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Não conheço adepto de nenhum clube que esteja contente com o funcionamento da justiça desportiva em Portugal. Talvez só os do Benfica, afinal as instâncias revogaram oito jogos de interdição do Estádio da Luz, que lhe tinham sido aplicados.

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A ideia que transparece para o exterior é que a justiça desportiva é tacticista na definição dos seus tempos e lenta na sua concretização. Dificilmente se compreende porque é que alguns casos são decididos com celeridade e outros nem por isso. De igual modo, a existência alargada de instâncias de recurso propicia um enorme desfasamento entre o ilícito e a decisão final.

Como é óbvio, estes défices de transparência e funcionalidade fragilizam a credibilidade de todo o sistema.

Impõe-se, assim, uma reflexão séria, desejavelmente isenta daqueles subterfúgios em que os nossos clubes são tão pródigos, sobretudo aqueles que mais prevaricam e que levam ao entorpecimento da actividade sancionatória, criando a convicção de que no futebol, como infelizmente noutras actividades, o crime compensa. Aqui fica um conjunto de sugestões:

- Concentrar toda a acção disciplinar na FPF, acabando com a Comissão de Instrutores da Liga;

- Fundir o Conselho de Disciplina e o Conselho de Justiça num único órgão;

- Estabelecer prazos peremptórios para a instrução e conclusão dos inquéritos disciplinares, com reforço de efectivos, se necessário;

- Abandonar a ficção da "field of play doctrine", permitindo uma efectiva correcção dos erros cometidos pela arbitragem e, consequentemente, melhor justiça;

- Não admitir recursos das decisões do TAD para os tribunais administrativos.

Claro que esta radical mudança implicaria alterações num conjunto de diplomas legais, alguns de âmbito mais lato do que a modalidade futebol.

Dizem que, havendo vontade política, tudo se consegue. A pergunta crucial , porém, é a seguinte: será que alguma vez haverá?

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruzem Record

publicado às 03:34

Passaram esta quinta-feira 18 anos de um dos maiores escândalos da justiça e mais uns quantos da perpetuação de uma das maiores mentiras que alimenta o mundo do futebol.

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Há dezoito anos, incomodado com as escutas do Apito Dourado, o Governo de Durão Barroso despachou os dois coordenadores da investigação, Teófilo Santiago e Massano de Carvalho. As escutas a Valentim Loureiro revelavam a velha central de favores no futebol mas também na política. Isso incomodou o governo. De telemóvel na mão, o major metia cunhas para a sua vida de autarca, pedia ajuda para o seu amigo Sousa Cintra construir na paisagem protegida da Costa Vicentina, exigia favores a vários ministros e secretários de Estado, insultava funcionários do Estado mais apegados a cumprir a lei.

A PJ do Porto respeitou escrupulosamente a investigação, resistiu a pressões e respeitou a separação de poderes, nada dizendo ao Governo sobre o que estava no processo. Os coordenadores do caso foram afastados, o director da PJ do Porto exonerado e quase ia sendo preso.

Esses dias negros para a Justiça ficam por conta do Governo de Barroso e é, também por isso, que estas escutas são importantes. Para memória futura. É nesse momento, aliás, que começa a grande mentira sobre a propalada ilegalidade das escutas. Esse primeiro ataque ao processo abriu a porta para quem tinha interesse em destruí-lo, sobretudo na parte mais quente, no que mostrava sobre o poder de Pinto da Costa.

As escutas do processo Apito Dourado foram totalmente legais, autorizadas e validadas judicialmente. Serviram, aliás, para condenar todos os arguidos no processo que envolvia o Gondomar. O que aconteceu foi que não eram, como não são, admissíveis para processos disciplinares na justiça desportiva, essa grande aberração, não apenas portuguesa, onde os estados abdicam de parte da sua própria soberania, entregando a justiça ao mundo do futebol e retirando-a dos tribunais.

O ónus da sua utilização está, portanto, em quem quis fazê-lo na dita justiça desportiva e não no processo judicial, nem nos investigadores. Elas não só foram completamente legais como, sim, é pura verdade, mostraram a corrupção activa e passiva reinante no futebol. Mostraram o ‘sistema’ de poder que fabricava resultados, a fruta que o alimentava e as cumplicidades que dispunha na construção e destruição de carreiras de árbitros, dentro da própria Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e nas associações. Mostraram, finalmente, dirigentes desportivos que, pese embora os sucessos desportivos ao longo de 40 anos, são tudo menos exemplares. De resto, ao contrário do que disse há dias um membro do actual governo e, de outro modo, confirmando tudo o que pensa e disse o presidente de um dos três grandes sobre a dita corrupção activa.

Artigo da autoria de Eduardo Dâmaso, Director da Sábado, em Record

publicado às 06:04

img_192x192$2022_05_18_23_59_06_1996648.pngRonaldo no banco de reservas faz-me pensar sobre valores. De forma resumida, nunca nenhum atleta fez tanto por um país como Cristiano Ronaldo fez por nós. Logo nós portugueses, presos a um passado glorioso, mas que no presente criamos o hábito de não valorizar os feitos dos nossos. Portugal de alguns cidadãos que vê no sucesso do outro uma ameaça, ao invés de usá-los para crescer o nome do país, como um marketing que beneficiará a si próprio como cidadão.

