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A estabilidade...

Rui Gomes, em 21.10.21

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A estabilidade desportiva parece-me aquela que, de momento, com Rúben Amorim na liderança da equipa leonina de futebol profissional e com as provas entretanto já mais do que dadas por ele enquanto treinador, estará minimamente garantida.

Até porque não me parece que passe pela cabeça de qualquer sócio e adepto de Alvalade exigir o bicampeonato nacional, além de que com a vitória folgada de ontem em Istambul parece mais ou menos alcançável um lugar na Liga Europa que contribuirá um pouco mais para o insuflar do ego dos sportinguistas e a manutenção de um bom ambiente de trabalho entre equipa técnica/plantel/bancada. Alcançar novamente o apuramento directo para a Champions 2022/23 será o seu inconfessável desejo mínimo.

Mas é mesmo na vertente política que tudo se começa (ou nunca se deixou) a jogar e cujos trabalhos estão agora em curso. Seria de esperar que com as várias vitórias desportivas alcançadas no futebol e nas modalidades, com a estabilização da vida do Clube e da SAD no pós-Alcochete e com o grande controle da derrapagem financeira em ano de pandemia, Frederico Varandas e seus pares vissem amplamente reconhecido o seu trabalho.

Contudo e só para inaugurar as hostilidades iniciais, os Relatórios de Contas de 2019/20 e 2020/21 e o Orçamento foram chumbados em Assembleia Geral. Além disso, algumas "caras" já se vieram mostrar e ao que vêm e não me parece que a lista oportunista fique por aqui.

Excerto da crónica de Luís Miguel Henrique, em Record

publicado às 04:19

A Liga da traficância

Rui Gomes, em 15.10.21

O conflito entre Rui Pinto e o alegado empresário de jogadores César Boaventura, ou o "erro de percepção mútuo", como diria Mário Centeno, entre o FC Porto e o empresário de Otávio referente aos 15 milhões que o jogador terá recebido como prémio de assinatura, exemplificam demasiado bem os problemas com que o futebol português se debate.

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Opacidade é a palavra mais óbvia, se de facto quisermos puxar pela diplomacia e não carregar demasiado nas tintas da casa. Não adianta desqualificar Rui Pinto, como faz César Boaventura, num assunto que é óbvio. As negociatas que fez com Luís Filipe Vieira, envolvendo as sociedades anónimas desportivas do Benfica e Atlético são claras. Podemos tentar envolver tudo num qualquer embrulho de verdade formal, com papelada, documentação, registos para cá e para lá, mas nada disso resiste aos buracos deixados em aberto.

O Benfica faz negócios, como o da aquisição de Mika, com empresas que não declaram impostos ou que se refugiam em paraísos fiscais? Sociedades que aparecem e desaparecem à velocidade de um fósforo a arder. Foi esse ambiente de promiscuidade e opacidade que conduziu o clube e Vieira a um abismo reputacional. Conduziu também a práticas de pura traficância, em que a mercadoria são os jogadores mas os corsários que os representam, vendem ou compram é que levam a fatia de leão.

É esse mesmo ambiente que se detecta na brutal discrepância entre os 15 milhões inscritos no Relatório e Contas da FC Porto SAD, a título de prémio de assinatura, e a não menos brutal declaração do empresário de Otávio, que fez um desmentido tonitruante: "O jogador não recebeu nem um euro!". Em que ficamos? É difícil que seja possível sustentar um prémio de 15 milhões para uma renovação de contrato, num clube que já não tem capacidade de reter jogadores valiosos e os deixa sair a custo zero.

Onde fica a polícia do mercado, a CMVM, se ficar calada e não exigir esclarecimentos? Onde vai parar esta Liga Portugal se deixar crescer o ambiente de traficância que está instalado? Que credibilidade tem um futebol que gera os melhores jogadores do mundo mas também os piores gestores do planeta? Já para não falar dos alegados empresários, que enchem os bolsos vendendo a cumplicidade que os presidentes que se julgam donos dos clubes necessitam para fazer as suas negociatas. Uns e outros são a toxina mortal para este futebol e esta Liga da traficância.

