baixar de novo ao CD que, neste caso, tem competência para reiniciar a tramitação sancionatória, desejavelmente com respeito pelo contraditório.

Estes são todos os cenários possíveis, mas às vezes, no futebol, há penáltis que ninguém compreende.

Para mim, o Sporting ganhou justamente dentro das quatro linhas. Quem quiser contestar esta singela verdade desportiva e acalente esperanças de algum benefício administrativo que fique com a sua. Agora, em matéria de desportivismo, estamos conversados, qualquer que seja o desfecho.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 12:45

Brecha aberta

Rui Gomes, em 14.02.21

img_192x192$2015_10_12_13_07_15_1005695_im_6366777Quando, a 25 de Novembro último, Record noticiou que o Tribunal Constitucional tinha julgado inconstitucional o artigo n.º 241 do Regulamento Disciplinar, o mesmo que prevê castigos em processo sumário sem dar o direito de audiência aos visados, pouca gente reparou. Depois disso, houve mais uma decisão no mesmo sentido. Eram casos de multas por mau comportamento de adeptos, antigos, que voltaram ao Conselho de Disciplina, e que têm uma importância nula na vida actual dos clubes.

Por isso, e tirando alguns juristas mais atentos, ninguém pareceu dar muita importância, continuando como se nada fosse. Mas a brecha estava criada e ficou à disposição de quem a quisesse aproveitar para uma questão realmente relevante; como foi a de garantir a utilização de um jogador suspenso em vésperas de um jogo importante. Dois meses depois de ser público o entendimento do Tribunal Constitucional.

Ainda sobre as recém-ameaças sofridas por Luís Godinho e outros árbitros, bem como respectivos familiares: uma vergonha. Para dirigentes, para treinadores, para jornalistas, para todos os que contribuem para isto. Nada, mas mesmo nada, justifica que um erro de um árbitro, por mais grave que seja, se transforme numa razão para colocarmos em causa a vida de pessoas.

Artigo da autoria de Sérgio Krithinas, Director Adjunto de Record

publicado às 03:04

A carta aberta e o resto

Rui Gomes, em 09.02.21

Isto, ainda em referência à carta aberta de Filipe Soares Franco a Frederico Varandas, através de um excerto da crónica de Bruno Prata, em Record, esta segunda-feira.

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(...) Claro que Amorim ajudou a retirar o Sporting do atoleiro. Dos seus méritos, até na resolução das falhas de comunicabilidade, já aqui falámos várias vezes. E também não restam dúvidas de que a crise pandémica e a consequente ausência de público nas bancadas esvaziaram ainda mais os cofres do clube, mas também garantiram sossego no início da empreitada e naqueles momentos mais difíceis, como foi o prematuro afastamento europeu – mas hoje, quando a liderança na Liga reflecte uma vantagem pontual histórica e cada vez mais inacreditável, o apoio já seria incondicional e benfazejo.

Mas quem escolheu e lutou por Rúben Amorim foram Frederico Varandas e Hugo Viana. A opção esteve longe de ser consensual no reino do leão e junto dos analistas. Relevando a qualidade indubitável do trabalho de Amorim em Braga, eu próprio questionei se seria realista pagar 10 milhões de euros (mais os acrescentos pelos atrasos no embolso) por um treinador.

Mais a mais num Sporting que havia ficado com as finanças carcomidas depois de o ex-presidente ter desviado Jorge Jesus e triplicado os gastos anuais (aposta que continua a reflectir-se até hoje na gestão do vice-presidente financeiro, Francisco Salgado Zenha, como se confirmou não há muito tempo, aquando despedimento colectivo de dezenas de funcionários). A verdade é que nem isso impediu a renovação da Academia de Alcochete e se melhorassem as condições de trabalho da formação. E regressou a equipa B.

A Varandas e, principalmente, a Hugo Viana têm ainda de ser tributados os méritos da construção de um plantel que tem mais qualidade, soluções e até experiência do que muitos lhe atribuíram. É bom recordar que o FC Porto lutou imenso por Pedro Gonçalves e Nuno Santos. O primeiro vai à frente na lista de melhores marcadores e tem sido o melhor jogador da Liga. E o segundo também tem sido de enorme utilidade. E se, no passado, fizeram sentido as críticas pelas vindas de Bolasie, Fernando e Jesé, há também que dar mérito a quem agora descobriu o jovem Porro (o melhor lateral-direito da Liga), garantiu o empréstimo de João Mário ou havia percebido que pagar 750 mil euros por Matheus Nunes era uma enorme pechincha.