Ouvi dizer que Fernando Santos poderia estar a traçar um plano pós-Ronaldo, mas será que nesse pós-Ronaldo haverá um Fernando Santos? Esteve na mão do técnico a melhor selecção portuguesa de toda história, com Cristiano Ronaldo na sua melhor forma e ganhámos campeonatos nunca antes conquistados. Mas, sinceramente, eu penso que poderíamos fazer mais.

Nas últimas competições tivemos deslizes que não condizem com o nível da selecção e sim com o do técnico, isso no meu ponto de vista. Não podemos esquecer que futebol não é apenas condição física, como também psicológica e Cristiano Ronaldo é uma segurança em campo que, mesmo quando não está bem, decide em apenas uma jogada.

Temos que valorizar tudo o que o CR7 fez por nós, tudo o que nos deu, entre eles, elevar o nome de Portugal no mais alto patamar do desporto mais assistido do mundo, assim como fazer todo o mundo conhecer a famosa Ilha da Madeira. Terra esta que tenho orgulho de ter uma mãe que lá nasceu e ter saído o melhor jogador da história do futebol.

O mundial é uma competição diferente, exige, também, experiência e factor psicológico e isso o Cristiano Ronaldo tem de sobra. Sem contar que o adversário preocupado com ele, abre espaço para os demais mostrarem o seu valor e quem sabe não surgir algum jogador que pelo menos seja metade do que foi o Cristiano Ronaldo em sua melhor forma.

Pensamentos como pós-Ronaldo só podem ser colocados em planos após o Mundial, mesmo assim, após ele reformar as chuteiras. Temos que ser gratos a tudo que Cristiano Ronaldo proporcionou a nossa nação, pois não haverá outro igual e, Portugal, entrou para o 'hall of fame' da história do futebol. Somos uma nação de muito mais de 10 milhões, estamos espalhados pelo mundo, somos migrantes desde os descobrimentos, mas Portugal não sai de nós seja onde estivermos. E este orgulho deve ser depositado em cada português que faz a diferença nesta nossa vida.

Artigo da autoria de Fabiano Abreu Agrelaem Record

publicado às 14:30

Não temos medo

Rui Gomes, em 01.06.22

21105016_F4Vcq.pngTenho criticado muitas vezes nesta coluna a visão bem belicista que o FC Porto tem do desporto em geral. Esse confrontacionismo é hoje transversal a todas as modalidades e identitário de atletas, dirigentes e até comentadores desportivos.

A óbvia agressividade crónica dentro e fora de campo é, no fundo, o afloramento da cultura de que vale tudo para vencer.

O Sporting é visto hoje como o maior inimigo desportivo e institucional do FC Porto e daí o ser alvo preferencial de todo o vasto arsenal de provocações e constrangimentos, que os quarenta anos disto aperfeiçoaram à exaustão.

Mais do que questões pessoais ou conjunturais, eu acho que são duas visões antagónicas do desporto que se confrontam.

Consequentemente, é uma batalha que o Sporting não se pode eximir de travar.

Não tenho dúvidas algumas que os ataques e intimidações vão recrudescer, porque se para o Sporting é uma questão de princípio, para o FC Porto é uma questão de sobrevivência dos negócios de muita gente.

Como é óbvio, o Sporting está preparado para reagir, não da mesma forma e pelos mesmos meios por que é atacado, mas com a firmeza dos seus valores e a consciência tranquila de que, quem está à frente do Clube, não tem lixo acumulado debaixo do tapete.

Fique claro uma coisa: a partir de agora, nada será como dantes e a denúncia será sempre feita com frontalidade e impacto, para que não haja dúvidas de duas realidades: quem prevarica e quem assobia para o lado.

E, já agora: podem falar alto, esticar o dedo, ameaçar e até enviar a tropa de choque. Nós não temos medo.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 13:30

O pesado silêncio da culpa

Rui Gomes, em 27.05.22

img_192x192$2020_02_13_19_45_22_1663516.pngOs Super Dragões e os seus mandantes são os donos de dinheiro proveniente da venda de bilhetes tanto no futebol como nas muitas modalidades do FC Porto que enchem pavilhões. São os donos de dinheiro que vem do ‘franchising’ de produtos do clube e, alguns dos chefes da claque, são também os padrinhos que dominam o negócio da protecção mafiosa na noite do Porto, de narcóticos e de um vasto conjunto de criminalidade bagatelar, mas sempre instrumental de crimes maiores e mais danosos.

O debate que um Estado de Direito Democrático tem a fazer sobre uma situação destas é simples. A lei tem de representar uma forte e verdadeira cerca sanitária sobre este tipo de criminalidade. O Estado tem de recorrer a todos os meios ao seu alcance para erradicar este tipo de bandos, que medram na sombra tutelar dos clubes, não apenas do FC Porto. Lei e Estado têm de enquadrar este tipo de fenómenos como o que efectivamente são, associações de malfeitores que vivem da intimidação e da violência, a começar, como se viu no caso de Igor Silva, dentro da própria casa, recorrendo à violência para eliminar adversários no processo de afirmação tribal do chefe. Há alguma dúvida?