Artigo de Eduardo Dâmaso, Director da Sábado, em Record

publicado às 03:03

Amorim tudo mudou

Rui Gomes, em 24.09.21

img_192x192$2015_10_12_13_07_15_1005695_im_6366777Os números de Rúben Amorim desde que chegou ao Sporting são avassaladores – hoje, diante do Marítimo, tem oportunidade de conseguir um registo que não se vê em Alvalade desde a década de 50. Frederico Varandas e Hugo Viana tiveram o mérito da decisão corajosa de pagar 13 milhões ao Sp. Braga pelo treinador, mas a verdadeira transformação no clube deve-se a Rúben Amorim, quer seja pelos resultados e títulos, quer seja pela aposta nos miúdos ou até na forma como comunica. Todo o Sporting agradece: as bancadas acalmaram-se, o clube vai-se unindo, as receitas aumentaram graças à valorização de jovens e entrada na Champions.

Mesmo que não seja um tema muito urgente, seria algo benéfico para o próprio Sporting pensar desde já num futuro pós-Amorim. Mais tarde ou mais cedo (provavelmente cedo...), o técnico irá deixar Alvalade rumo a uma liga de topo e deixará um vazio difícil de preencher. Por essa altura, Frederico Varandas e Hugo Viana terão de ter montado uma estrutura com bases muito sólidas para conseguir dar continuidade ao projecto de aposta e valorização de jovens jogadores. Com uma certeza: não há ‘Amorins’ ao virar de cada esquina. Não foi assim há tanto tempo para que nos esqueçamos do que era o Sporting (de Varandas e Hugo Viana) no pré-Amorim.

Artigo da autoria de Sérgio Krithinas, Director Adjunto de Record

*** O leitor fica com a ideia que já querem ver Rúben Amorim fora do Sporting?

publicado às 03:03

img_192x192$2015_10_12_15_23_37_1005745_im_6366770Há poucos meses, quando o Sporting se sagrou campeão nacional, os seus adeptos reagiam mal ao que consideravam ser as ‘desculpas’ dos adversários para o êxito leonino. Em boa parte, tinham razão, mas vê-se agora que não tinham toda a razão. De facto, uma coisa é jogar ao fim de semana, outra é entrar em campo a cada três dias. Uma coisa é investir muitos milhões em jogadores já feitos, outra é fazer ‘crescer’ apressadamente activos da Academia. Uma coisa é contratar profissionais com experiência e currículo internacional, outra é tentar convencer os ‘miúdos’ que, tendo também uma cabeça e duas pernas, é possível baterem-se de igual para igual com gente carregada de tarimba europeia.

Num plantel curto e ainda ‘imberbe’ não espanta que a falta de Coates e Pote se tenha feito sentir tanto, o que levou já os entusiásticos veneradores de Rúben Amorim – que fizeram o mesmo com Bruno Lage quando lhe começaram a faltar os resultados depois de ter sido campeão – a questionarem as suas opções. Caso das cedências de Eduardo Quaresma ou Sporar, como se a SAD nadasse em dinheiro e pudesse ficar com todos. Ou um treinador exigente e ponderado se tivesse transformado num irresponsável só por causa de um desaire europeu!

Rúben Amorim falou, e muito bem, das ‘dores de crescimento’ e nisso reside o cerne do problema. Não se cresce sem sofrimento. Ou os sportinguistas se convencem que poderão não ser campeões de novo este ano e se conformam com isso, dando tempo ao treinador para continuar a construir uma equipa sólida – a resposta no Estoril após o ‘desastre’ foi excelente – ou se juntam às críticas dos arrivistas, põem em causa o trabalho feito e tudo voltará ao princípio. Não existe terceira alternativa e é péssima, horrível, a recordação que os anteriores ventos de destruição deixaram em Alvalade.

Artigo da autoria de Alexandre Pais, em Record

publicado às 02:18

O fair-play é uma treta

Rui Gomes, em 18.09.21

img_192x192$2020_02_13_19_45_22_1663516.pngJorge Jesus não tinha razão quando disse que o fairplay era uma treta. Teria razão para dizer agora que o fairplay financeiro é uma treta. Ainda não foi nesta jornada inaugural da Champions que se fez a prova plena do desequilíbrio introduzido no futebol pelos clubes financiados pelos petrodólares do Qatar e de outros emirados árabes onde os direitos humanos são a mais pura das tretas.