E... ficamos por aqui. 

publicado às 03:04

O candidato inesperado

Rui Gomes, em 06.02.21

Uma jornada fantástica para o Sporting, a última da primeira volta. Os leões aumentaram para 6 pontos a distância para o FC Porto e viram o Benfica falhar na Luz e ficar a 11. E logo voltou à mesa a conversa de ser ou não candidato ao título, algo que Rúben Amorim recusa terminantemente. E depois?

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É assim tão importante que o jovem técnico assuma algo que todos já percebemos que é real? Aliás, até o plantel leonino já acredita que está a lutar por coisas maiores do que as que lhe eram pedidas. A época começou com um desnível de investimento tão brutal que o clube de Alvalade parecia ser obrigado a resignar-se à luta por um lugar na Champions. Porque FC Porto e Sp. Braga tinham candidaturas mais musculadas. E ao autodesignado Benfica estratosférico apontavam-se outros voos. Agora...

Foi Rúben Amorim o grande motor da mudança. Finalmente Frederico Varandas acertou na contratação de um treinador. E Hugo Viana em reforços dignos desse nome. Tudo isto regado com ‘putos’ cheios de vontade de jogar à bola como Nuno Mendes, Gonçalo Inácio, Matheus Nunes ou Tiago Tomás. Alcochete agradeceu.

Na Luz as palavras de Rui Costa falharam. 11 pontos. Será altura de o presidente fazer qualquer coisa?

Artigo da autoria de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 14:45

Vieira isto, Vieira aquilo

Rui Gomes, em 05.02.21

img_192x192$2015_10_09_15_30_02_1005674_im_6366771(...) Luisão gritou com os jogadores logo após a derrota de Alvalade? Fez mal. O que falhou no Benfica não foi a falta de entrega dos craques. Noutros jogos, sim. Neste dérbi, não. Até Pizzi deu o corpo ao manifesto, num grande jogo, com uma arbitragem que aponta novos caminhos para a defesa do espectáculo e do tempo útil de jogo (nem só Artur Soares Dias está a praticar este tipo de arbitragem, insensível às fitas tradicionais. Há razão para esperança).

Luisão deve ponderar bem qual é o seu papel no Benfica. Se aceitar ser um títere de Vieira, será triturado a breve trecho.

Noutro local de Alvalade, nem a máscara podia esconder o sorriso rasgado no rosto de Frederico Varandas. Deu um passo gigante para a Liga dos Campeões. Tem-se mantido corajoso e discreto, o autor da grande frase da tribo da bola em 2020: sim, ‘um bandido será sempre um bandido’ marca esta fase ganhadora de Varandas. E é bem verdade.

Excerto da crónica semanal de Octávio Ribeiro, em Record

publicado às 03:19

A peça final no xadrez de Rúben

Rui Gomes, em 03.02.21

Paulinho é um avançado dos tempos modernos, para quem o futebol e a função que desempenha em campo excedem em grande medida a mera glorificação da eficácia. Para ele a questão não se reduz a marcar ou não marcar golos; a ser protagonista de vitórias ou réu de derrotas; a ser herói ou vilão. Para Paulinho o futebol é jogar ou não jogar; é entendê-lo em toda a sua complexidade e apreender as suas chaves colectivas ou ir para o campo e reduzir tudo à assinatura de um momento decisivo; é lutar por uma ideia, um estilo e uma forma de ser ou até defender rigorosamente nada. É ter uma estética e uma orientação de compromisso com a equipa e com os adeptos ou apostar tudo no resultado e na sorte.

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Assente em números de excelência – 85 golos nas últimas cinco épocas –, Paulinho revela desprendimento com essa contabilidade pessoal. Realiza-se mais pela contribuição táctica, pela defesa do equilíbrio colectivo, pela noção de que muito pode acontecer em hora e meia e que a sua utilidade também pode ser sentida longe do último toque, apesar de saber, ele assim como todos nós, o valor da assinatura no gesto mais aclamado do futebol. Os especialistas, por serem raros, são muito valiosos. Não se trata de diminuí-los; trata-se de recordar que o golo, sendo muito importante, pode não ser tudo na apreciação de um avançado.