Excerto do artigo de Eduardo Dâmaso, Director da Sábado, em Record

publicado às 12:30

As bases do futuro

Rui Gomes, em 16.05.22

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Rúben Amorim claramente exagerou quando disse que quem ganha leva nota 10 e todos os outros levam zero. Há perder e perder. O Sporting termina o campeonato com os mesmos pontos do ano passado, garantindo a presença na próxima edição da Champions, numa temporada em que venceu a Supertaça, a Taça da Liga e chegou aos oitavos de final da Liga dos Campeões. E a garantia de ter a mão em mais milhões da UEFA permite também aos leões – e a Amorim – preparar o futuro com tranquilidade e sem pressas.

Excerto da crónica de Sérgio Krithinas, Director Adjunto de Record

publicado às 05:17

A tenaz

Rui Gomes, em 05.05.22

A comunicação social tem vindo a desvendar facetas da amizade entre Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa, muito para além das filmagens no Estádio da Luz.

Amizade improvável, dirão alguns. Para mim, porém, faz todo o sentido. Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa, não obstante dirigirem clubes rivais, tinham alguma coisa em comum que os unia, e que era a estratégia para reduzir o Sporting à quase insignificância.

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Durante anos, sob o supérfluo pretexto que o mercado era exíguo para três, tentou-se, pelas mais variadas formas e em diversas frentes, com a evidente cumplicidade tolerante de alguma opinião publicada, apear o Sporting da relevância desportiva, o que conduziria inexoravelmente à asfixia financeira e ao desejado declínio; no fundo, fazerem o que o saudoso Belenenses fez a si próprio.

Não nego que, em várias alturas, o Sporting se pôs a jeito para ter este destino, mesmo sem ninguém que o empurrasse para o abismo, mas há coisas que aconteceram e que só se podem explicar por via de uma influência mancomunada. Falo, em concreto e muito da arbitragem, da disciplina, da partilha de lugares de relevo, dos clubes amigos e de apoios externos.

Ainda estou para perceber as negociatas com a Euroárea e as doações da Câmara do Seixal, que permitiram ao Benfica edificar o seu centro de estágio, onde antes era área protegida, para não falar do escândalo grosseiro que é a utilização quase gratuita do Olival pelo Porto, construído com dinheiros da fundação PortoGaia, ou seja, nossos. O Sporting, esse, pagou Alcochete com língua de palmo. Estão a perceber do que estou a falar?

A questão é esta... Vieira e Pinto da Costa podem ser afinal os melhores compinchas e terem conspirado nas férias, em casa do amigo Adriano. Quanto muito, apontar-se-lhes-á deficit de fair play, mas isso não é, propriamente, grande novidade.

Quem tem de fazer pela sua vida e inverter este rumo é o Sporting, no campo e fora dele, nunca abdicando da sua razão, nunca pactuando, nunca se vergando às tangas do dirigente mais titulado do mundo ou dos seis milhões de portugueses. Mas este é um trabalho de todos os sportinguistas e de todos os dias.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 03:04

O grande equívoco de Slimani

Rui Gomes, em 03.05.22

img_192x192$2015_10_12_15_23_37_1005745_im_6366770Islam Slimani viveu no Sporting a sua época de ouro, a de 2015/16, com três dezenas de golos. Seguiu para o Leicester, jogou emprestado na Turquia e no Mónaco, abandonou o Lyon sem deixar saudades – apenas quatro (!) remates certeiros nas 30 partidas em que participou – e regressou a Lisboa, julgava-se, para relançar a carreira no único clube em que foi feliz desde que partiu da Argélia natal, no Verão de 2013.

Seis anos depois, a imagem que dele ficara em Alvalade resistira à erosão do tempo. O seu estilo generoso e batalhador, uma espécie de Paulinho mas mais eficaz na cara do golo, permanecia na memória dos sportinguistas e a sua volta a casa foi saudada com grande entusiasmo. E Slimani correspondeu com golos: quatro em 15 dias.

Quando o Sporting parecia ter finalmente reforçado o seu ataque – em que a quebra de rendimento de Pote era contrariedade inesperada – eis que Slimani entendeu talvez que a sua popularidade junto dos adeptos e o filme do reencontro com Paulinho, o roupeiro emblemático do leão, bastariam para fazer dele a referência de tempos idos, com lugar garantido na equipa. Não percebeu que o Sporting mudara e esticou a corda. Permitiu que o entusiasmo da chegada se esfumasse e que a vontade de trabalhar no limite – que está na origem da ‘nova vida’ do futebol dos leões – fosse coisa boa para novatos e não para um veterano da guerra, à beira dos 34 anos.