Desde logo porque o trio milionário feito por Mbappé, Messi e Neymar foi incapaz de cilindrar o muito modesto Brugge. Ou porque o também milionário Atlético Madrid não conseguiu ganhar a um bravíssimo FCPorto, onde continua a abismar o talento mas, sobretudo, a garra, entrega e determinação de todos, de jogadores a treinador. Mas que vamos a caminho de uma espécie de Liga dos Milionários fáctica, reduzida a meia dúzia de clubes, restam poucas dúvidas.

Mesmo por cá, o grande desequilíbrio do dinheiro vai deixando os seus traços. O Sporting claudicou perante o Ajax e poderia ter evitado a goleada se tivesse armado o autocarro em frente à baliza. Optou pela aventura romântica de jogar o jogo-pelo-jogo até ao fim, de querer contrariar a dinâmica dos acontecimentos pela generosidade do esforço físico e pela superação da vontade. Falhou rotundamente e deve retirar as devidas ilacções.

Sobretudo, duas: como gerir um plantel inegavelmente muito curto de opções, como é bem evidenciado pela fatídica conjugação de lesões e castigos; como ultrapassar a dura realidade de ter perdido um jogador, João Mário, que custaria ao clube mais do que todo o meio-campo do Sporting. E se a primeira questão já abre a porta grande para o problema financeiro, a segunda demonstra claramente que, também por cá, fairplay-financeiro é uma boa treta.

Sobra, por fim, uma terceira questão que emerge das outras duas. Até que ponto vai o Sporting aguentar a pressão, no campeonato nacional, de ter um plantel pequeno, limitado e barato, assente em grande parte na formação, que funcionou o ano passado num quadro competitivo diverso e numa ruptura com o modelo de negócio clássico, marcado pelo irrealismo financeiro?! Principalmente, perante adversários que gastaram muito mais ou que aguentam plantéis mais caros mas muito mais diversificados nas soluções. É que se o fairplay financeiro ainda não é uma treta, cá pelo burgo, anda lá muito perto.

Artigo da autoria de Eduardo Dâmaso, em Record

publicado às 03:02

Dimensão europeia

Rui Gomes, em 17.09.21

img_192x192$2015_10_12_13_07_15_1005695_im_6366777Os resultados das três equipas portuguesas na primeira jornada da Liga dos Campeões acabam por ser um espelho adequado da actual dimensão europeia de cada uma delas. O Benfica empatou em casa do campeão da Ucrânia, um resultado que não envergonha mas que está longe de ser uma demonstração de força; o Sporting está longe do andamento da Champions League e a goleada sofrida diante do Ajax mostrou o quão curta é a manta à disposição de Rúben Amorim; por fim, o FC Porto, que tinha o jogo (e o grupo) mais difícil, jogou de faca nos dentes e bateu-se de igual para igual em casa do Atlético Madrid, não chegando à vitória por causa de uma mão de Taremi no sítio errado.

É ainda cedo para antecipar o futuro de cada uma das equipas nesta edição da Champions. O Sporting, que integraria o grupo com menos tubarões por metro quadrado, complicou bastante as contas depois da goleada sofrida em Alvalade. O Benfica jogará muito do seu futuro no próximo duelo, em casa, com um Barcelona que, apesar de não parecer, continua a ter uma equipa bem recheada de craques. Quanto ao FC Porto, é o mais fácil de prever: aconteça o que acontecer na próxima jornada frente ao Liverpool, vai estar na luta pela qualificação até ao fim. São muitos anos a este nível.

Artigo de Sérgio Krithinas, Director Adjunto de Record

publicado às 03:33

A demissão do VAR

Rui Gomes, em 14.09.21

img_192x192$2015_10_12_13_01_03_1005691_im_6366771Os jogos envolvendo os grandes nesta 5.ª jornada da Liga deram motivos para reflectir. Em ambos os casos, ficou-se com sensação que não tiveram VAR. Ou por inércia pura e simples, ou porque os homens na Cidade do Futebol foram solidários com os árbitros de campo, ou, menos provável, porque os chefes de equipa não lhes deram ouvidos. Foi assim no Sporting-FC Porto e, de forma ainda mais flagrante, no Santa Clara-Benfica.

Há erros bastante claros, outros discutíveis e cada um faz uma interpretação particular de cada lance, não sendo necessário, em muitos casos, ser especialista para interpretar aquilo que os olhos vêem. Em Alvalade, os lances de Pepe e Taremi sobre Coates mereceriam, no mínimo, uma análise muito mais aprofundada, leia-se a visualização das imagens, e não um conveniente ‘siga’ em nome da fluidez do jogo.