Rúben Amorim está perfeitamente identificado com o seu novo jogador. Ao reencontrar-se com Paulinho cumpre um sonho antigo, do qual nunca desistiu, mesmo colocado perante argumentos difíceis de contrariar, o mais eloquente dos quais o fatal "não há dinheiro". O esforço do Sporting para a aquisição de Paulinho dificilmente terá retorno financeiro – está com 28 anos –, o que torna clara a intenção do treinador: o ex-bracarense deve pagar-se pela via de um superior rendimento futebolístico.

Excerto da crónica de Rui Dias, em Record

publicado às 03:33

Dias cinzentos no futebol

Rui Gomes, em 29.01.21

21312452_L0T3b.pngEm breve saberemos se o Conselho de Disciplina da FPF se preocupa com a justiça. Isto, se muito à boa maneira portuguesa a decisão não for tomada depois do dérbi. Falamos de Palhinha, claro, e do amarelo ridículo que viu no Bessa. A pontaria de Fábio Veríssimo foi tramada, ele que deu o exacto mesmo número de amarelos a uma equipa que fez 13 faltas, frente a outra que fez... 25. Coisas do além.

Muito mau para o futebol o facto de a despenalização do também ridículo quarto amarelo a Otamendi ter sido ignorada pelo Conselho de Disciplina. Só se fosse verificada fraude, arbitrariedade ou corrupção. Como o órgão não tem quaisquer meios de prová-lo, está aberto o caminho à demissão da decisão. Volte, Meirim, está perdoado. Seria interessante saber o que pensa o agora consultor de tamanha aberração. Cinzento, pois...

Artigo da autoria de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 03:48

Por um canudo

Rui Gomes, em 28.01.21

21105016_F4Vcq.pngAntónio Salvador é um daqueles dirigentes providencialistas, que, à semelhança de outros, se acha insubstituível. Só assim se explica que, estando à frente do Sp. Braga vai para 18 anos, se apresente a novo mandato.

O que achei totalmente descabido foram as declarações de Salvador no final do jogo (Taça da Liga), mesmo descontando o eleitoralismo e alguma azia. Medir a grandeza do Sp. Braga pela efusividade dos festejos dos atletas do Sporting é das atitudes mais patéticas a que me foi dado assistir nos últimos tempos.

A glória do Sp. Braga tem de afirmar-se com os títulos que ganha e não com os que perde. Para se saber ganhar é preciso, primeiro, saber perder. E não é com este tipo de atitudes que o nome do Sp. Braga se engrandece.

Eu sei que custa muito perder contra uma equipa com três jogadores em idade de júnior e uma boa dose de inexperiência, mas, que tipo de dirigentes são estes que nem sequer dão os parabéns ao vencedor?

Pela amostra, há ainda um longo caminho a percorrer pelo Sp. Braga. Porque não basta querer ser grande, é preciso saber sê-lo.

Excerto da crónica semanal de Carlos Barbosa da Cruz, em Record.

publicado às 03:32

Frase do dia

Rui Gomes, em 25.01.21

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Aproveitei esta frase (parágrafo) da mais recente crónica de Alexandre Pais, em Record:

"Não esteve mal o Sp. Braga, em Leiria, mas a verdade é que deixou voar um pássaro que poderia constituir um marco no crescimento de uma equipa que perdeu, entretanto, para o Paços - de Pepa, grande trabalho! - o 5.º lugar na Liga e já tem o V. Guimarães à perna. Diga lá António Salvador o que disser, voltou a perder com um bando de putos liderado pelo mano mais velho. O resto...".

publicado às 02:48

A estrelinha de Amorim

Rui Gomes, em 24.01.21

img_192x192$2015_10_12_13_07_15_1005695_im_6366777Rúben Amorim é feito da fibra dos reais animais de competição: obcecado por resultados, perde muitas vezes o controlo durante os jogos – a expulsão de ontem, até pelo contexto e pelo minuto, foi um exagero do árbitro Tiago Martins, mas não é uma história inédita da (curta) carreira do técnico. Fora de campo, sobretudo em momentos de descontração, torna-se uma pessoa sorridente e cativante, como se viu ontem no extraordinário momento pós-jogo na Sport TV. Mas Amorim é mais do que isso: sabe muito bem o que diz e procura rentabilizar cada uma das palavras que lhe saem da boca.