Rúben Amorim, pese a relativa inexperiência (?), sabe há muito que sem pulso forte não há grupo de trabalho que consiga cumprir objectivos. E é para isso que lhe pagam. Daí que tenha sido implacável e feito o que lhe competia, seguramente numa conversa que não foi a primeira sobre o tema: informou Slimani que tem que ir viver do nome para outro lado porque no Sporting a oportunidade perdeu-se e o seu tempo esgotou-se. Com todo o respeito pelo avançado argelino, só se pode aplaudir a decisão do treinador, que diz, aliás, muito sobre a sua capacidade de liderança. E como Portugal, da política às empresas, está carente de pessoas como ele!...

Artigo da autoria de Alexandre Pais, em Record

publicado às 03:04

A reverência

Rui Gomes, em 28.04.22

Pinto da Costa não faz o meu género como pessoa e dirigente, mas respeito aqueles que o escolhem, mesmo sem fazer perguntas.

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Claro que me interrogo sobre o racional de colocar um geronte à frente de uma instituição centenária que, para mais, se dá ao luxo de dizer que sairá quando entende e que não indigita sucessor. Temo o pior para o ‘day after’, contudo esse é um tema que me transcende. Não gosto nada do estilo, não aprecio os métodos e não me cativa a comunicação mas, repito, esse é um problema meu.

A questão é outra. Arreigou-se uma praxis em que Pinto da Costa diz o que quer sobre tudo e toda a gente, mas se alguém o critica ou aponta o dedo ao FCP é um ai-jesus de virgens ofendidas, como a polémica com o Tito Fontes bem o evidenciou.

Depois existe a tal ‘cerca sanitária’, traduzida numa generalizada subserviência, da qual, infelizmente, não excluo os media, em que ele nunca é confrontado com temas incómodos.

Compreendo que se assinalem os quarenta anos de dirigismo desportivo ou mesmo que se encaminhe o homem para a vitaliciedade; indigna-me, porém, que ninguém o inquira sobre o destino dos dinheiros das transferências dos último quinze anos, o nível salarial e os prémios da administração da SAD, as relações desta com o filho, os negócios com Pedro Pinho e Bruno Macedo, os financiamentos de Theodoro Fonseca, a elevada taxa do último empréstimo obrigacionista, as condições de utilização do centro de estágios do Olival, por exemplo, ou mesmo temas tão comezinhos como as faltas de comparência do basket, o salário de Otávio, ou os comportamentos do seu colega de administração.

Frederico Varandas é sindicado e bem, a meu ver, sobre todos os temas que têm a ver com o Sporting CP, alguns delicados, que tem o dever ético de esclarecer, não só os sócios e adeptos, como a opinião pública. É assim em qualquer instituição de utilidade pública, para mais com a grandeza e impacto do Sporting. Pinto da Costa, esse, só fala.

Ora um homem só é mesmo grande quando confrontado com a dialética do contraditório. Considero que o futebol só se libertará dos miasmas que o atormentam e desvalorizam com uma política transversal de transparência, em que todos sejam chamados a prestar contas. Falar de cátedra e mandar bitaites é fácil. O difícil é mesmo responder a perguntas.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 03:19

Como se ganham campeonatos

Rui Gomes, em 21.04.22

21105016_F4Vcq.pngNão acredito que haja árbitros corruptos, mas sei que os há pouco corajosos e, sobretudo, influenciáveis. No limite, a diferença não é muita.

O FC Porto explora muito habilmente essa faceta, praticando uma cultura de constrangimento permanente. Qualquer falta sofrida, é ampliada com esgares de sofrimento excruciante e qualquer falta cometida é contestada gestualmente (as mãos na cabeça são verdadeiro ex-libris), como se da maior injustiça se tratasse. Esta bem ardilosa coreografia tem um propósito definido: condicionar o trabalho do árbitro.

Na célebre 'falta' que Coates NÃO cometeu sobre Taremi, que lhe valeu um imerecido amarelo, e que acabou por pesar decisivamente no desfecho do jogo, alguém tem dúvidas que o acrobático rebolar e a expressão de padecimento dolorido, bem como a linguagem gestual dos restantes jogadores e do banco, induziram o árbitro ao erro?

Longe vão os tempos das peitadas de Jorge Costa ou das perseguições de Paulinho Santos. O FC Porto refinou a metodologia. Mas só na forma, porque na substância tudo continua igual.

Com isto, consegue-se que os adversários sejam expulsos ou joguem sob essa ameaça, e que se marquem mais penáltis, contabilidade essa, ampliada agora com as notas artísticas dignas de concurso de mergulho olímpico.

Diz-se que o FC Porto é a equipa que pratica melhor futebol, o que não vou sequer discutir. Só direi que é mesmo muito fácil jogar bem contra adversários carregados de cartões ou com menos jogadores. E quando a coisa está preta, há sempre um penálti salvador que, se não há, inventa-se.

Esta é uma fórmula de sucesso, porque, sejamos claros, estamos a falar dos pontos que garantem títulos. Não dá para ganhar sempre, sobretudo quando se gasta mais do que se tem. Mas dá para fazer a grande diferença. Culpo menos o FC Porto – é, quando muito, uma questão de fair play - e mais quem permite que estas práticas se eternizem no nosso futebol.