Pior ainda foi o que se passou nos Açores, desta feita através do categorizadíssimo Artur Soares Dias a desempenhar o papel de VAR. Se o lance com Diogo Gonçalves na área encarnada justificaria, no mínimo, a perda de uns segundos de discussão com o árbitro Rui Costa, já a viril saída de Vlachodimos, que atingiu Mansur à entrada da área, é um erro crasso que passou em claro. Qual é, afinal, a função do VAR? Não comprometer?

Artigo de Luís Pedro Sousa, Chefe de Redacção de Record

Nota: Já aqui referi ontem este artigo de Luís Pedro Sousa, mas só hoje tive ocasião de o publicar. Subscrevo as suas considerações genericamente embora hesite em afirmar que os erros no jogo nos Açores foram mais "flagrantes" dos que ocorreram em Alvalade.

publicado às 03:03

Paulinho e o lobo

Rui Gomes, em 10.09.21

(...) O que precisa de fazer Paulinho para devolver a Rúben Amorim os muitos milhões que o Sporting investiu nele? Antes de tudo, manter a calma e a autoconfiança. Não há bons pontas-de-lança sem um ego tão enorme como a cegueira pela baliza.

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É óbvio que Paulinho anda perdido no campo. Defende demasiado em zonas que não lhe compete tamponar. Faz sprints que terminam com carrinhos defensivos absolutamente desajustados numa pura avaliação de custo-benefício. Nesse particular, Paulinho lembra uma má fase de Liedson, onde o extraordinário levezinho também se desgastava em terrenos sem nexo e depois ficava à míngua de golos. Paulinho tem de reservar as suas energias para as zonas de decisão. Que são quase as mesmas, quer a defender, quer a atacar, salvo nos lances de bola parada defensiva.

Tão essencial como o que o que já ficou escrito, Paulinho tem de parar com as simulações de pancadas dolorosas em cada lance dividido. O avançado em que o Sporting tanto investiu já tinha esta pecha em Braga. O defeito agravou-se com a passagem para o Sporting. Qualquer bola dividida, em que Paulinho esteja de costas para o ataque, acaba com este aos gritos e a rebolar-se no chão. Ora o que se pretende para Portugal é que se aproxime dos minutos de bola a rolar que ostentam as mais evoluídas ligas do globo. Os árbitros, os melhores, estão a batalhar por isso.

Já Paulinho está no vergonhoso grupo daqueles que persistem em fazer exactamente o contrário. Pede faltas e faltinhas onde não há nada, nadinha. O que está Paulinho a conseguir com esta atitude? Está a desgastar a sua imagem ao ponto de, nos sítios que mais contam, os árbitros já não marcarem faltas que existem mesmo, salvo se forem de gritante evidência. É a velha história de ‘Pedro e o Lobo’.

Se Paulinho não eliminar os seus defeitos de correcção simples (o péssimo jogo com o pé direito, somado com as correntes dificuldades de controlo espacial, mesmo quando a bola pede pé esquerdo, já não são passíveis de grande melhoria, aos 28 anos) tornar-se-á o pior investimento da era-Varandas.

Mas Paulinho ainda está muito a tempo de dar a volta a este texto.

Artigo da autoria de Octávio Ribeiro, em Record

*** Octávio Ribeiro parece estar muito preocupado com o rendimento de Paulinho e com o investimento do Sporting. Faz pensar no que o motivou a dedicar um extenso artigo, quase na sua totalidade, ao avançado do Sporting.

Achei ( pouca) piada ao facto de ousar fazer recomendações sobre as zonas do terreno que Paulinho deve pisar, face às exigências tácticas de Rúben Amorim.

Ainda... sobre o tema de simulações. Recomenda-se que ajuste o seu compasso para o Norte do país onde militam os maiores especialistas do futebol português. Nem sequer vou indicar nomes, não há ninguém que não os conheça... e vão estar em Alvalade no sábado.

publicado às 03:02

Centralização bicuda

Rui Gomes, em 08.09.21

Surpreendentemente, e daí talvez não, a cimeira de presidentes da Liga, considerou a antecipação da centralização de direitos televisivos, porventura já na próxima época.