Amorim não foi puro inocente ao falar da sua própria estrelinha. Em futebol, estrelinha é sinónimo de sorte. E parece que é dessa maneira que o treinador do Sporting quer que todos o vejam, como um treinador com sorte.

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A sorte de Amorim é ter uma inteligência muito acima da média. É ter aprendido durante toda a carreira com vários treinadores – e não foi só com Jorge Jesus, como muitas vezes se diz. É ter-se preparado, estudando, ouvindo especialistas, passando tempo com os melhores. E ter um clube que apostou tudo nele, dando-lhe total liberdade na gestão da equipa. A estrelinha de Amorim não é para todos.

Artigo da autoria de Sérgio KrithinasDirector Adjunto de Record

publicado às 13:41

Semântica e factos

Rui Gomes, em 22.01.21

Vitor Almeida Gonçalves - melhor.pngA Unilabs não errou. Mas dois testes positivos num dia, no outro já eram negativos. Em laboratórios diferentes, claro, porque a Unilabs aparentemente não se engana, ou então não lhe foi dada segunda oportunidade para isso. A Unilabs não fez contactos posteriores com o Sporting. Só que o Sporting já tinha desde segunda-feira um e-mail do director médico do laboratório. A Unilabs não assume os falsos positivos. Mas está “solidária” com a decisão que a DGS venha a tomar sobre o assunto. A semântica é um poderoso aliado das nossas conveniências. Mas a realidade tende a ser um pouco mais inflexível. E ela é clara: Nuno Mendes e Sporar falharam dois jogos e não estavam infectados com a Covid-19. Se isto não é um erro, é o quê? Azar?

Artigo da autoria de Vítor Almeida Gonçalves, Record

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Em nota separada, Rúben Amorim, na conferência de imprensa de antevisão à final, foi instado a comentar o polémico episódio:

"Na última semana também pensava que podia contar com eles e não contei. Só quando estiverem perfilados para entrar é que temos a certeza. As comunicações fazem o papel delas. O SC Baga estava interessado na verdade desportiva na sua ideia mas os factos comprovam que estamos certos. Não estávamos a cometer nenhum acto ilegal, pois eles estão bem. O facto de puderem jogar agora comprova que estávamos a dizer a verdade".

publicado às 18:15

Vieiragate

Rui Gomes, em 14.01.21

21105016_F4Vcq.pngEstamos de acordo que o timing do artigo do 'Observador' não é feliz e que todo o extenso rol de visados no mesmo tem direito à presunção de inocência.

Há, contudo, questões que não podem deixar de ser equacionadas, para além das suspeitas de ilícitos criminais e atentados à verdade desportiva, que competirão ao Ministério Público investigar e ao tribunal julgar.

O texto em causa tem o grande mérito de elencar, de forma exaustiva, as contratações que o Benfica promoveu, de jogadores que nunca ou pouco utilizou e que dispersou por clubes da 1.ª Liga, perdendo assumida e sistematicamente o investimento efectuado.

Esta prática persistente acumulou um prejuízo significativo; na cultura comunicacional que vigora na Luz, como os sucessos são empolados e o que corre mal varrido para debaixo do tapete, só se fala na venda do João Félix e nunca neste tipo de casos.

Quando fica sob a luz dos holofotes, o que se tem tornado numa recorrência, Luís Filipe Vieira normalmente reforça o contingente de advogados e consultores de imagem e cala-se.

Não vejo como o possa fazer agora, porque o mundo do futebol quererá saber por que é que o Benfica compra jogadores que nunca pensou incluir no seu plantel e que acaba por ceder com prejuízo. É um racional que não bate certo, e, remetendo-se ao silêncio, Vieira alimentará as mais variadas suspeições.

Depois há a questão daqueles que, não sendo Luís Filipe Vieira, falam em nome dele, em contextos que são verdadeiramente aterradores. Quanto mais não seja para salvaguardar a sua honorabilidade pessoal, devia esclarecer se há ou não abuso de representação.

Finalmente, perante os múltiplos indícios que existirá possível fraude à lei, na limitação regulamentar dos jogadores emprestados a outros clubes, a partir de 2018, muito em particular no trânsito de jogadores para o defunto Aves, espera-se que a Liga promova, sem delongas, o correspondente inquérito.