De nada vale a competência técnica de um árbitro, quando ele disciplinarmente sucumbe ao ambiente. Mil vezes um árbitro que erra porque se engana, do que um que erra por ter medo.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruzem Record

publicado às 03:19

O campeão que foge dos holofotes

Rui Gomes, em 06.04.22

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Tem o perfil tímido de um homem delicado, a aparência de cidadão vulgar e um rosto sem traços que o distingam da multidão; aos 20 anos é um adolescente sensível, a quem nem sequer se conhece a sua voz e sobre quem se julga ser difícil corresponder às exigências de uma actividade pública.

Quando a bola começa a rolar revela imunidade a qualquer influência do exterior. Gonçalo Inácio começa por distinguir-se destacadamente pela bem impassível serenidade com que reage às circunstâncias que o envolvem numa grande equipa como o Sporting. Com um passado pouco exuberante nas camadas jovens nacionais (só 15 internacionalizações, dos sub-17 aos sub-21) e nunca apontado como estrela da formação leonina, é um produto do olhar clínico de Rúben Amorim que, mal chegou a Alvalade, lhe viu o que mais ninguém detectou e fez dele titular do campeão.

São deveras exigentes as 'regras' que determinam o êxito de um defesa central, todas elas subordinadas a um importante leque de valores adultos como responsabilidade, precisão, concentração e regularidade.

Aos 20 anos, Gonçalo Inácio já tem incorporados elementos tácticos para se antecipar ao tempo e entender cada movimento à sua volta, razão pela qual não está excessivamente dependente dos argumentos físicos.

Não tem por hábito vestir a pele de herói, não tem tiques de vedeta e escapa a cenários épicos resultantes de presença excessiva e espectacular, justamente porque desenvolveu parâmetros de intervenção baseados na noção de segurança e eficácia.

Excerto de um execelente artigo de Rui Dias, em Record, disponível aqui.

publicado às 05:47

Regresso ao futuro

Rui Gomes, em 31.03.22

21105016_F4Vcq.pngNão sei se o Sporting este ano vai voltar a ser campeão. Tenho esperança que sim, sobretudo porque fico com a amarga sensação de que a distância que nos separa do primeiro classificado, tem duas causas maiores.

A primeira radica na qualidade das arbitragens nos confrontos contra o FC Porto, que se traduziram objectivamente em perdas de pontos.

A segunda prende-se com o benefício que o Porto colheu de meia dúzia de arbitragens benévolas. É fácil jogar bem contra adversários encolhidos ou reduzidos.

Não partilho da opinião de que a estrelinha, este ano, rumou a Norte; acho outrossim que os santos padroeiros a quem o Porto pré-encomendou o seu destino, estão a responder cientificamente às suas preces.

Qualquer que seja o desfecho, uma coisa me consola: a constatação que a próxima época está a ser preparada, a tempo e horas.

Este é um registo que contrasta mesmo muito com um passado recente, em que o Sporting contratava jogadores, muitos deles de refugo, no último dia da janela de transferências, já com o campeonato a decorrer, com a consequência inevitável de plantéis desequilibrados.

Rúben Amorim joga por antecipação. Projecta aquilo que irá ocorrer na próxima época e procura agir em vez de reagir. Ugarte e Edwards são bons exemplos dessa metodologia.

Se João Palhinha, Mateus Nunes ou Porro tiverem que sair, pela força das condicionantes financeiras, o Sporting não fica órfão, porque já tem plano B.

O que o futuro nos reserva, só Deus sabe, mas eu sei de certeza absoluta, uma coisa: o Sporting 22/23 vai ser competitivo e ambicioso, como o tem sido ultimamente, porque já não há lugar ao improviso voluntarista.

O campeonato português será de todos quantos se disputam na Europa, aquele em que, para além da pouco prestigiante distinção de ser a competição onde menos tempo se joga, os factores exógenos têm mais peso na classificação. Esclareça-se que, factores exógenos são a organização técnica e administrativa, a disciplina e a arbitragem, com VAR incluído.

Vamos ter um Sporting CP à altura dos seus valores e pergaminhos? Não tenho dúvidas, assim os erros – que os haverá sempre - sejam equitativamente repartidos.

Porque a mão invisível só vale na economia de mercado!

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 03:04

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Baltazar Pinto, ex-presidente do Conselho Fiscal e Discplinar do Sporting, teceu várias considerações em entrevista que concedeu ao jornal Record, entre as quais esta que não será muito bem recebida em todos os cantos de Portugal:

"Este ano a melhor equipa não ganha, nem pode ganhar

quando o sistema está montado".

Alguém terá dito algures que "As verdades podem ser nuas - mas as mentiras precisam de estar vestidas". Não há nada "vestido" nesta afirmação de Baltazar Pinto.

publicado às 05:03

Um leão a tempo e horas

Rui Gomes, em 28.03.22

21312452_L0T3b.pngOrganização e planeamento importam bastante numa qualquer entidade, seja ela uma empresa, um clube ou até uma repartição de Finanças. Não podem matar a criatividade, sob pena de se ficar preso às mesmas ideias anos e anos, mas são estruturais e ajudam em muitos momentos. Num clube diria que são primordiais. Claro que não substituem o dinheiro. O vil metal tem imenso poder. Mas uma boa ideia trabalhada a tempo e horas, às vezes mesmo com menos investimento, consegue melhores resultados.