Lembre-se que o DL nº 22-B/2021 previa a centralização, a partir da época 2027/2028, embora admitisse que, por consenso dos interessados, pudesse ocorrer mais cedo. Porquê agora esta pressa? Em minha opinião, este volte-face tem um nome, que é CVC Capital Partners.

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Em Espanha, com base única na sociedade veículo que comercializa os direitos de transmissão, a CVC adiantou aos clubes 2,1 mil milhões de euros e, em contrapartida, cedeu 11% dessa sociedade durante 50 anos. Esta bazuca, veemente contestada pelo Real Madrid, veio aliviar fortemente as tesourarias dos clubes, depauperadas pelo Covid.

Só também centralizando em Portugal se conseguirá obter um enquadramento jurídico, que permita pensar numa operação semelhante. Este percurso confronta-se, porém, com alguns escolhos.

O primeiro tem muito a ver com os contratos actualmente vigentes e que teriam de ser denunciados. O segundo prende-se com os financiamentos que a generalidade dos clubes obteve com base nas receitas futuras, justamente com origem em tais contratos e que estão dadas como garantia às entidades mutuantes. O terceiro, last but not least, consiste na grande dificuldade em acomodar os interesses de todos os intervenientes, sobretudo dos três grandes que, naturalmente, não querem perder receitas com a centralização.

Se estiveram atentos às declarações de Rui Costa na cimeira, foi isso exactamente o que ele quis dizer. Tendo em conta o fosso quantitativo entre o que recebem, em Portugal os três grandes, e os outros, acomodar todos os interesses releva da quadratura do círculo.

Acresce que La Liga tem argumentos de elevada qualidade, organização e protagonistas que, infelizmente, não se replicam nas nossas competições. Desejo a maior sorte a Pedro Proença nesta missão tão espinhosa. Talvez o aliciante de um maná de dinheiro ajude a amenizar irredutibilidades. Mas que é difícil, é sim senhor.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 03:02

Foto do dia

Rui Gomes, em 27.08.21

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publicado às 04:16

Fenómenos estranhos

Rui Gomes, em 17.08.21

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Numa das suas crónicas, intitulada Fenómenos Estranhos, Bernardo Ribeiro, Director de Record, escreve o seguinte:

"Fernando Santos descobriu que João Mário tem valor para voltar à Selecção. Este País tem muitas coisas estranhas e algumas escolhas dos treinadores são uma delas. Fico feliz com o regresso do médio. Era lá que deveria ter estado, no triste Euro que fizemos. O que terá mudado da época passada para esta?".

Todos nós sabemos a resposta à pergunta de Bernardo Ribeiro, mas, ao fim e ao cabo, tendo conhecimento do que a 'casa gasta', e neste caso concreto, no que diz respeito ao seleccionador nacional, será que é surpresa alguma?

publicado às 04:47

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"O colectivo não estava a resolver. O que lançou a vitória e a boa exibição foi o talento individual: dois golos sensacionais de Pote... (o segundo absolutamente maravilhoso) introduziram os dados que permitiram ao Sporting impor-se sem discussão. Foi o goleador quem despertou o leão".

Análise de Rui Dias, em Record

publicado às 06:02

Uma entrada de leão

Rui Gomes, em 08.08.21

21312452_L0T3b.pngA época começou bem para o Sporting. Após a conquista da Supertaça frente ao SC Braga, uma entrada de leão na liga com um 3-0 claro e sem espinhas com o Vizela. É apenas a primeira jornada, mas mostra a equipa de Rúben Amorim num momento de forma interessante e a sobreviver sem a classe de João Mário, que o dinheiro levou ao outro lado da Segunda Circular.

Não vai ser uma temporada fácil para o clube de Alvalade. Este ano há Liga dos Campeões e jogos a doer a meio da semana. Há também público nas bancadas. E há rivais mais despertos do que na época passada, em que terão desvalorizado um leão bem mais forte do que o esperado. Amorim sabe-o bem. Tem avisado. Varandas também.

Mas ele e Hugo Viana em termos de reforços não conseguem fazer muito mais do que até aqui. A não ser que as saídas de Leo Messi e Jack Grealish transformem o que parecia ser um ano parado num Agosto louco. Rúben prefere que não haja vendas. Porque sabe que não é fácil substituir Matheus Nunes, Palhinha e muito menos Pote. Os reforços nem sempre justificam o epíteto...