Não basta argumentar que, na falta de condenações judiciais, é prematuro apontar o dedo a quem quer que seja; há uma vincada dimensão ética, subjacente a qualquer instituição e por maioria de razão ao Benfica, que clama e exige explicações.

É apenas a diferença entre o jogo sujo e o jogo limpo.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 16:30

Leão cai por culpa própria

Rui Gomes, em 12.01.21

21312452_L0T3b.pngApós um primeiro jogo francamente muito bom na Madeira, frente ao Nacional, onde tudo fez para ganhar, o Sporting CP acaba eliminado da Taça num (mau) terreno em que perde por culpa própria. Os leões jogaram pouco, não estiveram muito concentrados, não repetiram a intensidade vista na Choupana, não foram – ao contrário do que disse Emanuel Ferro – a mesma equipa que tinham sido até aqui. Podem queixar-se de alguma falta de estrela nos 90 minutos, mas ela já abonou o leão várias vezes esta época. Ontem sorriu ao Marítimo. Que fez por merecer.

O Sporting pagou a factura do enorme esforço no jogo da Liga. Se pela falta de frescura dos que repetiram a titularidade, se por aqueles que ficaram a descansar, a verdade é que tudo somado deixa os leões fora de prova. O erro de Neto no primeiro golo junto com a ausência de agressividade de Feddal e a desconcentração total de Nuno Santos no segundo dizem muito.

Resta saber se o Sporting pagou o cansaço ou a falta de profundidade do plantel. Acredito que ambos. O temporal e batatal da Choupana tinham forçosamente de deixar marcas. E depois quando Rúben Amorim roda muito falta o talento que existe em Benfica, FC Porto e até SC Braga. Para atingir algum objectivo terão de correr mais do que os outros. Sempre.

Artigo da autoria de Bernardo RibeiroDirector de Record

Nota: Também se pode acrescentar que não se viu o tipo de arbitragem, especialmente o VAR, que esteve hoje em evidência, precisamente na Choupana, para permitir ao FC Porto escapar à eliminação.

publicado às 19:00

92 por cento

Rui Gomes, em 23.12.20

21105016_F4Vcq.pngJosé Fontelas Gomes foi vice-presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) de 2009 a 2012 e presidente entre 2013 e 2016. Da APAF transitou então para o Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), onde já vai no segundo mandato ininterrupto.

José Fontelas Gomes não foi um árbitro de nomeada, não passando da terceira categoria no futebol de onze, tendo-se dedicado mais ao futebol de praia. A notoriedade que não conseguiu como árbitro, compensou com o dirigismo corporativo, que domina há mais de dez anos.

É necessário conhecer os meandros deste percurso para perceber uma coisa óbvia: mais do que presidente da arbitragem, Fontelas Gomes é, sobretudo, o presidente dos árbitros.

Entre as duas coisas há, como é óbvio, um mundo de diferenças.

Só assim é possível compreender o tom de auto-elogio global que imprimiu num balanço da actividade do Conselho de Arbitragem, que fez em entrevista num jornal concorrente.

Para ele, a arbitragem nacional está muito bem e recomenda-se, não há jarra, há gestão e, sobretudo, agita a bandeira da quase infalibilidade do VAR, cujas decisões, em 92 por cento dos casos, "repuseram a verdade desportiva".

Tenho pena de que essa contabilidade não venha acompanhada da identificação dos 8 por cento dos casos, onde, alegadamente o VAR errou, para podermos conferir.

Tenho ainda muito mais pena de que questões candentes, como as diversas interpretações que os VAR fazem do protocolo que legitima a sua intervenção no jogo, não tenham sido abordadas.

Porque já vimos um bom número de situações em que o VAR intervém, sem ter de o fazer e precisamente o oposto, quando o VAR não intervém, devendo fazê-lo.

É mesmo esta oscilação de critérios pessoais, de VAR para VAR, que, a meu ver, os está a desqualificar como recurso credível.

Se contabilizarmos os (muitos) casos em que o VAR assobiou para o lado (João Mário, Famalicão, remember?), essa percentagem seria substancialmente inferior. A omissão, nestes casos, atentou contra a verdade desportiva.

Esta deveras insólita política de doirar a pílula da arbitragem para defender os seus pares, ignorando os problemas que estão à vista, mostra que temos mais um presidente da APAF em comissão de serviço na CA, do que o dirigente que o sector precisa.