O Sporting de Amorim é o melhor exemplo disso no futebol português nos últimos anos. Com menos do que os rivais, o jovem técnico veio de Braga para construir uma equipa com princípio, meio e fim. Que mesmo quando não ganha tem um racional por trás. E se a época passada conseguiu o título de campeão que hoje parece estar a fugir-lhe, a verdade é que o Sporting em 2021/22 já leva duas provas internas conquistadas. Se ficar por aqui divide com o FC Porto as quatro em que entra. Tendo em conta a história do clube... não é mau.

Artigo da autoria de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 05:01

Os coletes esquecidos

Rui Gomes, em 18.03.22

Não sei quem lançou as tochas para dentro do relvado, no último Sporting-FC Porto, para a Taça, em Alvalade. Não sei se foram os suspeitos do costume ou se outros quiseram replicar a sua crónica estupidez.

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Sei apenas que eles fizeram um grande favor ao FC Porto, porque desviaram a atenção dos acontecimentos pós-jogo no Dragão. A questão do dia já não são as agressões, a intimidação e a violência organizada, mas o lançamento da pirotecnia, que adquiriu foros da grande nódoa do futebol. Como se isso não bastasse, a claque do Benfica resolveu armar-se em macaco de imitação e temos o FC Porto a esfregar as mãos de contente. Houve até um governante, com tutela sobre o Desporto, que entendeu oportuno pronunciar-se publicamente sobre o flagelo das tochas, mas – pasme-se – deixou-se ficar calado sobre os desacatos no Porto.

Continuo a achar que o que se passou à data no Dragão foi de superlativa gravidade. De igual forma, entendo que o recrutamento de agentes exteriores para exercícios de agressão e constrangimento é das mais deprimentes manifestações de falta de fair-play a que tenho assistido, nos muitos anos em que sigo o futebol.

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Em qualquer outro foro jurisdicional, o Dragão tinha sido preventivamente interditado, os inquéritos disciplinares constituiriam carácter urgente e a generalidade das instituições desportivas e políticas, teriam feito indignado coro na condenação dos acontecimentos. Neste país de brandos costumes, parece que se instalou um pacto de silêncio, à espera do efeito branqueador do esquecimento.

Interrogo-me sobre as razões pelas quais tudo quanto tem a ver com o FC Porto é tão complicado. Porque é que não há ainda arguidos na ‘Operação Prolongamento’, porque é que os árbitros apitam tão mal no Dragão, porque é que há sistemática condescendência para os desmandos disciplinares, os cartões cirúrgicos e por aí fora.

Tenho na memória as peitadas de Jorge Costa a António Rola, a perseguição de Paulinho Santos a José Pratas, a escolta de Pinto da Costa na entrada do Tribunal de Gondomar para concluir que estamos perante uma questão antiga e cultural. Eu sei porque é que as coisas se passam assim. Meter medo ainda assusta muito boa gente.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 04:03

Apipipita

Rui Gomes, em 09.03.22

21105016_F4Vcq.pngMuita tinta vai/deve correr sobre o tema de hoje, que é a recente divulgação de a nossa Liga ser a terceira do mundo (!) com menor tempo útil de jogo e a segunda com mais faltas.

Não faltarão entendidos a argumentar que se trata de uma questão cultural, que carece de pedagogia, que os nossos jogadores são uns fiteiros. Há mesmo quem já tivesse dito que, quando um português joga no estrangeiro, muda logo de atitude.

Será um pouco de tudo isso, mas, em meu modesto entender, nesta pouco ou mesmo nada prestigiosa estatística, ressalta uma causa maior: a arbitragem.

Vamos ser claros: se há pouco tempo útil de jogo, é porque os nossos árbitros não dão os descontos de compensação adequados às paragens e incidências que o jogo tem.

Se há muitas faltas, é porque os árbitros as marcam.

E, claramente, em Portugal, apita-se demais, apita-se de ouvido e apita-se a pedido.

Isto tem uma explicação: é que, na generalidade dos casos, os nossos árbitros entram em campo mais para se defender, do que para gerir, como é suposto, o desafio.

Um árbitro defensivo e timorato, tem tendência a intervir em todos os lances, pecando sempre por excesso e o resultado são aquelas sinfonias de apito tão nacionais.

Um árbitro defensivo é mais permeável ao caseirismo, ao teatro, ao constrangimento, aos bancos ululantes, ao ambiente, ao protesto. Todos nós conhecemos aquelas equipas que apuraram sofisticadas coreografias de intimidação.

Em Portugal, marcam-se as faltas mais ridículas, mais microscópicas, mais virtuais de toda a Europa, porque, desta forma, o árbitro não pode ser criticado por omitir.