Artigo da autoria de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 03:47

Um triunfo justíssimo

Rui Gomes, em 02.08.21

21312452_L0T3b.pngHouve um bom jogo de futebol e um vencedor inteiramente justo em Aveiro. A Supertaça fica bem entregue aos leões pelo que fizeram, os guerreiros foram dignos vencidos pelo que lutaram. O público já deu um ar de sua graça. O jogo é tão mais bonito com o colorido de quem o ama nas bancadas.

O Sporting entrou bem e teve em Matheus Nunes um bom sucessor para João Mário. Problema é que os leões ainda precisam de vender e o jovem médio é um dos que podem sair. Esse vai ser um dos maiores problemas do campeão esta temporada. A diferença de capacidade de investimento. Ficar só com Ugarte, Bragança, Palhinha e Tabata é um risco. Desportivo, diga-se, financeiramente entende-se...

Artigo de Bernardo Ribeiro, Director de Record

publicado às 03:45

Arrumar a casa

Rui Gomes, em 30.07.21

O Sporting fechou Ugarte. Dá finalmente a Rúben Amorim mais um médio após a perda de  João Mário e fica com o plantel fechado... até ver. Porque por muito que o técnico diga que a ideia é segurar os que estão e não procurar novos reforços, a realidade não é bem esta. Tanto o treinador como a SAD sabem que pode ser preciso vender alguém e, mesmo sem uma eventual saída, os leões gostavam de ter mais um avançado e um central. Não são vitais porque... não há dinheiro para os garantir de certeza. E Varandas e Viana têm sorte no homem que escolheram para treinar: é solidário com o projecto e vai à luta com o que tem. Por muito que seja pouco.

Excerto de um artigo de Bernardo Ribeiro

Nada melhor que ter boa informação e o director do jornal Record aparenta estar muito bem informado sobre o Sporting. Sabe que jogadores a SAD gostaria de ter, além do actual plantel, sabe do dinheiro que o Clube tem disponível e, acima de tudo, sabe que o que há da equipa é pouco.

Com isto, não me dei ao trabalho de rever a sua análise no início da época passada, mas a julgar por esta, deve ter sido do pior.

publicado às 05:02

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Esta pré-época do Sporting ainda vai trazer algumas mudanças no plantel mas a estrutura está definida, ou seja, não acredito que possam acontecer alterações muito radicais a partir de agora. Respondendo à pergunta, podemos falar de dois tipos de possíveis saídas: por dispensa ou por venda. As saídas por dispensa já estavam consumadas antes do estágio. É claro que há jogadores que têm vindo a fazer a pré-época que não vão ficar a tempo inteiro no plantel, mas vão trabalhar regularmente com a equipa durante a época. Quanto a saídas por vendas, mais perto de uma saída diria que podem estar o Matheus Nunes, o Jovane e o Luís Maximiano, por esta ordem. 

O Manuel Ugarte é mais uma certeza do que uma dúvida, claramente. Aliás, um elogio não tem assim tantas segundas leituras mas o facto de Rúben Amorim ter considerado Ugarte um excelente jogador é mais um dado a juntar ao que já se sabia, e o que se sabia é que os termos do negócio estão alinhavados. Agora será uma questão de tempo, porque o Ugarte está a recuperar de infecção por Covid-19. Mas tenho poucas dúvidas de que será jogador do Sporting a breve prazo.

Comentário de Vítor Almeida Gonçalves, no fórum de Record

publicado às 03:03

O leitão do nosso descontentamento

Rui Gomes, em 06.07.21

Foi dado grande destaque mediático ao recente encontro dos presidentes dos clubes da Primeira Liga, no restaurante o Rei dos Leitões, na Mealhada.

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Esta reunião até nada teria de singular não fora dois significativos pormenores. O presidente da Liga não foi incluído e os presentes fizeram questão que isso se fosse conhecido. Foi noticiado ainda, pouco depois, um muito improvável tête-à-tête, entre os presidentes do Benfica e do FC Porto, no exacto mesmo restaurante. Desta feita, consta que o presidente da Liga teria participado em pelo menos parte da conversa. Finalmente dá-se agora eco à possibilidade de os principais clubes da Primeira Liga formarem uma associação independente para dialogar com o Governo sobre o incerto futuro do futebol.