E, aparentemente, está para ficar.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 12:00

VAR a ser VAR

Rui Gomes, em 23.12.20

img_192x192$2015_10_12_13_07_15_1005695_im_6366777A conferência digital que o Sporting organizou ontem para falar sobre o VAR dificilmente terá mais efeitos do que ajudar a esclarecer os adeptos que querem ser esclarecidos. Porque a chave do cofre do VAR e das Leis do Jogo está nas mãos do IFAB e da FIFA, dois organismos por vezes cegos e surdos ao que se passa à sua volta.

Ilude-se quem pensa que a divulgação das comunicações entre árbitros é a solução para os males do VAR. Apesar das exageradas expectativas criadas por clubes e adeptos aquando da sua introdução, o VAR está a ser tudo aquilo que era suposto ser, uma ferramenta de correcção da maioria de erros óbvios de arbitragem (não de todos), que nada resolve em lances que cada um vê com as cores da respectiva paixão clubística.

Tem havido erros graves? É óbvio. Tem havido erros difíceis de compreender? Também. Mas são uma pequeníssima parte dos erros que foram evitados se não houvesse VAR. No dia em que cada um souber fazer estas contas, a discussão tornar-se-á mais saudável.

Texto da autoria de Sérgio Krithinas, Director Adjunto de Record

publicado às 03:03

Não vão ter vida fácil

Rui Gomes, em 22.12.20

21312452_L0T3b.pngComo dizem os dois espectadores animados de futebol aqui ao lado na Bancada Central, foi um fim de semana normal para os três grandes, pois ganharam todos. Muito normal também parece estar a tornar-se a polémica. Os ataques aos árbitros nas redes sociais a cada lance que passa, o escrutínio no campo e na TV, numa vida em que há erros como em todas as outras mas a pessoas a quem permitimos muito menos erros do que a nós próprios.

Do Sporting CP diz-se ter sido beneficiado pelo penálti sobre Feddal, o SL Benfica pela não expulsão de Gilberto ou o penálti de Seferovic e o FC Porto por uma falta de Diogo Leite sobre Riascos ainda antes do golo de Marega. Tenho opinião própria sobre cada um dos lances, mas avaliando o que disseram os árbitros de Record, não são fáceis as certezas. Curiosamente, Marco Ferreira e Jorge Faustino não estão de acordo em nenhum deles. E isto a assistir aos jogos pela TV. Como pendurar um árbitro no pelourinho se nem os especialistas estão de acordo?

A costela clubística de cada um leva a ver a realidade de forma distinta. Não existe só uma verdade, mas sim a vida conforme a vemos. E não se trata de falta de seriedade. Há mesmo casos difíceis de entender, tal a gravidade dos erros. Guardemos a justa indignação para esses?

Artigo da autoria de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 04:33

Futebol jogado e falado

Rui Gomes, em 20.12.20

21312452_L0T3b.pngO Sporting sofreu ontem para bater o Farense. Valeu-lhe a frieza de Sporar na marcação do penálti polémico. Não foi uma noite muito inspirada dos leões, que até podiam ter marcado de outra forma, sim, mas estiveram vários furos abaixo do que é habitual. Mas é muito importante saber ganhar também quando se joga pouco. Só assim há líderes. O Sporting acaba por passar o Natal na liderança. Não vale título nenhum, é verdade, mas mata-se um estigma importante.

Rúben Amorim não foi capaz de fazer a equipa jogar bem, mas deu mais um show na sala de imprensa. Mérito a quem manda pelas renovações, elogios ao suor dos jogadores e sapiência na forma como usou a falta sobre Coates na declaração sobre o penálti. Acredito que faz falta à equipa no banco.

Jorge Jesus, por outro lado, diz que só uma equipa joga melhor do que o Benfica. E logo se levantam virgens ofendidas. Percebo o que diz o técnico. Entre o jogo falado e o jogado há diferenças. Na pele de treinador encarnado, por exemplo, se o Sporting tivesse perdido dois pontos frente ao Farense o Benfica hoje tentaria colar-se à liderança. E isto sem jogar grande coisa. Imagine-se que JJ consegue ‘acordar’ a equipa. O único falhanço do técnico até ao momento é a Champions. O resto é conversa. E ainda falta tanta coisa.

Artigo da autoria de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 10:30

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