Ainda bem que veio alguém dizer que o rei vai nu, mas isso não basta, há que tirar ilacções. Se preendemos fazer um upgrade da nossa Liga, vender caros os direitos centralizados (condição sine qua non para o seu sucesso), necessitamos de uma arbitragem à altura.

É altura de a APAF estar menos preocupada com a honra dos seus filiados e mais com a sua personalidade e aptidões técnicas.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 13:15

Somos todos Ucrânia

Rui Gomes, em 26.02.22

img_192x192$2020_02_13_19_45_22_1663516.pngComo se sabe... o futebol nunca viveu fora do mundo. Bem pelo contrário, o maior movimento social que existe em torno de um desporto sempre foi alimentado pelas paixões políticas e pelos sentimentos de injustiça. Nos primórdios, em Inglaterra, naquele que será o início da sua história popular, o futebol foi muito o território de afirmação da classe trabalhadora contra os patrões, donos do dinheiro e da terra em geral. Foi essa dialéctica social, entre os que procuravam uma voz forte através do futebol e os que viam nele apenas um entretenimento da classe mais alta, que construiu a imensa força que o desporto-rei tem em todo o mundo, em todas as classes e povos. Está tudo no excelente livro de Mickael Correia, "Uma História Popular do Futebol".

Essa dimensão social e popular é o que dá verdadeira importância e força ao futebol, como se viu na vincada contestação à elitização do espectáculo através da falhada Super Liga Europeia. Não são os potentados de dinheiro bem sujo, russo, árabe ou outro, que violam direitos humanos e representam algumas das piores ditaduras da história? Interesses que têm apenas utilizado o futebol para mitigar os crimes que lhes estão colados à pele.

Este é o mundo que Vladimir Putin representa e que deve ser repudiado pelos seus crimes. O que espera, afinal, o alto poder institucional do futebol para banir os clubes russos das competições internacionais?

Os mesmos clubes que procuraram tornear as regras do fairplay financeiro com o apoio de um dos ‘mísseis’ económicos de Putin, a Gazprom, devem agora ser um dos instrumentos sancionatórios contra a Rússia pela invasão ilegal e miserável da Ucrânia. Esses clubes têm sido um braço da estratégia imperial de Putin, que os entregou ao naipe de oligarcas que lhe prestam réditos e vassalagem.

Devem ser severamente sancionados na medida em que essa também é uma das linhas por onde se pode aferir a decência no mundo do futebol. Mas também porque a agressão de Putin é uma violação de todos os valores mais essenciais à paz no mundo, que, de resto, o futebol sempre teve nas suas prioridades. Afinal, que não subsistam dúvidas: somos todos Ucrânia quando uma guerra é declarada contra a democracia. Não podem ficar quaisquer dúvidas.

Artigo da autoria de Eduardo Dâmaso, Director da Sábado, em Record

publicado às 02:30

A noite da despedida inesquecível

Rui Gomes, em 21.02.22

img_192x192$2015_10_12_15_23_37_1005745_im_6366770Nos últimos dez anos, tenho ido pouco ao futebol. Por um lado, o grande conforto de assistir aos jogos em nossa casa, com todas as possibilidades que a técnica hoje nos proporciona, e por outro o bando de anormais que nos podem calhar na bancada fazem com que me mantenha afastado de um dos meus locais preferidos de sempre. Foi uma longa jornada essa, que começou com um tio, no antigo ‘estádio’ do Campo Grande, onde jogava o Benfica no início da década de 50, e continuou com o meu pai, que me arrastava para as Salésias, não fosse o rapaz ‘perder-se’. Prosseguiu ao correr da vida, mais no Restelo do que em Alvalade, acompanhando as filhas, infelizmente só a mais velha adepta firme do Belenenses, e terminou por dever de profissão, quando fosse necessário primeiro, ou me apetecesse mal passei a decisor único da agenda do dia.

Na terça-feira passada, a minha filha mais nova decidiu ir com o seu grupo ver o Sporting defrontar o Man City, e um amigo meu, que tem um camarote em Alvalade, convidou-me a acompanhá-lo. Participei, assim, numa noite bem revivalista, com um intenso ‘cheiro’ a Champions e recheada de motivos de interesse para além de ver os ‘meninos do Rúben’: a presença de uma das actuais melhores equipas do Mundo, um público entusiasta, um estádio outra vez cheio, a vida pré-pandemia a regressar.

Só me arrependi um pouco quando os homens do Man City tinham a posse da bola e os fanáticos se punham a assobiar, muito, é certo, por causa de três adversários portugueses que renovaram, antes da partida e até bastante a despropósito, o benfiquismo que se lhes reconhece. Felizmente que essa animosidade foi baixando muito à medida que o marcador ia traçando o destino, embora mande a verdade que se refira a tremenda infelicidade do Sporting pela forma como sofreu os golos iniciais, que deitaram tudo abaixo.

Até porque tendo os ingleses um outro ‘andamento’, podem ser travados, como se viu no sábado, derrotados em casa pelo Tottenham, carregadinho de estrelas. Como já lá tinham poucas, a Juventus mandou-lhes o Bentancur e o Kulusevski... Tivesse Rúben Amorim mais meios e logo veríamos.