Esta cronologia justifica algumas reflexões. A primeira é que o futebol está em tempo de divisão. Parece óbvio que os grandes clubes não se sentem representados pela Liga e, dentro desses grandes clubes, há quem se posicione para liderar o processo. A segunda é que causa impressão ver assuntos tão importantes tratados entre duas trinchadelas. A terceira é que FC Porto e Benfica querem voltar a liderar o futebol português, mesmo que, para isso, tenham de engolir ressentimentos ancestrais.

Se há alguma coisa que o ‘Apito Dourado’ e o ‘E-Toupeira’ ensinam é que os presidentes actuais do Benfica e FC Porto alimentam um sentimento proprietário relativamente ao futebol e que eles não hesitam sequer na legalidade dos meios utilizados para alcançar esse desiderato. Como é óbvio, o FC Porto não encara, nem por um minuto, partilhar o poder com o Benfica; aproveita-se, sagazmente, das debilidades actuais do presidente do Benfica para o atrair com cantos de sereia. Depois, quando for altura, descarta-o, se a oposição interna não o fizer antes.

Toda esta movimentação pressupõe a marginalização da Liga, que fica remetida a um mero papel de gestora administrativa do futebol profissional. A hegemonia que o Sporting Clube de Portugal conquistou este ano desencadeou um abalo telúrico de enormíssimas proporções na concorrência, porque os confrontou com a amarga constatação que já não mandavam como outrora.

Com estes protagonistas e esta mentalidade, o futebol não pode esperar a transparência, sustentabilidade e competitividade tão necessárias à sua credibilização. Este ‘dueto do leitão’ lembra-me irresistivelmente os velhos dos Marretas, que teimam em não sair de cena.

A alternativa, portanto, é continuar a ser afilhado destes padrinhos ou assumir o Ipiranga de um novo modelo de modernidade, no seio das ditas instituições a quem foi legalmente cometido o encargo de gerir o futebol.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

publicado às 12:30

Medo de ser o melhor

Rui Gomes, em 29.06.21

21312452_L0T3b.pngA opinião no Record é livre. Qualquer articulista que escreve neste jornal sabe bem isto. Acontece não raras vezes numa casa em que a opinião não está à venda alguém defender uma coisa e outra pessoa o contrário pouco mais à frente. Em Portugal é algo que se pode fazer desde 25 de Abril de 1974 e nós por cá vamos aproveitando. Serve a introdução para dizer que estou muito grato a Fernando Santos. Nunca lhe poderei agradecer devidamente a conquista do Euro’2016. Confesso que ainda hoje olho para trás e tudo me parece mentira. A Liga das Nações foi apenas a cereja no topo do bolo. O agradecimento é eterno. E sincero.

Dito isto, estou também muito farto da ideia que defende para a Selecção Nacional. Farto que Portugal tenha medo de jogar bem. Farto que Portugal tenha medo de ser o melhor. Farto de ver Portugal jogar sempre na reacção e nunca no protagonismo. Sei que a Bélgica é muito forte. E até que é a primeira classificada do ranking. Ou que De Bruyne é um dos melhores médios do Mundo. Mas também sei a tristeza que sinto ao ver Portugal reduzido a esta ideia de futebol tacanho. Obrigado, Fernando. Mas já chega.

Artigo da autoria de Bernardo Ribeiro, Director de Record

*** Em nota separada, manchete na capa de Record esta terça-feira... "Fernando Santos firme. Continuidade não está em causa".

publicado às 03:48

Afirma Pereira

Rui Gomes, em 02.06.21

Descansem os leitores que não vou transformar esta crónica numa apreciação literária do magnífico livro de António Tabucchi, mas, em última análise, até seria melhor.

O enredo não é ficção, mas triste realidade.

O presidente da ANTF, José Pereira, na recém-cerimónia de (justa) homenagem a alguns treinadores locais, transmitiu que Rúben Amorim continuava sem ter a licença UEFA Pro, correspondente ao famigerado IV grau.

Note-se que a grande preocupação do dito presidente não foram as condições laborais, o desemprego, os salários em atraso, a dignificação da classe, a ética das relações entre profissionais, nada disso. O tema foi, espantosamente... Rúben Amorim.

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O dito presidente nada disse sobre a circunstância de o último curso ter sido organizado pela FPF, em Novembro de 2020, circunscrito a 20 candidatos e deixando de fora 199 (!) pretendentes, corporizando uma violação deveras enviesada do direito ao trabalho. Se calhar essa circunstância não o apoquenta, porque na prática são menos os concorrentes para os escassos lugares vagos.

A queixa da ANTF no Conselho de Disciplina da FPF é de uma deprimente sibilinidade. Não diz simplesmente que Rúben não tem as certificações exigidas, outrossim acusa-o, a ele e ao Sporting, de simulação e fraude, na elaboração do contrato de trabalho, pondo em causa o poder conformativo da prestação laboral, que assiste ao Sporting, enquanto entidade patronal, e o dever de obediência que impende sobre Rúben Amorim, enquanto trabalhador.

Rúben Amorim já deu a resposta em campo e, sem a UEFA Pro, ganhou o campeonato. Eu sei que do ponto de vista legal não tem relevância, mas é uma bofetada de luva branca no corporativismo da ANTF, que, por exemplo, ficou calada perante as cenas macacas de Sérgio Conceição e Paulo Sérgio ou na pública descortesia de Jorge Jesus com Lito Vidigal, assuntos que deve ter considerado menores.

Tive de fazer uma grande busca na internet, para saber que clubes o presidente da ANTF tinha treinado, antes de se alcandorar à posição cimeira da classe e fiquei elucidado. Como treinador e como presidente, o registo é igual: fraca figura.

Artigo da autoria de Carlos Barbosa da Cruz, em Record

NOTA: Como referenciámos ontem, o Sporting CP e Rúben Amorim foram absolvidos das acusações de falsas declarações e fraude e de fraude na celebração dos contratos, com a acusação ao Clube de quadro técnico sem as habilitações mínimas a ser arquivada.

Apesar desta decisão, a ANTF emitiu um comunicado através do qual vinca a sua posição sobre Rúben Amorim.

publicado às 03:19

Campeão low-cost

Rui Gomes, em 19.05.21

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Muito já se falou - e vai-se continuar a falar, merecidamente, diga-se - da brilhante equipa do Sporting, seu treinador e respectivo staff técnico. Chegou o momento de dar algum destaque a dois obreiros da campanha que levou à conquista do título nacional.

Para o efeito, transcrevo um excerto da crónica semanal de Bruno Prata, em Record, que se dá pelo título de "Campeão low-cost":

A Frederico Varandas e Hugo Viana têm de ser dados muitos dos créditos do título. Agora é fácil dizer que os 13 jogos (e as 10 vitórias) de Rúben Amorim em Braga já indiciavam um técnico especial. Mas não foi nada pacífico quando o Sporting CP aceitou pagar, com dinheiro que ainda não tinha, os 10 milhões de euros (mais os acrescentos). Aprenderam com os erros e a Viana terá de se penhorar o engenho da descoberta de Porro, da aposta no mercado nacional e na sapiência de Adán, Feddal e João Mário.

O plantel foi formado por forma a potenciar Nuno Mendes, Gonçalo Inácio, Tiago Tomás e outros da ‘fábrica’ de Alcochete, que voltou a ter estruturas dignas e qualificadas. Mais: a história desta liga seria bem diferente se Viana não tivesse desviado Nuno Santos e Pote da rota do Dragão. A chegada de Paulinho em Janeiro custou metade dos gastos em reforços, mas satisfez o treinador e deu outra dimensão ao jogo leonino.

Varandas teve de fazer um despedimento colectivo e, mesmo assim, é bem capaz de ser o presidente do Sporting com sucesso mais instantâneo: foi eleito em Setembro de 2018 (com apenas 42,32% dos votos) e, desde aí, arrecadou "apenas" um título nacional, uma Taça de Portugal e duas Taças da Liga (para além dos títulos europeus de futsal e hóquei, entre múltiplos sucessos nas amadoras).

As conquistas desta época premeiam, sobretudo, quem, na hora do champanhe, soube dar palco aos jogadores e aos treinadores. Frederico Varandas mostrou ter aprendido que o presidente serve para presidir e para delegar competências. Mas o seu êxito também serve para provar que se pode ganhar com uma dignidade e uma compostura que envergonha os incendiários e todos aqueles que nos tentam convencer, a todo o custo, de que o sucesso desportivo é sinónimo de baixeza e até de malfeitorias.

publicado às 04:04

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