Sim... o fanatismo irrita-me muito. Só vou a Fátima, por exemplo, quando o santuário, semidesértico, me permite disfrutar do silêncio e procurar o sinal que ainda não encontrei. Deixei igualmente de ter partido político, percebi cedo que não gostam que se pense pela própria cabeça. E só permaneço fiel ao ‘Belém’ porque clube não é algo que se abandone – morrerei, assim, a amar o emblema azul seja qual for o escalão em que o futebol do Restelo estiver.

E sublinho isto porquê?... Simplesmente para acrescentar, sem que algumas almas se ponham a querer inventar, que os dez (!) minutos de cânticos e aplausos com que os sportinguistas se despediram em uníssono, de pé, de uma equipa que acabara de ser goleada, constituíram um dos mais belos momentos que tive o privilégio de presenciar – desde sempre e até em qualquer campo de futebol. Extraordinário clube, extraordinários adeptos. Chapeau!

Artigo da autoria de Alexandre Pais, em Record

publicado às 17:30

img_192x192$2020_02_13_19_45_22_1663516.pngNa visão artística e simpática da coisa, os últimos acontecimentos no futebol português davam um inesquecível bolero de faca e alguidar. Mais bolero do que tango. A música desta canção do bandido é mais maviosa do que dramática. Até podíamos chamar-lhe a canção do bandido e a bala perdida. No palco da canção do bandido, a propaganda sempre foi anti qualquer coisa. Marchou-se contra os mouros, contra Lisboa, contra o centralismo, contra o fisco, contra as retretes penhoradas, contra os clubes da segunda circular, contra os jornalistas de quem não se gosta, contra as ovelhas tresmalhadas.

Foi uma receita de sucesso em 40 anos de triunfos. O cimento demagógico empurrou os compositores e intérpretes pelos caminhos da glória. Criou uma ânsia mimética nos rivais, que também criaram os seus boleros de amor e traição. Um deles acabou preso e a oficiar missas na cadeia. Outro imitador grosseiro acabou na gaiola das malucas televisiva, de onde saiu por estes dias com a justiça à perna, sem a protecção da velha guarda pretoriana que lhe garantia as vitórias nas assembleias gerais.

Por fim, o mais esperto dos imitadores triunfou, mas sem a longevidade do criador da obra original e originária. Encontrou o caminho da sua caverna de Ali Babá e dos mesmos esquemas de ensacar a fidelidade dos homens do apito. Simples. Sempre repetindo a velha receita. Juiz reformado, controla juiz novo, que é como quem diz, macaco velho apascenta os macacos novos, numa paixão eterna pelo vil metal. O macaco velho acompanha a vida, as celebrações, amores e desamores do macaco novo e de toda a família. Sabe as datas certas para as prendas habituais.

Para o fim, a coisa até não correu bem e nem o rei dos frangos lhe valeu. O velho crocodilo ficou a reinar ainda mais no pântano deveras fedorento, onde os pequenos jacarés, alguns disfarçados com coletes azuis, já se dão ao luxo de brincar com os velhos códigos da mafia, as balas perdidas e essas coisas. Muito mais espertos do que as toupeiras gorduchas. Num panorama destes é simples. Se as instituições que ainda têm um pingo de dignidade não reagirem, com firmeza e actualidade, acabarão por afundar-se na javardice colectiva de um pântano que desautoriza toda e qualquer narrativa de sucesso e modernização do futebol português.

Artigo da autoria de Eduardo Dâmaso, Director da Sábado, em Record

publicado às 03:03

Que ponham mão nisto

Rui Gomes, em 18.02.22

21312452_L0T3b.pngOntem teve nas mãos uma edição cheia de notícias. Na manchete fica a saber que o clássico vai ter consequências diferentes das habituais. O Estado português parece ter acordado para a vida e as autoridades vão querer falar com quem andou a fazer tristes figuras no Dragão. Mas as conversas, as que consta, serão em tribunal. Não estou a ver daí grandes consequências, mas é bom saber que há alguém que quer por ordem nisto.

De quem ainda não temos nenhumas notícias é do FC Porto e da empresa de publicidade cujos empregados agrediram vários jogadores. Para uma partida que ocorreu na passada sexta-feira parece impossível tanta passividade perante o que o País viu. É esta conivência com a violência que o Estado português tem de travar. Os jogadores já estão castigados. Pepe e Tabata até arriscam uma punição algo exemplar apenas porque escolheram os alvos errados. Já quem estava de fora e agrediu jogadores continua a rir-se. Até agora, o crime compensa.

Sabemos também que João Pinheiro admitiu o erro com Coates mas não pediu desculpa. Pena. Já o observador parece que lhe aponta muita coragem. Deve ter sido por isso que deixou Feddal estar sentado dentro de campo mais de cinco minutos. E o amarelo não foi o único erro. O juiz não foi o culpado da vergonha, mas não façam de nós parvos.

Artigo da autoria de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 13:20

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